Um pouco de história do áudio de alta fidelidade

audio.jpgEthevaldo Siqueira
06/06/2016 - Descobri a alta fidelidade em 1950, quando trabalhava como balconista na Livraria Acadêmica, de um grande amigo, o livreiro Guerino Capalbo, em Jaboticabal. A Acadêmica, como a chamávamos, era ponto de encontro da elite cultural da cidade e de escritores que nos visitavam. Além de ser uma das maiores livrarias do interior paulista, a Acadêmica revendia equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos.

Minha seção na livraria era a de música e de discos. Em 1950, estávamos encantados com os recém lançados Long-Playings, com microssulco e agulhas de leitura de esmeralda ou diamante. Mas eu vendia muito mais os discos de 78 rotações, tanto de 10 quanto de 12 polegadas. Um dos sucessos populares que mais vendi foram os discos de Waldir Azevedo, a começar do chorinho "Delicado".

No final dos anos 1950, já em São Paulo, comprei minha primeira vitrola portátil – uma Sonata. Quando meu salário permitiu, fiz um upgrade para uma vitrola Philips, com amplificador de válvulas, que foi para mim uma escola de alta fidelidade. (veja a foto do vitrolão retrô).

audio2.jpgNos anos 1970, passei a descobrir os equipamentos com eletrônica de estado sólido (como chamávamos os amplificadores e receivers transistorizados). O Brasil viveu essa época apoiado em duas indústrias pioneiras: a Polyvox e a Gradiente. Tive, então, vários equipamentos desses fabricantes, que me permitiram acompanhar o desenvolvimento da tecnologia de áudio no País – já que o Brasil estava, praticamente, fechado para os melhores equipamentos importados.

Depois de alguns anos de competição entre as duas, a Gradiente, de Eugênio Staub, acabou comprando a Polyvox que tinha um excelente centro de pesquisas em Osasco, liderado por Moris Arditi. A grande vantagem desse período foi a atualização da indústria, com projetos próprios e fabricação na Zona Franca de Manaus.

A Gradiente foi muito criativa e tinha grande sensibilidade para o gosto da juventude e dos audiófilos. Tive um receiver Gradiente S-106 (esse da foto) que podia competir com alguns dos melhores importados, pelo equilíbrio de seus transistores, pela pureza do áudio (excelente relação sinal/ruído) e outras qualidades.

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