Agricultura brasileira movida a ciência

agronegocio.jpg*Por Celso L. Moretti
20/03/2020 - A agricultura brasileira é movida a ciência. Poucos países podem afirmar o mesmo. Em pouco menos de cinco décadas o Brasil saiu da situação de importador para se tornar num dos maiores exportadores de alimentos, fibras e bioenergia do mundo. É uma história de sucesso, uma saga que todos os brasileiros, no campo e na cidade, devem conhecer. É motivo de orgulho neste 20 de março, em que comemoramos o Dia da Agricultura.

Com ciência, nas últimas cinco décadas, incrementamos a produção de grãos em cinco vezes com aumento correspondente de apenas duas vezes na área plantada. Elevamos a produção de leite de 5 para 35 bilhões de litros. Aumentamos a produção de trigo e milho em 250% e a de arroz em mais de 300%. A cafeicultura quadruplicou a produtividade nos últimos 25 anos. E a produção de carne de frango deu um salto magnífico: cresceu praticamente 65 vezes, saindo de 200 mil toneladas na década de 70 para 13 milhões de toneladas em 2018.

A transformação não ocorreu ao caso. Foi fruto de um robusto investimento em ciência, tecnologia e inovação, da parceria entre o setor público e o privado. Com ciência transformamos um passivo, os cerrados, com vegetação retorcida e solos ácidos e pobres, num dos maiores ativos do país. Celeiro de grãos, frutas, hortaliças e proteína animal, em 2019 os cerrados entregaram mais da metade da produção de grãos e cana de açúcar do país.

Com ciência, tropicalizamos grãos, como a soja e o trigo, forrageiras africanas e o gado europeu e indiano. A produção de trigo nos trópicos é inédita e já ocupa 130 mil hectares dos cerrados brasileiros. Pode chegar a dois milhões de hectares e tornar o Brasil autossuficiente na produção do grão.  

Com ciência desenvolvemos novas raças bovinas, como a girolando, tão produtivas quanto as europeias e mais adaptadas aos trópicos. Foi também com ciência que o Brasil criou uma plataforma de produção agropecuária sustentável, com tecnologias como o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o controle biológico e a intensificação sustentável, com produção de grãos, proteína animal e florestas numa mesma área. Os sistemas integrados já ocupam 15 milhões de hectares.

A fixação biológica de nitrogênio economiza para o país, anualmente, algo em torno de 13 bilhões de dólares que deixam de ser gastos com adubos nitrogenados, sobretudo importados. É um verdadeiro ovo de Colombo. De quebra, contribui para que aproximadamente 60 milhões de toneladas equivalentes de CO2 deixem de ser emitidas na atmosfera. Em 2019 o segundo ovo de Colombo foi lançado pela Embrapa: o BiomaPhos, um bioinsumo que atua sobre o fósforo aprisionado nos solos, tornando-o disponível para as plantas. O produto, que vem sendo pesquisado há 17 anos, já foi testado em mais de 300 áreas agrícolas no país. Para o milho trouxe elevação de produtividade da ordem de 10%. Vai contribuir para termos mais alimentos à mesa. E possibilitar que o Brasil importe menor fosfato.

O agro brasileiro é o setor mais competitivo e disruptivo da economia brasileira. É também um dos que menos recebe subsídio governamental. Responde 21% do PIB, um quinto de todos os empregos e quase metade das exportações brasileiras. Alimentamos um em cada cinco habitantes do planeta e fazemos isso de forma sustentável: protegemos, preservamos ou conservamos 66,3% da vegetação e florestas nativas. Os produtores preservam um quarto do território brasileiro dentro das propriedades rurais, sem receber nada por isso.

Com uma agricultura movida a ciência garantiremos o futuro e a segurança alimentar da população brasileira e mundial. É no banco genético da Embrapa, localizado em Brasília, DF, o 5o maior do mundo, que estão armazenadas mais de 120 mil amostras de animais, plantas e microrganismos, vindos de todas as partes do mundo. Há espaço para 700 mil amostras. Uma verdadeira Arca de Noé. É lá que buscaremos variabilidade genética para enfrentar novas pragas e doenças que poderão atacar plantações e animais em solo brasileiro. É uma questão de segurança nacional.      

Nos próximos dez anos os desafios serão diversos e complexos. Em 2030 teremos 8,5 bilhões de pessoas. A demanda por alimentos aumentará 35%, enquanto a de energia e água crescerão 40 e 50%, respectivamente. Precisaremos de mais conhecimento, mais ciência e tecnologia. Edição genômica, gestão de riscos, agricultura digital, intensificação sustentável, bioinsumos e os microbiomas são temas que estarão no centro da agenda da ciência agrícola da próxima década. A conectividade no campo será crucial para que avancemos de forma consistente. Hoje, segundo dados do IBGE, mais de 70% das propriedades rurais não tem acesso à internet. A China já tem 95% do seu território conectado. Os EUA avançam a passos largos. A ausência de conexão no campo pode atrasar o desenvolvimento e reduzir a competitividade do agro brasileiro.

A ciência moveu a agricultura nas últimas cinco décadas. Seguirá tendo papel central na modernização do agro e no aumento da capacidade de produção, competitiva e sustentável, da agricultura brasileira.

*Celso Moretti é Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa

Comentário (0) Hits: 505

Henrique Cecci: Tudo precisa de infraestrutura

henrique_cecci_3.jpgPor Ethevaldo Siqueira
12/03/2020 - Henrique Cecci, diretor de pesquisas do Gartner concede entrevista exclusiva ao portal Mundo Digital. A seguir, um resumo dos principais temas tratados.

“Tudo precisa de infraestrutura” — afirma Cecci. “É uma das áreas mais importantes para as empresas, para operar, e que está se transformando muito rapidamente, por conta de cloud computing, de inteligência artificial ou de edge computing, seja por conta de outras tendências, como quase tudo em Tecnologia da Informação. Mas essa área corresponde ao alicerce ou às fundações sobre a qual colocamos nossas aplicações e da parte operacional das empresas.”

Henrique Cecci lembra que “antigamente a parte de Infraestrutura era mais centralizada. Hoje é mais distribuída, mais conectada, com tecnologias, novas formas de se fazer as coisas de antigamente e muita automatização — o que vai transformando aquilo que era uma infraestrutura isolada e mais dedicada apenas à empresa.”

Há, portanto, uma grande transformação dessa área. “No passado, as pessoas responsáveis por essa área eram muitas vezes consideradas como profissionais de suporte – ou seja – pessoas que cuidavam da infraestrutura, como uma área auxiliar. Hoje, essa é considerada, na expressão em inglês, “infrastructure-led disruption” – ou seja, disrupção conduzida ou alavancada pela infraestrutura.”

Mas essa é uma disrupção positiva porque a área de infraestrutura consegue trazer para as organizações. “O líder dessa área não é mais uma pessoa que se comporta como suporte para a operação de negócios, como era visto no passado. Hoje, não, pois essas pessoas lideram muitas vezes essa disruptura nas empresas, porque elas possibilitam coisas que, no começo não podiam ser realizadas ou alcançadas. Seja nas plataformas digitais, seja ao capacitar a empresa a operar em modelos operacionais que não existiam.”

Vejamos a questão da mobilidade, que chamamos de “mobile”. Podemos ter plataformas móveis, usar essas aplicações e distribuir em outras plataformas. Não só em aplicações de mobile, mas de edge computing e de internet das coisas. O profissional dessa área que antes era visto como uma pessoa que apenas auxiliava as demais áreas de aplicação e de negócios, hoje tem outro papel. Antes ele era liderado. Agora ele lidera. Como o lema da Cidade de São Paulo, Non ducor, duco. Não sou conduzido, conduzo.

As empresas perceberam que a área de infraestrutura é muito importante porque está em permanente transformação. E não dá para o responsável por ela permanecer passivo diante das mudanças. Ele precisa ter a capacidade de influenciar as decisões, de alterar procedimentos ou o modo operacional da empresa, que depende da infraestrutura computacional que ela tem.

No passado não se pensava muito em externalizar o conteúdo de informações de uma empresa, o que só veio a acontecer em grande escala com a chegada da Cloud Computing, que se tornou, na realidade, um outro fator de mudança nessa área. Vale lembrar que Cloud tem pouco mais de 13 anos de existência desde os seus primeiros serviços.

Hoje ela é um instrumento de inovação e não apenas uma opção de computação externa. Hoje em dia, os fornecedores de Cloud oferecem uma grande quantidade de serviços. A questão ou desafio hoje é, primeiro, adequar o que deve ser o primeiro modelo para o seu caso, o da sua organização. Cloud é algo fantástico para muita coisa, mas não para tudo. O importante é saber o que faz sentido e o que não faz.

Cloud poderia significar sempre uma forma de redução de investimentos em infraestrutura?

Henrique Cecci: Sim e não. Infelizmente não existe uma resposta única para tudo. Há situações que sim, em que se consegue reduzir o custo. Primeiro, temos que considerar se se trata de custo total. É preciso saber bem que tipo de custo estamos comparando. Cloud pode ser uma solução bastante cara.

É verdade que Existem provedores de serviços dos quais se podem comprar os serviços sem necessidade de se fazer o investimento?

Henrique Cecci: Sim. Cada vez mais se fala de infraestrutura flexível. Assim, há modelos que nos permitem usar serviços e infraestrutura de dentro de casa ou de fora de casa. Mas não podemos generalizar quanto às soluções externas. Há casos em que as soluções são muito boas para certas situações, dependendo do tipo de aplicação. Outros tipos de aplicações, que são únicas, mais exclusivas.

Comentário (0) Hits: 471

Plataforma Sophie ajuda na prevenção ao coronavírus

sophie_line.jpg17/03/2020 – Plataforma Sophie utiliza Inteligência Artificial para informar sobre os sintomas, como agir em caso de viagens agendadas e eventos programados

Enquanto autoridades e entidades médicas trabalham mundialmente para barrar a propagação do novo coronavírus, as empresas buscam formas de conciliar suas atividades com ações que estimulem a prevenção e a segurança de seus funcionários. Na Stefanini, multinacional brasileira referência em soluções digitais, sua plataforma de Inteligência Artificial Sophie está sendo utilizada para informar os colaboradores sobre o COVID-19, principais sintomas, como as pessoas devem se prevenir e como a companhia está atuando neste momento de cautela.

Na última semana, a plataforma de inteligência cognitiva foi treinada pela equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da Stefanini para responder via chat, pelo canal Stefanini Atende, às principais dúvidas sobre o tema no Brasil. “Estamos priorizando 100% a comunicação, transmitindo tranquilidade e confiança para superarmos este novo desafio”, afirma Marco Stefanini, CEO Global do Grupo Stefanini.

O trabalho remoto é recomendado para aqueles que tenham algum sintoma aparente ou que pertençam a grupos de maior preocupação, como gestantes, pessoas com mais de 60 anos ou que tenham baixa imunidade.

Atualmente, as viagens internacionais para Europa, Ásia e EUA estão canceladas. Para América Latina e Brasil, as viagens foram restringidas, mantendo a orientação de priorizar as reuniões virtuais. A estimativa é de que 70% a 80% de todas as reuniões da companhia deixem de ser presenciais nas próximas semanas.

Sophie no RH

Projetada com um conjunto original e premiado de algoritmos de Inteligência Artificial, a plataforma substitui o atendimento humano baseado em scripts por automação, e faz isso de maneira cada vez mais sofisticada, com investimentos ambiciosos em processamento de voz e autoaprendizado. O objetivo é permitir velocidade e eficiência cada vez maiores na implantação e gestão da plataforma.

Desde o segundo semestre do ano passado, a tecnologia está sendo utilizada no RH da Stefanini para substituir a tradicional abertura de chamados pela interação por meio de chatbot e, consequentemente, melhorar a experiência dos colaboradores.

Experiência híbrida de atendimento digital, a Sophie atende em média 1625 chamados por mês no Brasil, o que corresponde a 35% do total, sendo 65% solucionados pela plataforma de IA.

Comentário (0) Hits: 645

SAS anuncia crescimento de 24% em 2019

sas_cassio_pantaleoni.jpgPor Thais Sogayar
13/03/2020 - O SAS cresceu no Brasil 24% em 2019 em relação a 2018, puxado, principalmente, pela demanda por analytics e experiência do cliente. De acordo com Cassio Pantaleoni, country manager do SAS Brasil, o Brasil representa cerca de 6% da receita global do SAS de 35% da América Latina. Em 2018, as receitas operacionais da multinacional foram de US$ 3,27 bilhões.

Além disso, o resultado também reflete o desempenho da empresa na venda de soluções de fraude, risco, customer intelligence, especialmente para bancos, seguradoras, operadoras de telecom e governo.

Segundo Pantaleoni, esse crescimento do Brasil se deve a uma estratégia que foi montada com objetivo de oferecer ao cliente uma percepção distinta do uso do SAS, apoiado em serviço de valor agregado.

Passou a ser um desafio para a SAS Brasil “monitorar as tendências do cliente enquanto cliente, as tendências da indústria daquele cliente, e as tendências da tecnologia de modo a entender como ele chegou até aqui no processo de maturação do uso de analytics”, explica Pantaleoni.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 12/03, o executivo explicou que “é possível verificar pelos números que a variável de serviço cumpriu um papel importante, embora não tenha sido o único elemento do nosso sucesso, mas foi sem dúvida, um dos mais importantes”.

Estratégias para 2020

O principal foco do SAS para 2020 será garantir a melhor experiência para seus clientes, sobretudo na entrega de valor e geração de resultados de negócios. “Entender as necessidades dos nossos clientes é uma das nossas prioridades, e isso deve ser intensificado ao longo desse ano, diz o executivo.

Para tanto, a empresa se apoia em três pilares estratégicos: uma sólida fundação tecnológica, com plataformas robustas e preparadas para as necessidades dos atuais clientes, um time capacitado e satisfeito com o trabalho e alinhamento às principais tendências do mercado.

Com relação às expectativas para 2020, Pantaleoni disse que espera um aumento de 10% nas receitas em 2020, em relação a 2019, mas disse estar avaliando os impactos econômicos do coronavírus Codiv-19 para a empresa. "Todo mundo vai rever a meta. Mas, pelos números que estamos monitorando, o nosso primeiro trimestre deve ser bom, se não tiver nenhuma medida do governo de retirar autonomia das empresas", ressaltou o executivo.

Comentário (0) Hits: 617

HC aprimora central de serviços de TI

digisystem_hc.jpg11/03/2020 - O Hospital das Clínicas de São Paulo (HC), maior complexo hospitalar da América Latina, enfrentava grandes desafios relacionados à sua central de serviços de TI. Comandado por diversas empresas e equipes de suporte, o sistema do hospital gerava informações descentralizadas e excesso de custos para a instituição. Este cenário resultou em um alto nível de abandono de ligações no Service Desk e um baixo índice de resolução das chamadas no primeiro atendimento. Para atender a essa necessidade, a companhia brasileira Digisystem, aprimorou o serviço da central de atendimento para solução Service Desk 5.0 no HC, resultando em mudanças positivas para os funcionários que agora passam a contar com um sistema mais ágil e eficiente, possibilitando um atendimento mais humanizado para os pacientes que entram em contato todos os dias.

A adoção da tecnologia da Digisystem promoveu melhoras significativas no sistema do Hospital das Clínicas em relação ao Tempo Médio de Atendimento com média de 02:54 em 2019. Além disso, a Resolução em Primeiro Atendimento (FCR) foi de 32,30% em 2018 e 37,68% em 2019, mesmo com a queda no total dos chamados e, o SLA de abandono reduziu inicialmente para 5,73% em 2018 e 04,72% em 2019 das ligações, chegando a 4%.

De acordo com o Diretor Executivo da Digisystem, João Paulo Nieto, o processo para apresentar uma solução de melhoria dos índices da CS começou por meio de reuniões e análise do fluxo de atendimento. "As reuniões com as diretorias e os usuários dos institutos atendidos eram necessárias para identificar os principais problemas e o que poderia evoluir. A análise do fluxo de atendimento e metodologia de gestão da Central e dos KPI's (indicadores de desempenho) da operação, nos permitiram mapear os principais gargalos", explica.

Principais desafios da jornada de atendimento no Hospital das Clínicas

Dentre os principais desafios destacam-se a robotização no atendimento percebido por parte dos usuários, a sensação de falta de resolução no primeiro atendimento telefônico e ainda a falha de comunicação entre as equipes de Service Desk e Sistemas - ocasionando interferências nos atendimentos e falta de atendimento dos chamados de sistemas com complexidades médias e altas. Também havia problemáticas como em relação à lentidão na solução do problema, desvios de fluxo constantes, rotatividade de colaboradores, sensação de insegurança por parte do usuário final e dos gestores das TI's quanto às informações da Central de Serviços e ainda uma média de 12,5% de abandono de ligações.

Nieto revela que a identificação dos desafios foi essencial para que os times de profissionais da Central de Serviços compreendessem que a excelência operacional é o primeiro passo da transformação, além de uma mudança significativa no escopo de trabalho. "Para evoluir o serviço de atendimento de TI, os indicadores de produção foram analisados durante três meses, para posteriormente seguirmos em busca de alcançar os níveis ideais de serviços planejados e desenhar uma nova estratégia, mudando a metodologia de trabalho para ganhar eficiência", esclarece.

Tecnologia com foco em melhorar a experiência do usuário

As principais mudanças para que a solução fosse implementada com sucesso incluíram o estudo das categorias eletivas que mais sofrem perdas pela central e das que podem ser absorvidas de Suporte Sistemas, revisão e ajuste dos fluxos de atendimento telefônico na Central, criação de scripts e documentos de apoio.

Para a segunda fase do projeto, relacionada à estrutura, foi realizado um ajuste na disposição dos profissionais da Central de Serviços. A equipe operacional recebeu capacitação para ir além do atendimento de informática, como fazer o gerenciamento de TI com foco na satisfação do usuário para mostrar o quanto essa área é importante para o desempenho do negócio.

Comentário (0) Hits: 672

A IBM ingressa na era das tecnologias exponenciais

tonny_martins_2.jpgPor Ethevaldo Siqueira
04/03/2020 - “A evolução tecnológica que o mundo viveu até a primeira década do novo milênio foi impressionante, mas o que estamos vendo agora é algo muito maior e nunca visto antes quanto ao seu impacto, abrangência e velocidade” — afirma Antonio (Tonny) Martins, presidente da IBM Brasil, em entrevista exclusiva ao Mundo Digital. Esta é a primeira parte da entrevista, na qual o executivo nos mostra que o mundo vive um novo e poderoso processo de mudanças tecnológicas. E explica:

“Quando combinamos a velocidade, capacidade de processamento, com algo de maior magnitude, capacidade de armazenamento, evolução da engenharia de software, metodologia, criação de novos algoritmos, com as tecnologias exponenciais e 5G, essa é uma conjunção revolucionária de fatores”.

Seria esse o cenário da Quarta Revolução Industrial?

“Esse é o cenário que possibilita não apenas a Quarta, mas cria as bases para as futuras revoluções tecnológicas, com sólida base em três vertentes tecnológicas. A primeira é das tecnologias exponenciais, em que temos a Inteligência Artificial (IA) no centro dessa transformação. Mas se olharmos os grandes projetos disruptivos e inovadores, eles usam a IA, mas sempre acompanhada de outras tecnologias — como por ex. IoT, Analítica Avançada, Blockchaim, Robotização e outras.”

“Com essa primeira vertente com essas tecnologias, de modo que se possa recriar nossos modelos de negócios, ofertas de serviços, produtos, nossa forma de operar. O mais interessante é que, com a combinação dessas tecnologias e ao fazer bom uso delas, a empresa pode não apenas se reposicionar mas, também, recriar seu negócio.”

“Consegue-se algo que, no passado era muito difícil: a ultra personalização, ultra precisão, ultra assertividade, predição e escala. Essas áreas não necessariamente andam junto com a escala e com o crescimento. No passado, se falava nas dores do crescimento: a empresa crescia mas não necessariamente conseguia dar qualidade. Hoje, se consegue crescer muito, ser muito preciso, trazer mais qualidade, a um custo acessível. Em resumo: a primeira vertente é, então, a que chamamos de Inteligência Artificial e as tecnologias exponenciais.”

E a segunda vertente?

“É a da Computação em Nuvem. E hoje, temos o ponto de vista muito claro que essa computação nos possibilita usar o melhor da tecnologia sem ter que fazer investimentos significativos, na infraestrutura, na complexidade do passado e no custo de investimento.”

“E temos uma visão de que a evolução do que chamamos de Computação em Nuvem é o que estamos chamando aqui na IBM de sky computing. Porque, na verdade, em lugar de uma nuvem, nós podemos ter múltiplas nuvens. Ou seja, as empresas não vão utilizar apenas uma nuvem, mas vários provedores de nuvens. Serão nuvens híbridas, ou seja, com diferentes tipos de computação, como edging computing — com nuvens públicas e nuvens privadas. Elas serão abertas e gerenciadas. E terão que ser seguras.”

“Em síntese: nessa segunda vertente é a computação em nuvem ou sky computing, múltiplas nuvens, abertas, gerenciadas e seguras, que vão nos vão possibilitar que tenhamos cada vez mais capacidade computacional, flexível e de uma forma dinâmica.”

E como será a terceira vertente?

“A terceira vertente é a da Computação Quântica — algo que a IBM saiu na frente, com o computador quântico de 53 Qbits, que é, na realidade, uma revolução computacional. Com ele, foi repensada a computação tradicional dos zeros e uns, ou bits. A Computação Quântica, com os Qbits, nos oferece capacidades de armazenamento e de processamento infinitamente maiores, ideais para determinados trabalhos.

Com a chegada Computação Quântica, podemos prever que a computação clássica vai desaparecer?

Não. Em minha opinião, a Computação Clássica nunca vai desaparecer, mas quando se trata de cálculos de algoritmos complexos, manipulação de volumes absurdamente grandes de dados estruturados e não-estruturados, cálculos científicos e coisas muito próximas de nosso tema de Inteligência Artificial, nesses casos todos, a Computação Quântica nos dá uma capacidade de processamento infinitamente superior.

A IBM já tem em sua nuvem, para alguns clientes, uma série de serviços de Computação Quântica e que são oferecidos gratuitamente, como demonstração.

Em sua avaliação, qual é a perspectiva de tempo para a maturação da Computação Quântica, para que ela se torne disponível para as maiores empresas, universidades e laboratórios do mundo?

Nossa previsão é de três a cinco anos. E essa é uma corrida que já decorre de contratos de trabalho. Tanto assim, que temos capacidade de Computação Quântica. E um dos nossos grandes desafios será não apenas a disponibilização, mas, também, a formação de profissionais. Hoje, temos a programação clássica, em álgebra booleana, mas para a computação quântica teremos que formar programadores e operadores. Assim, vamos precisar de mão de obra qualificada, o que aumenta ainda mais nosso desafio. E isso tudo está em aberto.

Voltando um pouco à Internet das Coisas, de que maneira a IBM estará participando dessa tecnologia?

Como vimos, IoT está no grupo das tecnologias exponenciais, no campo da Inteligência Artificial, juntamente com Analítica Avançada, Blockchaim, Robotização e outras. Lembro neste ponto que a IBM tem múltiplos casos em que a empresa tem investido aqui no Brasil em várias iniciativas, para preparar nossas equipes e na de nossos clientes, para dominar todos esses avanços tecnológicos.

Quando a gente olha, por ex., esse trio Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Blockchain, a IBM investiu no primeiro centro de pesquisas de Blockchain na América Latina, que se tornou referência. Em outubro de 2019, a IBM anunciou o primeiro registro de recém-nascido no Brasil por meio da tecnologia Blockchain, ocorrido no Rio de Janeiro. O processo pioneiro, que seguiu normas e procedimentos legais, foi possível graças à rede Notary Ledgers da Growth Tech, que fornece serviços cartoriais digitalmente, com o uso do IBM Blockchain Platform na IBM Cloud.

E temos em convênio com a USP e FAPESP, nosso primeiro Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil, IoT, Blockchain, Analítica Avançada e Robotização. Esse centro será o mais avançado do Brasil nessa área. As pesquisas serão aplicadas a diferentes segmentos do mercado, com focos em recursos naturais, agronegócio, meio ambiente, finanças e saúde, criando avanços científicos significativos e formando pesquisadores e profissionais em IA.

E o terceiro investimento foi em Cloud Computing. A IBM anunciou este ano que vamos ter a nova região de Cloud –que é será o sétimo Centro de Computação da IBM no mundo, mais moderno e mais avançado em Nuvem no Hemisfério Sul. Elevamos nossa capacidade, mais performance, mais escalabilidade, e esse

E há mão de obra disponível no Brasil para esse nível de trabalho?

A IBM está formando, com uma série de iniciativas, como por exemplo, em conjunto com o Centro Paula Sousa e o governo do Estado de S. Paulo, na formação de recursos técnicos. O Brasil precisa formar mais técnicos, a partir do ensino de segundo grau.

Quem é Tonny Martins, presidente da IBM Brasil

tony_3.jpgTonny Martins, presidente da IBM Brasil é carioca e tem 29 anos na empresa, onde começou como estagiário em programação. Sucessivamente, fez curso técnico, foi analista, consultor, e em 1994 entrou para a área de Business e foi para fora do Brasil tomar conta do setor de serviços e aplicações para a área então chamada de Mercados Emergentes, na China, em Xangai. A China já estava preparada o grande desenvolvimento econômico que viria a experimentar nos anos seguintes, com um projeto muito bem estruturado que envolvia tecnologia. Depois da China, assumiu a presidência da IBM no México e, desde o começo de 2018, a presidência da IBM Brasil.

"Ao longo das últimas décadas — conta ele — vivi períodos de muitas mudanças na IBM, porque saímos de uma indústria de TI, em que a computação era um suporte para as empresas, que, no final dos anos 1980 ajudava as áreas críticas das empresas e áreas administrativas, numa sequência de mudanças que passou pela computação distribuída, com o amadurecimento da indústria de software, que evoluiu para serviços, internet, mobilidade e agora tecnologias exponenciais. Foram ciclos de aproximadamente sete anos em que a IBM teve que se adaptar. E os anos 1990 que foram, talvez, os de maior transformação tecnológica no mundo."

Comentário (0) Hits: 840

newsletter buton