Valor de mercado da montadora Tesla dispara

model-3.jpg*Por Vivaldo José Breternitz
06/07/2020 - Às inúmeras notícias acerca do mercado de veículos elétricos que vêm sendo divulgadas nos últimos tempos, soma-se mais uma: neste 01 de julho, com a valorização de suas ações nas bolsas, a Tesla se tornou a montadora com maior valor de mercado, cerca de US$ 210 bilhões, ultrapassando a Toyota e passando a valer mais que o triplo do que valem, somadas, a Ford e General Motors.

A alta de suas ações, mais de 163% neste ano, parece refletir a confiança dos investidores sobre o futuro dos veículos elétricos, área em que sem dúvida a Tesla tem posição de relevância. Deve-se lembrar que os que investem em ações de uma empresa acreditam que ela tem potencial para gerar grandes lucros no futuro e, mais importante, porque esperam poder vender as ações por um preço ainda mais alto. Especuladores são muito ativos nesse mercado e seus movimentos podem fazer oscilar o valor das ações de uma empresa, independentemente de seu desempenho.

Alguns cuidados devem ser tomados antes de se apostar muito na Tesla: após vários anos de prejuízos, a empresa teve três trimestres consecutivos de lucro; não se pode garantir que essa maré positiva perdure, apesar de devermos registrar que a Amazon, depois de abrir o capital em 1997, demorou 24 trimestres até registrar lucro.

Esses cuidados devem ser aumentados quando comparamos Toyota com Tesla: a primeira vendeu 10,46 milhões de veículos durante o período de um ano encerrado em março de 2020. Sua receita líquida foi de US﹩ 281,2 bilhões nesse período. A Tesla encerrou 2019 com receita de US﹩ 24,6 bilhões, tendo vendido 367 mil veículos. É bom lembrar também que há cerca de dez outros fabricantes que produzem mais veículos do que a Tesla: a Suzuki, a décima maior fabricante, vendeu 3 milhões em 2019, quase dez vezes mais do que a Tesla.

A personalidade de Elon Musk, o principal executivo da Tesla, também deve ser levada em conta pelos investidores, trata-se de uma figura exótica, que dispõe de imenso poder na empresa. Isso pode ser bom, ao agilizar os processos decisórios, mas também pode levar à adoção de caminhos perigosos para a Tesla. De qualquer forma, Musk afirma que a empresa entregará mais de 500 mil veículos em 2020, apesar da pandemia.

Deve-se registrar também os resultados da 34ª versão da pesquisa JD Power Initial Quality Study, que estuda a qualidade dos veículos fabricados nos Estados Unidos, e na qual a Tesla teve péssimos resultados, tendo inclusive ido à Justiça tentando proibir a realização da pesquisa, provavelmente por saber o que os consumidores diriam de seus carros. Esse é um mau sinal.

O comportamento do mercado de veículos autônomos também deve influenciar os resultados da Tesla. De qualquer forma, a empresa deve se beneficiar do interesse geral por veículos elétricos, embora investimentos em seus papéis devam ser estudados com muita atenção.

*Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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A videoconferência nos negócios veio para ficar

videoconferencia _zoom.jpg*Por Jason Lionel Quesada
25/06/2020 - Um relatório da Wainhouse Research descobriu que 94% dos negócios que usam videoconferência registram aumento de produtividade. Então é seguro dizer que esse método de comunicação não se tornará obsoleto tão cedo.

Preciso admitir que não era fã de videoconferência, mas tendo em vista nossa realidade de home office e covid-19, gasto mais e mais tempo em videoconferências para colaborar com meus colegas e conseguir que as atividades sejam executadas no dia a dia. Tenho usado a plataforma Avaya Spaces, e, depois de experimentar os benefícios de videoconferência e colaboração, tenho orgulho em dizer que hoje sou grande defensor da ferramenta, que registrou aumento de 2.500% no tráfego de vídeo nos últimos meses, desde o início da pandemia.

Conheça os três principais motivos de por que nossos times amam usar a videoconferência da Avaya:

O negócio via videoconferência cria conexões importantes cara a cara

A necessidade de colaborar uns com os outros está cada vez mais presente no local de trabalho. Eu estava trabalhando remotamente pelo menos três vezes por semana antes da covid-19, e podia entrar com facilidade em reuniões por telefone nos dias de home office. Mas existe algo meio desconexo sobre colaborar com membros do time por telefone. Expressões faciais e linguagem corporal são perdidas durante a comunicação de ideias e sentimentos, e uma experiência apenas com áudio significa que deixamos de visualizar o que as pessoas querem realmente dizer.

As conexões cara a cara que são possíveis de estabelecer com meus times quando usamos a plataforma de videoconferência são cruciais para termos uma forte sintonia de equipe, pois encoraja o engajamento e propicia a união da comunidade. Sem a necessidade de deslocamento e pela facilidade de ser feita de qualquer lugar, a videoconferência otimiza o gerenciamento de tempo no contato entre pessoas e na velocidade das tomadas de decisão.

É mais fácil encontrar o foco

Levante a mão quem já sonhou acordado ou tentou realizar outras atividades durante um conference call! Sim - eu também estou de mão levantada. Mas, ao adotar a colaboração por vídeo, fiquei mais focado nas reuniões, pois posso ver meu time, e vice-versa. Sei que algumas pessoas ficam muito tímidas por essa mesma razão. Mas isso se torna um ponto de convencimento maior para mim, pois encoraja todos a estar tão focados quanto possível para atender às metas das reuniões.

Além disso, por dispensar encontros físicos, as videoconferências agilizam os processos de uma empresa para alinhar objetivos, metas e compartilhar os resultados conquistados pelos colaboradores.

O tempo real deveria ser sempre uma opção

Durante qualquer momento no dia, posso usar uma variedade de apps para mudar a configuração do termostato da minha casa, solicitar produtos domésticos ou até mesmo enviar flores para minha esposa - tudo em tempo real. E, quando estamos trabalhando com outras pessoas, as ideias podem voar de maneira rápida e furiosa! Por que não compartilhar essas ideias e acompanhar os detalhes em tempo real? A videoconferência torna isso possível.

Vamos deixar que todos trabalhem e encontrem a melhor maneira de fazê-lo usando documentos, voz e chat, todos integrados. Os benefícios da videoconferência incluem ferramentas como compartilhamento de documentos, compartilhamento de tela e agendamento de reuniões, maximizando a produtividade sem atravancar o trabalho com excesso de recursos.

Como eu disse - sou agora grande fã da videoconferência. E sei que existem mais pessoas por aí. Fiquem à vontade para aparecer.

*Jason Lionel Quesada é gerente global de marketing de mídias sociais

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Faturamento do e-commerce cresce 56,8% em 2020

varejo.jpg24/06/2020 - Estudo do Movimento Compre&Confie em parceria com ABComm também mostra que houve alta de 65,7% no número de pedidos no período

O e-commerce brasileiro faturou 56,8% a mais nos cinco primeiros meses de 2020 em comparação com igual período do ano passado, segundo pesquisa realizada pelo Movimento Compre&Confie em parceria com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Embora o valor do tíquete médio tenha caído 5,4% – de R$ 420,78 para R$ 398,03 –, o aumento do faturamento foi possível porque houve crescimento de 65,7% no número de pedidos, de 63,4 milhões para 105,06 milhões.

As três categorias que registraram as maiores variações de crescimento foram Beleza e Perfumaria, que apurou alta de 107,4%, com faturamento de R$ 2,11 bilhões no período; Móveis, com alta de 94,4% e faturamento de R$ 2,51 bilhões; e Eletroportáteis, com 85,7% e faturamento de R$ 1,02 bilhão.

O desempenho das demais categorias pesquisadas ficou assim: Eletrônicos, alta de 68,4% e faturamento de R$ 3,93 bilhões; Esporte e Lazer, 66,8% e R$ 1,57 bilhão; Telefonia, 52,2% e R$ 7 bilhões; Eletrodomésticos, 51% e R$ 4,21 bilhões; Informática, 46,7% e R$ 4,20 bilhões; Moda e Acessórios, 34,9% e R$ 4,1 bilhões; Ar e Ventilação, 17,2% e R$ 1,22 bilhão.

A região brasileira que registrou proporcionalmente o maior aumento no faturamento foi a Nordeste, com alta de 60,9% sobre o desempenho de 2019. Mesmo com o incremento, o local respondeu por 15,3% da receita no período de janeiro a maio de 2020. Em segundo lugar, com crescimento de 54,9%, ficou o Sudeste; que respondeu por 62,2% do faturamento total do comércio eletrônico no período. Em terceiro lugar, a Centro-Oeste teve alta de 47,1% e participação de 6,6% no faturamento deste ano, seguida pela Sul, que registrou evolução de 39,2% e participação de 13,2% no faturamento deste ano. Finalmente, a Norte teve alta de 44,1% e participação de 2,7%.

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A nova maneira de consumir e pagar pelo WhatsApp

whatsapp_pay_1.jpg*Por Fernando Shine
17/06/2020 - Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, anunciou nesta segunda-feira, 15 que o aplicativo de mensagens WhatsApp - empresa adquirida pela gigante em 2014 - irá liberar a possibilidade de lançar pagamentos pelo Facebook Pay. A novidade estará disponível inicialmente para alguns usuários.

No Brasil, são mais de 130 milhões de pessoas que utilizam o aplicativo, portanto a nova funcionalidade é uma significativa oportunidade para as empresas. Muitos varejistas já sonham em transformar o canal não apenas na principal carteira digital (e-wallet) de consumidores, como também torná-la uma interface para se conectar com eles com a mesma facilidade com que são realizadas as trocas instantâneas de mensagens por esse canal.

A pandemia do novo coronavírus atestou o poder do WhatsApp no varejo. Empresas como ViaVarejo, Magazine Luiza, Reserva e Riachuelo tiveram que se reinventar durante esse período e passaram a utilizar a ferramenta como meio para os vendedores alcançarem seus consumidores diante do fechamento dos estabelecimentos físicos.

O comércio imagina agora como prover uma experiência única e viabilizar as vendas no canal. Muitas das inspirações podem partir da China, onde vimos o Wechat promover uma mudança na forma de consumir daquele país.

Certamente ainda é muito cedo para saber o que teremos disponível, pois os bancos legíveis - Nubank, Banco do Brasil, Sicredi, assim como a Cielo, processador de pagamento - precisam liberar suas APIs (Interface de Programação de Aplicações) para o mercado e, assim, oferecer os recursos para as empresas disponibilizarem a experiência. Os desafios técnicos para o WhatsApp são grandes para torná-lo um “super app”. Poucos aplicativos – caso do Wechat - conseguiram concentrar em uma única plataforma todos os serviços essenciais do dia a dia.

É importante destacar que as duas vias (consumidor e empresa) precisarão ter conta nos bancos citados. O Facebook não divulgou quando outras instituições financeiras passarão também oferecer esse serviço.

Ainda levará algum tempo para a atualização chegar a todos usuários. O recurso será gratuito para pessoas físicas e uma taxa será paga pelas empresas via Merchant Discount Rate, de 3,99%, por transação pelo aplicativo, tanto no crédito como no débito.

Além de limitar a moeda - nesse primeiro momento somente em real - não será possível ultrapassar R$ 1 mil por transação, R$ 5 mil por mês de venda pelo canal e 20 transações por dia.

Fica evidente a cautela do Facebook para lançar este novo recurso e a concorrência que enfrentará com outras carteiras virtuais já popularizadas no Brasil, como PicPay, Ame e Mercado Pago.

Mas afinal, o que podemos sonhar para o futuro com essa mudança no varejo? Quais são os recursos que estarão disponíveis? Quais cuidados teremos que ter? Abaixo alguns exemplos do que podemos imaginar:

- De início, podemos pensar em consumidores acessando uma loja online via WhatsApp. Eles poderem usar o próprio aplicativo como um sistema de cobrança para efetuar o check-out por meio de um "pagamento com um clique". Os consumidores estarão logados automaticamente, sem a necessidade de inserir manualmente e-mail ou senha, permitindo assim coletar dados como número de telefone e endereço. Isso viabiliza uma experiência para o consumidor significativa, bem como um aumento relevante na taxa de conversão de vendas, possibilitando também para alguns setores fazer a recompra dos produtos;

- Do ponto de vista do consumidor, os motivos para o sucesso serão: navegação fácil e conhecida, simplicidade nos modelos, modo intuitivo de usar, recursos avançados para comércio eletrônico, além de integração profunda com os principais recursos do Facebook;

- Sabemos que as interações humanas são importantes, mas o bot passa a ser um grande aliado com este avanço, permitindo automatizar as interações até o fechamento do pedido. O bot não servirá apenas para esclarecer dúvidas de produto ou sobre o pedido, mas será um grande aliado para direcionar o usuário em toda jornada de venda;

- Integração do WhatsApp com o Instagram (que passou a ser uma empresa do Facebook até mesmo antes do WhatsApp, em 2012) a partir do direcionamento do link da campanha de um influenciador para uma página de produto, proporcionando uma experiência única sem sair do aplicativo;

- O avanço do Facebook Pay no Brasil passa ser um propulsor para as empresas explorarem o serviço de marketplace do próprio Facebook, que permite a compra e a venda de produto por este canal - lançado há algum tempo, mas que não ganhou a notoriedade que merece.

- Chance de popularizar ainda mais o QR Code no Brasil, permitindo que as pessoas utilizem dessa interface para fomentar ainda mais as compras nos estabelecimentos físicos sem a necessidade de dinheiro ou cartão de crédito, apenas por meio dos dispositivos móveis como smartphone e smartwatch. Além deste meio ser uma alternativa a mais para aquecer o Omnichannel no país, permite que as empresas ofereçam uma maneira integrada e intuitiva não só por todos os aplicativos do Facebook, como para todos os canais da marca, possibilitando promover um atendimento único no online, como no offline, para seus consumidores;

- Enviar cupom de desconto por Whatsapp também será um outro grande avanço e integrado. Os usuários serão mantidos atualizados sobre as promoções vigentes e mantidos engajados com a marca e entre grupos de bate papos;

- A segurança é algo imprescindível e o Facebook já se preocupou com a questão, principalmente após inúmeros escândalos de vazamento de dados enfrentado nos últimos anos. As transferências e pagamentos terão camadas de segurança, como o PIN do Facebook Pay (Número de Identificação Pessoal) exclusivo para cada pessoa, em que cada indivíduo terá um identificador único e o dado não poderá ser compartilhado com outros usuários. Além disso, será oferecida a possibilidade da biometria em dispositivos compatíveis para garantir a segurança. Importante conscientizar que o WhatsApp não mandará nenhuma notificação ou link para os usuários aderirem a nova funcionalidade, por isso muito cuidado quando receber mensagens por e-mails e por outros canais.

A possibilidade de efetuar transações pelo WhatsApp poderá ser um grande passo para revolucionar os meios de pagamento e mudar o comportamento de consumo do brasileiro. Sem dúvida será uma mudança gradativa, mas algo que as empresas precisam acompanhar constantemente.

*Fernando Shine é especialista em experiência do consumidor para e-commerce da Hi Platform, plataforma de relacionamento com o consumidor

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Febraban publica pesquisa sobre o brasileiro

prediction.jpg22/06/2020 - Um levantamento mensal que mapeia a visão da população sobre os temas que impactam o Brasil: esse é o Observatório Febraban

A primeira edição do novo Observatório identifica quais são as expectativas da população que possui contas em bancos para a retomada das atividades econômicas no período pós-pandemia. E revela que uma série de tendências de comportamento e consumo adotadas durante o período de isolamento social tendem a continuar no pós-Covid. O "novo normal" indica ser, dessa forma, cada vez mais normal no dia-a-dia desses brasileiros.

Entre outros dados, o estudo identificou que:

- 45% dos entrevistados afirmam que irão dedicar mais tempo à família e aos filhos;
- 30% pretendem aumentar as compras feitas via e-commerce;
- 28% planejam usar mais os serviços de delivery;
- 27% querem aumentar o trabalho na modalidade home office;
- 37% preveem, por outro lado, diminuir suas viagens – o que pode indicar receio de contaminação pela Covid-19.

O Observatório também mostra que existe otimismo entre a população bancarizada brasileira sobre a perspectiva de retomada financeira individual e familiar. Quase a metade – 49% - dos entrevistados acredita que suas finanças voltarão ao patamar de antes da pandemia em até 1 ano – dentre os quais 21% apostam que a retomada poderá se dar ainda mais rápida, em até seis meses.

Esses indicadores otimistas também se revelam em uma série de intenções de consumo – "uma pista de que existe uma demanda reprimida, que pode ajudar em uma recuperação mais rápida da economia", afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.

A pesquisa mostra que, por exemplo:

- 58% dos entrevistados pretendem manter ou aumentar seu volume de compras;
- 60% também querem manter ou elevar seu uso do cartão de crédito;
- 15% planejam usar crédito bancário na compra de material de construção para reformar seu imóvel;
- 15% têm intenção de financiar a compra de imóveis, apontando o potencial desse mercado;
- 14% dizem também que irão contratar financiamento para adquirir carros e motos

O levantamento vai além e mostra que há boas perspectivas para o comércio. Existe, por exemplo, intenção de manter ou aumentar a frequência aos supermercados em 78% dos pesquisados. Outros negócios também registram intenções elevadas de continuar ou elevar a frequência, como salões de beleza (66%), comércio de rua (55%), bares e restaurantes (47%) e shoppings (47%). "Sinal que pode haver um respiro a caminho dos varejistas", complementa Isaac Sidney.

Realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) – a primeira edição do novo Observatório Febraban ouviu amostra de mil pessoas representativa da população adulta bancarizada, de todas as regiões do País, entre os dias 1º e 3 de junho.

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Como será o trabalho remoto no pós-pandemia?

trabalho_remoto.jpg*Por Marcos Yabuno Guglielmi
22/06/2020 - O mundo nunca mais será o mesmo. Com a pandemia de Covid-19, tivemos que nos adaptar à distância, ao isolamento e à mudança completa de rotina. Quem estava acostumado a acordar cedo, tomar um rápido café da manhã e encarar longos minutos – às vezes, horas – no trânsito para chegar ao trabalho ficou com uma sensação estranha ao ouvir o despertador tocar mais tarde. Isso lá no começo da quarentena. As empresas, por outro lado, tiveram de criar mecanismos para que as atividades continuassem sendo cumpridas, com preocupação com os funcionários e a saúde financeira do negócio. Um verdadeiro caos.

Hoje, com todas as incertezas que ainda nos esperam, já aprendemos a lidar com este novo cenário. Reuniões virtuais, videoconferências e plataformas digitais de organização de tarefas integraram nosso dia a dia e, quanto mais tempo passa, mais nos perguntamos: saberemos voltar ao que era normal? Ou, melhor, vamos querer voltar ao que éramos antes?

De acordo com a FGV, 67,4% dos brasileiros com trabalho formal estão trabalhando remotamente. Além disso, uma pesquisa da ISE Business School mostra que o home office tem gerado experiências muito positivas para as empresas. Segundo o levantamento, 80% dos gestores disserem gostar da nova maneira de trabalhar. As equipes também elogiam o home office, como mostra o Instituto Renoma. Um levantamento recente aponta que 44% dos funcionários formais aprovam o trabalho a distância, enquanto apenas 16% dos empregados mostraram-se contrários.

Se, por um lado, a pandemia atrasou diversos planos, no âmbito do trabalho, ela acelerou muitas tendências. Agora, começam as dúvidas: como se preparar para o futuro iminente do trabalho remoto? Que habilidades são importantes para líderes e colaboradores? Que outras competências o home office exige, em relação ao trabalho presencial?

Em um mundo com predominância de home office, três habilidades são essenciais. A primeira é o planejamento. As relações de trabalho tendem a se tornar muito mais horizontais, pensando nos objetivos a serem cumpridos e destacando o papel fundamental de cada colaborador. Por isso, os gestores deverão ser verdadeiros líderes, dividindo as tarefas e fazendo um acompanhamento direto de tudo que acontece na empresa. Deve haver um crescimento da utilização de softwares e plataformas de acompanhamento de atividades, calendário e lista de pendências, inclusive com estabelecimento de prazos.

Em seguida, a organização. Para que tudo caminhe conforme os planos, todos devem estar alinhados ao propósito da organização. Outra coisa que deve mudar é a necessidade de todos cumprirem o mesmo horário de trabalho. Por exemplo: empresas que decidirem manter seus escritórios e permitirem o home office alguns dias por semana deverão ter suas equipes trabalhando em escalas, para evitar aglomerações. Isso exige comprometimento e colaboração de todos.

Por fim, manter uma boa comunicação talvez seja o mais importante dos itens. A quarentena está deixando todos mais vulneráveis ao estresse, à ansiedade e a doenças psicossomáticas, de modo geral. O trabalho não pode ser mais uma sobrecarga. O novo momento pede também novas relações entre empresas e colaboradores, buscando a compreensão e a flexibilização de jornadas, prazos e rotinas. Deve-se humanizar as relações de trabalho.

Apesar de ainda estarmos na parte turbulenta do voo com destino ao incerto, parte da tripulação já começa a aceitar a nova realidade e o que ainda está por vir. Devemos nos manter otimistas, afinal não é a primeira grande mudança que experimentamos como sociedade. Sairemos mais fortes de tudo isso e mais preparados para possíveis instabilidades.

*Marcos Yabuno Guglielmi é coach empresarial certificado da ActionCOACH, empresa número 1 do mundo em coaching empresarial.

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