Dilemas bilaterais decorrentes da usina de Itaipu

itaipu_jonas_carvalho_flickr_2.jpg*Por Eduardo Biacchi Gomes
07/08/2019 - Considerada uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo na época, a Usina Binacional de Itaipu, localizada no oeste do Paraná, foi construída dentro de um ambicioso projeto entre o Brasil e o Paraguai, no período de 1975 até 1982. Era a época da ditadura militar na América Latina e, principalmente de intensa rivalidade política entre os países sul-americanos.

A Usina Hidrelétrica de Itaipu está localizada no Rio Paraná, fronteira entre os dois países, e a sua criação foi organizada por meio de um Tratado (fonte de direito internacional público). Assim, juridicamente, cada Estado mantém a sua própria estrutura de funcionamento e de operação da Usina (Itaipu Brasil e Itaipu Paraguai), sendo que as negociações sobre compra e venda do excedente de energia devem ser previamente precedidas de tratativas entre os chefes de Estado e de seus chanceleres (ministros das Relações Exteriores).

Contratualmente, na época da construção da Usina, cada País era detentor da metade da energia produzida, e o Brasil comprometeu-se a adquirir a energia excedente não utilizada pelo Paraguai. Na época do Tratado de Itaipu, no ano de 1973, o valor desse excedente deveria ser vendido por preço de custo. Na época da construção da Usina, importante esclarecer que a obra foi financiada pelos cofres brasileiros e, assim, a compra do excedente, por parte do Brasil, seria uma forma de saldar a dívida paraguaia.

No ano de 2009, Fernando Lugo e Luiz Inácio Lula da Silva renegociaram os termos de compra do excedente da energia produzida pela hidrelétrica e o Brasil concordou em pagar o triplo dos valores anteriormente pagos ao Paraguai pela compra do excedente.

Em maio de 2019, Brasil e Paraguai celebraram um acordo, pelo qual o lado paraguaio da Usina de Itaipu comprometeu-se a aumentar o potencial contratado até o ano de 2022. Ocorre que tal negociação gerou transtornos políticos ao presidente paraguaio (Mario Abdo Benítez) e quase culminaram em seu impeachment. Dentro do acordo energético, faz-se a diferenciação entre a energia produzida pela Usina e o seu excedente (que se trata, em realidade, da energia produzida acima da capacidade média de Itaipu e que ocorre, por exemplo, quando os reservatórios estão cheios e no caso de chuvas).

Em decorrência das alegações do Brasil, no sentido de que o Paraguai declararia um consumo menor de energia consumida, seria possível um acesso maior de compra da energia excedente. Ocorre que em 2007, Luiz Inácio Lula da Silva, em negociações com o então presidente paraguaio Mario Abdo, celebrou acordo em que a energia excedente passaria a ser adquirida pelo Paraguai a um custo menor.

Assim, o acordo entabulado em maio deste ano entre os Estados segue em stand-by e à espera de uma definição. Na análise do complexo caso em questão, cada Estado busca a defesa de seus interesses soberanos acima representados e que, sem sobra de dúvidas, deverá ser resolvido pela diplomacia e de forma a se buscar o equilíbrio contratual entre as partes, dando, assim, a continuidade da estratégica parceria.

Crédito: Jonas de Carvalho / Flickr

*Eduardo Biacchi Gomes é doutor em Direito Internacional e professor do Centro Universitário Internacional Uninter.

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Cai produção da indústria eletromecânica

industria.jpg05/08/2019 – De acordo com a Abinee, resultado foi provocado pela queda de 6,6% na produção de bens eletrônicos; área elétrica cresceu 1,4%

A produção industrial do setor eletroeletrônico recuou 2,6% nos primeiros seis meses deste ano em relação a igual período de 2018. É o que demonstram os dados divulgados pelo IBGE agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

O resultado foi motivado pela queda de 6,6% na produção de bens eletrônicos. A área elétrica teve crescimento de 1,4%. “O desempenho é decepcionante face à expectativa que tínhamos no início do ano”, ressalta o presidente da Abinee, Humberto Barbato. Segundo ele, esperava-se um ambiente mais seguro e com maior previsibilidade para reverter o quadro de retração na indústria.

Com o resultado, a expectativa de crescimento na produção do setor, que era de 7% para 2019, foi revista e agora é de apenas 2%. “Ainda assim, para mantermos essa alta, é necessária a continuidade das reformas, como a tributária, essencial para o setor produtivo”, avalia Barbato.

Junho

No mês de junho de 2019, a produção industrial do setor elétrico e eletrônico caiu 0,7% em relação a junho do ano passado, com retração de 3,7% na área elétrica e alta de 3,1% na eletrônica. Na comparação com maio de 2019, a produção do setor eletroeletrônico, com ajuste sazonal, teve queda de 0,5% (alta de 1,2% na indústria eletrônica e retração de 2% pela indústria elétrica).

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“De onde virá o poder político neste Século 21?”

yuval_noah_harari.jpgPor Ethevaldo Siqueira
01/08/2019 - Nessa entrevista ao TED Interview, o escritor israelense Yuval Noah Harari, fala sobre um dos maiores perigos com que se defronta a humanidade

De onde virá o poder político neste Século 21? Talvez venha do cidadão – do indivíduo  e não de reis, de governantes, das empresas ou de outras instituições. E ao longo de algumas décadas esse indivíduo talvez possa desfrutar da liberdade mais ampla possível – de pensar, de trabalhar, de produzir, de escolher sua profissão. Será mesmo?

Esse é o tema de Yuval Noah Harari (Haifa, 24 de fevereiro de 1976), professor israelense de História e autor do best-sellers internacionais como Sapiens: Uma breve história da humanidade e também do Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã. Seu último lançamento foi 21 Lições para o Século 21. Ele leciona no departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Faço uma pequena introdução abaixo da entrevista de Yuval Noah Harari, na série TED. Se lhe interessa vá adiante.

Nesta entrevista da série TED, ele parte de uma revisão do que têm sido os grandes debates da Humanidade, com base em três visões do passado, do presente e do futuro. No século 20, tínhamos três visões que procuravam explicar o desenvolvimento da humanidade.

• Uma dessas visões explicava o desenvolvimento da humanidade com base na “luta entre as nações”. As mais poderosas ou um grupo delas dominavam dominariam violentamente o mundo inteiro.

• A segunda visão, a dos comunistas, negava enfaticamente essa interpretação da história, que não se baseava na luta entre nações, mas, sim, na luta entre as classes. Tudo que aconteceu ao longo da história seria, então, resultado dessa luta entre as classes. Mas, segundo os comunistas, no futuro teríamos um único sistema social baseado na igualdade a dominar todo o mundo, assegurando uma vida de qualidade entre todas as pessoas, mesmo com eventual sacrifício da liberdade.

• A terceira visão da história é a da visão liberal, que surge como uma terceira posição daqueles que afirmam que a história não a luta entre as nações nem entre as classes, mas, sim, a luta entre a liberdade e a tirania. É a visão liberal para o futuro, que tem como expectativa a cooperação pacífica entre diferentes grupos, mesmo com diferentes graus de desigualdade. Ou seja, a liberdade poderia ser mantida, mesmo com diferentes níveis de desigualdade.

• No final do século 20, após duas guerras mundiais, supõe-se que chegamos ao fim da história, com o predomínio da terceira visão que, em síntese, considera a Liberdade como o maior valor, tanto do ponto de vista político, como econômico, como pessoal.

Vale a pena ler a íntegra dessa entrevista aqui

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Carros autônomos inovam o mercado de seguro?

smart_cars_2.jpg*Por Andre Gregori
05/07/2019 - Quem me conhece sabe que uma das colocações que faço com frequência, é "não é se, mas quando". Ainda que não tenham sido lançados por enquanto, os veículos autônomos já fazem parte do sonho de consumo de grande parte dos brasileiros. No entanto, a tecnologia pode ir muito além do que se espera: os carros inteligentes não só trazem extrema praticidade aos seus proprietários como também podem causar uma grande transformação na indústria de seguros. Um estudo americano produzido pela startup de seguros Metromile, inclusive, mostrou que o preço do seguro pode sofrer uma redução de 80% com a chegada dos carros autônomos.

Assim, com seu registro de direção quase sem falhas, este tipo de veículo deve trazer uma economia de US$ 1 mil anualmente - o que representa cerca de R$ 4 mil para o bolso dos brasileiros. Isso porque, de acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária, 90% dos acidentes de trânsito são causados pelo processo de decisão do motorista. Um carro inteligente, neste caso, diminuiria de forma significativa os riscos de acidentes e, consequentemente, os gastos do seguro.

De qualquer forma, os autônomos não devem acabar com a necessidade de seguros tão cedo. Ainda encontramos todo um ecossistema favorável para os acidentes, principalmente no Brasil. Seria necessário renovar a infraestrutura das cidades para que os veículos inteligentes vivessem em perfeita harmonia com o ambiente, sem que nenhum tipo de falha acontecesse.

Diante de um cenário como este, é preciso continuar reforçando também, principalmente ao consumidor brasileiro, a importância da contratação de um seguro. Afinal, 70% dos veículos não têm seguro no país. E a diminuição dos preços por conta do lançamento dos carros autônomos pode ser uma grande aliada nesse movimento. Isso porque o alto custo - junto à entrega de um serviço, em sua maioria, ineficiente -, é um dos principais motivos da não aquisição de um seguro.

Claro que não é só nestes aspectos que a tecnologia irá impactar a indústria de seguros. A partir do momento que os carros autônomos entrarem em comercialização, as seguradoras podem começar a pensar em uma gama ainda maior de proteção, como, por exemplo, contra hackers. Um serviço diferenciado, aliado ao valor mais baixo, pode ser um fator determinante no processo decisório da contratação de uma seguradora.

O fato é: os veículos autônomos devem chegar para revolucionar. E, já está mais do que claro que isso "não é se, mas quando". Por isso, cabe a nós, que atuamos no setor de seguros, aproveitar este momento para inovar na construção de serviços e produtos, que atendam às necessidades deste futuro breve. Só assim, conseguiremos alcançar o propósito de proteger cada vez mais vidas no trânsito.

*Andre Gregori, ex-BTG Pactual e CEO e fundador do Grupo Thinkseg.

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Robotização reduz ou melhora os empregos?

chatbot_2.jpg*Por Arthur Gonçalves
03/07/2019 - Máquinas que fazem ofertas, esclarecem dúvidas e ainda solucionam problemas já fazem parte de uma realidade que chegou para ficar: a automação do atendimento. Baseados em anos de engenharia precisa e melhoria do algoritmo de inteligência artificial, os já conhecidos chatbots são alvo de diversas polêmicas em relação ao futuro. Uma delas é em torno da manutenção dos empregos dos agentes de atendimento. Dados de 2016, por exemplo, revelam que até 2025 a profissão deve acabar, de acordo com análise realizada pela consultoria Ernst Young. Mas sempre que nos deparamos com um alerta como esse, surge a dúvida: será que isso realmente vai acontecer?

Seguramente não. Por mais maduras que sejam as tecnologias, API's e sofisticados algoritmos de IA, a profissão do agente de atendimento possui elementos humanos que o cliente final vê muito valor.

O contact center é conhecido por oferecer o primeiro emprego para muitas pessoas e, por isso, muitas vezes é visto como uma área que contrata profissionais com pouca experiência no mercado de trabalho. No entanto, graças a esse avanço da tecnologia, esse cenário já vem se transformando.

O agente de atendimento mudou de perfil e agora não executa mais somente a sua função original de repetir discursos programados. Todo esse primeiro nível de atendimento ao cliente já está praticamente dominado por robôs, então o que as empresas do setor buscam agora são pessoas que já chegam para ingressar no segundo nível da atividade.

O novo perfil do teleatendente está muito mais direcionado a sua capacidade de relacionamento com o cliente, o que é cada vez mais importante na diferenciação do atendimento às empresas. Ou seja, esses novos profissionais agora são treinados para serem especializados na área de atuação da companhia para a qual prestam serviço, entregando maior valor agregado. Além do forte investimento em treinamento, o setor também oferece muitas oportunidades de crescimento. Assim, conseguimos oferecer um atendimento altamente qualificado, que vai muito além das funções que os robôs executam.

Portanto, acredito que o que veremos daqui para frente no setor não é a redução dos empregos, mas sim uma maior capacitação desses profissionais. É certo que os robôs chegaram para ficar e facilitar, e outra vantagem que surge junto a essa revolução é a oportunidades dos humanos se transformarem, e melhorarem!

*Arthur Gonçalves é gestor de EGDE da Concentrix

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Sobe confiança da indústria eletromecânica

industria.jpg28/06/2019 – O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico atingiu 54,2 pontos em junho de 2019, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), agregados pela Abinee. O resultado representa uma alta de 0,8 ponto em relação ao mês de maio. O resultado interrompeu a trajetória de queda que vinha ocorrendo nos últimos quatro meses.

Na área elétrica, a alta foi mais significativa, atingindo 4,3 pontos, passando de 50,1 para 54,4 pontos. No caso da eletrônica, o ICEI diminuiu 3 pontos, recuando de 57,0 para 54,0 pontos.

Nota-se que mesmo com o esfriamento nos ânimos dos empresários observado nos meses anteriores, esse indicador segue acima da linha dos 50 pontos pelo décimo primeiro mês consecutivo, mostrando que permanece a confiança, porém em patamar inferior ao observado em janeiro deste ano (65,1 pontos). O ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos indicam confiança do empresário industrial e abaixo de 50 pontos mostram falta de confiança.

Para o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, a “oscilação é reflexo de certa  insegurança que vigora no cenário brasileiro, em função das reformas e de outras manifestações do governo, o que faz com que haja uma retração natural nos investimentos.” Na opinião de Barbato, a abertura de mercado, e as discussões sobre as alterações na Lei de Informática  geram um ambiente de incertezas que prejudica a tomada de decisões de investimento.

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