Por favor, utilizem meus dados (anonimamente)!

eduardo_ibrahim.jpg*Por Eduardo Ibrahim
03/04/2020 - Talvez você já tenha ouvido a frase "Os dados são o novo petróleo". Essa analogia nos faz pensar que o dado é um ativo escasso, difícil de obter, e portanto, de alto valor econômico. Faz sentido. Mas o momento atual pode nos ajudar a refletir e perceber que é mais que isso.

Nove dias antes da OMS (Organização Mundial da Saúde) emitir o alerta sobre a epidemia do novo coronavírus na China, a startup canadense de inteligência artificial BlueDot detectou a doença e os locais onde iria se espalhar.

Ela fez isso usando machine learning para selecionar fontes de organizações de saúde pública, redes sociais e emissão de bilhetes de companhias aéreas. São dados públicos organizados e colocados em um modelo preditivo especialista em infectologias.

Podemos dizer que a BlueDot se tornou a Cambridge Analityca "do bem". Porque enquanto a influência da Cambridge na eleição de Trump e no Brexit fez aumentar o medo e as ações de privacidade de dados – incluindo a aceleração da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) – o trabalho da Blue nos traz esperança e pode nos ajudar a tomar ações em favor da liberdade de dados.

Liberdade de dados

Embora tenhamos uma certa tendência para um lado ou para o outro, a Privacidade não deveria anular a Liberdade. Afinal, já sabemos que o mundo é mesmo ambíguo. Se não soubermos usar o melhor de cada lado, vamos criar resistências e atrasar soluções que poderiam estar salvando as vidas das pessoas que amamos.

Como cidadão, gostaria de fornecer meus dados (anonimamente) para que outras empresas estivessem fazendo esse tipo de trabalho. Assim, talvez a pandemia global tivesse ficado restrita à epidemia Chinesa detectada pela BlueDot e o impacto nas vidas e na economia teria sido bem menor.

Para isso, a liberdade de dados deve ser vista como uma necessidade da sociedade, e até mesmo ter sua lei específica, como a antônima LGPD. Algumas barreiras para isso acontecer estão relacionadas aos riscos, incentivos e diferenciais competitivos de empresas e consumidores. Se for nesse sentido, essa discussão pode ir longe.

O valor do dado é maior do que o lucro que ele pode trazer para empresas e consumidores

Agora que o mundo está sendo obrigado a se unir, temos a oportunidade de refletir e exergar tudo com novos olhos. Temos tecnologia – vide Inteligência Artificial – que poderia certamente prever e evitar novas crises. Só que o dado é o combustível para isso, lembra?

As empresas que vendem os softwares na nuvem e smartphones já coletam nossos dados e fazem uso comercial próprio deles. Como os governos poderiam criar incentivos corretos para que os dados sejam liberados e usados adequadamente por outras empresas/startups de interesse público?

No ecossistema de startups, está cheio de empreendedores engajados com causas desse tipo, mas eles precisam dos dados para mostrar resultados. No futuro, os biosensores embarcados nos nossos gadgets estarão coletando dados inclusive sobre a nossa saúde. Como isso vai se transformar em benefício para mim e para a sociedade?

São perguntas de hoje, que deveriam estar sendo respondidas agora – antes da próxima crise, seja financeira ou de saúde mundial

A Coréia do Sul foi o país que teve mais sucesso em conter o avanço da COVID-19 porque coletou rapidamente os dados de testes da população. Ainda há empecilhos para que toda a população tenha acesso ao dignóstico imediato. Mas precisou de uma pandemia para que as instituições brasileiras anunciassem a regulamentação da telemedicina.

O uso da tecnologia tem seus riscos, mas eles não devem ser usados para manter nossa sociedade estagnada. Precisamos expandir nossa educação tecnológica para não cairmos mais nas armadilhas retóricas do século passado.

Tente lembrar como nossos avós viam a doação de sangue. Provavelmente com muito medo e desconfiança. Parece que estamos reagindo à "doação de dados" de forma parecida, atrasando a tecnologia que também podia estar salvando vidas (e economias).

O resultado da BlueDot é evidente, claro e incontestável como todo modelo de análise de dados nasceu para ser. Imagine se tivéssemos mais combustível (os dados) para criar novos modelos na área de saúde, educação, alimentação etc. Que mundo lindo seria esse!

*Eduardo Ibrahim é especialista em Inteligência Artificial, professor da SingularityU Brazil e CTO da Trafega.com, startup que oferece solução para o relacionamento sustentável entre empresas aéreas e viajantes.

Comentário (0) Hits: 660

Impactos do coronavírus nas empresas

coronavirus_usp.jpg26/03/2020 - Se antes do surgimento da covid-19 apenas ¼ das empresas estavam com iniciativas de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados, agora existem ainda mais obstáculos para a adequação até agosto deste ano, quando a lei começará a vigorar. Esse é apenas um dos desafios trazidos pelo novo coronavírus.

"Neste momento, as empresas precisam manter o negócio e continuar gerando receita. Quem conseguir se posicionar em um cenário adverso, mudando seus canais de relacionamento e se adaptando ao digital, já pensando em como tratar a privacidade de seus clientes, lidará melhor com a crise", aponta Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria em Enterprise da IDC Brasil. Segundo ele, o impacto claramente é negativo, mas em diferentes níveis. "O mercado de devices será o mais afetado, porque há interrupção de toda a cadeia produtiva. Em enterprise, as empresas continuarão consumindo soluções de infraestrutura".

O gerente da IDC Brasil lembra que o porte, fôlego e disposição das empresas perante as adversidades também deve ser considerado. "Vemos oportunidades nas grandes empresas, que têm musculatura para situações de risco ou crise. Já nas empresas de pequeno e médio porte, existe a dificuldade em se adaptar com as mudanças na dinâmica do mercado, como a forma de se relacionar e trabalhar em um ambiente digital".

Entre as oportunidades neste cenário está o trabalho remoto. Com ele, soluções de colaboração, conectividade e comunicação ganham importância. "É um mercado que vai crescer nos próximos meses", finaliza o gerente de pesquisa da IDC Brasil.

Comentário (0) Hits: 475

Os caminhos para a transformação digital

embratel_marcello_miguel.jpgPor Marcello Miguel
25/03/2020 - A busca pelo próximo nível nos negócios já tornou a transformação digital em um imperativo para as empresas. No mundo cada vez mais digitalizado, não se pode mais adiar o início desse processo. A tecnologia evoluiu, o consumo aumentou, a informação é trocada mais rapidamente. As relações mudaram, das pessoais às profissionais, assim como as formas de negociar. Neste novo cenário, já podemos dizer sem receio: empresas que não se transformarem digitalmente se tornarão obsoletas e ficarão para escanteio no mundo dos negócios.

Encontrar o caminho ideal para esta jornada exige a compreensão de três conceitos importantes e interligados neste universo em constante metamorfose: capacidade de mudança, evolução tecnológica e integração. Entender a força desses fatores permite a criação de um propulsor para uma transformação coerente, precisa e permanente.

O primeiro passo é tornar a inovação um valor primordial para os negócios. As mudanças vistas no ambiente corporativo somente são possíveis graças a líderes que enxergam na inovação o ponto de partida para impulsionar equipes e resultados. É por meio de um pensamento arrojado que eles conseguem mudar hábitos profundamente enraizados nas empresas que, muitas vezes, impedem mudanças positivas.

A partir de ideias fora do usual, as lideranças tomam decisões capazes de extrapolar os limites do costumeiro, resultando em algo revolucionário. Equipes inspiradas nesse modelo de pensamento são estimuladas a criarem diferentes formas de trabalhos, serviços e produtos, chegando a frutos não imaginados antes.

No processo de transformação digital, tecnologia e inovação também andam de mãos dadas. A evolução tecnológica já chegou ao mercado, com soluções de ponta disponíveis para os mais variados segmentos e para atender as mais diversas demandas que surgem no dia a dia das empresas. Seja para atender os desafios de conectividade do agronegócio com soluções de IoT e satélite; as indústrias com Cloud Computing e Inteligência Artificial; ou bancos e as mais variadas corporações com segurança cibernética e plataformas Omnichannel, a tecnologia já evoluiu a um nível que tornou possível enfrentar barreiras antes inconcebíveis de ultrapassar.

Mesmo com tantas soluções à disposição, elas somente fazem sentido quando há um planejamento abordando as especificidades e objetivos de cada negócio. A implementação mais adequada às diversas áreas da corporação, atendendo as mais diferentes necessidades e expectativas, apenas é possível com a ajuda de um parceiro integrador especializado com visão estratégica sobre a companhia.

O integrador conseguirá fazer um diagnóstico preciso sobre o que as empresas necessitam para se transformarem digitalmente. A partir dessa análise, ele irá definir em conjunto com as companhias quais soluções disponíveis irão levar os resultados desejados ao projeto, ao aprimorar as operações e redefinir a excelência de cada processo.

Em tempos de constante desenvolvimento de novos ecossistemas digitais, as empresas precisam estar conectadas com integradores que trabalhem em conjunto, unam forças, estabeleçam metas e busquem formas de agregar os melhores ativos para a criação de um ambiente tecnológico que favoreça o alcance de resultados positivos para os negócios. A criação desse ecossistema colaborativo leva benefícios para todas as pontas.

O caminho para a transformação digital deve ser definido seguindo os princípios e finalidades da sociedade 4.0 e de cada empresa. Aliar lideranças focadas em inovação com equipes capazes de implementar mudanças e integradores de soluções especializados é o caminho definitivo para conseguir efetuar a transformação digital de seus negócios.

Sairão vitoriosas desse processo as companhias que enxergarem na tecnologia e na mudança da hábitos – aliadas a parceiros especializados – a saída para inovar, gerar mais valor e lucrar.

Não há mais motivos ou possibilidade de ficar fora deste novo mundo digital!

*Marcello Miguel é Diretor Executivo de Marketing e Negócios da Embratel

Comentário (0) Hits: 560

Gartner cancela a conferência sobre infraestrutura

data_analytics2.jpg20/03/2020 - Devido a preocupações contínuas sobre o surto de coronavírus (COVID-19) e as diretrizes do Governo, o Gartner decidiu cancelar a Conferência Infraestrutura de TI, Operações & Estratégias de Cloud, programada para acontecer em São Paulo, nos dias 14 e 15 de abril de 2020.

Segundo a consultoria, esta é a decisão correta a ser tomada devido aos riscos crescentes envolvendo a saúde pública, para garantir a saúde e a segurança de seus clientes e funcionários.

Se você se inscreveu na conferência e precisa de informações adicionais, acesse aqui ou via e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Comentário (0) Hits: 597

Serenidade e cautela para superar o Covid-19

aron_brirtto.jpg*Por Aron Flemming Brito
20/03/2020 - Os riscos e impactos econômico e logístico do novo coronavírus, o Covid-19, sobre o mercado chinês foram alertados pela Ativo Soluções em Comércio Exterior quando ainda quase ninguém falava no assunto. E nossas previsões estavam certas, infelizmente. Mas a situação mudou. Agora a China já está praticamente recuperada, suas fábricas retomaram as operações, seus portos estão, aos poucos, voltando a operar na plenitude. Porém, quando achávamos que a tempestade estava passando, estávamos enganados. Agora virou uma pandemia e atingiu a Europa de forma avassaladora, assustou os EUA e está presente também em nosso território.

Não podiam ser piores os impactos imediatos, com adoção de medidas extremas, mas claramente necessárias tendo em vista os estragos que o Covid-19 está causando nos outros países. Os desafios só aumentam. Já no final de janeiro o segmento do comércio exterior era afetado diretamente. Mas, agora, está vindo o desafio maior: nosso mercado interno está parando, as fronteiras estão sendo fechadas, voos que transportavam as cargas estão sendo cancelados, armadores estão trabalhando em home office e as courier, na grande maioria já sem atividade, impactam a entrega de documentos importantes na liberação das mercadorias.

O cenário é muito desafiador para todos, mas especialmente para nós profissionais de comércio exterior, que já passamos por tantos obstáculos. Lembro inclusive que, quando montamos nosso escritório, meses depois houve o atentado às torres gêmeas em Nova Yorque. Era o destino já nos apontando como iam ser os próximos anos, esses que foram se passando e nos ajudando a evoluir em cada crise, investindo em pessoas, tecnologia, treinamentos, processos e outras habilidades necessárias para sobrevivermos nessa seleção natural do mundo corporativo.

Analisando tudo o que passamos, tenho certeza de que estamos preparados para vencer mais essa batalha. Nosso comprometimento é sempre com nossos clientes, fornecedores e colaboradores. Será um ano difícil, com certeza, mas a Ativo Soluções em Comércio Exterior surgirá ainda mais forte depois dessa tempestade. Nós trabalharemos dobrado para atender e resolver as dores dos nossos clientes. Contem conosco mais uma vez nessa jornada.

*Aron Flemming Brito é diretor comercial da Ativo Soluções em Comércio Exterior

Crédito: José Somensi/Divulgação

Comentário (0) Hits: 551

Agricultura brasileira movida a ciência

agronegocio.jpg*Por Celso L. Moretti
20/03/2020 - A agricultura brasileira é movida a ciência. Poucos países podem afirmar o mesmo. Em pouco menos de cinco décadas o Brasil saiu da situação de importador para se tornar num dos maiores exportadores de alimentos, fibras e bioenergia do mundo. É uma história de sucesso, uma saga que todos os brasileiros, no campo e na cidade, devem conhecer. É motivo de orgulho neste 20 de março, em que comemoramos o Dia da Agricultura.

Com ciência, nas últimas cinco décadas, incrementamos a produção de grãos em cinco vezes com aumento correspondente de apenas duas vezes na área plantada. Elevamos a produção de leite de 5 para 35 bilhões de litros. Aumentamos a produção de trigo e milho em 250% e a de arroz em mais de 300%. A cafeicultura quadruplicou a produtividade nos últimos 25 anos. E a produção de carne de frango deu um salto magnífico: cresceu praticamente 65 vezes, saindo de 200 mil toneladas na década de 70 para 13 milhões de toneladas em 2018.

A transformação não ocorreu ao caso. Foi fruto de um robusto investimento em ciência, tecnologia e inovação, da parceria entre o setor público e o privado. Com ciência transformamos um passivo, os cerrados, com vegetação retorcida e solos ácidos e pobres, num dos maiores ativos do país. Celeiro de grãos, frutas, hortaliças e proteína animal, em 2019 os cerrados entregaram mais da metade da produção de grãos e cana de açúcar do país.

Com ciência, tropicalizamos grãos, como a soja e o trigo, forrageiras africanas e o gado europeu e indiano. A produção de trigo nos trópicos é inédita e já ocupa 130 mil hectares dos cerrados brasileiros. Pode chegar a dois milhões de hectares e tornar o Brasil autossuficiente na produção do grão.  

Com ciência desenvolvemos novas raças bovinas, como a girolando, tão produtivas quanto as europeias e mais adaptadas aos trópicos. Foi também com ciência que o Brasil criou uma plataforma de produção agropecuária sustentável, com tecnologias como o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o controle biológico e a intensificação sustentável, com produção de grãos, proteína animal e florestas numa mesma área. Os sistemas integrados já ocupam 15 milhões de hectares.

A fixação biológica de nitrogênio economiza para o país, anualmente, algo em torno de 13 bilhões de dólares que deixam de ser gastos com adubos nitrogenados, sobretudo importados. É um verdadeiro ovo de Colombo. De quebra, contribui para que aproximadamente 60 milhões de toneladas equivalentes de CO2 deixem de ser emitidas na atmosfera. Em 2019 o segundo ovo de Colombo foi lançado pela Embrapa: o BiomaPhos, um bioinsumo que atua sobre o fósforo aprisionado nos solos, tornando-o disponível para as plantas. O produto, que vem sendo pesquisado há 17 anos, já foi testado em mais de 300 áreas agrícolas no país. Para o milho trouxe elevação de produtividade da ordem de 10%. Vai contribuir para termos mais alimentos à mesa. E possibilitar que o Brasil importe menor fosfato.

O agro brasileiro é o setor mais competitivo e disruptivo da economia brasileira. É também um dos que menos recebe subsídio governamental. Responde 21% do PIB, um quinto de todos os empregos e quase metade das exportações brasileiras. Alimentamos um em cada cinco habitantes do planeta e fazemos isso de forma sustentável: protegemos, preservamos ou conservamos 66,3% da vegetação e florestas nativas. Os produtores preservam um quarto do território brasileiro dentro das propriedades rurais, sem receber nada por isso.

Com uma agricultura movida a ciência garantiremos o futuro e a segurança alimentar da população brasileira e mundial. É no banco genético da Embrapa, localizado em Brasília, DF, o 5o maior do mundo, que estão armazenadas mais de 120 mil amostras de animais, plantas e microrganismos, vindos de todas as partes do mundo. Há espaço para 700 mil amostras. Uma verdadeira Arca de Noé. É lá que buscaremos variabilidade genética para enfrentar novas pragas e doenças que poderão atacar plantações e animais em solo brasileiro. É uma questão de segurança nacional.      

Nos próximos dez anos os desafios serão diversos e complexos. Em 2030 teremos 8,5 bilhões de pessoas. A demanda por alimentos aumentará 35%, enquanto a de energia e água crescerão 40 e 50%, respectivamente. Precisaremos de mais conhecimento, mais ciência e tecnologia. Edição genômica, gestão de riscos, agricultura digital, intensificação sustentável, bioinsumos e os microbiomas são temas que estarão no centro da agenda da ciência agrícola da próxima década. A conectividade no campo será crucial para que avancemos de forma consistente. Hoje, segundo dados do IBGE, mais de 70% das propriedades rurais não tem acesso à internet. A China já tem 95% do seu território conectado. Os EUA avançam a passos largos. A ausência de conexão no campo pode atrasar o desenvolvimento e reduzir a competitividade do agro brasileiro.

A ciência moveu a agricultura nas últimas cinco décadas. Seguirá tendo papel central na modernização do agro e no aumento da capacidade de produção, competitiva e sustentável, da agricultura brasileira.

*Celso Moretti é Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa

Comentário (0) Hits: 442

newsletter buton