IA para micro e pequenas empresas

mentor_bi_1.jpg*Por Carlos Eduardo Colenetz
06/03/2020 - A tomada de decisão no mundo dos negócios costuma gerar muita dor de cabeça para quem está no comando das organizações. Analisar milhares de informações, verificar padrões de consumo e buscar crescimento com rentabilidade são desafios que tiram o sono até mesmo dos profissionais mais experientes.

Para quem está no controle das micro e pequenas empresas, a situação é ainda mais desafiadora. Enquanto as médias e grandes companhias têm áreas específicas e verbas destinadas ao gerenciamento de dados, o empreendedor que cuida praticamente sozinho do seu negócio precisa encontrar maneiras de se diferenciar para manter ou conquistar novos clientes.

De olho nessa realidade, o especialista em sistemas de informação Carlos Eduardo Colenetz, do Paraná, enxergou uma oportunidade e desenvolveu o Mentor BI, um método que une o uso da inteligência artificial para análise de dados, associado a um trabalho de mentoria direcionado aos pequenos negócios.

Esse sistema, que utiliza uma plataforma da Microsoft, transforma dados em informações concretas. O software integra todos os indicadores de uma empresa, gera relatórios e gráficos que facilitam a compreensão dos fatos e cria painéis dinâmicos que se atualizam rapidamente. Dessa forma, o gestor tem indicadores precisos e, em paralelo, recebe mentorias que o auxiliam na compreensão destes dados, na criação de novas estratégias e na tomada das decisões.

Diferenciais e benefícios

Outras vantagens do Mentor BI envolvem um período de testes, a facilidade de compreensão e manuseio, o preço e o acompanhamento. Após a implementação o cliente tem 15 dias para testar os benefícios, podendo ser ressarcido integralmente dos valores caso desista do trabalho.  

Enquanto um sistema de Business Intelligence para as médias e grandes empresas custa a partir de R$ 50 mil, a implantação e customização do Mentor BI sai por R$ 3.600,00. Já o acompanhamento mensal - com suporte e acompanhamento realizado por uma equipe técnica - ficam em R$ 384,00, valores que se encaixam na realidade dos empreendedores brasileiros.

Conveniências para cada perfil de cliente

O sistema que acompanha a inteligência de um negócio como esse engloba as mesmas características utilizadas pelas grandes corporações. Com isso, o dono de uma padaria consegue identificar os produtos mais vendidos em cada dia do mês, saber os horários de maior procura e até mesmo a preferência da clientela.

Com esses dados o gestor controla os estoques e a linha de produção, a escala de trabalho dos funcionários, sabe quando precisará fabricar mais pães ou tortas e em quais dias e horários. Ao mesmo tempo, pode criar um histórico de cada cliente e oferecer os itens preferidos, junto com sugestões de guloseimas e opcionais. Assim, as chances de ampliar as vendas são enormes.

O mesmo procedimento se aplica ao dono de um restaurante, a quem administra uma lavanderia, um pet shop, uma floricultura e por aí vai. E o melhor: tudo pode ser acompanhado na palma da mão, por qualquer smartphone, computador ou tablet.

Quem usa inteligência, vende mais

Pouca gente sabe, mas a seleção de futebol alemã que ganhou a Copa do Mundo em 2014 utilizou um sistema de BI para analisar o desempenho dos jogadores. Foram mensurados itens como número de passes, velocidade em campo, finalizações, defesas e penalidades.

Os relatórios produzidos após as análises dos jogos eram entregues à comissão técnica. Com base nas informações obtidas, foi possível identificar quais atletas tinham melhor rendimento e, assim, escalar os melhores titulares. Deu tão certo que eles foram campeões mundiais naquele ano.

O segundo caso envolve a Amazon, gigante do e-commerce mundial. Questões como histórico de compras e localização são informações-chave para ajustar tanto os algoritmos de marketing, quanto a estratégia de atendimento ao consumidor.

Já o sistema que analisa as compras recentes, itens deixados no carrinho e lista de desejos foram cruzados com históricos de outros consumidores com perfis semelhantes, gerando novas recomendações para capitalizar em cima de novas compras. Segundo a Amazon, este método é responsável por impulsionar a receita da empresa em até 30% ao ano.

Apesar de todos esses benefícios, o uso da tecnologia artificial no Brasil ainda é pequeno. Já na Grã-Bretanha, a pesquisa Tech Impact, realizada em 2019, mostra que companhias que usam sistemas de Business Intelligence agregados às suas plataformas de gestão vendem, em média, 24% mais.

Se por um lado a tecnologia é uma poderosa aliada no mundo dos negócios, os administradores ainda têm receio de conhecer as novas soluções, mas ficam surpresos quando veem os resultados. Por isso, enxergo um grande caminho a ser percorrido e uma excelente oportunidade para quem deseja ampliar os resultados de suas empresas.

Perfil

Carlos Eduardo Colenetz é bacharel em Sistemas de Informação, atuou em diversas companhias de tecnologia como coordenador de projetos e gerente de contas. Possui especializações internacionais em Inteligência de Negocio e Ciência de Dados.

Idealizou e desenvolveu o Mentor BI, uma solução completa para inteligência de negócios que permite transformar dados em informações relevantes. Assim, os gestores de qualquer empresa ganham uma poderosa ferramenta de trabalho que fornece gráficos, relatórios e painéis dinâmicos que auxiliam nas tomadas de decisões estratégicas e na real geração de valor aos negócios.

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Como seria o mundo sem Ethernet e Wi-Fi?

banda_larga_fixa.jpg16/03/2020 - Em 1980, o Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE) criou um projeto de padronização para possibilitar o desenvolvimento da comunicação de dados entre dispositivos de redes locais e metropolitanas. Esses padrões, conhecido hoje como a família de padrões IEEE 802, possibilitaram o surgimento de tecnologias como Ethernet e Wi-Fi.

Atualmente a internet está tão intrínseca na sociedade que boa parte das pessoas não pensa o quanto o Wi-Fi e a Ethernet mudou a dinâmica de sua rotina. Quando surgiram, essas tecnologias não eram tão rápidas e baratas o suficiente para os consumidores. Em março de 1980, o Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE), maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, iniciou o Projeto IEEE 802 a criação de padrões técnicos a fim de garantir a interoperabilidade de redes de computadores. Foi graças a esse trabalho, que essas tecnologias ficaram do jeito que são conhecidas hoje: rápidas, conectadas e acessíveis.

Uma das grandes mudanças provocadas por essas tecnologias foi no mundo do trabalho. A conectividade com e sem fio ativada por Wi-Fi e Ethernet em dispositivos móveis e laptops possibilitou aos profissionais trabalhar a qualquer hora e de qualquer lugar. Responder rapidamente um e-mail, enviar uma mensagem, fazer chamadas de vídeo, criar grupos no whatsapp não seria possível sem os padrões de rede criados pelo Projeto IEEE 802, especialmente aqueles criados  para a Ethernet (IEEE 802.3)  e para o Wi- Fi  ( 802.11).

Além da esfera profissional, a vida social também passou por uma grande transformação.  Até 2021, estima-se que quase 3,1 bilhões de pessoas estarão usando as mídias sociais. E poderão publicar, curtir e compartilhar posts. Sem os padrões criados pelos engenheiros dos grupos de trabalho do Projeto IEEE 802 isso não seria possível.

Ao propiciar a concorrência e a inovação, os padrões de rede criados pelo  IEEE 802 ajudaram a manter os preços baixos para os dispositivos que precisam de conectividade sem fio e com fio. Além disso, eles estabeleceram regras para os fabricantes garantirem que todos os dispositivos fossem capazes de interoperar, independentemente do local de uso.

Especialistas do IEEE nos Estados Unidos podem falar sobre esse tema, além  da história dos 40 anos do IEEE 802, que viabilizou várias tecnologias utilizadas na atualidade, como Ethernet, Wi-Fi e Bluetooth.

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Diversidade e inclusão: é hora de ir além

sandra_maura_topmind.jpg*Por Sandra Maura
05/03/2020 - Faltam programas de incentivo à equidade de gênero no mercado de trabalho brasileiro. Infelizmente, essa é uma realidade inclusive na área de TI. Parece estranho, mas há algumas décadas as mulheres não podiam responder por si mesmas, não podiam votar e não eram aceitas em cargos de liderança. As decisões, independentemente do quão pessoais fossem, eram tomadas por seus pais, maridos ou irmãos. Lamentavelmente, em algumas culturas, isso ainda ocorre.

Se pensarmos que as mulheres tiveram que lutar até mesmo pelo direito de vestirem calças, algo tão simples e cotidiano, não é difícil entender por que a questão da equidade de gênero continua em pauta em pleno século XXI. Muito já foi conquistado, mas há um longo caminho a ser percorrido.

A partir dessa discussão encontramos espaço para destacar outros pontos dentro do tema diversidade corporativa. Existe uma variedade de pessoas a serem incluídas nesse diálogo, como negros, idosos, pessoas com deficiência e a comunidade LGBTQ+.

Estudos de mercado apontam que empresas com altos índices de diversidade têm 35% mais chances de obter sucesso em seu ramo de atuação. Mas, apesar desses dados, pesquisas da ONU Mulheres mostram que os comitês executivos e conselhos administrativos das maiores empresas brasileiras apresentam, respectivamente, 14% e 11% de mulheres na composição de suas equipes. Outro dado também alarmante é que o índice de mulheres em cargos gerenciais está estagnado em 30% desde 2005. Além disso, as mulheres continuam sendo minoria em áreas de exatas, como tecnologia. Há mais de uma década representamos apenas 30% dos formados nesses segmentos.

Como fundadora e CEO de uma empresa de tecnologia, não posso deixar de me preocupar com dados como esses. Não há como falar de diversidade sem inclusão, equidade e pertencimento, e esta é a cultura que adoto ao montar minhas equipes de trabalho. E no papel de uma mulher que passou pelos desafios que o preconceito estrutural nos impõe diariamente, vejo a diversidade na empresa acontecer de forma natural.

Quando passamos pelos percalços do estigma e da generalização, aprendemos desde cedo a não repetir estes erros. Passamos a enxergar a pluralidade do mundo como algo não apenas positivo, mas, essencial para as organizações. Por isso vemos que em empresas lideradas por mulheres, ou com mulheres em cargos de alta hierarquia, existe maior acolhimento, apoio e receptividade.
Para que as mudanças ocorram, o exemplo precisa vir de cima. Com esse objetivo, faço questão de que em minha empresa a liderança seja plural e inclua mulheres, homens, negros e pessoas LGBTQ+. São profissionais com diferentes históricos, perfis e conhecimentos a serem compartilhados.

É hora de olharmos além. Para que a sociedade evolua e a equidade seja real para todas as pessoas, independentemente de raça, religião, gênero ou idade, precisamos aceitar a responsabilidade que recai sobre nós e atuar de forma a capacitar novos talentos sem preconceitos. A inclusão, por si só, não é mais suficiente. Precisamos olhar adiante e adotar ações para que o nosso legado seja de desenvolvimento, oportunidade e, acima de tudo, respeito.

Na posição de tomadores de decisão, todos precisamos estar atentos aos procedimentos que são adotados em nossas empresas para garantir que as práticas estejam alinhadas ao discurso. Temos que abandonar ideias restritivas para abraçar o novo, até porque pesquisas de mercado indicam que esse é o melhor caminho para se obter resultados positivos. Não é uma tarefa fácil e, assim como qualquer novo hábito, exige treinamento diário. Mas somente dessa forma conseguiremos avançar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. E você, já parou para ajudar a sua empresa a seguir uma nova jornada de diversidade e inclusão? Com certeza os negócios crescerão, o ambiente de trabalho se tornará mais rico e a percepção do mercado sobre sua empresa poderá ser diferenciada.

*Por Sandra Maura, CEO da TOPMIND

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O futuro do rastreamento de veículos no Brasil

getrak_1.jpg*Por Frederico Menegatti
27/02/2020 - Que o crescimento da conectividade via internet tem mudado a maneira como as organizações se relacionam em seu mercado de atuação, não é novidade. Olhando para o setor de rastreamento no Brasil, por exemplo, embora pouco falado, a tecnologia nesse segmento interfere cada vez mais no dia a dia das pessoas e empresas, facilitando e evitando grandes dores de cabeça.

De acordo com o Gartner, instituto de pesquisa e consultoria mundial, estamos em meio a uma grande revolução digital. Entre as principais tendências que impactarão o mercado de rastreamento, a chamada internet das coisas (IoT) será a protagonista da vez. Isso quer dizer que, aos poucos, tudo o que é parte da nossa rotina, desde o carro até os eletrodomésticos de uma casa, estarão conectados e irão interagir com os usuários.

Dentro desse cenário ainda há um mundo para ser desbravado. As pessoas poderão, por exemplo, perceber que o carro está chegando e conseguir abrir o portão ou acender a luz apenas por meio de um dispositivo no celular. Será uma revolução para o mercado e irá impactar de forma assertiva a vida tanto dos usuários finais, quanto das empresas e empresários do mercado automotivo.

Trazendo um olhar atento ao Brasil, a busca de serviços de rastreamento ainda é devido à preocupação com o alto índice de roubos de veículos. Mas, aos poucos esse cenário também irá mudar. Segundos dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran ), dos 66 milhões de veículos registrados, apenas 2,3 milhões possuem sistema de monitoramento e rastreamento. Acredito que com o impulsionamento da internet das coisas o termo "carro conectado" deixará de ser uma tendência e passará a ser uma realidade na vida de todos nós.

Em meus 15 anos de experiência no segmento, noto que há cada vez mais empresas procurando por soluções de rastreamento e telemetria, para que possam agregar valor aos serviços oferecidos, unindo tecnologia de ponta e técnicas de Big Data (ou banco de dados). Tanta conexão irá gerar uma gama enorme de informações, que podem ser trabalhadas para melhorar a qualidade de vida dos usuários. O gestor que souber relacionar esses dados de forma inteligente conseguirá se destacar dos concorrentes.

Atualmente, já é possível encontrar soluções completas e pouco complexas, não só para localizar um veículo, como também gerenciar frotas, planejar trajetos eficientes, avaliar o desempenho do motorista, verificar o consumo de combustível e prevenir acidentes, tudo de forma personalizada. E, na minha opinião, essa é só a ponta do iceberg, pois acredito que quem ainda não estiver utilizando o rastreamento de veículos e gestão de frotas como um novo mindset, irá perder importantes vantagens competitivas diante da concorrência.

Portanto, repense seus processos de gestão de rastreamento e aplique no dia a dia as melhores soluções para entender à necessidade de cada cliente. Somente assim as operações se tornarão, de fato, produtivas no Brasil. Vale a pena ficar de olho nas inovações que estão por vir!

*Frederico Menegatti é CEO e fundador da Getrak, provedora de tecnologia para rastreamento

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Cinco tendências que moldarão o blockchain em 2020

blockchain.jpg20/02/2020 - O ano de 2019 foi decisivo para o blockchain. A tecnologia foi expandida para incluir organizações que trabalham juntas e, assim, converter rapidamente seu valor em resultados de negócios tangíveis para todo o ecossistema. Mas o que podemos esperar para 2020?

O IBM Institute of Business Value (IBV), por meio do seu Estudo de Economia Blockchain de 2019, conduziu entrevistas com mais de 1.000 pessoas de negócios e tecnologia, e reuniu os cinco principais temas para 2020:

1. Surgirão modelos de governança pragmáticos

Com a maior adoção do blockchain se aproximando, a governança se tornará um fator chave. No entanto, a criação de um modelo de governança no qual todos os participantes concordem pode ser um desafio. De fato, foi visto que 41% das organizações acreditam que a falta de padrões uniformes de governança entre parceiros é o desafio mais importante para avançar sua prova do conceito (PoC) de Blockchain ou ecossistema mínimo viável (MVE).

Em 2020, começaremos a ver novos modelos de governança que permitem que grandes e variados consórcios tratem da tomada de decisões, permitam esquemas e até pagamentos com mais eficiência.

2. A interconectividade está um passo mais perto da realidade

O sucesso do blockchain depende da colaboração de várias partes. Mas, com o potencial de dezenas, centenas ou até milhares de participantes em uma rede, não podemos esperar que cada parte de uma rede use o mesmo provedor ou incorpore um novo ambiente de computação para um único aplicativo. Mesmo assim existe uma necessidade excepcional das empresas de compartilhar dados sem problemas.

Portanto, não é possível pensar em blockchain sem a nuvem. Aliás, sem o uso de uma nuvem que seja híbrida e multi-cloud, o que permite a todos os atores da cadeia selecionar a plataforma blockchain sem depender da infraestrutura na qual seus dados estão hospedados. Hoje, IBM Blockchain está aberta e disponível em qualquer lugar. Blockchain deve permitir a facilidade de utilização de tudo o que as empresas necessitam, em ambientes híbridos de nuvem, multi-cloud e locais; e, desta forma, fazer com que a tecnologia permita a transformação das empresas e indústrias.

3. Outras tecnologias serão combinadas com blockchain para criar uma vantagem competitiva ainda maior

Agora que as soluções blockchain estão capturando milhões de pontos de dados e fazendo sentir sua presença em todo o mundo, elas estão abrindo a porta para novas capacidades. Tecnologias adjacentes como internet das coisas (IoT), 5G, inteligência artificial (IA) e Edge Computing, para citar algumas, irão combinar-se com blockchain para gerar valor agregado para os participantes da rede. Por exemplo, espera-se que as soluções blockchain se combinem com Internet das Coisas e IA para se tornarem os principais aceleradores dos mercados habilitados para blockchain no futuro.

Desta forma, os dados mais confiáveis de blockchain irão informar melhor e fortalecer os algoritmos. Blockchain ajudará a manter esses dados seguros e auditará cada etapa do processo de tomada de decisão, permitindo uma visão mais precisa, impulsionada pelos dados confiados pelos participantes da rede.

4. As ferramentas de validação começarão a combater fontes de dados fraudulentas

De acordo com o estudo, 88% das instituições acreditam que garantir padrões de comunicação de dados para as redes blockchain é um fator importante para que toda a indústria se junte a uma rede blockchain. Sendo assim, não há dúvida de que confiança e transparência são essenciais, mas em um mundo onde os dados são coletados e transferidos mais rápido do que nunca, entende-se que haverá inconsistências nesses dados, seja devido a erro humano, seja por causa de pessoas mal-intencionadas.

Com a necessidade de mais mecanismos de proteção de dados, este ano as soluções de blockchain usarão ferramentas de validação junto com os mecanismos de criptografia e IoT, que ligam os ativos digitais ao mundo físico injetando dados externos nas redes. Isto melhorará a confiança e eliminará a dependência da inserção manual de dados, que muitas vezes são propensas a erros e fraudes.

5. As moedas digitais regulamentadas continuarão a avançar

Tokens, moedas digitais e moedas digitais respaldadas pelo Banco Central têm sido um tema de crescente interesse para os mercados de capitais. Tokenizar ativos e títulos, convertendo-os em fichas digitais e depois negociar, trocar e resolver a custódia desses ativos digitais está transformando a eficiência, segurança e produtividade dos mercados de capitais. De fato, 58% das organizações pesquisadas concordam que podem obter novas fontes de receita ao tolkenizarem os ativos trocados em um mercado habilitado para blockchain.

Além disso, novas organizações e regulações foram implementados para facilitar a criação, gestão, comercialização e liquidação de tais fichas digitais e moedas.

Embora passar tempo antecipando o futuro desta tecnologia inovadora seja extremamente emocionante, reconhecemos que estão continuamente a entrar no mercado novas dinâmicas que podem desafiar estas tendências como as vemos hoje. No entanto, uma coisa é certa: blockchain continuará a romper, transformar e melhorar o mundo em que vivemos.

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Oportunidades e desafios da IA no serviço público

nama_rodrigo_scotti.jpg*Rodrigo Scotti
20/02/2020 - Sabemos que instituições públicas têm características específicas e, em muitas aspectos, uma maior burocracia em relação às empresas privadas, principalmente em países de dimensões continentais como o Brasil, com diferentes realidades em cada região do país.  Prefeituras de grandes cidades, secretarias de governo e órgãos federais, lidam diariamente com a necessidade de prestar serviços a centenas de milhares e até milhões de pessoas. Neste sentido, a implementação de uma solução em inteligência artificial pode solucionar gargalos até então impossíveis de serem manejados, escalando a prestação de serviços públicos e dando andamento a procedimentos, ampliando índices de satisfação do cidadão.

No entanto, ainda há entraves significativos, muito por conta de processos burocráticos de contratação e implementação dos serviços. No final de 2019, mediei um evento em São Paulo, que tratou desta difícil equação envolvendo poder público e inteligência artificial. A mesa redonda contou com a participação de José Gontijo, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação | MCTIC, de Tulio Werneck, subsecretário de Tecnologia da Informação do Estado de Goiás e de Carlos Affonso de Souza, diretor do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro.

Comecei o debate pedindo aos participantes que comentassem como a inteligência artificial é vista pelos respectivos órgãos públicos que representavam no evento e pudemos perceber que ainda não chegamos ao ponto de a IA ser uma política pública, institucionalizada. Mas que também evoluímos em relação a anos atrás, quando a inteligência artificial não era nem mesmo debatida. Hoje existem pessoas especializadas e gabaritadas no que diz respeito a estas tecnologias atuando em diferentes órgãos do governo. E pude enxergar nestes três participantes do painel exatamente este perfil.

Werneck, do governo de Goiás, acredita que seja preciso que haja uma reeducação dos servidores públicos, que precisam enxergar de fato a inteligência artificial como aliada. Na Inglaterra, por exemplo, explicou o executivo, a estimativa é que a inteligência artificial corresponda, em 2025, a 11% do PIB. “Lá eles já transcenderam esta visão do senso comum, do temor de que um robô roube meu trabalho”.

Já Souza, do ITS Rio, mencionou o marco civil da internet, um grande avanço neste sentido para o Brasil, e também a experiência que o Japão teve com o uso de robôs alimentados por inteligência artificial para cuidar de idosos, expondo a complexidade envolvendo os processos de adaptação à interação com uma máquina. Era uma alternativa totalmente plausível para um país no qual a população está cada vez mais idosa e, a força de trabalho jovem, responsável pelos cuidados, a cada ano mais prejudicada por problemas de coluna, graças ao peso que precisavam carregar diariamente carregando os pacientes idosos. Seria uma alternativa aparentemente pertinente, não fosse o empecilho de que, depois de fazer primeiros testes, surgiram protestos por parte dos idosos, que passaram a recusar o tratamento automatizado. Ou seja, além de todos os outros percalços envolvendo serviços públicos e inteligência artificial, ainda existem os desafios culturais que, longe de serem exclusivos à idosos, comumente provocam resistência por parte de pessoas, de todas as idades e perfis.

Fiz outras provocações aos participantes, entre elas, que muita gente confunde robótica com inteligência artificial e também que muito se fala em levar inovação de mercado para dentro do serviço público, mas quando são necessários adotar procedimentos para de fato possibilitar a implementação destas soluções desenvolvidas por startups, ainda fica muito a desejar. José Gontijo, do MCTIC, comentou que compreende que realmente muitos órgãos ainda tenham essa dificuldade, mas que sua gestão sempre busca facilitar a entrada de inovação empreendedora aos projetos de governo. “Uma startup não pode ser penalizada por tentar melhorar o serviço público, como muitas vezes acontece no Brasil”, acrescentou.

Gontijo também mencionou a Inglaterra, trazendo um exemplo pertinente para mostrar que todas as inovações da história da humanidade tiveram que atravessar um período de adaptação. Mais ainda, que erros quanto à regulação são inerentes a qualquer grande mudança. Quando os primeiros automóveis foram lançados, explicou o diretor, as pessoas se espantavam em como ele teria capacidade de trafegar de forma autônoma, sem ser puxado por um cavalo. Para diminuir o temor da população, foi instituído então que todos os carros fossem antecedidos por uma pessoa com uma bandeira vermelha nas mãos, de modo a chamar a atenção dos pedestres, acalmá-los e tentar prevenir eventuais acidentes.

Werneck complementou a analogia, lembrando que, quando as primeiras impressoras de fósforo verde foram lançadas, alguns órgãos públicos as adquiriram para substituir as máquinas de datilografar e a primeira reação das secretárias foi sabotá-las, ocorrendo até mesmo casos de algumas delas terem jogado os equipamentos no chão.

Sou também cofundador da ABRIA - Associação Brasileira de Inteligência Artificial, entidade que contou com a participação de outro representante nesta edição do mesmo evento a que me referi: Valter Wolf, diretor executivo da associação. Wolf mediou o painel “Inteligência Artificial e Machine Learning como Avaliação Permanente da Experiência do Cliente”, que atraiu mais de 200 pessoas, e foi direcionado para grandes operadoras de celular, com foco no atendimento a usuários.

Wolf relatou que a mensagem central que pairou sobre o painel foi que a aplicação de inteligência artificial não é uma mágica que acontece automaticamente, em um piscar de olhos ou ao apertar de um botão. Os representantes da  Nokia, Telefônica Vivo, Dafiti, NVIDIA e Embratel trouxeram relatos de como a inteligência artificial é encarada nas respectivas empresas e foi praticamente hegemônica a ideia de que a implementação destas novas tecnologias exige a construção de uma jornada do cliente que, por sinal, também deve ser reeducado, de modo a conseguir entender e encarar com menos resistência este novo modo de atendimento.

Outros pontos bacanas que figuraram como conclusões do painel foram que a infraestrutura de fornecedoras de tecnologia hoje no Brasil têm sim condições de dar conta de 100% do atendimento aos clientes de operadoras, que é preciso fomentar a especialização de mão de obra dentro das empresas e que os processos de IA impactam todos os setores das empresas, desde o jurídico até o RH.

Seja em telecom ou no poder público, fato é que há um longo caminho a ser percorrido no Brasil no que diz respeito à incorporação da inteligência artificial nos processos de atendimento ao público, desenvolvimento de processamento de linguagem natural em língua portuguesa, e também em como isso é apresentado para - e recebido pela - população de forma geral.

*Rodrigo Scotti é CEO da Nama (https://www.nama.ai/), primeira empresa no país a desenvolver inteligência artificial proprietária e cofundador da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA)

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