Aumente o ROI da sua empresa com chatbots

chatbot.jpg*Por Mateus Azevedo
06/06/2017 - Muito se tem falado sobre a evolução da Inteligência Artificial (AI, em inglês) e as inúmeras possibilidades que ela oferece, mas nem todos sabem como elevar as receitas com o uso desta tecnologia. De acordo com IDC, as receitas de empresas de tecnologia focadas neste setor deverão saltar de US$ 8 bilhões para US$ 47 bilhões em 2020. Já uma pesquisa realizada pela Accenture estima que a AI poderá dobrar o crescimento econômico anual de diversos países até 2035, como os Estados Unidos, que deve aumentar o PIB de 2,6% para 4,6%.

Entretanto, o potencial de lucratividade proporcionado pela AI não atinge apenas empresas de tecnologia. O Estudo Global de Tendências realizado pela Tata Consultancy Services, registrou aumento da receita entre 5% a 16% para empresas que investiram na tecnologia entre 2014 e 2015. As que alcançaram maior aumento da receita e redução de custos investiram cinco vezes mais em AI. Segundo o IDC, os chatbots voltados para serviços ao consumidor, sistemas de gestão e referência, serviços de medicina diagnóstica e aplicativos antifraude foram as utilizações mais rentáveis da AI em 2016. Nos próximos cinco anos, os setores de segurança pública, diagnósticos médicos, logística e pesquisas farmacêuticas são os que terão maior crescimento de receita com a Inteligência Artificial.

Muitos irão se perguntar: mas como é possível elevar a receita? A solução é substituir a força de trabalho pelos chatbots? Não necessariamente. O relatório da Accenture também afirma que tecnologias relacionadas a sistemas cognitivos elevarão a produtividade do trabalho em até 40%. Isso significa que esta mesma força de trabalho pode ser aproveitada para atividades que realmente requeiram interação humana, como processos de gestão, análise de dados, desenvolvimento, entre tantas outras. Além disso, cada vez mais, os clientes desejam respostas ágeis e eficientes, independentemente do tipo de serviço ou produto contratado.

A Inteligência Artificial e, especificamente os chatbots, permitem retornos instantâneos e objetivos, elevando a satisfação e flexibilidade de escolha, o que resulta em mais clientes atendidos, aumento do número potencial de novos consumidores e, consequentemente elevação da receita. Outro ponto é que a inovação tecnológica possibilita a criação e aprimoramento de inúmeras atividades, podendo ser utilizada para conhecer mais a clientela, otimizar processos, melhorar a divulgação, oferecer mais segurança e maior assertividade nas informações e controle de políticas, custos e serviços.

Por exemplo, um chatbot destinado ao setor comercial pode transmitir informações de produtos e processar vendas simples diretamente, deixando a cargo dos humanos as interações mais complexas, agilizando o atendimento e proporcionando maior liberdade de escolha para o cliente.

Soluções eficientes de Inteligência Artificial podem solucionar cerca de 95% das demandas em operações via telefone ou chat, seja no próprio site das empresas ou redes sociais, reduzido o tempo de atendimento em 5 vezes, em média, com taxas de acerto próximas a 100%, tudo isso com redução de 2/3 do custo operacional. Além disso, eleva substancialmente o número de clientes atendidos, eliminando as filas de espera em centrais de atendimento, por exemplo. No caso da Bluelab, o chatbot pode realizar cerca de 3 milhões de contatos por mês.

Por ser uma tecnologia em constante inovação, a Inteligência Artificial ainda trará inúmeras outras formas de elevar a lucratividade das empresas, mas muitas delas estão ao alcance das mãos e as grandes companhias já se beneficiam destas possibilidades. Para ingressar neste grupo, basta avaliar o modelo mais rentável de acordo com a estratégia de negócios e aproveitar, antes que a concorrência o faça.

*Mateus Azevedo é Sócio da Bluelab, empresa especializada em sistemas avançados de atendimento automático.

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AI: amiga ou inimiga da cibersegurança?

digital_neuron1.jpg*Por Derek Manky
01/06/2017 - As estratégias de segurança precisam passar por uma mudança radical. Os dispositivos de segurança do futuro terão que entender e interoperar uns com os outros para reconhecer as mudanças no ambiente de rede, antecipar novos riscos, atualizar e aplicar políticas automaticamente. Os dispositivos devem ser capazes de monitorar e compartilhar informações fundamentais e sincronizar as respostas às ameaças detectadas.

Parece um tanto futurista? Na verdade, não é. Uma tecnologia emergente que vem recebendo muita atenção recentemente e estabelece as bases para tal abordagem automatizada é a Segurança de Rede Baseada em Intenções (or Intent-Based Network Security - IBNS). Esta tecnologia oferece visibilidade geral de toda a rede distribuída e permite que as soluções de segurança integrada se adaptem automaticamente às mudanças nas configurações de rede e mudem as necessidades, com uma resposta sincronizada às ameaças.

Derek Manky, estratega de Seguridad Global de Fortinet

Estas soluções também podem dividir segmentos de rede de forma dinâmica, isolar dispositivos afetados e remover malwares. De maneira semelhante, novas medidas e contramedidas de segurança também podem ser provisionadas ou atualizadas automaticamente à medida que novos dispositivos, cargas de trabalho e serviços são incorporados ou movidos de ou para qualquer ponto na rede, incluindo dispositivos de usuários ou ambientes na nuvem. A segurança integrada e automatizada permite uma resposta abrangente à ameaça, muito maior do que a soma das soluções individuais de segurança que protegem a rede.

A inteligência artificial (AI) e o aprendizado de máquina estão se tornando aliados significativos na cibersegurança. O aprendizado da máquina será baseado em dados de dispositivos da Internet das Coisas e aplicações preditivas para ajudar a proteger a rede. Mas a proteção dessas "coisas" e desses dados, que são antigos alvos ou pontos de entrada de cibercriminosos, é um desafio por si só.

A qualidade da inteligência

Um dos maiores desafios de usar Inteligência Artificial e a aprendizagem de máquina está no calibre da inteligência. Hoje, a inteligência das ciberameaças está altamente propensa a falsos positivos devido à natureza volátil da IoT. As ameaças podem mudar em questão de segundos; uma máquina pode estar livre de ameaças em um segundo, infectada logo depois e livre novamente, em um ciclo completo de latência muito baixa.

Melhorar a qualidade de Inteligência contra ameaças é extremamente importante já que, as equipes de TI transferem cada vez mais controle para que a inteligência artificial faça o trabalho no lugar dos seres humanos. Este é um exercício de confiança que representa um desafio único. Como indústria, não podemos transferir o controle total para um dispositivo automatizado, mas precisamos equilibrar o controle operacional com a execução essencial a ser realizada por seres humanos. Estas relações de trabalho realmente farão com que a Inteligência Artificial e as aplicações de aprendizagem de máquina para defesa cibernética sejam realmente eficazes.

Ainda assim, persistem as falhas nas habilidades de cibersegurança; então, os produtos e serviços devem ser desenvolvidos com maior automação para correlacionar a inteligência contra ameaças e assim, determinar o nível de risco e automaticamente sincronizar uma resposta coordenada às ameaças. Frequentemente, é tarde demais quando administradores tentam resolver um problema, até mesmo causando um problema maior ou gerando mais trabalho. Isso poderia ser tratado automaticamente, utilizando o compartilhamento direto de inteligência entre produtos de detecção e prevenção, ou com mitigação assistida, uma combinação de pessoas e tecnologias trabalhando em conjunto. A automação também pode permitir que as equipes de segurança dediquem mais tempo aos objetivos comerciais, em lugar de dedicar esforços às demandas mais rotineiras do gerenciamento da cibersegurança.

No futuro, a IA na cibersegurança se adaptará constantemente à crescente superfície de ataque. Hoje, estamos ligando os pontos, compartilhando informações e aplicando esses dados aos sistemas. Os seres humanos estão tomando decisões complexas, que exigem uma correlação inteligente, que utiliza a inteligência humana. No futuro, um sistema de IA amadurecido poderia tomar decisões complexas por conta própria.

O que não é possível atingir é a automação completa; ou seja, passar 100% do controle para que as máquinas tomem todas as decisões a qualquer momento. Os seres humanos e as máquinas devem trabalhar juntos. A próxima geração de malwares "conscientes" usará a Inteligência Artificial para se comportar como um criminoso humano: realizar reconhecimento, identificar alvos, escolher métodos de ataque e evitar a detecção de forma inteligente.

Assim como as organizações podem usar inteligência artificial para melhorar sua postura de segurança, os cibercriminosos podem começar a usá-la para construir malwares mais inteligentes. O malware autônomo, assim como as soluções inteligentes de defesa, está guiado pelo conjunto de análise e inteligência ofensiva, tais como os tipos de dispositivos implantados no segmento de uma rede, fluxo de tráfego, aplicações que estão sendo usadas, detalhes de transações ou a hora do dia em que estas ocorrem. Quanto mais tempo permanece uma ameaça dentro de uma rede, muito mais capacidade de operar independentemente, misturando-se dentro do ambiente, selecionando ferramentas com base na plataforma que tem como objetivo e, eventualmente, tomando contramedidas baseadas nas ferramentas de segurança do lugar.

Está é, precisamente, a razão pela qual é necessário um enfoque em que as soluções de segurança para redes, acessos, dispositivos, aplicações, centro de dados e nuvem trabalhem em conjunto com um todo integrado e de colaboração, combinado com inteligência executável para manter uma postura forte em relação à segurança autônoma e defesa automatizada.

*Derek Manky, estrategista global de Segurança da Fortinet

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Desafios do incentivo fiscal à inovação no Brasil

leio_do_bem2.jpg*Por José Ricardo Roriz Coelho
26/05/2017 - O Brasil está em vias de promover avanços significativos na Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005), que trata dos incentivos fiscais à inovação tecnológica. O momento não poderia ser mais adequado, considerando-se a premência de sairmos de umas das piores crises da história e o aprofundamento da desindustrialização do país.

A última Pesquisa de Inovação Tecnológica do IBGE (PINTEC) mostra que a indústria de transformação é a principal responsável pelo investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) do país. Sua participação, no entanto, diminuiu de 70% em 2011 para 66% em 2014, e pode ter piorado nos anos seguintes, o que reforça a importância do aprimoramento dos incentivos fiscais para que o país mantenha o perfil de investimento semelhante ao de países desenvolvidos. No Japão, Coreia, Alemanha e Estados Unidos, a indústria de transformação responde por respectivamente 88%, 88%, 86% e 69% do investimento em P&D.

Ainda que seja evidente a relação virtuosa entre indústria de transformação, P&D e crescimento econômico, o incentivo fiscal à P&D enfrenta muita resistência em órgãos do governo, pois muitos deles limitam-se a enxergar o custo e não se atentam aos benefícios de longo prazo.

Hoje, 27 dos 34 países-membros da OCDE dão tratamento tributário preferencial para os gastos em P&D. Em 2014, na Irlanda, França, Coreia, Canadá, Japão e Estados Unidos, os incentivos de âmbito federal tiveram participação no PIB de respectivamente 0,29%, 0,27%, 0,19%, 0,15%, 0,14%, e 0,07%. No Brasil, esse percentual foi de 0,03%. Outros países fortemente industrializados, como Alemanha e Itália, só não fazem parte da lista por não divulgarem essas estatísticas, assim como, o percentual dos EUA deve estar subestimado em razão de considerar apenas os incentivos federais.

E isso nos faz lembrar uma frase que se tornou popular entre economistas: "there is no free lunch" ("não existe almoço grátis"). Ela se encaixa perfeitamente nesse contexto, pois incentivo fiscal à P&D nada tem a ver com generosidade e benevolência.

Governos de todo o mundo reconhecem que estimular P&D e inovação nas empresas faz com que todo o país se beneficie da geração de mais conhecimento e de mais riqueza. No entanto, por diversos motivos, nem todos os agentes realizam esse investimento. No Brasil, por exemplo, destaca-se a hostilidade do nosso ambiente de negócios agravada pelo Custo Brasil e valorização cambial.

Para ajudar a corrigir essa "falha de mercado", o incentivo fiscal é eficaz na medida em que diminui o risco e o custo do investimento, além de dar mais autonomia às empresas e agilidade no desenvolvimento dos projetos de inovação que, em geral, correm contra o tempo.

Além disso, ele permite que o mercado, em vez do governo, determine qual a melhor alocação dos recursos para P&D segundo setores e projetos. Se for bem desenhado, também pode diminuir os custos administrativos para as agências de fomento, o que parece adequado num contexto de ajuste fiscal.

Portanto, passados quase 12 anos desde a promulgação da Lei do Bem, o Brasil dá passos importantes no sentido de aprimorá-la. Essa iniciativa teve origem da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no dia 7 de março, e equipes ministeriais tem o prazo de 60 dias para apresentar uma nova versão.

A FIESP já entregou suas propostas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Dentre várias sugestões que fizemos, destaco algumas: estender os incentivos às empresas que apuram o imposto de renda pelo lucro presumido, e com isso torná-los acessível às empresas menores; aumentar de 60% para 100% o incentivo sobre as despesas com P&D; rever a contratação de P&D extramuros, o que pode estimular o segmento de startups; e permitir o aproveitamento dos benefícios em períodos posteriores, quando houver prejuízo ou exceder o valor do lucro real.

Sabemos que é um trabalho difícil, mas a FIESP seguirá insistente em garantir um aperfeiçoamento substancial nesse importante instrumento de apoio à inovação. Nossa expectativa é de que as medidas a serem anunciadas em breve sejam capazes de aumentar a atratividade do incentivo, ampliar o número de empresas beneficiadas, e trazer mais segurança jurídica no seu usufruto.

Não obstante esses avanços, é importante ter em mente que o aperfeiçoamento da Lei do Bem é uma condição necessária, porém não é suficiente, para aumentar o nível de investimento em P&D haja vista o processo de desindustrialização do país. Ter uma indústria forte é condição essencial para um Brasil rico e bem-sucedido.

A crise de 2008 deixou claro que os países com indústria de transformação sólida sofreram menos impactos, razão pela qual ganharam força as políticas de reindustrialização em várias partes do mundo. Programas como o "Make it in America" nos Estados Unidos e a meta da União Europeia de aumentar de 15% para 20% a participação da indústria no PIB até 2020 ilustram essa estratégia.

O Brasil não pode ficar na contramão dessa tendência, sob o risco de se distanciar das principais rotas de desenvolvimento tecnológico do mundo e das tecnologias de fronteira que estão sob o guarda-chuva de Manufatura Avançada ou Indústria 4.0.

*José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

 

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Computadores quânticos entram em ação em 2020

atos_quantum_world2.jpg*Por Luis Casuscelli
26/05/2017 - Os ciberataques que atingiram mais de 150 países nas últimas semanas voltaram a chamar a atenção para o tema da proteção de dados de empresas, governos e indivíduos, em um mundo cada vez mais digitalizado.

A resposta de autoridades e empresas de Cybersecurity nesse caso foi rápida e impediu danos mais relevantes. No entanto, acreditar que o conhecimento que possuímos hoje será suficiente para fazer frente às ameaças cibernéticas no futuro próximo seria um engano, porque o próximo grande desafio nesse campo já tem data marcada: 2020.

Daqui a menos de três anos, estarão disponíveis para comercialização os primeiros computadores quânticos, capazes de executar operações em velocidade incomparável à melhor alternativa de computação clássica disponível hoje.
Por um lado, essa tecnologia trará suas muitas vantagens: intermediará e facilitará negociações no setor financeiro, aprimorará a definição de padrões para o mercado de seguros, auxiliará na segurança dos países e contribuirá para descobertas na indústria farmacêutica, química e na física quântica.

Por outro, a chegada dos algoritmos quânticos constitui uma ameaça sem precedentes aos sistemas convencionais de segurança da informação, exigindo o desenvolvimento da chamada criptografia “quântico-segura” (quantum safe) antes do uso generalizado de computadores quânticos.  

Todos os dados que estão atualmente protegidos por padrões clássicos de criptografia deverão ser elevados a padrões quântico-seguros para permanecerem a salvo no futuro.

O período crítico é agora

Considerando que os primeiros computadores quânticos estarão comercialmente disponíveis a partir de 2020, como prevê a publicação Journey 2020, elaborada por especialistas da Atos, e que as mudanças nas normas de segurança demoram para serem postas em prática, isso faz do momento atual um período crítico.

O cálculo de tempo necessário para a transição deve levar em conta a previsão de disponibilidade comercial de computadores quânticos, menos o tempo necessário para assegurar os dados. Uma vez passado esse período, as empresas que não tiverem sua criptografia atualizada estarão à mercê de possíveis ciberataques de hackers que dominem tecnologia quântica.

Com isso, a demanda por TI quântica só deve crescer nos próximos anos. Entender e adotar computação e a criptografia quântica pode preparar com sucesso uma organização para as ameaças de segurança cibernética do futuro e ajudar tais organizações a aprender sobre suas próprias possibilidades.

Desafios e oportunidades

Uma das grandes dificuldades do processo de implementação será a carência de fornecedores e desenvolvedores de criptografia quântico-segura. Eles oferecem uma grande variedade de produtos e serviços que estão sempre se diversificando, mas o surgimento de profissionais cresce lentamente.

Os primeiros ingressantes nesse mercado serão aquelas organizações que têm altas exigências para manterem suas comunicações seguras. Empresas que têm muito a ganhar com a computação de algoritmos quânticos também serão pioneiras, já que possuem uma perspectiva mais clara de suas possibilidades.

A infraestrutura cada vez mais "inteligente" para os setores de energia, petróleo e gás e transporte, por exemplo, em combinação com a IoT, também formam um campo cada vez mais amplo para este avanço.
Para empresas dos demais segmentos, cabe fazerem uma avaliação sobre suas necessidades de segurança e possibilidades quânticas para decidir sobre como preparar sua infraestrutura de TI para o futuro com computadores quânticos.

Essas ponderações, contudo, dizem respeito apenas ao ritmo de implementação desses protocolos de segurança quântica. O caminho é o mesmo para todos e o prazo diminui a cada dia.

*Luis Casuscelli é diretor de Big Data e Security da Atos América do Sul.

 

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Poder das Baterias de Íons de Lítio em Data Center

bateria_litio.jpg*Por Peter Panfil
24/05/2017 - O impacto das baterias de Íons de lítio (BIL) em nossa vida diária é assombroso. Esse elemento aparentemente onipresente pode ser encontrado no interior de bilhões de dispositivos, desde equipamentos eletrônicos portáteis até automóveis. Há no mercado um forte apetite por dispositivos digitais de menor tamanho e de maior durabilidade.

Porém, seriam esses parâmetros o suficiente para determinar o uso dessa tecnologia no mercado altamente exigente de data centers? As BIL teriam condição de competir efetivamente contra as baterias de chumbo-ácido? Quais serial a real análise custo/benefício? E, finalmente, haveria lgum tipo de risco à segurança dos data centers, semelhantes aos riscos encontrados em alguns dispositivos eletrônicos utilizados por consumidores?

Nossa avaliação começa analisando a velha e boa bateria VRLA (de chumbo-ácido regulada por válvula), a opção que tem sido a principal fonte de energia backup de curta duração para a indústria de data centers. Como muitos de nós sabemos, esses geradores de energia podem ter numerosas desvantagens, como peso, tamanho, vida útil e manutenção. Elas são conhecidas como o elo fraco da cadeia de energia.

As baterias de íons de lítio, por outro lado, oferecem importantes vantagens em relação às VRLA. As BILs podem conter mais energia em um espaço menor, economizando área utilizada. Elas duram significativamente mais e, por isso, não necessitam serem substituídas com tanta frequência. Além disso, a maioria é capaz de tolerar maiores temperaturas de operação e, ao mesmo tempo, exigir menos manutenção.

Ainda assim, quem está cotando uma planta com baterias de íons de lítio sabe que o capital requerido para essa aquisição inicialmente é mais elevado, cerca de 1,5 a 2 vezes maior. Porém, como ocorre em qualquer análise de TCO (Total Cost of Ownership), após mais dados serem incluídos, o quadro pode parecer um pouco mais favorável às BILs. Economias operacionais aparecem devido à menor necessidade de serviço e manutenção. Além disso, a menor necessidade de área de piso e até mesmo a redução dos custos de refrigeração impactam positivamente a análise. O mais importante de tudo é que a maior vida útil das BILs reduz os custos de substituição e implica um provável payback entre 5 e 7 anos. Por isso, o retorno pode ser promissor.

Quanto à segurança, a primeira coisa a perceber é que as baterias de íons de lítio para data centers não são fabricadas da mesma maneira que as destinadas a dispositivos eletrônicos pequenos.

Os fornecedores de BILs para data centers projetam e disponibilizam especificamente baterias para serviço pesado, fortes e encapsuladas, submetidas a muitos testes. As BILs usadas nesse ambiente são derivadas da indústria automotiva, na qual a segurança tem máxima importância.

Isso nos leva a uma pergunta fundamental: Qual é a e experiência prática que existe na integração de BILs a um sistema de no-break para data centers? Você poderá ficar surpreso em saber que existem no mercado empresas que testam, implementam e dão suporte a soluções com baterias de íons de lítio desde 2011. Equipes técnicas de todas as regiões do mundo instalaram sistemas em clientes de "colocation" e corporativos. Todos os profissionais envolvidos nessas iniciativas testemunharam uma quantidade significativa de horas de runtime com sucesso sem problemas.

Tudo indica, portanto, que as BILs receberão cada vez mais atenção nos meses e anos que estão por vir. Veremos cada vez mais provedores de serviços de data center e de telecomunicações pesquisar, avaliar e testar o poder das baterias de íons de lítio em suas instalações.

*Peter Panfil é Vice-Presidente de Energia Global da Vertiv

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Blockchain: os prós e contras dessa tecnologia

blockchain.jpg*Por Vicente Goetten
23/05/2017 - Falar em Blockchain é falar em polêmica. Ainda mais nas últimas semanas - após o grande ciberataque que ocorreu no mundo todo - e destacou um grande ponto contra, o anonimato. Mas não podemos perder de vista que se trata de uma tecnologia reconhecida como a mais influente para o futuro dos negócios. Sua história vem desde 2008, quando o blockchain foi apresentado como uma forma de aumentar a segurança cibernética e transformar a maneira como pessoas e empresas fazem transações eletrônicas.

A segurança na adoção da tecnologia pelas empresas é uma de suas características mais fortes, uma vez que os dados são distribuídos em rede e não centralizados em um só servidor. Na prática, isso minimiza significativamente as ameaças por hackers, que para invadir uma fonte de dados precisariam entrar em todos os computadores que distribuem as informações ao mesmo tempo. Por exemplo: se todas as empresas que sofreram com os ataques do último dia 12 de maio utilizassem Blockchain, a invasão hacker provavelmente não teria acontecido, pois seria necessário um alto poder computacional para ultrapassar os milhares de códigos criptografados em cada um desses pontos distribuídos pela rede. E é por isso que muitos especialistas consideram que o Blockchain não é apenas uma tecnologia disruptiva, mas algo fundamental para todos os negócios por fornecer uma estrutura segura para qualquer transação e de qualquer valor.

É também uma tecnologia que pode ser aplicada em qualquer negócio, mas destaco dois casos em que pode ser bem utilizada e fazer a diferença: nas instituições bancárias e em departamentos governamentais. No primeiro caso, é sabido que os sistemas bancários atuais são vulneráveis ​​à fraude. No final de 2016, um grupo de hackers assumiu o controle de todas as operações online e de autoatendimento de um grande banco no Brasil, por cerca de seis horas. Eles obtiveram senhas, números de cartão de crédito e outras informações privadas. Dessa forma, muitos usuários, sem saber, ao fazer o login no portal do banco foram redirecionados para réplicas falsas do site com suas senhas verdadeiras. Foi como tirar doce da mão de crianças.

Com o Blockchain, não seria necessário haver um banco online, pois as informações de valor não teriam um ponto de acesso centralizado, neste caso o site do banco. Com isso, os hackers não conseguiriam obter tanta informação de tantas pessoas no curto período de horas.

Outro caso real, e que deveria virar um filme, foi o de funcionários do governo americano que estavam investigando os crimes praticados no Silk Road, maior site ilegal de vendas de drogas online da deepweb, quando descobriram que os próprios agentes federais eram os criminosos e estavam tentando encobrir as evidências e provas da fraude, se assegurando do fato de que muitos dados do poder público são descentralizados. Foi a natureza imutável e imprevisível do Blockchain que permitiu que o esquema fosse enfim descoberto.
Mas como nada é perfeito, existem sim algumas maneiras dos hackers invadirem sistemas de Blockchain. Primeiro, há possibilidades de falhas e corrupções humanas e, em segundo, é possível que hajam falhas em algum ponto desabilitado da rede e prejudicar a comunicação entre todos.

Já no que diz respeito a bitcoins, a cibermoeda que pioneiramente inaugurou o uso do blockchain no mundo, embora seja uma moeda segura para usar contra inflação ou desvalorização, a mesma pode ser alvo de golpes. Um exemplo disso são os sabidos sequestros de dados de empresas em mais de 150 países há algumas semanas. É o ponto fraco do anonimato das transações, que pode favorecer os mais maliciosos.

Em suma, a tecnologia Blockchain possui muitos prós e contras que, muitas vezes, se intercalam ou até mudam de lado a depender do ponto de vista de quem analisa. A seu favor, destaco a possibilidade de transferir legalmente qualquer valor de forma segura e confidencial, os dados são conferidos por uma vasta rede, há segurança de não ter valores congelados no caso de uma crise econômica, como pode acontecer com quem aplica dinheiro em instituições financeiras tradicionais, não haveria mais a necessidade de intermediários como bancos, advogados ou governo, as transações são irreversíveis e há a potencial valorização dos bitcoins, ao longo do tempo.

Entre os contras, podemos citar a questão do anonimato que pode ser mal-usado por criminosos digitais, o fato de ainda haver resistência por parte de governos ou empresas que não entendem a tecnologia e não sabem usá-la para transferência de valores, o desemprego de profissionais que trabalham em instituições que servem de intermediários nessas operações tradicionais e o fato das transações serem irreversíveis - que pode ser negativa em determinados casos, em especial nas fraudes.

O Blockchain tem potencial para tornar muitas instituições obsoletas, por isso sua aceitação e aplicação em larga escala pode levar mais tempo que os entusiastas da tecnologia gostariam. Haverá muita resistência ainda, mas, para ser justo, no entanto, as instituições atuais são propensas a erro humano, fraude e corrupção, abrindo porta para novas e mais seguras maneiras de realizar transações.

Do setor bancário ao de seguros, temos a certeza que iremos testemunhar uma drástica mudança à medida que as empresas começam a adotar essa tecnologia. Isso pode levar um tempo ainda, mas é fato que se as empresas desejam permanecer competitivas no mercado em que atuam, precisam começar a se preparar para sua adoção, a fim de permanecer na vanguarda do mundo dos negócios.

*Vicente Goetten é diretor executivo do TOTVS Labs

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