COVID-19 acelera a adoção da telemedicina

rita_dandrea.jpg*Por Rita D'Andrea
11/05/2020 - A crise do COVID-19 potencializou o valor da telemedicina, acelerando a transformação digital nesse segmento e provocando uma pergunta: Como é a experiência vivida pelo paciente que é atendido a distância?

Modalidade de serviços de saúde que existe há décadas, a telemedicina ganhou novos recursos de inteligência artificial e de conectividade e, hoje, é essencial para tratar pacientes que não podem se deslocar até clínicas e hospitais para serem atendidos. No Brasil, foi aprovada em 20 de março a Portaria 467 e, menos de um mês depois, em 15 de abril, essa portaria foi transformada na Lei 13.989. Essa lei emergencial trabalha a favor da disseminação de uma oferta de serviços de saúde que está mostrando seu valor em vários lugares do mundo.

Pesquisa da MarketDataForecast divulgada em 2019 indicava que esse mercado global chegava a US$ 35,46 bilhões. Não temos ainda acesso a estimativas do impacto da pandemia do novo coronavírus sobre esse segmento. Sabemos, porém, que nos EUA o uso da telemedicina viralizou em poucas semanas. Levantamento realizado pela SSCG Media Group no final de março indica que 53% dos clínicos especializados em pneumologia, doenças infecciosas, oncologia e cardiologia estavam usando soluções de telemedicina para atender seus pacientes. Do lado dos pacientes, a tendência se confirma: relatório produzido pela Civic Science entre os dias 20 de fevereiro e 20 de março mostra que aumentou de 18% para 30% a busca de serviços de telemedicina.

O que está crescendo em todo o mundo e também no Brasil é, basicamente, a oferta de consultas realizadas remotamente.

Nessa interação, o médico realiza a análise utilizando plataformas de atendimento ao paciente, desde um Whatsapp a sistemas desenvolvidos sob medida para esse fim. Tem aumentado muito, ainda, a tentativa de se medir remotamente os sinais vitais do paciente (temperatura, pressão, saturação de oxigênio etc.). Para isso, é necessário que aparelhos de medições de sinais como oxímetros, por exemplo, estejam ao alcance do paciente.

Como está previsto no artigo 4º da portaria 467, o atendimento remoto precisa ser registrado em um prontuário. E, além do atendimento médico em si, a consulta remota pode resultar na necessidade de prescrição médica. Atualmente, no Brasil, pode-se enviar ao paciente uma prescrição digital se o médico individualmente possuir uma certificação de assinatura digital da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Quem não tiver esse certificado não pode emitir, de forma remota, receitas médicas (arquivos digitais).

Veja tecnologias e estratégias que potencializam a telemedicina e ajudam na construção da experiência do paciente:

Videoconferência: é fundamental contar com uma boa qualidade de imagem e de som. Isso depende da plataforma de telemedicina em si e, também, dos recursos de internet à disposição do médico e de seu paciente. Alguns fornecedores para o mercado de telemedicina têm ofertas que aliam serviços de computação em nuvem a kits de desenvolvimento de aplicações que otimizam o uso da banda, garantindo a qualidade do vídeo. Recursos de inteligência artificial estão aumentando a precisão e a capacidade de interpretação das imagens geradas em vídeo, durante a consulta remota.

Interface do App de telemedicina: o desafio desse tipo de plataforma é ser, ao mesmo tempo, extremamente rigorosa e intuitiva. Disponibilizar um App intuitivo e fácil de usar é a primeira premissa, pois essa é a porta de entrada para o teleatendimento. É essencial, portanto, oferecer uma interface amigável para que, numa crise de saúde, pessoas de qualquer idade ou formação consigam avançar no sistema.

Boa parte dessas plataformas têm módulos de autosserviço, em que o paciente, preenchendo formulários e respondendo perguntas, conseguirá solicitar a consulta remota. Há, também, botões para pedir ajuda com urgência em casos críticos.

Para ser uma boa plataforma do ponto de vista da experiência do paciente, ela precisa ser customizável e gerar uma visão integrada do paciente. Durante a consulta, essa visão integrada acalma o paciente, pois o médico pode ir comentando informações que ele ou ela já tem sobre o paciente – informações fornecidas pela plataforma de telemedicina. Outro ganho propiciado pela visão integrada do paciente é a aceleração da construção do diagnóstico médico. É comum, ainda, que o sistema ofereça conveniências ao paciente – é o caso da geração automática de lembretes sobre um exame, uma consulta agendada etc.

Conformidade da empresa de telemedicina à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados): um dos maiores desafios dos serviços remotos de saúde é garantir a privacidade dos dados dos pacientes, uma das informações mais cobiçadas por criminosos digitais. A ameaça de divulgação de detalhes do prontuário de uma pessoa a deixa exposta a ransomware, entre vários tipos de violações. Os dados gerados durante a consulta remota têm de ser processados, arquivados e acessados de acordo com as normas da LGPD. Essa lei devolve às pessoas sobre as quais os dados foram gerados todo o poder sobre esses dados. Os dados do prontuário médico pertencem ao paciente, não à empresa de telemedicina. Acredito que até o final de 2021 muitas empresas do setor de telemedicina já estarão alinhadas à Lei 13.709, de 14 de agosto de 2018 – isso será um diferencial de negócios.

É bom lembrar, ainda, que algumas empresas de telemedicina no Brasil já seguem o HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act), uma norma americana para empresas que atuam no segmento de saúde. O HIPAA regulamenta os cuidados que esse setor tem de ter com as informações sobre a saúde dos pacientes.

É importante enfatizar que a telemedicina não substitui a medicina tradicional, baseada no encontro presencial entre o médico e seu paciente.

Como tudo o que estamos vivendo nesse momento de crise, é difícil prever o futuro. Acredito, no entanto, que veremos cada vez mais uma convivência equilibrada entre práticas tradicionais de medicina e o atendimento remoto, 24x7, ao paciente.

Num país do tamanho do Brasil e com grandes contrastes de renda e acesso ao conhecimento, a telemedicina pode horizontalizar a oferta de serviços médicos. Isso está acontecendo nas fases de triagem de pacientes e monitoramento de pacientes crônicos que já têm um diagnóstico e devem ser acompanhados regularmente. Contextos em que a telemedicina faz diferença, colocando novas modalidades de serviços de saúde ao alcance da população brasileira.

*Rita D'Andrea é Diretora da Mundo Livre Digital.

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Economia global sofrerá pior golpe desde os anos 30

cafe_viena.jpgPor Ethevaldo Siqueira, com Financial Times
17/03/2020 - A maioria das economias dos países deverá encolher pelo menos 5%, mesmo após a recuperação.

A crise do coronavírus deixará cicatrizes duradouras na economia global e a maioria dos países deve esperar que suas economias sejam 5% menores do que o planejado, mesmo após acentuada recuperação em 2021, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Gita Gopinath, economista-chefe do fundo, prevê que este ano deverá trazer a pior contração econômica global desde a Grande Depressão da década de 1930. E mais: que as perspectivas mundiais "mudaram drasticamente" desde janeiro, com perdas de produção que "superariam" a crise financeira global. Há 12 anos.

Crédito: © Leonhard Foeger / Reuters

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A sociedade pós-coronavírus: Nada será como antes

marilia_cardoso.jpg*Por Marília Cardoso
14/04/2020 - Se você é do tipo que está ansioso pelo fim da quarentena para retomar sua vida exatamente do ponto que ela parou, sinto em lhe informar: você está iludido. Mesmo que esse período acabe o mais rápido possível, não haverá volta ao normal. Nada será como antes. Teremos que construir um novo normal, uma nova sociedade. Nesse exato momento, estamos vivendo uma mistura do que não é mais com o que não existe ainda. Uma fase marcada por transição e incertezas.

Em 1999, quando o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido em 2017, lançou o livro Modernidade Líquida, não se podia imaginar um vírus capaz de paralisar nações. Ainda assim, naquela época, ele já havia notado que o século XXI não seria mais como o século XX. Segundo ele, antes, os valores se transformavam em ritmo lento e previsível. Tínhamos algumas certezas e a sensação de controle sobre o mundo – sobre a natureza, a tecnologia, a economia. Mas, acontecimentos da segunda metade do século XX, como a instabilidade econômica mundial, o surgimento de novas tecnologias e a globalização, criaram um mundo líquido, no qual as coisas são tão rápidas e efêmeras que não há tempo suficiente para se solidificar.

Nessa passagem do mundo sólido para o líquido, Bauman chama atenção para a liquefação das formas sociais: o trabalho, a família, o engajamento político, o amor, a amizade e, por fim, a própria identidade. Essa situação produz angústia, ansiedade constante e o medo líquido: temor do desemprego, da violência, de ficar para trás, e principalmente de não se encaixar mais nesse novo mundo que muda num ritmo cada vez mais veloz. A pandemia do novo coronoavírus só intensificou e deve continuar intensificando esse processo de liquidez.

O isolamento social imposto pelo governo aos cidadãos - até então livres - desperta uma série de reflexões. Se antes, boa parte do nosso tempo era gasto indo e voltando do trabalho, hoje estamos dentro de casa, com um tempo extra que simplesmente muitos desconheciam. Se a semana era dividida entre cinco dias de trabalho e dois de lazer, hoje há e-mails importantes chegando aos domingos à noite. Ou seja, os padrões industriais que nos foram ensinados começam a perder sentido. Estamos sendo obrigados a conviver mais com a família do que com os colegas de trabalho ou faculdade. Somos obrigados a cozinhar em casa, em vez de irmos a restaurantes. Somos estimulados a buscar alternativas de entretenimento e atividade física sem sair das nossas salas.

Por mais que, nesse momento, a maioria sinta que assim que o isolamento for suspenso voltaremos para as ruas a fim de tirar o atraso, pode ser que não seja bem assim. Pelo menos, não para todo mundo. E, pode até ser que isso aconteça, mas por um curto período de tempo. A maioria irá analisar sobre a real necessidade de atravessar cidades diariamente sendo que é possível entregar a mesma – ou até mais – qualidade e produtividade no trabalho estando dentro de sua própria casa.

Embora pareça uma reflexão nova, em 1980, Alvin Toffler, um dos maiores futuristas que o mundo já viu, falecido em 2016, apresentou o conceito de “cabanas eletrônicas” em seu livro A Terceira Onda. Nele, Toffler defende que colaboradores de “colarinho branco”, que não precisam colocar “a mão na massa” nas indústrias, não precisam se locomover diariamente para os grandes centros. Ele calcula - com as tecnologias disponíveis naquela época - a vantagem do investimento em telecomunicação em detrimento do gasto com transporte. Ressalta ainda os benefícios na redução do trânsito, acidentes, infraestrutura e principalmente no meio ambiente.

No fundo, não há nenhuma novidade nisso. Na era agrícola, chamada por Toffler de primeira onda, as famílias moravam e trabalhavam todas juntas, cultivando alimentos para consumo próprio nas suas pequenas propriedades. Com o advento da revolução industrial, que ele chama de segunda onda, as famílias que antes eram compostas por avós, tios e outros agregados passam a ser compostas apenas por pais e filhos, que dividem pequenos espaços em grandes centros, onde eram localizadas as fábricas. Na era digital, ou terceira onda, a tecnologia permite que nossas casas sejam muito mais bem equipadas que as próprias fábricas do início do século XX, que muitas vezes não tinham nem energia elétrica.

Outro conceito amplamente difundido no livro é o de prossumidor. Segundo o futurista, as pessoas da era digital buscam a constante desmassificação, querendo ser únicas, autênticas. Para isso, preferem elas mesmas construírem seus próprios produtos. Em vezes de serem meros consumidores passivos do que as grandes fábricas produzem, elas fundem o conceito de produtor com o de consumidor, tornando-se prossumidores. Elas adotam o estilo “faça você mesmo” e conquistam a customização até então inimaginável. Com a popularização do YouTube, em que é possível aprender a fazer praticamente qualquer coisa, esse comportamento tem se acentuado cada vez mais.

O que Tofller e Bauman não tiverem tempo de abordar em suas obras é o impacto que tecnologias como Blockchain e impressoras 3D podem representar à chamada sociedade 5.0. Esse conceito, cunhado pelo governo japonês em 2016, no lançamento do 5º Plano Básico de Ciência e Tecnologia, aponta para o desenvolvimento de soluções tecnológicas cujo foco é o bem-estar do ser humano, a qualidade de vida e a resolução de problemas sociais. Trata-se de um modelo de organização social, em que tecnologias como Big Data, Inteligências Artificial e Internet das Coisas são usadas para criar melhorias para a vida em sociedade. 

O que a pandemia de coronavírus está fazendo, a meu ver, é acelerar esse processo de transformação digital e de curva de adoção de tecnologias exponenciais para o bem comum. No caso do Blockchain, por exemplo, estamos falando da possibilidade de uma sociedade auto-gerenciável, sem a necessidade de governos ou órgãos reguladores. Uma sociedade totalmente desmassificada e distribuída, em vez de aglomerada em centros urbanos. Honestamente, não sei se estamos socialmente preparados para tamanha mudança, mas a situação favorece reflexões desse tipo.

No caso das impressoras 3D, a realidade parece muito mais próxima. Se as pessoas querem produzir elas mesmas, a impressão 3D e 4D faz com que qualquer um se torne uma mini fábrica. O impacto na estratégia e logística de mercado como conhecemos hoje é total. Indústrias deixarão de fazer produtos manufaturados para nos entregar pequenas quantidades de matéria-prima para que nós mesmos, dentro de nossas cabanas eletrônicas hiperconectadas, possamos criar objetos únicos, exclusivos e que atendam perfeitamente às nossas expectativas e não às necessidades das massas.

Em suma, ainda é cedo para saber os reais impactos da pandemia no curto, médio e longo prazo. Mas, o fato é que muitas coisas irão mudar daqui para a frente. Muitos modelos de negócios devem deixar de existir para dar lugar a novos. Muitos pais vão rever seus papéis na educação dos filhos. Muitas escolas irão procurar alternativas para preparar os profissionais para o futuro - e não mais para o passado, como a maioria vinha fazendo. De fato, uma nova sociedade irá nascer a partir de 2020. Torço para que seja muito melhor.

*Marília Cardoso é sócia-fundadora da PALAS, consultoria focada na implementação da ISO 56.002, de gestão da inovação.

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Indústria do futuro cria novas profissões

ai_ethe.jpg16/03/2020 - Segundo estudo de mercado, a expectativa é que 2 milhões de pessoas sejam contratadas até 2025 com o avanço da tecnologia

Cada vez mais a inteligência artificial e a inteligência humana devem se mesclar nas empresas, com impactos positivos em ambos os lados. Pelo menos é isso o que aponta o Gartner. Segundo a consultoria norte-americana, a tecnologia criará mais empregos do que eliminará a partir de 2020. A estimativa, de acordo com o estudo, é de que 2 milhões de postos de trabalho sejam gerados até 2025.

E muitas dessas funções ainda nem existem. A indústria 4.0, conforme levantamento do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), deve criar 30 novas profissões em oito áreas de atuação, incluindo tecnologias da informação e comunicação.

A Zenvia, plataforma de comunicação que simplifica a relação entre empresas e consumidores, reafirma esse cenário. Recentemente, a empresa contratou profissionais para cargos que não existiam antes. Dentre eles: developer evangelist, UX writer e UX researcher, explicados pelos contratados:

"Sou responsável pelo contato constante com os clientes a fim de ajudá-los a alcançarem os resultados que eles esperam com o uso do nosso serviço/produto. Como os consumidores estão cada vez mais exigentes, o Customer Success surge como uma nova maneira de olhar para estreitar o relacionamento e garantir a entrega de valor durante toda a jornada do cliente", pondera Joy Budal, customer success na Zenvia/TotalVoice, em Santa Catarina.

"Eu sou responsável por fazer toda a comunicação e explicação das funcionalidades e possibilidades do produto para a comunidade técnica, formada por programadores, desenvolvedores, fábricas de software, startups etc. Entre as funções estão a elaboração de conteúdos técnicos, palestras, encontros, workshops, bancas, com o objetivo de ser um facilitador da comunidade para o uso e aproveitamento do produto. Esse papel é necessário devido à natureza do nosso produto de voz, que é voltado a consumidores mais técnicos", ressalta Carlos Santos, developer evangelist da Zenvia/TotalVoice, em Santa Catarina.

"Todo o conteúdo dos robôs é feito pela minha profissão: UX writer. É uma redação que requer muito cuidado, porque é preciso ter muita empatia com o consumidor do meu cliente", afirma Marina Galan, uma das UXs writers da Zenvia, em São Paulo.

"Sou responsável por entender o comportamento dos clientes e compreender suas necessidades e dores, por meio de pesquisas qualitativas e quantitativas. Depois, traduzo tudo em dados e insights para que os times possam tomar decisões. Acredito que UX researcher é uma nova profissão porque coloca o cliente no centro da decisão", aponta Júlia Timponi, UX Researcher da empresa, em Porto Alegre.

Além de ter em seu time profissionais com essas qualificações, a Zenvia também tem investido na contratação de cientistas de dados e analistas de Big Data.

Katiuscia Teixeira, head de Gestão de Pessoas da Zenvia, comenta os esforços da empresa para colaborar com o desenvolvimento do mercado e das novas profissões: "Vamos muito além de gerar oportunidades de trabalho. Queremos realmente capacitar os profissionais e educar o segmento. Por isso, lançaremos em breve a Zenvia Academy, universidade da Zenvia para capacitar as pessoas em consultoria, design e gerenciamento de chatbots. Os roadshows para levar o primeiro módulo [Basic] a brasileiros de diversas regiões do País foi realizado em 2018 e 2019. Somente nos cinco encontros do ano passado, conseguimos formar mais de 250 pessoas, de 100 empresas, o que nos indica o grande potencial da ação".

Sobre a Zenvia
A Zenvia, movida pelo propósito de Simplificar o Mundo, habilita 8 mil empresas a simplificar a experiência de 200 milhões de pessoas por meio de sua Plataforma de Comunicação. A tecnologia inovadora da Zenvia permite adotar canais como WhatsApp, SMS e Voz em qualquer momento da jornada do consumidor, de forma integrada e automatizada com os processos e sistemas de gestão das empresas. A Zenvia empodera profissionais técnicos ou de negócio ao focar sua plataforma em autonomia, facilidade de uso e um modelo de negócios flexível para empresas de qualquer porte. Para mais informações sobre a empresa, acesse http://www.zenvia.com/ e confira os perfis nas redes sociais: linkedin.com/company/zenvia-mobile, facebook.com/zenviamobile, http://www.instagram.com/zenviaoficial/, youtube.com/c/CanalZenvia e twitter.com/zenviamobile.

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5G terá 1,8 bilhão de conexões no mundo em 2025

previsao.jpgPor Fernando Paiva, Mobile Time
06/03/2020 - Em 2025, uma em cada cinco conexões móveis (excluindo aquelas de IoT) será 5G, ou seja 20% do total, prevê a GSMA. Isso significará 1,8 bilhão de conexões em quinta geração no mundo. O 4G, por sua vez, representará 56% do total. Ao fim do ano passado o 4G era 52%. Os dados fazem parte do novo relatório global publicado pela associação nesta quinta-feira, 5.

Entre 2019 e 2025, a base mundial de conexões móveis passará de 8 bilhões para 8,8 bilhões, sem contar aquelas usadas em Internet das Coisas (IoT), como as linhas presentes em máquinas de POS, por exemplo. No mesmo intervalo, a base mundial de usuários de serviços móveis passará de 5,2 bilhões para 5,8 bilhões de pessoas, subindo de 67% para 70% da população global. Se considerados apenas os usuários que acessam a Internet através de dispositivos móveis, ou seja, aqueles com aparelhos 3G, 4G ou 5G, a base crescerá em média 4,6% ao ano e passará de 3,8 bilhões para 5 bilhões no referido período.

A participação dos smartphones sobre a base de 8,8 bilhões de conexões móveis em 2025 será de 80%, um aumento de 15 pontos percentuais em comparação com 2019.

A base mundial de conexões de IoT, por sua vez, vai dobrar até 2025, passando de 12 bilhões para 24,3 bilhões, projeta a GSMA.

Economia

A contribuição da indústria móvel para o PIB mundial passará de US$ 4,1 trilhões em 2019 para US$ 4,9 trilhões em 2025, com sua participação sobre o total subindo de 4,7% para 4,9%.

A GSMA estima que em 2019 a indústria móvel pagou em impostos e taxas um total de US$ 490 bilhões, sem contar gastos com leilões de espectro. O setor emprega 16 milhões de pessoas diretamente e 14 milhões de pessoas indiretamente.

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Que esperar da tecnologia brasileira nesta década?

patrick_hruby.jpg*Por Patrick Hruby
02/03/2020 - O fim de uma década é sempre um momento de reflexão. Todo prognosticador que se preza sabe que olhar para trás é o primeiro passo para prever o que vem pela frente.

No Brasil, os anos 2010 foram marcados no ambiente tecnológico pela impressionante popularização dos smartphones. Dados da FGV-SP indicam que hoje temos 230 milhões de smartphones ativos no Brasil, mais do que um aparelho por brasileiro. Essa mudança estrutural por sua vez gerou três grandes consequências que seguirão reverberando nos próximos anos. A primeira foi o aumento do acesso à internet, principalmente nas faixas de renda mais baixas. Esse acesso possibilitou o segundo movimento, a proliferação de negócios online como fintechs e e-commerces, e a reação dos negócios offline (como bancos e varejistas) para defender seus mercados. Por fim, e mais recentemente, observamos a disrupção de negócios tradicionais e analógicos (transporte, hospedagem, alimentação) por soluções digitais que conectam a oferta offline ao consumidor online (Uber, Airbnb, iFood).

E o que podemos esperar da próxima década? Apesar da máxima do físico Niels Bohr de que “previsões são difíceis especialmente sobre o futuro”, estou confiante que dois grandes movimentos irão marcar o setor de tecnologia brasileiro.

O primeiro é a disseminação da inteligência artificial (IA). Nos Estados Unidos, mas também na China, já observamos o impacto da IA nos mais diversos negócios, com reflexo inclusive no dia a dia dos brasileiros. Os algoritmos da IA estão por trás da recomendação do filme que você deveria assistir no Netflix, da música que você deveria escutar no Spotify, ou da postagem que você deveria ver no Instagram. Essa hiperpersonalização só é possível porque algoritmos analisam as ações de milhões de usuários e usam esses dados para prever o que cada um de nós vai querer consumir.

No Brasil ainda estamos na infância desse movimento, mas já vemos a IA gerando resultados concretos de melhora de eficiência de diversos negócios como, por exemplo, o iFood que usa algoritmos tanto para selecionar o entregador como também para sugerir a melhor rota de coleta do restaurante e entrega na residência. Isso aumenta a produtividade (e renda) do entregador e proporciona uma melhor experiência ao consumidor final (comida em casa mais rápido).

Como todas as grandes mudanças tecnológicas que já passamos, a IA certamente impactará na lógica trabalhista que conhecemos hoje. Não acredito nas previsões apocalípticas do fim do emprego e dominância das máquinas, mas se o passado é nosso guia, sei que cargos e funções irão mudar. Hoje já observamos essa mudança na profunda escassez de mão de obra qualificada em tecnologia de computação (e os altos salários ofertados aos recém formados nessa área). Para enfrentar esse déficit, empresas de tecnologia no Brasil estão investindo em parcerias com universidades e capacitações internas de funcionários. Para o Brasil não ficar para trás é importante que o poder público e a iniciativa privada trabalhem juntos para mudar esse cenário.

A segunda grande tendência será o aumento do capital de risco para as startups. Esse movimento que acontece há décadas nos Estados Unidos (principalmente no Vale do Silício), há alguns anos na China e mais recentemente na Índia, finalmente chega ao Brasil com força total. Estima-se que o Brasil teve 2,5 bilhões de dólares em rodadas de investimento em 2019, quase o dobro do ano anterior, segundo uma pesquisa da empresa de inteligência de startups Distrito. Dos onze unicórnios brasileiros, cinco atingiram esse status em 2019 e um já em 2020, mostrando um grande ponto de virada para o país, que tem potencial para muitos mais.

Com mais acesso a financiamento, empreender se tornará uma alternativa cada vez mais atraente tanto para jovens quanto para profissionais experientes. Com mais empreendedores, mais ideias sairão do papel e se tornarão negócios e, consequentemente, empregos. Isso também irá resultar em um aumento da concorrência, pois capital de risco não será um diferencial competitivo como foi no passado. Ser o primeiro com uma boa ideia não garantirá sucesso. Execução, disciplina financeira e rentabilidade operacional passarão a fazer parte do mapa de sucesso das startups.

Mas e os carros voadores (ou pelo menos autônomos)? Me prometeram viagens espaciais e colônias em Marte! Como todo empreendedor, eu sou um otimista com os avanços da tecnologia. Elas virão, pode ter certeza, o problema é que o hype chega muito antes da realidade. Mas, enquanto isso, se a sua empresa não tem uma estratégia para IA, eu não estaria otimista para o futuro do seu negócio.

*Executive in Residence no Grupo Movile, Patrick Hruby tem 15 anos de experiência em empresas do Vale do Silício, sendo sete no Google e os últimos sete no Facebook, onde ocupava o cargo de vice-presidente de vendas de pequenas e médias empresas para América Latina. O executivo é formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e possui MBA em Finanças em Yale.

*Patrick Hruby é Executive in Residence do Grupo Movile

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