A inteligência e a transformação digital

marcelo_coletta_dynatrace.jpg*Por Marcelo Coletta
27/09/2019 - Quem trabalha com tecnologia certamente já teve a impressão de que as coisas estão mudando cada vez mais rapidamente. Para 80% dos mais de 1.200 profissionais e executivos que participaram do Perform Brasil 2018, o maior evento de Performance Digital do País, a realidade é exatamente essa. Eles se veem diariamente em contato com ações de transformação digital em seus negócios. Mas o que este movimento significa para as empresas?

A primeira consequência é o surgimento de ambientes mais dinâmicos e difíceis de controlar. Afinal de contas, ao mesmo tempo em que a transformação digital representa novas oportunidades de negócios, as inovações também estão acrescentando uma série de desafios dentro das operações, obrigando as empresas a gerenciarem e entenderem de um ambiente sempre em mudança e cada vez mais abrangente.
Não por acaso, levantamentos do Gartner indicam que as maiores companhias globais estão em um processo contínuo de transformação de suas estruturas e sistemas de TI. O ponto em questão, no entanto, é que a implantação de novas tecnologias transforma as estruturas das empresas em ambientes extremamente complexos, que precisam de ferramentas para completo monitoramento e gestão automática de performance de todas as aplicações.

Vale ressaltar que esse cenário é especialmente importante com a ascensão da Computação em Nuvem. Na pesquisa realizada durante o Perform Brasil, observamos que mais de 65% dos líderes de TI têm planos para ampliar seus investimentos em soluções baseadas em Cloud Computing em curto e médio prazo. O que essas companhias buscam, em resumo, é a maior agilidade e economia gerada por ambientes mais flexíveis e móveis. Diferente de uma estrutura local tradicional, que depende de investimento em equipamentos, espaço e manutenção, os servidores em Nuvem de fato têm se mostrado como uma oportunidade que agrega maior capacidade de expansão e disponibilidade de acesso às companhias – mesmo estando fisicamente fora do escritório.

As aplicações em Nuvem não são o único ponto que merece atenção nesse cenário. À medida que as ações digitais amadureçam dentro das empresas, é esperado que a demanda por soluções inteligentes também cresça substancialmente. A Inteligência Artificial (IA), por exemplo, deverá ser cada vez mais presente com o avanço das redes conectadas, com a Internet das Coisas (IoT), e a ascensão de novas formas de relacionamento com clientes, em ofertas baseadas em chatbots e assistentes virtuais.

Os líderes de TI estão diante de um cenário novo, no qual saber como lidar com maiores volumes de dados e com a necessidade de encontrar mecanismos para o gerenciamento inteligente de seus ecossistemas é imprescindível. Isso quer dizer controlar um ambiente em expansão contínua e a necessidade de se adotar recursos que garantam a capacidade de prever, mapear e identificar a causa raiz dos problemas, preferencialmente antecipando possíveis falhas ou imprevistos na rede.

No momento atual, totalmente hiperconectado e basicamente todo baseado em Nuvem, as velhas concepções e planos de monitoramento e gestão estão perdendo espaço e eficiência prática. Quanto mais as organizações reforçam seus ambientes de TI com novas tecnologias e serviços, maior será o desafio de organizar, escalonar e extrair o real valor das soluções e dados de forma completa e integrada.
Isso porque a ascensão das ferramentas digitais tem provocado um grande deslocamento e descentralização das informações, aumentando a complexidade para o gerenciamento das redes e infraestruturas de TI nas organizações. Com os dados mais dispersos e espalhados em diferentes espaços e formatos, manter a conformidade e a unidade dos registros se torna um ponto importante e especialmente desafiador para todas as empresas.

Para gerar melhores resultados, as empresas precisam entender a fundo as opções entregues por cada uma das novas plataformas de TI e, mais do que isso, contar com soluções que permitam obter a melhor maneira de integrar e tornar essas inovações realmente assertivas, do ponto de vista de retorno do investimento.

Inovar por inovar não é a solução efetiva para nenhum negócio. As opções são apresentadas pelo mercado, mas são as empresas que precisam avaliar quais são as inovações verdadeiramente indicadas e como esses recursos poderão agregar maior destaque e eficiência a suas operações. As cartas estão na mesa, ou em alguma Nuvem, mas é essencial que os líderes e especialistas trabalhem para conseguir entender todas as possibilidades, usando a tecnologia como um aliado real dos negócios.

*Marcelo Coletta é Sales Engineering Leader da Dynatrace

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Quando a inteligência artificial pode salvar vidas

aiquimist.jpg26/09/2019 - Brasileiros estão por trás de startup nova-iorquina que desenvolveu algoritmo que, conectado a imagens de câmeras de segurança, é capaz de identificar armas de fogo e emitir alertas em tempo real

Imagine uma tecnologia que, conectada a câmeras de segurança, consiga detectar em tempo real o porte de armas de fogo, emitindo alertas imediatos - para polícia e todo tipo de usuário - sobre local e tipo de armamento. O programador brasileiro Nicholas Guimarães, de apenas 22 anos, não só imaginou como desenvolveu um algoritmo de inteligência artificial capaz dessa proeza: chamada de AllSeenEye, a tecnologia pode minimizar e até evitar o risco de perda de vidas em episódios criminosos e terroristas.

Nicholas é o principal nome à frente da startup Aiquimist – o nome referencia a fonética do substantivo Alchemy (alquimia, em inglês) e faz trocadilho com a sigla A.I. (artificial intelligence). A empresa foi fundada em Nova York, por Nicholas Guimaraes, Marcello Guimarães, 52 anos, e Eduardo Guimarães, 51, respectivamente tio e pai do jovem prodígio, com o objetivo de desenvolver soluções usando inteligência artificial em diversas as áreas. Começou desenvolvendo sistemas inteligentes para a produção agrícola – Marcello e Eduardo são sócios-diretores da Mahogany Roraima, que nasceu já na posição da quarta maior produtora de mogno africano do mundo.

A Aiquimist deu uma pausa no desenvolvimento de um sistema para detectar doenças no mogno, graças à ideia de Nicholas de focar na área de segurança. Ele a teve após conhecer sistemas de reconhecimento facial desenvolvidos por chineses, israelenses e russos e avaliar que podem ser "enganados" apenas com o uso de óculos e boné por quem não quer ser reconhecido. "Sempre que acontece algum ato que coloca as pessoas em risco tem uma arma de fogo envolvida. Por que não desenvolver um algoritmo de reconhecimento de armas?", questionou, antes de colocar "cérebros à obra".

O jovem é o responsável pelo desenvolvimento e treinamento da rede neural capaz de identificar armas de fogo curtas ou longas (pistola, revólver, fuzis) a partir de filmagens de câmeras de segurança. Segundo Nicholas, a ideia inicial é que a tecnologia do AllSeenEye seja utilizada por governos, em escolas, aeroportos, estações de trem e ônibus ou no trânsito, por exemplo. Mas empresas privadas, como agências bancárias, estádios e shoppings, também podem se beneficiar dele. "Esse projeto de armas é 100% pra proteger pessoas", define o jovem.

A ferramenta é capaz, por exemplo, de, em caso de ataque sendo transmitido ao vivo pela internet [como o ocorrido a duas mesquitas na Nova Zelândia, em março deste ano], emitir um aviso para as redes sociais, para que interrompam a transmissão imediatamente. As redes também poderiam emitir alertas nas proximidades do ataque, para que as pessoas se afastassem do perigo.

"Em qualquer hipótese, não é uma ferramenta para caçar ninguém. É para detectar e permitir que se protejam vidas a partir de uma verificação sistemática. Ela não dorme e não para", destaca Eduardo Guimarães, referindo-se ao fato de que o sistema garantiria uma verificação constante, dispensando a atenção humana sobre numerosas câmeras de um mesmo sistema, nas 24 horas do dia.

Revolucionários

Simular uma inteligência semelhante à humana por meio de mecanismos ou softwares é a base da inteligência artificial, apontada por futurólogos e cientistas como a grande aposta de todos os mercados para um futuro muito próximo.

Os irmãos Guimarães previram isso há muito tempo, por isso começaram a pesquisar e a trabalhar com isso em 1992, tendo desenvolvido desde então alguns programas revolucionários. Nicholas cresceu dentro desse universo e revelou desde cedo que seguiria os passos do pai e do tio. Com apenas 10 anos de idade, por exemplo, foi retratado em reportagem do programa dominical "Fantástico", da Globo, como a criança que hackeava telefones dos colegas usando bluetooth.

O jovem logo descobriu que teria de ser um auto-didata para trabalhar com inteligência artificial, pois não há faculdade específica sobre esse tipo de programação. "Hoje a internet, graças a Deus, é quase que uma universidade. Muito do que eu aprendo é pela rede. Muitos cursos são oferecidos por grandes universidades, como o MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts, onde ele fez um curso de Matemática] e Stanford", conta o jovem.

No site oficial da startup (aiquimist.com/) também podem ser conferidos outros projetos em desenvolvimento, como o AllSeenEye SmartGlass, um óculos que permite a identificação de criminosos e suspeitos fichados por reconhecimento facial. Já o AllSeenEye Patrimony poderá identificar armas, pessoas procuradas e veículos fichados e emitir alertas via SMS ou aplicativos.

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Venda de celular registra alta, diz IDC Brasil

idc_renato-meireles.jpg26/09/2019 – Chegada de sistema operacional aos aparelhos mais simples, os feature phones, alavancou crescimento de 34% e surpreendeu o mercado

Os meses de abril, maio e junho de 2019 foram atípicos para o mercado brasileiro de celulares. É o que revela o IDC Brazil Mobile Phone Tracker Q2/2019, estudo da IDC Brasil, líder em inteligência de mercado, serviços de consultoria e conferências com as indústrias de Tecnologia da Informação e Telecomunicações. No período, foram vendidos 852 mil unidades de feature phones, os celulares mais simples do mercado, crescimento de 34% em relação ao segundo trimestre de 2018, movimento que não acontecia desde o terceiro trimestre de 2016, quando o cenário econômico fez o consumidor buscar celulares mais baratos e registrou aumento de 48%. O mercado de smartphones também registrou alta de 6,2%, com 12,1 milhões de unidades vendidas, superando as previsões que indicavam queda de 6%.

Segundo Renato Meireles (foto), analista de Mobile Phones & Devices da IDC Brasil, o surpreendente resultado das vendas de feature phones foi impulsionado pela entrada de um novo sistema operacional para a categoria, o KaiOS. O KaiOS deixou os feature phones inteligentes e passou a atender o consumidor que prefere modelos mais simples e fáceis de usar, mas que também quer usar os aplicativos que já fazem parte da rotina do brasileiro. Com as inovações, o preço do celular aumentou 4% e passou a custar, em média, R$ 132. A receita também cresceu e no segundo trimestre de 2019 foi de R$ 112, 7 milhões, 39,3% maior que no mesmo período do ano passado.

Já o aumento no segmento de smartphones aconteceu pela renovação do portfólio de algumas fabricantes. “O consumidor encontrou aparelhos com recursos novos, especificações bem diferenciadas e atributos muito esperados nos últimos meses”, informa o analista da IDC Brasil.

Ele lembra que a entrada de novas fabricantes no País também marcou o período. O preço médio ficou em torno de R$ 1.252, o que resultou em um faturamento de R$ 15,1 bilhão, 15,6% a mais do que o segundo trimestre de 2018.

Para o terceiro trimestre deste ano, a previsão da IDC Brasil para o mercado de feature phones é de alta de 31,4%. Os smartphones, pelo contrário, deverão ter queda de 1%, devido ao alto estoque nos canais.  Segundo Meireles   as fabricantes deverão ofertar smartphones com preços mais baixos – no segundo trimestre o preço médio subiu 8,9% - e o varejo deve fazer promoções para estimular o consumo e baixar os estoques.

Com os resultados do estudo, a IDC Brasil reviu suas expectativas para 2019, e a previsão para o mercado de feature phones passou de um crescimento de apenas 0,4% para 26,1%, com 3,2 milhões de celulares vendidos. Já o mercado de smartphones deve fechar o ano com vendas de 45 milhões de aparelhos, queda de 1,3%, pouco melhor do que o saldo negativo de 2,4% inicialmente projetado.

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Embrapa lança hackathon para aquicultura

embrapa_hackaton.jpg24/09/2019 - Objetivo é incentivar universitários a pensar em inovações para setor

A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) lançou o Hackathon Inove Aqua, que visa incentivar estudantes ou recém-formados a desenvolverem soluções para os desafios da aquicultura. A disputa vai ocorrer na próxima edição da Feira Agropecuária do Tocantins – Agrotins, que ocorrerá em maio do ano que vem, em Palmas. Até lá, os estudantes terão a oportunidade de conhecer mais sobre aquicultura e os principais problemas da cadeia produtiva.

Podem participar não apenas universitários de tecnologia da informação, mas também de engenharia e outras áreas, assim como estudantes de ensino médio técnico, que deverão formar times de três a oito participantes. No dia do evento, eles vão participar de uma maratona de 32 horas para desenvolver sua ideia de inovação.

Serão premiadas as melhores soluções, que serão julgadas conforme os critérios de aplicabilidade, criatividade, inovação e usabilidade. "O júri será formado por pesquisadores da Embrapa e representantes do setor produtivo. O time que tirar primeiro lugar vai ganhar R$ 5 mil, além de passagem, hospedagem e inscrição para um evento de tecnologia nacional", detalha a pesquisadora da área de Transferência de Tecnologia, Hellen Kato. "Também haverá premiação para o segundo e terceiro colocados", completa.

'Competição para inovação'

Foram escolhidos seis problemas da cadeia aquícola para que os competidores desenvolvam inovações: retirada da espinha em "Y" do tambaqui; levantamento da demanda de mercado interno no tocante às espécies brasileiras; alimentação automática; controle de qualidade da água nas áreas de cultivo; soluções em biometria, estimativas de biomassa e fornecimento de ração, além de soluções de segurança, antirroubo nos centros de cultivo.

"A ideia é que sejam desenvolvidos não apenas softwares ou aplicativos. Pode ser equipamentos também. Até uma faca diferente para tirar a espinha em Y é válida", explica Hellen. "Não é um concurso de software, é uma competição para inovação", ressalta.

Visando introduzir os participantes no mundo da aquicultura, serão oferecidas várias oficinas onde serão apresentadas informações básicas sobre o tema. A primeira, sobre princípios para produção sustentável de peixes, acontecerá no dia 25 de outubro, no auditório da Embrapa Pesca e Aquicultura, com carga horária de oito horas. O treinamento é gratuito e os concorrentes do hackathon não são obrigados a participar. "Como estamos prevendo a participação de estudantes de todo o Brasil, talvez seja difícil para eles ficarem viajando a Tocantins para participar desses treinamentos. Assim, estamos vendo a possibilidade de transmitirmos o curso pela internet", destaca a pesquisadora.

O Hackathon Inove Aqua é realizado pela Embrapa, financiado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); Secretaria de Aquicultura e Pesca SAP/MAPA; Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – Funtec; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Carro autônomo no Brasil: tendência ou utopia?

carro_autonomo.jpg*Por Rogério Borili
20/09/2019 - Com a evolução da tecnologia, principalmente da Inteligência Artificial, torna-se cada vez mais comum o debate e a expectativa sobre a criação de novidades neste segmento, como o carro totalmente autônomo, por exemplo.

Mas, quem pensa que esta inovação depende apenas da boa vontade da indústria automobilística e da integração das novas tecnologias está profundamente enganado. Existem tantas variáveis e necessidades para que esta revolução dos automóveis seja colocada em prática no Brasil que ela soa praticamente utópica nos dias de hoje.

Existem seis níveis de automação padronizados pela indústria automobilística e eles vão da classificação 0 a 5, sendo que a 0 não possui nenhum tipo de automação – a maioria dos comercializados no mercado. As classificações 1 e 2 já possuem alguns sistemas auxiliadores, como aceleração, freio, motores e direção, como os tradicionais controladores de velocidade já muito utilizados atualmente. A partir da 3, os veículos passam, de fato, a ter um tipo de autonomia, podendo se movimentar por conta própria, mas ainda necessitando de intervenção humana, até chegar na classificação 5, no qual o carro é 100% autônomo.

Vamos aos fatos: o carro autônomo se baseia em uma série de equipamentos, inclusive redundantes, tais como: câmeras de calor e de imagem, radares, ondas sonoras, raio-x, laser e tantas outras diferentes tecnologias para fazer a leitura do ambiente. Ou seja, é necessário que o banco de dados tenha grande capacidade de armazenamento e alta velocidade para garantir a disponibilidade e segurança necessários, uma vez que a atualização dos dados precisa ser em tempo real. Além disso, estes sistemas precisam ter um alto nível de segurança para evitar invasões e vazamentos que, nestes casos, poderiam causar acidentes, ou seja, os ataques hackers poderiam trazer problemas ainda mais graves do que os enormemente discutidos atualmente.

Até este ponto ainda estamos falando da tecnologia que envolve a criação do carro autônomo, mas existem outras que são tão ou mais importantes para que ele funcione da maneira adequada. Uma delas é a capacidade de comunicação considerando grandes volumes de dados.

O uso do 5G permitirá um avanço significativo: mais dados disponíveis para o processamento local, já que o feito em nuvem não é adequado devido à necessidade de decisões e respostas imediatas (definir se o obstáculo à frente é apenas fumaça ou um carro parado, por exemplo) e, consequentemente, mais velocidade na troca de informações e baixa latência. Entretanto, o carro autônomo não poderá confiar unicamente em uma rede comercial qualquer. Redes privadas de comunicação com links dedicados e garantia de disponibilidade serão necessárias. Um exemplo disso é a Netflix que utiliza hubs regionais com nuvem privada e descentralizada com réplicas de conteúdo em diversos locais para que os dados sejam transmitidos com fluidez e a capacidade e disponibilidade de processamento adequados. E é aí que as maiores dificuldades para implementação do carro autônomo começam: embora a Anatel já tenha definido as primeiras frequências para a instalação do 5G e diversas operadoras já iniciaram a fase de testes, a tecnologia só deve estar disponível comercialmente no país daqui alguns anos. Além disso, ainda não sabemos o nível de velocidade e de capacidade de transmissão de dados que será disponibilizado por aqui. É ver para crer.

Outro ponto que torna o carro 100% autônomo impraticável no Brasil, pelo menos nos próximos 20 anos, é a infraestrutura das vias. Desde faixas da pista mal pintadas ou sem sinalização, passando pela disponibilidade de infraestrutura para os elétricos até a conexão de informações do tráfego com o veículo. Por exemplo: se houver uma emergência e a via precisar ser interditada, o automóvel precisa receber esta informação em tempo real. Some isso à convivência de carros autônomos e veículos normalmente conduzidos – ou seja, mesclando tipos de raciocínio totalmente diferentes (robôs x humanos) e a necessidade rápida para tomada de decisões nas maiores vias do país e o caos será instaurado. Embora empresas diversas estejam empenhadas em desenvolver ferramentas para atender a todos esses mercados que envolvem a implementação do carro autônomo, este requer um ambiente formado por cidades inteligentes em um nível que ainda estamos bem longe de conquistar.

Há ainda um terceiro fator: as questões jurídicas. Com a nova Lei de Proteção de Dados, quem será o proprietário das imagens coletadas pelas câmeras instaladas nas vias e no próprio veículo? Como decidir o grau de culpabilidade em casos de acidentes? São algumas das muitas questões que ainda não temos respostas, mas que precisarão ser definidas antes de termos este nível de inovação nas ruas.

Além de tudo, a indústria deve contar com os apaixonados por automobilismo, que podem criar resistência ao carro autônomo por não "abrirem mão" do prazer de dirigir. Questões socioeconômicas também devem impactar na aderência ao carro autônomo, o que retarda a sua evolução, já que quanto maior o nível de automação, maior a necessidade deste interagir menos com humanos e mais com robôs. O nível 5 (100% autônomo) de automação, por exemplo, possivelmente exigirá trafegar em vias exclusivas, onde a tomada de decisão ocorre apenas em conjunto com outros veículos autônomos e com a própria via.

rogerio_borilli.jpgSão por essas e outras questões que o carro autônomo ainda está longe de se tornar realidade no Brasil. Em um país em que as condições de tráfego para veículos tradicionais já não são adequadas, trazer este grau de inovação para as ruas requer muito investimento público e privado, consciência, adequação de leis e tecnologias em diversos setores da indústria. Toda inovação faz brilhar os olhos e sonhar com o futuro, mas é preciso antes enxergar o presente e adequá-lo para fazer jus às possibilidades que a ciência pode proporcionar.

*Por Rogério Borili é Vice-presidente de tecnologia da Becomex

 

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Inteligência Artificial e o Direito: o que está por vir

direito.jpg*Por Ulisses A. Bittencourt Dalcól
20/09/2019 - O Direito, como conhecemos hoje, é uma pequena evolução daquele sistema que já vinha de um bom tempo. O papel, o processo e os procedimentos foram utilizados até recentemente, tornando a Justiça lenta, abarrotada e ineficaz.

O peticionamento era burocrático, complexo, ineficiente e demorado, pois havia o deslocamento do advogado até o juízo onde deveria protocolar sua petição e aguardar sua distribuição.

Os processos eram, então, remetidos aos cartórios que os distribuíam em prateleiras e cada um tinha um sistema de identificação de notas, petições e processos aguardando conclusão.

Buscando dar celeridade é que foi introduzida a primeira mudança tecnológica no sistema legal brasileiro, em 2006, com o advento da Lei n.º 11.419, que dispõe sobre a informatização do processo judicial. Essa informatização foi debatida e introduzida com o único propósito de acelerar os processos, algo que não deu muito certo, pois vale lembrar que os procedimentos ainda são os mesmos.

Foi uma boa ideia, mas que deixou muitos colegas para trás, com tribunais adotando critérios e métodos diferentes de acesso, sistemas complexos e com muitos erros, sendo esse início um marco para separar os advogados que abraçaram a tecnologia, daqueles que perdiam espaço nessa nova realidade. Aqui está a verdadeira função da capacitação, que é preparar não para o agora, mas para o futuro.

O que vem se falando muito é da Inteligência Artificial e como ela pode ser útil ao Direito. Mas ninguém aponta um caminho ou aprofunda o tema, muito pelo desconhecimento, muito por interesse próprio.

Claro que a IA pode substituir, hoje, tarefas simples; já existem outras, um pouco mais complexas que podem substituir um advogado, por exemplo. Veja o sistema criado pela empresa de Israel, LawGeex. Ele é um sistema de revisão de contratos, sem qualquer interação humana ele determina se um contrato está de acordo com as diretrizes de sua empresa. Reduz custo e tempo para um escritório. Esse é um excelente exemplo de IA em simbiose com o Direito.

Mas, e pensando mais a frente, se houver um sistema como esse que possa oferecer argumentos, interagir com juízos, oferecer cenários ilimitados a premissas? É possível? Sim. Evidente que tudo tem um certo risco em ser adotado, em especial com a tecnologia de adulteração de fotos e vídeos aumentando e chegando a perfeição em alguns anos.

Tudo isso é relacionado ao Direito, podemos estar à frente de provas lícitas e ilícitas que poderão ser analisadas por um software que oferece argumentos para um júri ou juiz. Como determinar a idoneidade desses fatos? Tudo isso traz novos desafios à IA e sua adoção no Direito.

Há um projeto da IBM o "Project Debater", nele o computador ouve um argumento humano e procura, através de milhares de ciclos e cálculos, rebater esse argumento com a geração de um novo. Sim, algo parecido como nós advogados, procuradores, promotores e juízes, ou qualquer pessoa faz durante um debate, análise ou conversa.

Não é preciso esperar o futuro para ver a Inteligência Artificial em uso em cortes pelos Estados Unidos. Em alguns estados as audiências que tratam de fiança, o juiz recebe o resultado de uma pontuação baseada no risco de fuga do condenado, o perigo oferecido à sociedade se o mesmo estiver nas ruas, além de outros fatores, podendo fundamentar sua decisão entre determinar um valor para a medida ou mesmo sobre a possibilidade do deferimento dela.

A Inteligência Artificial é apenas uma das mais variadas tecnologias a dispor do Direito e estar preparado para elas é uma necessidade para aqueles que querem se destacar e ter uma carreira de sucesso no Direito, seja no Brasil, seja pelo mundo.

*Ulisses Augusto Bittencourt Dalcól é advogado e Diretor da Agência de Comunicação Descomplica, gerenciando a área de TI.

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