A experiência do consumo está se transformando

Por Gastão Mattos
12/06/2017 - O ato de comprar está evoluindo através da tecnologia. Um dos eventos mais importantes da vertical e-commerce nos EUA, o Internet Retailer Conference & Expo (IRCE), pautou em sua edição deste ano, conteúdos relacionados à nova amplitude do consumo. Existe uma constatação de que temos novas demandas associadas e que elas são evolutivas, ou seja, em fase de transformação.

Os consumidores estão rompendo fronteiras, misturando conceitos e trazendo novas premissas para todos os processos, mesmo os mais corriqueiros e usuais como comprar. O marketing de consumo não pode ser mais explicado pelos tradicionais P's: Produto, Preço, Praça e Promoção, pois existe algo diferente, quase emocional e lúdico: a experiência associada ao ato de comprar, abrangendo antes, durante, e depois desta compra. Este novo ingrediente ganha uma relevância maior e desbanca o peso dos demais para o consumidor moderno.

Provavelmente, o expoente máximo desta transformação é a Amazon, porque ela soube entender antes de todos o que estava acontecendo e o que estava por vir. E, tal qual a Apple, em produtos, ajudou a evidenciar novas necessidades no mercado consumidor.

Praticamente tudo no IRCE 2017 fez referência direta ou indireta à Amazon. O varejo, ao menos nos EUA, se divide em três grupos: a Amazon; os concorrentes da Amazon; e um terceiro grupo que já entendeu que não poderá competir; então, tenta de alguma forma participar de seu sucesso, no market place Amazon.

No grupo dos competidores, o grande desafiador ou (desafiado?) é o Walmart, que em 2016 faturou US$ 15,8 bilhões nas vendas online, face a US$ 123,7 bilhões da Amazon. A diferença fica ainda mais forte, se considerarmos que o crescimento bruto em vendas da Amazon de 2015 para 2016 foi de US$ 24,6 bilhões, ou seja, somente este aumento é maior do que todo o faturamento Walmart no ano. Outra observação importante é a métrica do faturamento total, envolvendo todos os canais. Nela, o Walmart registrou US$ 481,3 bilhões no ano passado. A liderança desta batalha é relativa, pelo critério somente online e venda total. Mas será que esta separação ainda procede?

A segmentação – físico x online – deixou de fazer sentido, afinal o consumo entre canais se transformou em algo único. O consumidor é o mesmo e a Amazon deixou de ser apenas online. Sua operação no Amazon Fresh (ainda somente em Seattle), e a nova Amazon BookStore (em Nova York, San Francisco, entre outros), deixa claro que a Amazon está mudando sua amplitude de atuação e vai desafiar o Walmart em seus domínios.

Enquanto esta batalha se desenrola, o que sobra para os demais? Não dá para competir com estes colossos, mas existe oportunidade nos nichos de mercado. Contudo, é necessário oferecer serviços diferenciados, uma vez que o consumidor está viciado em experiências envolventes, nas fases pré, durante e pós compra.

A inovação e o uso de tecnologia são ferramentas essenciais para um projeto comercial vencedor. Novas ideias e abordagens com tecnologia se manifestam exponencialmente. Mas, nem todas elas vingarão. Faz parte do desafio, saber interpretar o match de adequação de uma ideia ou inovação com a demanda de mercado.

No IRCE 2017, várias novas tecnologias foram apresentadas, mas em estágio heterogêneo de desenvolvimento. Algumas talvez ainda sejam grandes apostas, enquanto outras já estão ganhando escala. Entre as referências, estão:

- Monitoramento em tempo real: capacidade de monitorar movimento, interação do consumidor dentro da loja e sua rota (onde parou, o que tocou, quanto tempo gastou em cada parte da visita, se comprou ou não), tudo transformado em massa de dados para análises e futuras melhorias, seja na distribuição da prateleira ou layout de loja, o mesmo em modelos preditivos de influenciar o consumo.

- Provadores Inteligentes: tecnologia que permite experimentar roupas sem vesti-las. A novidade já foi disponibilizada pela Ralph Lauren em uma de suas lojas em Nova York e é um exemplo interessante para aplicação tanto off como online.

- Chatbots: em uso em escala por lojas como a Sephora nos EUA, e já presente no Brasil, este mecanismo de compras via messenger é promissor à medida que agrega valor ao consumo rápido e casual do público jovem.

- Personalização: o uso de Machine Learning e Inteligência Artificial para poder endereçar a oferta de modo mais pessoal possível é uma aposta bastante promissora. Com poucas exceções, o novo consumidor gosta de algo especial e definido para seu perfil. Particularizar o consumo massificado é o desafio do momento, evitando ofertas intrusivas, e inadequação de abordagem.

- Realidade Aumentada: esta tecnologia já utilizada pela Sephora e a Ikea nos EUA, consiste em "provar" ou "testar" o produto virtualmente. Seu uso vale tanto para compras online como físicas nas quais se deseja simular uma nova realidade após o consumo.

- Internet das Coisas (IoT): é interessante como empresas líderes e influenciadoras como Google (Google Home), Amazon (Alexa) e Apple (Apple HomePod), apontam na mesma direção pelo uso de devices conectados à Internet, que agregam funcionalidades e simplificam compras. Apple, Amazon e Google não devem estar errados. A evolução acelerada do IoT está sendo impulsionada por estas grandes plataformas, criando uma nova forma para compras recorrentes.

- Revolução nos Modelos Logísticos – A logística não evoluiu com a mesma velocidade, comparada a outras verticais da cadeia de consumo, mas parece que chegou o seu momento, com múltiplas aplicações e modelos revolucionários em estudo. Temos a experiência com Drones para alguns tipos de entrega e o já efetivo uso de robôs em centros de distribuição, automatizando parte das funções de picking e packing. O uso de impressoras 3D também pode afetar o processo logístico, permitindo a produção em tempo real de itens de encomenda, que de outra forma demorariam dias para produção e entrega.

No Brasil, o IoT e o uso de Inteligência Artificial são as tecnologias já em uso ou próximas de seus primeiros passos. Embora o mercado brasileiro tenha características próprias e esteja distante da polarização Amazon x Walmart nos EUA, temos aqui algumas semelhanças quanto à concentração, difusão de market places e oportunidades para novos empreendimentos online de nichos. Entendo que o desafio do nosso mercado, embora diferente em sua composição e agentes, é bem semelhante ao que se observa no principal mercado de consumo, os Estados Unidos, ou seja, as oportunidades para novos empreendimentos estão em nichos. Além disso, o uso de tecnologias para criar, ampliar e melhorar a experiência de consumo é uma premissa competitiva importante. Nosso consumidor, tal qual nos EUA, demanda inovação e novos valores atrelados em seu consumo.

*Gastão Mattos, CEO da Braspag, empresa do grupo Cielo
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RedBelt vence o Microsoft Enterprise Mobility Award

redbelt.jpg09/06/2017 - A RedBelt, empresa que oferece soluções de TI com foco em Segurança da Informação, Computação em Nuvem e Desenvolvimento de Aplicações, é a vencedora do “Microsoft Enterprise Mobility Award 2017 LATAM”, uma das categorias do Microsoft Partner of the Year Awards. O prêmio reconhece a empresa como melhor parceira em soluções Microsoft EMS (Enterprise Mobility + Security) na América Latina e Caribe por demonstrar excelência e inovação na implementação e serviços da tecnologia em seus clientes.

“Receber este reconhecimento da Microsoft numa premiação tão disputada nos mostra que estamos no caminho certo. Nosso know-how em segurança é fundamental para aplicar a sinergia de soluções tecnológicas com a eficiência necessária para nossos clientes”, explica Gustavo de Camargo, CEO da RedBelt .

A empresa se destaca frente ao mercado com ofertas que abrangem diversas soluções Microsoft, para atender diferentes áreas das empresas. Com conhecimento focado em Microsoft EMS, provê gerenciamento de acessos, identidade e segurança e tem um time capaz de analisar o ambiente dos clientes e colocar as diversas funcionalidades da plataforma em produção, considerando cada necessidade e cenário atual de negócios.

A premiação contou com 2.800 inscrições de 115 países em 2017. Além da vitória em Mobilidade Corporativa e P-Seller, a empresa conquistou o prêmio global como Parceiro do Ano 2017 na categoria Cloud for Global Goods e oo prêmio LATAM nessa mesma categoria, pela ação social com a instituição Gerando Falcões, com um curso de programação Microsoft para 30 jovens da comunidade de Poá.

“A inovação e forte experiência que os parceiros da Microsoft continuam oferecendo são demonstrados pelos vencedores dos prêmios deste ano ”, diz o vice-presidente corporativo Ron Huddleston, One Commercial Partner, da Microsoft. “Estamos satisfeitos em reconhecer a RedBelt como ganhadora do Microsoft Enterprise Mobility LATAM 2017”, conclui.


 

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Aumente o ROI da sua empresa com chatbots

chatbot.jpg*Por Mateus Azevedo
06/06/2017 - Muito se tem falado sobre a evolução da Inteligência Artificial (AI, em inglês) e as inúmeras possibilidades que ela oferece, mas nem todos sabem como elevar as receitas com o uso desta tecnologia. De acordo com IDC, as receitas de empresas de tecnologia focadas neste setor deverão saltar de US$ 8 bilhões para US$ 47 bilhões em 2020. Já uma pesquisa realizada pela Accenture estima que a AI poderá dobrar o crescimento econômico anual de diversos países até 2035, como os Estados Unidos, que deve aumentar o PIB de 2,6% para 4,6%.

Entretanto, o potencial de lucratividade proporcionado pela AI não atinge apenas empresas de tecnologia. O Estudo Global de Tendências realizado pela Tata Consultancy Services, registrou aumento da receita entre 5% a 16% para empresas que investiram na tecnologia entre 2014 e 2015. As que alcançaram maior aumento da receita e redução de custos investiram cinco vezes mais em AI. Segundo o IDC, os chatbots voltados para serviços ao consumidor, sistemas de gestão e referência, serviços de medicina diagnóstica e aplicativos antifraude foram as utilizações mais rentáveis da AI em 2016. Nos próximos cinco anos, os setores de segurança pública, diagnósticos médicos, logística e pesquisas farmacêuticas são os que terão maior crescimento de receita com a Inteligência Artificial.

Muitos irão se perguntar: mas como é possível elevar a receita? A solução é substituir a força de trabalho pelos chatbots? Não necessariamente. O relatório da Accenture também afirma que tecnologias relacionadas a sistemas cognitivos elevarão a produtividade do trabalho em até 40%. Isso significa que esta mesma força de trabalho pode ser aproveitada para atividades que realmente requeiram interação humana, como processos de gestão, análise de dados, desenvolvimento, entre tantas outras. Além disso, cada vez mais, os clientes desejam respostas ágeis e eficientes, independentemente do tipo de serviço ou produto contratado.

A Inteligência Artificial e, especificamente os chatbots, permitem retornos instantâneos e objetivos, elevando a satisfação e flexibilidade de escolha, o que resulta em mais clientes atendidos, aumento do número potencial de novos consumidores e, consequentemente elevação da receita. Outro ponto é que a inovação tecnológica possibilita a criação e aprimoramento de inúmeras atividades, podendo ser utilizada para conhecer mais a clientela, otimizar processos, melhorar a divulgação, oferecer mais segurança e maior assertividade nas informações e controle de políticas, custos e serviços.

Por exemplo, um chatbot destinado ao setor comercial pode transmitir informações de produtos e processar vendas simples diretamente, deixando a cargo dos humanos as interações mais complexas, agilizando o atendimento e proporcionando maior liberdade de escolha para o cliente.

Soluções eficientes de Inteligência Artificial podem solucionar cerca de 95% das demandas em operações via telefone ou chat, seja no próprio site das empresas ou redes sociais, reduzido o tempo de atendimento em 5 vezes, em média, com taxas de acerto próximas a 100%, tudo isso com redução de 2/3 do custo operacional. Além disso, eleva substancialmente o número de clientes atendidos, eliminando as filas de espera em centrais de atendimento, por exemplo. No caso da Bluelab, o chatbot pode realizar cerca de 3 milhões de contatos por mês.

Por ser uma tecnologia em constante inovação, a Inteligência Artificial ainda trará inúmeras outras formas de elevar a lucratividade das empresas, mas muitas delas estão ao alcance das mãos e as grandes companhias já se beneficiam destas possibilidades. Para ingressar neste grupo, basta avaliar o modelo mais rentável de acordo com a estratégia de negócios e aproveitar, antes que a concorrência o faça.

*Mateus Azevedo é Sócio da Bluelab, empresa especializada em sistemas avançados de atendimento automático.

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AI: amiga ou inimiga da cibersegurança?

digital_neuron1.jpg*Por Derek Manky
01/06/2017 - As estratégias de segurança precisam passar por uma mudança radical. Os dispositivos de segurança do futuro terão que entender e interoperar uns com os outros para reconhecer as mudanças no ambiente de rede, antecipar novos riscos, atualizar e aplicar políticas automaticamente. Os dispositivos devem ser capazes de monitorar e compartilhar informações fundamentais e sincronizar as respostas às ameaças detectadas.

Parece um tanto futurista? Na verdade, não é. Uma tecnologia emergente que vem recebendo muita atenção recentemente e estabelece as bases para tal abordagem automatizada é a Segurança de Rede Baseada em Intenções (or Intent-Based Network Security - IBNS). Esta tecnologia oferece visibilidade geral de toda a rede distribuída e permite que as soluções de segurança integrada se adaptem automaticamente às mudanças nas configurações de rede e mudem as necessidades, com uma resposta sincronizada às ameaças.

Derek Manky, estratega de Seguridad Global de Fortinet

Estas soluções também podem dividir segmentos de rede de forma dinâmica, isolar dispositivos afetados e remover malwares. De maneira semelhante, novas medidas e contramedidas de segurança também podem ser provisionadas ou atualizadas automaticamente à medida que novos dispositivos, cargas de trabalho e serviços são incorporados ou movidos de ou para qualquer ponto na rede, incluindo dispositivos de usuários ou ambientes na nuvem. A segurança integrada e automatizada permite uma resposta abrangente à ameaça, muito maior do que a soma das soluções individuais de segurança que protegem a rede.

A inteligência artificial (AI) e o aprendizado de máquina estão se tornando aliados significativos na cibersegurança. O aprendizado da máquina será baseado em dados de dispositivos da Internet das Coisas e aplicações preditivas para ajudar a proteger a rede. Mas a proteção dessas "coisas" e desses dados, que são antigos alvos ou pontos de entrada de cibercriminosos, é um desafio por si só.

A qualidade da inteligência

Um dos maiores desafios de usar Inteligência Artificial e a aprendizagem de máquina está no calibre da inteligência. Hoje, a inteligência das ciberameaças está altamente propensa a falsos positivos devido à natureza volátil da IoT. As ameaças podem mudar em questão de segundos; uma máquina pode estar livre de ameaças em um segundo, infectada logo depois e livre novamente, em um ciclo completo de latência muito baixa.

Melhorar a qualidade de Inteligência contra ameaças é extremamente importante já que, as equipes de TI transferem cada vez mais controle para que a inteligência artificial faça o trabalho no lugar dos seres humanos. Este é um exercício de confiança que representa um desafio único. Como indústria, não podemos transferir o controle total para um dispositivo automatizado, mas precisamos equilibrar o controle operacional com a execução essencial a ser realizada por seres humanos. Estas relações de trabalho realmente farão com que a Inteligência Artificial e as aplicações de aprendizagem de máquina para defesa cibernética sejam realmente eficazes.

Ainda assim, persistem as falhas nas habilidades de cibersegurança; então, os produtos e serviços devem ser desenvolvidos com maior automação para correlacionar a inteligência contra ameaças e assim, determinar o nível de risco e automaticamente sincronizar uma resposta coordenada às ameaças. Frequentemente, é tarde demais quando administradores tentam resolver um problema, até mesmo causando um problema maior ou gerando mais trabalho. Isso poderia ser tratado automaticamente, utilizando o compartilhamento direto de inteligência entre produtos de detecção e prevenção, ou com mitigação assistida, uma combinação de pessoas e tecnologias trabalhando em conjunto. A automação também pode permitir que as equipes de segurança dediquem mais tempo aos objetivos comerciais, em lugar de dedicar esforços às demandas mais rotineiras do gerenciamento da cibersegurança.

No futuro, a IA na cibersegurança se adaptará constantemente à crescente superfície de ataque. Hoje, estamos ligando os pontos, compartilhando informações e aplicando esses dados aos sistemas. Os seres humanos estão tomando decisões complexas, que exigem uma correlação inteligente, que utiliza a inteligência humana. No futuro, um sistema de IA amadurecido poderia tomar decisões complexas por conta própria.

O que não é possível atingir é a automação completa; ou seja, passar 100% do controle para que as máquinas tomem todas as decisões a qualquer momento. Os seres humanos e as máquinas devem trabalhar juntos. A próxima geração de malwares "conscientes" usará a Inteligência Artificial para se comportar como um criminoso humano: realizar reconhecimento, identificar alvos, escolher métodos de ataque e evitar a detecção de forma inteligente.

Assim como as organizações podem usar inteligência artificial para melhorar sua postura de segurança, os cibercriminosos podem começar a usá-la para construir malwares mais inteligentes. O malware autônomo, assim como as soluções inteligentes de defesa, está guiado pelo conjunto de análise e inteligência ofensiva, tais como os tipos de dispositivos implantados no segmento de uma rede, fluxo de tráfego, aplicações que estão sendo usadas, detalhes de transações ou a hora do dia em que estas ocorrem. Quanto mais tempo permanece uma ameaça dentro de uma rede, muito mais capacidade de operar independentemente, misturando-se dentro do ambiente, selecionando ferramentas com base na plataforma que tem como objetivo e, eventualmente, tomando contramedidas baseadas nas ferramentas de segurança do lugar.

Está é, precisamente, a razão pela qual é necessário um enfoque em que as soluções de segurança para redes, acessos, dispositivos, aplicações, centro de dados e nuvem trabalhem em conjunto com um todo integrado e de colaboração, combinado com inteligência executável para manter uma postura forte em relação à segurança autônoma e defesa automatizada.

*Derek Manky, estrategista global de Segurança da Fortinet

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Desafios do incentivo fiscal à inovação no Brasil

leio_do_bem2.jpg*Por José Ricardo Roriz Coelho
26/05/2017 - O Brasil está em vias de promover avanços significativos na Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005), que trata dos incentivos fiscais à inovação tecnológica. O momento não poderia ser mais adequado, considerando-se a premência de sairmos de umas das piores crises da história e o aprofundamento da desindustrialização do país.

A última Pesquisa de Inovação Tecnológica do IBGE (PINTEC) mostra que a indústria de transformação é a principal responsável pelo investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) do país. Sua participação, no entanto, diminuiu de 70% em 2011 para 66% em 2014, e pode ter piorado nos anos seguintes, o que reforça a importância do aprimoramento dos incentivos fiscais para que o país mantenha o perfil de investimento semelhante ao de países desenvolvidos. No Japão, Coreia, Alemanha e Estados Unidos, a indústria de transformação responde por respectivamente 88%, 88%, 86% e 69% do investimento em P&D.

Ainda que seja evidente a relação virtuosa entre indústria de transformação, P&D e crescimento econômico, o incentivo fiscal à P&D enfrenta muita resistência em órgãos do governo, pois muitos deles limitam-se a enxergar o custo e não se atentam aos benefícios de longo prazo.

Hoje, 27 dos 34 países-membros da OCDE dão tratamento tributário preferencial para os gastos em P&D. Em 2014, na Irlanda, França, Coreia, Canadá, Japão e Estados Unidos, os incentivos de âmbito federal tiveram participação no PIB de respectivamente 0,29%, 0,27%, 0,19%, 0,15%, 0,14%, e 0,07%. No Brasil, esse percentual foi de 0,03%. Outros países fortemente industrializados, como Alemanha e Itália, só não fazem parte da lista por não divulgarem essas estatísticas, assim como, o percentual dos EUA deve estar subestimado em razão de considerar apenas os incentivos federais.

E isso nos faz lembrar uma frase que se tornou popular entre economistas: "there is no free lunch" ("não existe almoço grátis"). Ela se encaixa perfeitamente nesse contexto, pois incentivo fiscal à P&D nada tem a ver com generosidade e benevolência.

Governos de todo o mundo reconhecem que estimular P&D e inovação nas empresas faz com que todo o país se beneficie da geração de mais conhecimento e de mais riqueza. No entanto, por diversos motivos, nem todos os agentes realizam esse investimento. No Brasil, por exemplo, destaca-se a hostilidade do nosso ambiente de negócios agravada pelo Custo Brasil e valorização cambial.

Para ajudar a corrigir essa "falha de mercado", o incentivo fiscal é eficaz na medida em que diminui o risco e o custo do investimento, além de dar mais autonomia às empresas e agilidade no desenvolvimento dos projetos de inovação que, em geral, correm contra o tempo.

Além disso, ele permite que o mercado, em vez do governo, determine qual a melhor alocação dos recursos para P&D segundo setores e projetos. Se for bem desenhado, também pode diminuir os custos administrativos para as agências de fomento, o que parece adequado num contexto de ajuste fiscal.

Portanto, passados quase 12 anos desde a promulgação da Lei do Bem, o Brasil dá passos importantes no sentido de aprimorá-la. Essa iniciativa teve origem da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no dia 7 de março, e equipes ministeriais tem o prazo de 60 dias para apresentar uma nova versão.

A FIESP já entregou suas propostas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Dentre várias sugestões que fizemos, destaco algumas: estender os incentivos às empresas que apuram o imposto de renda pelo lucro presumido, e com isso torná-los acessível às empresas menores; aumentar de 60% para 100% o incentivo sobre as despesas com P&D; rever a contratação de P&D extramuros, o que pode estimular o segmento de startups; e permitir o aproveitamento dos benefícios em períodos posteriores, quando houver prejuízo ou exceder o valor do lucro real.

Sabemos que é um trabalho difícil, mas a FIESP seguirá insistente em garantir um aperfeiçoamento substancial nesse importante instrumento de apoio à inovação. Nossa expectativa é de que as medidas a serem anunciadas em breve sejam capazes de aumentar a atratividade do incentivo, ampliar o número de empresas beneficiadas, e trazer mais segurança jurídica no seu usufruto.

Não obstante esses avanços, é importante ter em mente que o aperfeiçoamento da Lei do Bem é uma condição necessária, porém não é suficiente, para aumentar o nível de investimento em P&D haja vista o processo de desindustrialização do país. Ter uma indústria forte é condição essencial para um Brasil rico e bem-sucedido.

A crise de 2008 deixou claro que os países com indústria de transformação sólida sofreram menos impactos, razão pela qual ganharam força as políticas de reindustrialização em várias partes do mundo. Programas como o "Make it in America" nos Estados Unidos e a meta da União Europeia de aumentar de 15% para 20% a participação da indústria no PIB até 2020 ilustram essa estratégia.

O Brasil não pode ficar na contramão dessa tendência, sob o risco de se distanciar das principais rotas de desenvolvimento tecnológico do mundo e das tecnologias de fronteira que estão sob o guarda-chuva de Manufatura Avançada ou Indústria 4.0.

*José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

 

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Computadores quânticos entram em ação em 2020

atos_quantum_world2.jpg*Por Luis Casuscelli
26/05/2017 - Os ciberataques que atingiram mais de 150 países nas últimas semanas voltaram a chamar a atenção para o tema da proteção de dados de empresas, governos e indivíduos, em um mundo cada vez mais digitalizado.

A resposta de autoridades e empresas de Cybersecurity nesse caso foi rápida e impediu danos mais relevantes. No entanto, acreditar que o conhecimento que possuímos hoje será suficiente para fazer frente às ameaças cibernéticas no futuro próximo seria um engano, porque o próximo grande desafio nesse campo já tem data marcada: 2020.

Daqui a menos de três anos, estarão disponíveis para comercialização os primeiros computadores quânticos, capazes de executar operações em velocidade incomparável à melhor alternativa de computação clássica disponível hoje.
Por um lado, essa tecnologia trará suas muitas vantagens: intermediará e facilitará negociações no setor financeiro, aprimorará a definição de padrões para o mercado de seguros, auxiliará na segurança dos países e contribuirá para descobertas na indústria farmacêutica, química e na física quântica.

Por outro, a chegada dos algoritmos quânticos constitui uma ameaça sem precedentes aos sistemas convencionais de segurança da informação, exigindo o desenvolvimento da chamada criptografia “quântico-segura” (quantum safe) antes do uso generalizado de computadores quânticos.  

Todos os dados que estão atualmente protegidos por padrões clássicos de criptografia deverão ser elevados a padrões quântico-seguros para permanecerem a salvo no futuro.

O período crítico é agora

Considerando que os primeiros computadores quânticos estarão comercialmente disponíveis a partir de 2020, como prevê a publicação Journey 2020, elaborada por especialistas da Atos, e que as mudanças nas normas de segurança demoram para serem postas em prática, isso faz do momento atual um período crítico.

O cálculo de tempo necessário para a transição deve levar em conta a previsão de disponibilidade comercial de computadores quânticos, menos o tempo necessário para assegurar os dados. Uma vez passado esse período, as empresas que não tiverem sua criptografia atualizada estarão à mercê de possíveis ciberataques de hackers que dominem tecnologia quântica.

Com isso, a demanda por TI quântica só deve crescer nos próximos anos. Entender e adotar computação e a criptografia quântica pode preparar com sucesso uma organização para as ameaças de segurança cibernética do futuro e ajudar tais organizações a aprender sobre suas próprias possibilidades.

Desafios e oportunidades

Uma das grandes dificuldades do processo de implementação será a carência de fornecedores e desenvolvedores de criptografia quântico-segura. Eles oferecem uma grande variedade de produtos e serviços que estão sempre se diversificando, mas o surgimento de profissionais cresce lentamente.

Os primeiros ingressantes nesse mercado serão aquelas organizações que têm altas exigências para manterem suas comunicações seguras. Empresas que têm muito a ganhar com a computação de algoritmos quânticos também serão pioneiras, já que possuem uma perspectiva mais clara de suas possibilidades.

A infraestrutura cada vez mais "inteligente" para os setores de energia, petróleo e gás e transporte, por exemplo, em combinação com a IoT, também formam um campo cada vez mais amplo para este avanço.
Para empresas dos demais segmentos, cabe fazerem uma avaliação sobre suas necessidades de segurança e possibilidades quânticas para decidir sobre como preparar sua infraestrutura de TI para o futuro com computadores quânticos.

Essas ponderações, contudo, dizem respeito apenas ao ritmo de implementação desses protocolos de segurança quântica. O caminho é o mesmo para todos e o prazo diminui a cada dia.

*Luis Casuscelli é diretor de Big Data e Security da Atos América do Sul.

 

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