Uso da Realidade Aumentada deve crescer

RA.jpg15/01/2014 - Embora a adoção da Realidade Aumentada (AR) na empresa esteja no início, a tecnologia AR amadureceu a um ponto em que as organizações podem usá-la como uma ferramenta interna para complementar e melhorar os processos de negócios, fluxos de trabalho e treinamento de funcionários. De acordo com o Gartner, líder mundial em pesquisa e aconselhamento sobre tecnologia, a AR facilitará a inovação do negócio, permitindo a tomada de decisão em tempo real, por meio de prototipagem virtual e visualização de conteúdo.

Gartner Says Augmented Reality Will Become an Important Workplace Tool
Augmented Reality Has Broad Business Potential

Although the adoption of augmented reality (AR) in the enterprise is still in its infancy, AR technology has matured to a point where organisations can use it as an internal tool to complement and enhance business processes, workflows and employee training, according to Gartner, Inc. Gartner said that AR facilitates business innovation by enabling real-time decision making through virtual prototyping and visualisation of content.

"Augmented reality is the real-time use of information in the form of text, graphics, audio and other virtual enhancements integrated with real-world objects," said Tuong Huy Nguyen, principal research analyst at Gartner. "AR leverages and optimises the use of other technologies such as mobility, location, 3D content management and imaging and recognition. It is especially useful in the mobile environment because it enhances the user's senses via digital instruments to allow faster responses or decision-making."

Mr Nguyen said that AR is particularly powerful for:

• Discovering things in the vicinity — for example, enclosed objects generating heat.
• Presenting real-world objects of potential special interest — for example, detecting and highlighting objects generating higher than normal levels of radiation.
• Showing a user where to go or what to do — for example, helping a worker make a repair in a hazardous environment where visibility is low.
• Providing additional information about an object of interest — for example, distance, size or level of danger.

AR services use various device sensors to identify the users' surroundings. Current implementations generally fall into one of two categories — location-based or computer vision. Location-based offerings use a device's motion sensors to provide information based on a user's location. Computer-vision-based services use facial, object and motion tracking algorithms to identify images and objects. For example, being able to identify a shoe among numerous objects on a table, Google Goggles (imaged-based search), or optical character recognition (OCR).

The business potential for AR has increased through improvements in location services and image recognition. The precision of indoor location services has increased significantly, and this greater accuracy allows businesses to use AR location features for vehicle, campus and in-building navigation and identification. Image recognition capabilities in AR solutions allow user organisations to use these AR capabilities in processes that require staff to visually identify objects and parts and for real-time decision making. For example, fire-fighters can use AR to find out ambient temperature or a building layout so they know exits, and potentially dangerous areas. These technologies together provide various benefits to using AR as an internal tool. This includes enhancing current business process, facilitating and optimising the use of current technologies, and providing business innovation.

Nevertheless, while organisations have used AR for internal purposes in the past, these have been for specific and limited tasks and organisations have developed these solutions internally using custom hardware and software. Some companies are experimenting with how they can best use AR as an internal tool. Gartner expects to see moderate adoption of AR for internal purposes over the next five years as the availability of powerful handheld devices, such as smartphones and tablets, and more portable, convenient and affordable head-mounted displays is making internal AR applications more widely available.

"AR is most useful as a tool in industries where workers are either in the field, do not have immediate access to information, or jobs that require one or both hands and the operator's attention," said Mr Nguyen. "As such, the impact on weightless industries is lower because these employees often have constant and direct access to the information they need (such as knowledge workers)."

Mr Nguyen said that AR provides the highest benefit to efficiency. It has the potential to improve productivity, provide hands-on experience, simplify current processes, increase available information, provide real-time access to data, offer new ways to visualise problems and solutions, and enhance collaboration. IT organisations can use AR to bridge the digital and physical world. AR is an opportunity for IT to provide leadership to enhance the enterprise's interaction with its internal user base.

AR adoption risks do apply to the current environment, as with other technologies that are new and unproven. However, Gartner said these risks will decrease over time as implementations and use cases mature. Prior to deploying an AR solution as an internal tool, companies must identify a clear goal or benefit for the deployment, such as improved access to information, or to provide training and assess how the organisation can use AR to reach this goal.

More detailed analysis is available in the report "Innovation Insight: Augmented Reality Will Become an Important Workplace Tool." The report is available on Gartner's web site at http://www.gartner.com/document/2640230?ref=QuickSearch&sthkw=%22augmented%20reality%22.

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Google compra a Nest por US$ 3.2 bilhões

matt_larry_tony.jpg14/01/2014 - A Google anunciou nesta segunda-feira, (13) que adquiriu por US$ 3.2 bilhões a Nest Labs. A empresa produz o termostato inteligente Nest, que pode ser programado através de um smartphone e ajuda o usuário a economizar energia, e um detector de fumaça chamado Nest Protect, que elimina muitos dos inconvenientes dos modelos tradicionais.

Os aparelhos da Nest podem alavancar os planos da Google de se tornar mais presente nos lares dos consumidores, algo que a empresa já tenta fazer com aparelhos como o Chromecast e os portáteis Chromebook, além de smartphones e tablets Android.

Mas suas ambições podem ser maiores. Nest é uma das apostas que o Google está fazendo em tecnologias futuristas, incluindo robôs e carros de auto-condução. Juntos, os movimentos sugerem que o Google pretende automatizar mais de nossas vidas, mesmo que não esteje claro como a empresa vai ganhar dinheiro fazendo isso.

Larry Page, CEO da Google, disse em um press release que Tony Fadell e Matt Rogers, fundadores da Nest, "construíram uma equipe tremenda, e estamos empolgados em recebê-los na família Google". Entre 2001 e 2008 Fadell trabalhou na Apple, onde desenvolveu o iPod e supervisionou o desenvolvimento de várias gerações do aparelho. Fadell e Rogers irão trabalhar na Google com o restante de sua equipe.

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Mustang: AppLink e apps com comando de voz

mustang_syncapplink2.jpg14/01/2014 - A Ford apresentou na CES 2014, a maior feira de tecnologia do mundo, em Las Vegas, uma nova versão do sistema AppLink e aplicativos que permitem desde reservar uma vaga de estacionamento até pedir pizza por comando de voz. O novo Mustang, eleito o "carro oficial" da feira, será o primeiro modelo nos Estados Unidos a oferecer o equipamento.

Entre outras aplicações, a nova versão do SYNC AppLink permite o acesso a vários dados do veículo em tempo real, como velocidade, aceleração, hodômetro e localização, para personalizar a experiência do usuário. O sinal do GPS, por exemplo, pode dar uma localização mais exata para pesquisa de serviços que o celular.

Novo funcionamento

Além de um sistema aprimorado de comando de voz, a nova versão do SYNC AppLink incorpora novas funções e menus mais simples para tornar seu uso mais intuitivo. Para iniciar um aplicativo, por exemplo, basta apertar o botão de voz na direção e dizer o seu nome, sem ter de falar antes o comando "aplicativos móveis".

A opção de usar o sistema de reconhecimento de voz do aparelho, ou outros na nuvem, permite ao motorista manter o mesmo padrão de voz para controlar o aplicativo quando está conectado ao veículo ou fora dele. O equipamento oferece ainda a leitura automática de alertas em voz alta quando o motorista entra no carro.

Os aplicativos

O pacote de novos aplicativos para o sistema SYNC AppLink que a Ford apresentou na CES e estarão disponíveis em breve no mercado norte-americano inclui:

• "HABU Music", da Gracenote, o primeiro aplicativo que permite ao motorista tocar automaticamente listas de músicas montadas por gêneros musicais;
• "Parkopedia", para localizar vagas de estacionamento disponíveis na região e saber preços. O sistema conta com mais de 28 milhões de pontos de estacionamento registrados nos EUA;
• "Parkmobile", para pagar o estacionamento usando o smartphone, com cartão de crédito ou débito;
• "ADT Pulse", para ligar ou desligar remotamente sistemas de segurança em casa ou no trabalho e verificar se portas e janelas estão fechadas;
• "Easy Order", para fazer pedidos de entrega e retirada de pizza na Domino´s Pizza, a maior rede mundial do gênero.

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CEOs apostam no uso de novas tecnologias

14/01/2014 - Uma pesquisa realizada pela revista Forbes, com 409 CEOs do varejo, distribuídos em oito países, foi o destaque do painel "Navigating Retail's Relentless Reality: What CEOs Are Doing To Thrive in a Consumer-Driven World", painel da NRF 2014. Destes 409 CEOS, 53% estão entre os 1000 maiores varejistas o mundo – e 27% entre os 250 maiores, o que mostra a representatividade do estudo. "O mercado está mudando. Alguns estão otimistas em relação ao futuro; outros, não", diz Hamish Brewer, CEO da JDA, empresa de software e parceira da Forbes na pesquisa.

O modelo de negócios de varejo, segundo Brewer, não mudou muito nos últimos 50 anos. Mas, com o desenvolvimento de novas tecnologias, evolução do canal de vendas, da cadeia de suprimentos e do surgimento de uma nova mentalidade de consumo, tudo vai mudar – e, nesse ponto, a maioria dos executivos está de acordo em relação a uma mudança inevitável no panorama de varejo.
O ambiente de negócios está cada vez mais complexo, seja em função da tecnologia, seja em relação à concorrência. Um dos efeitos dessa mudança é o desafio de não apenas oferecer disponibilidade de produtos, mas dar visibilidade ao produto. É mostra-lo em todos os canais de venda, utilizando o estoque da empresa da melhor maneira. "Isso requer uma infraestrutura tecnológica forte, pois um produto demandado pelo site eventualmente terá de ser buscado no estoque da loja física, sem que o consumidor tenha a menor ideia do que aconteceu no meio deste processo", afirma Alberto Serrentino, sócio da GS&MD Gouvêa de Souza.
Nos últimos tempos, fala-se muito numa mudança inexorável no processo comercial, especialmente na criação do chamado "omni channel" – um canal de vendas que cercará o consumidor em todas as oportunidades que surgem durante o dia a dia. Para os CEOs ouvidos por Forbes, 34 % deles consideram o "omni channel" inevitável, que vai ocorrer num futuro próximo. Os varejistas, ainda, consideram o "omni channel" uma "ameaça inevitável". Isso porque muitos fabricantes vão utilizar essa plataforma de vendas, o que pode reduzir os resultados das lojas físicas.
Mais que dois terços dos pesquisados estão otimistas. Cerca de 69% acreditam em crescimento para suas operações de varejo. Os CEOs alemães, entre todos, são os mais confiantes em apostar no crescimento.
O chamado cliente da Era da Informação também foi abordado no painel. Ele quer ter tudo à disposição, em qualquer lugar e a qualquer hora. "Nossa prioridade é manter o cliente voltando para nossa loja", diz Ken Hicks, Chairman e CEO da Foot Locker. "Para isso, nós treinamos e armamos os vendedores com as mesmas ferramentas de informação que o cliente tem na mão – smartphones e tablets".

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VMware nomeia Ben Fathi como novo CTO

Ben_Fathi_VMware.jpg13/01/2014 - A VMware anuncia Ben Fathi como novo Chief Technology Officer. Fathi atuou mais recentemente como vice-presidente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na VMware e está na empresa desde 2012. Fathi oferece experiência na gestão de grandes equipes globais e em inovação, com foco nas necessidades dos clientes e na qualidade dos produtos. Esta nomeação passa a valer imediatamente e Fathi vai se reportar a Pat Gelsinger, Chief Executive Officer da VMware.

"À medida que simplificamos cada vez mais a complexidade da TI em todo o data center para os nossos clientes, dependemos dos nossos líderes de tecnologia, como Ben Fathi, para garantir o foco na inovação combinado com o seu histórico de entregar produtos de alta qualidade", afirma Gelsinger. "Estou feliz em ter Ben como o novo CTO da VMware, já que ele vai liderar o desenvolvimento de produtos e programas, colaborar com a comunidade acadêmica e oferecer liderança para a nossa comunidade de P&D agora e nos próximos anos."

Fathi tem mais de 30 anos de experiência em tecnologia e em desenvolvimento de sistemas operacionais. Na sua função anterior na VMware como vice-presidente sênior de P&D, Fathi chefiou as equipes responsáveis por produtos cruciais e inovações que atingiram novos patamares de escala, desempenho e confiabilidade.

Antes de entrar na VMware, Fathi atuou como vice-presidente sênior da Cisco, liderando os times de sistemas operacionais e de protocolos de rede. Antes da Cisco, teve diversos cargos na Microsoft em uma passagem que contou 12 anos, sendo a posição mais recente como vice-presidente corporativo de desenvolvimento na divisão principal de sistemas operacionais do Windows.

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'A cidade do futuro deve ser como Paris'

Joichi.jpg02/12/2013 - Diretor do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Joichi "Joi" Ito, diz que Brasil precisa inovar mais e saber melhor o inglês. Com um orçamento anual de US$ 40 milhões -85% da iniciativa privada (mas com liberdade total de criação) e 15% do governo americano - o Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT) é um dos principais centros de inovação e tecnologia do mundo. Em mais de 350 projetos, seus pesquisadores estudam desde alternativas para melhor interação de crianças autistas ao desenvolvimento de impressoras em 3D e projetos para combater as mudanças climáticas nas grandes cidades.

Desde sua inauguração, em 1985, os cientistas do laboratório do MIT deram importantes contribuições para o desenvolvimento da internet, da TV digital, do brinquedo Lego, do jogo Guitar Hero e do leitor eletrônico Kindle. O Media Lab é desde 2011 dirigido pelo japonês Joichi "Joi" Ito.

Aos 46 anos, o ex-empresário e jornalista nunca terminou as duas faculdades que cursou: se diz um autodidata. Gosta de mergulhar e é DJ nas horas vagas, mas dirigir este laboratório "anti-disciplinar" tem-lhe tomado muito tempo ultimamente. Joi esteve em São Paulo para o Challenge Inovation 2013, em maio. O evento foi realizado por empresários em parceria com o MIT, para debater inovação e tecnologia.

Em entrevista ao GLOBO para Mariana Timóteo da Costa, além de explicar o que é a abordagem anti-disciplinar de seu laboratório, Joi fala de como Paris é uma cidade próxima de seu ideal de futuro, além de dar dicas para quem quiser se destacar no mundo atual: saber usar bem a internet, aprender inglês, e talvez chinês, além de deixar a criatividade fluir.

O GLOBO: A quantidade de patentes que a pesquisa americana produz, afirmam especialistas, sustentará a economia dos EUA por muito tempo. Como países que estão anos luz atrás nesta busca por conhecimento e inovação, como o Brasil, podem reverter essa situação?
JOI: Eu não acho que todos nós precisemos ser inovadores do mesmo jeito. Cada país tem que buscar no que ser bom. É claro que os EUA estão obviamente muito à frente de diferentes maneiras. Em capital, em universidades, em instituições de ponta. O país consegue atrair pessoas muito inteligentes dos mais variados países. E uma opção-chave para muitos países hoje é mandar profissionais aos EUA, para serem educados e depois voltarem a seus países.
Muitos chineses e sul-coreanos fazem isso. A presidente Dilma Rousseff visitou recentemente o MIT e ela quer tentar trazer mais estudantes brasileiros para cá. Com esperança alguns ficarão, mas outros podem voltar ao Brasil levando consigo conhecimento e inovação. Eu acho que é isso: focar em fortalezas pessoais, conhecer mercados locais, mas também fazer parte da comunidade internacional de conhecimento, se conectar globalmente. O Brasil tem uma juventude vibrante, cada vez com mais acesso a dinheiro e educação e isso oferece grandes oportunidades porque vocês têm mercado, só precisam é estar mais antenados com o que acontece no mundo.

O GLOBO: Mas o senhor não acha que este especialista, quando estuda lá fora e volta ao seu país, precisa de uma melhor estrutura para trabalhar? Muitos pesquisadores no Brasil, por exemplo, reclamam da burocracia para se conseguir materiais, dos altos impostos, das pífias instalações, da logística ...Isso não frustra o profissional?
JOI: Há duas coisas aí. Trabalhar com algumas tecnologias hoje não requer muito dinheiro, ou seja, você não precisa de muito para começar. Há muitas empresas com capacidade para investir em pesquisa. O apoio de um governo é importante, claro, mas se você criar experimentos pequenos, e eles tiverem sucesso, as mudanças ocorrem fora do guarda-chuva público. O empreendedorismo é muito importante, e bons empreendedores não deixam "patrões" interferirem tanto, simplesmente fazem. Definitivamente reformas no governo e no financiamento ajudam muito, mas acho que não dá para esperar por eles, porque eles levam muito tempo. As pessoas precisam quebrar as regras e ir. Quando algo fica grande, o governo até pode financiar, mas você pode começar pequeno. Só é preciso duas coisas: internet e pessoas inteligentes.

O GLOBO: Mas economias atualmente inovadoras como a americana e a sul-coreana possuem muito investimento em, por exemplo, educação básica.
JOI: O empreendedorismo na Coréia do Sul começou quando o sistema quebrou. Mais do que educação formal, o importante é que os intermediários saíram do caminho e deixaram os jovens se auto-desafiarem. Isso valeria para o Brasil também. Nos EUA, que têm um sistema educacional gigantesco e já estabelecido, isso é muito difícil de mudar: há muito dinheiro, muita estrutura. O Brasil poderia começar pequeno, uma educação mais voltada para o século XXI, mais orientada para a internet. Um início mais informal. Eu sou suspeito para falar porque acredito num sistema educacional descentralizado, mas há muito o que fazer sem ter tanto apoio e nem tanta estrutura. Não é preciso uma grande quantidade de empresas tampouco. Na Coréia do Sul, no Japão, são poucas as empresas que fazem a economia girar. Claro que o Brasil é maior, mas há espaço para o país ser mais ágil e tentar mais coisas. Dentro e fora do governo.

O GLOBO: Mesmo quando se tem crianças sem receber uma educação de qualidade, saindo da escola mal sabendo ler e escrever?
JOI: Deve-se trabalhar nisso, com certeza. Mas o ponto é, não se deve tampouco esperar por isso. É importante criar exemplos, é importante apoiar pessoas pobres, mas eu não tive uma educação formal (Joi não terminou nenhuma universidade).Nós do MIT trabalhamos em áreas muito difíceis como o subúrbio de Detroit ou Nairóbi, no Quênia, onde estamos construindo um laboratório e presenciando uma grande quantidade de inovação. É importante sim construir um sistema de educação básica, de aprendizado, não digo que isso não é importante. Mas você pode começar, em termos de inovação, pescando algumas crianças criativas, que estão prontas para oferecer o melhor de si, e dar-lhes uma chance. O MIT não foi construído só com dinheiro, você tem que ter vontade para isso. Sou otimista em relação ao Brasil. Dando uma motivação certa, você não necessariamente precisam de tanta estrutura.

O GLOBO: E qual o papel da internet nisso?
JOI: É essencial, porque a rede democratizou a informação e abriu o leque de oportunidades. Uma outra coisa: a internet está mudando a cadeia produtiva, a fabricação, a entrega de produtos. Muitas indústrias que antes ficavam trancadas em seus países agora estão se tornando globais. O desafio para o Brasil é aproveitar seus muitos recursos e seu grande mercado interno. Para se conectar mais, no entanto, as pessoas têm que aprender melhor inglês, o idioma da internet. Não dá para ser inovador sem saber inglês. Quem sabe também chinês, daqui a um tempo.

O GLOBO: No Media Lab vocês trabalham em vários projetos sobre o futuro das cidades. A América Latina, mais do que qualquer outra região do mundo, é a que terá mais gente vivendo em cidades nos próximos anos. Como essas cidades deverão ser daqui a 20 anos?
JOI: Precisarão ser melhor habitáveis. Mais parecidas com Paris que, apesar de ser muito antiga, é futurística ao ter várias pequenas cidades dentro dela. Você encontra de tudo (cafés, farmácias, escritórios) a uma distancia caminhável de onde você está. O carro é dispensável no cotidiano. Há muitas cidades que se tornaram muito dependentes do carro, e isso é insustentável no futuro. Estamos trabalhando num monte de tecnologia para mudar este estilo de vida, para aproximar os moradores dos locais e dos serviços. Temos um projeto chamado City Science (Ciência da Cidade), que nos obriga a pensar em formas diferentes de viver na cidade.

O GLOBO: Pode dar alguns exemplos?
JOI: Estudamos sistemas de aluguel de bicicletas e carros elétricos onde você não é dono, mas divide. Aplicativos móveis são usados para descobrir onde esses veículos estão, qual o melhor caminho a percorrer, sem trânsito. O usuário pode receber pontos e gratificações se devolver o carro em zonas menos engarrafadas, por exemplo. Trabalhamos também em "espaços reconfiguráveis", que mudam de escritórios para quartos de dormir ou salões de entretenimento. Há possibilidades muito interessantes no ramo da arquitetura. Projetos ainda de alimentos hidropônicos (sem a necessidade de solo), que podem crescer dentro de prédios, trazendo a agricultura para mais perto das casas, dos edifícios de apartamento. Isso tudo resolveria problemas de espaço, problemas de poluição. Ao meu ver, as mudanças climáticas são o maior desafio da Humanidade. Prevenir e se preparar para elas vai evitar o pagamento de contas mais caras no futuro. Somos defensores da "sharing economy", ou economia compartilhada, como a melhor maneira para atingir esses objetivos.

O GLOBO: O senhor fala que o Media Lab é anti-disciplinar. O que é isso?
JOI: Não acho que todos os centros de pesquisa têm que ser anti-disciplinares, mas nós somos. Significa que seus pesquisadores entram ali sem um rótulo, sem um campo de pesquisa especifico, para trabalhos que não se encaixam numa disciplina, muitas vezes vão além de qualquer uma que existe. A idéia é sair dos espaços existentes para criar coisas novas. É como eu sempre digo: "Ninguém ganha um Nobel seguindo ordens".

O GLOBO: Então o senhor acha possível um brasileiro nascido na favela ganhar um Nobel?
JOI: Com certeza. O MIT é fora da curva por ser anti-disciplinar. Mas no Japão e em muitos países, as grandes universidades não têm prêmios Nobel, pode reparar. O prêmio acontece nas beiradas, justamente porque é fora de ambientes tão estruturados que as pessoas aprendem a pensar de maneira não convencional. Eu acho que você tiver uma educação não tradicional você é capaz de pensar de forma mais inovadora.

O GLOBO: O quão importante é parar um pouco de trabalhar para desenvolver a criatividade? O que uma empresa deve fazer para estimular a criatividade de seus funcionários?
JOI: É muito importante não trabalhar o tempo todo. É preciso combinar foco e execução, e criatividade requer tempo para desenvolver uma visão mais periférica e se dar permissão de tentar coisas novas. O custo da inovação caiu muito; atualmente as empresas gastam mais tempo discutindo novas tentativas do que gastam dinheiro experimentando-as. Estimular funcionários a tentar sem eles terem que pedir permissão para isso é, ao meu ver, a chave para a criatividade aparecer.

Joichi "Joi" Ito, diretor do MediaLab do MIT, conversa com colegas
Foto: Divulgação

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