O cinema daqui a 50 anos segundo o NAB Show

  • Imprimir

chris-cookson_nab2_2014.jpgEthevaldo Siqueira
07/04/2014 - Como será o cinema daqui a 50 anos? Esse foi o tema do keynote speaker Chris Cookson, da empresa Innovative Technologies, ao falar no sábado (5 de abril), na abertura do NAB Show, de Las Vegas.

Antes do cinema do futuro, uma palavra sobre esta experiência fascinante, que vivo aqui como jornalista especializado em tecnologia. Sei que, no futuro, ela talvez seja rotina na vida dos jornalistas num horizonte de 10 ou 15 anos: cobrir um evento que se realiza a 10 mil km de distância, diante de meu desktop ou de um terminal de multimídia, sem sair de meu escritório.

Durante 20 anos, eu cobria de forma presencial este NAB Show, um evento que se tornou o maior do mundo nas áreas de radiodifusão (broadcasting, ou rádio e TV abertos) e cinema, mídia e entretenimento, cobrindo as três grandes vertentes do mundo das comunicações: tecnologia, mercado e regulação. O tema deste ano é "Oportunidade de Canais" – mostrando as alternativas de Rádio, TV Aberta, TV por Assinatura, Cinema, Home Theater, IPTV e outras formas de multimídia.

"A story teller"

Para falar do cinema do futuro, a primeira dificuldade enfrentada por Chris Cookson é conceituar o que será o cinema em 2064. "Mesmo hoje não é tão fácil dizer o que é cinema. As pessoas vêem produtos do cinema em seus laptops, tablets e smartphones. Eu diria, portanto, que o cinema se transformou numa espécie de story teller ou contador de histórias. Seu grande desafio está na forma cada vez mais criativa de levar essas histórias até à mente dos expectadores."
Segundo prevê Chris Cookson, num horizonte de 50 anos, chegaremos ao limite de definição perceptível pelo olho humano. Muito mais do que as imagens de Ultra High Definition, chegaremos às imagens de Ultra High Realism, que envolve a visão tridimensional sem necessidade de óculos ou outros dispositivos especiais.

Na realidade, haverá muitas formas diferentes cinemas, em função dos modelos de negócios, e não apenas em função das tecnologias e ferramentas utilizadas. As aplicações da tecnologias permitirão o uso do cinema de 2064 e de telões de alto padrão visual tanto para fins educacionais, para treinamento, para palestras ou para puro entretenimento, como em grandes shows ao ar livres ou espetáculos esportivos – em especial os grandes campeonatos de futebol ou as Olimpíadas.

Nas salas de cinema do futuro ou mesmo nos super home theaters domésticos a melhor aplicação dos recursos tecnológicos será para obter o máximo de resultado da imensão do expectador na imagem do cinema ou da TV.


A primeira área de grandes transformações no cinema será em displays ou telas. Teremos que ir muito além do que temos hoje – com tecnologias de LED ou OLED – para aprimorar cada dia mais a imagem, o brilho, as cores e os contrastes. Partimos do 4K, que ainda está na infância, para dar o salto de maior impacto no 8K.


Para entender corretamente esses novos conceitos de super alta definição (Super High Definition), devemos relembrar que, no jargão de TV, a imagem padrão de High Defintion é chamada de 2K porque é formada por 2 milhões de pixels ou 2 megapixels, resultado de 1080 linhas de 1920 pixels cada linha. Multiplique 1080 por 1920 e obterá o número 2.073.600, que arredondamos para 2 milhões.


E 4K? Nesse caso, temos que dobrar o número de pixels tanto das linhas horizontais quanto das verticais. É o quadrado de dois (2²) ou quatro vezes mais densa, pois seu número total de pixels resulta da multiplicação de 2.160 linhas (2x1080) por 3.840 (2x1.920 pixels), o que perfaz um total de 8.294.000 pixels (que é arrendondado para 8 milhões ou 8 megapixels).


A imagem de TV 8K, por sua vez, será o resultado da multiplicação de 4.320 linhas de 7.680 pixels cada uma, porque estamos multiplicando tudo por quatro: 4x1.080 linhas por 4x1.920 pixels (ou seja:), que perfaz 33.177.600 pixels (arredondados para 32 megapixels). Se compararmos a densidade da imagem 8K com a de 2K (da HD convencional), concluiremos que ela tem 16 vezes mais densidade.


Reunião de 94 mil profissionais

Segundo Gordon Smith, presidente a Associação dos Radiodifusores dos Estados Unidos (NAB, sigla de National Association of Broadcasters), o evento recebe este ano a visita de 94.000 participantes – inclusive 3.000 brasileiros – dos segmentos de radiodifusão e multimídia. Aliás, o Brasil tem seu pavilhão, para dar um panorama da TV e do radio brasileiros, em especial o padrão de TV digital nipo-brasileiro ISDB-T, bem como o software de comunicação interativa Ginga.

Deixar seu comentário

0
termos e condições.
  • Nenhum comentário encontrado