Cinco tendências que moldarão o blockchain em 2020

blockchain.jpg20/02/2020 - O ano de 2019 foi decisivo para o blockchain. A tecnologia foi expandida para incluir organizações que trabalham juntas e, assim, converter rapidamente seu valor em resultados de negócios tangíveis para todo o ecossistema. Mas o que podemos esperar para 2020?

O IBM Institute of Business Value (IBV), por meio do seu Estudo de Economia Blockchain de 2019, conduziu entrevistas com mais de 1.000 pessoas de negócios e tecnologia, e reuniu os cinco principais temas para 2020:

1. Surgirão modelos de governança pragmáticos

Com a maior adoção do blockchain se aproximando, a governança se tornará um fator chave. No entanto, a criação de um modelo de governança no qual todos os participantes concordem pode ser um desafio. De fato, foi visto que 41% das organizações acreditam que a falta de padrões uniformes de governança entre parceiros é o desafio mais importante para avançar sua prova do conceito (PoC) de Blockchain ou ecossistema mínimo viável (MVE).

Em 2020, começaremos a ver novos modelos de governança que permitem que grandes e variados consórcios tratem da tomada de decisões, permitam esquemas e até pagamentos com mais eficiência.

2. A interconectividade está um passo mais perto da realidade

O sucesso do blockchain depende da colaboração de várias partes. Mas, com o potencial de dezenas, centenas ou até milhares de participantes em uma rede, não podemos esperar que cada parte de uma rede use o mesmo provedor ou incorpore um novo ambiente de computação para um único aplicativo. Mesmo assim existe uma necessidade excepcional das empresas de compartilhar dados sem problemas.

Portanto, não é possível pensar em blockchain sem a nuvem. Aliás, sem o uso de uma nuvem que seja híbrida e multi-cloud, o que permite a todos os atores da cadeia selecionar a plataforma blockchain sem depender da infraestrutura na qual seus dados estão hospedados. Hoje, IBM Blockchain está aberta e disponível em qualquer lugar. Blockchain deve permitir a facilidade de utilização de tudo o que as empresas necessitam, em ambientes híbridos de nuvem, multi-cloud e locais; e, desta forma, fazer com que a tecnologia permita a transformação das empresas e indústrias.

3. Outras tecnologias serão combinadas com blockchain para criar uma vantagem competitiva ainda maior

Agora que as soluções blockchain estão capturando milhões de pontos de dados e fazendo sentir sua presença em todo o mundo, elas estão abrindo a porta para novas capacidades. Tecnologias adjacentes como internet das coisas (IoT), 5G, inteligência artificial (IA) e Edge Computing, para citar algumas, irão combinar-se com blockchain para gerar valor agregado para os participantes da rede. Por exemplo, espera-se que as soluções blockchain se combinem com Internet das Coisas e IA para se tornarem os principais aceleradores dos mercados habilitados para blockchain no futuro.

Desta forma, os dados mais confiáveis de blockchain irão informar melhor e fortalecer os algoritmos. Blockchain ajudará a manter esses dados seguros e auditará cada etapa do processo de tomada de decisão, permitindo uma visão mais precisa, impulsionada pelos dados confiados pelos participantes da rede.

4. As ferramentas de validação começarão a combater fontes de dados fraudulentas

De acordo com o estudo, 88% das instituições acreditam que garantir padrões de comunicação de dados para as redes blockchain é um fator importante para que toda a indústria se junte a uma rede blockchain. Sendo assim, não há dúvida de que confiança e transparência são essenciais, mas em um mundo onde os dados são coletados e transferidos mais rápido do que nunca, entende-se que haverá inconsistências nesses dados, seja devido a erro humano, seja por causa de pessoas mal-intencionadas.

Com a necessidade de mais mecanismos de proteção de dados, este ano as soluções de blockchain usarão ferramentas de validação junto com os mecanismos de criptografia e IoT, que ligam os ativos digitais ao mundo físico injetando dados externos nas redes. Isto melhorará a confiança e eliminará a dependência da inserção manual de dados, que muitas vezes são propensas a erros e fraudes.

5. As moedas digitais regulamentadas continuarão a avançar

Tokens, moedas digitais e moedas digitais respaldadas pelo Banco Central têm sido um tema de crescente interesse para os mercados de capitais. Tokenizar ativos e títulos, convertendo-os em fichas digitais e depois negociar, trocar e resolver a custódia desses ativos digitais está transformando a eficiência, segurança e produtividade dos mercados de capitais. De fato, 58% das organizações pesquisadas concordam que podem obter novas fontes de receita ao tolkenizarem os ativos trocados em um mercado habilitado para blockchain.

Além disso, novas organizações e regulações foram implementados para facilitar a criação, gestão, comercialização e liquidação de tais fichas digitais e moedas.

Embora passar tempo antecipando o futuro desta tecnologia inovadora seja extremamente emocionante, reconhecemos que estão continuamente a entrar no mercado novas dinâmicas que podem desafiar estas tendências como as vemos hoje. No entanto, uma coisa é certa: blockchain continuará a romper, transformar e melhorar o mundo em que vivemos.

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Oportunidades e desafios da IA no serviço público

nama_rodrigo_scotti.jpg*Rodrigo Scotti
20/02/2020 - Sabemos que instituições públicas têm características específicas e, em muitas aspectos, uma maior burocracia em relação às empresas privadas, principalmente em países de dimensões continentais como o Brasil, com diferentes realidades em cada região do país.  Prefeituras de grandes cidades, secretarias de governo e órgãos federais, lidam diariamente com a necessidade de prestar serviços a centenas de milhares e até milhões de pessoas. Neste sentido, a implementação de uma solução em inteligência artificial pode solucionar gargalos até então impossíveis de serem manejados, escalando a prestação de serviços públicos e dando andamento a procedimentos, ampliando índices de satisfação do cidadão.

No entanto, ainda há entraves significativos, muito por conta de processos burocráticos de contratação e implementação dos serviços. No final de 2019, mediei um evento em São Paulo, que tratou desta difícil equação envolvendo poder público e inteligência artificial. A mesa redonda contou com a participação de José Gontijo, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação | MCTIC, de Tulio Werneck, subsecretário de Tecnologia da Informação do Estado de Goiás e de Carlos Affonso de Souza, diretor do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro.

Comecei o debate pedindo aos participantes que comentassem como a inteligência artificial é vista pelos respectivos órgãos públicos que representavam no evento e pudemos perceber que ainda não chegamos ao ponto de a IA ser uma política pública, institucionalizada. Mas que também evoluímos em relação a anos atrás, quando a inteligência artificial não era nem mesmo debatida. Hoje existem pessoas especializadas e gabaritadas no que diz respeito a estas tecnologias atuando em diferentes órgãos do governo. E pude enxergar nestes três participantes do painel exatamente este perfil.

Werneck, do governo de Goiás, acredita que seja preciso que haja uma reeducação dos servidores públicos, que precisam enxergar de fato a inteligência artificial como aliada. Na Inglaterra, por exemplo, explicou o executivo, a estimativa é que a inteligência artificial corresponda, em 2025, a 11% do PIB. “Lá eles já transcenderam esta visão do senso comum, do temor de que um robô roube meu trabalho”.

Já Souza, do ITS Rio, mencionou o marco civil da internet, um grande avanço neste sentido para o Brasil, e também a experiência que o Japão teve com o uso de robôs alimentados por inteligência artificial para cuidar de idosos, expondo a complexidade envolvendo os processos de adaptação à interação com uma máquina. Era uma alternativa totalmente plausível para um país no qual a população está cada vez mais idosa e, a força de trabalho jovem, responsável pelos cuidados, a cada ano mais prejudicada por problemas de coluna, graças ao peso que precisavam carregar diariamente carregando os pacientes idosos. Seria uma alternativa aparentemente pertinente, não fosse o empecilho de que, depois de fazer primeiros testes, surgiram protestos por parte dos idosos, que passaram a recusar o tratamento automatizado. Ou seja, além de todos os outros percalços envolvendo serviços públicos e inteligência artificial, ainda existem os desafios culturais que, longe de serem exclusivos à idosos, comumente provocam resistência por parte de pessoas, de todas as idades e perfis.

Fiz outras provocações aos participantes, entre elas, que muita gente confunde robótica com inteligência artificial e também que muito se fala em levar inovação de mercado para dentro do serviço público, mas quando são necessários adotar procedimentos para de fato possibilitar a implementação destas soluções desenvolvidas por startups, ainda fica muito a desejar. José Gontijo, do MCTIC, comentou que compreende que realmente muitos órgãos ainda tenham essa dificuldade, mas que sua gestão sempre busca facilitar a entrada de inovação empreendedora aos projetos de governo. “Uma startup não pode ser penalizada por tentar melhorar o serviço público, como muitas vezes acontece no Brasil”, acrescentou.

Gontijo também mencionou a Inglaterra, trazendo um exemplo pertinente para mostrar que todas as inovações da história da humanidade tiveram que atravessar um período de adaptação. Mais ainda, que erros quanto à regulação são inerentes a qualquer grande mudança. Quando os primeiros automóveis foram lançados, explicou o diretor, as pessoas se espantavam em como ele teria capacidade de trafegar de forma autônoma, sem ser puxado por um cavalo. Para diminuir o temor da população, foi instituído então que todos os carros fossem antecedidos por uma pessoa com uma bandeira vermelha nas mãos, de modo a chamar a atenção dos pedestres, acalmá-los e tentar prevenir eventuais acidentes.

Werneck complementou a analogia, lembrando que, quando as primeiras impressoras de fósforo verde foram lançadas, alguns órgãos públicos as adquiriram para substituir as máquinas de datilografar e a primeira reação das secretárias foi sabotá-las, ocorrendo até mesmo casos de algumas delas terem jogado os equipamentos no chão.

Sou também cofundador da ABRIA - Associação Brasileira de Inteligência Artificial, entidade que contou com a participação de outro representante nesta edição do mesmo evento a que me referi: Valter Wolf, diretor executivo da associação. Wolf mediou o painel “Inteligência Artificial e Machine Learning como Avaliação Permanente da Experiência do Cliente”, que atraiu mais de 200 pessoas, e foi direcionado para grandes operadoras de celular, com foco no atendimento a usuários.

Wolf relatou que a mensagem central que pairou sobre o painel foi que a aplicação de inteligência artificial não é uma mágica que acontece automaticamente, em um piscar de olhos ou ao apertar de um botão. Os representantes da  Nokia, Telefônica Vivo, Dafiti, NVIDIA e Embratel trouxeram relatos de como a inteligência artificial é encarada nas respectivas empresas e foi praticamente hegemônica a ideia de que a implementação destas novas tecnologias exige a construção de uma jornada do cliente que, por sinal, também deve ser reeducado, de modo a conseguir entender e encarar com menos resistência este novo modo de atendimento.

Outros pontos bacanas que figuraram como conclusões do painel foram que a infraestrutura de fornecedoras de tecnologia hoje no Brasil têm sim condições de dar conta de 100% do atendimento aos clientes de operadoras, que é preciso fomentar a especialização de mão de obra dentro das empresas e que os processos de IA impactam todos os setores das empresas, desde o jurídico até o RH.

Seja em telecom ou no poder público, fato é que há um longo caminho a ser percorrido no Brasil no que diz respeito à incorporação da inteligência artificial nos processos de atendimento ao público, desenvolvimento de processamento de linguagem natural em língua portuguesa, e também em como isso é apresentado para - e recebido pela - população de forma geral.

*Rodrigo Scotti é CEO da Nama (https://www.nama.ai/), primeira empresa no país a desenvolver inteligência artificial proprietária e cofundador da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA)

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Embratel apresenta Agile Development Center

mario_rachid.jpg17/02/2020 - A Embratel lança o Agile Development Center para consultoria e desenvolvimento de soluções tecnológicas para empresas de todos os tamanhos. Com a oferta, companhias que atuam em vários segmentos de mercado podem contar com a experiência da Embratel na criação de soluções para resolver os mais diversos desafios de negócio e avançar no processo de transformação digital. A oferta possibilita a redução de gastos com equipes próprias de TI, além de permitir operações mais ágeis, eficazes e seguras.

"A Embratel trabalha na definição das melhores opções para atender às demandas de cada cliente, seguindo as tendências mais atuais em tecnologia", explica Mário Rachid, Diretor Executivo de Soluções Digitais da Embratel (foto). O executivo ressalta que a solução foi elaborada para atender as necessidades atuais do mercado e colaborar com a transformação digital de companhias que se veem desafiadas a proporcionar experiências cada vez mais digitais aos seus clientes.

As empresas possuem necessidades urgentes de redesenhar seus negócios para se adequar às demandas de um mundo cada vez mais digital. Ao mesmo tempo, precisam melhorar a experiência de seus clientes, aumentar a produtividade, reduzir os custos e levar suas soluções e serviços ao mercado no tempo correto. Neste cenário, a Embratel atua junto a elas recomendando o melhor caminho para atingir estes objetivos com excelência, auxiliando também na criação de jornadas positivas de experiência com os clientes finais.

O Agile Development Center usa a Metodologia Ágil, possibilitando que novas soluções sejam experimentadas rapidamente e passem por possíveis adequações de maneira eficiente e agilizada. Além disso, a oferta cria um ambiente propício ao compartilhamento de conhecimento entre a Embratel e o cliente, somando as diversas experiências para potencializar a identificação de alternativas inovadoras para os negócios.

A Metodologia Ágil, em alta no mercado, é a mais indicada para esse modelo de serviço por propor um ciclo de produção que atua na velocidade e na dinâmica exigidas, permitindo realizar os ajustes necessários rapidamente para chegar a uma versão final mais completa das aplicações. Para as empresas que não estão familiarizadas com o conceito, a Embratel disponibiliza um squad para provar o conceito e a metodologia na prática. Durante esta fase, o desempenho da equipe multidisciplinar (squad) da Embratel permite que o cliente entenda, dentro da realidade da companhia, os benefícios da utilização da metodologia e suas particularidades. O método torna as empresas mais capazes de apresentar soluções inovadoras ao mercado, no momento mais adequado.

O portfólio de soluções da Embratel já inclui conectividade, infraestrutura de TI, segurança e mobilidade. As soluções podem ser integradas com os sistemas do cliente, com apoio de uma equipe de profissionais com conhecimentos multidisciplinares e certificações nacionais e internacionais. As opções são atrativas tanto para empresas que já têm operações digitais e desejam aprimorar sua atuação, como para aquelas que ainda estão em fases iniciais do processo de digitalização.

Além de agilidade e qualidade, a tecnologia Embratel mitiga riscos de ataques cibernéticos ao utilizar processos estruturados de proteção digital, garantindo ainda mais segurança para as aplicações. "O Agile Development Center é uma opção segura para as empresas aumentarem a produtividade e minimizarem esforços relacionados às suas aplicações, que podem ser desenvolvidas e totalmente gerenciadas pela Embratel", afirma o executivo.

O lançamento reforça o posicionamento da empresa em trazer soluções eficientes e seguras para as empresas que estão em busca de evolução nos negócios com o uso de ofertas digitais. Mais informações sobre o Agile Development Center estão disponíveis no site www.embratel.com.br/solucoes-de-ti/agile-development-center

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Decisões ágeis, inteligência ilimitada

sas_luiz_riscado.jpg*Por Luiz Riscado
12/02/2020 - Você sabe qual é o tempo de reação do corpo humano quando tocamos em algo muito quente? O tempo todo, nosso corpo está processando uma quantidade enorme de dados sobre o meio ambiente e sobre o seu próprio funcionamento para permitir que as decisões mais adequadas em termos de sobrevivência e conforto sejam tomadas a cada instante.

É por isso que, em apenas 27 milissegundos, nosso corpo consegue detectar a temperatura de um objeto quente e comandar a reação adequada para não sofrermos queimaduras.

O corpo humano é um conjunto enorme de órgãos e de funções interconectadas que fazem parte de sistemas que reagem voluntariamente e involuntariamente. Esses sistemas foram projetados para aprender, interpretar e reagir, algumas vezes com alguma orientação externa, outras vezes por si mesmos.

Em tempos disruptivos como os que estamos vivendo, nos quais a quarta revolução industrial e a transformação digital continuam afetando profundamente todas as atividades das empresas, a metáfora do corpo é cada vez mais adequada para refletir como as organizações deveriam funcionar. Ou seja, organizações precisarão cada vez mais operar de forma semelhante à do sistema nervoso humano, obtendo informações (coleta e preparação de dados), processando-as (processos analíticos diversos, tais como modelagem preditiva, otimização, "forecast"), aprendendo e decidindo qual a melhor ação em cada situação (decisão).

Em um mundo com clientes cada vez mais exigentes e no qual a personalização torna-se chave para o sucesso, as decisões precisam ser ágeis e bem embasadas. Nesse cenário, o tratamento adequado dos dados e a tomada de decisão com base analítica aplica-se a basicamente todas as áreas de uma organização. Por exemplo:

•Na área de marketing: Qual a melhor próxima ação (NBA)? Como otimizar a jornada do cliente?;
•Na área de operações: Como otimizar a expansão das redes de comunicações? Como eliminar processos, reduzir custos e desperdícios? Como eliminar fraudes?;
•Na área de gerenciamento de riscos: Como otimizar e planejar recursos?

Uma das indústrias mais afetadas pelas transformações descritas acima é a de telecomunicações. Como sabemos, o Mobile World Congress tem sido a grande vitrine das tendências e casos de sucesso do setor. Assim como nos últimos dois anos, o MWC 2020 terá ênfase em inteligência e trará o tema "Limitless Intelligent Connectivity". Isto confirma que a indústria continua antenada no papel da inteligência e das decisões com base analítica para um futuro bem-sucedido.

Na edição 2020, certamente seremos apresentados a inúmeros casos de uso inspirados nas evoluções da tecnologia 5G e aplicações cada vez mais diversificadas, com potencial de monetização dos investimentos. Nossa convicção é que o sucesso dessas evoluções dependerá cada vez mais dos acertos na agenda analítica das organizações, que deve enfatizar a agilidade e precisão nos processos decisórios, de forma que as organizações ganhem a inteligência e a velocidade de reação cada vez mais semelhantes às do corpo humano.

*Por Luiz Riscado, Diretor de Vendas do SAS Brasil

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Everything as a service: como gerar inovação

paulo_pichini.jpg*Por Paulo Henrique Pichini
12/02/2020 - Everything-as-a-service (XaaS) é uma realidade no Brasil e no mundo e, em 2020, irá crescer ainda mais. Foi-se o tempo em que pessoas e empresas precisavam adquirir um ativo para resolver seu desafio. Com a “uberização” da economia, impera um novo modelo de consumo em que a extrema velocidade da oferta de serviços elimina ou reduz a espera. No segmento de ICT Security, XaaS usa a computação em nuvem para entregar em todas as geografias e em todas as verticais, serviços que dispensam implementações on-premises. A meta é, por meio da correta combinação de serviços e processos, acelerar a inovação e os negócios.

Esse quadro é confirmado por pesquisa da Orian Research de 2019. Segundo esse instituto de análise de mercado, os players de XaaS deverão crescer 24% ao ano até 2024. Um levantamento da BetterCloud, por outro lado, aponta que, até 2022, 86% das organizações usarão Apps no modelo as a service, uma das vertentes do XaaS.

A revolução do XaaS está mudando a forma como os vendors do setor de ICT Security fazem negócios.

Se as empresas usuárias estão lutando para deixar de ser organizações estáticas e, com ajuda do XaaS, se transformarem em organismos vivos e fluidos, o desafio enfrentado por fornecedores como Cisco, Palo Alto e F5 Networks é maior ainda. A Hewlett Packard Enterprise (HPE), por exemplo, anunciou no final do ano passado que, até 2022, todo o seu portfólio só estará disponível em formato de serviços. Uma decisão como essa muda tudo na HPE: do desenho da tecnologia à entrega ao mercado, todo o modelo de negócios passa por uma profunda transformação.

Nos últimos 30 anos, o faturamento dessas empresas era baseado 80% em hardware e 20% em software. Questões como fabricar ou importar o hardware – equacionando os impostos envolvidos nessa operação –, projetos para implementar o hardware no data center da empresa usuária, planejamento para substituir esse hardware antes que ele se tornasse obsoleto – tudo isso ficou para trás.

O XaaS habilita a indústria a aumentar a abrangência de seus negócios num contexto em que o ticket médio de cada venda diminuiu. A meta é ganhar na quantidade de tickets vendidos de modo a alcançar empresas usuárias que, no passado, talvez não conseguissem bancar as mais sofisticadas soluções de ICT Security do mercado global. Uma das ambições que norteia essa transformação é, por exemplo, fincar raízes no mercado SMB.

O mercado brasileiro já é, em parte, SDN (Software Defined Network).

Eu acredito que a configuração ainda seja 80% on-premises, 20% SDN e afins. Globalmente, esse mercado está em franca expansão: segundo o IDC, até 2022 o faturamento gerado somente por ofertas SDDC (Software Defined Data Center) será de US$ 12 bilhões. Há razões para isso. O software paga muito menos impostos do que o hardware. E o modelo de negócios passa a ser baseado em vendas recorrentes, em valores que demandam investimentos menores da parte do cliente.

No antigo modelo, o vendor iria receber o valor X após 60 dias da compra. Hoje, o valor X será entregue ao longo de cinco, dez anos, com a tecnologia passando por atualizações constantes, na casa do cliente.

Hoje tradicionais vendors de networking lançam soluções num modelo virtualizado que pode ser licenciado por meio de assinaturas. A venda passa a acontecer por meio de contratos de serviços contínuos, ao longo de meses ou anos. Estamos falando de Enterprise Agreements muito semelhantes ao que os grandes vendors de software (Microsoft, SalesForce, etc.), oferecem há décadas ao mercado. Essa forma de atuar chegou, agora, à infraestrutura física da TI.

Nesse contexto, parte do mercado usuário consegue utilizar serviços em nuvem no formato de autosserviço. Quando a corporação usuária contar com ambientes complexos, com diferentes layers de tecnologias, sistemas legacy, etc., é recomendável contar com os serviços de um integrador que conheça o mundo multicloud, conheça o legacy e, a partir daí, construa sólidos caminhos de transformação digital.

O desafio de integrar software e serviços entre si e com o legacy é algo complexo.

Trata-se de um universo com “n” vendors de “n” tipos de ofertas – da nuvem a Apps, passando por roteadores, switches, servidores, firewalls, etc. Esses recursos, agora virtualizados, devem ser reunidos em um ambiente programável, automatizado, auditado e seguro.

Passa a ser tarefa do integrador garantir que a orquestração entre todos os elementos da nuvem esteja sendo feita da forma tecnicamente correta, mas, também, de acordo com as políticas de gestão e segurança da empresa usuária. Isso inclui o testing de cada oferta “as a service” e sua compatibilidade com o ambiente e a cultura da empresa usuária. São ações essenciais quando a TI se transforma num ser vivo com um funcionamento fluido, dependente de recursos externos à empresa. Isso exige mais, não menos, dos integradores.

Outro papel dos integradores no mundo XaaS é atuar como o ponto focal da oferta “as a service”. Nesse modelo, uma abordagem consultiva permite que o integrador desenhe a solução do cliente, especifique quais tecnologias serão efetivamente contratadas de forma mensalizada e empacote todo esse universo numa oferta única, entregue ao cliente.

A meta é evitar que a empresa usuária interaja com dezenas de vendors “as a service”.

Somente no mundo multicloud, por exemplo, é necessário lidar com gigantes globais com diferentes tecnologias, diferentes contratos, diferentes sistemas de billing, diferentes políticas de desconto e diferentes Apps de gerenciamento. Trata-se de um universo extremamente veloz e rigidamente regido por controles – inclusive jurídicos – que podem surpreender o usuário.

O XaaS ainda está no processo de ser conhecido pelo gestor de TI. Mas não há como seguir com o modelo CAPEX – o OPEX é a alavanca do crescimento da nossa economia em 2020. O sucesso virá para quem contar com inteligência para entender o negócio e, a partir daí, traduzir o XaaS em inovação e prosperidade.

*Paulo Henrique Pichini é CEO & President da Go2neXt Digital Innovation.

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5G: desafios para o mercado de data centers

ascenty_marcos_cintra_2.jpg*Por Marcos Siqueira
26/02/2020 - Após chegar a países como Canadá, EUA, Austrália, China e Coreia do Sul, a tecnologia 5G bate à porta do mercado brasileiro. Temos acompanhado o empenho de esferas pública e privada para estruturar o melhor modelo a ser implementado no território nacional e, mesmo enfrentando barreiras orçamentárias e estruturais, a quinta geração de internet móvel deve se estabelecer de maneira definitiva nos próximos anos.

Essa evolução da rede está sendo desenvolvida para comportar o crescente volume de informações trocado diariamente por bilhões de dispositivos no mundo. O relatório "Digital 2019: Q4 Global Digital Statshot" estima que mais da metade da população global (4,4 bilhões de pessoas) utiliza a internet e esse número deve crescer em taxas exponenciais nos próximos anos.

Nesse cenário, um dos diferenciais trazidos pelo 5G é a velocidade da conexão que a rede disponibiliza, podendo alcançar até 10 Gbps, enquanto as atuais redes 4G operam com velocidade média de 33 Mbps. A baixa latência e a maior velocidade da conexão propiciam múltiplas oportunidades para a inovação em todos os setores da economia: é base para utilização de tecnologias como inteligência artificial, machine learning, internet das coisas (IoT), e impacta o desenvolvimento de aplicações autônomas, da telemedicina e da robotização.

Ou seja, além de melhorar a qualidade da internet para o usuário final, a implementação do 5G tem papel fundamental no desenvolvimento econômico do País. No entanto, o avanço tecnológico tem seus custos e exige mudanças para avançar.

O aumento da geração de dados na economia digital implica diretamente nas demandas por armazenamento e disponibilidade das informações, exigindo ampliação das redes de data centers. A pesquisa Global Cloud Index, da Cisco, estima que o tráfego de rede em data centers deve crescer para até 20,6 Zettabytes em 2021, estimulando a expansão do mercado.

O setor de infraestrutura também precisa se adequar para atender as exigências da nova etapa de evolução dos negócios: assim como no caso dos data centers, as redes de telecomunicações deverão estar distribuídas entre regiões estratégicas, a fim de criar um ecossistema de conectividade amplo e resiliente.

Como 75 bilhões de dispositivos estão previstos para serem conectados à Internet até 2025 (IHS), consistência, disponibilidade e segurança dos dados serão tão importantes quanto a velocidade de tráfego. Para garantir que as operações se mantenham ágeis e eficientes, investimento em conectividade será mais que essencial para competirmos política e economicamente com as outras nações na próxima década.

*Marcos Siqueira é vice-presidente de Operações da Ascenty

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