Dez principais tendências de BI para 2018

iot_visa.jpg*Por Eduardo Schvinger
04/01/2018 - Toda empresa – desde startups emergentes até as organizações globais – precisa lidar com um número incalculável de dados, e a necessidade de desenvolver um método eficaz para gerenciar esta demanda tem sido um grande ponto de discussão. Por isso, a maioria das companhias tem implementado soluções de Business Intelligence (BI) com o objetivo de elevar e acelerar decisões direcionadas por dados.

Veja as 10 tendências mais relevantes para ter em mente para o próximo ano, de acordo com a Tableau:

Não tenha medo da Inteligência Artificial

Automatizar tarefas simples, que dependem de mão de obra intensiva, como matemática básica, garante aos analistas ganho de tempo para pensar estrategicamente sobre implicações comerciais de suas análises e planejar os próximos passos. Além disso, a IA ajuda o analista a permanecer no fluxo de seus dados. Sem precisar parar números decisivos, os analistas podem fazer as próximas perguntas para se aprofundarem na análise. É inegável o potencial da máquina, mas é fundamental reconhecer que ela deve ser adotada quando há resultados claramente definidos. Embora possa haver a preocupação do profissional ser substituído, a automatização pode ser a grande aliada do analista, tornando-o mais preciso e impactante para os negócios.

Aposte no processamento da linguagem natural

O Gartner prevê que até 2020 50% das consultas analíticas serão geradas por meio de pesquisa e processamento de linguagem natural (NLP, sigla em inglês) ou voz. A NLP capacitará pessoas a fazerem perguntas mais detalhadas sobre os dados e receberem respostas relevantes que as levem até as melhores decisões. Simultaneamente, os desenvolvedores e engenheiros darão maiores passos ao explorar como a PNL é utilizada, examinando como as perguntas são feitas. O maior desafio e melhor ganho será o de enfrentar ambiguidades e entender os diversos fluxos de trabalho. A oportunidade surgirá, não da colocação da NLP em todas as situações, mas tornando-a disponível nos fluxos de trabalhos corretos para que se torne uma segunda natureza aos que a utilizam.

O futuro da governança de dados depende de contribuições coletivas

A medida em que a análise de autoatendimento se expande, um funil de perspectivas e informações valiosas inspira formas inovadoras de implementar a governança. Governança é muito mais sobre o uso da sabedoria de um grupo de pessoas para obter os dados certos para as pessoas certas, do que sobre bloquear dados para um grupo de indivíduos. As estratégias de BI e de análise devem abraçar o modelo moderno de governança em 2018: os departamentos de TI e engenheiros de dados farão a curadoria e a preparação das fontes de dados confiáveis e, com o serviço autônomo, os usuários finais serão livres para explorar dados confiáveis e seguros.

O debate sobre múltiplas nuvens continua

Segundo a Gartner, uma estratégia de multi-nuvem se tornará comum para 70% das empresas até 2019. Ao passo que as empresas se preocupam cada vez mais com a vinculação de uma única solução herdada, avaliar e implementar um ambiente multi-nuvem pode determinar quem oferece o melhor desempenho e suporte para cada situação. No entanto, enquanto a flexibilidade pode ser uma vantagem, essa abordagem aumenta o custo indireto ao dividir as cargas de trabalho entre provedores e forçar desenvolvedores internos a aprenderem sobre várias plataformas. Com a adoção multi-nuvem em ascensão, as companhias devem avaliar sua estratégia e medir a adoção, uso interno, demandas de carga de trabalho e custos de implementação para cada plataforma.

A ascenção do Chief Data Officer

Análises de dados estão se tornando cada vez mais relevantes para as organizações, mas em alguns casos, há um atrito entre o CIO e a empresa devido a uma incompatibilidade entre o ritmo em que as informações são criadas e as exigências de segurança e governança dos dados. Com isso, o C-Suite está se tornando responsável pela criação de uma cultura de análise. Para muitos, a nomeação de um Chief Data Officer (CDO) ou Chief Analytics Offices (CAO) para liderar a mudança de processos de negócios, superar barreiras culturais e comunicar o valor da análise em todos os níveis, é a resposta para esta questão. O papel do CDO/CAO é focado em resultados e eles garantem que há conversas proativas de nível C acontecendo sobre como desenvolver uma estratégia de análise desde o início.

A "Localização das Coisas" vai guiar a inovação em IoT

Como uma subcategoria da IoT, a "localização das coisas" abrange os dispositivos que detectam e comunicam posição geográfica. A captura desses dados permite ao usuário considerar o contexto adicional da localização de um dispositivo ao avaliar a atividade e os padrões de uso. Esta tecnologia pode ser usada para rastrear recursos, pessoas e, até mesmo, interagir com dispositivos móveis como smartwatches ou crachás para fornecer experiências personalizadas. Ao que se refere à análise de dados, os números baseados em localização podem ser vistos como uma entrada x saída de resultados. Se os dados estiverem disponíveis, o analista pode incorporar essa informação para entender o que está acontecendo e o que ele deveria esperar acontecer.

Vulnerabilidade leva a um aumento no seguro de dados

Para a maioria das empresas, os dados são um ativo comercial essencial. Como temos acompanhado, por meio de brechas de dados recentes e proeminentes, uma ameaça pode ser devastadora e causar danos irreparáveis à marca. A transformação de dados em commodity significa que o valor da companhia só aumentará e, em última análise, levará novas questões e discussões sobre como essa matéria-prima impulsionará as empresas a maiores vantagens. E como qualquer bem de uma companhia, não é bom que seja roubado. Por isso, procure por empresas que investem com sabedoria em cibersegurança para garantir que este bem esteja protegido.

A função do engenheiro de dados ganhará mais importância

Os engenheiros de dados estarão cada vez mais conectados ao movimento de usar os dados para tomar melhores decisões de negócios. Entre 2013 e 2015, o número de engenheiros de dados mais do que duplicou. Em novembro de 2017, já existiam mais de 3500 posições abertas para "engenheiro de dados" no LinkedIn, indicando a crescente demanda por esta especialidade. Responsáveis por toda a extração de dados fundamentais do negócio, à medida que a taxa de dados e capacidade de armazenamento aumenta, alguém com grande conhecimento técnico dos sistemas torna-se crucial.

O impacto humano das artes liberais no setor da análise de dados

Com as plataformas tecnológicas mais fáceis de serem usadas, o foco em especialidades tecnológicas diminui. Afinal, todos podem usá-las sem precisar de habilidades técnicas profundas, uma vez que se fazem necessárias. Mas é aí que pessoas com conhecimentos mais amplos, incluindo os artistas liberais, entram. Eles podem gerar impacto em indústrias e organizações que sentem falta de profissionais de dados. A priorização da análise de dados colocará esses profissionais em posições de ajuda às companhias que querem ganhar vantagem competitiva. E, à medida que a análise evolui para capturar arte e ciência, o foco passará de, simplesmente entregar dados, para elaborar histórias orientadas por dados que influenciem as decisões.

Programas de ciência e análise de dados em universidades

Em 2017, pelo segundo ano consecutivo, "cientista de dados" ganhou o primeiro lugar no ranking anual da Glassdoor dos melhores empregos na América. E, um relatório recente da PwC e do Business-Higher Education Forum, revelou que até 2021, 69% dos empregadores preferirão candidatos a emprego com ciência de dados e habilidades de análise. Por sua vez, a urgência de preencher um funil de entusiastas de dados altamente qualificados é fundamental. No Brasil, algumas universidades como Fundação Getúlio Vagas (FGV) e Fundação Instituto de Administração (FIA) lançaram cursos para promover habilidades de dados, incluindo MBA, Mestrado e cursos de especialização em Ciência da Informação.

*Eduardo Schvinger é diretor da Tableau Brasil

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Como será o Brasil e o mundo em 2018?

prediction.jpg20/12/2017 - O ano de 2018 promete diversos movimentos positivos que mudarão o cenário econômico e tecnológico do Brasil e do mundo. Análises apresentadas pelos especialistas Ricardo Amorim, Arthur Igreja e Allan Costa, da plataforma AAA, indicam que a economia brasileira estará mais forte no próximo ano, estimulada pela geração de emprego e as taxas de juros mais baixas.

"Vamos crescer novamente em 2018, mais do que todo mundo imagina. A expectativa é de um crescimento maior do que 2%. Desde abril de 2017 até agora, tivemos mais de 2,3 milhões de empregos gerados", afirma Ricardo Amorim. Segundo ele, os impulsionadores serão a volta da confiança do empresariado e uma melhor distribuição de crédito.

Tecnologia

Para Arthur Igreja, o ano que vem deve ser marcado pela chegada da onda de conexão 5G, o que significa uma velocidade de transmissão de dados 100 vezes maior do que temos atualmente. "Isso favorecerá que muitas tecnologias já existentes funcionem melhor e se expandam, por exemplo, internet das coisas, vídeos em alta definição e a realidade virtual. Esse movimento já teve início nos Estados Unidos e Europa. No Brasil deve começar a se tornar mais presente em 2019", explica.

A Inteligência Artificial (AI) chegará com mais força para se destacar em diversos tipos de negócios, principalmente no uso aliado à criatividade. A tecnologia vai chegar às escolas para conectar o ensino com o que está acontecendo no mundo. No varejo, haverá uma maior interação das lojas com a realidade aumentada. "Veremos uma grande mudança de percepção. As formas de pagamentos estarão ainda mais centralizadas no celular. O autoatendimento será mais utilizado", completa Igreja.

Inovação, Carreiras e Startups

Para Allan Costa, as startups continuarão sendo um tema muito abordado em 2018, porém, com mais consistência. Surgirão novas oportunidades de negócios, com destaque para o mercado de investimentos. "O grande diferencial será entregar ideias concretas. No próximo ano, teremos os aportes das criptomoedas em startups", enfatiza.

Em termos de inovação, o especialista afirma que um dos maiores desafios nas empresas, independentemente de porte ou segmento, é a criação de processos efetivos de inovação de uma maneira sustentável e com geração de diferenciais competitivos para as organizações contemporâneas. "Será importante dar uma atenção maior ao tipo de cultura empresarial que está sendo desenvolvida dentro de uma companhia para dinamizar os negócios. O impacto inovador está nas pessoas e isso não pode ser copiado por nenhum concorrente", comenta o especialista.

Bitcoin e Criptomoedas

O que acontecerá com o bitcoin em 2018? Para Arthur Igreja, as previsões estão todas erradas. Segundo ele, nos últimos 30 dias, a valorização da moeda virtual foi mais de 300%. Atualmente, mais de 1 milhão de brasileiros estão envolvidos com o bitcoin. As perspectivas em 2016 eram de que, de forma otimista, o bitcoin chegaria aos US$ 2,1 mil. Porém, ao final de 2017, a moeda está valendo US$ 18 mil.

"Não faltam argumentos para acreditar que vivemos a fase da mania em razão da geração rápida de valor. O risco maior do investimento diz respeito à desinformação. É fundamental se informar sobre o assunto e estar preparado para o risco. O somatório das criptomoedas representa em 2017 pouco mais de 0,5% do dinheiro em circulação no mundo. O uso dobra a cada 12 meses, o que cria uma perspectiva de que 50% da população usará criptomoedas daqui a 9 anos. O crescimento é tão veloz que estamos a meros 4 anos de ver as criptomoedas superarem o total de dinheiro em circulação na economia", finaliza.

Sobre os especialistas

Ricardo Amorim: Economista mais influente do Brasil de acordo com a revista Forbes e debatedor do Manhattan Connection. Único brasileiro na lista dos mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil, segundo a revista Forbes. CEO da Ricam Consultoria, colunista da Gazeta do Povo e da revista Istoé e investidor-anjo.

Allan Costa: Graduação em Gestão Avançada pela Harvard Business School, MSc em Tecnologia e Gestão da Mudança pela Universidade de Lancaster (UK), Mestre em Administração de Empresas pela FGV, MBA pelo IBMEC. Vinte anos de carreira executiva. Autor de "60 Dias em Harvard", palestrante, investidor-anjo e mentor de startups.

Arthur Igreja: Masters em International Business pela Georgetown University (EUA), Masters of Business Administration pela ESADE (Espanha) e Mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV. Pós-MBA e MBA pela FGV. Certificações executivas em Harvard e Cambridge. Atuação profissional em mais de 25 países. Palestrante e investidor-anjo.

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Musk quer lançar um foguete Tesla a Marte

musk_marte_2.jpgPor Ethevaldo Siqueira
12/12/2017 - Em sua edição de ontem (11-12-2017), o jornal Washington Post ironiza os planos de Elon Musk, a quem chama de “eterno brincalhão feliz (ou bobo alegre)” de lançar um carro Tesla S em seu foguete Space-X.

Saiba mais aqui (se for assinante do jornal Washington Post)

Representação artística do que seria um lançamento de foguete Falcon Heavy / Crédito: SpaceX

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Sapiens, a melhor história da humanidade que li

livro_2.jpgPor Ethevaldo Siqueira
04/12/2017 - Descobri “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari, primeiro por referência e sugestão de um amigo, jornalista inglês, exatamente quando o livro estava sendo lançado em português, no começo de 2015. Comprei o livro imediatamente e o li quase compulsivamente. No impulso de recomendá-lo com entusiasmo a meus amigos sob o calor do entusiasmo, escrevi a primeira resenha. Foi, então, que parei um pouco para esfriar a emoção e reler o livro, como o fiz, lentamente, capítulo por capítulo, com maior reflexão, para fazer um julgamento mais frio.

Acabo de reler Sapiens. O livro é magnífico. Ele não se parece em nada com os livros tradicionais de história, acadêmicos ou não, porque combina a descrição da evolução da humanidade com uma análise multidisciplinar, biológica, antropológica, tecnológica, política e econômica.

Achei extraordinária a cronologia inicial nas páginas introdutórias do livro, que começa com o Big Bang, há 13,5 bilhões de anos e termina com o futuro, num período em que, supõe ou pergunta o autor, “o design inteligente se torna o princípio básico da vida?” Ou ainda: “O Homo sapiens é substituído por super-humanos?”

Sapiens está dividido em quatro partes:
• 1. A Revolução Cognitiva;
• 2. Revolução Agrícola;
• 3. Unificação da Humanidade;
• 4. Revolução Científica;

Nesse livro, revi a História da Humanidade desde a Idade da Pedra até os dias atuais, deste século 21. Das melhores críticas que li sobre Sapiens, quase todas ressaltam uma das características dominantes do livro: a tese de que o homem domina o mundo porque é o único animal capaz de cooperar de forma flexível da forma mais ampla possível.

Com isso, o Homo sapiens e tornou a única espécie capaz de acreditar em coisas que não existem na natureza e são produtos puramente de sua imaginação, tais como deuses, nações, dinheiro ou direitos humanos.

O livro levanta interpretações que nos impactam ou chocam, como a de que o dinheiro é um sistema de confiança mútua. Ou de que o capitalismo é uma religião e não apenas uma teoria econômica. Ou ainda a tese de que o império (ou imperialismo) tem sido o sistema político mais bem-sucedido (ou lucrativo) dos últimos dois milênios. E uma tese que me tocou: a humanidade tem imposto aos animais domésticos o tratamento mais cruel – talvez um de seus piores crimes na História. E discute uma tese fascinante: seremos felizes hoje?

Sei que apenas dois ou três por cento dos brasileiros medianamente escolarizados ainda têm o hábito de ler livros – tanto os livros impressos quanto os digitais. Mesmo assim, recomendo, entusiasticamente a leitura de Sapiens. Não percam a oportunidade de conhecer um dos maiores historiadores da atualidade.

Harari é professor Universidade Hebraica de Jerusalém. Doutor pela Universidade de Oxford, esse professor de apenas 40 anos, lançou recentemente outro livro que acabo de comprar: “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”, no qual nos alerta para os riscos da inteligência artificial, do Big Data e dos algoritmos que permitem complexas predições matemáticas.

Daqui a algum tempo volto para dar minha impressão pessoal sobre esse novo livro de Yuval Noah Harari, cujo conteúdo está muito mais próximo de meu trabalho profissional como jornalista que cobre o mundo digital e as novas tecnologias em geral.

Crédito: Carol Siqueira

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LG demonstra todos os recursos da TV OLED 4K

tv_1.jpgPor Ethevaldo Siqueira
30/11/2017 - Em evento para a imprensa especializada, realizado nesta quarta-feira, (29) na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo, Igor Krauniski, gerente de produto da LG, conduziu as demonstrações do LabTech referentes à TV OLED 4K. Foram revistos os padrões de definição, cores e contraste, HDR com Dolby Vision, assim como o som Dolby Atmos.

Para Krauniski, esse conjunto de recursos dos televisores OLED 4K com a tecnologia do LED Orgânico, assegura os melhores níveis de contraste, brilho e de cor e a maior aproximação da realidade. Na comparação com outras tecnologias é que se nota de forma mais convincente ainda a superioridade do OLED 4K.

Uma das características fundamentais da qualidade da imagem é o preto absoluto, exclusivo da tecnologia OLED, resultante da iluminação pixel por pixel, sem vazamento de outras cores ou de luz. Igor Krauniski explica, que, “diferentemente das telas de cristal líquido (LCD) – em que a iluminação é feita por blocos de pixels e, numa tela super sofisticada, com cerca de 150 blocos – as TVs OLED têm 8,3 milhões de pixels iluminados individualmente.

O avanço da qualidade da imagem nos últimos tem sido extraordinário, primeiro com os recursos de HDR (High Dynamic Range), algo como Elevada Faixa Dinâmica, que, na prática, assegura melhor contraste, maiores níveis de brilho e uma paleta de cores mais ampla. Com esse avanço tecnológico no tratamento de imagens, podemos dispor hoje de filmes e programas de TV muito mais parecidos com a vida real.

No caso dos televisores de OLED, associado a todos esses avanços, a idéia é que nossos olhos possam perceber brancos mais brancos e negros mais negros – eis aí o significado do maior dinamismo – do que as TVs tradicionais conseguiram exibir.

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Um diálogo entre Andrew Anagnost e os jornalistas

andrew_anagnost.jpgPor Ethevaldo Siqueira (de Las Vegas)
21/11/2017 - Em entrevista de quase uma hora com este jornalista, Claudiney dos Santos e um colega inglês, Andrew Anagnost, CEO da Autodesk, aprofundou diversos temas de sua palestra (keynote), durante a Autodesk University 2017, na abertura do evento realizado em Las Vegas, de 14 a 16 de novembro. A grande paixão desse executivo é o futuro da Educação, que considera o maior desafio destes tempos modernos. Com entusiasmo, ele ressalta as vantagens reais da automação, hoje proporcionadas pelas mais avançadas tecnologias, tanto por países desenvolvidos como por países em desenvolvimento como o Brasil, cujas economias são tão diferentes da dos países desenvolvidos.

"Entre as vantagens consideráveis da adoção das mais modernas tecnologias de automação, e que podem interessar aos países emergentes, eu destaco a redução não apenas do tempo de execução de grandes obras de infraestrutura, mas também de seu custo. Não é uma questão de simples redução da mão-de-obra, mas, sim, da adequação desses projetos às limitações dos orçamentos, tão comum nos países em desenvolvimento. E todos sabem que quanto mais gente envolvida num projeto, mas gastos deverão ser acrescentados, muitos sem nenhum valor agregado, além do risco da corrupção. E mais: o uso de sistemas avançados de automação pode garantir muito mais transparência aos contratos e aos investimentos públicos. E temos que exigir transparência, para que se vença o círculo vicioso e que os grandes méritos da eficiência e da qualidade sejam reconhecidos".

Andrew Anagnost afirma que um país como o Brasil "não pode pensar em adotar essas modernas tecnologias de automação a curtíssimo prazo, ou seja, amanhã, em especial na área de infraestrutura, é preciso considerar as muitas vantagens que a automação pode conferir aos países emergentes. Há algumas coisas que tornam particularmente importantes e vantajosas a adoção das tecnologias de automação nesses países: primeira, por exigência da população; segunda, por exigência das atividades econômicas e do desenvolvimento almejado por esses países.

Mas é bom lembrar que todo grande projeto de infraestrutura física é sempre um grande desafio, não apenas nos países emergentes, mas mesmo nos Estados Unidos, quando consideramos todas as implicações desses projetos.

Mas a adoção da automação traz outras vantagens consideráveis que podem interessar a esses países, no sentido de reduzir o tempo e os custos de implantação, de forma a adequar os projetos às limitações dos orçamentos.

Por outras palavras, as novas tecnologias de automação permitem que se implantem mais infraestruturas com menos gastos ou menores investimentos. Pensar apenas na redução da mão-de-obra é um modo equivocado de analisar o problema, alerta Anagnost. Em sua visão, o que é, realmente, importante é fazer mais com os mesmos recursos dos limitados orçamentos, em especial com a redução do número de subcontratos. A rigor, com os novos recursos tecnológicos da automação, podemos fazer mais e melhor, em menos tempo e com menores custos.

A tecnologia traz maior transparência aos contratos

Em qualquer país do mundo corre-se o risco de ampliar os gastos com essa montanha de subcontratos – não apenas com os custos inflados pela corrupção, mas com aquilo que eu chamo de "gastos sem nenhum valor agregado". Ou, como acontece em qualquer lugar do planeta, há sempre uma multidão de pessoas que estão interessadas em extrair mais dólares de um contrato sem a contrapartida do valor agregado ou da qualidade em geral.

Essa situação pode até configurar um primeiro estágio da corrupção. O mundo vive, como sabemos, o risco de uma epidemia de corrupção institucionalizada conduzida pelos funcionários público, nas áreas governamentais, pois eles são os responsáveis pela aprovação de projetos. E quanto mais gente envolvida num projeto, mas gastos serão acrescentados, muitos sem nenhum valor agregado, além do risco da corrupção.

As novas tecnologias de automação podem até reduzir a burocracia, tão disseminada pelo mundo. "Nos Estados Unidos, felizmente – diz Andrew Anagnost – pode-se abrir uma nova empresa até online, pela internet. Não tenho a menor dúvida: a automação pode acelerar o desenvolvimento econômico."

Mas não só o governo tem a culpa pela lentidão. Na opinião do CEO da Autodesk, a automação e seus recursos tecnológicos podem ser muito úteis não apenas para acelerar projetos, mas para aumentar a produtividade, como é o caso das grandes construtoras, como a Foster & Partner, que usa recursos de automação como o BIM. "O governo tem seu papel, mas podemos alavancar e ampliar ainda mais os bons resultados da desburocratização com o que eu chamo de transparência digital".

O papel revolucionário da Educação

A Autodesk dedica especial atenção aos problemas da aprendizagem e da Educação. Mas como atualizar as velhas gerações diante da emergência de novas tecnologias e da exigência de novas competências? Uma das possíveis respostas a esse desafio é estimular o convívio entre pessoas de gerações diferentes. Na Autodesk essa experiência parece ter dado resultados muito positivos. Há bons exemplos de pessoas que aprendem com esse convívio. "Eu digo que gente comum pode fazer coisas extraordinárias" – enfatiza Anagnostic.

A Indústria 4.0 chegou para ficar

Tudo que se diz e se prevê sobre a Quarta Revolução Industrial pode parecer modismo, coqueluche, sonho, ficção ou fantasia. Ou, em inglês "hype" – com todas essas coisas novas anunciadas ou discutidas nos jornais, na televisão e nos grandes eveneto.

Andrew Anagnost lembra: "Quanta coisa parecia ficção ou sonho até há pouco tempo? Inteligência artificial é uma delas. Aprendizagem de máquinas é outra. Outros advertem que a essas tecnologias são perigosas, que ameaçam a humanidade. Sim, mas o computador também era considerado tão perigoso quanto a AI. E hoje convivemos com ele sem qualquer preocupação. É claro que teremos que adotar certas formas de regulação."

O conceito de Indústria 4.0 – na visão do CEO da Autodesk – é algo que tem fundamento e pode revolucionar a economia de todos os países. Ele se baseia no uso das chamadas tecnologias exponenciais, na redução do tamanho das indústrias, chamadas de fábricas leves, altamente automatizadas e instrumentadas, que podemos rápida e facilmente reconfigurar. Isso é exatamente o que precisamos para chegar ao futuro. Ou seja, é necessário mas não suficiente, para enfrentarmos os desafios que esse futuro nos trará.

O melhor exemplo dessa nova revolução talvez sejam as microfábricas, altamente automatizadas e inteligentes, que permitirão uma produção muito mais barata e personalizada.

A robotização das indústrias será feita, predominantemente, com robôs muito mais inteligentes, mais produtivos e mais eficientes. Nessa área, o mundo precisará de operadores muito mais hábeis e capazes de trabalhar com esses robôs. E um dado surpreendente: nos próximos três anos, a demanda estimada para a China será de 3 milhões de operadores capacitados para trabalhar com os robôs mais avançados.

Outra área dessa nova revolução industrial será a da agricultura robotizada, prevê Andrew Anagnost. Para ele, esse pode ser um dos caminhos para um país com o potencial agrícola do Brasil, desde que essa atividade seja a mais avançada e altamente produtiva.

Investir no Brasil e na América Latina?

Quais são os planos da Autodesk para investir em certos de desenvolvimento e pesquisa no Brasil e na América Latina? Andrew Anagnost explica para investir nessa região, como em qualquer outra parte do mundo, sua empresa considera a existência de três condições básicas:

a) temos que ter um mercado que seja receptivo, ou melhor, que queira receber esse tipo de investimento;

b) é preciso que haja uma população que esteja pronta e preparada para essas atividades;

c) é preciso que exista no país um arcabouço legal favorável a esse investimento.

Assim foi feito na China, na Índia e noutros países.

Quem é Andrew Anagnost

O CEO da Autodesk, Andrew Anagnost é o novo líder da empresa desde junho de 2017. Poucos executivos reúnem tantas qualidade para impressionar positivamente os participantes de um grande evento, como a Autodesk University. sua única perspectiva era sobre automação e Apaixonado pela temático do Futuro do Trabalho, ele revela sua confiança e otimismo para que possamos abraçar esse futuro.

Doutor em Engenharia Aeronáutica e Ciência da Computação pela Universidade de Stanford, Andrew Anagnost iniciou sua carreira na Lockheed Aeronautical Systems Company e como membro do NRC no NASA Ames Research Center.

Com mais de 20 anos na Autodesk, ele exerceu vários papéis técnicos e estratégicos: liderou a equipe de engenharia para o Autodesk Inventor, ferramenta de engenharia e design de produtos com base em modelo 3D da empresa, aumentando a receita cinco vezes durante seu comando. Como Vice-Presidente Sênior de estratégia e marketing comercial, liderou a transição bem-sucedida da empresa para um modelo de negócios de assinatura e levou a adoção das tecnologias de nuvem da Autodesk.

Ao tomar posse no novo cargo, ele recordou alguns pontos fundamentais de sua empresa: "A Autodesk transformou a indústria de design trazendo o CAD para o PC há 35 anos e, nos últimos 10 anos, tornou-se líder de tecnologia. Nós fomos os primeiros a trazer o design para a nuvem e, agora, estamos trazendo a construção e a manufatura para a nuvem também. Empenho-me daqui para frente em levar a Autodesk à nossa próxima fase de crescimento, onde combinaremos negócios e inovação de produtos para se tornar uma empresa ainda mais focada no cliente".

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