Tecnologia no agronegócio: riscos e oportunidades

agronegocio.jpg*Por Cristiano Kruk
10/06/2019 - De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o agronegócio é responsável por 42% das exportações brasileiras, atingindo US$ 102 bilhões em 2018. Este desempenho representou um crescimento de 6% em relação ao ano anterior e uma contribuição para o saldo positivo na balança comercial brasileira de quase US$ 90 bilhões. Estes dados, aliados ao fato do agronegócio representar 23% do PIB do Brasil, não deixam dúvida quanto à relevância do segmento para a economia nacional. De acordo com dados do United States Department of Agriculture (USDA), o Brasil ocupa as primeiras posições na produção mundial dos principais produtos agrícolas consumidos no mundo, tais como soja, açúcar e café (primeira posição), carne bovina e de frango (segunda posição), além do milho (terceira posição), entre outros.

Manter a relevância do agronegócio na economia nacional tem sido especialmente desafiador para os participantes deste segmento. Os agropecuaristas brasileiros, além de terem que enfrentar os riscos inerentes ao seu próprio negócio, tais como condições climáticas, pragas que afetam a lavoura e as doenças que ameaçam suas criações, também precisam lidar com os efeitos da instabilidade econômica e política do País, greves, além da inerente precariedade da infraestrutura logística nacional.

Desta forma, o sucesso deste setor está significativamente associado com a capacidade de adaptação às incertezas por meio de instrumentos de gerenciamento de riscos, assim como a aplicação de tecnologias de ponta no desenvolvimento das lavouras e criações. A chamada "tecnologia de precisão" há muito tempo vem sendo desenvolvida e aplicada no campo com o propósito de elevar a produtividade de maneira a compensar as deficiências estruturais do País que vão além da porteira e, portanto, não gerenciáveis pelo produtor. A Embrapa, empresa de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que conta com 43 anos de suporte ao agronegócio, é uma referência mundial na agricultura de clima de tropical e uma das principais fomentadoras da inovação no campo.

Com o auxílio da tecnologia, os níveis de produtividade do agronegócio brasileiro tem desempenho igual, e muitas vezes superiores, aos seus principais competidores mundiais. No que se refere à soja, por exemplo, enquanto a produtividade média mundial da safra de 2017/18 foi de 2,74 ton/hectare, no Brasil, a produtividade foi de 3,47 ton/hectare. Os Estados Unidos, principal concorrente, tiveram uma produtividade de 3,31 ton/hectare, 5% inferior à do Brasil.

Neste sentido, as oportunidades de desenvolvimento de inovações tecnológicas para o campo são ilimitadas e, como parte deste processo, uma série de novas startups voltadas para desenvolver soluções de tecnologia no setor agrícola têm surgido nos últimos anos. De acordo com levantamento feito pela KPMG, em conjunto com o Distrito, das mais de 7 mil startups brasileiras, 135 estão voltadas exclusivamente para o mercado agro, e este número encontra-se em franca expansão. Estas startups têm atuado não só no desenvolvimento de ferramentas voltadas para a agricultura de precisão, assim como de soluções em robótica, drones, satélites, big data, inteligência artificial, entre outras.

Se, por um lado, a tecnologia tem trazido soluções para permitir o crescimento da relevância do agronegócio no PIB brasileiro, muitos desafios ainda precisam ser superados. Além de questões relacionadas à falta de infraestrutura ideal para permitir a conectividade, bem como uma velocidade de conexão adequada nas áreas de plantio mais remotas, as empresas do agronegócio têm passado a ser alvo constante dos chamados ataques cibernéticos nos últimos anos. De acordo com pesquisa realizada pela KPMG, em conjunto com a Oracle, com mais de 450 profissionais de segurança cibernética e TI, cerca de 80% destes profissionais estão preocupados com algum tipo de ataque cibernético. Tal preocupação se deve, principalmente, ao fato de que a maioria destes ataques está direcionado para áreas estratégicas do negócio, gerando a paralisação de operações, sequest ro e perda de dados, danos à reputação e, consequentemente, perdas financeiras significativas ocasionadas por estas situações. Em outra pesquisa da KPMG, observa-se que os riscos relacionados às novas tecnologias é o segundo assunto que mais preocupa os altos executivos das empresas, atrás apenas de riscos relacionados com a perda de clientes estratégicos.

Desta forma, é inegável que o uso de tecnologias de ponta e a inovação no agronegócio tem contribuído significativamente para o crescimento sustentável do setor, bem como sua contribuição para a economia brasileira como um todo. Entretanto, face à relevância crescente da tecnologia para os negócios, é muito importante que as empresas do setor passem também a incluir, em seus processos de gerenciamento de riscos, aspectos relacionados à prevenção dos riscos associados a eventuais ataques cibernéticos.

Se por um lado, os investimentos em segurança cibernética podem representar um custo adicional para as empresas, esta também é uma boa oportunidade para os gestores e executivos aprofundarem seus conhecimentos sobre o seu negócio, visto que estratégias de segurança de TI e resiliência dos negócios sempre devem estar alinhadas com as metas globais da organização, desde a proteção da propriedade intelectual e de dados, até a maximização de sua produtividade por meio de novas tecnologias aplicadas no campo.

*Cristiano Kruk é sócio da KPMG no Brasil.

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A arte de engajar e converter clientes em fãs

anthony_delanoix_unsplash.jpg*Por Roberto Wik
10/06/2019 - Ouvi certa vez em uma palestra proferida pelo vocalista da banda Iron Maiden, Bruce Dickinson, a seguinte frase: "Eu não gosto de cliente (pausa)". A plateia ficou chocada. Estarrecida. Mas a continuidade do discurso e a explicação que se seguiu fizeram com que todos realmente concordassem com essa afirmação. "Eu não gosto de cliente, eu gosto de fã." Clientes vão embora quando ficam chateados, procuram o concorrente, deixam de se relacionar. Já com os fãs, a atitude é diferente. Alguém já viu fã de um time de futebol mudar de clube depois que ele perde um campeonato ou cai para a segunda divisão? Fã é incondicional, sente um entusiasmo desmedido por aquilo que idolatra. Luta, torce, vibra e atua sempre com aquilo que lhe faz bem e com propósito. E há mais: dentre as definições de fã, destacam-se ainda os sentimentos com os quais defende suas preferências: paixão, ga rra e tenacidade.

Essa introdução nos faz refletir sobre o que realmente buscamos quando tentamos atrair um novo cliente, torná-lo engajado e fiel. Estamos apenas olhando o lado cliente ou estamos dando atenção à figura do fã? Quando nos deparamos com métricas nas compras on-line de clientes, por exemplo, no varejo, de 1% de conversão, 43% de taxa de abandono do carrinho de compras e 31% de retorno do consumidor, quais poderiam ser esses valores se tivéssemos fãs em vez de clientes?

As empresas, sejam elas de manufatura, varejo ou bens de consumo têm buscado incessantemente conhecer mais e melhor seus clientes para atendê-los de maneira personalizada. E isso tem uma razão, ou melhor duas: 90% dos brasileiros acreditam que experiências de compra personalizadas os encorajariam a fazer mais compras, e 69% dos consumidores no Brasil estão dispostos a fornecer informações pessoais durante sua jornada de compra, desde que entendam o propósito desse compartilhamento e vejam valor para si – e isso é quase o dobro do valor experimentado nos EUA (que chega a 37%).

Ser capaz de responder o que, quando e como os compradores gostariam de fazer compras requer que as empresas passem a entender seus clientes mais pessoalmente. A maioria já coleta uma série de informações que oferecem suporte à personalização, mas apesar de ter esses dados em mãos, apenas 38% dos compradores acreditam que as empresas estão aprendendo sobre seus comportamentos e preferências pessoais, bem como raramente os usam para criar experiências personalizadas.

É muito frustrante, por exemplo, quando você realiza compras em um determinado supermercado por quase dez anos (isso seria um estágio de fã?), com compras semanais, identificando-se toda vez que lá está, e, depois, se por algum motivo reduz de forma substancial a frequência naquele estabelecimento – no caso de uma mudança de residência, por exemplo, e o varejista nem sequer o aborda para entender o que aconteceu. O que foi feito com aquela base de dados de consumo do consumidor durante os dez anos que lá esteve? Continuar somente o envio de ofertas pelo aplicativo não será suficiente para fazê-lo retornar e voltar a ser fã, ou pelo menos cliente.

E o resultado disso é uma perda de oportunidade, uma vez que 54% dos consumidores são mais propensos a estabelecer lealdade (movendo-se de cliente a fã) com a empresa que eles entendam que os conhece.

A personalização desempenha um papel importante no engajamento dos clientes quando isso é feito corretamente. E a chave para a personalização é a simplicidade ao fornecer conteúdo relevante no lugar e no horário certos. O conteúdo da comunicação é o que mais importa e é onde as empresas mais têm falhado, com ofertas que não são específicas para os produtos que os compradores desejam.

E agora? Temos um problema?

Pelo contrário, está aí uma oportunidade de ouro: 63% dos compradores estariam dispostos a responder a um pequeno questionário sobre si mesmos, se isso significasse que só seriam enviadas ofertas relevantes depois. Refraseando e reforçando: os consumidores estão dispostos a compartilhar suas informações para obter ofertas que lhes proporcionem valor e economia.

Experiências bem-sucedidas geram lealdade – como ter um fã. Uma experiência de compra personalizada simples e eficaz precisa ser assertiva, relevante e oportuna.

A busca pelo fã

- Diferentemente do futebol, em que a lealdade em geral vitalícia é fruto do berço (ou da influência familiar e de colegas), a lealdade com produtos e serviços talvez seja o nirvana que as empresas buscam. Para isso, as marcas devem focar na fidelização de longo prazo com atenção a quatro pontos principais:

- Consistência na qualidade do produto, na promessa da marca e no atendimento ao cliente. Consistência gera confiança e senso de confiabilidade;

- Oferecer opções aos compradores - relacionadas a variedade de produtos, a programas de personalização, fidelidade ou recompensas, para que se sintam no controle de suas decisões;

- Construir conexões emocionais para que os consumidores sintam como as empresas se importam e os consideram como clientes valiosos. A emoção tem um impacto significativo na lealdade;

Distribuir recompensas ou descontos juntamente com benefícios do programa de fidelidade, informações ou insights exclusivos, podem inspirar a retenção e ajudar a garantir uma conexão emocional ou validar a fidelidade de um cliente à marca.

Em suma, não presuma que todos os clientes estão interessados em todos os produtos e serviços que você oferece. Faça um balanço dos que estão sendo utilizados ou subutilizados ao entrar em contato formalmente com os clientes para entender realmente quais experiências são valorizadas e como elas podem resultar em satisfação ideal.

A partir dessas discussões com os clientes, ajuste sua estratégia de experiência do consumidor, traduzindo os insights em oportunidades de diferenciação, engajamento aprimorado, lealdade e vantagem competitiva. Quando os clientes se sentem surpreendidos por prazeres inesperados, eles se tornam mais propensos a aumentar seus gastos com a empresa.

Torne-se obcecado em entregar o que os clientes querem, não o que você acha que eles querem. Em vez de buscar clientes, atraia fãs.

*Roberto Wik é diretor de indústria e varejo da Cognizant no Brasil

Crédito: Anthony DELANOIX / Unsplash

 

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Transformação digital na gestão da saúde

trends_3.jpg*Bill García
05/06/2019 - A transformação digital está impactando fortemente o setor de saúde em toda a América Latina. Segundo dados da IDC, o investimento em tecnologias na região deve atingir US$ 1.931 milhões em 2022. Por outro lado, tanto os sistemas públicos quanto os privados enfrentam desafios complexos, como as mudanças demográficas e o aumento da obesidade na população.

Atualmente, muitas empresas dependem de processos ultrapassados e manuais, dados de difícil acesso, falta de colaboração de integrantes da equipe e, consequentemente, sofrem com o aumento de custos, já que são necessárias inúmeras horas extras para resolução de problemas.

O resultado? Pacientes insatisfeitos por enfrentarem longos períodos de espera, muita burocracia, falta de informação e exames que não ficam prontos na data estipulada, além de uma grade de funcionários insatisfeitos com as ferramentas de trabalho, fator que, na maioria dos casos, dificulta (e até mesmo impossibilita) um atendimento de excelência para o paciente.

Diante desse cenário, separei três dicas que irão otimizar o tempo de deslocamento do paciente pelos hospitais, além de auxiliarem na eficiência do trabalho dos médicos, desde o registro inicial até a alta.

1. Trabalhar de forma mais inteligente e colaborativa

A informação ao paciente deve ser rápida e assertiva. Para isso, garanta que os fornecedores estejam conectados e se comuniquem facilmente. Assim, os pacientes recebem um melhor atendimento, de forma mais eficiente e descomplicada.

Por outro lado, com uma comunicação efetiva, os sistemas de assistência médica se concentram no gerenciamento de custos e os serviços compartilhados ajudam a obter menores custos, ao mesmo tempo em que dão suporte aos médicos no atendimento ao paciente.

2. Digitalizar com uma infraestrutura otimizada.

Os sistemas de saúde precisam de uma infraestrutura e serviços escaláveis, que possam lidar com maior largura de banda, armazenamento e outros recursos de desempenho. A computação em nuvem é um ótimo recurso, já que possibilita acesso remoto, em tempo real, e se adapta facilmente às necessidades do usuário, sem limite de logins por vez. Dessa forma, o gerenciamento de informações se torna assertivo, rápido e fluído, além de trazer uma maior segurança para os dados críticos.

3. Garantir integração e consolidação eficientes.

Embora os sistemas de saúde continuem a usar fusões e aquisições como uma forma de operar com mais eficiência e rentabilidade, ainda enfrentam os desafios da integração, desde a padronização até a gestão da marca.

Com a digitalização, essa padronização de processos e fluxos de trabalho será ágil, pois haverá a eliminação de redundância de dados e acúmulo de informações imprecisas, bem como a criação de uma experiência de usuário unificada e humanizada.

Não há dúvidas de que estas tecnologias facilitam a rotina dos hospitais e companhias, principalmente na captação e no gerenciamento das incontáveis informações recebidas e capturadas por dia, reduzindo o risco e possibilitando melhorias contínuas no atendimento e na experiência do paciente!

*Bill García é diretor da Vertical de Saúde da Ricoh América Latina.

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O blockchain na reinvenção do varejo

blockchain.jpg*Por Gustavo Pipa
10/06/2019 - Não é de hoje que o varejo olha com atenção para a capacidade que o blockchain terá de transformar o mercado. Mas onde será que essa rede de transações entre dois ou mais parceiros poderá realmente ajudar? Grande parte da indústria tem trabalhado para compreender como melhor aproveitar essa nova tecnologia.

Há dois grandes pontos que são parte crítica do ecossistema do varejo que, a partir do blockchain, poderão ter suas características alteradas – e melhoradas.

Rastreabilidade da cadeia de suprimentos: temos consumidores cada vez mais preocupados com a origem dos produtos que consomem, e em contraponto uma alta nos índices de falsificação de produtos de diversos mercados. Com o blockchain, é possível rastrear todo o caminho percorrido por um produto em sua cadeia de produção, garantindo segurança e autenticidade. Aqui, além da redução de custos, há um ganho expressivo de valor e fidelização, como no caso, por exemplo, de alimentos orgânicos.

Segurança de transações diretas: o uso da tecnologia aumentará a eficiência das transações diretas entre parceiros, com a eliminação da necessidade de intermediários, como, por exemplo, os bancos. Os chamados contratos inteligentes, provenientes do blockchain, são capazes de catalogar e conduzir transações por meio de uma rede peer-to-peer, que substitui o papel tradicional cumprido em geral pelas instituições financeiras. Essas transações passam então a ser automatizadas e simplificadas, trazendo mais eficiência, agilidade e significativa redução de erros.

A maioria das organizações varejistas – como ocorre em outros mercados – ainda aguarda relutante os avanços e resultados da tecnologia para nela investir. Mas acredito que quanto antes os varejistas entrarem nesse jogo, identificando e projetando pilotos com implementação de blockchain, mais depressa verão um efeito positivo nas suas operações. Os varejistas que se moverem rapidamente para entender como a tecnologia pode beneficiar sua organização, desenvolvendo as habilidades necessárias, terão uma vantagem sobre seus concorrentes, reestruturando o cenário de varejo hipercompetitivo.

É importante salientar que, nesse processo de transformação, cabe evitarmos os projetos padrão de TI – demorados para implementar e lentos para atender às expectativas. Em vez disso, uma abordagem mais ágil é necessária para manter o ritmo com que o blockchain funciona, podendo ser resumido com começar pequeno, testar e eventualmente falhar logo, identificar o que funcionou, readequar e validar os processos ajustados rapidamente.

Será necessário, claro, reescrever as regras do mercado. Os desafios de encontrar dois ou mais parceiros/fornecedores interessados e prontos para implantar o blockchain, a necessidade de investimento em tecnologia e a urgente mudança na mentalidade dos varejistas. A aposta é que essa tecnologia será capaz de reestruturar modelos operacionais, melhorar sua eficiência e reduzir custos.

*Gustavo Pipa é Client Service Executive de varejo e bens de consumo da Cognizant

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Omnichannel, a nova febre da comunicação

ricardo_nexcore.jpg*Por Ricardo Zanlorenzi
04/06/2019 - Você já ouviu falar em Multicanal ou Omnichannel (em inglês)? Em alta em todo mundo, a procura cresceu consideravelmente por se tratar de uma funcionalidade de plataformas de comunicação estratégicas para empresas de todos os segmentos e portes. O objetivo é fazer com que o cliente seja atendido em qualquer meio de comunicação desejado, seja pela familiaridade ou pelo custo. O que realmente importa é atender as solicitações com agilidade e melhorar a experiência dos usuários.

Em vez de trabalhar em paralelo, os canais de comunicação e seus recursos de suporte são projetados e orquestrados para cooperar entre si. O modelo de negócios Omnichannel implica em uma integração e sincronização de canais, de modo que qualquer experiência de interagir com todos os canais é tão ou mais eficiente e/ou agradável do que usar cada canal isoladamente.

Por esse motivo e analisando a tendência do consumidor 4.0, que está cada vez mais conectado e clama por atendimento mais ágil e facilitado, as empresas têm investido cada vez mais em ferramentas que atendam às necessidades de clientes que precisam de atendimento em qualquer canal e que possibilita a integração entre eles. Ou seja, o cliente pode iniciar um atendimento via WhatsApp, mudar para o messenger do Facebook e finalizar em uma chamada por voz, mantendo o histórico, atendente e com total mobilidade.

Quem desejar abrir essa inovadora estratégia de atendimento precisa estar preparado para um aumento considerável de contatos, pois facilitará as plataformas facilitam a entrada do cliente no universo das empresas. Um problema comum gerado por essa estratégia é represar atendimento e demorar mais que o aceitável para dar retorno aos clientes. Por esse motivo, os processos e estratégias de atendimento precisam ser muito bem planejados e executados, preferencialmente com a contribuição de robôs.

Hoje, por exemplo, as ferramentas são capazes de "aprender" com a intervenção de seus gestores, ou seja, quando não tiverem um retorno a oferecer para o usuário que entra em contato, ele encaminha o cliente para um atendimento humano e avisa o gestor da plataforma que não entendeu algo e que precisa aprender. Essas tecnologias podem facilmente atualizar boletos, agendar consultas, informar endereços, direcionar o cliente para a unidade mais próxima e tudo o que a criatividade permitir, afinal, elas já superaram o inacreditável.

*Ricardo Zanlorenzi é especialista em gestão e comunicação empresarial e é CEO da Nexcore Tecnologia

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Uso de tecnologia altera compra e venda de carros

marcelo_tonett_dassault.jpg*Por Marcelo Tonetti
04/06/2019 - Eficiência energética, direção autônoma e recursos de segurança inovadores. Graças ao avanço tecnológico, os fabricantes de automóveis estão conseguindo desenvolver projetos cada vez mais completos e atraentes.

As oportunidades abertas pela era do Renascimento da Indústria, porém, vão muito além do aprimoramento das características técnicas de um veículo por meio do desenho virtual de novos modelos. O uso intensivo de tecnologia está mudando também o jeito como compramos nossos carros e as prioridades para efetuar a escolha entre as diversas opções disponíveis.

Esse renascimento global gera novas maneiras de criar, aprender, produzir e comercializar em uma economia baseada na experiência do consumidor e não apenas no produto. Para obter sucesso nesse cenário, as empresas têm investido cada vez mais em soluções que ofereçam experiências completas, que facilitem a vida dos consumidores e tragam o encantamento como resultado. No setor automotivo, essa lógica tem levado concessionárias do mundo inteiro a se recriarem, com o objetivo de atrair uma geração digital e particularmente interessada em produtos personalizados e experiências únicas.

Do desenho do produto ao pós-venda, plataformas inteligentes estão ajudando as empresas a reconstruírem a jornada de compra de seus clientes como um todo e as Concessionárias Virtuais são exemplos dessa transformação. Estamos falando de uma concessionária praticamente sem carros, onde os compradores podem experimentar e configurar todos os veículos em tempo real, escolhendo entre diferentes versões, acessórios e efeitos para personalizar o interior e o exterior de um determinado modelo. Atualmente já existem cerca de 8.000 lojas desse tipo em todo o mundo, impulsionadas principalmente pelas capacidades das novas plataformas digitais de desenho em três dimensões.

O objetivo desse modelo é ajudar as empresas a criarem ambientes mais dinâmicos e otimizar as ofertas com o máximo detalhamento possível. Em uma concessionária virtual é possível montar, ver e pedir um carro de uma maneira única. Estudos indicam que a maioria dos consumidores visita uma concessionária de carros apenas uma ou duas vezes antes de definir uma compra e as tecnologias virtuais podem ajudar as marcas automotivas a atrair e tornar essas visitas mais efetivas e interessantes.

A adoção de tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Realidade Virtual (VR) é um caminho para oferecer uma experiência visual única e de vendas de alto impacto para os consumidores. Com base nessas plataformas digitais, as concessionárias conseguem apresentar virtualmente seus carros e possibilitar que os consumidores tenham uma jornada imersiva e que apresente todas as possibilidades.

Além de ajudarem a maximizar a satisfação dos clientes, as Concessionárias Virtuais também permitem otimizar a rotina das lojas, propiciando oportunidades para a redução de custos e o aumento das vendas. A utilização dessas plataformas pode, por exemplo, engajar emocionalmente os clientes, ajudando as lojas a impulsionarem suas vendas com tíquetes-médios mais altos e maior negociação de acessórios, além de serviços adicionais.

Do mesmo modo, a aplicação de soluções virtuais também permite a redução da infraestrutura e espaço necessário para a venda de veículos. Sem a necessidade de um showroom físico completo, as lojas podem ser montadas em ambientes muito menores e mais atraentes. As novas versões digitais podem ser criadas com um terço do espaço físico de uma concessionária tradicional. Isso é especialmente importante em grandes cidades, propiciando economia com aluguéis ou construção de prédios que exijam altos investimentos de manutenção, segurança e adequação à exposição dos veículos.

Outra característica importante é que as Concessionárias Virtuais repensam a ligação entre as lojas e as linhas de produção. Com o uso de plataformas avançadas que já existem no mercado, é possível automatizar e interligar todos os processos, desde o design do produto, passando pelo estoque disponível e o relacionamento com os clientes durante o pré e o pós-venda. Assim, é possível atualizar as opções disponíveis para os consumidores de forma completamente automática, incluindo novos lançamentos e opções ao catálogo de vendas. Com isso, os vendedores não perdem chances de negócios específicos e podem mostrar novidades de forma imediata, aproveitando ao máximo o potencial de cada cliente interessado.

Uma das principais vantagens das Concessionárias Virtuais, porém, é a possibilidade de levar os produtos até o consumidor, onde quer que esteja. Em um mundo extremamente ágil e conectado, atrair o cliente até um ponto de venda é uma dificuldade de alto custo. Com a virtualização, as Concessionárias Virtuais vão até os locais em que seus potenciais consumidores estão, como shoppings centers, resorts e eventos do setor, por exemplo.

Em tempos marcados pela concorrência acirrada e pela enorme quantidade de opções à disposição do público, oferecer uma jornada de compra personalizada é um diferencial para o sucesso de qualquer estratégia de vendas. O uso de soluções ultrarrealistas e ferramentas inteligentes são exemplos de como a tecnologia possibilita que as empresas explorem validem e produzam novas experiências para seus clientes e acelerem o desempenho dos negócios.

*Por Marcelo Tonetti é Business Transformation Client Executive da Dassault Systèmes

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