Por que o avanço da IoT está muito lento?

iot2.jpg12/05/2017 - As inovações que o avanço da Internet das Coisas já trouxeram ao mercado têm fascinado consumidores: os dispositivos inteligentes geram dados que tornam o mundo mais seguro, produtivo e saudável. Por que, então, a IoT tem se desenvolvido a passos mais lentos que o esperado? Pesquisa realizada por sócios da McKinsey confirma que o impacto dessa tecnologia será revolucionário – mas o tempo necessário para alcançar os benefícios da adoção generalizada de aplicativos IoT deve, de fato, ser mais longo que o previsto.

A aceitação das aplicações de IoT deve ser particularmente lenta no setor industrial, já que as empresas são muitas vezes limitadas por longos ciclos de capital, inércia organizacional e escassez de pessoal talentoso para desenvolver e implantar soluções IoT. Para as empresas de semicondutores, que procuram novas fontes de receita, a taxa de adoção da IoT é uma preocupação importante.

O crescimento recente do IoT chega a dar motivos para o otimismo. Os consumidores estão mais conectados do que nunca – possuem, em média, quatro dispositivos que se comunicam com a nuvem. Globalmente, estima-se que 127 novos dispositivos se conectem à internet a cada segundo. Um relatório do McKinsey Global Institute estima que o IoT pode ter um impacto econômico anual de US$ 11,1 trilhões até 2025 em muitos cenários diferentes, incluindo fábricas, cidades, ambientes de varejo e até o corpo humano.

Muitos especialistas avaliam o crescimento mais lento no setor industrial com particular preocupação. Sócios da McKinsey and Company ouviram mais de 100 líderes de diversas indústrias dos setores público e privado – de farmacêuticas ao setor de petróleo – para entender de que maneira esse quadro poderia acelerar. A pesquisa revelou que a maioria das empresas está adotando IoT de forma limitada. Com exceção de petróleo e mineração, líderes de todas as indústrias relataram que suas empresas muitas vezes receberam dados em tempo real de sensores IoT. A maioria deles, porém, ressaltou que a implantação dessa tecnologia ainda estava em estágio de comprovação de conceito – e nenhuma empresa havia embarcado em programas em larga escala.

Embora os sensores de IoT coletem grandes quantidades de dados, um relatório recente da MGI mostrou que as empresas não analisam a maioria deles. Por exemplo, em uma plataforma de petróleo que tinha 30.000 sensores, os gerentes examinaram apenas 1% dos dados. Além do mais, os líderes empresariais raramente consideram informações dos sensores de IoT quando tomam decisões importantes, incluindo aquelas relacionadas ao planejamento de manutenção ou procedimentos de automação. Sua relutância em analisar os dados de IoT decorre de vários fatores, incluindo a falta de pessoal. Mas a razão mais importante é simples: como seres humanos, preferimos consultar outras pessoas para aconselhamento ou avaliar nossa própria experiência ao tomar decisões.

Antes de os dados de IoT ganharem papel mais proeminente na tomada de decisões corporativas, os líderes empresariais e outros gerentes importantes - supervisores de manutenção, técnicos de serviço de campo e revendedores de varejo, para citar apenas alguns - terão de passar a valorizá-los. O levantamento da McKinsey indica que a maioria dos clientes continuará focada em casos de uso simples, pelo menos no futuro imediato. E isso significa que eles não obterão todo o benefício do uso de IoT.

Outra questão importante é a tecnologia. Dispositivos de IoT são pontos de entrada potenciais para um cyber ataque. As vulnerabilidades de IoT muitas vezes resultam da falta de cuidados básicos no gerenciamento e manutenção desses dispositivos. Essas deficiências não podem ser eliminadas através de criptografia, programas de detecção de ataques, controle de acesso biométrico ou outras tecnologias sofisticadas. Isso significa que as empresas que querem expandir seus esforços em IoT terão de lançar iniciativas de segurança abrangente que abordem as fraquezas resultantes das vulnerabilidades tecnológicas e da falta de cautela entre aqueles que usam os equipamentos.

As tendências atuais para IoT criam um quadro incerto e, às vezes, confuso das perspectivas do setor. Ao analisar o quadro, porém, os sócios da McKinsey Mark Patel, Jason Shangkuan e Christopher Thomas avaliam que a IoT está prestes a servir como motor de crescimento para as empresas de semicondutores. As taxas de adoção aumentaram mais lentamente do que o esperado, mas isso não deve ser motivo de pessimismo, já que muitas tecnologias estão imaturas ou em desenvolvimento.

As empresas de semicondutores e outros players ainda podem empreender novas estratégias para acelerar o crescimento de IoT. Em vez de se concentrarem nas atualizações de tecnologia, podem desenvolver produtos que melhoram os resultados dos clientes em termos de custo, desempenho e outras métricas importantes. Essa nova abordagem será um desafio, mas vai acelerar a adoção de IoT e ajudar mais clientes a obter benefícios desta nova e excitante tecnologia.

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Não caia na tentação de desistir do Digital

it_prediction.jpgA dificuldade começa pela ruptura da cultura dominante nas organizações, que ainda entendem que o conhecimento legado é o mais importante.

Por Flávia Pollo Nassif
08/05/2017 - Há pouco mais de um ano, o CEO da empresa onde eu trabalho me presenteou com uma imersão no universo digital, momento que me deparei com o potencial incrível do IoT, da revolução dos dados e todos estes temas que vocês estão "cansados de ouvir". Nas minhas responsabilidades anteriores, e na minha vida pessoal, já conseguia perceber esta transformação, mas ainda de forma superficial, só a pontinha do iceberg, sem ainda ter a visão do mundo no qual viveremos em 2020. Na operadora de Telecom onde trabalhei, lembro, com orgulho, que já estava convicta que era possível prever o contato dos clientes para os próximos dias, e até quantos seriam, e de quais regiões receberíamos as reclamações em órgãos de defesa do consumidor.

Uma recente pesquisa do Gartner (2017 CEO Survey: Latin America CEOs Chart a Course Away From Digital) com CEOs da América Latina, apontou que, apesar de um forte direcionamento em 2016 na adoção dos Negócios Digitais, em 2017 se observa que estes líderes estão mudando de volta em direção ao business as usual, e no caso do Brasil muito associado ao cenário político-econômico atual instável.

Isto é incrível! E vale a pena refletir sobre isso. Seria como os índios não acreditassem que as caravelas estavam chegando na costa, apesar de estarem vendo, ouvindo e iniciando os primeiros contatos. Ou parecido com resolver voltar para casa em pleno voo. E o cenário político-econômico do Brasil, não seria justamente a motivação para acelerar esta transformação?

Esta reflexão me fez chegar em algumas possíveis causas desta insustentável vontade de desistir do digital:

Esgotamento pelo Fanatismo Digital

Fanatismo (do francês "fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente em paranoides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio. (Wikipédia)

O Digital se tornou quase um talismã de sucesso e independente do estágio de implantação de cada empresa se estabeleceu tacitamente que, ou você associa a sua marca a transformação digital, ou você vai fracassar na próxima semana amargando a debandada de todos os seus clientes. Muitas consultorias criaram as suas unidades digitais e se aproximaram das startups antes mesmo de definir uma estratégia, um diferencial real, uma forma legítima de apoiar seus clientes, um valor agregado para chamar de seu.

E esta overdose de fanatismo sobre o digital começou a cansar os executivos, antes mesmo dos primeiros resultados relevantes começarem a acontecer, antes mesmo de conseguirem se beneficiar das novas tecnologias que, sim, já são realidade, já estão disponíveis e já estão alcançando a viabilidade de custo que será a propulsão para a revolução digital da sociedade de forma exponencial.

Diferentes approaches, qual é a verdade?

O Digital é abordado de diferentes formas e, na minha opinião, todas são verdadeiras e extremamente complementares, mas confundem mesmo.

Por um lado a questão antropológica, a transformação do ser humano e da sociedade em direção a um mundo mais conectado e colaborativo. As pessoas de áreas mais exatas costumam não gostar muito desta abordagem, acham fluffy demais e sem objetividade. Mas este é o início de tudo, é a essência da necessidade dos clientes, é a observação do que está acontecendo com o ser humano, é o tão fundamental e dificílimo olhar de fora para dentro das organizações.

Outra abordagem é a tecnológica, que afirma que o digital é sinônimo de big data, analytcs, location inteligente, IOT, machine learning...; que estas tecnologias precisam ser utilizadas urgentemente e conseguirão transformar suas empresas como um passe de mágica, é só comprar!

Existe também a abordagem da inovação, de um novo método de trabalho, mais inteligente, ágil, com menos burocracia e mais confiança, parceria, informalidade e amizade no ambiente de trabalho. A necessidade em proporcionar o ambiente correto, mais lúdico, para as pessoas criarem, de forma colaborativa, multi skill, multi area, "multitudo".

E em paralelo já se fala na nova transformação digital, robôs, comunicação com as máquinas, extinção de diversas profissões, o início de uma nova era somente para os adaptáveis. Esta realidade gera admiração em alguns e repulsa em outros. Gera ansiedade naqueles que ainda estão tentando surfar a primeira onda.

Diferentes abordagens devem ser utilizadas com diferentes pessoas, em diferentes situações. Todas juntas cansam mesmo e geram a inconsistente dúvida "qual é a verdade?" e a busca pela resposta incorreta, mas confortável, "nenhuma, o digital é um modismo que vai passar". Não vai!

Dificuldade que gera Resistência

A dificuldade começa pela ruptura da cultura dominante nas organizações, que ainda (em diferentes graus) entendem que o conhecimento legado é o mais importante, que compartilhar informações é perder poder, que apesar de todas as lições trazidas pelas crises, ainda focam no emprego e não na empregabilidade. Líderes que não têm tempo para as pessoas, especialistas que atualizam apresentações semanais sistematicamente e analistas que consolidam dados.

OK, mesmo uma apaixonada pelo digital como eu, não conseguiria dizer que a transformação digital é simples de entender e de implementar, mas não é uma opção e você vai fazer parte, a escolha é em que local você estará nesta nova realidade. No campo, no banco de reserva, na arquibancada ou somente vendo pela TV?

A cultura precisa mudar e isso vem de cima, as pessoas precisam de tempo: tempo para estudar como o digital pode transformar seus processos de negócio, tempo para pensar, inovar, errar, tempo que só pode ser viável se a primeira lição de casa pré-digital já foi feita, a automação e otimização de seus processos..... Se a sua área, se a sua empresa precisa dos seus funcionários operando seus processos all the time e no tempo que sobra tentam ter ideias inovadoras, esquece, não vai acontecer. E nem isso seria motivo para retornar ao business as usual.

Quando a pressão do c-level é forte em alguma direção e os líderes não estão conseguindo extrair os resultados esperados em suas estruturas, a grande tentação é negar a novidade e retornar a antiga forma de fazer as coisas, mas essa estratégia retarda a companhia e não encontra soluções frente as dificuldades de uma revolução como o digital, que deixou o mundo ainda mais competitivo.

Firmeza de propósito e extrema resiliência é o que se espera dos executivos, estes responsáveis por conduzir as empresas por caminhos rentáveis e sustentáveis, a curto, médio e longo prazo.

flavia.jpgConclusão?

Não desistir, entender profundamente a revolução dos dados, utilizar o seu conhecimento para governar os dados até a expectativa dos seus clientes, ter a humildade e a coragem para aprender novas formas de analisar seus processos de negócio. Talvez o seu negócio nem seja mais o mesmo e você não pode ser o último a saber disso.

O nosso valor atualmente está na capacidade de observar e de aprender coisas novas, e não no peso da nossa mochila de conhecimento que levamos nas costas. Isto não é tão cruel quanto parece. Todo o conhecimento adquirido não é importante por si, o que importa é o quão flexível e "inteligente" este caminho te deixou.
Seja pelo viés antropológico, tecnológico, de inovação ou por competitividade.....não desista.

Disruption has become a new normal

*Flávia Pollo Nassif é diretora comercial da Triad Systems. Formada em Tecnologia da Informação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Flavia Nassif tem MBA de Gestão Empresarial em Telecomunicações pela Fundação Getúlio Vargas.

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Que esperar da nanotecnologia nas próximas décadas

nanotecnologia.jpgPor Ivandick Cruzelles Rodrigues
03/05/2017 - Antes, vale saber: Qual é o conceito da nanotecnologia? A nanotecnologia pode ser entendida como o estudo, a manipulação, a construção de materiais, substâncias, dispositivos, objetos que estão normalmente na escala nanométrica (1 nanômetro = 10-9 do metro) e que apresentam propriedades fortemente dependentes dessa escala de tamanho 1.

1 - Como as pessoas devem observar a nanotecnologia, nas próximas décadas?

Nanotecnologia é uma ciência recente e que tem capacidade de gerar a próxima revolução tecnológica no mundo. Apesar de ser trabalhada, do ponto de vista teórico, desde a década de 1950, algumas aplicações práticas datam a Idade Média. A maior parte das cores que vemos nos esmaltes e cerâmicas em vitrais em igrejas medievais e vitorianas são resultantes de propriedades de materiais em nanoescala. Na época, nem se imaginava isso.

 De acordo com o mais recente levantamento do programa do governo americano The National Nanotechnology Initiative existem entre 800 e 1200 produtos em desenvolvimentos, até o momento, produzidos à base de nanotecnologia. Mas ainda estamos muito longe do potencial máximo dessa ciência.

2 - Faltam informações e uma maior compreensão sobre a percepção pública da nanotecnologia, e como os diferentes atores, pesquisadores, governo, indústrias e sociedade trabalham a questão dos riscos e benefícios das nanotecnologias. Do ponto de vista do jurídico, quais os focos de discussão e desafios que traz em sua tese?

O principal ponto de contato entre o ambiente legal e a nanotecnologia que desenvolvo em minha tese de doutorado está relacionado à saúde do trabalhador. Os estudos sobre riscos à saúde humana ainda estão muito embrionários. Conforme a nanotecnologia foi se desenvolvendo, o foco sempre esteve no desenvolvimento das técnicas de manipulação, na sua estabilização e na aplicação.

Vamos entender quais são os riscos à vida humana, a fim de equilibrar essas questões. O objetivo de meu estudo é apontar questões jurídicas sobre prevenções, tais como indenizar eventuais riscos que se tornem danos e entender como se opera a contaminação dos trabalhadores. Quais são os possíveis impactos do contato com a nanotecnologia? Quem deve responder juridicamente, em casos de contaminação dos trabalhadores e cidadãos? São questões a serem respondidas no campo do Direito.

3 - Hoje, está claro que as nanotecnologias cruzam as fronteiras da química, física, ciências biológicas, engenharias e tecnologias. Quais são os pontos que tanto a academia quanto a indústria devem ficar atentas?

O principal ponto a ser observado por todos é que a matéria, no nível nano, adquire outras propriedades. No entanto, o comportamento químico é radicalmente diferente. É como se estivéssemos começando a estudar do zero. Claro, temos conhecimentos acumulados que servirá de comparações. No entanto, há riscos que também são diferentes, difíceis de previsão.

Acredito que a missão do Direito seja a de garantir o máximo de prevenção possível, sem que o desenvolvimento tecnológico seja comprometido. Precisamos trabalhar na prevenção e entender quais são os efeitos colaterais na humanidade.

4 - Sobre regulação das nanotecnologias, o senhor comentou que ainda são escassos os estudos sobre nanotoxicologia, ecotoxicologia e genotoxicologia no Brasil. E questões relacionadas ao Direito do Trabalho e Previdenciário, em que passo estão?

Precisamos trabalhar na prevenção como essa legislação tem que tratar a nanotecnologia aplicada e seus efeitos na humanidade. Falo isso porque existem algumas regulações que não são específicas para nanotecnologia, mas que trabalham questões relacionadas ao desenvolvimento tecnológico, consumo e de eventuais indenizações, em casos de riscos produzidos.

De modo aberto, aplicável a qualquer situação de risco, tanto o código civil, quanto a CLT quanto a legislação previdenciária (Lei 82013/91), estabelecem medidas de proteção às pessoas, caso sofram algum tipo de dano decorrentes da aplicação da nanotecnologia. Mas esse tipo de proteção só é aplicável após contaminação. A chamada no Direito proteção,depois que tiver o fato acontecido, apresentando reparação.

A perspectiva que precisamos trabalhar é da prevenção e da precaução. Será que o desenvolvimento de tecnologias nano, sem um controle apriorístico a rigor, levaria a uma maior incidência de riscos? Será que o Direito realmente tem de colocar algum “freio” nesse desenvolvimento tecnológico, até como forma de preservação da espécie, do patrimônio e da liberdade? São perguntas a serem respondidas no futuro.

5 - As indústrias brasileiras estão juridicamente preparadas para lidar com questões, tais como manipulação (produção) e consumo humano?

Aquelas indústrias que lidam com nanotecnologia nos seus processos produtivos já trabalham de forma preventiva. São empresas que tem investimento em pesquisa e desenvolvimento e cuidados que precisam ser tomados para garantir a saúde no ambiente de trabalho e para os consumidores.

O problema pode ocorrer quando a nanotecnologia se popularizar e empresas com menos recursos para investir em pesquisas e investigações passem a aplicar essa tecnologia.

ivandick_cruzelles2.jpg*Entrevista concedida por Ivandick Cruzelles Rodrigues, Consultor Jurídico e Professor Universitário da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Direito Tributário pelo Centro de Extensão Universitária, é Mestre em Direito Previdenciário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorando em Direito do Trabalho e da Seguridade Social pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), com tese sobre Direito e Nanotecnologia aplicada.

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A voz de quem consegue chegar ao ICMC

icmc2.jpg*Por Denise Casatti
03/05/2017 - Eles vêm de todas as partes do Brasil e também do exterior, atraídos pela excelência em ensino, pesquisa e extensão e também pela qualidade de vida de São Carlos

Se Ana Carolina Fainelo, de apenas 17 anos, decidisse sair de São Carlos a pé para visitar os pais, andando a uma velocidade média de 4 quilômetros por hora, ela caminharia durante 29 dias até chegar a Porto Velho, Rondônia. Mas os 2,8 mil quilômetros que separam a estudante de sua família não a impossibilitaram de realizar um sonho: estudar Ciências de Computação na melhor universidade do país, a USP.

Quando decidiu concorrer a uma das 100 vagas do curso disponibilizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, no campus de São Carlos, ela analisou detalhadamente a grade curricular, obteve informações sobre a estrutura do local e também sobre a qualidade de vida na cidade: “Tudo me chamou para cá e espero sair daqui com muito mais conhecimento e experiência. Não falo apenas da experiência em relação ao conteúdo que aprenderei, mas também da experiência de vida que vou ganhar, porque é a primeira vez que estou morando longe dos meus pais”.

Durante a Semana de Recepção aos Calouros do ICMC, que aconteceu de 6 a 10 de março, a estudante se surpreendeu com os grupos de extensão que existem no Instituto. “Achei interessante a integração de diversas áreas nesses grupos, há estudantes de computação e também de engenharia elétrica, mecânica, etc”, destaca Ana Carolina. “Saber que um dos maiores grupo de robótica do Brasil, o Warthog Robotics, está aqui, tão perto da gente e à disposição, é muito bom”, acrescenta.

A escolha por computação não aconteceu por acaso para Ana. O pai da estudante sempre trabalhou com tecnologia da informação, apesar de não ser formado na área. Em 2014, perguntou à filha: “Por que você não começa a aprender um pouco de programação?” A frase despertou a garota para um novo universo, que a encantou. “Não me aprofundei muito, mas o pouco que vi achei muito legal. Ele me orientou, forneceu materiais e tirou minhas dúvidas. Vi que era algo em que valia a pena mergulhar, até porque gosto de matemática e da área de exatas”.

Da engenharia à matemática – No caso de Thales Sarinho, 20 anos, seriam necessários 27 dias de caminhada, andando na mesma velocidade que Ana Carolina, para chegar à sua terra natal, em Recife, Pernambuco, onde seus pais moram. Os 2,7 mil quilômetros que separam o estudante de sua família também não o intimidaram na busca pelo sonho de estudar na melhor universidade brasileira na área de matemática. No entanto, Thales descartou estudar em São Paulo por causa da poluição: “Tenho asma, já fui a São Paulo várias vezes e sempre é um sufoco. Não tenho condições de morar lá.”

Ele sempre teve paixão por ensinar. No ensino médio, pegava o quadro branco que tinha ganhado da mãe e, com o pincel atômico em mãos, explicava conteúdos de química, física e matemática para os colegas. Quando ingressou no curso de Engenharia Mecânica em uma faculdade particular de Recife, há dois anos, não foi diferente. “Tinha gente que não entendia cálculo e geometria e eu estava amando aquelas disciplinas. Então, pegávamos uma sala que não tinha aula à tarde e a galera da minha turma ficava ouvindo as minhas explicações. Sempre havia um grupo de 10 a 15 alunos. Eu adorei essa experiência”, conta Thales.

O cálculo e a geometria também foram responsáveis por fazer Thales enxergar sua paixão pela matemática. “Quando você vai fazer engenharia, não é apresentado a uma matemática rigorosa. Você conhece uma matemática mais superficial, para que aplique na sua área. Nesse caso, basta saber que existe uma fórmula matemática para usar naqueles casos”, diz o estudante. “No entanto, eu queria saber por que aquela fórmula existia, como ela tinha sido construída”, acrescenta. Ele até tentou ler livros de uma matemática mais avançada para ver se isso o satisfazia, mas não adiantou. Depois de um ano e meio de engenharia, Thales decidiu desistir.

“Meus pais ficaram muito preocupados. Eu estava saindo da engenharia, que é um curso muito bem aceito, que tem muitas vagas de emprego, para ser professor de matemática!” Porém, eles não tardaram a compreender a decisão do filho. Afinal de contas, os dois haviam passado por experiências similares. O pai de Thales chegou a cursar física, mas quando notou que não haveria emprego em Recife na área a não ser para dar aulas, transferiu para direito. Já a mãe do garoto cursava letras e também não gostava de dar aulas, por isso, tal como o pai, seguiu o caminho do direito. “Eles disseram que era normal que eu mudasse de ideia. Só imaginaram que eu ia ganhar pouco e não seria valorizado, tal como minha avó materna, que era professora de português”.

O plano de Thales é ser professor universitário e, para alcançar seus objetivos, o estudante já sabe que precisará fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Vi que a professora Maria do Carmo, do ICMC, fez pós-doutorado na Polônia. Seria o máximo fazer algo assim lá na Europa, na Nova Zelândia, no Canadá...”

Mirando novos horizontes – Quem também chegou ao ICMC com o sonho de fazer um pós-doutorado fora do país ou talvez até passar uma temporada do doutorado no exterior, foi o matemático Angelo Guimaraes. Formado pela Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, onde também fez mestrado, Angelo ingressou no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC no início deste ano. Durante a cerimônia de recepção aos ingressantes da pós-graduação, realizada no dia 22 de março, ele revelou que conheceu o Instituto há dois anos, quando participou de um programa de verão em matemática na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar): “Gostei muito da estrutura do ICMC e da cidade também. Além disso, meu orientador no mestrado já tinha uns contatos aqui”.

As primeiras impressões sobre São Carlos também foram positivas para Alejandro Penadillo: “Eu venho de Bogotá e há muitos carros, muito movimento na cidade. Aqui, o clima é diferente, as pessoas são amáveis e é mais tranquilo.” O colombiano concluiu sua graduação em matemática e seu mestrado na Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá. Escolheu o ICMC para fazer o doutorado em Matemática quando descobriu que havia uma linha de pesquisa em Teoria de Singularidades no Instituto.

Já o estudante Conrado Graci, que ingressou em Ciências de Computação, nunca imaginou que, um dia, estudaria na USP. Aos 17 anos, ele só descobriu que isso era possível no momento em que estava escolhendo a universidade via Sistema de Seleção Unificada (SiSU). A irmã, que também é aluna da USP, em São Paulo, pediu para o irmão checar se havia vagas no curso que ele desejava e lá estava a opção pelo ICMC: “Eu tenho paixão por estudar e sempre pensei que, qualquer curso que eu fizesse, eu encararia como um desafio e iria até o fim”. Fascinado por jogos eletrônicos, Conrado quer construir uma forte base em programação durante o curso no ICMC e adquirir conhecimentos extras em design para, no futuro, atuar na área de desenvolvimento de games.

O SiSU também foi a porta de entrada para Gabriel Malta, 19 anos, que optou por cursar Matemática Aplicada e Computação Científica no ICMC. Ele veio de Anápolis, Goiás, depois de desistir do curso de Física na Universidade de Brasília (UNB): “Tenho facilidade para aprender matemática e gosto de resolver problemas usando as ferramentas da matemática.” Quando estava no cursinho, estudando para ingressar no curso de Física Médica, Gabriel descobriu que podia ingressar na USP via SiSU e decidiu tentar. “O SiSU possibilita que estudantes como eu, que não teriam a oportunidade de se deslocar até o Estado de São Paulo para prestar o vestibular, ingressem na USP”.

No momento da matrícula, a mãe de Gabriel, Antonia Telma Silva, estava emocionada: “Ele está aqui realizando um sonho. É tudo com ele agora. A gente vai estar lá em Anápolis torcendo e dando todo o apoio que precisar”. Tal como os pais de todos os ingressantes do ICMC, Antonia Telma sabe que seu filho fez uma boa escolha e que tem tudo para ir ainda mais longe.

*Denise Casatti, Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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Transformação digital dos negócios depende de TI

iot_2.jpg28/04/2017 - Um estudo patrocinado pela Dell EMC identificou que a maioria das grandes empresas (71%) concorda que para se manterem competitivas precisarão realizar uma Transformação da TI, com o objetivo de adaptar-se à digitalização dos negócios. Apesar disso, só 5% das organizações ao redor do mundo já estão preparadas para esse novo momento, por meio de infraestruturas, processos e metodologias adequados.

O levantamento identificou que uma minoria (5%) das grandes corporações já se encaixa no perfil de ‘Transformadas’, que inclui as empresas mais maduras e que implementaram infraestruturas, processos e alinhamentos organizacionais adequados às necessidades da Transformação de TI. Por outro lado, 41% das empresas estão na fase de ‘Em Evolução’, na qual demonstram compromisso com essa transformação e têm alguns projetos de modernização das tecnologias do data center e nas metodologias de entrega da TI.

Ainda segundo o estudo, a maioria das organizações (42%) se encaixa no grupo de ‘Emergentes’, com alguns progressos rumo à Transformação de TI, mas com poucos projetos em andamento para modernização das tecnologias do data center. E, por fim, outros 12% das empresas se encaixam entre as ‘Legadas’, com pouquíssimo – ou nenhum – avanço nas questões relacionadas à Transformação de TI.

“Esse estudo confirma a percepção da Dell EMC de que a TI deve ter um papel cada vez mais relevante nesse momento de transformação digital dos negócios, que afeta empresas dos mais diversos setores e perfis”, afirma Giampaolo Michelucci, Presidente de Enterprise da Dell Brasil. “A Transformação Digital dos negócios já está em andamento e as empresas têm ciência disso. Mas a capacidade de as organizações se manterem competitivas nesse novo cenário passa pela modernização da infraestrutura e dos processos de TI, para responder e adaptar-se rapidamente às novas demandas do negócio, com inovações, prazos e custos adequados”, complementa.

Transformação da TI e os Resultados para o Negócio

Entre as empresas Transformadas, 85% acreditam que estão em uma posição forte ou muito forte para competir e serem bem-sucedidas no mercado nos próximos anos, contra uma média de 43% entre as organizações menos maduras (Legadas).

As organizações Transformadas também reportam avanços significativos – se comparado às demais – na capacidade de ajudar as empresas a criar produtos inovadores e em um menor prazo, automatizar processos e tarefas manuais e permitir que a TI seja encarada como um centro de lucro, em vez de um centro de custos.

Seguem abaixo alguns dos principais resultados entre as empresas Transformadas:

· 96% excederam os objetivos de receita no último ano, o que representa um percentual mais de 2x maior do que as Legadas
· As Transformadas são 8x mais propensas que as Legadas a avaliar um relacionamento altamente colaborativo entre a TI e o negócio
· Fazem um ‘progresso excelente’ ao rodar a TI como um centro de lucros, em vez de um centro de custos (com um percentual 7x maior do que as Legadas)
· São 7x mais propensas do que as menos maduras (Legadas) a ter uma TI enxergada como um diferencial competitivo para o negócio
· Usam os recursos de TI para acelerar a inovação em produtos e o lançamento de novidades no mercado (com um percentual 6x maior do que as organizações menos maduras)

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Você sabe quem controla as moedas digitais?

bitcoin.jpg*Por Guto Schiavon
21/04/2017 - Você quer investir em moedas digitais, como por exemplo os bitcoins, mas está inseguro ou tem dúvidas sobre a regulamentação? Vou te ajudar! Os bitcoins são reconhecidos por ser uma nova forma de se fazer negócios e as moedas digitais representam um grande desafio para as instituições que estão acostumadas com transações apenas com moedas tradicionais. E algo que muitas vezes é questionado é como funciona a regulamentação das moedas digitais.

Um dos maiores debates sobre criptomoedas é quanto à sua regulamentação. Apesar de serem autônomas ou livres no que tange aos interesses governamentais, para serem utilizadas em territórios específicos, devem seguir uma série de normativas. Apenas assim serão garantidos os direitos e deveres por lei, tanto para quem as utiliza quanto para as instituições financeiras.

Os bitcoins, por exemplo, são produzidos de maneira independente, ou seja, não há um órgão específico para essa finalidade. A produção da moeda é feita de forma controlada e previsível: o planejado é que sejam feitas cerca de 21 milhões de moedas, de forma decrescente até os próximos 30 anos.

Assim, em algum momento do futuro, essa produção terminará e, por isso, é simples de entender que haverá uma quantia finita de moedas. O que pode aumentar seu valor, de acordo com a ideia da oferta e procura dos mercados. Um dos grandes desafios que o bitcoin representa às instituições tradicionais diz respeito à sua própria conceituação. Afinal, o que são essas moedas? Um protocolo, uma commodity, uma propriedade?

Com o passar dos anos, os governos dos mais variados países estão tentando disciplinar seu uso. E a principal questão é: como regularizar algo completamente diferente de tudo que conhecemos? Demarcar os bitcoins em um conceito específico implica várias consequências, as quais ainda são desconhecidas dos especialistas em finanças e dos governos federais.

Entre os ensaios recentes para regulamentar os bitcoins, o Governo dos Estados Unidos vêm sendo um dos pioneiros. Contudo, é importante saber que, em certos aspectos, o governo americano tem falhado na tarefa. Isso se deve ao fato seguir uma linha tradicional quanto à regulamentação de bitcoins, em comparação com outros países. A lógica de pensamento norte-americana visa, muito mais, à obediência da nova moeda ao estado, em detrimento da noção de que os bitcoins podem alterar de vez a economia mundial.

Nesse sentido, vários outros países já passaram à frente dos Estados Unidos. Hoje, por exemplo, o Reino Unido já apresenta uma unificação da moeda com seu governo muito mais satisfatória do que o que fora efetivado nos EUA.

A Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte, já foram criados marcos regulamentares que dirigem tanto o lado do consumidor quanto a inovação proposta por startups e outras instituições envolvidas.

No Japão, o bitcoin já é um meio de pagamento legal, isento de imposto de movimentação financeira, e você paga qualquer coisa no país, inclusive impostos estatais. Hoje, no país asiático cerca de 4.500 locais já aceitam a criptomoeda e até meados de julho, esse número saltará para 260mil lojas. Não podemos esquecer de mencionar que já é possível comprar eletrônicos usando esse tipo de pagamento.

Mas ainda o que muitos podem questionar é: quais são as vantagens da regulamentação de bitcoins?

Apesar de um dos principais atrativos dos bitcoins ser a sua independência de governos, especialistas e usuários da moeda discutem a importância de uma regulamentação dizendo que ela poderá trazer uma série de benefícios para quem utiliza a moeda digital. E com a regulamentação, fundos de investimento e investidores qualificados poderiam investir na moeda digitas, fomentando e trazendo mais liquidez para o bitcoin.

Os bitcoins são moedas digitais novas e muito pouco entendidas por instituições financeiras tradicionais. No entanto, com o passar do tempo, essas entidades têm, cada vez mais, aderido à nova lógica proposta pela criptomoeda. A tendência é que a regulamentação de bitcoins seja feita por alguns países, incluindo o Brasil no longo prazo, o que poderá trazer benefícios ou malefícios ainda desconhecidos para quem as utiliza.

*Guto Schiavon é COO da FOXBIT, uma corretora de bitcoins brasileira.


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