Inovação e empreendedorismo

Vanderlei Bagnato (*)

22/08/2013 - A USP, por meio da Agência USP de Inovação, tem o grande desafio de aproximar o conhecimento e as pesquisas desenvolvidas pelas universidades dos setores produtivos da economia paulista (e brasileira), como a indústria e o comércio. A árdua tarefa envolve a quebra de antigos paradigmas, tal a distância que esses dois setores tomaram ao longo de muitos anos, com resultados negativos para o desenvolvimento de inovação no país. Diante dos novos desafios globais, a aproximação é irreversível e necessária para garantir um ambiente propício para o crescimento dos setores produtivos da economia brasileira.

O papel de gerador de inovação já é comum nas universidades de outros países. Na década de 1980, durante estudos no MIT (Massachusetts Institute of Technology), convivemos com os padrões norte-americanos de incentivo ao empreendedorismo. Desde o início dos estudos, os alunos da instituição tinham a responsabilidade de gerar emprego, muito mais do que procurar uma vaga de trabalho numa grande corporação.

Desde muito cedo, aliás, os EUA priorizaram o incentivo às inovações tecnológicas, com o Estado norte-americano atuando como motor da inovação por meio de diversos programas. É o caso da Apple, que recebeu financiamento inicial do Programa de Inovação e Pesquisa para Pequenas Empresas do governo norte-americano. Isso ocorre porque esses empreendimentos envolvem custos e riscos que o setor produtivo não tem condições de assumir. Agora, o governo brasileiro começa a dar passos nessa direção.

O Plano Inova Empresa (plano de investimento em inovação do Governo Federal) é um novo marco de financiamento no setor, que começa a deslanchar. Nos próximos anos, ele deve movimentar recursos na ordem de R$ 32,9 bilhões para inovação. Na mesma linha de trabalho, foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que segue o modelo da exitosa Embrapa. Ela deve atender fazer a ponte entre empresas e instituições de pesquisa para garantir resultados de inovação de fato.


As instituições de ensino superior brasileiras precisam se preparar para essas mudanças. O jovem deve ter a opção, desde os primeiros anos de estudos universitários, de ser treinado para ser empreendedor, a assumir projetos de risco e a ter ousadia. Como vamos querer ser um país com desenvolvimento tecnológico se não incentivamos o empreendedorismo desde a universidade?


Os produtos e serviços inovadores têm muito para contribuir com todos os segmentos sociais e podem ajudar na melhoria da qualidade de vida da população. Um dos exemplos de como a inovação pode ajudar as pessoas vem das necessidades específicas. O país conta hoje com mais de 5 milhões de cadeirantes e esse número deve crescer ainda mais com o envelhecimento da população. Mas o que estamos pensando para esse público? A China já tem produtos que atendem esse segmento. O Brasil já importa tecidos especiais chineses para a produção de roupas mais confortáveis destinado às pessoas com mobilidade reduzida. Além do vestuário do cotidiano, precisamos criar roupa de cama e equipamento que melhorem o conforto desse público.
Esse é apenas um dos muitos exemplos do que os produtos inovadores podem contribuir para o bem-estar social.


Os setores produtivos, como o comércio, a indústria e agropecuária, também precisam estar preparados para suas necessidades e procurar soluções na produção das universidades brasileiras. A USP, por meio da Agência USP de Inovação, e a Fiesp estão formando a primeira turma do Curso de Aperfeiçoamento em Gerenciamento e Execução de Projetos de Inovação Tecnológica em Empresas (GEPIT), realizado em parceria com a FIESP/CIESP.
O curso é focado no desenvolvimento da inovação nas empresas e permite formar profissionais com visão holística sobre como fazer a inovação se concretizar nas empresas. Queremos que esses profissionais apliquem os conhecimentos do curso na criação de processos, produtos e serviços de valor para o mercado nacional e internacional. Desenvolvemos ainda o programa Vocação para Inovação, de apoio à propriedade intelectual e inovação para o Estado de São Paulo. O programa oferece ao empreendedor orientação na proteção do patrimônio industrial e intelectual, efetuando todos os procedimentos necessários para o registro de patentes, marcas, direitos autorais e transferências das criações desenvolvidas na USP.


Os desafios são muitos e o tempo exige celeridade de todos os envolvidos nesse processo. Mas para avançarmos a passos largos em inovação, o esforço deve ser de todos.


(*) Professor Doutor e coordenador da Agência USP de Inovação. Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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  • Visitante (Ovidio Barradas)

    Prezado Ethevaldo...Bastante oportuno este seu artigo.Mas posso adiantar que nossas autoridades, também no aspecto "inovação", estão bastante sem rumo. O Governo, através de seus órgãos especializados, não só não incentiva, como trava as iniciativas de inovação tecnológica.Tomo como exemplo um amigo meu, Engenheiro de Aeronáutica formado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que inventou e ensaiou em computador, com sucesso, um novo tipo de gerador eólico de eletricidade, simples, prático, de tamanho variável conforme a quantidade de energia a ser gerada.Deu o nome pitoresco de GECA- Gerador de Energia por Conversão Aerodinâmica, se não me engano. Não enfeia a paisagem, como estes cataventos que parecem paliteiros, apresenta maior eficiência,aproveita vento turbulento rasteiro, tornando a energia gerada mais barata.Mas pasme. Já está há uns quatro anos no INPI e espera mais uns quatro para conseguir patente. Somente depois da patente é que poderá fabricar modelos e ensaiar no campo. Esta burocracia toda, possivelmente por falta de técnicos categorizados em avaliar novas invenções em vários campos, ou mesmo contratar consultoria para esta avaliação,ou ainda um viés de má fé, desincentiva a engenhosidade do brasileiro. A quem apelar?

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