Os riscos da Libra, a criptomoeda do Facebook

facebook_libra.jpg*Por Rodrigo Castro
11/07/2019 - Atrelada à inovação de alterar toda a estrutura do sistema financeiro mundial, a criação da Libra, a criptomoeda do Facebook, também traz discussões laterais sobre os seus impactos na economia global. Se bem implantada, há um público potencial de 2,4 bilhões de usuários da rede social de Mark Zukemberg. Os riscos são vários e podem afetar tanto a soberania de nações, assim como o ambiente das empresas.

Sob o prisma macroeconômico, o principal risco está associado à perda da independência de alguns países que podem ver sua moeda substituída pela Libra, algo que eu chamo de "libralização" das economias. Este processo de enfraquecimento de moedas locais pode se iniciar por uma corrida de demanda para as moedas que compuserem esta cesta de ativos da libra, gerando o enfraquecimento de moedas fora da cesta, como o Real, por exemplo. Com a moeda fraca, alguns países serão forçados a ancorar sua moeda na nova Libra, uma vez que será um ativo com maior reserva de valor e, a depender da implantação, um meio de troca efetivo.

Para isto, os bancos centrais desses países passariam a comprar Libras imprimindo cada vez mais moeda local, que enfraqueceria a ponto de perder a sua importância e ser definitivamente substituída. Neste cenário, o país cuja economia está "Libralizada" abre mão de sua política monetária e cambial e não terá mais soberania e, muito menos, autonomia sobre a sua moeda.

Outra ruptura, agora sob o prima microeconômico, está no total redesenho do mercado financeiro dos países. Para efeito de ilustração, algo semelhante ao que o Uber, Airbnb e Netflix fizeram respectivamente com os mercados de mobilidade, hotelaria e mídia de entretenimento. Ou seja, uma solução mais simples, fácil e barata de usar rompe com o modelo tradicional do mercado e, por consequência, com seus participantes.

As fintechs de meio de pagamento locais poderão sucumbir ou perder grande relevância. Este processo já pôde ser visto, por exemplo, no Quênia, onde a Vodafone criou o M-Pesa, que é uma espécie de banco por celular. Esta solução foi massivamente adotada no País, encampando mais de 60% da população adulta do país. Na China, o WeChat, similar ao Whatsapp, possui um sistema completo de meio de pagamento que permite transações online e offline. Porém, em ambos os casos, as empresas usam moedas locais para transações e não desenvolveram seu próprio dinheiro.

Já do ponto de vista da ética organizacional e compliance, algumas das companhias que fazem parte da Associação Libra não possuem um histórico ilibado a ponto de carregar a confiança de todas as partes em uma moeda global. Basta lembrar de casos como o acesso ilegal de dados de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica, as acusações de manipulação das eleições na África e as implicações da empresa no genocídio de Mianmar. Alega-se, porém, que comportamentos individuais das empresas seriam contidos na associação que seria composta, em grandes linhas por empresas de alta reputação.

Este mesmo argumento não faz efeito para as grandes instituições financeiras da atualidade, que permitem anualmente a lavagem de USD 2 trilhões. E falando em lavagem de dinheiro, esta é uma questão que fica em suspenso nesse novo sistema financeiro. A livre transação da Libra entre fronteiras, por meio de carteiras desassociadas das identidades dos seus donos, é um prato cheio para esquentar dinheiro ilícito. Além disso, a falta de transparência sobre os detentores das reservas de lastro da Libra pode gerar impactos sistêmicos em economias reais.

Há inúmeros outros riscos que podem ser explorados. A oportunidade de prover acesso ao sistema financeiro para uma massa de "desbancarizados" e à margem do atual modelo, passando pela separação entre estado e dinheiro, já é uma realidade. Porém, há dois caminhos postos no horizonte. Transferir esta tutela para a população, por meio de um sistema verdadeiramente descentralizado, ou concedê-lo a um grupo de empresas que regerão o novo sistema financeiro.

Crédito: Montagem FT / Getty

*Rodrigo Castro é diretor de riscos e performance na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

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Uso de tecnologias nos traz menos liberdade?

luis_castanha.jpg*Por Luiz Alexandre Castanha
05/07/2019 - É difícil imaginar como seria nossa vida sem a internet e as tecnologias e soluções que ela proporciona. Acontece que, junto com mudanças de paradigmas, surgem novas problematizações e o ser humano precisa reavaliar suas formas de se conectar e viver em sociedade. Estar trabalhando no setor do conhecimento e das tecnologias educacionais me traz uma questão que se coloca além do "ser prático ou não", "melhorar nossa vida ou não" frente às novidades e evoluções: elas podem estar nos privando de nossa liberdade?

Certa vez, assisti a uma palestra do futurista Gerd Leonhard (https://www.futuristgerd.com/), em que ele comentou que, ao analisar os progressos que têm sido feitos, 90% deles é bom e 10%, ruim. Aí está dada a reflexão sobre a tecnologia ser uma ferramenta que amplia nosso alcance (de comunicação, especialmente), mas que tem seu lado positivo e seu lado negativo. Estamos todos aprendendo juntos a lidar com essa dualidade.

É fato que as novidades, de várias magnitudes e com impactos maiores ou menores, como aplicativos, robôs e assistentes virtuais podem parecer assustadoras. Há máquinas que atendem desde necessidades cotidianas, como marcar horário para cortar o cabelo e ajustar a iluminação e a temperatura perfeita do ar-condicionado de sua casa, até equipamentos, como um helicóptero elétrico, que representa uma transformação na mobilidade, ao prometer realizar viagens de curtas distâncias pelo valor de um táxi até 2022.

O que me interessa em tudo isso é perceber os aspectos preocupantes que podem surgir dessas novas formas de viver a que indivíduos, corporações e nações estão descobrindo como manter.

Isso porque, com a evolução dos recursos tecnológicos, a "faixa dos 10%", a que se referiu Leonhard, corresponde aos ataques cibernéticos que temos acompanhado, que tiram as empresas do ar e pedem resgates de seus dados (como o WannaCry, de 2017 e que teve alcance global), às fake news, às acusações de manipulações de eleições em diversas partes do mundo e até invasões de celulares de chefes de estado divulgando informações pessoais.

Como qualquer ferramenta, e aliada à aceleração que se transmitem os dados de milhões de usuários todos os dias, a tecnologia também pode ser usada para fins ilícitos.

Penso que o problema disso está em nós mesmos. Há alguns fatores que são tão avassaladores em nossas vidas que sequer damos conta dos impactos que eles podem causar, e falo isso em relação à nossa segurança. Os limites entre a exposição virtual e a real estão cada vez mais borrados. Imagine saber que cada interação e micropasso de sua vida esta sendo vigiado? Likes, compras, conversas íntimas, gostos, relacionamentos, tudo pode estar registrado e vir à tona em segundos.

Como disse Tim Cook, CEO da Apple, em seu discurso para os formandos de Stanford deste ano ao falar de privacidade na rede: "Wedeservebetter, youdeservebetter" (Nós merecemos o melhor, você merece o melhor). A fala é um convite a pensarmos sobre como trocamos nossa liberdade ao permitir que muito de nossa vida seja agregado, vendido e vazado por hackers e sistemas desconhecidos. Temos que mudar essa situação se não quisermos virar escravos dela e presos a uma vigilância digital sem fronteiras.

*Luiz Alexandre Castanha é diretor geral da Telefônica Educação Digital – Brasil e especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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A Inteligência Artificial já chegou na indústria

gustavo_baumgarten.jpg*Por Gustavo Baumgarten
02/07/2019 - Robôs que se movem de maneira autônoma e inteligente tomando decisões e prevendo cenários estão mais próximos do que se imagina. De acordo com previsões do Gartner, até o final de 2019, a Inteligência Artificial irá criar mais empregos no mundo do que extingui-los. O instituto aponta que a IA vai gerar 2,3 milhões de postos de trabalho até 2020, enquanto 1,8 milhão de empregos serão substituídos pela automação. Embora o uso de IA ainda esteja longe de ser comum aqui no Brasil, já existem aplicações na indústria que estão ao alcance de todos.

Segundo dados da consultoria IDC, os gastos globais com IA chegarão à R$ 140 bilhões este ano. Isso significa que, para além dos estudos acadêmicos, essas novas tecnologias já estão em fase de implementação. E existem diversas maneiras de se aplicar a Inteligência Artificial em equipamentos industriais. Uma delas, e talvez a mais avançada de todas, explora o ramo do aprendizado de máquinas que utiliza códigos e algoritmos computacionais para tornar um sistema capaz de tomar decisões com base em análises complexas, que aumentam a acuracidade de inspeções de qualidade, por exemplo. Com isso, podemos ter equipamentos de visão com o uso de Inteligência Artificial que permite inspecionar 100% dos produtos e embalagens produzidos.

Além dos sistemas de visão, a IA pode ser integrada à robôs móveis e colaborativos, que fazem o transporte de peças e equipamentos dentro da fábrica. Esses robôs são geralmente desenvolvidos para substituir os humanos em tarefas consideradas insalubres ou com riscos ergonômicos, seja pela repetição com que são executadas ou pelo peso excessivo envolvido no transporte dessas cargas. Os robôs podem circular de maneira autônoma por uma planta fabril e integrados à IA e são capazes de prever a necessidade de reposição de peças, entre outras atividades.

Seja qual for a finalidade da aplicação, a Inteligência Artificial representa um salto na transformação digital que caminha para uma realidade na qual a interconectividade dos equipamentos e as análises de dados tomam cada vez mais espaço em decisões estratégicas do negócio. Embora esses investimentos em novas tecnologias aliadas à IA ainda estejam ganhando popularidade no mercado brasileiro, já temos exemplos de grandes montadoras, indústrias de bens de consumo e farmacêuticas com projetos implementados ou em fase de implementação.

Os ganhos que os investimentos em tecnologias de ponta trazem vão além do aumento de performance e competitividade. Investir em robotização também está atrelado ao aumento da qualidade nos produtos e serviços e precisão nas atividades executadas por esses equipamentos inteligentes. Na prática, a transformação digital impacta positivamente todos os elos da cadeia produtiva de um setor e traz benefícios para o desenvolvimento do País. E as possibilidades são infinitas, seja por meio de processos mais inteligentes, robotizados ou automatizados, o importante é entrar no cenário digital e estar realmente preparado para acompanhar as mudanças que ainda estão por vir.

*Gustavo Baumgarten é General Manager da Pollux Vision.

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Como obter qualidade, agilidade e segurança

angelo_moura_sec.jpg*Por Angelo Moura
01/07/2019 - Com o avanço digital, cresce a demanda por aplicações desenvolvidas em menos tempo o que, consequentemente, impacta negativamente na segurança dessas aplicações que só são submetidas a testes no final do ciclo de desenvolvimento, resultando em códigos mal estruturados e vulneráveis. Como obter qualidade, segurança e rapidez para atender as demandas do mercado?

Sabemos que é custoso corrigir as vulnerabilidades de segurança dos softwares após a finalização/entrega. Por isso, o ideal é avaliar a segurança durante todo o ciclo de desenvolvimento, ou seja, desenvolver a aplicação pensando na segurança como parte desse processo e no trabalho conjunto das equipes de desenvolvimento e segurança. Esse conceito é conhecido como: DevSecOps.

Além de uma entrega eficiente e rápida, desenvolver um software embarcando segurança garante que, além de evitar vulnerabilidades, estar em compatibilidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Para exemplificar a seriedade da preservação de dados, em 2018 uma das maiores empresas de transporte privado urbano dos EUA, foi multada em aproximadamente US$ 148 milhões por ter os dados de cerca de 600 mil motoristas e 57 milhões de passageiros violados em seus aplicativos.

As plataformas de desenvolvimento seguro permitem a criação de microsserviços independentes, o que possibilita maior integração ao final do processo, mais resiliência e flexibilidade, pois o processo será contínuo e ligado ao desenvolvimento não existindo necessidade de parar a aplicação e utilizar toda a equipe para corrigir erros. Sendo assim, com a plataforma, cada parte da aplicação será trabalhada e corrigida individualmente.

Os softwares responsáveis pelo armazenamento e manipulação dos dados são alvos de cyber crimes, pois o tesouro da nossa era são justamente "informações", "dados". Por isso, além de pensar na segurança durante o desenvolvimento, cabe também adotar medidas que garantam a continuidade da segurança da aplicação. Como? Por meio da adoção de autenticação forte e criptografias, por exemplo, é possível manter essas informações protegidas e proporcionar ao usuário maior segurança na utilização da aplicação.

Sendo assim, não deixe a segurança para o final do desenvolvimento e, ainda, agregue qualidade e agilidade no desenvolvimento de suas aplicações.

*Angelo Moura é Pesquisador de Segurança Cibernética | Engenheiro de Software e DevSecOps na SEC4YOU

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O Deep Fake está cada vez mais comum

deep_fake.jpg*Por Armando Kolbe Júnior
01/07/2019 - Uma nova tecnologia no mundo da internet tem tirado o sono de muita gente: o Deep Fake. O recurso — disponibilizado inclusive de forma gratuita — é muito utilizado para colocar digitalmente o rosto de qualquer pessoa em outra. A tecnologia é utilizada principalmente em vídeos.

Criada por um usuário do Reddit (uma rede social em que os participantes podem votar no conteúdo que julgam mais relevante), trata-se de uma tecnologia que faz uso da inteligência artificial para proporcionar essa troca do rosto das pessoas, e até proporcionando uma certa realidade à nova face, com sincronização de movimentos dos lábios e outras expressões. São resultados impressionantes — tanto que ninguém pode se considerar livre da possibilidade de ter seu rosto incluído em um vídeo editado.

Tudo começou no ano de 2017, mais precisamente em dezembro, quando um usuário do Reddit chamado “deepfakes” utilizou inteligência artificial e aprendizado de máquina para criar algoritmos com o objetivo de “treinar” uma rede neural. Essa rede mapeia o rosto de uma pessoa no corpo de outra. Isso seria feito quadro a quadro.

No início, era necessário ter conhecimentos avançados para utilizar o Deep Fake. Entretanto, após a criação de diversos apps, os processos foram automatizados, tornando-se mais acessíveis e aumentando a utilização criminosa da ferramenta. Começaram a surgir diversos vídeos pornográficos estrelados por personalidades diversas. Uma das falhas que pode ser observada nesses vídeos é que os coadjuvantes quase não piscam.

Além dos filmes pornográficos, algumas personalidades estão sendo colocadas em locais e situações em que nunca estiveram, trazendo inúmeros constrangimentos. Infelizmente é possível, inclusive, criar um álibi, forjar um momento e colocar, por exemplo, um CEO ou mesmo um político em situações de difícil reparação — principalmente frente ao imediatismo das pessoas em não entender que determinado vídeo pode ser falso e que a manipulação depende da criatividade do editor e de quantos vídeos da celebridade (ou mesmo seus) estejam disponíveis facilmente na internet.

Um caso recente envolveu o partido político da Bélgica Socialistische Partij, anders (Partido Socialista, Mas Diferente) que criou e divulgou o Deep Fake. Nesse caso, um falso Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, solicitava à população do país belga o voto pela renúncia ao Acordo de Paris, um tratado que rege políticas climáticas. O vídeo utilizou-se de psicologia reversa, já que concluiu-se que a maioria do povo votaria contra somente para contrariar a mensagem do presidente americano.

Uma das maneiras de nos protegermos dessas ferramentas de manipulação é evitar o compartilhamento de vídeos com desconhecidos, ou mesmo não postá-los em redes sociais, dificultando assim o trabalho do editor em pegar seu rosto e colocá-lo em outro vídeo comprometedor.

Além dos vídeos, vemos constantemente nas notícias questões sobre assuntos que viralizaram nas redes sociais, como áudios e textos atribuídos a famosos, mas que na verdade são #FAKE.

O maior problema é o discernimento do que é verdadeiro e falso. Portanto, recomenda-se evitar a distribuição de textos, áudios e vídeos sem o conhecimento da fonte original. Fazendo isso, pode-se facilmente cometer o erro de distribuir notícias falsas e atender aos interesses de criminosos.

*Armando Kolbe Júnior é professor do curso de Investigação Profissional do Centro Universitário Internacional Uninter.

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Corinthians divulga balanço da parceria com IBM

corinthians.jpg28/06/2019 - Há pouco mais de 5 meses, o Corinthians passou a contar com os serviços da IBM para a reinvenção digital do clube, voltada à gestão e inovação do programa Fiel Torcedor e dos serviços oferecidos na Arena Corinthians, em Itaquera, São Paulo. Passados os primeiros 150 dias de parceria, o clube e a empresa trazem um balanço dos trabalhos desenvolvidos até aqui.

Os primeiros dias do projeto foram voltados para a implementação da infraestrutura de TI da Arena e a criação de um modelo de gestão capaz de receber inovações futuras. A equipe envolvida focou seus esforços na transformação da arquitetura da informação como, por exemplo, a troca de servidores e a migração da cloud - nuvem pública – do cliente para a nuvem da IBM.

Neste período, a IBM trabalhou também na modernização das catracas de acesso dos torcedores ao estádio e já desenvolveu um novo design, especialmente para atender ao público PCD (pessoas com deficiência), que será implementado até o final do ano. Além disso, foi realizada modernização e melhoria na segurança física da Arena e entorno, com a colocação de novas câmeras e sistemas de monitoramento por meio da sala de controle.

O escopo dos primeiros dias também envolveu o site do programa Fiel Torcedor, que também passou por reformulação. O layout está mais leve, moderno e responsivo e o site pode agora ser acessado de qualquer dispositivo móvel, como PC, smartphone e tablet, provendo a mesma experiência ao usuário. O canal recebeu, ainda, novas funcionalidades, como cadastro fácil com login via Facebook, processo simplificado para compra de ingressos, com recebimento de e-ticket para acessar a Arena, opção de impressão de QR Code e possibilidade de trocar as cadeiras dentro do setor.

Outras novidades e funcionalidades envolvendo as catracas e acesso ao estádio estarão prontas até o fim do ano e incluem biometria sem toque ("untouch") para funcionários, membros da imprensa e torcedores nas áreas VIP da Arena, além de adaptação do código de venda de bilhetes e do dispositivo de acesso para o atual padrão aberto FIFA.

Crédito: Bruno Teixeira/Ag. Corinthians

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