A digitalização do arado

*Por Lucas Pinz
04/12/2017 - Eu sou natural de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, chamada Canguçu, cerca de 350 km distante de Porto Alegre. Canguçu é a capital nacional da agricultura familiar, maior minifúndio da América Latina e um dos maiores produtores de milho, soja e tabaco do país.

Logo que chega na cidade, o visitante se depara com o “monumento ao colono”,  uma homenagem aos agricultores e imigrantes que ali chegaram em meados do século XIX, como a minha família, vinda da Alemanha.

A cena rural representada no monumento está ali eternizada. Em alguns rincões do município ainda é possível encontrar essa cena, embora a mecanização tenha chegado com a expansão das culturas da soja, milho e tabaco. O arado da imagem nos remete à primeira evolução da agricultura, cerca de 4.500 a.C, quando o homem cansou de vagar em busca de terras boas para o cultivo.

Muitos anos depois, durante meados do século XVIII, novas técnicas de plantio foram implementadas na Inglaterra e, assim, as atividades da pecuária e agricultura se integraram, acabando com a escassez de alimentos na Europa. De lá até meados do século seguinte, com a introdução das novas técnicas e tecnologias, a produção agrícola na Inglaterra cresceu de forma exponencial, liberando mão de obra para as fábricas que começavam a ser instaladas, dando origem à Primeira Revolução Industrial.

Computação na nuvem: Cloud híbrida e o rumo da tecnologia

*Por Rodolfo Avelino
04/12/2017 - O Cloud Computing (computação em nuvem, em inglês) já é bastante conhecido e refere-se à utilização da memória e capacidade de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e integrados por meio da Internet. No Brasil, segundo um levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Softwares (ABES), em parceria com a International Data Corporation (IDC), o setor teve um aumento de 47,4% em 2016. No que se refere aos investimentos, as cifras saltaram de US$ 506 milhões para US$ 746 milhões no último ano.

Nesse cenário, a Cloud híbrida, que é uma composição de duas ou mais nuvens – privadas, comunitárias ou públicas –, que permanecem em núcleos individuais, mas são interligadas, permite a criação de uma infraestrutura de T.I capaz de suportar cargas de trabalho comuns, utilizando recursos de uma cloud pública ou privada durante os picos de processamento.

Com a arquitetura das nuvens híbridas, os consumidores possuem poder de escolha referente às cargas de trabalho, podendo distribuí-las no melhor ambiente, baseando-se nas necessidades de segurança, desempenho e escalabilidade de cada função.

Caminho das pedras: abordagem multimodal para uma transformação digital bem sucedida

*Por Gabriel Lobitisky, Infor
01/12/2017 - Embora a maior parte dos exemplos bem sucedidos estejam focados em como um app transformou uma indústria inteira, ou no fato de que graças a grandes dados e tecnologias emergentes as pessoas nunca mais comprarão, assistirão ou comerão um determinado produto/serviço da mesma maneira; não se engane: transformação digital não é somente sobre tecnologia, embora ela seja parte importante desta equação.

Tecnologia é apenas uma das peças deste quebra-cabeça. O sucesso, de fato, está na estrutura. Ou seja: é preciso ter uma organização configurada não apenas para dar suporte à transformação digital, como também para assegurar que o core business continue a funcionar. Ray Wang, da Constellation Research, explicou no artigo "Nine starting points for digital transformation in manufactaring", quais os perfis de equipes, estejam elas presentes fisicamente, ou trabalhando virtualmente, necessárias para alcançar o sucesso nesta transformação.

As equipes de inovação incremental melhoram os modelos de negócios existentes. Elas têm a incumbência de melhorar o modelo existente de forma a torná-lo mais ágil, eficaz e barato. As principais características desse grupo incluem domínio técnico, paixão por melhoria, compreensão das restrições e espírito de inovação.

Para inovar com novos modelos de negócios, surgem os times de inovação transformacional. Muitas vezes vistos como grupos de operações especiais essas pessoas exploram modelos de negócios adicionais e suas principais características são: propensão para interrupção, desrespeito às regras existentes, paixão por inovação e capacidade de lidar com conceitos abstratos.

A importância de manter os dados protegidos na era da transformação digital

*Por Silnei Kravaski
30/11/2017 - Com a transformação digital, os negócios passam a ser cada vez mais dependentes da informação. Garantir que todo conteúdo estratégico da empresa esteja seguro e preservado da melhor maneira possível é uma necessidade mais do que evidente. Hoje, a criticidade está muito além de recuperar os dados. O que faz a diferença no final das contas é o tempo que isso demanda. E, dependendo do cenário, quando algum incidente é notado, um backup tradicional pode levar até semanas recuperando as informações e dando respaldo à operação.

Segundo o Gartner, até 2020, 30% das organizações deverão ir além de um backup tradicional, incluindo opções mais avançadas como o disaster recovery (DR). Hoje, apenas 10% das empresas compartilham essa visão. Além disso, até 2021, 50% das empresas irão aumentar ou substituir suas aplicações atuais de backup por outras alternativas. E mais do que isso, até 2018 mais de 50% irão passar a considerar ofertas que estão disponíveis no mercado há menos de cinco anos, evidenciando essa necessidade de renovação. O que tem tudo a ver com a transformação digital e a forma como as pessoas estão consumindo tecnologia.

Porém, embora já se verifique este forte movimento de mudança, como atesta a pesquisa do Gartner, existem ainda contrapontos que pesam na decisão das empresas quando decidem ir além do backup tradicional. Estas enxergam que as áreas de TI não podem ser as únicas responsáveis por administrar as suas soluções de recuperação de dados e sentem a necessidade de buscar parceiros que façam essa função. Elas sabem que isso é crucial para que possam focar no que realmente importa: o seu negócio. Mas, por outro lado, além do receio cultural de não saber fisicamente onde estará armazenado o seu dado, há a preocupação de quanto isso vai custar, o que é compreensível por que às vezes justificar custos não é fácil. E o DR tem sim um custo adicional, mas a operação parada da empresa tem um impacto financeiro muito maior do que a estrutura.

Como o engajamento do paciente pode reduzir erros de medicação e aumentar a eficácia da prestação de cuidados de saúde

*Por Raj Gopalan
29/11/2017 - É mais do a efetividade clínica só será alcançada definitivamente se todos começarem a pensar de uma mesma forma e sempre com um olhar voltado à importância de solucionar a difícil equação entre qualidade e custos. É preciso alinhar os pensamentos e garantir que todos estejam unidos e remando no mesmo sentido, rumo a um mesmo objetivo.

Estudos recentes mostram que a ineficácia dos cuidados dedicados aos pacientes pelos profissionais de saúde representa um fator de grande preocupação, pois calcula-se que menos de 35% do que é feito para os pacientes é realmente benéfico; aproximadamente 10% das ações embora mitiguem os problemas, acabam simultaneamente criando outros; e mais de 50% dos serviços são realizados sem evidências robustas. Além disso, não se pode esquecer dos erros médicos por medicação, que causam um efeito devastador, especialmente em um sistema de saúde como o do Brasil, que sofre com a falta de recursos para investir e desta forma melhor resolver o problema.

Dentro deste contexto, o foco no paciente é algo muito importante no ecossistema da saúde. Garantir que ele tenha a melhor experiência e o cuidado mais adequado disponível é algo que tem se preconizado muito em novos modelos de gestão. Uma mudança nesse sentido, aos poucos começa a ser percebida: o médico deixa de ser o centro e vemos um empoderamento do paciente, que tende a ser cada vez mais instruído no que diz respeito à sua saúde e ao tipo de assistência que recebe. Porém, este é um ponto ainda a ser evoluído.

A ciência não espera o Brasil

*Por Marcos Cintra
29/11/2017 - Investir em ciência, tecnologia e inovação é fundamental para o desenvolvimento econômico. Não há dúvidas que, em meio à crise, o ajuste fiscal é necessário: porém, conforme fica claro no editorial “Ciência à míngua”, publicado em 14/8 pela Folha de S.Paulo, é essencial que ambos caminhem juntos. Do contrário, o resultado será a estagnação de setores estratégicos, fundamentais para a economia.

É preciso rever a ideia de cortes lineares, prejudicando diretamente tais segmentos. Estudos recentes mostram que o retorno social dos gastos em áreas como ciência e tecnologia supera o de todas as outras. Assim como saúde e educação, pesquisa e desenvolvimento são cruciais para o futuro do país. A necessidade de reduzir despesas é inegável, assim como a importância de se fazer escolhas entre as áreas a serem afetadas.

O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), ao qual a Finep é vinculada, é o menor desde o início do século. Descontada a inflação, o valor autorizado para 2017, de R$ 3,2 bilhões, corresponde a apenas 37% do disponibilizado em 2010. Inserido no orçamento do MCTIC está o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que tem a Finep como secretaria-executiva e é historicamente a principal fonte de recursos para financiamento de pesquisas tecnológicas no Brasil. O orçamento do Fundo, que já chegou a R$ 4 bilhões em anos anteriores, foi reduzido a R$ 1,2 bilhão este ano – sendo que o limite de execução autorizado é de apenas a metade deste total (cerca de R$ 630 milhões).

Uma das alternativas para retomarmos as atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é a transformação do FNDCT – hoje fundo contábil – em fundo financeiro, de modo que seus valores, quando contingenciados, sejam capitalizados para usos futuros em ciência e tecnologia. Hoje eles são apropriados pelo Tesouro Nacional e utilizados para o pagamento da dívida pública e para o superávit fiscal. Se essa medida tivesse sido implantada há 15 anos, com todos os contingenciamentos ocorridos nesse período, o FNDCT teria hoje um saldo acumulado de R$ 45 bilhões.

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