Indústria do futuro cria novas profissões

ai_ethe.jpg16/03/2020 - Segundo estudo de mercado, a expectativa é que 2 milhões de pessoas sejam contratadas até 2025 com o avanço da tecnologia

Cada vez mais a inteligência artificial e a inteligência humana devem se mesclar nas empresas, com impactos positivos em ambos os lados. Pelo menos é isso o que aponta o Gartner. Segundo a consultoria norte-americana, a tecnologia criará mais empregos do que eliminará a partir de 2020. A estimativa, de acordo com o estudo, é de que 2 milhões de postos de trabalho sejam gerados até 2025.

E muitas dessas funções ainda nem existem. A indústria 4.0, conforme levantamento do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), deve criar 30 novas profissões em oito áreas de atuação, incluindo tecnologias da informação e comunicação.

A Zenvia, plataforma de comunicação que simplifica a relação entre empresas e consumidores, reafirma esse cenário. Recentemente, a empresa contratou profissionais para cargos que não existiam antes. Dentre eles: developer evangelist, UX writer e UX researcher, explicados pelos contratados:

"Sou responsável pelo contato constante com os clientes a fim de ajudá-los a alcançarem os resultados que eles esperam com o uso do nosso serviço/produto. Como os consumidores estão cada vez mais exigentes, o Customer Success surge como uma nova maneira de olhar para estreitar o relacionamento e garantir a entrega de valor durante toda a jornada do cliente", pondera Joy Budal, customer success na Zenvia/TotalVoice, em Santa Catarina.

"Eu sou responsável por fazer toda a comunicação e explicação das funcionalidades e possibilidades do produto para a comunidade técnica, formada por programadores, desenvolvedores, fábricas de software, startups etc. Entre as funções estão a elaboração de conteúdos técnicos, palestras, encontros, workshops, bancas, com o objetivo de ser um facilitador da comunidade para o uso e aproveitamento do produto. Esse papel é necessário devido à natureza do nosso produto de voz, que é voltado a consumidores mais técnicos", ressalta Carlos Santos, developer evangelist da Zenvia/TotalVoice, em Santa Catarina.

"Todo o conteúdo dos robôs é feito pela minha profissão: UX writer. É uma redação que requer muito cuidado, porque é preciso ter muita empatia com o consumidor do meu cliente", afirma Marina Galan, uma das UXs writers da Zenvia, em São Paulo.

"Sou responsável por entender o comportamento dos clientes e compreender suas necessidades e dores, por meio de pesquisas qualitativas e quantitativas. Depois, traduzo tudo em dados e insights para que os times possam tomar decisões. Acredito que UX researcher é uma nova profissão porque coloca o cliente no centro da decisão", aponta Júlia Timponi, UX Researcher da empresa, em Porto Alegre.

Além de ter em seu time profissionais com essas qualificações, a Zenvia também tem investido na contratação de cientistas de dados e analistas de Big Data.

Katiuscia Teixeira, head de Gestão de Pessoas da Zenvia, comenta os esforços da empresa para colaborar com o desenvolvimento do mercado e das novas profissões: "Vamos muito além de gerar oportunidades de trabalho. Queremos realmente capacitar os profissionais e educar o segmento. Por isso, lançaremos em breve a Zenvia Academy, universidade da Zenvia para capacitar as pessoas em consultoria, design e gerenciamento de chatbots. Os roadshows para levar o primeiro módulo [Basic] a brasileiros de diversas regiões do País foi realizado em 2018 e 2019. Somente nos cinco encontros do ano passado, conseguimos formar mais de 250 pessoas, de 100 empresas, o que nos indica o grande potencial da ação".

Sobre a Zenvia
A Zenvia, movida pelo propósito de Simplificar o Mundo, habilita 8 mil empresas a simplificar a experiência de 200 milhões de pessoas por meio de sua Plataforma de Comunicação. A tecnologia inovadora da Zenvia permite adotar canais como WhatsApp, SMS e Voz em qualquer momento da jornada do consumidor, de forma integrada e automatizada com os processos e sistemas de gestão das empresas. A Zenvia empodera profissionais técnicos ou de negócio ao focar sua plataforma em autonomia, facilidade de uso e um modelo de negócios flexível para empresas de qualquer porte. Para mais informações sobre a empresa, acesse http://www.zenvia.com/ e confira os perfis nas redes sociais: linkedin.com/company/zenvia-mobile, facebook.com/zenviamobile, http://www.instagram.com/zenviaoficial/, youtube.com/c/CanalZenvia e twitter.com/zenviamobile.

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5G terá 1,8 bilhão de conexões no mundo em 2025

previsao.jpgPor Fernando Paiva, Mobile Time
06/03/2020 - Em 2025, uma em cada cinco conexões móveis (excluindo aquelas de IoT) será 5G, ou seja 20% do total, prevê a GSMA. Isso significará 1,8 bilhão de conexões em quinta geração no mundo. O 4G, por sua vez, representará 56% do total. Ao fim do ano passado o 4G era 52%. Os dados fazem parte do novo relatório global publicado pela associação nesta quinta-feira, 5.

Entre 2019 e 2025, a base mundial de conexões móveis passará de 8 bilhões para 8,8 bilhões, sem contar aquelas usadas em Internet das Coisas (IoT), como as linhas presentes em máquinas de POS, por exemplo. No mesmo intervalo, a base mundial de usuários de serviços móveis passará de 5,2 bilhões para 5,8 bilhões de pessoas, subindo de 67% para 70% da população global. Se considerados apenas os usuários que acessam a Internet através de dispositivos móveis, ou seja, aqueles com aparelhos 3G, 4G ou 5G, a base crescerá em média 4,6% ao ano e passará de 3,8 bilhões para 5 bilhões no referido período.

A participação dos smartphones sobre a base de 8,8 bilhões de conexões móveis em 2025 será de 80%, um aumento de 15 pontos percentuais em comparação com 2019.

A base mundial de conexões de IoT, por sua vez, vai dobrar até 2025, passando de 12 bilhões para 24,3 bilhões, projeta a GSMA.

Economia

A contribuição da indústria móvel para o PIB mundial passará de US$ 4,1 trilhões em 2019 para US$ 4,9 trilhões em 2025, com sua participação sobre o total subindo de 4,7% para 4,9%.

A GSMA estima que em 2019 a indústria móvel pagou em impostos e taxas um total de US$ 490 bilhões, sem contar gastos com leilões de espectro. O setor emprega 16 milhões de pessoas diretamente e 14 milhões de pessoas indiretamente.

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Que esperar da tecnologia brasileira nesta década?

patrick_hruby.jpg*Por Patrick Hruby
02/03/2020 - O fim de uma década é sempre um momento de reflexão. Todo prognosticador que se preza sabe que olhar para trás é o primeiro passo para prever o que vem pela frente.

No Brasil, os anos 2010 foram marcados no ambiente tecnológico pela impressionante popularização dos smartphones. Dados da FGV-SP indicam que hoje temos 230 milhões de smartphones ativos no Brasil, mais do que um aparelho por brasileiro. Essa mudança estrutural por sua vez gerou três grandes consequências que seguirão reverberando nos próximos anos. A primeira foi o aumento do acesso à internet, principalmente nas faixas de renda mais baixas. Esse acesso possibilitou o segundo movimento, a proliferação de negócios online como fintechs e e-commerces, e a reação dos negócios offline (como bancos e varejistas) para defender seus mercados. Por fim, e mais recentemente, observamos a disrupção de negócios tradicionais e analógicos (transporte, hospedagem, alimentação) por soluções digitais que conectam a oferta offline ao consumidor online (Uber, Airbnb, iFood).

E o que podemos esperar da próxima década? Apesar da máxima do físico Niels Bohr de que “previsões são difíceis especialmente sobre o futuro”, estou confiante que dois grandes movimentos irão marcar o setor de tecnologia brasileiro.

O primeiro é a disseminação da inteligência artificial (IA). Nos Estados Unidos, mas também na China, já observamos o impacto da IA nos mais diversos negócios, com reflexo inclusive no dia a dia dos brasileiros. Os algoritmos da IA estão por trás da recomendação do filme que você deveria assistir no Netflix, da música que você deveria escutar no Spotify, ou da postagem que você deveria ver no Instagram. Essa hiperpersonalização só é possível porque algoritmos analisam as ações de milhões de usuários e usam esses dados para prever o que cada um de nós vai querer consumir.

No Brasil ainda estamos na infância desse movimento, mas já vemos a IA gerando resultados concretos de melhora de eficiência de diversos negócios como, por exemplo, o iFood que usa algoritmos tanto para selecionar o entregador como também para sugerir a melhor rota de coleta do restaurante e entrega na residência. Isso aumenta a produtividade (e renda) do entregador e proporciona uma melhor experiência ao consumidor final (comida em casa mais rápido).

Como todas as grandes mudanças tecnológicas que já passamos, a IA certamente impactará na lógica trabalhista que conhecemos hoje. Não acredito nas previsões apocalípticas do fim do emprego e dominância das máquinas, mas se o passado é nosso guia, sei que cargos e funções irão mudar. Hoje já observamos essa mudança na profunda escassez de mão de obra qualificada em tecnologia de computação (e os altos salários ofertados aos recém formados nessa área). Para enfrentar esse déficit, empresas de tecnologia no Brasil estão investindo em parcerias com universidades e capacitações internas de funcionários. Para o Brasil não ficar para trás é importante que o poder público e a iniciativa privada trabalhem juntos para mudar esse cenário.

A segunda grande tendência será o aumento do capital de risco para as startups. Esse movimento que acontece há décadas nos Estados Unidos (principalmente no Vale do Silício), há alguns anos na China e mais recentemente na Índia, finalmente chega ao Brasil com força total. Estima-se que o Brasil teve 2,5 bilhões de dólares em rodadas de investimento em 2019, quase o dobro do ano anterior, segundo uma pesquisa da empresa de inteligência de startups Distrito. Dos onze unicórnios brasileiros, cinco atingiram esse status em 2019 e um já em 2020, mostrando um grande ponto de virada para o país, que tem potencial para muitos mais.

Com mais acesso a financiamento, empreender se tornará uma alternativa cada vez mais atraente tanto para jovens quanto para profissionais experientes. Com mais empreendedores, mais ideias sairão do papel e se tornarão negócios e, consequentemente, empregos. Isso também irá resultar em um aumento da concorrência, pois capital de risco não será um diferencial competitivo como foi no passado. Ser o primeiro com uma boa ideia não garantirá sucesso. Execução, disciplina financeira e rentabilidade operacional passarão a fazer parte do mapa de sucesso das startups.

Mas e os carros voadores (ou pelo menos autônomos)? Me prometeram viagens espaciais e colônias em Marte! Como todo empreendedor, eu sou um otimista com os avanços da tecnologia. Elas virão, pode ter certeza, o problema é que o hype chega muito antes da realidade. Mas, enquanto isso, se a sua empresa não tem uma estratégia para IA, eu não estaria otimista para o futuro do seu negócio.

*Executive in Residence no Grupo Movile, Patrick Hruby tem 15 anos de experiência em empresas do Vale do Silício, sendo sete no Google e os últimos sete no Facebook, onde ocupava o cargo de vice-presidente de vendas de pequenas e médias empresas para América Latina. O executivo é formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e possui MBA em Finanças em Yale.

*Patrick Hruby é Executive in Residence do Grupo Movile

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Casas cada vez mais inteligentes em 2020

positivo_jose_tobias.jpg*Por José Ricardo Tobias
19/02/2020 - Provavelmente você já ouviu falar em Internet das Coisas (IoT), casas inteligentes e objetos conectados, todas tecnologias que entraram de vez no mercado nacional. Entre elas, os dispositivos que tornam as casas conectadas, por exemplo, farão cada vez mais parte da realidade dos brasileiros. Segundo dados da empresa Statista, o mercado brasileiro de Smart Home B2C deve crescer em torno de 40% em 2020 em comparação a 2019. Na prática, significa que veremos cada vez mais produtos sendo lançados pelos fabricantes e novos consumidores dessas soluções.

Pesquisas de mercado indicam que conforto e segurança são os aspectos que mais mobilizam usuários em direção à Internet das Coisas no segmento de casa inteligente. Seja em residências, pequenos estabelecimentos comerciais ou espaços para home office, os usuários podem unir tecnologia, eficiência e praticidade para controlar objetos  por meio do celular ou comando de voz. Têm a chance de observar ambientes internos à distância e economizarem na conta de luz. Conseguem produtos adaptados à realidade brasileira, fáceis de instalar e com preços acessíveis.

Aliado a esse contexto, vale destacar também a tendência do brasileiro por adotar novidades tecnológicas e o reaquecimento da atividade econômica. Dessa forma, acreditamos que lâmpadas, plugues, câmeras inteligentes, sensores de presença, controle remoto universal, fechaduras e porteiros eletrônicos serão cada vez mais comuns. O mercado de IoT para casas ainda é incipiente no Brasil, mas o cenário indica que se trata de uma categoria bastante promissora.

Para entender a origem do meu otimismo basta olhar para 2019. Foi um ano representativo para empresas de tecnologia que investiram em Internet das Coisas (IoT) no país. Ao mesmo tempo que lançavam dispositivos conectados e ensinavam tecnologia à maioria das pessoas, viram crescer o interesse do público. Parcerias importantes foram estabelecidas, especialmente em relação às plataformas com assistentes de voz da Amazon e Google. Também foi marcante a adesão de redes de varejo, magazines e home centers, que, além de venderem as soluções com pagamentos facilitados, permitiram que mais pessoas aprendessem a usar e se encantar com os benefícios oferecidos pelos dispositivos.

Estamos vivendo apenas a primeira  etapa de “inteligentização” dos objetos. Em 2020, essa onda será ainda maior. Transformar geladeiras,  televisores e cafeteiras, por exemplo, em objetos conectados e leva-los para as casas das pessoas é apenas o passo inicial de uma jornadaque tem como objetivo final simplificar o dia a dia das pessoas.

No Brasil, assim como no resto do mundo, há dois grandes desafios a serem vencidos a fim de potencializar o avanço de IoT para casas inteligentes. Um é o próprio desenvolvimento tecnológico, que passa pelo rápido aperfeiçoamento de algoritmos de aprendizado de máquina e a integração  devários dispositivos e serviços. O outro envolve custos com intuito de  implementar algoritmos em larga escala para então usar a inteligência artificial de forma efetiva.

Neste contexto, o desafio da indústria e do ecossistema da casa inteligente será reunir esforços para aumentar o impacto e concluir essa onda em 2020. Conectividade e dispositivos baseados em IoT serão ubíquos.  As próximas etapas tornarão esses objetos conectados mais responsivos e adaptáveis às particularidades dos usuários por meio de inteligência artificial.

Antes restrito ao mundo dos integradores de TI e instaladores profissionais, as soluções de IoT para segurança e automação residenciais tornaram-se acessíveis e entraram em novo ciclo de utilização. Em 2020, a democratização dos dispositivos, aliada à  integração de algoritmos, fará com que as casas de milhares de brasileiros sejam definitivamente mais inteligentes.

*José Ricardo Tobias é head da Positivo Casa Inteligente, plataforma com soluções baseadas em Internet das Coisas da Positivo Tecnologia.

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Quais seriam as empresas mais disruptivas?

professionals_future.jpg14/02/2020 - Amazon e Apple são as empresas mais disruptivas, segundo líderes globais de tecnologia, aponta pesquisa da KPMG

Amazon e Apple são as organizações que mais preocupam os líderes do setor de tecnologia devido à probabilidade de causarem disrupções nos mercados. Alibaba, DJI, Google, Netflix, Airbnb, Microsoft, Facebook e Baidu também estão entre as dez principais preocupações dos empresários. As conclusões são do estudo internacional da KPMG “Empresas disruptivas e modelos de negócios” (do original em inglês, Disruptive companies and business models), que entrevistou mais de 740 líderes de empresas do setor de tecnologia ao redor do mundo.

A pesquisa traz ainda os modelos de negócios mais disruptivos de acordo com os líderes de companhias de tecnologia. Segundo os executivos, as plataformas de comércio eletrônico têm o maior potencial de disrupção tecnológica ao longo dos próximos anos, seguidas pelas redes sociais, em segundo lugar no ranking. Aplicativos de pagamento digital, entretenimento, compartilhamento de transporte, veículos autônomos e hospedagem completam o restante da lista.

“Assim como as empresas de comércio eletrônico, as companhias de mídia social estão se empenhando em capturar cada vez mais a atenção do consumidor com novas ofertas de serviços como conteúdo exclusivo e original, eventos esportivos ao vivo, realidade virtual e aumentada, serviços educacionais e criptomoedas”, analisa o sócio líder do setor de tecnologia, mídia e telecomunicações da KPMG no Brasil, Dustin Pozzetti.

CEOs da Google e da Tesla como os principais visionários em tecnologia

O estudo ainda aponto u os principais executivos visionários de inovações tecnológicas da atualidade na visão dos millennials (pessoas nascidas entre os anos 80 e o fim dos anos 90) e dos líderes do setor de tecnologia. Entre os empresários, o CEO da Google, Sundar Pichai, ocupou o lugar mais alto da lista, seguido pelo CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk. Já entre os millennials, a principal figura citada foi o empresário Elon Musk, seguido pelo CEO da plataforma de comércio eletrônico Alibaba, Jack Ma, em segundo lugar. Além de apontarem nomes como Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Facebook) e Tim Cook (Apple), eles também identificaram os CEOs da Huawei, Ren Zhengfei, e da Xiaomi, Lei Jun como os principais líderes de inovações tecnológicas do mundo.

"Saber quem são esses visionários, bem como as principais características e os estilos de liderança, ajuda as empresas de tecnologia a entender melhor os interesses e as expectativas da força de trabalho composta por millennials, os líderes de amanhã. No futuro, eles poderão desenvolver interesses e atributos semelhantes a esses líderes”, analisa o sócio-diretor do segmento de tecnologia da KPMG no Brasil, Felipe Catharino.

A pesquisa da KPMG também perguntou aos executivos quais são os aplicativos que eles mais utilizam. A principal escolha dos empresários, em primeiro lugar, foi o site de busca Google e o navegador Google Chrome. As redes sociais dominaram o restante da lista com o Facebook, Instagram e YouTube entre as principais plataformas utilizadas pelos líderes de tecnologia, seguidas pelo Twitter e WhatsApp empatados na quinta posição.

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Teremos máquinas inteligentes e homens imortais?

ray_kurzweil.jpgPor Ethevaldo Siqueira
26/02/2020 - Revisei e atualizei este artigo, que havia sido publicado em fevereiro de 2015.

Entrevistei duas vezes nos últimos anos duas vezes Ray Kurzweil, um visionário de reconhecida competência e talento. Confesso a todos os meus leitores que foram duas experiências jornalísticas fascinantes. Sua inteligência e cultura nos encantam, em especial depois de lermos seus livros — que também são lidos e debatidos por Bill Gates e cientistas do MIT (o Instituto de Tecnologia de Massachusetts) ou da Universidade Carnegie Mellon. Para muitos cientistas, ele é um dos raros futuristas que não fazem ficção científica, mas realmente antecipam com rara precisão o que vai acontecer.

Além de entrevistar Kurzweil, assisti a três palestras de pensador extraordinário. Tomei contato com sua obra no ano 2000 por sugestão do professor João Zuffo, então titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que me sugeriu a leitura de “The Age of Spiritual Machines – When Computers Exceed Human Intelligence” (A Era das Máquinas Espirituais – Quando os Computadores Ultrapassam a Inteligência Humana). Não tive paciência de esperar a tradução brasileira e decidi comprar logo a edição original pela internet, devorando ainda dois outros livros desse autor incrível.

Kurzweil pensa o futuro como poucos cientistas. Ele aposta que, antes de 2030, assistiremos à fusão do cérebro humano com os computadores. Por volta de 2038, nanorrobôs circularão por nossas artérias e poderão reparar órgãos, combater doenças e reverter o processo de envelhecimento. Antes de 2040, os médicos poderão fazer cópias (backups) de toda informação ou conhecimento armazenado em nosso cérebro e armazená-las em computador. A vitória sobre as doenças nos tornará imortais.

Grandes mudanças em 15 anos

Em seu livro mais recente, The Singularity is Near (A Singularidade está Próxima), Kurzweil prevê que nos próximos 15 anos, o homem poderá ter versões sucessivas de seu corpo. O primeiro poderá ser chamado “corpo humano versão 1.0”. Suas partes e peças serão totalmente intercambiáveis graças à nanotecnologia. A medicina terá descoberto a cura para o câncer e para as doenças do coração ou, no mínimo, poderá controlá-las em nível crônico, mas sem qualquer ameaça à vida. A ciência será capaz de deter o processo de envelhecimento e a evitar a própria morte.

Ambientes de realidade virtual serão rotineiros em nossa vida, como forma de comunicação cotidiana. Em lugar de simplesmente falar ao telefone celular, poderemos participar de um encontro virtual com nossos interlocutores e até passear com essas pessoas por praias, jardins, praças e ruas virtuais.

Encontros de negócios e teleconferências entre várias pessoas serão realizados em lugares calmos, tranquilos e inspiradores. Quando cruzarmos com um amigo ou conhecido numa rua, toda informação sobre essa pessoa será projetada em nossos óculos, como pop-ups, ou na periferia de nossa visão.

Não teremos de passar horas, sentados diante de um desktop, pois os computadores estarão distribuídos e difusos no ambiente. Seus monitores serão substituídos por projeções sobre nossas retinas ou sobre uma tela virtual que flutua no ar.

Pessoas com mais de 50 ou 60 anos poderão fazer uma reforma geral e rejuvenescer. Os cientistas serão capazes de multiplicar nossas células e com elas formar tecidos ou mesmo órgãos inteiros, introduzindo-os em nosso corpo, sem qualquer cirurgia invasiva.

Problemas no coração? Kurzweil tem a solução: “A nova medicina será capaz de criar novas células do coração a partir de células da pele para depois introduzi-las em nosso sistema circulatório. Com o tempo, o próprio coração poderá ser totalmente substituído. E o resultado será um coração novo, rejuvenescido com seu próprio DNA.”

A evolução das máquinas inteligentes será extraordinária. Assim, por volta de 2025, um computador de US$ 1.000 terá um poder de processamento mil vezes superior ao do cérebro humano. Em 2035, diversas formas de inteligência não-biológica alcançarão os níveis sutis da inteligência humana. Por outras palavras, o computador se tornará cada dia mais inteligente.

O cérebro humano, por sua vez, poderá trocar informações com computadores, bancos de dados e demais sistemas de tecnologia da informação. Em 2045, o poder dos computadores será um bilhão de vezes superior ao do cérebro humano.

Com outros visionários, como Peter Diamandis e Vint Cerf (do Google), Kurzweil fundou a Universidade da Singularidade, (Singularity University), com sede em Moffett Field, na Califórnia. Embora não reconhecida oficialmente, essa universidade se propõe “educar, inspirar e incentivar os lideres a utilizar tecnologias exponenciais para enfrentar os maiores desafios da humanidade.” Essa universidade tem filial no Brasil.

Como ele prevê?

Ray Kurzweil diz que seu método de antecipar o futuro nada tem de ficção científica. “O que faço é simplesmente olhar para trás e medir o progresso computacional obtido pela humanidade ao longo do último século e, a partir daí, projetar a mesma linha de progresso para o futuro próximo. Assim, concluo que atingiremos um ponto em que a inteligência humana simplesmente não poderá sequer acompanhar o progresso dos computadores”.

Kurzweil prevê que a inteligência não-biológica terá acesso ao seu próprio projeto original e será capaz de evoluir, como numa atualização automática de software: “Por trás de tudo isso estará a supercomputação. Um pré-requisito para o desenvolvimento da inteligência não-biológica será a engenharia reversa aplicada à inteligência biológica e ao próprio cérebro humano. Esse procedimento fornecerá ao cientista uma espécie de caixa de ferramentas e de técnicas que poderão ser aplicadas nos computadores inteligentes”.

O avanço tecnológico no século 21 não será de apenas 100 anos, mas algo equivalente a 20 mil anos. Ou mil vezes o que conseguimos progredir no século 20.

Preparem seus netos para esse novo tempo.

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