Um diálogo entre Andrew Anagnost e os jornalistas

andrew_anagnost.jpgPor Ethevaldo Siqueira (de Las Vegas)
21/11/2017 - Em entrevista de quase uma hora com este jornalista, Claudiney dos Santos e um colega inglês, Andrew Anagnost, CEO da Autodesk, aprofundou diversos temas de sua palestra (keynote), durante a Autodesk University 2017, na abertura do evento realizado em Las Vegas, de 14 a 16 de novembro. A grande paixão desse executivo é o futuro da Educação, que considera o maior desafio destes tempos modernos. Com entusiasmo, ele ressalta as vantagens reais da automação, hoje proporcionadas pelas mais avançadas tecnologias, tanto por países desenvolvidos como por países em desenvolvimento como o Brasil, cujas economias são tão diferentes da dos países desenvolvidos.

"Entre as vantagens consideráveis da adoção das mais modernas tecnologias de automação, e que podem interessar aos países emergentes, eu destaco a redução não apenas do tempo de execução de grandes obras de infraestrutura, mas também de seu custo. Não é uma questão de simples redução da mão-de-obra, mas, sim, da adequação desses projetos às limitações dos orçamentos, tão comum nos países em desenvolvimento. E todos sabem que quanto mais gente envolvida num projeto, mas gastos deverão ser acrescentados, muitos sem nenhum valor agregado, além do risco da corrupção. E mais: o uso de sistemas avançados de automação pode garantir muito mais transparência aos contratos e aos investimentos públicos. E temos que exigir transparência, para que se vença o círculo vicioso e que os grandes méritos da eficiência e da qualidade sejam reconhecidos".

Andrew Anagnost afirma que um país como o Brasil "não pode pensar em adotar essas modernas tecnologias de automação a curtíssimo prazo, ou seja, amanhã, em especial na área de infraestrutura, é preciso considerar as muitas vantagens que a automação pode conferir aos países emergentes. Há algumas coisas que tornam particularmente importantes e vantajosas a adoção das tecnologias de automação nesses países: primeira, por exigência da população; segunda, por exigência das atividades econômicas e do desenvolvimento almejado por esses países.

Mas é bom lembrar que todo grande projeto de infraestrutura física é sempre um grande desafio, não apenas nos países emergentes, mas mesmo nos Estados Unidos, quando consideramos todas as implicações desses projetos.

Mas a adoção da automação traz outras vantagens consideráveis que podem interessar a esses países, no sentido de reduzir o tempo e os custos de implantação, de forma a adequar os projetos às limitações dos orçamentos.

Por outras palavras, as novas tecnologias de automação permitem que se implantem mais infraestruturas com menos gastos ou menores investimentos. Pensar apenas na redução da mão-de-obra é um modo equivocado de analisar o problema, alerta Anagnost. Em sua visão, o que é, realmente, importante é fazer mais com os mesmos recursos dos limitados orçamentos, em especial com a redução do número de subcontratos. A rigor, com os novos recursos tecnológicos da automação, podemos fazer mais e melhor, em menos tempo e com menores custos.

A tecnologia traz maior transparência aos contratos

Em qualquer país do mundo corre-se o risco de ampliar os gastos com essa montanha de subcontratos – não apenas com os custos inflados pela corrupção, mas com aquilo que eu chamo de "gastos sem nenhum valor agregado". Ou, como acontece em qualquer lugar do planeta, há sempre uma multidão de pessoas que estão interessadas em extrair mais dólares de um contrato sem a contrapartida do valor agregado ou da qualidade em geral.

Essa situação pode até configurar um primeiro estágio da corrupção. O mundo vive, como sabemos, o risco de uma epidemia de corrupção institucionalizada conduzida pelos funcionários público, nas áreas governamentais, pois eles são os responsáveis pela aprovação de projetos. E quanto mais gente envolvida num projeto, mas gastos serão acrescentados, muitos sem nenhum valor agregado, além do risco da corrupção.

As novas tecnologias de automação podem até reduzir a burocracia, tão disseminada pelo mundo. "Nos Estados Unidos, felizmente – diz Andrew Anagnost – pode-se abrir uma nova empresa até online, pela internet. Não tenho a menor dúvida: a automação pode acelerar o desenvolvimento econômico."

Mas não só o governo tem a culpa pela lentidão. Na opinião do CEO da Autodesk, a automação e seus recursos tecnológicos podem ser muito úteis não apenas para acelerar projetos, mas para aumentar a produtividade, como é o caso das grandes construtoras, como a Foster & Partner, que usa recursos de automação como o BIM. "O governo tem seu papel, mas podemos alavancar e ampliar ainda mais os bons resultados da desburocratização com o que eu chamo de transparência digital".

O papel revolucionário da Educação

A Autodesk dedica especial atenção aos problemas da aprendizagem e da Educação. Mas como atualizar as velhas gerações diante da emergência de novas tecnologias e da exigência de novas competências? Uma das possíveis respostas a esse desafio é estimular o convívio entre pessoas de gerações diferentes. Na Autodesk essa experiência parece ter dado resultados muito positivos. Há bons exemplos de pessoas que aprendem com esse convívio. "Eu digo que gente comum pode fazer coisas extraordinárias" – enfatiza Anagnostic.

A Indústria 4.0 chegou para ficar

Tudo que se diz e se prevê sobre a Quarta Revolução Industrial pode parecer modismo, coqueluche, sonho, ficção ou fantasia. Ou, em inglês "hype" – com todas essas coisas novas anunciadas ou discutidas nos jornais, na televisão e nos grandes eveneto.

Andrew Anagnost lembra: "Quanta coisa parecia ficção ou sonho até há pouco tempo? Inteligência artificial é uma delas. Aprendizagem de máquinas é outra. Outros advertem que a essas tecnologias são perigosas, que ameaçam a humanidade. Sim, mas o computador também era considerado tão perigoso quanto a AI. E hoje convivemos com ele sem qualquer preocupação. É claro que teremos que adotar certas formas de regulação."

O conceito de Indústria 4.0 – na visão do CEO da Autodesk – é algo que tem fundamento e pode revolucionar a economia de todos os países. Ele se baseia no uso das chamadas tecnologias exponenciais, na redução do tamanho das indústrias, chamadas de fábricas leves, altamente automatizadas e instrumentadas, que podemos rápida e facilmente reconfigurar. Isso é exatamente o que precisamos para chegar ao futuro. Ou seja, é necessário mas não suficiente, para enfrentarmos os desafios que esse futuro nos trará.

O melhor exemplo dessa nova revolução talvez sejam as microfábricas, altamente automatizadas e inteligentes, que permitirão uma produção muito mais barata e personalizada.

A robotização das indústrias será feita, predominantemente, com robôs muito mais inteligentes, mais produtivos e mais eficientes. Nessa área, o mundo precisará de operadores muito mais hábeis e capazes de trabalhar com esses robôs. E um dado surpreendente: nos próximos três anos, a demanda estimada para a China será de 3 milhões de operadores capacitados para trabalhar com os robôs mais avançados.

Outra área dessa nova revolução industrial será a da agricultura robotizada, prevê Andrew Anagnost. Para ele, esse pode ser um dos caminhos para um país com o potencial agrícola do Brasil, desde que essa atividade seja a mais avançada e altamente produtiva.

Investir no Brasil e na América Latina?

Quais são os planos da Autodesk para investir em certos de desenvolvimento e pesquisa no Brasil e na América Latina? Andrew Anagnost explica para investir nessa região, como em qualquer outra parte do mundo, sua empresa considera a existência de três condições básicas:

a) temos que ter um mercado que seja receptivo, ou melhor, que queira receber esse tipo de investimento;

b) é preciso que haja uma população que esteja pronta e preparada para essas atividades;

c) é preciso que exista no país um arcabouço legal favorável a esse investimento.

Assim foi feito na China, na Índia e noutros países.

Quem é Andrew Anagnost

O CEO da Autodesk, Andrew Anagnost é o novo líder da empresa desde junho de 2017. Poucos executivos reúnem tantas qualidade para impressionar positivamente os participantes de um grande evento, como a Autodesk University. sua única perspectiva era sobre automação e Apaixonado pela temático do Futuro do Trabalho, ele revela sua confiança e otimismo para que possamos abraçar esse futuro.

Doutor em Engenharia Aeronáutica e Ciência da Computação pela Universidade de Stanford, Andrew Anagnost iniciou sua carreira na Lockheed Aeronautical Systems Company e como membro do NRC no NASA Ames Research Center.

Com mais de 20 anos na Autodesk, ele exerceu vários papéis técnicos e estratégicos: liderou a equipe de engenharia para o Autodesk Inventor, ferramenta de engenharia e design de produtos com base em modelo 3D da empresa, aumentando a receita cinco vezes durante seu comando. Como Vice-Presidente Sênior de estratégia e marketing comercial, liderou a transição bem-sucedida da empresa para um modelo de negócios de assinatura e levou a adoção das tecnologias de nuvem da Autodesk.

Ao tomar posse no novo cargo, ele recordou alguns pontos fundamentais de sua empresa: "A Autodesk transformou a indústria de design trazendo o CAD para o PC há 35 anos e, nos últimos 10 anos, tornou-se líder de tecnologia. Nós fomos os primeiros a trazer o design para a nuvem e, agora, estamos trazendo a construção e a manufatura para a nuvem também. Empenho-me daqui para frente em levar a Autodesk à nossa próxima fase de crescimento, onde combinaremos negócios e inovação de produtos para se tornar uma empresa ainda mais focada no cliente".

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