Experiência e os desafios trazidos pela pandemia

andre_prevedel.jpg*Por André Prevedel
27/07/2020 - Nos últimos 20 anos, observei as mais diversas situações ao gerir equipes de tecnologia. Mas, mesmo tendo uma sólida bagagem prévia, nenhuma das minhas experiências chegou perto da crise que administramos com a pandemia do novo Coronavírus. Estruturar um planejamento em tempo recorde para executar ações complexas e de forma imediata, tais como prover home office para um número expressivo de colaboradores, blindar informações e realizar um controle efetivo das atividades - e tudo de forma a garantir a continuidade dos negócios e com o menor impacto possível -, foi não só um grande desafio, mas também o maior aprendizado que eu já vivenciei.

Tivemos que correr contra o tempo e fazer acontecer em poucos dias, ganhando velocidade e volume após a primeira quinzena de quarentena em São Paulo. E, mesmo sem um plano de contingência - afinal, ninguém sequer imaginava algo desta magnitude -, graças às alternativas que já desenvolvíamos para viabilizar o trabalho remoto tivemos impactos mínimos. Com as soluções que dispúnhamos, conseguimos colocar mais de seis mil colaboradores de nossas operações em modo remoto, e se não fosse o apoio dos nossos clientes, dificilmente teríamos dado conta da missão. Graças à solidez dos nossos relacionamentos e à coesão do nosso time de TI, seguimos em frente, vivenciando um desafio de cada vez.

Observando o nosso mercado, constatei que cada player encarou uma dificuldade diferente. É verdade que alguns agiram mais rápido, mas, agora, todos têm outra preocupação, tão latente quanto os desafios iniciais: literalmente pagar uma conta. Prover soluções para alocar colaboradores remotamente requer orçamento, capacidade de negociação e, tão importante quanto, poder de previsibilidade. Só que, por mais que os outros players tenham optado pelo apoio de fornecedores para o acesso às tecnologias sem um custo primário (e com pagamento entre 30 e 90 dias), quem poderia adivinhar que, mais de 120 dias depois, ainda estaríamos mantendo o isolamento? E, pior, com uma conta para pagar? Optamos por seguir a nossa estratégia, que pode ter demandado mais tempo em relação a outras empresas, mas que, no fim, nos possibilitou implementar uma solução flexível e de custo quase zero. Em outras palavras, nós tornamos a nossa ideia possível e por um preço bem menor; se nós viabilizássemos com o que o mercado nos oferecia para fazer essa virada rumo ao trabalho remoto, lá na frente eu teria uma conta absurda e, pior ainda, seria obrigado a oferecer uma contrapartida àqueles que nos ajudaram, devolvendo os equipamentos ou mesmo pagando as faturas.

Considerando que 70% das soluções tecnológicas que utilizamos são precificadas em dólar, e que isso traz a preocupação real em manter a saúde financeira, nosso poder de previsibilidade foi mais do que decisivo. Foi a nossa capacidade de vislumbrar os cenários que nos deu clareza para entender que, caso a pandemia persistisse (como, de fato, persistiu), poderia haver o desejo de renegociação de contratos por parte dos nossos clientes, o que certamente iria interferir na hora de fazer os cálculos. Agimos no timing correto e de maneira certeira. Demoramos um pouco mais? Sim. Mas acertamos, com tudo rigorosamente calculado para manter o azul em nossas contas.

Sou uma pessoa tranquila, e essa minha característica ajudou a segurar a pressão dos clientes em nossa equipe. Ao compartilhar a minha experiência com tranquilidade, e dando a todos um posicionamento claro e alinhado com os nossos clientes, conseguimos adotar soluções que, em alguns casos, podem não ter sido as mais perfeitas, mas, no fim da história, atenderam bem aos negócios deles.

Se a pandemia nos trouxe preocupações e a nossa resiliência nos deu credenciais para atravessar a pior das crises, o momento atual, de pura indefinição, nos mostra que os movimentos terão que ser bem calculados daqui para a frente. Teremos que buscar soluções inteligentes, sem persistir em erros do passado e, ao mesmo tempo, nos preparando para novas situações de colapso total. O mesmo vale para os nossos clientes: se eles perceberam que o relacionamento com os consumidores por outros canais é bom, que isso se perpetue! Mesmo que de forma comedida - ou a passos largos, mas sempre com muita perícia -, a transformação digital precisa acontecer. A realidade que vivenciamos agora é outra, e quem não se adequar certamente ficará para trás.

*André Prevedel é Chief Technology Officer da Neobpo

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Investimento em tecnologia segue crescendo

codigo.jpg24/07/2020 - Número de vagas em inovação e TI demonstra que aquecimento do setor deve seguir após pandemia

Com as medidas de distanciamento social estendidas por empresas, que demonstram possibilidade de manutenção do formato de home office, e por consumidores, que estão mais adaptados ao comércio online, as soluções de tecnologia tendem a crescer ainda mais como principais canais de compras, comunicação e trabalho nos próximos meses. E, para atender a toda essa demanda, mais mão de obra especializada é necessária. De acordo com números levantados pelo site Infojobs para a BBC News Brasil, em abril, dentre as oportunidades oferecidas pela plataforma, a área com maior volume de cargos era justamente informática/TI, com 6.577 postos.

Para o diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), Fernando Matesco, a demanda por profissionais do setor demonstra a importância que o segmento ganhou como estratégia para adaptação ao novo formato de consumo e padrões sanitários. "A pandemia exigiu mudanças e evoluções imediatas para que algumas empresas pudessem seguir trabalhando, fosse para viabilizar as vendas online ou até mesmo criar um sistema estável para o home office, isso prova o quão essencial é manter um núcleo de tecnologia preparado dentro de qualquer instituição", explica.

Para Matesco, a principal preocupação das empresas agora deverá ser com o ajuste de fluxo e capacidade das plataformas digitais. "Com o isolamento social, o acesso remoto a sites, aplicativos, ferramentas online tende somente a aumentar, além de ganhar novos adeptos, por isso, as instituições devem, além de implantar esses sistemas, garantir sua manutenção e funcionamento", ressalta.

Além disso, outro ponto destacado pelo diretor é a atenção quanto à cibersegurança. "Com o aumento de usuários online, a proteção de dados de uma empresa e seu cuidado na manutenção e expansão da rede deve ser redobrado, já que o fluxo elevado pode ter uma interferência direta no funcionamento do sistema e possível vazamento de informações", orienta.

Nesse cenário, algumas funções registraram maior crescimento de demanda. De acordo com um levantamento da Page Group, empresa mundial de recrutamento especializado, seis cargos de TI tiveram aumento em contratações. São eles: analista de suporte e Service Desk, analista de cibersegurança, analista ou especialista de infraestrutura e redes, especialista em cloud, líder em ciência de dados, líder de cibersegurança.

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O desafio das empresas gigantes em dias de startups

sas_ricardo_salama.jpg*Por Ricardo Salama
22/07/2020 - Temos visto empresas gigantes e governos altamente burocráticos agindo como verdadeiras startups. Durante uma das maiores crises econômicas e sanitárias da história, vemos empresas cortando tudo que não seja absolutamente vital e, ao mesmo tempo, tomando decisões estratégicas em horas. A verdade é que a maioria das empresas luta pela sobrevivência imediata para que possa prosperar no futuro. Há, claro, os grandes vencedores. Mas aqui estamos falando da grande maioria das corporações, abaladas com o momento. Como é possível de repente tanta agilidade? A resposta está principalmente em três fatores: redução drástica de burocracia interna, delegação de poder aos colaboradores e digitalização!

Como alguns exemplos da necessidade abrupta que chacoalhou as gigantes: o Governo brasileiro teve que pagar auxílios para 55 milhões de necessitados; o Itaú contratou 260 pessoas em processos totalmente remotos; e as operadoras de telecomunicações tiveram que readequar todo o tráfego de banda larga que migrou consideravelmente dos centros comerciais para áreas periféricas. Tudo em questão de dias ou semanas.

A burocracia de processos teve que ser gentilmente atropelada pela necessidade do cliente. Assim como uma startup, a necessidade de sobrevivência faz com que processos mínimos sejam implantados e que a visão de resultado se sobreponha. É verdade que a burocracia pode ter, em alguns casos, seu papel de garantir compliance, seguir processos benéficos ou até de garantir uma maior conformidade com a estratégia de longo prazo de uma empresa. Entretanto, o saldo desta mudança pendular é certamente benéfico.

Um segundo fator preponderante - e talvez o mais importante - é a tomada de decisão bem mais descentralizada. Corporações rígidas estão precisando dar muito mais autonomia para que todos tomem decisões. Ambientes mais abertos e descentralizados fazem com que talentos surjam, a meritocracia prospere e que os funcionários se sintam valorizados. Se as empresas precisam tanto ajustar os perfis das pessoas a uma transformação digital, aqui temos uma grande oportunidade.

Por fim, a transformação digital, que em muitas empresas era um plano de médio prazo, não só foi acelerada, mas se tornou um item de sobrevivência. Quando vemos varejistas como C&A, Casas Bahia e Magazine Luiza mudando totalmente a venda para o e-commerce, e até permitindo que os vendedores realizem toda a operação de venda pelo WhatsApp, temos de fato à conclusão de que a transformação digital chegou. Mesmo não apresentando resultados financeiros momentâneos que possam compensar a operação tradicional, ocorreram saltos no e-commerce de por exemplo 45% (no caso de Via Varejo) e 73% (no Magazine Luiza) no primeiro trimestre deste ano.

A grande dúvida que fica é se esse movimento encontrará o equilíbrio, ou seja, se essa agilidade será de fato incorporada às empresas ou se a burocracia e hierarquização voltarão no "novo (velho) normal". É difícil prever qualquer cenário neste momento. Entretanto, fica claro que o novo consumidor não aceitará os mesmos comportamentos. A escolha não será mais entre o delivery ou pessoal, trabalho no escritório ou remoto ou entre o digital ou físico. Sobreviverão as empresas que puderem ajustar o pêndulo em consonância com o novo mercado e o novo consumidor.

*Ricardo Salama é Head of Sales para América Latina do SAS, empresa líder global em Analytics

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5G e a revolução dos pagamentos instantâneos

5G_servicos.jpgPor Cláudio Sertório* e Dustin Pozzetti*
21/05/2020 - Em um contexto cada vez mais dinâmico e de alta conectividade, contando com uma maior capacidade de processamento e com uma maior adoção da computação na nuvem, a expectativa é que o segmento de pagamentos seja impactado por uma transformação sem precedentes nos próximos anos, acelerando a materialização de uma demanda eminente e até então reprimida - a realização de transações de pagamento 24 horas por dia, 7 dias por semana a um baixo custo. A combinação destes fatores propicia um ambiente totalmente favorável para os chamados pagamentos instantâneos, no qual possibilitarão o surgimento de novos conceitos, novos modelos de negócio, e consequentemente novos produtos e serviços. Na essência, o pagamento instantâneo permitirá entregar uma melhor experiência aos clientes, bem como melhores ofertas de serviços financeiros, além de agregar praticidade, conveniência e segurança no dia-a-dia das pessoas.

Em diversas regiões do mundo, modelos de pagamentos instantâneos, bem como suas infraestruturas de suporte, encontram-se em diferentes estágios, seja de estudos, implementação ou ainda mais avançados. Seguindo tendências observadas em localidades como Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, China e África do Sul, o nosso Banco Central, por meio do comunicado 32.927, divulgado em dezembro de 2018, apresentou os requisitos para o desenvolvimento do Sistema de Pagamentos Instantâneos Brasileiro.

Diferentemente de outros países, o regulador brasileiro está desenvolvendo a plataforma e será responsável por liquidar as operações, centralizando também a base de endereçamento, ou seja, a identificação única de cada cliente e conta. A nova plataforma batizada de PIX, teve seu lançamento anunciado em fevereiro num evento marcado por esclarecimentos e novidades por parte do órgão regulador, antes mesmo da finalização das especificações técnicas e da definição das regras do novo arranjo de pagamento. A previsão é que a plataforma entre em funcionamento a partir de novembro de 2020, para que esteja funcionando de modo pleno em dois anos. Os testes de conectividade já foram iniciados e deve ser homologado a partir de junho, conforme cronograma apresentado pelo Banco Central. Até a data do lançamento, 13 instituições já haviam demonstrado prontidão e enviado certificados de conexão para iniciar os testes. Alguns pontos relevantes como a tarifação e ferramentas de liquidação fora dos horários do STR ainda estão sob avaliação e é esperado que sejam esclarecidos nas próximas interações.

Adicionalmente, pelo fato da segurança ser crucial para este ecossistema, foi criado, no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), um fórum executivo permanente para assuntos relacionados a operações instantâneas e segurança da informação, cuja missão é auxiliar o regulador na criação de um modelo aberto e interoperável.

O Brasil já apresenta infraestrutura de pagamentos considerada avançada quando comparada às de outros mercados e potencializada pela elevada alta penetração de celulares e smartphones na população adulta, se torna um terreno fértil para o desenvolvimento deste tipo de pagamentos. Estima-se que a nova modalidade propiciará operações realizadas em até 10 segundos, com alta disponibilidade e resiliência (99,9% do tempo), com capacidade de 2.000 transações por segundo.. O sistema permitirá transferências mútuas entre pessoas, entre consumidores e estabelecimento e, ainda, entre empresas e órgãos do governo, em um universo com abrangência estimada em em R$ 8 trilhões em transferência no sistema bancário tradicional (DOC e TED) e cerca de R$ 666 bilhões de transações de débito (dados projetados pela Febraban em 2019).

A nova modalidade de transferência representa uma experiência de pagamentos ultrarrápidos para usuários do sistema e proporciona inúmeros outros benefícios para os diversos elos da cadeia, sendo os principais o governo e as transações rastreáveis, com possibilidade de aumento da arrecadação de impostos. Os possíveis ganhos para a economia também estarão relacionados com o aumento da velocidade de circulação do dinheiro, maior eficiência e competição de mercado. Um grande beneficiário será a sociedade, pois espera se menos crimes de roubo e furto, em decorrência da diminuição do porte de papel moeda, redução de fraudes, facilidade de acesso a serviços financeiros e aumento da formalização da economia.

Na China, por exemplo, parte considerável dos pagamentos é realizada por empresas intermediadoras das operações. Hoje o sistema brasileiro é controlado diretamente pelo regulador. De acordo com pesquisa desenvolvida pela Fischer, em 2018 em parceria com a KPMG havia cerca de 114 startups brasileiras atuando no setor de pagamentos. No entanto, apesar da ampla gama de benefícios, alguns desafios operacionais são impostos, visto que, em poucos segundos, os provedores de infraestrutura devem decidir se efetuam ou não o pagamento de um cliente ou se recebem ou não o dinheiro enviado.

Nesse panorama, a chegada da rede 5G ao Brasil, prevista para meados de 2021, desempenhará papel essencial. Por meio de uma rede pautada por frequências elevadas, teremos mais velocidade de processamento e repasse dos dados, maior número de conexões e menor latência. Será viabilizada, portanto, a incorporação massiva de dispositivos conectados a chamada "internet das coisas" e com ela uma grande disponibilidade de quantidade de dados e que se explore ao máximo o verdadeiro potencial desta tecnologia.

É evidente que o rápido avanço tecnológico tem proporcionado que se materializem uma série de oportunidades tanto para os clientes e novos entrantes do sistema financeiro, como para as organizações e para a sociedade em geral. Sabemos que as novas plataformas e as novas tecnologias precisam passar por numerosos testes antes da adoção comercial, ainda temos muito caminho por percorrer. Entretanto, é fundamental que, neste momento, as empresas repensem suas estratégias e se posicionem neste novo contexto de negócio, para que possam ter um papel de protagonismo no futuro.

*Cláudio Sertório é sócio-líder de serviços financeiros da KPMG no Brasil.
*Dustin Pozzetti é sócio-líder de tecnologia, mídia e telecomunicação da KPMG no Brasil.

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O valor da cultura organizacional nas empresas

blockbit_anderson_franca.jpg*Por Anderson França
21/07/2020 - As pessoas são o maior patrimônio de uma empresa. Com certeza, em algum momento de sua carreira, você já deve ter se deparado com essa frase. Afinal de contas, são as pessoas quem planejam e produzem os produtos e, também, compram e usam essas soluções. Mas será que o mesmo raciocínio vale, hoje em dia, para a segurança das informações, com a Era Digital avançando rapidamente na rotina das empresas?

A resposta é sim. Até porque de nada adianta traçar estratégias inovadoras sem a participação ativa de quem trabalha no dia a dia das operações. Não por acaso, segundo pesquisas internacionais, mais da metade dos casos de vazamento ou roubo de dados começam com falhas humanas, seja na utilização errada de uma ferramenta ou por conta de negligência durante as tomadas de decisão mais rotineiras.

Exatamente por esse motivo, aliás, é tão importante que sua companhia pense em como conscientizar e engajar as equipes em uma verdadeira cultura orientada à proteção. Todos fazem parte desse esforço de cuidado com os dados. Em outras palavras, as pessoas precisam ser o principal ativo do seu plano de cibersegurança também.
Isso é explicado por dois motivos: o primeiro é que, realmente, as ações individuais geram a maioria das brechas e vulnerabilidades do dia a dia de uma operação. Imagine, por exemplo, quantas vezes você já deixou seu Facebook logado por aí ou quantos dispositivos pessoais são conectados diariamente ao Wi-Fi de sua companhia. Esses "descuidos" podem ser potenciais fatores para uma invasão.

A segunda razão para focar no estabelecimento de uma cultura organizacional orientada à segurança digital é que os cibercriminosos estão à espreita, justamente esperando por esses descuidos de sua equipe. A falta de conhecimento sobre o tema, por exemplo, pode fazer com que colaboradores ajam de maneira negligente com a transferência de dados. E não seria por culpa deles: é necessário que a empresa ofereça conhecimento para que os funcionários saibam que todas as suas ações são, sim, importantes para a manutenção da segurança da informação.

Isso passa, entre outros pontos, por contar com estruturas que ajudem a prevenir e antever ameaças, tecnologias que permitam afastar fontes duvidosas de conteúdo, ferramentas que examinem e eliminem vírus ou qualquer agente malicioso e, também, por treinamentos que mostrem porque é fundamental que os colaboradores atuem ativamente para evitar cliques em links suspeitos e entendam a importância de manter antivírus e aplicações oficiais em ordem.

Às vezes, é necessário mostrar que as pessoas estão em risco. E, além disso, ensiná-las como elas mesmo podem se proteger e ajudar a garantir a segurança coletiva. Hoje, estudos indicam que quase dois terços das tentativas de fraudes vêm de ações de phishing, com o envio de iscas maliciosas ou falsas. Saber reconhecer os riscos - que podem vir, por exemplo, nas mensagens de WhatsApp e e-mails – é o primeiro passo para a construção de um ambiente mais seguro e orientado à proteção como um todo.

Evidentemente, a segurança da informação em tempos de hiperconexão é uma demanda contínua e interminável. Você nunca estará 100% protegido, mas entender isso pode ser uma vantagem real para se manter alerta. A construção de uma cultura organizacional atenta à cibersegurança certamente inclui essa lição, colocando a proteção dos dados como uma demanda inerente e intrínseca ao avanço da operação.

Esse processo combina capacitação técnica, treinamento e conscientização dos funcionários e prestadores de serviço e um ambiente realmente preparado para manter a estrutura segura. Investir em tecnologia, melhores processos e gestão de dados são, assim, questões que também devem estar na lista de prioridade dos líderes. Afinal, estamos falando de um mercado que não para de evoluir – para o bem e para o mal.

Educar e engajar os colaboradores nesse propósito e garantir que todos trabalhem em acordo com uma cultura organizacional mais adequada aos novos tempos são ações vitais para preparar as organizações em relação à segurança da informação. Mais do que isso, ajudará a construir uma posição sólida para o futuro.

Proteger os dados de uma corporação não é tarefa exclusiva de uma equipe ou de um líder. A direção da companhia precisa, sim, preparar uma política clara e objetiva, com a mescla de sistemas de alta performance e um time consciente de seu papel. Mas o sucesso dessa iniciativa depende da união das forças de todos, com pessoas e tecnologia cooperando para o bem da organização.

*Anderson França é CEO da Blockbit

 

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Os riscos da falta de segurança na nuvem

unisys_alexis_aguirre.jpg*Por Alexis Aguirre
17/07/2020 - A discussão não deveria ser sobre adoção da tecnologia, mas sobre um melhor entendimento das mudanças fundamentais de paradigma com o seu uso

A adoção de nuvem por empresas Latino-americanas segue crescendo e, em meio ao momento delicado que estamos vivendo, não há tecnologia mais útil que essa para garantir a continuidade de operações com agilidade e produtividade. Para além disso, quem já utilizava recursos de nuvem sabe que eles geram inovação e, ao mesmo tempo, redução de custos, já que é possível prever os gastos envolvidos em cada projeto.

Certo, Cloud agora é uma premissa, um caminho sem volta. O próprio Gartner já chama a nuvem de "o novo normal da TI corporativa" (the new normal for enterprise IT). Nesse cenário, a discussão urgente que estamos perdendo não deveria ser sobre adoção da nuvem e sim sobre um melhor entendimento das mudanças fundamentais de paradigma que chegam com o uso da nuvem. As companhias estão atrasadas para perceber que, com a nuvem, a superfície de ataques hackers muda de lugar.

Então, vamos a pontos práticos e críticos sobre como criar uma consciência corporativa para evitar ameaças de segurança da informação na nuvem.

Tenha clareza sobre os responsáveis de cada parte do projeto

Um desafio que vem com a nuvem é a falta de clareza sobre quem é responsável pelo quê. A dica é se organizar e aderir a operações do DevSecOps para obter integração,implementação e melhorias contínuas após a migração inicial para a nuvem.

Não subestime a complexidade dos ambientes em nuvem

As organizações tendem a subestimar as complexidades dos ambientes em nuvem — e sua proteção. A maior flexibilidade e poder dos serviços em nuvem resultam em maior complexidade de governança e operações, aumentando a possibilidade de vulnerabilidades devido a configurações incorretas.

A flexibilidade e o poder inigualáveis dos microsserviços em contêiner e do Kubernetes também resultam em complexidade adicional, aumentando o número de interfaces que podem ficar expostas. Não compreender ou investir nas ferramentas e nos conhecimentos necessários para gerenciar essa complexidade resulta em configurações abaixo do ideal, levando a explorações e vazamentos de dados.

Um novo DNA pede um novo processo de monitoramento

Algumas organizações acreditam que podem usar tecnologias de segurança locais em ambientes dinâmicos de nuvem. As abordagens tradicionais simplesmente não funcionam porque estamos falando de um novo DNA. Na nuvem, você precisa ter um processo automatizado para proteção da carga de trabalho remoto. Você não tem o tempo ou o luxo de alguém monitorar isso diariamente.

Crie novas políticas, práticas e procedimentos de segurança

A nuvem consolidou infraestruturas, sistemas e recursos de computação. Agora, as organizações precisam preparar suas políticas de proteção de dados para funcionar quando não têm controle da infraestrutura na qual seus dados residem.

Como lidar com microsserviços

Fornecedores de software oferecem microsserviços em contêineres, que podem ser aproveitados como componentes por aplicativos. Eles vêm com uma variedade de opções de licenciamento comercial e de código aberto, com diferentes níveis de suporte ou nenhum outro suporte que não seja uma comunidade online. Algumas licenças de código aberto, como a GPL, podem tornar o software inadequado para alguns usos de produção. As implicações legais e de custo do licenciamento de microsserviço são um aspecto importante desse novo cenário de aplicativos. É recomendável considerá-las durante o desenvolvimento do aplicativo antes da transição para a produção.

A importância do acesso seguro

O acesso seguro pressupõe que aplicativos, rotas ou sistemas de comunicação sejam utilizados apenas por quem possui credenciais apropriadas para tal. Os relacionamentos e limites de confiança precisam ser gerenciados de acordo com os objetivos de negócios e as restrições legais. Além da autenticação robusta que usa rotação de credenciais e autenticação multifator, os acessos precisam ser definidos em termos de funções baseadas do menor ao maior privilégio.

Limite e proteja sua superfície de ataque

A eficácia em minimizar a superfície de ataque implica em limitar o acesso externo e interno (por exemplo, portas abertas) ao que é absolutamente necessário. Implica também em desabilitar funções e infraestrutura desnecessárias de software. Isso reduz o número de itens que podem ser comprometidos.

A superfície de ataque não só deve ser limitada, mas também precisa ser protegida por meio de uma estrutura automatizada e que detecte inteligentemente o tráfego anormal ou o comportamento do software. Isso deve resultar nas ações de quarentena e notificação orientadas por políticas apropriadas, limitando assim o impacto de violações.

A jornada na nuvem tem nos guiado ao futuro. Se feita corretamente, pode trazer muitos benefícios para as empresas. Só não podemos nos esquecer de que nuvem e segurança devem caminhar juntas. Não é improvável que companhias corram riscos de violações de dados, mas aquelas que estiverem preparadas para corrigir e isolar ataques em segundos ou minutos serão mais bem-sucedidas.

*Alexis Aguirre é Diretor de Segurança da Informação da Unisys para a América Latina

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