Segurança digital: O que aprendemos em 2017 e quais as tendências para o ano que começa?

*Por Bruno Prado
15/01/2018 - O ano de 2017 ficou marcado como o dos ataques cibernéticos em larga escala, com casos sequenciais de ações que paralisaram serviços variados e ocasionaram prejuízos financeiros e operacionais a empresas e cidadãos em todo o mundo. Sem dúvida, o mais notório foi o do ransomware – tipo de arquivo malicioso que sequestra os dados da vítima em troca de um pagamento de resgate em criptomoedas – Wannacry, que infectou mais de 250 mil computadores em 150 países durante o mês de maio.

As sucessivas ocorrências registradas desde então evidenciaram uma vulnerabilidade maior do que se imaginava. O principal motivo era – e ainda é – a falta de atualização dos sistemas operacionais de usuários domésticos e corporativos, muitas vezes negligenciada pelos gestores que optam pelo uso de softwares piratas, ou até mesmo desconhecem os riscos. O não cumprimento dessa medida tão simples pode continuar trazendo consequências, com a paralisação de serviços durante o ano de 2018. Diante disso, os líderes das áreas de TI das empresas devem ficar atentos em relações a compras e instalações de novas licenças.

Outro tipo de ataque que teve um crescimento notório em quantidade e, sobretudo, em volume, foi o de negação de serviço, conhecido pela sigla “DDoS” (de Denial Distribution of Service, em inglês), que utiliza milhares de dispositivos infectados para o acesso simultâneo a um mesmo endereço, a fim de sobrecarregá-lo. Em 12 meses, o tamanho médio das ameaças aumentou de 32 Gigabytes por segundos (Gbps) para 100 Gigabytes por segundo, o equivalente a 200%, havendo registros de ocorrências massivas de até 1,1 Terabyte por segundo. Isso fez com que especialistas incorporassem um “M” no início de seu acrônimo. Por conta deste cenário, as empresas devem aumentar o investimento em soluções de monitoramento e mitigação de ataques tão logo haja a identificação de tráfego suspeito.

Seremos todos velhos digitais

*Por Dado Schneider
16/01/2018 - Quando criei o termo "digiriatria" (digi de digital + riatria de geriatria), alertava às pessoas da minha geração sobre a importância da digitalização como forma de acompanhar os pensamentos dos mais jovens e se adaptar às novas relações. Hoje, depois de alguns anos trabalhando com o termo, alerto àqueles que não se atualizaram que, infelizmente, eles já ficaram para trás.

A sobrevivência de uma pessoa mais velha hoje tem, obrigatoriamente, que passar pela digitalização. Nós que nascemos no século XX somos no máximo imigrantes digitais, enquanto a nova geração é nativa. Eles não vivem mais a separação do online e do off-line, do real e do virtual. Eles apenas vivem e, para eles, o mundo é o mundo!

Esta geração que está aí já olha com naturalidade para o futuro muito próximo cercado por robôs e internet das coisas. E será cada vez mais comum nos depararmos com meninos de 16 anos com um grau de desempenho altíssimo que avançam na descoberta para a cura para o HIV, meninas de 14 anos que desenvolvem aplicativos para resolver a falta de água no mundo. Teremos gênios em todas as áreas. Sempre digo que parece que eles nasceram em outra galáxia. São espiritualizados, cristais raros que mudarão o mundo.

Sim, o mundo mudou bem na minha vez! Nunca na história humana os adultos tiveram que entender os jovens. Agora, nós temos não só que entendê-los, mas aceitá-los, conviver e principalmente aprender com eles. Então, vamos encarar o fato de que eles serão nossos chefes antes mesmo do que imaginamos? Isso porque, diferente de nós, as gerações nascidas neste século - que representa também um novo milênio -, erram até acertar. Não têm medo. Aplicam a experiência do game em suas vidas até avançarem de fase.

Criar ou contratar seu bot?

Como escolher o melhor bot para o seu negócio, sem gastar tempo e dinheiro

*Por Mateus Azevedo
09/01/2018 - Estamos entrando na era pós aplicativo, em que a substituição dos apps por bots (voz e chat) será cada vez mais frequente. O fato de os bots não precisarem de curva de aprendizado e nem de sistemas de instalação são alguns dos principais motivos que explicam essa substituição. Segundo o Gartner, até 2021 mais da metade das organizações gastará mais por ano em criações de Bots e Chatbots do que com o desenvolvimento de aplicativos tradicionais. Com essa demanda crescente, novas empresas fornecedoras de bot surgirão e, com isso, pode surgir um problema.

Hoje, qualquer pessoa pode criar um bot usando, por exemplo, a Bluemix, plataforma da IBM para criar o Watson. Com algum conhecimento é possível criar um robô para ajudar com procedimentos mais básicos, no lugar de criar formulários dentro de um site, como pedir uma pizza ou comprar uma passagem de ônibus. Várias empresas fornecedoras de chatbot criadas nos últimos tempos optaram por usar esse tipo de plataforma, ao invés de desenvolver a própria ferramenta e motor, aplicando conhecimentos de atendimento ao cliente e usabilidade para entregarem soluções mais funcionais. Isso acarretou em um boom de fornecedores no mercado.

As opções vão desde plataformas online de autosserviço, até empresas que prestam o serviço completo, incluindo a evolução constante do robô, a integração com outros sistemas, ou seja, escopos mais complexos como o SAC de um e-commerce ou ajuda técnica de uma operadora de TV, nos quais o cliente pode falar ou escrever de forma aberta para obter informações e serviços específicos.

Para dificultar ainda mais a sua escolha de qual fornecedor contratar, sempre que um vendedor apresenta seu bot, ele afirma que tem a melhor tecnologia (eu mesmo falava isso quando visitava um cliente). Então, como saber qual é a melhor opção para o seu negócio?

Bitcoins são o futuro do dinheiro?

*Por Renato Moreira
Moeda virtual pode ser tendência no mercado

09/01/2018 - No final de 2017, estive em uma confraternização de amigos do meu sogro, um grupo no qual a média de idade é de 70 anos. Depois de algumas garrafas de vinho e muitas conversas, um dos senhores me perguntou o que era e como funcionava o Bitcoin. Sinceramente, lhe dei uma explicação bem abreviada sobre o assunto, até mesmo porque naquele momento não tinha muito conhecimento sobre a tal moeda virtual – e muita gente nem ao menos sabe o que ela é. Decidi entender um pouco mais sobre este assunto que está cada vez mais tomando a curiosidade das pessoas.

Para começar, Bitcoin é um tipo de criptomoeda e existem outras variações, como Dash, Monero, Ripple, Ethereum e Litecoin, cada uma com característica própria que as diferenciam umas das outras - o que faz muito sentido, pensando no âmbito de negociação da moeda: qual o sentido de se negociar um ativo único?

O Bitcoin foi a primeira moeda virtual, apresentada em 2008 por um programador chamado Satoshi Nakamoto, cuja identidade nunca foi comprovada. A moeda virtual significa uma disruptura no segmento financeiro tradicional, por se tratar de um ativo ou mercadoria pertencente a um sistema bancário livre, ou seja, é descentralizada e não é controlada por nenhum tipo de Banco Central.

A sua criação também não ocorre da forma tradicional, como o dinheiro que conhecemos. As criptomoedas são "mineradas" por milhares e milhares de computadores de pessoas como eu e você, conectados em uma rede específica para a criação da moeda virtual. Cada computador registrado nesta rede roda um programa com base em complexos algoritmos para a criação da criptomoeda, e quem tiver mais poder de processamento tem preferência no recebimento dos lotes para mineração. Estes lotes são gerados e distribuídos pela rede seis vezes por hora.

Dados estruturados e a revolução do OCR*

08/01/2018 - O Reconhecimento Óptico de Caracteres, mais conhecido como OCR (do inglês Optical Character Recognition) está longe de ser algo novo. Mas, combinado com a estruturação de dados e a inteligência artificial, pode revolucionar a forma como armazenamos e utilizamos nossos dados. É uma tecnologia poderosa, mas que ganha o mundo justamente pela sua simplicidade: com apenas um clique podemos reunir informações que abastecem bancos de dados com informações que, se bem trabalhadas, podem solucionar diversos problemas da nossa sociedade.

O OCR em si é algo antigo. Muito se falou sobre o assunto na década de 90, mas o primeiro software de reconhecimento de caracteres surgiu em 1950. Chamado Gismo, o sistema foi desenvolvido pela agência americana que, mais tarde se tornaria a NSA - Agência de Segurança Nacional. Em 1953, a IBM obteve uma licença, desenvolveu seu software próprio e criou o termo "Optical Character Recognition", que virou padrão para o setor.

O que mais mudou, dos anos 90 para cá, foram as possibilidades de utilização dos dados obtidos. Antes, um documento era analisado e transformado em formato editável. Esses dados eram transferidos para um novo documento ou para um pequeno sistema, mas nada como existe hoje. Atualmente, principalmente com o Big Data, esses dados podem ser capturados, organizados e armazenados de maneira setorizada. É possível fazer buscas para encontrar informações específicas ou reunir dados semelhantes, capazes de gerar insights poderosos para o futuro do grupo analisado. Podem ser informações referentes ao estoque de uma empresa ou mesmo o perfil de compra da população de uma determinada cidade. Os limites variam de acordo com a capacidade dos sistemas utilizados.

A existência de dados estruturados é o que faz uma diferença real entre um sistema inteligente, com uma funcionalidade clara, ou apenas uma série de dados guardados em uma plataforma. Com o desenvolvimento da inteligência artificial, é possível desenvolver sistemas que aprendam as regras e criem novas setorização de acordo com os dados obtidos. Um sistema que aprende sozinho, e que vai se aperfeiçoando com o tempo, só é possível graças ao machine learning. Podemos desenvolver padrões, apontar para o software quais são os resultados esperados ou criar lógicas de setorização que evoluam com o aumento da quantidade e da qualidade das informações obtidas. Podemos chegar a resultados inimagináveis.

Transformação digital: por que não podemos vencer os desafios do RH em moldes obsoletos

*Por Marco Ornellas
19/12/2017 - Com as mudanças geradas pela Transformação Digital e pela adoção de novos modelos de negócio, as políticas, programas e ferramentas nas quais os profissionais de RH se apoiavam não são mais suficientes. As práticas do RH de hoje, predominantemente burocráticas, não são capazes de responder aos desafios atuais das empresas, muito menos aos desafios do futuro.
A gestão de Recursos Humanos está atravessando um período de transformação nunca antes vivenciado e a insistência em encaixar os novos desafios em moldes obsoletos está impedindo a agregação de valor ao negócio.

Na América Latina, os projetos motivados pela Transformação Digital estão gerando investimentos significativos em tecnologia. Dados divulgados pela IDC Latin America, por exemplo, mostram que, em 2020, quase metade do gasto empresarial de infraestrutura de TI vai ser em baseado em soluções na nuvem. O mercado de Internet das Coisas deve valer US$ 15,6 bilhões em 2020.

Apesar disso, a adoção da tecnologia ainda não trouxe a visão do todo, tampouco combateu a burocracia e a ineficiência. Diante deste cenário, o colaborador, em vez de ganhar autonomia e flexibilidade, continua preso a "templates", com políticas e regras obsoletas que apenas servem para mostrar que ele não é nada mais que um "número" dentro da organização.

E a transformação real não acontece sem que a área de RH participe ativamente como agente de mudança e como cocriadora de uma cultura de valores que suportem a visão de futuro da empresa. Ou seja, se antes conceitos comuns a todas as organizações (como gestão de desempenho, avaliação de clima organizacional e políticas internas) eram importantes, hoje eles nada mais são do que "commodities".

Esse é o primeiro passo para que, em um cenário de Transformação Digital, o RH recupere seu protagonismo. Para isso, ele precisa se aproximar do negócio e aumentar sua área de atuação, que até então é restrita ao operacional. No caso das empresas cada vez mais complexas, esses profissionais terão de, não apenas preencher papéis, mas criá-los.

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