Dente com RFID transmite dados sobre dieta

sensor_tufts.jpgPor Claire Swedberg – via portal RFID Journal
18/04/2018 - A Universidade Tufts desenvolveu um sensor que detecta a presença de substâncias químicas ou nutrientes para, assim, analisar o efeito dos alimentos na saúde.

Sensor miniatura montado dentro de uma boca / Crédito: SilkLab, Tufts University

Pesquisadores da Escola de Engenharia da Universidade Tufts – que é uma universidade privada de pesquisa em Medford/Somerville, Massachusetts, Estados Unidos – desenvolveram um sistema de radiofrequência (RF) que captura dados de um sensor e os transmite a um em um ambiente inusitado: a boca de uma pessoa.

A etiqueta RFID passiva é anexada a um dente, com uma camada de sensores embutidos que respondem a condições como a presença de açúcar ou sódio. As transmissões das tags são enviadas via RFID de 400 MHz para um interrogador. A tecnologia pode identificar não apenas a ingestão de nutrientes ou substâncias químicas específicas, mas também a resposta do organismo a essa ingestão, com base nas mudanças na saliva de uma pessoa.

Fiorenzo Omenetto, chefe de pesquisa da Escola de Engenharia da Tufts, liderou os esforços para desenvolver um sistema que possa automatizar a captura e coleta de dados nutricionais enquanto uma pessoa come. Os pesquisadores especulam que essa solução pode ter benefícios para os profissionais de saúde ou para aqueles que desejam gerenciar sua dieta com base nas limitações de saúde. O departamento de engenharia da Tufts já está trabalhando em eletrônica implantável, que poderia fornecer um benefício para a assistência à saúde sem ser intrusivo. De acordo com Omenetto, a tag de sensor com RFID é o mais recente protótipo a resultar desses esforços.

A tecnologia existente ofereceu algumas opções para rastrear a ingestão de alimentos, explica Omenetto, mas têm sido difíceis de usar. Os sistemas incluem um protetor bucal que pode ser inserido na boca, mas isso seria desconfortável de usar o dia todo. Também existem soluções com fio, mas da mesma forma só poderiam ser usadas quando conectado. Não apenas essa tecnologia é volumosa para ser usada, ele observa, mas requer esforços por parte do usuário para inseri-la em sua boca.

Nos últimos anos, a equipe testou o uso de etiquetas RFID de alta frequência (HF) de 13,56 MHz que podem ser anexadas à pele, mas agora procuravam algo que funcionasse dentro da boca, onde o conteúdo alimentar pode ser analisado. As etiquetas RFID tradicionais com sensores, explica Omenetto, seriam muito volumosas para uso confortável pelos indivíduos. A etiqueta de 2 milímetros quadrados pode ser anexada ao dente de uma pessoa através de um adesivo e responde a um leitor especializado de 400 MHz construído no laboratório da Tufts.

A nova etiqueta com sensor da Tufts consiste em três camadas. A camada central é feita de um filme poroso, de película de seda ou de hidrogel, sendo que os pesquisadores se referem como uma camada bio-responsiva. Seja seda ou hidrogel, a camada absorve os nutrientes e as ondas da saliva com base em mudanças como a presença de variações de pH ou temperatura.

As duas camadas externas servem como tecnologia de transmissão sem fio, cada qual uma antena de RF na forma de um anel de golfe quadrado em torno do exterior da etiqueta. Se a camada do sensor central inchar, com base na presença de um nutriente específico, como a glicose, as duas antenas são ligeiramente separadas e a amplitude de resposta e frequência de ressonância é alterada.

O interrogador detectaria essa modificação e o software poderia identificar qual nutriente ou substância química estava presente e quanto. No futuro, diz Omenetto, as etiquetas podem ser projetadas com uma ampla variedade de camadas de sensores para identificar uma variedade de substâncias químicas ou nutrientes, ou o próprio estado fisiológico de um indivíduo.

De acordo com Omenetto, o objetivo é fornecer um sistema que os servidores de saúde ou consumidores poderiam usar para entender melhor a ingestão de nutrientes de um indivíduo. Por exemplo, se um paciente fosse diabético, então, ligando a etiqueta RFID a um dente e, em seguida, usando um leitor especializado, poderia identificar quanto de glicose está sendo ingerida a qualquer momento, ou ao longo de um dia.

A etiqueta também pode ser usada para pessoas com distúrbios alimentares ou restrições alimentares. Eles precisariam, no entanto, segurar o interrogador em cerca de um centímetro da etiqueta, a fim de garantir uma leitura confiável, observa Omenetto.

O sistema representa um passo em direção a tags RFID baseadas em sensores, de baixo custo e forma pequena, diz Omenetto. "O interessante é que ao mudar o interlayer, você está criando uma tag RFID biologicamente habilitada", afirma. Os pesquisadores pretendem continuar a projetar a tag e o leitor para não apenas incluir uma ampla variedade de sensores, mas também uma faixa de leitura mais longa. "Ainda há espaço para melhorar a sua fabricação".

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Que prevê o cientista Michio Kaku para o futuro

michio_kaku_commons.jpgPor Ethevaldo Siqueira
28/03/2018 - O excelente portal FUTURISM faz uma incursão no mundo explorado por um dos maiores cientistas-pensadores, físico, professor, pós-graduado em Harvard e Berkeley, Michio Kaku. Vejam esta advertência de Michio Kaku, um dos maiores cientistas que estudam o futuro:

“Já dispomos de drones supervisionados por um humano e que pode dizer-lhe: "Mate esse alvo." No futuro, o drone poderá reconhecer a forma humana e ter permissão para matar o alvo. Ele pode até um dia ficar louco – por um erro, um curto-circuito que possa ocorrer – e ele continuar atirando em formas humanas independentemente de quaisquer instruções. Máquinas de matar automáticas são a única coisa que temos que nos preocupar hoje. Não amanhã. Mas fora isso, nós realmente não temos que nos preocupar com os robôs assumindo o poder.”

Mas há muita coisa boa pela frente

Vejam aqui outras previsões de Michio Kaku sobre uma ampla variedade de tópicos:

1. VIDA EXTRATERRESTRE: "Ainda neste século, faremos contato com uma civilização alienígena ao captar suas comunicações de rádio."

2. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (AI): "Tarefas simples feitas por seres humanos estão (hoje) muito além do que os robôs podem fazer. Mas, em mais algumas décadas, eles se tornarão tão inteligentes como um camundongo, em seguida, como um ratão, em seguida, como um gato, um cão e um macaco. A partir daí, eles poderão se tornar perigosos e até mesmo substituir os seres humanos, perto do final do século.

3. COLONIZAR OUTROS MUNDOS: "Precisamos de uma apólice de seguro, um plano de backup. Os dinossauros não tinham um programa espacial, só por isso é que eles não estão mais aqui. Ninguém está dizendo que devemos deixar a Terra e ir para Marte, mas um assentamento em Marte é uma possibilidade definitiva."

4. BITCOIN?: "Você não pode deter a moeda virtual. Da mesma forma saber "quais são as coisas que realmente valem a pena?" As coisas valem o que se queira pagar por ela.... Bitcoin é jogo. É especulação. No que diz respeito à minha atitude pessoal em relação a isso, digo, não é produtivo. Bitcoin não é uma indústria produtiva."

5. CARROS SEM MOTORISTA: "Como o transporte se tornará digitalizado na próxima década, carros sem motoristas, guiados por GPS e radar, vão compartilhar nossas rodovias". Acidentes e congestionamentos de trânsito se tornarão termos arcaicos (coisas do passado). Milhares de vidas serão salvas todos os anos."

Crédito: Wikimedia Commons / SPakhrin

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Quero viver numa cidade inteligente como Fujisawa

fusisawa_4.jpgPor Ethevaldo Siqueira
04/04/2018 - Confesso, caro leitor, que gostaria de viver em uma cidade como Fujisawa, em que a vida urbana começa a ser totalmente sustentável, ecológica e muito mais humanizada do que a esmagadora maioria das cidades que conhecemos. Sob muitos aspectos, esse projeto pioneiro realiza nossos sonhos com o projeto denominado Fujisawa Sustainable Smart Town (Fujisawa SST).

Vale a pena conferir. A partir de 2018, as primeiras mil residências da nova Fujisawa vão dispor de rede elétrica inteligente (smart power grid), energia solar e baterias em cada casa, iluminação pública interconectada, vias públicas projetadas para bicicletas, pedestres e veículos elétricos. E muito mais.

Que bom saber que a humanidade tem iniciativas na área ambiental, tão inovadoras e positivas como essa. Fico até mais otimista em saber que existem pelo menos dez ou doze projetos de cidades sustentáveis como Fujisawa em implantação no mundo.

Por que Fujisawa?

O projeto da cidade sustentável inteligente é financiado e patrocinado por oito empresas, sob a supervisão da administração municipal da cidade. As oito empresas patrocinadoras são: Panasonic, PanaHome, Accenture, Orix, Nihon Sekkei, Sumitomo Bank, Tokyo Gas e Mitsui Fudosan. Os dados aqui citados sobre o projeto Fujisawa SST foram colhidos em entrevista com dois especialistas, Yukio Nakashima e Shiro Nishiguchi, diretores da Panasonic, na feira de Berlim (IFA 2012).

Fundada na metade do século 20 e hoje com quase 500 mil habitantes, Fujisawa apresentava até recentemente os mesmos problemas que afetam outras cidades, resultantes da industrialização e da degradação ambiental. Ao longo dos últimos anos, as indústrias foram transferidas para outras regiões e a cidade passou a ser inteiramente repensada, reestruturada, reconstruída e planejada para tornar-se uma verdadeira cidade verde.

“Ao recuperar e regenerar as áreas urbanas degradadas, nosso objetivo é reeducar a população para a sustentabilidade sob todos os aspectos e orientar outras cidades a fazer algo parecido” – enfatiza Yokio Nakashima.

Diferentemente de Brasília, a nova Fujisawa não nasce de um sonho arquitetônico e urbanístico de dois gênios como Oscar Niemayer e Lúcio Costa.

A proposta japonesa tem como objetivos a correção de rumos e a elevação permanente da qualidade de vida humana, dos padrões educacionais, da racionalização dos transportes, da autossuficiência energética, da proteção ao meio ambiente e da sustentabilidade como um todo.

Sonho verde

Fujisawa reformula conceitos a partir de sua experiência concreta, para corrigir os erros mais frequentes que degradam as cidades e a própria vida humana. A cidade se transforma em uma espécie de campo de provas visando ao aprimoramento das estratégias de recuperação e de reconstrução de uma cidade que tem problemas semelhantes aos de milhares de outras no século 20, desfiguradas pela industrialização e pelos combustíveis fósseis.

A partir de 2018, as primeiras mil residências da nova Fujisawa vão dispor de rede elétrica inteligente, energia solar e baterias em cada casa

Mais do que criar uma nova cidade hi-tech, altamente sofisticada, o projeto visa reeducar moradores e administradores urbanos, em especial as novas gerações, para evitar que o ambiente urbano não se transforme no inferno social, econômico e ambiental que conhecemos tão bem aqui em São Paulo, na Cidade do México ou em Jacarta, na Indonésia.

Mil casas testam o projeto

Em 2018, a cidade sustentável de Fujisawa começará a viver em sua plenitude a experiência de uma comunidade verde de mil casas planejadas segundo padrões totalmente amigáveis ao meio ambiente. Uma das metas mais ambiciosas do projeto será reduzir em 70% as emissões de carbono em relação aos níveis recordes de 1990.

Embora o conceito de edifícios verdes não seja novo, tudo ali está sendo repensado para corrigir todas as estruturas existentes que não atendam aos padrões e tecnologias ecológicas sustentáveis. A ideia fundamental é que as tecnologias atuais e as estratégias de planejamento urbano caminhem juntas desde o primeiro momento, para obter o máximo de eficiência e bons resultados.

Até os desastres naturais como os terremotos e tsunamis ocorridos nos últimos anos no Japão inspiraram e motivaram os autores do projeto de Fujisawa SST em busca de respostas àquelas catástrofes. Os habitantes da cidade já se orgulham de seus planos de segurança, das metas de autossuficiência energética e de mobilidade máxima. E, diante das muitas comunidades japonesas devastadas em fase de reconstrução, Fujisawa já tem oferecido boas sugestões e um modelo de renascimento urbano.

O pavor nuclear

É impressionante como, depois do tsunami de março de 2011, muitas empresas e líderes japoneses passaram a defender novos paradigmas para a vida social e econômica do país. A energia nuclear será, provavelmente, banida em menos de 10 anos. A indústria já busca todos os meios possíveis para reduzir o desperdício de energia e a emissão de carbono. Não se trata mais de mera propaganda ou relações públicas, mas de sobrevivência.

O mundo tem muito a aprender com projetos como Fujisawa SST e, talvez, com uma dúzia de outros, em fase de implantação, como a proposta russa da cidade sustentável de Skolkovo, nas proximidades de Moscou.

Um olhar para o futuro

O projeto Fujisawa Sustainable Smart Town (Fujisawa SST) partiu de uma visão futura de 100 anos como linha mestra e, em seguida, foram fixadas as diretrizes para a cidade e para os projetos comunitários. Os moradores que compartilham os objetivos da cidade vivem, interagem e trocam idéias para alcançar melhor estilo de vida.A empresa administradora da cidade leva em consideração a visão dos residentes, incorpora novos serviços e tecnologias, e apoia continuamente a evolução sustentável da cidade. Os sistemas inovadores baseados em estilo de vida real continuarão a orientar e fortalecer todos os aspectos da vida das pessoas em termos de energia, segurança, mobilidade, bem-estar, comunidade e também em situações de emergência.

Será que o Brasil não poderia pensar, também, em um projeto parecido, apoiado por uma dúzia de grandes corporações?

Veja o vídeo do anúncio do projeto Fujisawa SST em plena operação aqui

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Congresso pode exigir voto impresso em todas as urnas

urna_eletronica.jpgLuís Osvaldo Grossmann, Convergência Digital
22/03/2018 - O Congresso Nacional prepara um Decreto Legislativo para enquadrar o Tribunal Superior Eleitoral e exigir o cumprimento da Lei, de forma que todas as 550 mil urnas eletrônicas estejam prontas para imprimir os votos já nas eleições de outubro deste ano. O TSE já cancelou um leilão, mas prepara outro, só que para comprar apenas 30 mil impressoras.

Em termos propostos pelo senador Lasier Martins (PSD-RS), já com o relator João Capiberibe (PSB-AP) escolhido na CCJ, o Decreto diz que “a partir das eleições gerais de 2018, no processo de votação eletrônica nas eleições brasileiras, toda e qualquer urna eletrônica contará com dispositivo de impressão do registro de cada voto, sendo este depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado”.

E reforça em seguida o disposto ao explicitar que “não será admitido o cumprimento parcial ou gradual” dessa medida. Do contrário, “acarretará a nulidade do voto eletrônico cujo registro não tenha sido impresso para conferência do eleitor”, sendo seu descumprimento “ato de improbidade administrativa”.

Se os termos já deixam evidente a intenção do legislador, a justificativa do senador é de uma clareza didática. “A exigência do voto impresso está prevista em lei desde 2015. Não obstante, a Justiça Eleitoral tem declarado que não poderá cumprir integralmente a lei do voto impresso, por dificuldades técnicas e operacionais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem argumenta do também  que apenas uma pequena fração das urnas receberá a implantação do voto. Ocorre que dificuldades técnicas ou operacionais não autorizam o descumprimento da lei no Brasil. Além disso, a lei do voto impresso não prevê sua execução gradual.”

Conclui o autor que “a estimativa de custo, de cerca de R$ 2 bilhões, que tem sido apresentada na mídia pelo TSE para justificar o descumprimento da norma, não trouxe nenhum estudo que pudesse ser conferido de forma independente. Além disso, as cerca de seiscentas mil urnas eletrônicas do TSE já possuem integrados os dispositivos necessários para a acoplagem da impressora, de maneira que nenhuma adaptação ou modificação precisaria ser feita nas urnas eletrônicas. De toda forma, os custos se justificam pela garantia da transparência total do pleito eleitoral, o que não tem preço, conforme decidido pelos representantes do povo brasileiro”.

Martins ataca, ainda, a ADIn que tenta fazer da impressão do voto inconstitucional. “Se o argumento da inconstitucionalidade do voto impresso fosse válido, significaria que todas as eleições brasileiras realizadas antes das
urnas eletrônicas teriam sido realizadas sem a garantia do sigilo do voto”. E clama os colegas a resguardar a competência legislativa do Congresso. O tema já mostrou maioria folgada. Em 2015, Dilma Rousseff vetou a impressão do voto alegando contrariedade do TSE. Mas o veto foi derrubado por 368 a 50, na Câmara; e 56 a 5, no Senado.

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Mercado brasileiro de PCs cresce 15% em 2017

venda_pc.jpg22/03/2018 - Estudo do IDC aponta um volume de vendas de quase 5,19 milhões de unidades no ano passado, contra 4, 5 milhões em 2016; no 4º trimestre, foram vendidas quase 1,48 milhões de máquinas, 21% a mais do que no mesmo período em 2016

A consultoria IDC Brasil anuncia os resultados do estudo IDC Brazil PCs Tracker Q4/2017, que confirmaram a tendência de crescimento registrada nos trimestres anteriores: nos últimos três meses do ano passado, foram vendidas 1,479 milhão de máquinas, 21% a mais do que no mesmo período de 2016. Com esses números, o mercado brasileiro de PCs encerrou o ano de 2017 com um crescimento de 15%, atingindo um total de 5,19 milhões de unidades vendidas. Uma recuperação significativa depois de cinco anos de resultados negativos.

"Foi o primeiro ano de crescimento nas vendas de PCs no país desde 2011, graças a fatores como a liberação do FGTS, que contribuiu para o poder de compra do consumidor, e o melhor Black Friday desde que começou a ser realizado no país, o que se pode creditar a um aumento da confiança do consumidor. As empresas também voltaram a fazer investimentos para atualizar seu parque instalado, e projetos importantes do poder público, antes parados por conta da crise política, foram entregues no final do ano", comenta Pedro Hagge, analista de pesquisa da IDC Brasil.
Do total de PCs vendidos no quarto semestre, 66% foram notebooks (970 mil, 4% a mais que no mesmo período em 2016) e 34% desktops (509 mil, 19% de crescimento em relação ao quarto trimestre do ano passado). Nos resultados anuais, no entanto, o crescimento maior foi dos notebooks, 26%, contra 13% dos desktops.

Em termos de receita, as vendas no último trimestre de 2017 somaram R$ 3,33 bilhões. Em todo o ano, a receita foi de R$ 11,73 bilhões, o que representa um crescimento de 3,3%; o preço médio de um PC caiu 10,5%, de R$ 2524 em 2016 para R$ 2262 em 2017, o que explica a diferença de crescimento em unidades e em receita. A redução nos preços se deve à cotação mais favorável do dólar, além das ofertas que impulsionaram as vendas durante o ano.

Previsão para 2018

As projeções para 2018 indicam um crescimento de 2%, com vendas em torno de 5,3 milhões de máquinas, ainda como reflexo da recuperação da economia e da estabilidade política, do aumento da confiança do consumidor e das empresas, e da demanda reprimida nos últimos anos. "O segmento de PCs é já bem consolidado e maduro, com uma boa penetração de mercado. A tendência é mais de troca de equipamentos para atualização do que compra da primeira máquina, e isso se reflete também no tipo de equipamento vendido – há uma maior preocupação com qualidade e menos procura por produtos de entrada", analisa Hagge, que acrescenta que a tendência do mercado de PCs, no mundo e no Brasil, é de estabilização.

 

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O que falta para os carros dirigirem sozinhos?

smart_cars_2.jpg*Por Rodrigo Mourad
18/03/2018 - Os carros autônomos são apontados como uma das maiores invenções do século. Contudo, por mais que sempre surjam novas notícias dando a impressão de que estamos quase lá e que eles já rodam em algum lugar, ainda não vemos grandes avanços no dia-a-dia. Resolvi explicar um pouco mais sobre o que está acontecendo.

O que estamos desenvolvendo?

São necessários três grandes desenvolvimentos para os veículos autônomos:

Percepção: Os veículos conseguem perceber o que está ao seu redor;

Predição: Os veículos conseguem prever como o que está ao seu redor (percepção) irá se alterar;

Modo de condução: Os veículos conseguem seguir um conjunto pré-estabelecido de regras para se locomover de maneira segura. O modo de condução é provavelmente o módulo mais comentado, mas na prática não é o maior problema que encontramos. Sebastian Thrun, fundador do projeto do Google para carros autônomos, estima que este problema representa apenas 10% do desafio.

Percepção

Nos projetos atuais, os veículos entendem o que está ao seu redor através de câmeras e radares, por exemplo, o LIDAR (um sensor que utiliza pulsos invisíveis de luz para criar um mapa 3D da região). As câmeras são baratas e, com a evolução dos algoritmos de IA, é possível compreender as sinalizações de tráfego, mas os algoritmos ainda tem dificuldade para medir distância e/ou velocidade. O LIDAR, por sua vez, consegue ter alta precisão, mas ainda é extremamente caro e tem dificuldades de lidar com alguns fatores, como por exemplo a neve ou a chuva. A estrutura para o LIDAR atualmente custa dezenas de milhares de dólares, o que torna veículos com a tecnologia bastante caros. O LIDAR que cria imagens como a abaixo.

Atualmente, a maior parte das empresas que trabalham nos self-driving vehicles operam com um misto das três tecnologias - exceto a Tesla que acredita que a melhor solução envolve apenas o LIDAR. Há diversas startups trabalhando atualmente na redução do preço do LIDAR o que pode beneficiar muito a estratégia da Tesla.

Após receber as imagens, softwares embarcados utilizam técnicas de visão computacional para reconhecer o que aquelas imagens realmente querem dizer, matemática semelhante às que a Cobli está testando para ler fotos de bombas de combustível. Em ambos os casos, para o reconhecimento funcionar bem, é necessário um grande volume de dados catalogados para treinar os algoritmos de inteligência artificial por trás do sistema. Startups como a Mighty AI já contam com bancos de dados superior à 300.000 imagens. Como curiosidade, utilizam inclusive imagens de jogos e simuladores de alta fidelidade, como Grand Theft Auto (GTA), para treinar esses modelos.

Conforme mais e mais veículos dotados de sensores de alta precisão passam pelas mesmas situações e compartilham suas "experiências" o aprendizado vai ficando mais fácil e os resultados melhores. Isso é atualmente nomeado como aprendizado de frotas ou fleet learning.

Predição

Focando nos cenários sem neve, em que o LIDAR funciona melhor, ainda encontramos muitos problemas para o funcionamento 100% autônomo. Atualmente, sempre que o software encontra um problema em que não tem confiança na resposta, acontece o chamado "desengajamento", onde a máquina passa a condução para um engenheiro de segurança. O gráfico abaixo mostra um resumo atual de como os principais players estão performando.

Por mais que o desengajamento seja em uma certa medida um fracasso, é através dele que os sistemas aprendem novas situações e ficam cada vez mais robustos.

Possivelmente, mesmo após os veículos autônomos estarem em uso pelo grande público, ainda haverá necessidade de alguns desengajamentos e auxílio de motoristas humanos.

Os graus da evolução

Como a maior parte do desenvolvimento de softwares modernos, os veículos autônomos operam em fases e lançamentos incrementais. Em geral, são divididos em 5 fases:

Nível 1: Assistência básica ao condutor, "piloto automático" ou alertas de direção agressiva são exemplos que já vemos no dia- a-dia. Apenas os dados do veículo em si são analisados neste nível;

Nível 2: O veículo já tem habilidade para começar a reagir ao ambiente. Manter-se dentro da faixa é um dos melhores exemplos. Neste nível, é necessária total atenção de um motorista qualificado a todo momento;

Nível 3: Conhecido como "Assistência condicional", é um nível em que em algumas situações o veículo já é capaz de se dirigir sozinho. A atenção do motorista ainda é crítica, mas em condições mais controladas o veículo possui grande autonomia;

Nível 4: Alta autonomia em cenários específicos. Neste nível os veículos serão capazes de operar normalmente em regiões e situações específicas de curvas, acelerações ou frenagens. Daqui em diante o motorista não precisará mais ficar em estado de total atenção. Google e Uber pretendem ir diretamente para este nível, pois acreditam que níveis com muita necessidade de supervisão são mais perigosos.

Exemplo disso é o motorista do Tesla Model S, nível 2, que morreu após não conseguir reagir a tempo aos alertas de seu veículo e tomar controle.

Nível 5: Autonomia total. Este é o objetivo final. Aqui não é necessário um volante ou pedais. O veículo faz tudo sozinho. Sempre.

Expectativas do futuro

Os veículos autônomos terão um custo por quilômetro mais barato do que os atuais, o que claramente é uma das grandes forças que impulsionam o seu desenvolvimento. Estima-se que a segurança será muito maior, na casa de 1% dos acidentes do que os humanos geram. A Waymo, por exemplo, já dirigiu mais de 6 milhões de quilômetros e os únicos acidentes que ocorreram foram por culpa de motoristas em outros veículos.

No gráfico à esquerda, há uma estimativa do banco UBS sobre os custos:

Na prática, o custo por km é inferior a metade de um carro privado atualmente. Isso pode incentivar cidades a construírem regiões específicas feitas para viabilizar veículos autônomos. Como “trilhos” que facilitariam e aumentariam muito o uso de veículos com níveis de autonomias menores.

Consultorias como a BCG estimam que em 2035 cerca de 80% dos veículos já serão autônomos. Com isso, é estimado que apenas nos EUA haveria uma economia de 30 bilhões de horas por ano. Horas estas, que hoje são gastadas no trânsito, dirigindo, procurando vaga, procurando o carro...

Considerando a situação como um todo, tivemos muitos avanços na tecnologia. No entanto, ainda há um longo caminho para que os veículos funcionem sozinhos. No mais, qual será o impacto na legislação e na sociedade?

*Rodrigo Mourad é sócio da Cobli, startup especializada em controle de frotas, telemetria e roteirização


 

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