O novo caminho para viajar os sete mares

dassault_timoteo_muller.jpg*Por Timoteo Muller
25/07/2018 - Desde que a humanidade rastejou dos oceanos, parece que ficou obcecada em retornar a eles. De humildes jangadas de madeira de vinhas a balsas (a vapor) do tamanho de uma cidade que transportam milhares de visitantes de cada vez, é justo dizer que, como espécie, nós já dominamos a técnica de viajar pelos oceanos.

Agora, finalmente, pode ser a hora das pessoas se afastarem dos oceanos novamente. As últimas embarcações oceânicas não têm necessidade de um capitão humano e a era dos navios auto navegáveis está se aproximando muito rapidamente.

O transporte marítimo é um grande negócio: uma indústria global que vale dezenas de bilhões de dólares. Milhões de contêineres cheios de trilhões de produtos são rotineiramente transportados acima das ondas. É um grande empreendimento que exige equipes e recursos a bordo. Atualmente, a indústria marítima está buscando reduzir o custo do transporte de carga através da tecnologia autônoma iniciada pela Rolls-Royce.

A mundialmente famosa empresa de engenharia está propondo um projeto de navio autônomo que emprega câmeras HD que transmitem para equipes de vigilância em terra as tecnologias de sensores, imagens térmicas e o radar térmico. É um projeto ambicioso que combina sistemas de comunicações ponta para fabricar o navio de carga do amanhã.

Os drones agora são comuns e os carros sem motorista finalmente estão a caminho. A engenharia trouxe ao mundo os veículos autônomos, no chão e também no ar. No entanto, com dois terços do nosso planeta coberto por água, você pode ser perdoado por supor que poderíamos ter feito o mesmo mais cedo para os mares.

Estabelecendo um prazo até 2020 para produzir o primeiro navio com tripulação reduzida, a Rolls-Royce prevê mais quinze anos para aperfeiçoar o projeto de um navio autônomo totalmente funcional. Não é um prazo irracional. Embarcações menores e reduzidas já estão em uso pelas forças navais e pesquisadores - e já existem há vários anos. Então, se a tecnologia necessária já existe, por que o movimento de navegação autônomo está apenas começando?

Tripulações, dinheiro e leis

Em primeiro lugar, há uma resistência considerável dentro da própria indústria à nova tecnologia. O transporte autônomo significa tripulações menores e, em última análise, nenhuma equipe. Talvez, compreensivelmente, haja relutância em abraçar uma evolução da indústria que leve a menos empregos.

Da mesma forma, há controvérsias sobre os custos do empreendimento. Enquanto alguns acreditam que a remessa autônoma possa ter uma economia de custo de transporte de 22%, outros colocam os custos de tripulação de um navio em apenas 6%. É difícil avaliar quão viável é realmente o investimento financeiro na tecnologia de navegação autônoma.

Por último, o envio de navios não tripulados para águas cartografadas é, ironicamente, uma espécie de aventura em águas desconhecidas. As responsabilidades por acidentes e incidentes em navios não tripulados nos sete mares é um atoleiro legal para o qual atualmente existe pouquíssima legislação. À medida que o progresso se desenvolve rapidamente na primeira viagem a navegar, os governos terão que atar quaisquer brechas legais para manter as leis à prova d'água nas raras ocasiões em que as próprias embarcações não são.

Apesar desses obstáculos, o programa autônomo está funcionando, com muitos dos principais participantes do setor a bordo. A rápida ascensão da tecnologia inteligente empurrou as possibilidades da logística para os mares apenas na última década, com o cargueiro autônomo a poucos anos de sua primeira jornada. Contra o pano de fundo do progresso cada vez maior, as vozes discordantes podem tornar-se cada vez mais uma gota no oceano.

*Por Timoteo Muller, gerente de vendas da Dassault Systèmes para a América Latina

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Como a era digital impulsiona o lucro das empresas

bruno_alves_plusoft.jpg*Por Bruno Alves
18/07/2018 - Mergulhar na Transformação Digital se tornou obrigação para empresas que desejam se manter ativas no mercado, competindo de igual para igual com seus concorrentes. Entender o contexto em que as pessoas vivem, totalmente conectadas e com fontes de informações fragmentadas, é essencial para as companhias revolucionarem seu modelo de negócio.

Quando chegou ao Brasil no final da década de 1990, a Internet era alvo de dúvida das empresas, que questionavam se realmente valeria a pena estarem conectadas, terem e-mail e website. O passado parece tão distante diante dessa nova era na qual o digital, em poucos anos, ganhou força extraordinária. As prioridades empresariais do momento estão centradas na necessidade de automatizar os processos, criar aplicativos mobile e soluções chatbot para executar as tarefas repetitivas de rotina e liberar profissionais para funções mais estratégicas.

As mudanças já em curso nos modelos e processos dos negócios se tornaram urgentes para atender a um novo consumidor que está chegando ao mercado. Segundo estimativas da revista Fast Company, a geração Z representará 40% de todos os consumidores até 2020. Esses consumidores, considerados digitais e que nasceram a partir de 1994, são os que mais cobrarão de companhias mudanças condizentes com a era digital no que se refere a atendimento, relacionamento e produtos personalizados para suas necessidades e interesses.

Atender às expectativas desse público chamado de consumidor 3.0 é uma tarefa desafiadora para as corporações que pretendem se destacar nos próximos anos. Para cumprir esse desafio, a primeira missão é aderir inteiramente a estratégia omnichannel - convergência de todos os canais em uma única plataforma- para que, por meio das soluções tecnológicas, as empresas explorem todas as possibilidades de interação com seus públicos de forma contínua e personalizada. A ominicanalidadeé um caminho sem volta para empresas que desejam fidelizar seus clientes.

Além do desafio de incorporar a Transformação Digital, a inclusão dos departamentos backoffice será mandatória para as organizações que desejam sucesso nesse novo movimento. Não adianta as companhias investirem na modernização de toda a operação sem antes preparar a equipe para isso. A Transformação Digital não envolve apenas tecnologia, mas, sim, planejamento e coragem para a mudança. Por essa máxima entende-se que a modernização depende muito mais da aderência e familiarização dos colaboradores com todas as tecnologias, sendo que a infraestrutura vem logo na sequência para apoiar a visão desses líderes.

A inovação nem sempre acontece quando usamos várias ferramentas tecnológicas ao mesmo tempo. É fundamental, antes de tudo, mudar a forma como a organização enxerga os recursos, a maneira que executa os processos e como utiliza as soluções tecnológicas para alcançar os resultados desejados. Igualmente importante é entender quais tecnologias são essenciais para cada negócio e estar ciente de que não existe empresa bem-sucedida se ela não tiver uma boa estrutura de TI, assim como modernos sistemas e equipamentos. Com a equipe engajada na Transformação Digital e todas as etapas sugeridas cumpridas, a próxima fase é manter toda a operação com a máxima eficiência e buscar inovar constantemente, ainda que em pequenos detalhes.

Tem se consolidado dentro das empresas um movimento de transformação para proporcionar experiências customizadas para seus diversos consumidores. Companhias estão intensificando investimentos em soluções que coletam e analisam diferentes perfis de clientes. Segundo pesquisa da Forrester Research, o uso de tecnologias como CRM e Customer Analytics pelas organizações deve aumentar 28% este ano. Esses sistemas são responsáveis por armazenar e conectar de forma inteligente informações sobre atividades de consumidores e suas interações com as marcas, provendo informações importantes para a tomada de decisões de executivos sobre os rumos dos negócios e a criação de novos produtos. O CRM deverá continuar como um dos segmentos de crescimento mais acelerado no mundo em relação aos investimentos das corporações em Transformação Digital.

Está comprovado que a nova era digital pode impulsionar o lucro das organizações. De acordo com a pesquisa "Be the New Digital Enterprise", da Accenture, as corporações baseadas em Transformação Digital são 26% mais lucrativas do que outras céticas ao tema. Estimativas indicam, ainda, que há pelo menos US$ 100 trilhões que poderiam ser injetados nos negócios e na sociedade com a adoção da Transformação Digital. Os números provam que esse é um caminho sem volta. Os líderes que acreditarem em digital terão mais condições para transformar suas empresas em modelos de crescimento e de sucesso para o mercado. Vale a pergunta: você ficará para trás?

*Por Bruno Alves é Diretor de Estratégias Digitais da Plusoft

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O futuro da autenticação já chegou

easy_autenticacao.jpg18/07/2018 - O surgimento dos smartphones causou uma ruptura no varejo e nas compras online. Importantes nomes estão desaparecendo rapidamente (The Limited, Toys R Us, Circuit City, entre outros), e até os shoppings centers estão ameaçados. Especialistas em varejo acreditam que a inteligência artificial terá uma importância fundamental nesse cenário que dispensa a ida a uma loja física para realizar uma compra.

De acordo com a Easy Solutions, empresa especializada na prevenção de fraudes eletrônicas em todos os dispositivos, canais e serviços na nuvem, que pertence a Cyxtera Business, fatores de autenticação mais novos e seguros são necessários para manter a confiança do consumidor em compras ou transações bancárias online. "Bancos e empresas precisam ir além dos métodos de segurança que os hackers sabem contornar. A fraqueza inerente à senha apoiada por códigos OTPs enviados por SMS nos mostra que o futuro da autenticação já chegou", afirma Ricardo Villadiego, presidente da Easy solutions, empresa que já avaliou mais de 32 bilhões de conexões globais em busca de ameaças.

A Easy Solutions listou cinco fatores que mostram como a autenticação da identidade do usuário deve evoluir.

1) Morte das senhas: A primeira linha de defesa para a maioria das instituições financeiras e empresas de comércio eletrônico é o combo nome de usuário/senha. No entanto, a senha nunca teve o objetivo de ser a base de uma estratégia robusta de segurança cibernética; ela foi criada como um pequeno empecilho ao acesso a dados confidenciais. Os cibercriminosos conseguem decifrar senhas, contorná-las ou enganar as pessoas para que forneçam seus dados de acesso utilizando engenharia social. Além disso, se criasse uma senha para cada conta ou serviço virtual, um usuário de internet hoje teria que memorizar, em média, senhas para 92 contas. O resultado é que o usuário acaba usando a mesma senha para várias plataformas. Se um invasor descobrir a senha para uma das contas, pode colocar as mãos nos dados de acesso de internet banking da vítima, por exemplo;

2) Tokens obsoletos: Os tokens físicos, que geram números aleatórios usados ​​para verificar transações, são amplamente comprometidos em ataques de phishing em larga escala. Os cibercriminosos interceptam os números gerados e capturam senhas de acesso. Além disso, reemitir os tokens sempre que são danificados, perdidos ou roubados é caro. Já as senhas de uso único (OTPs) entregues por SMS, que eliminam a necessidade de distribuir tokens físicos, utilizam sistemas de comunicação não criptografados, tornando-se tão inseguras quanto as senhas tradicionais;

3) Acesso sem senha: Os fatores de autenticação evoluíram para aproveitar os mecanismos de autenticação de usuários oferecidos em smartphones e tablets. Embora os usuários tenham vários dispositivos, eles geralmente usam o mesmo aparelho para realizar determinadas tarefas. Usando um dispositivo conhecido - neste caso, um telefone celular - os usuários podem acessar uma plataforma simplesmente lendo o código com a câmera do telefone, evitando a necessidade de inserir a senha. Além de proporcionar uma experiência de usuário aprimorada, isso pode reduzir a chance de sucesso dos ataques de phishing. As senhas se tornam menos relevantes para a autenticação e os phishers deixam de se beneficiar significativamente da obtenção de credenciais do usuário final;

4) Biometria forte e sem fricção: A biometria pode ser usada para analisar características físicas exclusivas do usuário final para confirmar se ele é quem diz ser. O processo é altamente seguro, mas não excessivamente invasivo, proporcionando um equilíbrio entre segurança e facilidade de uso. Ele aproveita as próprias tecnologias do smartphone, como leitor de impressão digital, gravador de voz ou câmera, para permitir que o usuário confirme sua identidade de maneira conveniente, seja por impressão digital, tecnologia de reconhecimento de voz ou facial. Como os clientes já usam esses recursos cotidianamente em seus celulares, eles já se sentem à vontade com essas ferramentas (por exemplo, tirar uma selfie, falar ao telefone ou tocar na tela);

5) Identificação de Geolocalização: A geolocalização também usa o dispositivo móvel do usuário para fornecer serviços de autenticação onde e quando forem necessários. Se um cliente faz uma compra em uma grande loja e seu banco precisa autenticá-la, uma opção é a instituição enviar uma mensagem push para autorizar a transação. Alternativamente, a geolocalização permite que o banco acesse a localização do cliente por meio de seu telefone celular, verificando se o usuário está no mesmo local físico em que a transação está sendo solicitada. Nesse caso, não há necessidade de o cliente responder a uma notificação, criando uma experiência de autenticação mais transparente e sem atrito.

Para Villadiego, embora todos esses métodos de autenticação funcionem para confirmar com segurança que uma transação é legítima, nenhuma tecnologia sozinha tem como assegurar completamente as transações financeiras online. "O fundamental é estar um passo à frente dos cibercriminosos e manter uma experiência de cliente de baixa fricção. As senhas não fazem nenhuma dessas duas coisas", afirma o executivo. "É hora de aumentar o nível e abraçar o que há de mais avançado em autenticação multifatorial forte", finaliza.

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Soluções pontuais podem afetar a segurança digital

carlos_varonis.jpg*Por Carlos Rodrigues
17/07/2018 - Com o início do segundo semestre, e com a proximidade das reuniões para definição do budget para 2019, é fundamental que as organizações reflitam sobre a necessidade de mudar sua abordagem de investimento em segurança, que geralmente é voltada para a compra de soluções individuais para mitigar ameaças específicas.

As violações de dados podem ser custosas e, mesmo que no Brasil não haja uma lei que obrigue as empresas a informarem os incidentes de segurança, as notícias de ataques sempre acabam levando a custos que vão além dos relacionados à remediação, como impactos nas relações com os investidores, perda de clientes e danos irreversíveis à reputação.

Segundo informações divulgadas pelo site CSO Online este ano, em 2017, só os danos causados pelo ransomware excederam os US$ 5 bilhões – 15 vezes o custo gerado em 2015. Notícias de violações como a sofrida mais recentemente pela Adidas, que foi alvo de um ataque hacker que resultou no roubo de dados de milhões de clientes da loja online da marca nos Estados Unidos, têm sido motivado as empresas a aumentarem seus investimentos em cibersegurança na América Latina.

De acordo com informações divulgadas pelo IDC Latin America, os gastos com cibersegurança na região em 2017 foram de cerca de 3 bilhões de dólares, e é previsto um crescimento de 12,5% até o fim de 2018, com um investimento de US$ 3,4 bilhões. Só o México e o Brasil vão concentrar 66% dos investimentos esperados em 2018 para a região.

Se os investimentos aumentaram em 2017, o que explica então o aumento nos incidentes reportados ao CERT.br no último ano em relação ao ano anterior? Se estamos aumentando os gastos em segurança digital, por que continuamos tendo tantos ataques custosos para as empresas?

Segundo o centro de estudos brasileiro, o ano de 2017 teve um total de 833.775 incidentes reportados – um aumento de 28,85% em relação ao ano de 2016. Isso acontece provavelmente porque o cenário muda cada vez mais rápido no cibercrime, e o investimento em soluções pontuais, postura adotada em boa parte das empresas, não é suficiente para acompanhar o surgimento de ameaças cada vez mais sofisticadas.

Veja alguns dos erros mais comuns cometidos pelas organizações ao alocar seus investimentos em segurança:

Deixar de proteger o que importa

As organizações acabam perdendo tempo demais dedicando tempo e atenção à proteção de redes, sistemas e dando suporte à infraestrutura. Com isso, a proteção dos dados, que são os ativos mais valiosos e principal razão dos investimentos em segurança, acaba ficando de lado. É o mesmo que querer proteger uma casa e se esquecer da família que vive lá dentro.

Foco excessivo em prevenção

Quando as empresas ficam focadas demais em prevenção, acabam ficando vulneráveis a uma série de ameaças que não haviam antecipado e que suas soluções não são preparadas para prevenir. Na maioria das vezes, é impossível saber que uma ferramenta de prevenção falhou ou que uma credencial está comprometida. Por isso, a maioria das empresas falha em identificar os danos causados por ameaças internas ou externas.

Abordagem de segurança inconsistente

Os crescentes investimentos em segurança não trazem o retorno esperado quando não existe uma abordagem consistente e proativa das ameaças. O crescimento exponencial na geração de dados e o uso de múltiplos repositórios de dados têm dado espaço a métodos obsoletos de segurança digital, o que requer uma mudança significativa na estratégia de segurança.
Em vez de investir em soluções individuais de segurança para proteger os dados de ameaças específicas, é mais importante contar com ferramentas abrangentes, que ofereçam visibilidade total do estado das informações. Só assim, é possível garantir que os investimentos em segurança digital sejam capazes de preparar a organização para as ameaças de hoje e do futuro.

*Por Carlos Rodrigues, vice-presidente da Varonis para a América Latina

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Qual a diferença entre blockchain pública e privada?

blockchain.jpg17/07/2018 - Segundo o economista-chefe do Mercado Bitcoin, apesar de ser uma tecnologia segura e revolucionária, nem sempre o blockchain é a melhor solução para empresas

A crescente popularização do blockchain como plataforma capaz de revolucionar diversos setores da sociedade faz com que a tecnologia chame a atenção de instituições governamentais, bancos e empresas. Há, porém, diferenças fundamentais na aplicação do sistema para cada propósito e, principalmente, no uso de blockchains públicas e privadas. De acordo com Luiz Calado, economista-chefe do Mercado Bitcoin , corretora de criptomoedas da América Latina, o sucesso dos projetos depende diretamente desse entendimento.

Calado lembra que o conceito do blockchain foi criado por Satoshi Nakamoto para servir exclusivamente de suporte às transações do Bitcoin, ainda que não tenha sido usado este termo no paper original. Devido a seus benefícios, como segurança, imutabilidade, transparência, validação distribuída e baixo custo comparado com as soluções atuais, novas aplicações do conceito foram desenvolvidas e a tecnologia se tornou atraente para o uso corporativo. "Por ser um sistema supostamente à prova de fraudes, o blockchain passou a ser visto como uma solução tecnológica aplicável nos mais diversos setores, mas é preciso ter cautela. Há soluções tecnológicas melhores, dependendo da necessidade da empresa, inclusive a opção de blockchains privadas", afirma o economista-chefe do Mercado Bitcoin.

A grande diferença de um blockchain privado para o sistema criado por Nakamoto – conhecida por blockchain pública – está no fato de que a primeira é uma rede permissionada. Ou seja, para visualizar e realizar transações em um blockchain privado é preciso conseguir uma permissão da empresa ou grupo de empresas responsável pela rede, uma vez que essa rede é composta necessariamente por partes que se conhecem e já existe uma relação de confiança estabelecida entre elas.

"Gerar confiança onde as partes não precisam se conhecer e não exigir permissão para interagir com a rede são os principais pontos que diferenciam uma blockchain pública. Contudo, não é viável para uma empresa privada ter um sistema tão aberto e transparente sobre todas as suas transações, já que esse perfil de corporação necessita estabelecer controle sobre quem acessa suas informações para manter vantagem competitiva", explica Calado, complementando: "Isso gerou o conceito de blockchain privado".

Confira abaixo a análise do especialista sobre as principais características e diferenças entre os dois tipos de plataforma:

Blockchain pública

- Uso de criptomoeda: serve como unidade de valor transacionada pela rede e também como incentivo econômico ao uso honesto da rede.
- Não permissionado: qualquer pessoa realizar transações e consultar o histórico de transações da rede sem pedir autorização a ninguém.
- Decentralizado: a rede não tem um dono e suas regras são definidas pelo consenso dos usuários de forma descentralizada.
- Mudanças são mais lentas: blockchains públicas geralmente são compostas por centenas ou milhares de membros que não se conhecem e para que uma mudança seja realizada é preciso do consenso da grande maioria deles. Isso pode fazer a implementação de uma melhoria esperar bastante tempo.

Blockchain privada

- Dispensa criptomoeda: é possível dispensar o uso do incentivo econômico através da criptomoeda, uma vez que já existe uma relação de confiança entre as partes respaldada em acordos comerciais.
- Permissionado: exige permissão da empresa ou conjunto de empresas responsáveis pela rede para participar e interagir com o blockchain.
- Centralizado: a rede está no controle de uma empresa ou conjunto de empresas e suas regras são definidas por eles.
- Mudanças são mais rápidas: blockchains privadas geralmente são compostas por poucos membros e eles geralmente já estão bem alinhados sobre determinada mudança caso ela precise acontecer. Isso faz com que implementações de melhorias sejam realizadas mais rapidamente.

 

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A engenharia pode preservar o mundo?

dassault_timoteo_muller.jpg*Por Timoteo Muller
17/07/2018 - Às vezes parece que cada inovação tecnológica nos afasta ainda mais do nosso mundo natural. No entanto, projetos de engenharia modernos estão conectando o passado e o futuro como nunca antes.

Quanto mais avançamos no futuro, mais distantes ficamos do passado. O futuro e o passado estão em lados opostos de um espectro cada vez maior - e às vezes parece que as inovações da humanidade ameaçam o mundo natural. No entanto, pensar inteligentemente no presente pode permitir que o novo mundo e o natural coexistam em harmonia - e até se beneficiem mutuamente.

Stonehenge é um dos mais famosos locais do patrimônio mundial do planeta. Um lugar de beleza mística que é uma parte importante da herança britânica; atrai cerca de 1,3 milhão de visitantes por ano. O problema é que há uma enorme autoestrada ao lado de Stonehenge. Eles a chamam de A303 e é conhecida por congestionamentos pesados ​​e longos engarrafamentos. Isso estraga o ambiente de um local que remonta a cerca de 3100 a.c.

Boa notícia. Recentemente, a Secretaria de Transportes do Estado anunciou uma rota preferível em relação a auto estrada A303, passando por Stonehenge. Os planos incluem um túnel de 1,8 milhas e pistas duplas abaixo do consagrado patrimônio mundial da humanidade. O objetivo é devolver a Stonehenge seu formato mais pastoral, onde os amantes da herança patrimonial possam passear através dos mistérios da história em paz. Não há dúvida de que o som do canto dos pássaros é preferível ao ruído estridente do trânsito intenso da estrada. Dependendo do resultado de uma consulta pública, a construção do túnel deverá começar em 2021.

Ele traz à mente o projeto do Túnel Hindhead, em Surrey, Reino Unido, que foi inaugurado em 2011. Anteriormente, a estrada A3 contornava a borda da "Devil's Punch Bowl", um local de interesse científico especial e um dos mais belos pontos turísticos de Surrey. A construção de um túnel subterrâneo reuniu o aro do Devil´s Punch Bowl com o Hindhead Common pela primeira vez em quase 200 anos. Com a terra recuperada, os passeadores de cães e os amantes do campo agora percorrem os bancos de grama onde o tráfego percorreu no passado.

Cerca de metade da população mundial vive em ambientes urbanos. Por que não estamos fazendo mais para essa experiência não ser tanto como viver em uma selva de pedra? Essa foi a questão nas mentes do governo de Cingapura, quando formularam os planos do Gardens by the Bay, um parque natural de 250 acres com mais de um milhão de plantas.

O objetivo do governo era transformar Cingapura de uma cidade-jardim para uma cidade em um jardim, elevando a qualidade de vida, melhorando a vegetação e a flora. Eles conseguiram. Mais de 6 milhões de visitantes por ano reúnem-se para aproveitar as delícias florais, sendo a peça central um conjunto de grandes árvores, criadas pelo homem, que se elevam de 25 a 50 metros de altura.

Essas estruturas tipo árvores feitas pelos homens contêm aproximadamente 300 espécies diferentes de trepadeiras que se espalharão pelos galhos para criar um espetáculo visual impressionante. As árvores também são equipadas com tecnologias ambientais que imitam funções ecológicas. Isso significa células fotovoltaicas que aproveitam a energia solar para propiciar, de forma deslumbrante, a iluminação noturna vibrante e a coleta de água da chuva que é utilizada para irrigação e exibição de fontes.

Além de mais de um milhão de plantas, o Gardens by the Bay é o lar de um carnaval da vida selvagem, incluindo pássaros que se aninham entre os galhos. Ele redefine como os ambientes urbanos interagem com o mundo natural; um exemplo luminoso de como as cidades podem projetar um ambiente mais propício à natureza.

As árvores de rua vivem em média por menos de 20 anos nas cidades norte-americanas. Elas simplesmente não têm a oportunidade de crescer o suficiente para fornecer benefícios ecológicos adequados. Isto é um problema, porque é preciso mais do que algumas mudas para limpar o ar imundo das grandes cidades. Agora, uma equipe de designers industriais e engenheiros sediados em São Francisco está chegando à raiz deste problema.

O ambiente construído é super ocupado abaixo da superfície - com as fundações de edifícios, não menos importantes. A empresa Deeproot criou e patenteou as células exclusivas Silva Cells, um sistema de "post-and-beam" que transfere a carga da infraestrutura urbana para um solo mais profundo. Isso permite com que as raízes se espalhem e promovam o crescimento de árvores grandes, felizes e saudáveis. Há muito o que amar sobre isso - incluindo a melhora da qualidade do ar, uma defesa contra os efeitos de inundações repentinas e um ambiente construído que é muito mais agradável aos olhos.

Pensar no amanhã não precisa ser às custas do passado. Veja a partir do ângulo certo e é possível criar inovações tecnológicas que abordem os desafios atuais, de uma forma que ajude a preservar o passado e forme elos mais fortes com o mundo natural.

*Por Timoteo Muller, gerente de vendas da Dassault Systèmes para a América Latina

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