Quais competências o profissional da indústria 4.0 deve ter?

*Por Alessandro Nunes
31/07/2018 - O profissional da indústria 4.0 surge para suprir uma lacuna no novo cenário laboral, redesenhado pela tecnologia. Segundo relatórios recentes, é o resultado da conjunção dos seguintes fatores: Inteligência Artificial (IA); Manufatura aditiva; Simulação; Integração de sistemas; Internet das Coisas (IoT); Big Data Analytics; Cloud Computing; Segurança de TI e Realidade Virtual (VR).

Nesse contexto, o controle da produção pode ser realizado até mesmo remotamente, e processos obsoletos são substituídas por mais inteligentes. Toda essa estrutura demanda novas competências profissionais e necessidade de adaptação.

Apesar disso, muitas organizações mantêm estruturas e práticas industriais ultrapassadas. Segundo o Projeto Indústria 2027, desenvolvido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), um plano de ação formal para a digitalização de processos é elaborado somente por 15,1% das empresas pesquisadas.

Diante de tudo isso, surge a questão: como se tornar um profissional do futuro e como preparar as equipes para esse novo paradigma? Confira as respostas!

Quem é o profissional da indústria 4.0?

São indivíduos com formação multidisciplinar e flexível, além de domínio de novas ferramentas, idiomas e competências emocionais. São capazes de se adaptarem facilmente a uma nova cultura de negócios e habilitados socialmente para desempenhar trabalhos colaborativos.

Esses novos profissionais da indústria 4.0 não desempenham funções repetitivas, pelo contrário. Lidam, de forma contextual e inovadora, com processos como machine to machine (M2M), em que as atividades são mais complexas, eficientes e criativas.

Quais são as habilidades e aptidões desse profissional?

É flexível

A manutenção preditiva, apesar de ser programada, não evita que máquinas criem demandas ou incidentes a qualquer momento do dia. Isso aumenta a necessidade de ações fora do habitual.

A flexibilidade está intrínseca, ainda, à possibilidade de funcionários ficarem mais disponíveis ao core business da empresa. Isso é resultado também da execução multitarefas e de processos cada vez mais eficientes.

Dessa forma, um engenheiro de rede, por exemplo, além de criar projetos para a eficiência e a evolução da infraestrutura de telecomunicação da empresa, poderá se dedicar a estratégias de segurança de TI de forma multidisciplinar e agregar valor ao setor com seu conhecimento em outras matérias.

A indústria 4.0 criou a possibilidade de novas funções dentro dos cargos já conhecidos. Esse contexto permite desenvolver os pontos fortes de cada um junto à tecnologia, reformulando os papéis dos colaboradores dentro das instituições.

Tem formação multidisciplinar

O profissional da indústria 4.0. deve ter habilidades para lidar com tecnologia, matemática, robótica e empreendedorismo. Além disso, deve entender conceitos de segurança da informação e direito, para lidar com todo tipo de inovação.

Consegue manter um bom relacionamento interpessoal

Aptidões decisórias serão um diferencial do profissional que consegue assegurar reações sociais e emocionais, no âmbito organizacional. Tudo por meio de trabalho em equipe, ações colaborativas e atividades compartilhadas.

Nesse sentido, será possível deliberar por intermédio da criação de valor e liderar pelo exemplo, já que a formação multidisciplinar permite executar diferentes funções. Além disso, a integração entre os diversos agentes da empresa e as ferramentas disponíveis facilitará o processo de comunicação.

Apresenta percepção de urgência

Implementar métodos automatizados e a robótica nas empresas muitas vezes não implica a dispensa dos funcionários, já que crescerá a demanda pela execução de tarefas estratégicas e de monitoramento.

A necessidade de reparo de um equipamento, por exemplo, deve ocorrer em tempo hábil. Por meio da integração com aplicativos, o profissional tomará conhecimento do fato e deverá discernir acerca da urgência de ações.

Tem visão técnica e sistêmica de processos

O profissional da indústria 4.0 precisa ter uma visão técnica, também resultado da sua formação multidisciplinar (competências de engenharia elétrica, mecânica e de automação). Além disso, deve saber olhar de forma sistêmica para os processos da empresa e seus respectivos reflexos.

Consegue coletar e realizar a análise de um grande volume de dados

Outra habilidade emergente é a capacidade de coletar e analisar dados disponibilizados pelo Big Data — grande volume de informações coletadas de diversas fontes para tomar decisões, definir perfis e delimitar preferências. Assim, é possível definir como serão direcionadas as estratégias organizacionais.

Segundo consultoras globais, os maiores desafios para empresas serão em torno de questões como cultura, organização, liderança e habilidades, em detrimento de padrões preestabelecidos de infraestrutura e propriedade intelectual. Já a ausência de uma cultura digital e de treinamento adequado desponta como o maior gargalo das empresas, em todos os segmentos.

Portanto, o profissional da indústria 4.0 precisa buscar qualificação, para adquirir uma ou mais dessas habilidades. Além disso, deve buscar parcerias especializadas para colocar os projetos de inovação em prática.

*Alessandro Nunes é Diretor de Serviços da Teclógica

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