Como começar uma carreira em tecnologia

andrea_tedesco.jpg*Por Andrea Tedesco
21/12/2018 - É fato que o avanço tecnológico acelerado dos últimos anos está  transformando todo o mercado de trabalho, que vem se adaptando constantemente para suprir a demanda existente na área. Em todo o Brasil, são cerca de 250 mil vagas para cargos digitais, um setor que movimentou US$ 38 bilhões só em 2017 no país, e é com esse cenário que as pessoas pensam em começar uma carreira tecnológica.

A era digital não tem barreiras, por isso, qualquer tipo de pessoa pode ingressar em uma carreira promissora e que faça sentido para ela. Para iniciar na carreira digital o profissional deve desenvolver o senso de pesquisa e prioridade para ficar antenado em todas as necessidades que a área pede.

Além disso, estudar em uma escola conceituada e que lhe traga ferramentas adicionais como conexões com a comunidade de tecnologia, desenvolvimento de soft skills e gerenciamento de empregabilidade, como a Digital House, hub de educação para a formação de profissionais de alta performance para o universo digital, são dicas para quem deseja ingressar na carreira da tecnologia.

Uma boa notícia é que as empresas estão mais abertas em receber profissionais em início de carreira e que possuem talento e capacidade de execução. A demanda do mundo digital faz com que novos profissionais possam ingressar no mundo da tecnologia e, portanto, elas voltam seus olhares para o desenvolvimento dos novos colaboradores. As contratantes estão procurando desenvolver programas para ensinar competências de digital e realizando parcerias com escolas que formam profissionais interessados em desenvolver essas técnicas. Dessa forma, as próprias empresas e escolas tornam-se novos polos de talento.

Já para quem quer fazer uma transição de carreira e não "jogar fora a experiência anterior", é importante que a pessoa desenvolva habilidades de gerenciamento de carreira que o farão conectar-se com as competências anteriores e relacioná-las às necessidades do cargo atual. Gerenciar carreira é encontrar o ponto de encontro dessas competências e transformá-las em resultados.

Após tudo isso, administrar os pontos da empregabilidade (capacidade de manter-se atraente no mercado), como o acompanhamento das tendências do seu mercado, conhecimento das habilidades técnico-comportamentais, desenvolver o branding (marca) pessoal, usar seu networking a favor de seus projetos, estar presente em eventos e comunidades da área, administrar sua inteligência emocional e saber extrair os resultados que oferecem em cada desafio ao longo de sua carreira, são essenciais para manter-se ativo no setor e sempre destacado dentro dele.

*Andrea Tedesco é Mentora de Carreiras da Digital House, hub de educação para a formação de profissionais de alta performance para o mercado digital.

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BB agora permite saque pelo WhatsApp

whatapp2.jpg20/12/2018 - O Banco do Brasil a partir de agora, permite que os clientes realizem saques por meio do WhatsApp, sem necessidade de cartão e senha para finalizar a operação.

Para iniciar a operação, o cliente inicia uma conversa pelo aplicativo de mensagens com o número (61) 4004-0001, digitando “saque sem” ou “saque sem cartão”. O chatbot perguntará qual valor do saque e o cliente confirma a operação digitando a senha do cartão. O valor máximo por operação é de R$ 300 por dia (sempre em valores múltiplos de R$ 10).

Feito esse processo, basta se dirigir a um terminal de autoatendimento do Banco do Brasil com o código informado pelo assistente virtual. O código tem validade até às 23h59 do dia da solicitação.

Com essa solução, já são 15 transações que os clientes do BB podem realizar pelo WhatsApp, entre transferência entre contas, recarga de celular, liberação de cartão de crédito e consultas de saldo e extratos de conta corrente, poupança e investimentos, por exemplo. No final de novembro, o BB disponibilizou a recarga do Bilhete Único, a solução de transporte público do município de São Paulo. O serviço via WhatsApp está disponível para todos os clientes. Desde o lançamento do piloto, foram realizadas mais de 220 mil transações.

Inteligência artificial

A solução alia o uso da inteligência artificial, com a prontidão do chatbot. As mensagens são criptografadas de ponta a ponta. Para acessar o Banco do Brasil no WhatsApp, é necessário apenas salvar o telefone [55] 61 4004 0001 no celular e iniciar uma conversa. Quando um serviço de informações, como solicitar um extrato de conta corrente, for solicitado pelo cliente, um código de confirmação será enviado pelo Banco via SMS.

Para as outras transações, os clientes também deverão digitar sua senha. Depois, o cliente receberá uma resposta confirmando a transação, tudo em texto. Se houver necessidade de atendimento humano, o cliente passará a ser atendido por um funcionário do BB.

Chatbot

Desde 2017, o Banco do Brasil utiliza o Watson da IBM, uma solução em inteligência cognitiva, para ajudar os funcionários a resolver os problemas dos clientes. Em agosto de 2017, a tecnologia também começou a ser usada para dar suporte aos pedidos dos clientes no Facebook Messenger. O assistente virtual responde usando uma linguagem natural e aprende constantemente com base nas interações dos usuários.

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As 10 principais tendências para I&O em 2019

trends_3.jpg20/12/2018 - O Gartner destaca as principais tendências que os líderes de infraestrutura e operações (I&O) devem começar a preparar para suportar a infraestrutura digital em 2019.

"Mais do que nunca, o departamento de infraestrutura e operações precisa se envolver com o dia a dia das áreas estratégicas das empresas. O foco dos líderes desse setor não é mais entregar apenas engenharia e processos para as operações, mas entregar produtos e serviços que suportem e permitam a estratégia de negócios das organizações", diz Ross Winser, Diretor de Pesquisa Sênior do Gartner. "A questão é como podemos usar os recursos como inteligência artificial (IA), automação de rede ou computaas 10 principais tendências para I&O em 2019ão de ponta para suportar infraestruturas em rápido crescimento e que precisam atender às necessidades das companhias".

Nesse contexto, o Gartner encoraja os líderes de infraestrutura e operações a se prepararem para as 10 tecnologias e tendências que apoiarão a infraestrutura digital em 2019. São elas:

Computação sem servidor - A computação sem servidor (Serverless, em inglês) é um padrão emergente de arquitetura de software que promete eliminar a necessidade local de provisionamento e gerenciamento de infraestrutura. Os líderes de infraestrutura e operações precisam começar a adotar uma abordagem centrada em aplicações para computação sem servidores e com gerenciamento de APIs e SLAs, ao invés de seguirem com infraestruturas físicas criadas em suas empresas. "A verdade é que os servidores continuarão a existir, mas os provedores de serviços é que serão os responsáveis por toda a análise e dimensionamento dos recursos envolvidos no ambiente, o que resultará em mais agilidade às organizações", explica. Vale lembrar que esse tipo de tecnologia não substituirá a aplicação de contêineres ou máquinas virtuais, sendo fundamental saber como usar melhor o conceito sem servidor antes de aplicá-lo. "O desenvolvimento de recursos de suporte e gerenciamento desse tipo deve ser um foco dentro das equipes de infraestrutura e operações, pois mais de 20% das organizações globais implementarão tecnologias de computação sem servidor até 2020. Hoje, menos de 5% das companhias usam esse formato", afirma Winser.

Impactos de Inteligência Artificial - A Inteligência Artificial está crescendo em importância para os líderes de infraestrutura e operações que precisam gerenciar infraestruturas em plena expansão e que, ao mesmo tempo, não podem aumentar sua equipe. Os recursos de inteligência artificial têm o potencial de transformar as organizações e estão no centro dos negócios digitais, cujos impactos já são sentidos pelas companhias. De acordo com a Gartner, os negócios derivados de Inteligência Artificial chegarão a US$ 3,9 trilhões até 2022.

Garantir agilidade de rede - A infraestrutura e a capacidade de rede são a base de tudo o que a área de TI faz - soluções em Nuvem, Internet das Coisas (IoT) e serviços de ponta, por exemplo, sendo que continuarão avançando em 2019. "As equipes estão sob constante pressão para garantir a alta disponibilidade de rede. Ainda que a cultura das equipes muitas vezes limite as mudanças, o fato é que a demanda por agilidade na performance dessas operações também aumentou", diz Winser. O foco dos líderes de I&O para 2019 e nos próximos anos deve ser o de encontrar forma s para ajudar suas equipes a aumentarem o ritmo de trabalho, buscando opções para atender à necessidade por mais agilidade. "Parte dessa resposta é a criação de um ambiente com automação e análise, capaz de lidar com a mudança real das empresas", explica.

O Gartner avalia que as demandas por melhorias de perfomance de rede deverão crescer com o advento do 5G, da maturidade das soluções em Nuvem e com a explosão no número de dispositivos de IoT. "Essas são apenas algumas das pressões que os líderes devem antecipar. Então, o período crítico para lidar com este desafio é agora", diz o analista do Gartner.

A Morte do Data Center - O Gartner prevê que, em 2025, 80% das organizações migrarão seus dados de Data Centers locais para ambientes no formato de co-location, hospedagem ou Nuvem, levando-as ao gradual encerramento de seus Data Centers tradicionais. "Os líderes de I&O devem se preparar para esse movimento, ajustando as cargas de trabalho com base nas necessidades dos negócios e não se limitando a decisões baseadas em localização física. Desde a hospedagem até a Nuvem Pública, existem muitas alternativas para os Data Centers locais. Os líderes devem identificar se existem razões verdadeiramente estratégicas para persistir com necessidades locais, especialmente quando consideram que a quantidade significativa de investimento envolvida é muitas vezes amortizada ao longo de muitos anos", afirma o analista. As preparações devem come çar agora, pois o prazo crítico para isso será de 2021 a 2025.

Edge Computing - O avanço de dispositivos de Internet das Coisas e de tecnologias imersivas levarão o processamento de informações ao limite, redefinindo e reformulando o que os líderes de I&O precisarão implantar e gerenciar. A borda, nesse caso, é o local físico onde as coisas e as pessoas se conectarão com o mundo digital em rede - espaço que fará a infraestrutura a chegar cada vez mais ao seu limite. A Edge Computing faz parte de uma topologia de computação distribuída em que o processamento de informações es tá localizado próximo à borda, que é onde as coisas e as pessoas produzem ou consomem essas informações. Edge Computing aborda as leis da física, economia e terra, que são fatores que contribuem para como e quando usar borda. "Essa é outra tendência que não substitui a Nuvem, mas a potencializa", diz Winser. "O prazo crítico para as organizações adotarem essa tendência é entre 2020 e 2023".

Gestão de Diversidade Digital - A gestão da diversidade digital não é sobre pessoas, mas sim sobre a descoberta e manutenção de ativos que estão "lá fora" em qualquer empresa digital moderna. "Houve um enorme crescimento na variedade e na quantidade de 'coisas' que a área de I&O deve conhecer, apoiar e administrar", afirma o Diretor. "O gerenciamento tradicional de ativos ainda é importante, mas estamos nos movendo para o envolvimento com novos modelos de gestão que podem ter efeitos diretos nas finanças, na saúde e no bem-estar dos clientes das organizações" . Preparar a área de I&O para esse cenário é vital antes do período crítico, que deverá ser de 2020 a 2025.

Novos papéis de I&O - Os líderes de infraestrutura e operações consideram que a justificativa principal de seus times se baseia na resolução de complexas relações de custos, atividades e expectativas de qualidade de seus clientes internos. Porém, o fato é que explicar para os gestores de TI e de negócios qual são os papeis da equipe de I&O para o sucesso dos negócios e dos objetivos estratégicos das organizações é uma grande necessidade das empresas atuais. "A TI está assumindo cada vez mais o papel de suportar serviços em Nuvem em termos de agregação, personalização, integração e governança. Um grande desafio com serviços baseados em Cloud Computing é manter os custos sob controle, e a empresa espera que a área de I&O faça exatamente isso. Em vez de se concentrar apenas em engenharia e operações, o planejamento de infraestrutura deveria desenvolver os recursos necessários para intermediar serviços; isso exigirá papéis diferentes para as novas equipes de infraestrutura e operações", diz Winser. O prazo crítico para esta tendência começa imediatamente, agora em 2019.

Software como Serviço (SaaS) - SaaS é um software é entregue e gerenciado remotamente por um ou mais fornecedores. O fabricante de software fornece esse software com base em um conjunto de códigos comuns e com definições que são consumidos em um modelo "um-para-muitos" por todos os clientes contratados, a partir do pagamento por uso ou como uma assinatura definida por métricas de uso. Em 2019, SaaS terá um grande impacto em como as organizações observam as estratégias de entrega de infraestrutura que estão em andamento. No entanto, a verdade é que a maioria dos líderes d e I&O ainda está focada nas ofertas de infraestrutura e plataforma como soluções de serviços. "O modelo SaaS em si está se tornando complexo em um nível que as áreas de TI ainda não estão preparadas como deveriam. A mudança para SaaS deve ser acompanhada pela equipe de I&O, desde a manutenção da visibilidade do que está em uso até o suporte aos requisitos de conformidade e às necessidades de integração da empresa. Os líderes devem começar isso agora, pois a pressão aumentará em 2021 e nos anos seguintes", afirma.

Gestão de talentos se torna crítica - Historicamente, a equipe de TI foi organizada verticalmente com base na pilha de tecnologia que gerenciavam. À medida que as infraestruturas se tornam mais digitais é necessário que as pessoas trabalhem horizontalmente entre essas aplicações para identificar e remediar qualquer tipo de interrupção tecnológica que possam acontecer em seus negócios. A expansão de conjuntos de habilidades de I&O para acomodar operações híbridas é de extrema importância para os próximos anos. "O talento é o ingrediente crítico para uma organização de tecnologia moderna e de alto desempenho. Vale destacar que talentos brilhantes estão em falta no mercado. As pessoas que demonstrarem versatilidade e adaptabilidade estão se tornando obrigatórias, particularmente em ambientes híbridos", diz Winser.

Ativação de Infraestrutura Global - Apesar de poucas infraestruturas serem realmente "globais" por natureza, as organizações ainda precisam se preparar para a noção de "infraestrutura em todos os lugares". Ao fazer isso, os líderes de I&O devem trabalhar dentro de orçamentos restritos e diante de pressões para redução de custo. Uma maneira de enfrentar esse desafio é escolher sabiamente a rede de parceiros necessária para o sucesso global. "Os líderes de infraestrutura e operações devem olhar com atenção para seus fornecedores e elevar o nível de parceria", diz o especialista. O Gartner recomenda que os líderes analisem se os parceiros podem identificar claramente o valor que precisam geram no contexto da infraestrutura global e se eles estão preparados para potencializar os investimentos feitos por suas com panhias. "Não haverá tempo para fornecedores do 'tipo B' em 2019 e nos próximos anos. Os líderes de I&O ficar de olho nessa tendência entre 2020 e 2023".

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Millennials de TI querem liberdade na criação

priscilla_preez_unsp.jpg17/12/2018 - Segundo pesquisa da Microsoft, os jovens millennials - também conhecidos como geração Y ou geração da internet, nascidos entre 1980 a 1995 - são grande influência em empresas de TI. Eles têm como objetivo priorizar a tecnologia em seus trabalhos e assim otimizar a transformação dentro da área. Com isso, os millenials realizam mudanças dentro da organização por meio de novas tecnologias, expansão de habilidades, procedimentos de trabalho, entre outras alterações.

Esses jovens também esperam que seus empregadores ofereçam liberdade na criação e execução dos trabalhos - ainda segundo a pesquisa, 88% dos millennials dizem que as políticas e procedimentos atuais de TI de suas organizações não permitem que usem a criatividade como desejam.

Brasileiras inovam para chamar a atenção dos millennials

No Brasil, empresas com cultura de startup já têm essa percepção e inovaram na forma de atrair e reter os talentos dessa geração. A FCamara - empresa brasileira que transforma problemas de TI em soluções inovadoras - por exemplo, aposta em millenials para formar um "time de elite" inovador e vencedor. Já são mais de 500 colaboradores e sua maioria tem idades entre 20 e 30 anos - muitos já estão em cargos de liderança, independentemente da idade.

A empresa está entre as 10 melhores PMES para se trabalhar pelo Ranking Love Mondays e já atendeu os maiores e-commerces do Brasil, entre eles: Netshoes, Walmart, e Riachuelo. "Apostamos em jovens millennials pois sabemos que eles são capazes de realizar um bom trabalho aliado a uma ótima gestão, assim como os mais experientes. Entendemos que o capital intelectual é fundamental para o crescimento de uma empresa e por isso pedimos que esses jovens colaboradores tenham muita força de vontade e curiosidade para descobrir o mundo. Durante todo o ano oferecemos diversos treinamentos e workshops, para ajudar ainda mais nas áreas de liderança, filosofia e gestão", explica Fábio Camara, CEO da empresa.

Programa de Formação

Outro grande atrativo da empresa é o Programa de Formação. Por meio dele, novos talentos são selecionados para participar de um estágio remunerado de 3 meses, no qual são inseridos em projetos reais e solucionam desafios semelhantes aos que encontrariam na rotina de trabalho da empresa. Os trainees recebem treinamentos e orientações por
meio de coaching filosófico ministrado por consultores da empresa e pelo próprio CEO. Os que finalizam o programa e se destacam são convidados a integrarem a equipe, sendo contratados efetivamente.

"Queremos treinar esses jovens talentos para formar times de sucesso. Na FCamara valorizamos a diversidade e trabalhamos de forma horizontal, incentivando as pessoas a crescerem pessoalmente e profissionalmente. Temos o compromisso de ter esses profissionais em nossa empresa pelo mínimo de 2 anos, pois acreditamos que esse tempo é um investimento positivo para os dois lados - a empresa que conta com a excelência do trabalho do candidato treinado e o profissional que sabe que está inserido em um ambiente onde suas ideias serão ouvidas e que ele encontra boas oportunidades de crescimento e desenvolvimento", finaliza Camara.

Crédito: Priscilla Du Preez / Unsplash

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Não assuste se vir um caminhão sem motorista por aí

caminhao_1.jpg*Por Michel Levy
17/12/2018 - Em outubro de 2016, a startup Otto, adquirida pela Uber por US$ 680 milhões, realizou a primeira entrega do mundo com um caminhão autônomo, transportando uma carga de 51.744 latas de Budweiser. O teste foi uma demonstração de um modelo híbrido, no qual o motorista dirige o caminhão até a rodovia e, a partir daí, a Inteligência Artificial assume o controle. Durante o percurso de 160 km entre Fort Collins e Colorado Springs o condutor sequer esteve na cabine, preferindo ficar confortavelmente acomodado em seu beliche. Ele só assumiu novamente o controle do caminhão quando entrou no perímetro urbano.

Este foi só o começo de uma nova era no mercado logístico.

Em março de 2018, Waymo e Uber anunciaram o início de seus serviços de transporte autônomo de cargas em diferentes localidades dos Estados Unidos. A Waymo escolheu a cidade de Atlanta, na Georgia, para que seus caminhões possam realizar entregas aos data centers do Google. Já o Uber anunciou o serviço Uber Freight, que une caminhões autônomos e caminhoneiros para realizar entregas no Estado do Arizona.

A corrida pela liderança em carros autônomos colocou na pista as montadoras tradicionais, como Volvo, Scania, Audi, Ford, Honda e BMW, mas atraiu também gigantes de tecnologia interessadas em disputar o futuro do setor automobilístico, agora conectado e dotado de Inteligência Artificial, entre elas Google, Apple, Intel, Uber, Baidu e Didi. A CB Insights listou nada menos que 46 empresas atuando no novo mercado entre fabricantes de automóveis e empresas da indústria digital.

A expectativa é para saber qual será a primeira empresa a lançar comercialmente um carro que dispense qualquer ação do motorista ao volante. Mas antes mesmo de fazer sua primeira viagem em um automóvel totalmente 'driverless', é bem provável que você irá receber alguma encomenda entregue por um veículo sem ninguém na direção.

E não estou falando de drones.

Do ponto de vista tecnológico, é mais simples programar a navegação para trafegar nas estradas, que têm fluxo mais estável e previsível, do que em ruas urbanas caóticas, repletas de cruzamentos, semáforos, pedestres, ciclistas e muito mais obstáculos. Basta o caminhão ficar dentro de sua faixa e manter uma distância segura dos demais.

Aqui no Brasil, dependendo do tipo de estrada, a precariedade da infraestrutura ainda pode representar uma barreira para a adoção em escala dessa modalidade.

Os analistas de risco preveem, e não há motivos para duvidar, que os caminhões autônomos serão mais seguros, o que não quer dizer, cabe logo salientar, que dispensarão a presença humana (não necessariamente um motorista) na cabine.

Para redução dos acidentes a tecnologia é mais que bem-vinda. Nos Estados Unidos, são quase 4 mil mortes causadas por ocorrências com caminhões todos os anos, alguns deles provocados pela fadiga ao volante. No Brasil, o transporte rodoviário é o principal modal para movimentar cargas e passageiros. Pela malha de 1.751.868 quilômetros de estradas brasileiras, a quarta maior do mundo, passam 56% de toda a carga movimentada no País. E o número de acidentes fatais também é alto. No período de 2010 a 2014, os que envolveram caminhões e ônibus registraram aumento de 15%, atrás apenas dos ocupantes de motocicletas (16% no mesmo período), segundo levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

A chegada da Inteligência Artificial na indústria de caminhões ocorreu junto com a de carros e começou a ganhar tração em 2016. Em setembro do ano retrasado, ao mesmo tempo em que a Uber lançava seus primeiros veículos autônomos, em Pittsburgh, a Tesla e a Mercedes apresentavam seus sistemas de condução driverless e cidades ao redor do mundo começaram a discutir com empresas do setor o tráfego de carros e caminhões autônomos em suas ruas.

Desde então, todas as grandes montadoras anunciaram passos relevantes no desenvolvimento de veículos majoritariamente ou inteiramente elétricos e mais investimentos foram feitos em veículos autônomos, com os caminhões assumindo a dianteira. O desenvolvimento acelerado da tecnologia de baterias, é um fator decisivo na viabilidade econômica dos veiculos autônomos.

Com o salto significativo nos últimos dois anos a tendência é de uma aceleração contínua, aumentando o interesse de novos empreendedores e investidores. Uma crescente lista de empresas, desde pequenas startups até as maiores frotas de caminhões dos Estados Unidos, aposta que esta realidade chegará nas rodovias mais cedo do que se imagina.

Rumo à conquista do espaço com a SpaceX, a Tesla, de Elon Musk, é uma das gigantes da tecnologia disposta a ganhar também rapidamente as estradas. Em novembro do ano passado, o visionário empresário apresentou o Tesla Semi, seu primeiro caminhão elétrico equipado com o sistema de condução autônoma Autopilot, que já é utilizado nos carros de passeio da fabricante. O destaque fica por conta da cabine altamente confortável. Há apenas um assento para o motorista, uma espécie de apoio de braços e duas telas de 15 polegadas, uma de cada lado do volante. É por elas que o motorista pode acompanhar a rota, acionar o sistema autônomo, controlar o som, o ar-condicionado, entre outras funções. De resto, é só relaxar.

A Embark, uma empresa iniciante do Vale do Silício, anunciou também que está testando sua tecnologia autônoma como parte de uma parceria tríplice com a empresa de locação de caminhões Ryder e a gigante de eletrodomésticos Electrolux. Segundo Alex Rodrigues, executivo-chefe da Embark, a intenção é levar a tecnologia autônoma para as rodovias o mais rápido possível.

Enquanto o Uber colocou um caminhão auto-dirigível para cruzar 344 milhas no Arizona com um motorista treinado para assumir o volante em caso de qualquer imprevisto, a startup Starsky Robotics foi além e realizou uma "assustadora" viagem de 7 milhas pela Flórida sem ninguém dentro do caminhão. O plano da empresa é começar a fazer entregas sem motoristas a bordo até o final deste ano. Mesmo que um motorista tenha que assumir o controle em alguma situação, o comando será dado a partir de uma sala parecida com as de call centers. Cada um irá monitorar de 10 a 30 veículos por hora através de video links e assumirá a direção usando volantes como os de video game.

Passo a passo, carros e caminhões estão tomando caminhos muito semelhantes para autonomia. Ambos usam sensores comparáveis (ultrassônico, radar, câmeras), mas os caminhões utilizam evidentemente uma quantidade muito maior. Os fabricantes de caminhões estão começando a oferecer uma ampla gama de soluções avançadas de sistemas de assistência, como frenagem de emergência, monitoramento de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo, manutenção de faixa, auxiliar de engarrafamento, entre outros.

Além de maior segurança, melhor eficiência no uso de combustível e menor emissão de carbono, os caminhões autônomos irão trazer enorme redução de custos às transportadoras.

De acordo com o US Census Bureau, nos Estados Unidos existem aproximadamente 15 milhões de caminhões em circulação, dos quais 2 milhões são reboques de tratores ou veículos de longa distância. Para manter as grandes plataformas na estrada, o mercado emprega aproximadamente 1,7 milhão de motoristas. Os caminhões transportam 70,1% de todo frete doméstico do País, o que representou um movimento impressionante de US$ 726 bilhões em 2015. No Brasil, há mais de 888 mil caminhoneiros em atividade, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2016, do Ministério do Trabalho, ou 2,2 milhões, de acordo com a Associação Brasileira de Caminhoneiros.

Ao retirar o motorista da direção durante o trecho de rodovia, analistas financeiros do Morgan Stanley estimam uma economia de US$ 168 bilhões, sendo US$ 70 bilhões em redução de pessoal, US$ 35 bilhões com melhoria de eficiência no uso de combustível, US$ 27 bilhões de melhoria de produtividade e US$ 36 bilhões em reparos e litígios a partir de incidentes ocasionados por motoristas.

A quantidade de carga transportada por carretas longas na próxima década deverá aumentar em 27%. A indústria de caminhões já enfrenta dificuldades em contratar, treinar e reter motoristas deste tipo de caminhão. As tecnologias autônomas serão a resposta para enfrentar o desafio de aumento da demanda. Muitos especialistas acreditam que a tecnologia automatizada dificilmente substituirá os caminhoneiros em breve – mas certamente alterará a natureza do trabalho desses profissionais.

Robert Haag, vice-presidente de operações da Perfect Transportation, deu uma entrevista na qual disse não haver intenção em acabar com a profissão. O objetivo, ao contrário, é aumentar a segurança, permitir que os motoristas sejam mais produtivos, alcançar melhor retorno e fornecer melhor serviço aos clientes. "Os motoristas passarão a ter um envolvimento menos físico com a direção e mais de monitoramento do caminhão e de relacionamento com os clientes", disse.

Não há como negar que a automação, como já ocorreu em outras indústrias na terceira revolução industrial, irá exterminar empregos, ainda que alguns profissionais continuarão contratados para os modelos híbridos de transporte e para assumir outras funções. Esta não será a única profissão a perder espaço na quarta revolução, mas abrirá, em contrapartida, um enorme mercado para especialistas em novas áreas, como Inteligência Artificial, Machine Learning, Internet das Coisas, analistas de risco e, podem acreditar, até mesmo filósofos, que serão responsáveis pela criação dos códigos de ética das máquinas.

Então, caro leitor, não se assuste se cruzar algum caminhão fantasma. É só o futuro que já está circulando sem a menor cerimônia por aí.

(*) Michel Levy é CEO da Zatix/Omnilink, empresa que oferece integração de soluções para segurança e prevenção de risco, gestão de frotas, monitoramento de veículos e telemetria. Levy também atua como Conselheiro Independente do Grupo Benner e da Petronect Procurement Negócios Eletrônicos S/A.

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Afinal, o que define a Logística 4.0 no Brasil?

angela_telles_totvs_2.jpg*Por Angela Gheller Telles
13/12/2018 - Em abril de 2013, na prestigiada Feira de Hannover, o termo Indústria 4.0 foi usado pela primeira vez – especialistas alemães apresentaram os elementos que vieram a compor o que se entendeu pela Quarta Revolução Industrial. A Logística 4.0, nosso tema central e discussão muito mais recente, não teve o seu momento "pedra fundamental", mas é amplamente conhecida no mercado. A evolução desse conceito foi impulsionada pelas mudanças promovidas pela Indústria 4.0, justamente por ser um elo de ligação de toda a cadeia logística.

Mas, afinal, o que define a Logística 4.0? É um ideal que pode ser entendido como a reestruturação dos processos e atividades logísticas, em atenção às mudanças promovidas pela transformação digital nos modelos de negócios em geral, por meio da adoção de tecnologias voltadas à conectividade e ao uso inteligente e preditivo da informação.

E, ao contrário do que se possa pensar, toda essa movimentação em busca de uma cadeia digital interconectada, não foi impulsionada pelo desejo das empresas por inovação. Na verdade, foi uma reação às mudanças de consumo e demandas, que exigiram uma quebra na linearidade da cadeia tradicional, tão pouco flexível. O aumento contínuo nas compras realizadas via e-commerce e a tendência crescente das indústrias estruturarem canais de venda direto com os seus clientes mudaram os desafios de intralogística, distribuição e logística reversa das empresas. Passaram a ser necessárias novas formas de se realizar os processos, com maior flexibilidade, agilidade e visibilidade.

Chegamos, agora, na aplicação dessas mudanças. Mas, antes, te convido a fazer uma nova comparação ao conceito alemão: quando se fala em Indústria 4.0, muita gente imagina uma fábrica com dezenas de robôs, esteiras gigantes e automação do começo ao fim da produção. Na Logística 4.0, o senso comum não é muito diferente em relação à necessidade de tecnologias extremamente complexas (e caras). E, aqui, mora um verdadeiro mito – não se pratica a Logística 4.0 assim, as tecnologias não representam os fins, mas os meios para se chegar aos objetivos. Estamos falando de uma jornada, um passo a passo, com a adoção de soluções escaláveis.

São iniciativas baseadas no uso inteligente dos dados gerados na cadeia de valor da logística, realidades que já podem (e devem) ser utilizadas a favor dos negócios. Como resultado, ganha-se em previsibilidade de demandas, nivelamento de estoques, análises preditivas de manutenção de frota e otimização de toda a malha.

Os novos conceitos logísticos estão mudando a forma como os serviços são executados e cobrados. Aos poucos, alguns pontos começam a sair da esfera das tendências e a migrar para a realidade, como, por exemplo, o cross borders (ou, além das fronteiras) e o same-day (entrega no mesmo dia). As plataformas cross borders fazem a conexão entre diversos agentes da cadeia (prestadores de serviço, pessoas jurídicas e até físicas) e ainda possibilitam a eliminação de intermediários. Por outro lado, cada vez mais pressionadas por prazos, o diferencial pode estar em oferecer ao cliente o same-day delivery (entrega no mesmo dia da compra), o que impacta diretamente nos processos, plano de distribuição e uso de tecnologias pelas empresas logísticas.

E para falar mais sobre tendências, a movimentação dos produtos de um ponto a outro está em plena transformação. Entregas por meio de drones já são realidade em alguns países e veículos autônomos devem ser usados em um futuro não muito distante. A tecnologia de impressão 3D pode causar uma ruptura ainda maior, eliminando a necessidade de movimentação física – peças de reposição, por exemplo, podem ser impressas in loco. A adesão ao modelo de crowdsourcing, ao invés de fornecedores tradicionais, potencializado por bases digitais, tem enorme força para modificar alguns modelos de negócios logísticos por completo. Indo além, plataformas para contratação de transporte, similares ao modelo da Uber, e marketplaces, que excluem os intermediários da cadeia ou trabalham com o conceito de leilão reverso, são possibilidades reais – e muito do que a quecerá a Logística 4.0 no Brasil, nos próximos anos.

Mas qual a nossa realidade, hoje? Olhando o nosso mercado, formado na sua maioria por pequenas e médias empresas logísticas, ainda existe uma curva de maturidade a ser percorrida, para a adoção de soluções voltadas à Logística 4.0. É preciso criar uma agenda de inovação e acreditar que isso não é algo "do futuro". Entender que se você não fizer, o concorrente vai fazer e que, talvez, daqui a algum tempo isso nem seja mais um diferencial competitivo.

A verdade é que estamos falando de uma mudança que, além de tecnológica, também é cultural, passando por pessoas, treinamento e capacitação, para transformar e preparar todos, para que possam usufruir o melhor dessas novidades. E, para encerrar, o mito de que isso é só para as grandes empresas, deve morrer de vez! Afinal, já há inúmeras ofertas e modalidades que democratizaram as tecnologias, do sistema de gestão à Inteligência Artificial e IoT.

E você, vai viver no passado ou fazer das tendências realidades para os seus negócios?

*Angela Gheller Telles é diretora dos Segmentos de Manufatura, Logística e Agroindústria da TOTVS

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