Precisamos de um país mais ético, diz Delton Dallagnol

dalagnol_2.jpgPor Thais Sogayar
15/08/2018 - Delton Dallagnol, jurista e procurador da República, foi o Keynote Speaker que encerrou a Conferência Gartner Segurança & Gestão de Risco 2018 nesta quarta-feira, 15, em São Paulo. Em sua palestra, Dallagnol classificou como épica a batalha que o Brasil trava contra a Corrupção e a Impunidade, pois acredita que a essas práticas prejudicam nosso país e nossas vidas de tantas formas, que muitas vezes nem percebemos.

Um dos principais procuradores da República da Lava Jato, Deltan Dallagnol defende campanha apartidária de voto consciente para políticos com passado limpo, compromisso com a Democracia e apoio ao combate à corrupção no Congresso Nacional. A saída, segundo o procurador é não ir contra os 'fichas sujas', mas apoiar os "limpíssimos", sem polarizar e nem ir para a direita ou esquerda.

O Procurador agradeceu ao Gartner pelo convite que recebeu para abordar esses “problemas crônicos brasileiros: a corrupção e a impunidade e sobre como podemos caminhar juntos para lutar por um país mais justo e mais próspero”. Ele acredita tratar-se de um compromisso da consultoria em buscar e reforçar esses valores dentro da empresa e na comunidade ao seu redor. Dallagnol também lembrou (e agradeceu) o papel fundamental que a opinião pública teve (e tem) para que a luta contra a corrupção e a impunidade continue.

Você colhe o que planta

Em 2002 Dallagnol saia da Faculdade sonhando com um país melhor, e ao mesmo tempo, querendo contribuir para a mudança - escolheu o Ministério Público para servir a sociedade e buscar um país mais justo. Embora ao longo de sua vida profissional, a maioria dos casos criminais acabaram em impunidade, ele manteve a fé que conseguiria reverter essa situação.

Em 2004, um ano após ter iniciado carreira no Ministério Público, Dallagnol teve o primeiro grande caso de corrupção: mais de 70 ”gafanhotos” comiam a folha de pagamento da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. Constavam da folha de pagamento, mas não trabalhavam: eram “laranjas” usados para desviar dinheiro público. Passados 14 anos do começo desse caso, ninguém foi preso, nenhum dinheiro foi recuperado.     

Outros crimes foram citados, mas não houve punição: dos três principais casos importantes que ele teve, dois prescreveram e um foi anulado. E o resultado foi novamente nenhum.

Danos que a corrupção causa: Mortes lentas, progressivas e com muito sofrimento

O procurador lembrou o caso do governador Sérgio Cabral, que segundo investigações, adquiriu joias e pedras preciosas no valor estimado em 11 milhões de reais e o que seria possível fazer com esse valor: retomar por 1 mês o funcionamento do Hospital Universitário Pedro Ernesto no Rio, que está praticamente parado, depois de anos de anos de abandono no governo Cabral.

Reportagem do Fantástico mostra o caso do governador Sérgio Cabral, que segundo investigações, adquiriu joias e pedras preciosas no valor estimado em 11 milhões de reais

Dallagnol nos enche de esperanças, mesmo com tantas dificuldades pela frente, ele insiste em sempre tentar de novo, tentar resolver o problema de maneira diferente, mas não desistir. E ao mesmo tempo nos convida a todos a participar desse momento importante da história brasileira.

Essa palestra nos leva a entender melhor as raízes da corrupção no Brasil e nos inspira a refletir sobre o nosso papel para construir um ambiente de negócios e um país mais íntegro, a começar por cada um de nós.

Comentário (0) Hits: 346

Dez tecnologias que tornam nossa vida melhor

peter_singularity.jpgPor Ethevaldo Siqueira
17/08/2018 - O visionário Peter Diamandis (foto), cofundador da Universidade da Singularidade e um dos 50 líderes mundiais segundo a Fortune, fez um levantamento das “Dez novas tecnologias que mais contribuem para tornar nossa vida melhor”. Ei-las:

1) Vivemos em um mundo hiperconectado - Em 2010, eram 1,8 bilhão de pessoas ligadas. Hoje, esse número é de cerca de 3 bilhões. E, entre 2022 e 2025, o total de pessoas interconectadas poderá abranger, praticamente, todos os habitantes do planeta, aproximando-se de 8 bilhões de seres humanos. E o mundo tem uma dúzia de projetos ambiciosos de internet de alta velocidade e via satélite, como

• Um projeto quase secreto do Google, chamado Skybender, que visa distribuir serviços de Internet e telefonia 5G de drones alimentados a energia solar.

• Outro projeto ambicioso é do Facebook, que anunciou seu serviço de Internet distribuído com um drone solar do tamanho de avião para fornecimento de internet para milhões.  

O Facebook Aquila é um drone experimental movido a energia solar destinado a atuar como estações de retransmissão para fornecer acesso à internet para áreas remotas

• OneWeb, sistema formado por 882 satélites de baixa órbita terrestre proposto pelos bilionários Greg Wyler (ex-O3B Networks), Paul Jacobs (Qualcomm) e Richard Branson (Virgin), que deve funcionar a partir de 2019. O sistema deverá em plena operação em meados da década de 2020, e oferecerá velocidades de download de até 50 Mbps em todo o mundo.

• Elon Musk anuncia o mais ambicioso de acesso à internet em banda larga em escala global por uma constelação de 4.425 sistema de satélites da Internet.

• Por fim, um projeto para conectar ainda mais o Brasil. Ele envolve a Viasat, uma empresa norte-americana que tem acordo com a Telebrás para levar serviços de acesso a internet via satélite com distribuição via WiFi, para atender de 40 a 50 mil comunidades pequenas sem conexão de banda larga, que poderão dispor até de serviços de telefonia celular.

2) Energia solar e outras energias renováveis custam cada dia menos – A rigor, a energia solar e os combustíveis renováveis já custam menos do que o carvão (e outros fósseis). E a queda de custo das placas fotovoltaicas tem sido constante

A segunda é a disposição mundial de mudar para fontes renováveis e não poluidoras. Um dos melhores exemplos é o caso de Dubai – grande produtor de petróleo – que já utiliza a energia solar para dessalinizar milhões de metros cúbicos de água do mar, com o uso das mais modernas placas fotovoltaicas.

E é bom saber que 25 por cento da energia consumida no mundo provém de fontes renováveis: REN21, segundo informa um relatório da REN21.

3) A cura do câncer e de outras doenças graves, que pode estar muito próxima – com imunoterapia, com a técnica de edição de genes, além de grandes avanços no tratamento do diabetes, vacina contra Ebola, sarampo e outras.

a) A imunoterapia do câncer tem feito avanços extraordinários. Essa técnica envolve o uso do próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer. Durante os estudos, 94% dos pacientes com leucemia linfo-blástica aguda viram seus sintomas desaparecerem completamente. Pacientes com outros tipos de câncer de sangue tiveram taxas de resposta maior do que 80%, e mais da metade obteve cura completa.

b) A técnica edição de genes em paciente humano já foi utilizada pioneiramente na China, em uma forma agressiva de câncer de pulmão, realizada por uma equipe dos cientistas da Universidade de Sichuan, na China.

c) Os Institutos Nacionais de Saúde (os National Institutes of Health) dos EUA aprovaram os testes humanos de edição de genes em 18 pessoas com diferentes tipos de câncer realizados por uma equipe de médicos na Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia.

d) Vale a pena registrar também um salto gigante no tratamento do diabetes em Harvard, em cuja Universidade, os cientistas criaram células-tronco produtoras de insulina e curaram diabetes em ratos. Esse resultado aumenta a confiança na possibilidade de cura em seres humanos.

4) Progresso expressivo no prolongamento da Vida Humana – Os cientistas dessa área nos dizem que, em uma década, o mundo poderá contar com dezenas de milhões de pessoas com mais de 100 anos.

a) Em zoologia, os pesquisadores estão surpresos com algumas descobertas como o caso de um tubarão da Groenlândia, que tem idade superior a 500 anos. A ciência talvez possa aprender o segredo de longevidade desse animal – o mais idoso vertebrado já conhecido.

b) Entre muitas técnicas em estudo, uma delas faz pesquisas sobre a possibilidade de extensão da duração da vida de 25% baseada na remoção de células envelhecidas, método que deu resultados positivos nas experiências com ratos células estagnadas, que estenderam efetivamente a vida dos ratos.

5) Vitórias com aplicações da células-tronco - Os pesquisadores se tornam cada vez mais confiantes e apaixonados pelos resultados das células-tronco, como mecanismo regenerativo do corpo, para ajudar a curar doenças e aumentar o tempo de vida saudável humano.

6) Carro autônomo já se tornou realidade desde 2016 – Empresas como o Google, a Tesla, o Uber, a Microsoft e outras – além de uma dúzia de montadoras automotivas tradicionais – investiram pesadamente nessa área e os resultados foram brilhantes. Os carros autônomos fazem parte do grupo do “coisas inteligentes”, que inclui ainda os drones e carros voadores, que destacamos aqui na sétima tendência.

Carro elétrico Model 3 da Tesla foi considerado "um iphone de rodas"

7) Drones e carros voadores fazem a próxima revolução dos transportes – Nunca se investiu tanto em drones como nos últimos dois anos, 2016 e 2017. Entre as empresas que mais se destacaram nessa área estão a Amazon, Google, Mercedes-Benz e Uber, entre outros. Além delas, surgiram centenas de pequenas startups e empresas de porte médio.

Os drones se diversificam não apenas quanto às funções, mas também quanto ao tamanho. Além dos drones menores, esse grupo apresenta Esse grupo inclui não só os pequenos e médios drones, mas também os quadricópteros e multicópteros

8) Grandes avanços da Inteligência Artificial – Essa é a mais importante das tecnologias já desenvolvidas pela humanidade até hoje. Seus benefícios podem superar largamente seus perigos.

Inteligência artificial (IA) é a tecnologia mais importante que a humanidade jamais desenvolverá. Acredito que a ai é uma grande oportunidade para a humanidade, não uma ameaça.

Em sentido amplo, a Inteligência Artificial é capacidade de um computador de compreender sua pergunta, de buscar em seus vastos bancos de memória e nos dar a melhor resposta a mais exata.

Não há dúvida de que o progresso nessa área Inteligência Artificial poderá ajudar a humanidade fundamentalmente resolver seus maiores desafios.

Você pode pensar em versões iniciais do IA como Siri em seu iPhone, ou o supercomputador Watson da IBM, mas o que está por vir é verdadeiramente impressionante.

Um dos problemas dessa área é que a inteligência artificial ainda é utilizada principalmente por grandes empresas de tecnologia ou startups. Mas, para a maioria das empresas, ela ainda é muito cara e difícil de ser implementada.

Entretanto, o que pode acelerar significativamente a expansão da Inteligência Artificial são as ferramentas de aprendizado de máquinas baseadas na nuvem e que podem ampliar seu acesso a um número cada vez maior de pessoas e empresas.

Entre as empresas que disputam a liderança nessa área estão a Amazon, o Google, a IBM, a Microsoft e a Tesla estão trabalhando. No futuro, a tecnologia poderá trazer mais eficiência para setores como medicina, indústria e energia.

9) Grandes progressos da Física e da Exploração da Terra e do Cosmos – O ano de 2016 teve descobertas extraordinárias na área de Física, como a comprovação das ondas gravitacionais, as evidências da existência do Planeta Nove, um planeta-sósia da Terra na Constelação do Centauro, orbitando a estrela Próxima Centauri.

a) Ondas Gravitacionais Confirmadas: Após décadas de busca, os cientistas conseguiram detectar ondas gravitacionais da fusão violenta de dois buracos negros maciços.

b) Evidências encontradas para o Planeta Nove: Este ano, surgiram mais evidências sugerindo que há, de fato, outro planeta gigante e gelado circulando nas bordas do nosso sistema solar.

c) Planeta do tamanho da Terra ao redor da Proxima Centauri: Um novo planeta que tem semelhanças impressionantes com o nosso próprio planeta promove incursões notáveis ​​no estudo do espaço. Isso também traz uma nova área para buscar a possibilidade de vida extraterrestre.

10) A próxima conquista comercial do Espaço – Com o Space-X (o foguete recuperável que pousa na vertical, projetado e construído por Elon Musk) e outros veículos de transporte espacial. O mundo já conta com empresas para transporte comercial Terra-Lua-Terra, como a Moon Express, a SpaceIL, a Synergy Moon e a Team-Indus.

Space-X, o foguete recuperável que pousa na vertical, projetado e construído por Elon Musk

Empresas como SpaceX, Blue Origin, Planetary Resources e várias equipes que competem pelo Google Lunar XPRIZE estão construindo foguetes comerciais e espaçonaves para explorar o cosmos. É um momento incrivelmente emocionante para o espaço comercial - aqui estão os quatro principais desenvolvimentos dos últimos 12 meses.

a) Jeff Bezos, da Amazon, anuncia o "New Glenn", uma nova e maciça família de foguetes reutilizáveis ​​em desenvolvimento para sua empresa de voos espaciais privada, a Blue Origin. O foguete New Glenn será usado para lançar satélites e pessoas ao espaço, de acordo com Bezos.\

b) Quatro empresas assinam contratos privados para voar para a Lua Em 2019: As equipes estão competindo para ganhar o Google Lunar XPRIZE de US$ 20 milhões para se tornar o primeiro time privado a pousar uma espaçonave na Lua. As empresas são: Moon Express, SpaceIL, Synergy Moon e Team-Indus.

c) Elon Musk anuncia planos para Marte: Elon Musk, fundador da SpaceX, disse que colocará uma pessoa em Marte até 2025. Há quatro coisas essenciais que precisaremos para chegar lá: reutilização completa, reabastecimento em órbita, produção de propelente em Marte e um propelente que trabalho.

d) Projeto Starshot inovador que direciona viagens interestelares, foi anunciado pelo físico teórico Stephen Hawking, que faleceu em março passado, e pelo bilionário russo Yuri Milner – que classificaram seu empreendimento como colaborativo “Breakthrough Starshot” - uma tentativa de US$ 100 milhões para projetar e construir uma nave interestelar.

Comentário (0) Hits: 322

Ayres Britto nos dá uma aula magna de cidadania

abes_aires_brito_1.jpgPor Thais Sogayar
21/08/2018 - Com foco nas contribuições do setor de TI para o futuro do país, a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) promoveu nessa segunda-feira, 20 de agosto, a 8ª edição do ABES Software Conference, em São Paulo. A convenção anual teve como keynote speaker Carlos Ayres Britto (foto), ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que fez uma palestra exaltando a importância da Constituição brasileira, pois segundo ele, "somos um país juridicamente de primeiro mundo".

Ao ser questionado sobre a enorme distância entre o que rege a Constituição e a vida real de todo brasileiro, Britto respondeu que devemos nos manter vigilantes, indignados e ao mesmo tempo otimistas e defendeu as instituições democráticas. Ele acredita que estamos aos poucos, vencendo a corrupção e a impunidade.

Todo o direito brasileiro é fundado na Constituição

Segundo Ayres Britto, a Constituição é o modo jurídico fundamental de ser de cada País, é documento jurídico inaugural fundante de um Governo, de uma administração pública, da ordem econômica e em todos os sistemas que cimenta, para rastrear com durabilidade e sustentabilidade a vida coletiva.

"A nossa Constituição evoca em nossas mentes algo anatômico, algo estrutural, mais que conjuntural, algo político, ou seja algo essencialmente relativo à polis (espaço de relações primárias entre governantes e a governados)"

Constituição é o mais político de todos os documentos jurídicos de um povo - ela é o único documento normativo que não tem número, "ela é única, embora todo Decreto, Regulamento, Portaria ou Lei tenha um número, e a Constituição não tem", explica Ayres Britto

A segurança que não temos na vida, queremos ter no Direito

A vida nos convida à mudança, tudo é mutante, pois tudo é inseguro. Sendo assim deve-se sentir seguro na insegurança. Mais isso é na vida cotidiana.

No direito faz-se necessário segurança. O Direito deve ser uma pauta de previsibilidade das nossas ações e reações. Exigimos do Direito um mínimo de bem estar que se traduza em segurança pessoal, familiar, profissional e econômico.

Essa palavra segurança no Direito é tão prestigiada que cheja a ser elemento conceitual do que a Constituição chama de Estado Democrático do Direito

A Constituição de 1988 inicia com esses dizeres: Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte, para instituir um Estado de Direito, ou seja: "a suprema finalidade da Constituição foi estabelecer um Estado Democrático".

A Democracia é o valor fundante do Direito brasileiro

República federativa brasileira tem quatro poderes e significa quatro oportunidades jurídicas geográficas e políticas de concretização dos princípios republicanos, que é manter a democracia.

A Constituição também assegura princípios regentes da vida coletiva como a liberdade, a igualdade, a segurança, a propriedade, ou seja uma vida civilizada, democrática em torno de valores, que em termos jurídicos é chamada de princípios.

Um ponto fora da curva: a Denúncia dos 40 réus

Ministério Público ofereceu denúncia aos 40 réus e depois foi aceita pelo STF, que abriu o processo por instrução penal. Que estava em jogo? "O princípio republicano de que todos somos iguais perante a Lei deve ser observado perante a Lei Penal e por desdobramento à Lei Eleitoral. Essa denúncia foi julgada, com uma concentração de esforços, foram condenados a prisão 25 dos denunciados", avalia Britto.

Na ocasião Sérgio Moro era juiz auxiliar no Supremo, otado no Gabinete da Ministra Rosa Weber e acompanhou todo o processo. Segundo o Britto, "pela primeira vez massivamente e indistintamente, foi aplicado o princípio da igualdade a todos".

De 2008 a 2010, foi presidente do TSE e nesse período três governadores foram cassados, dois deputados federais, e um Senador.

"As coisas estão acontecendo, não no ritmo desejado, porque a velha ordem não larga o osso, e Roma não se fez em um dia. Por isso é preciso manter a indignação, e ser resiliente", ponderou Britto.

Comentário (0) Hits: 252

Como a tecnologia pode ajudar a sanar gargalos da saúde

healthcare.jpg*Por Wilson Lemes
21/08/2018 - O SUS completou 30 anos em 2018 e é reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como o maior sistema gratuito e universal de saúde do mundo. Mas apesar de ser considerado uma referência na saúde pública, apresenta enormes gargalos que levarão, dentro de algum tempo, à sua insustentabilidade. E grande parte dos problemas poderia ser minimizada através dos recursos de apoio à decisão clínica.

Em apenas um ano, foram consumidos R$10,9 bilhões de recursos por conta de erros médicos que variam desde a falta de profissionais qualificados à grande variabilidade de cuidado no Brasil, o que mostra a grande necessidade de investir na prevenção de erros evitáveis. Só em 2016, 302.610 brasileiros morreram em hospitais privados ou públicos.

Outro ponto importante é que, segundo o Datafolha, 90% da população brasileira está insatisfeita com o atendimento público, sendo que o suporte à decisão clínica tem grande impacto na hora de melhorar a qualidade e a eficiência. Como? Reduzindo testes desnecessários, evitando diagnósticos errados e resultados adversos para os pacientes devido à má interpretação de exames. Isso porque, com a tecnologia, os profissionais da saúde podem usar a interpretação de laboratório para analisar e gerenciar resultados mais difíceis, acessando orientações concisas para, assim, tomar uma decisão certeira.

Isto ajuda a padronizar e reduzir a variabilidade do cuidado, sendo possível construir protocolos clínicos com base em evidências de maneira mais fácil e ágil. O objetivo é sempre consolidar medidas em prol da saúde, visando lidar, em especial, com as discrepâncias e descontinuidade do cuidado assistencial e evitar um aumento ainda maior na incidência de erros de diagnóstico e eventos adversos, que impactam diretamente nos gastos dos hospitais.

Porém, esse processo de transformação, tanto no setor público, quanto privado, envolve algumas barreiras organizacionais e de gerenciamento como estruturas de governança fragmentadas, falta de colaboração e capacidade limitada em cuidados primários. A falta de bons dados ou sistemas de Tecnologia da Informação (TIC) atrapalha um pouco, afinal eles tornaram-se facilitadores-chave no processo de integração dos cuidados de saúde.

Entre as soluções disponíveis com a TIC, os Sistemas de Suporte a Decisões Médicas baseados em evidências científicas têm atuado como protagonistas nesse cenário de mudança na saúde pública brasileira, como uma relevante e poderosa ferramenta no fluxo de cuidado assistencial nesse ecossistema. Isto porque a solução é baseada em experiência clínica, especificidades de cada paciente, uma grande base de dados médicos atualizados e algoritmos dinâmicos para traçar o melhor caminho a ser seguido no diagnóstico e tratamento. Além disso, os benefícios na qualidade do atendimento podem ser observados também na saúde privada no mundo todo.

Os recursos de apoio à decisão clínica criam, mantém e garantem a adoção de padrões para o tratamento de doenças de maior variabilidade, ajudando os profissionais da saúde a entregarem cuidados consistentes, de alta qualidade e efetivos, além de trazer maior segurança para o paciente. Aumentando a eficiência do processo, também aumenta a economia dos gastos. Os gargalos são inúmeros, mas com certeza, contar com esse apoio pode ser crucial.

*Wilson Lemes é Country Manager LATAM da Wolters Kluwer Health

Comentário (0) Hits: 269

A lavoura nunca esteve tão perto da indústria

lavoura_tech.jpgE as agtechs são o pivô desta aproximação

*Por Francisco Jardim
08/08/2018 - Assim como a indústria pesada investiu na modernização de seus processos de fabricação para ganhar competitividade, melhorar a produtividade e reduzir custos, o agribusiness também tem agora à disposição um conjunto de novas ferramentas tecnológicas que permitem a integração de toda cadeia, do plantio ao prato, criando aos agricultores condições até então inexistentes para suprir o mercado de alimentos.

De acordo com o último Censo Agropecuário, divulgado há poucos dias pelo IBGE, o acesso à Internet entre os produtores rurais cresceu 1790% na comparação com o último levantamento realizado em 2006, passando de 75 mil para 1,4 milhão de áreas agrícolas conectadas.

O estudo comprovou que a conectividade já é mais do que uma realidade na zona rural. Com a infraestrutura de rede pronta, a revolução no campo virá (e já está vindo) da parceria das startups de agritech com a indústria alimentícia, uma aliança que irá gerar forte impacto no ganho de eficiência e rentabilidade, desde a lavoura até o varejo.

É fato. A indústria nunca esteve tão próxima do agronegócio. E os beneficiados deste casamento seremos todos nós, inclusive e principalmente você, consumidor.

Conectadas na nuvem e cada vez mais digitais, as fazendas se equiparam tecnologicamente para otimizar insumos, diminuir o desperdício e melhorar a segurança da produção de alimentos. Municiada por sensores, satélites, drones e aplicativos, uma nova geração de agroempreendedores têm nas mãos soluções valiosas para praticar uma agricultura gerenciada a partir de dados colhidos na lavoura e analisados em tempo real, o que permite tomar decisões estratégicas que irão influenciar fortemente a utilização de recursos e matérias primas ao longo do ciclo produtivo.

E isto muito interessa, claro, às grandes empresas da indústria alimentícia.

A demanda por tornar a indústria mais eficiente e também mais sustentável, um desafio frente ao risco latente de escassez de recursos naturais, será um dos motores da revolução digital em curso no agronegócio e já está abrindo um novo mercado para agtechs que desenvolvam tecnologias capazes de ajudar os fabricantes a ter uma visão detalhada de toda cadeia produtiva.

Este movimento ganhou força nos últimos anos nos Estados Unidos com a aproximação de grandes indústrias multinacionais do setor de alimentos e das estrelas da tecnologia com startups, criando uma nova onda de empresas que serão as protagonistas desta nova agricultura digital.

Além do corporate venture e de fusões e aquisições bilionárias, o venture capital também registrou forte crescimento no setor no ano passado. De acordo com levantamento feito pela Finistere Ventures com a PitchBook, em 2017 os fundos de investimento (há pelo menos 30 nos Estados Unidos focados em agtechs) aportaram mais de US$ 1,5 bilhão em startups de tecnologia agrícola, atraindo o apetite de mais de 300 investidores diferentes, que fecharam mais de 160 rodadas. Dez anos antes, em 2007, foram investidos menos de US$ 200 milhões em 31 aportes.

A tendência de parcerias entre as companhias tradicionais do setor agrícola com startups começou a se espalhar para novos mercados e já chegou por aqui no Brasil. É o caso da aliança entre a Coca-Cola, através da marca de sucos Del Valle, e a Agrosmart.

O desafio era minimizar os efeitos da crise hídrica que atingiu os pequenos produtores e cooperativas de frutas do Espírito Santo que abasteciam a fabricante. Com a implantação da plataforma digital da Agrosmart, os agricultores passaram a ter informações sobre quanto e quando deveriam irrigar as plantas, economizando 30% de água e aumentando a produtividade em 10%.

Outras grandes do agribusiness também já lançaram suas aceleradoras e programas de mentoria para startups agtech brasileiras, como a Basf com o AgroStart, organizado em parceria com a ACE e que oferece até R$ 150 mil em investimento. A Monsanto participa do Fundo BR Startups, que investe em startups de inovação tecnológica para o agro e foi criado pela Microsoft Participações em associação com a Qualcomm Ventures. A Syngenta foi a mais ousada e partiu para as compras adquirindo a agtech brasileira Strider.

O namoro das grandes indústrias de alimentos globais com o ecossistema de startups é crescente e reúne programas como o HENRi, da Nestlé, que financia novos negócios com um aporte de US$ 50 mil e tem como alvo modelos que desenvolvam embalagens sustentáveis e soluções para reduzir o desperdício nas cadeias de suprimentos.

A primeira startup selecionada pela multinacional suíça foi a Kakaxi, que oferece uma plataforma de serviços para conectar agricultores e consumidores. A empresa realizou transmissões ao vivo de fazendas da Colômbia que são fornecedoras para marca Nespresso, revelando aos clientes da Nestlé a produção do café desde a colheita.

No ano passado, grandes investimentos foram realizados em agtechs exponenciais, como a Plenty, que cultiva fazendas urbanas, um negócio com grande potencial global considerando o aumento populacional nas grandes cidades e a necessidade de autosustentabilidade decorrente da falta de alimentos para atender o crescimento demográfico.

A startup atraiu o SoftBank Vision Fund, capitaneado pelo bilionário japonês Masayoshi Son, que, em sociedade com outros dois bilionários, Eric Schmidt e Jeff Bezos, através de suas empresas de investimento Innovation Endeavors e Bezos Expeditions, realizaram um aporte de US$ 200 milhões.

Sem falar na compra da Whole Foods pela Amazon por US$ 13,7 bilhões, uma estratégia de Bezos para integrar varejo físico e digital e oferecer uma nova experiência para consumidores cada vez mais famintos por tecnologias até mesmo na hora de comprar uma simples saladinha. O interesse do fundador da Amazon no agro é seguido pela Google Ventures, que liderou um round de US$ 15 milhões na Farmer Business Network, empresa de soluções de Big Data para fazendas.

Com sua inegável vocação agrícola, o Brasil, insisto, reúne todos os insumos para garantir posição privilegiada na nova agricultura digital ao lado de países que já estão se destacando, como os Estados Unidos, Israel, Austrália e Nova Zelândia. E essa transformação passa, sem dúvida, pela união da indústria com as agtechs, anotou?

*Sócio da gestora de investimentos SP Ventures, que apoia, entre outras empresas, a Agrosmart, mencionada neste artigo

Crédito: Pinterest

Comentário (0) Hits: 428

Produção de eletroeletrônicos recua em junho

queda.jpg07/08/2018 – A produção industrial do setor eletroeletrônico recuou 4,6% no mês de junho em relação a maio. É o que mostram os dados divulgados pelo IBGE e agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O desempenho negativo foi influenciado pela retração da área eletrônica (-13,2%), enquanto a área elétrica apresentou resultado positivo (+3,2%).

“A queda ocorreu mesmo em relação a uma base fraca de comparação (maio), uma vez que a produção verificada naquele mês foi prejudicada pela greve dos caminhoneiros”, diz o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

A maior queda na área eletrônica ocorreu no segmento de aparelhos de áudio e vídeo (-30,6%), no qual estão inseridos os televisores, em razão do fim da Copa do Mundo de Futebol. Os equipamentos de informática (+6,6%) foram o único segmento a apontar incremento na área eletrônica. Na área elétrica, o aumento ocorreu na produção de todos os segmentos analisados, com destaque para a elevação de 10,6% nas pilhas e baterias.

Em relação a junho do ano passado, a produção de bens do setor ficou praticamente estável (+0,3%), com aumento na área eletrônica (+1,1%) e redução na elétrica (-0,4%). Já no acumulado dos seis primeiros meses de 2018, a produção industrial do setor eletroeletrônico cresceu 7,6% em relação ao mesmo período de 2017. Esse incremento foi estimulado pela elevação de 18,2% na área eletrônica, uma vez que a produção da área elétrica recuou 1,3%.
 

Comentário (0) Hits: 368

newsletter buton