Carros autônomos inovam o mercado de seguro?

smart_cars_2.jpg*Por Andre Gregori
05/07/2019 - Quem me conhece sabe que uma das colocações que faço com frequência, é "não é se, mas quando". Ainda que não tenham sido lançados por enquanto, os veículos autônomos já fazem parte do sonho de consumo de grande parte dos brasileiros. No entanto, a tecnologia pode ir muito além do que se espera: os carros inteligentes não só trazem extrema praticidade aos seus proprietários como também podem causar uma grande transformação na indústria de seguros. Um estudo americano produzido pela startup de seguros Metromile, inclusive, mostrou que o preço do seguro pode sofrer uma redução de 80% com a chegada dos carros autônomos.

Assim, com seu registro de direção quase sem falhas, este tipo de veículo deve trazer uma economia de US$ 1 mil anualmente - o que representa cerca de R$ 4 mil para o bolso dos brasileiros. Isso porque, de acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária, 90% dos acidentes de trânsito são causados pelo processo de decisão do motorista. Um carro inteligente, neste caso, diminuiria de forma significativa os riscos de acidentes e, consequentemente, os gastos do seguro.

De qualquer forma, os autônomos não devem acabar com a necessidade de seguros tão cedo. Ainda encontramos todo um ecossistema favorável para os acidentes, principalmente no Brasil. Seria necessário renovar a infraestrutura das cidades para que os veículos inteligentes vivessem em perfeita harmonia com o ambiente, sem que nenhum tipo de falha acontecesse.

Diante de um cenário como este, é preciso continuar reforçando também, principalmente ao consumidor brasileiro, a importância da contratação de um seguro. Afinal, 70% dos veículos não têm seguro no país. E a diminuição dos preços por conta do lançamento dos carros autônomos pode ser uma grande aliada nesse movimento. Isso porque o alto custo - junto à entrega de um serviço, em sua maioria, ineficiente -, é um dos principais motivos da não aquisição de um seguro.

Claro que não é só nestes aspectos que a tecnologia irá impactar a indústria de seguros. A partir do momento que os carros autônomos entrarem em comercialização, as seguradoras podem começar a pensar em uma gama ainda maior de proteção, como, por exemplo, contra hackers. Um serviço diferenciado, aliado ao valor mais baixo, pode ser um fator determinante no processo decisório da contratação de uma seguradora.

O fato é: os veículos autônomos devem chegar para revolucionar. E, já está mais do que claro que isso "não é se, mas quando". Por isso, cabe a nós, que atuamos no setor de seguros, aproveitar este momento para inovar na construção de serviços e produtos, que atendam às necessidades deste futuro breve. Só assim, conseguiremos alcançar o propósito de proteger cada vez mais vidas no trânsito.

*Andre Gregori, ex-BTG Pactual e CEO e fundador do Grupo Thinkseg.

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Robotização reduz ou melhora os empregos?

chatbot_2.jpg*Por Arthur Gonçalves
03/07/2019 - Máquinas que fazem ofertas, esclarecem dúvidas e ainda solucionam problemas já fazem parte de uma realidade que chegou para ficar: a automação do atendimento. Baseados em anos de engenharia precisa e melhoria do algoritmo de inteligência artificial, os já conhecidos chatbots são alvo de diversas polêmicas em relação ao futuro. Uma delas é em torno da manutenção dos empregos dos agentes de atendimento. Dados de 2016, por exemplo, revelam que até 2025 a profissão deve acabar, de acordo com análise realizada pela consultoria Ernst Young. Mas sempre que nos deparamos com um alerta como esse, surge a dúvida: será que isso realmente vai acontecer?

Seguramente não. Por mais maduras que sejam as tecnologias, API's e sofisticados algoritmos de IA, a profissão do agente de atendimento possui elementos humanos que o cliente final vê muito valor.

O contact center é conhecido por oferecer o primeiro emprego para muitas pessoas e, por isso, muitas vezes é visto como uma área que contrata profissionais com pouca experiência no mercado de trabalho. No entanto, graças a esse avanço da tecnologia, esse cenário já vem se transformando.

O agente de atendimento mudou de perfil e agora não executa mais somente a sua função original de repetir discursos programados. Todo esse primeiro nível de atendimento ao cliente já está praticamente dominado por robôs, então o que as empresas do setor buscam agora são pessoas que já chegam para ingressar no segundo nível da atividade.

O novo perfil do teleatendente está muito mais direcionado a sua capacidade de relacionamento com o cliente, o que é cada vez mais importante na diferenciação do atendimento às empresas. Ou seja, esses novos profissionais agora são treinados para serem especializados na área de atuação da companhia para a qual prestam serviço, entregando maior valor agregado. Além do forte investimento em treinamento, o setor também oferece muitas oportunidades de crescimento. Assim, conseguimos oferecer um atendimento altamente qualificado, que vai muito além das funções que os robôs executam.

Portanto, acredito que o que veremos daqui para frente no setor não é a redução dos empregos, mas sim uma maior capacitação desses profissionais. É certo que os robôs chegaram para ficar e facilitar, e outra vantagem que surge junto a essa revolução é a oportunidades dos humanos se transformarem, e melhorarem!

*Arthur Gonçalves é gestor de EGDE da Concentrix

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Sobe confiança da indústria eletromecânica

industria.jpg28/06/2019 – O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico atingiu 54,2 pontos em junho de 2019, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), agregados pela Abinee. O resultado representa uma alta de 0,8 ponto em relação ao mês de maio. O resultado interrompeu a trajetória de queda que vinha ocorrendo nos últimos quatro meses.

Na área elétrica, a alta foi mais significativa, atingindo 4,3 pontos, passando de 50,1 para 54,4 pontos. No caso da eletrônica, o ICEI diminuiu 3 pontos, recuando de 57,0 para 54,0 pontos.

Nota-se que mesmo com o esfriamento nos ânimos dos empresários observado nos meses anteriores, esse indicador segue acima da linha dos 50 pontos pelo décimo primeiro mês consecutivo, mostrando que permanece a confiança, porém em patamar inferior ao observado em janeiro deste ano (65,1 pontos). O ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos indicam confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos mostram falta de confiança.

Para o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, a “oscilação é reflexo de certa  insegurança que vigora no cenário brasileiro, em função das reformas e de outras manifestações do governo, o que faz com que haja uma retração natural nos investimentos.” Na opinião de Barbato, a abertura de mercado, e as discussões sobre as alterações na Lei de Informática  geram um ambiente de incertezas que prejudica a tomada de decisões de investimento.

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Os dispositivos vestíveis e o futuro do RH

lg_marcello_porto-3.jpg*Por Marcello Porto
12/06/2019 - Os dispositivos vestíveis (wearables, em inglês) são tendência nas feiras e eventos internacionais de tecnologia. De acordo com previsões do Gartner, os dispositivos portáteis devem atingir uma marca de 225 milhões de aparelhos no mundo em 2019. O que representa um aumento de 25,8% em relação a 2018.

Segundo a consultoria, os gastos com ferramentas vestíveis devem chegar a US$ 42 bilhões. Desse total, US$ 16,2 bilhões serão aplicados na compra de relógios, pulseiras, óculos e outros equipamentos inteligentes - tecnologia que já é realidade nos segmentos de saúde e finanças. Além disso, os números expressivos de crescimento denotam movimento semelhante ao que aconteceu com a popularização do mobile há alguns anos. Mas por que o RH deve estar antenado nesse tema?

Com a chegada das novas gerações ao mercado de trabalho e à necessidade de soluções inovadoras para engajar esses talentos, é importante o departamento de recursos humanos estar atento a essas tendências, ainda que a adoção desse tipo de ferramenta não ocorra de imediato.

Por exemplo, nas empresas em que muitos colaboradores trabalham fora do escritório, os dispositivos vestíveis podem ajudar ainda mais as equipes que precisam focar seus esforços em atendimento e visita aos clientes.

Apesar das vantagens, muitos RHs entendem que suas empresas não têm maturidade para esse tipo de solução. Mas, acredito que tudo é uma questão de evolução de processos e de compreender o potencial que a tecnologia pode oferecer para simplificar as atividades do dia a dia.

Recentemente, o mercado brasileiro de gestão de pessoas passou a contar com a primeira solução de autoatendimento para Apple Watch, inédita no País, que possibilita a marcação remota e a consulta dos dados do ponto, bem como a visualização dos recibos de pagamento, funcionalidades já disponíveis no aplicativo para smartphone. A tendência é que as aplicações para a tecnologia wearable aumentem nos próximos anos.

Hoje, ainda existem organizações que realizam os serviços de consulta e atendimento ao colaborador de forma presencial ou por telefone, assim como emitem documentos ainda em papel, o que toma tempo do RH e do colaborador, além de onerar os gastos da empresa. Mas esse é um modelo de atendimento que tende a cair em desuso.

É por todos esses cenários que eu acredito que a tecnologia wearable veio para ficar. Os números nos mostram isso, e, sobretudo, as empresas estão percebendo que ela contribui diretamente para desburocratizar as atividades. Cabe ao RH avaliar seus processos e entender os próximos passos necessários para se tornar uma área moderna e alinhada ao futuro dos negócios.

*Marcello Porto é diretor de Produtos da LG lugar de gente

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Casas Conectadas: o futuro das residências

jetsons.jpg*Por Taciano Pugliesi

03/06/2019 - Lembra-se quando você assistia a desenhos futuristas e seriados de ficção científica e os personagens nos impressionavam por poder realizar todas as atividades domésticas apenas apertando botões? Pois estamos chegando ao ponto de a vida imitar a arte! É o que chamamos hoje de “Casa Conectada”. Com o aumento da velocidade da internet e a sofisticação da automação, os dispositivos conectados nas casas do futuro (cada vez mais presente) facilitam a vida dos moradores. Por intermédio de sistemas avançados de automação, é possível controlar e monitorar diversas funções, como acender e apagar as luzes, ligar a televisão, acionar a máquina de lavar roupas ou até mesmo dar um comando para a cafeteira preparar sozinha o café.

Essa tendência vem acompanhando o conceito de IoT (Internet of Things), que é a interconexão digital de objetos do dia a dia com a internet, o que possibilita que os dispositivos sejam controlados remotamente através de outro aparelho digital, como smartphones ou assistentes de voz.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada em dezembro de 2018, revelou que 69,8% dos cidadãos do Brasil têm conexão com a internet, o que corresponde a quase dois terços da população. Na hora de se conectar, o smartphone já é o principal meio de acesso para 97% dos usuários, de acordo com a mesma pesquisa.

Levando isso em conta, a tendência então é que todos os dispositivos que ajudam na gestão da casa conectada apresentem a opção de controle em tempo real por meio do celular. Esse já é o caso de câmeras de gravação em nuvem, com as quais é possível monitorar o ambiente ao vivo e visualizar as imagens pelo smartphone. Dessa forma, a residência recebe um monitoramento 24h, o que permite ao usuário saber em tempo real o que acontece no interior de sua casa. Isso tudo sem a necessidade de redes internas de segurança que pesam no bolso.

Observe quantas coisas interessantes os dispositivos domésticos inteligentes podem proporcionar:  moradores das casas inteligentes podem solicitar um motorista por meio de um aplicativo de locomoção, fazer um pedido de delivery em um restaurante ou até mesmo fazer com que as portas se abram sozinhas, tudo sendo feito por comando de voz, enquanto o usuário realiza outras atividades, possibilitando uma postura multitasking.

A praticidade não é o único foco das casas conectadas: a economia também faz parte dos objetivos, uma vez que por meio dos controles e monitoramentos é possível realizar ainda a gestão do gasto de energia e de água na residência. Por conta de todos esses benefícios, a estimativa, segundo o Google Brasil, é que até 2021 cerca de 327 milhões de casas ao redor do mundo tenham ao menos um aparelho conectado, dando início à consolidação das casas inteligentes. Viu como o futuro já está chegando?

Em breve, a sua casa pode ser igual à do George Jetson!

*Taciano Pugliesi é Gerente de Vendas da D-Link

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O futuro da nova tecnologia Open Banking no Brasil

open_banking.jpg*Por Victor Rodriguez e Stefan Wysocki
29/05/2019 - O termo Open Banking tem se tornado cada vez mais popular. Discussões a respeito das oportunidades e consequências que esse novo tipo de negócio traz para empresas e consumidores estão por todos os lados e, diante de tantos argumentos e pontos de vista variados, não é difícil que este conceito gere confusão.

Questões como “os bancos tradicionais irão perder espaço?”, “que players farão parte dessa nova tendência?” e “o que de fato significa open banking?” são comuns. Esclarecê-las é fundamental para garantir o pleno entendimento dos conceitos e o consequente desenvolvimento desse novo modelo que se apresenta e deve se consolidar nos próximos anos.

Voltando um pouco no tempo, é interessante observar como esse termo ganhou espaço ao redor do globo. Na Europa, foi impulsionado pela regulamentação (o número de APIs expostas era praticamente inexistente em 2015 e cresceu exponencialmente desde 2016, quando os esboços do escopo da regulação europeia começaram a ser publicados). Já nos EUA, cresceu foi impulsionado a partir de uma necessidade dos participantes (do mercado) e, atualmente, está em discussão com órgãos reguladores como determinar alguns padrões de comunicação entre as empresas.

Saindo da história e partindo para os termos práticos do que esse termo significa, é necessário lembrar que Open Banking não deve ser confundido com banco digital. O primeiro é um conceito muito mais amplo, ligado às regulações criadas para que as instituições financeiras permitam aos seus clientes compartilharem seus próprios dados com terceiros. Isso é possível por meio de interfaces de programação de aplicativos ou APIs – padrões cujo foco é permitir que o software de uma empresa tenha acesso a informações de outra.

Esclarecida a diferença, é necessário partir para um segundo raciocínio: o papel do Open Banking na sociedade atual. Embora ele não acabe com o sistema bancário tradicional, é inegável que ele dará aos clientes mais poder para mudar de empresa e escolher produtos, o que significa que os bancos enfrentarão mais concorrência não só de concorrentes tradicionais, como também de novos entrantes como gigantes de tecnologia e fintechs.

Isso não quer dizer que o Open Banking, isoladamente, seja capaz de aumentar a inclusão financeira. Ele é parte de uma transformação ampla que inclui ações claras e direcionadas do governo, agentes reguladores e empresas, sendo estas últimas responsáveis por proporcionar produtos e serviços financeiros customizados e direcionados para este segmento da população brasileira.

Respondidos estes pontos, espera-se que, com o Open Banking, os bancos sejam capazes de competir pela experiência do cliente, o que significa que os players estabelecidos deverão fazer um esforço no sentido de melhorá-la e adotar a inovação. Em vez de representar uma ‘sentença de morte’ para os bancos, o Open Banking representa uma oportunidade para inovar e transformar os principais serviços e produtos existentes hoje.

Ações nesse sentido já estão em prática. Um importante banco do país, por exemplo, lançou um portal que concentra as APIs de alguns dados que a instituição possui e os fornece aos desenvolvedores de aplicativos, que, por sua vez, vão colaborar com a criação de produtos financeiros ainda melhores, mais competitivos e personalizados.

Com mais dados e informações, consequentemente teremos um aumento na responsabilidade dos custodiantes das informações. Dessa maneira, o Banco Central deve criar requisitos e padrões que diminuam fortemente o risco de vazamento de dados. Além disso, as empresas devem buscar cada vez mais criar estratégias de cibersegurança e o próprio governo criou leis como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) para garantir que o consumidor não tenha informações sensíveis obtidas por terceiros não autorizados.

Um exemplo claro desse movimento é a regulação da União Europeia, o PSD2, que definiu uma série de requisitos mínimos para os participantes que estiverem interessados em abrir seus dados. Algumas dessas exigências incluem processos rigorosos de autenticação de clientes, padrões de segurança com base em melhores práticas internacionais e níveis mínimos de tempo para entrega dos dados entre as empresas, por exemplo.

O impacto disso para o mercado brasileiro está cada vez mais próximo: recentemente, o Banco Central divulgou um comunicado N° 33.455 com os requisitos fundamentais para a implantação do Open Banking. Segundo o comunicado, os dados a serem compartilhados serão relativos a produtos e serviços, dados cadastrais, dados transacionais e serviços de pagamento. Essas informações deverão ser compartilhadas pelas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, sempre com o consentimento do cliente. A expectativa é que o modelo de Open Banking seja implementado a partir do segundo semestre de 2020.

Estar preparado para o Open Banking é uma premissa fundamental para todas as instituições financeiras do país. Mais do que um avanço, essa nova tecnologia representa uma nova forma de se relacionar com clientes, transformando todo o setor.

*Victor Rodriguez e Stefan Wysocki, gerente executivo sênior e consultor sênior da Minsait, uma empresa Indra, no Brasil

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