Insegurança digital atinge toda a economia

eduarro_almeida_unisys.jpg*Por Eduardo Almeida
16/07/2019 - Há tempos que a segurança da informação deixou de ser prioridade apenas para os gestores de tecnologia e se tornou assunto que vai do board de executivos de grandes companhias às conversas informais nos jantares. Em ambientes cada vez mais conectados, a proteção dos dados é inerente a todas as áreas e setores da economia e cabe aos líderes de inovação pensar de forma estratégica em como ter controle das informações que trafegam pelas novidades disruptivas da nova economia digital.

O IDC aponta que o volume de dados disponível globalmente vai atingir 44 zetabytes em 2020 e que esse volume deve saltar para 163 zetabytes em 2025 (um zetabyte equivale a 1021 bytes). Além disso, entre, celulares, computadores e outros dispositivos IoT, o Gartner prevê que 25 bilhões de equipamentos conectados estarão em uso até 2021.

Essa projeção ilustra a revolução que vivemos na maneira como nos relacionamos com o mundo. Hoje, é possível programar viagens, realizar consultas médicas, reuniões executivas e familiares, fazer compras e solicitar diversos serviços por meio de aplicativos nos dispositivos móveis. Contudo, ao mesmo tempo em que a mobilidade nos traz conforto e praticidade, esse volume de interações nos canais digitais torna os dados um bem extremamente valioso e acaba abrindo brechas de segurança que afetam as relações entre governos, empresas e consumidores.

A pesquisa Unisys Security Index 2019, que aborda as principais preocupações de segurança dos cidadãos em 13 países, comprova que a sensação de insegurança tem crescido em todo o mundo, principalmente na América Latina. Colômbia, México, Chile e Brasil apresentam altos níveis de preocupação, acima da média global de 175 pontos na escala de zero a 300 do estudo.

No Brasil, por exemplo, a pontuação atingiu o nível de 190 pontos, o índice mais alto dos últimos seis anos. E o que nos chama atenção é que, apesar de a pesquisa analisar aspectos de segurança física e digital, as ameaças cibernéticas continuam sendo uma preocupação maior entre os brasileiros: mais de três quartos (76%) deles se mostraram seriamente preocupados com roubo de identidade, e um número semelhante (75%) mostrou grande receio em relação a fraudes bancárias.

Além disso, mesmo com o importante passo tomado no País com a sanção da Lei Geral de Proteção de Dados no último ano, o estudo aponta que mais da metade dos entrevistados (59%) não acredita totalmente na eficácia da nova legislação.

Esse alto nível de insegurança evidencia que organizações empresariais e governamentais têm um longo caminho a percorrer para conquistar a confiança dos consumidores, pois a linha divisória entre a segurança física e virtual é cada vez menos nítida.

Nesse contexto, listamos algumas medidas concretas que podem ser tomadas para mitigar os riscos cibernéticos:

1 - Amplie a adoção de modelos de segurança Zero Trust. Essa abordagem tem por princípio que sistemas só podem ser considerados seguros depois de amplamente testados. Nesse modelo, cada conexão, login e utilização de recursos deve ser registrado, autenticado e monitorado, o que garante controle e segurança das informações.

2 - Prepare a equipe para reagir a ameaças em possíveis crises. As melhores tecnologias de segurança são capazes de analisar a atividade de toda rede e identificar invasões, mas mesmo a melhor das ferramentas só é efetiva se operada por pessoas capazes de interpretar e agir a partir da informação recebida. Mais importante do que a tecnologia em si é pessoa por trás dela.

3 - Tenha controle dos dispositivos e redes. À medida em que dispositivos móveis se proliferam nas empresas, funcionários também os levam para locais físicos onde podem encontrar altas quantidades de riscos cibernéticos. É papel das organizações fornecer orientações claras sobre o que pode ou não ser feito ao operar em ambientes internos e externos.

4 - Proteja clientes com identificação incontestável. Identidades confiáveis são fundamentais para a segurança de transações online. Tecnologias como a biometria garantem conformidade de identificação dentro de altos padrões de segurança, à prova de fraudes.

Esses são alguns passos mais imediatos a serem repensados pelas instituições, porém, enfatizamos que é necessária uma mudança mais profunda nos paradigmas de segurança para empresas e governos cumpram com responsabilidade de proteger os dados de seus clientes. Nessa jornada, novas soluções tecnológicas serão de extrema importância para impedir ataques no futuro! Os líderes devem se manter atentos à nova dinâmica econômica para antecipar riscos e manter as organizações confiáveis e seguras.

*Eduardo Almeida é presidente da Unisys para América Latina

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A experiência de participar de um Comitê da ATD

luis_castanha.jpg*Por Luiz Alexandre Castanha
16/07/2019 - Recentemente, as maiores lideranças no setor de treinamento e desenvolvimento de talentos dentro das empresas se reuniram para trocar conhecimento e experiências sobre o setor em um contexto global.

A International Conference & Exposition, da Association for Talent Development (ATD), realizada recentemente em Washington, nos Estados Unidos, contou com mais de 13 mil pessoas, de aproximadamente 90 países, e como participante assíduo dos eventos da ATD nos últimos oito anos, posso afirmar: o Brasil tem um potencial gigantesco neste cenário mundial, que está sedento por troca de boas práticas na formação de gestores e consultores e de ferramentas de aprendizagem que tragam resultados reais para as organizações.

Digo isso por dois motivos. Nesta edição, eu fui gentilmente convidado para fazer parte do Comitê de "Global Perspectives Track", onde pude avaliar as tendências em cases que influenciam na comunidade de profissionais do mundo todo, cada um se apresentando como um caminho possível de desenvolvimento de talentos globais.

Penso que minha participação, da qual me senti muito honrado, é um reconhecimento da ATD do trabalho que estamos fazendo em treinamento educacional e desenvolvimento de pessoas, já que fui o único representante latino-americano nos últimos 10 anos a estar nessa posição.

No Comitê, que fiz parte ao lado de um chinês, foram apresentados diversos cases de tecnologias de aprendizagem, soluções de comunicação, fluência digital e até de desafios de implantação de machine learning, inteligência artificial e realidade virtual no treinamento educacional. Tivemos que avaliar a profundidade, a relevância de cada um, o que traziam de ideais concretas e com referenciais teóricos para apresentar ao público.

Nessa experiência enriquecedora, pude assistir à exposição de trabalhos do Brasil e concluir que estamos em consonância às melhores práticas do segmento, apesar dos desafios de alcançar a mesma capacidade de produzir soluções em grande volume como acontece nos Estados Unidos.

A Conferência ainda teve apresentações e painéis em outros assuntos, como Talent Management, Training Delivery, Instructional Design e Learning Measurement & Analytics, com falas curiosas, instigantes e que levaram as tendências que organizações de várias partes do mundo estão reproduzindo.

Essa é a principal bagagem que trago todas as vezes que participo de eventos da ATD, e fico imensamente satisfeito em perceber nossa presença em um evento tão fundamental para quem atua na indústria, no governo, em posições de liderança.

Também muito me anima saber que o Brasil foi o quinto país em número de participantes, atrás de Coréia, Canadá, Japão e China. Países que são reconhecidos historicamente como polos de desenvolvimento tecnológico, e o Brasil se colocando na lista de forma interessada e propositiva.

São esses fatos que me fazem agradecer por estar construindo novos paradigmas de aprendizado e inovação ao lado de profissionais tão conscientes, capacitados e que traduzem a cultura de cada lugar de onde vieram. Isso porque apenas focados na criação de redes de conhecimento e de novas tendências em soluções é que conseguiremos ultrapassar os desafios que a área da educação deve superar na era da transformação digital de maneira globalizada.

*Luiz Alexandre Castanha é diretor geral da Telefônica Educação Digital – Brasil e especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais. Mais informações em https://alexandrecastanha.wordpress.com

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Cognizant vence dois prêmios de inovação em IA

cognizant_ai.jpg12/07/2019 - Multinacional é reconhecida por Melhor Solução de Analytics baseada em Inteligência Artificial e prêmio de Inovação para Realidade Aumentada

A Cognizant, uma das empresas líderes mundiais em tecnologia e negócios, recebeu dois prêmios – Melhor Solução de Analytics baseada em Inteligência Artificial e Inovação para a Realidade Aumentada – por sua inovação e pelo sucesso no campo da inteligência artificial (IA), segundo a AI Breakthrough, uma organização de inteligência de mercado que reconhece as principais empresas, tecnologias e produtos no mercado global de IA.

A Cognizant ganhou o prêmio de "Melhor Solução Geral de Analytics baseada em Inteligência Artificial" por sua plataforma Xtreme Data Engineering (XDE). A plataforma XDE usa algoritmos evolutivos para engenharia de dados adaptativa e responsiva, permitindo que os clientes estabeleçam um modelo operacional que evolui e se adapta continuamente.

Já o "Prêmio de Inovação para Realidade Aumentada" foi concedido pela solução da Cognizant de manutenção de equipamentos baseada em Microsoft. O sistema, que aproveita a realidade aumentada, permite que os clientes criem réplicas de seus equipamentos. Essas réplicas permitem que os técnicos interajam e pesquisem as especificações enquanto conversam com um assistente de IA para identificar a causa de qualquer falha no equipamento.

Combinando essas tecnologias, a Cognizant ajudou recentemente a Grundfos (foto), uma das maiores empresas fabricantes de bombas d'água do mundo, com sede na Dinamarca, mais de 19.000 funcionários em todo o mundo, e produção anual de mais de 16 milhões de unidades de bombas d'água, a enfrentar o desafio de manter seus equipamentos em operação com um número otimizado de técnicos. A empresa adotou uma solução de realidade aumentada para investigar uma bomba d'água com defeito. Enquanto o técnico monitora as bombas d'água conectadas remotamente via Internet das Coisas (IoT), a solução de IA exibe recomendações de reparo nos dispositivos, que aparecem como um holograma. A partir daí, aconselhamento especializado é disponibilizado para funcionários não técnicos por meio de um agente de conversação, orientado por IA.

"Nossa equipe está empenhada em ajudar as empresas a se envolver e interagir de forma mais eficaz com seus clientes, com interações intuitivas e personalizadas que geram lealdade, receita adicional e crescimento", diz Bret Greenstein, vice-presidente da Cognizant Artificial Intelligence. "Com nosso conhecimento em IA, estamos fortalecendo as empresas a impulsionar a inovação que impacta diretamente os resultados de seus negócios. Temos o prazer em receber esse reconhecimento da AI Breakthrough e esperamos continuar oferecendo soluções baseadas em IA para nossos clientes ao redor do mundo."

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Era dos robôs e o futuro mercado do trabalho

ai.jpg*Por Marcelo Miranda
11/07/2019 - Quase 50% das empresas esperam que a automação leve a alguns redução de sua força de trabalho em tempo integral até 2022. Entretanto, a expectativa para o futuro dos empregos ainda é positiva. A partir de uma nova divisão de trabalho, poderão ser criadas até 2020, 133 milhões de novos postos de trabalho que integram máquinas e humanos. Os dados são do relatório The Future of Jobs, publicado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial.

O mercado já sente a chamada quarta revolução industrial, termo usado por especialistas para referência a chegada de novas tecnologias, como inteligência artificial, automação industrial e a impressão 3D, entre outras. A questão é que a chegada desta onda está mudando a forma como as nações vivem e trabalham. E a mão de obra intelectual será imprescindível nessa nova era.

Em vez de temer, se preparar. Seguindo a linha otimista para a chegada da tecnologia, o levantamento aponta que 38% das empresas pesquisadas esperam estender sua força de trabalho a novas melhorias de produtividade e funções, e mais de um quarto espera que a automação vá levar à criação de novos papéis em sua empresa.

Ao passo que a inteligência artificial irá eliminar alguns empregos, uma nova demanda por novas habilidades humanas está surgindo. Cerca de metade dos principais empregos atuais – a maior parte do emprego em todos os setores – permanecem estáveis no período até 2022. Entretanto, o relatório apontou ainda que, de fato, alguns postos de trabalho serão extintos com a chegada da automatização: 75 milhões de empregos poderão ser substituídos. A medida que as relações de emprego mudam, esse número faz com que a exigência intelectual para trabalhadores do futuro seja ainda maior.

Habilidades mentais e estratégicas serão destaque fundamentais no mercado de trabalho. Capacidade de criação e ser interdisciplinar continuarão a ser importantes. Pôr em prática a Inteligência Artificial, dizer às máquinas o que, quando e como fazer são exemplos de competências indispensáveis no futuro. Não fará sentido ser fisicamente extraordinário para desenvolver uma atividade onde um robô ou outro equipamento poderá executar a mesma tarefa. Mesmo habilidades como capacidade de interpretação correm o risco de não serem utilizadas futuramente, uma vez que cada vez mais os softwares fazem isso por nós.

É o momento de focar no aumento do valor econômico por meio de novas atividades, melhorar a qualidade do trabalho tradicional. Como? Aumentando as habilidades de seus funcionários, colocando-os como extraordinários, executando tarefas de alto valor agregado, que precisam ser feitas por trabalhadores humanos.

No Brasil, a passos tímidos, as empresas têm começado a implementar a 4ª revolução industrial. Atualmente, segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que é ligada ao Ministério da Indústria e Comércio (Mdic), menos de 2% das empresas estão inseridas neste conceito global. Entretanto, a expectativa é positiva, em dez anos, 15% das indústrias de todo o território nacional devem atuar no conceito da indústria 4.0.

*Marcelo Miranda é especialista em automação industrial e ceo e fundador da Accede.

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Os riscos da Libra, a criptomoeda do Facebook

facebook_libra.jpg*Por Rodrigo Castro
11/07/2019 - Atrelada à inovação de alterar toda a estrutura do sistema financeiro mundial, a criação da Libra, a criptomoeda do Facebook, também traz discussões laterais sobre os seus impactos na economia global. Se bem implantada, há um público potencial de 2,4 bilhões de usuários da rede social de Mark Zukemberg. Os riscos são vários e podem afetar tanto a soberania de nações, assim como o ambiente das empresas.

Sob o prisma macroeconômico, o principal risco está associado à perda da independência de alguns países que podem ver sua moeda substituída pela Libra, algo que eu chamo de "libralização" das economias. Este processo de enfraquecimento de moedas locais pode se iniciar por uma corrida de demanda para as moedas que compuserem esta cesta de ativos da libra, gerando o enfraquecimento de moedas fora da cesta, como o Real, por exemplo. Com a moeda fraca, alguns países serão forçados a ancorar sua moeda na nova Libra, uma vez que será um ativo com maior reserva de valor e, a depender da implantação, um meio de troca efetivo.

Para isto, os bancos centrais desses países passariam a comprar Libras imprimindo cada vez mais moeda local, que enfraqueceria a ponto de perder a sua importância e ser definitivamente substituída. Neste cenário, o país cuja economia está "Libralizada" abre mão de sua política monetária e cambial e não terá mais soberania e, muito menos, autonomia sobre a sua moeda.

Outra ruptura, agora sob o prima microeconômico, está no total redesenho do mercado financeiro dos países. Para efeito de ilustração, algo semelhante ao que o Uber, Airbnb e Netflix fizeram respectivamente com os mercados de mobilidade, hotelaria e mídia de entretenimento. Ou seja, uma solução mais simples, fácil e barata de usar rompe com o modelo tradicional do mercado e, por consequência, com seus participantes.

As fintechs de meio de pagamento locais poderão sucumbir ou perder grande relevância. Este processo já pôde ser visto, por exemplo, no Quênia, onde a Vodafone criou o M-Pesa, que é uma espécie de banco por celular. Esta solução foi massivamente adotada no País, encampando mais de 60% da população adulta do país. Na China, o WeChat, similar ao Whatsapp, possui um sistema completo de meio de pagamento que permite transações online e offline. Porém, em ambos os casos, as empresas usam moedas locais para transações e não desenvolveram seu próprio dinheiro.

Já do ponto de vista da ética organizacional e compliance, algumas das companhias que fazem parte da Associação Libra não possuem um histórico ilibado a ponto de carregar a confiança de todas as partes em uma moeda global. Basta lembrar de casos como o acesso ilegal de dados de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica, as acusações de manipulação das eleições na África e as implicações da empresa no genocídio de Mianmar. Alega-se, porém, que comportamentos individuais das empresas seriam contidos na associação que seria composta, em grandes linhas por empresas de alta reputação.

Este mesmo argumento não faz efeito para as grandes instituições financeiras da atualidade, que permitem anualmente a lavagem de USD 2 trilhões. E falando em lavagem de dinheiro, esta é uma questão que fica em suspenso nesse novo sistema financeiro. A livre transação da Libra entre fronteiras, por meio de carteiras desassociadas das identidades dos seus donos, é um prato cheio para esquentar dinheiro ilícito. Além disso, a falta de transparência sobre os detentores das reservas de lastro da Libra pode gerar impactos sistêmicos em economias reais.

Há inúmeros outros riscos que podem ser explorados. A oportunidade de prover acesso ao sistema financeiro para uma massa de "desbancarizados" e à margem do atual modelo, passando pela separação entre estado e dinheiro, já é uma realidade. Porém, há dois caminhos postos no horizonte. Transferir esta tutela para a população, por meio de um sistema verdadeiramente descentralizado, ou concedê-lo a um grupo de empresas que regerão o novo sistema financeiro.

Crédito: Montagem FT / Getty

*Rodrigo Castro é diretor de riscos e performance na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

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Uso de tecnologias nos traz menos liberdade?

luis_castanha.jpg*Por Luiz Alexandre Castanha
05/07/2019 - É difícil imaginar como seria nossa vida sem a internet e as tecnologias e soluções que ela proporciona. Acontece que, junto com mudanças de paradigmas, surgem novas problematizações e o ser humano precisa reavaliar suas formas de se conectar e viver em sociedade. Estar trabalhando no setor do conhecimento e das tecnologias educacionais me traz uma questão que se coloca além do "ser prático ou não", "melhorar nossa vida ou não" frente às novidades e evoluções: elas podem estar nos privando de nossa liberdade?

Certa vez, assisti a uma palestra do futurista Gerd Leonhard (https://www.futuristgerd.com/), em que ele comentou que, ao analisar os progressos que têm sido feitos, 90% deles é bom e 10%, ruim. Aí está dada a reflexão sobre a tecnologia ser uma ferramenta que amplia nosso alcance (de comunicação, especialmente), mas que tem seu lado positivo e seu lado negativo. Estamos todos aprendendo juntos a lidar com essa dualidade.

É fato que as novidades, de várias magnitudes e com impactos maiores ou menores, como aplicativos, robôs e assistentes virtuais podem parecer assustadoras. Há máquinas que atendem desde necessidades cotidianas, como marcar horário para cortar o cabelo e ajustar a iluminação e a temperatura perfeita do ar-condicionado de sua casa, até equipamentos, como um helicóptero elétrico, que representa uma transformação na mobilidade, ao prometer realizar viagens de curtas distâncias pelo valor de um táxi até 2022.

O que me interessa em tudo isso é perceber os aspectos preocupantes que podem surgir dessas novas formas de viver a que indivíduos, corporações e nações estão descobrindo como manter.

Isso porque, com a evolução dos recursos tecnológicos, a "faixa dos 10%", a que se referiu Leonhard, corresponde aos ataques cibernéticos que temos acompanhado, que tiram as empresas do ar e pedem resgates de seus dados (como o WannaCry, de 2017 e que teve alcance global), às fake news, às acusações de manipulações de eleições em diversas partes do mundo e até invasões de celulares de chefes de estado divulgando informações pessoais.

Como qualquer ferramenta, e aliada à aceleração que se transmitem os dados de milhões de usuários todos os dias, a tecnologia também pode ser usada para fins ilícitos.

Penso que o problema disso está em nós mesmos. Há alguns fatores que são tão avassaladores em nossas vidas que sequer damos conta dos impactos que eles podem causar, e falo isso em relação à nossa segurança. Os limites entre a exposição virtual e a real estão cada vez mais borrados. Imagine saber que cada interação e micropasso de sua vida esta sendo vigiado? Likes, compras, conversas íntimas, gostos, relacionamentos, tudo pode estar registrado e vir à tona em segundos.

Como disse Tim Cook, CEO da Apple, em seu discurso para os formandos de Stanford deste ano ao falar de privacidade na rede: "Wedeservebetter, youdeservebetter" (Nós merecemos o melhor, você merece o melhor). A fala é um convite a pensarmos sobre como trocamos nossa liberdade ao permitir que muito de nossa vida seja agregado, vendido e vazado por hackers e sistemas desconhecidos. Temos que mudar essa situação se não quisermos virar escravos dela e presos a uma vigilância digital sem fronteiras.

*Luiz Alexandre Castanha é diretor geral da Telefônica Educação Digital – Brasil e especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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