As facilidades nas transações com bitcoins

bitcoin.jpg*Por Fernando Bresslau
15/10/2018 - Ainda existem muitas dúvidas em relação ao investimento em bitcoins. Afinal,sua criação é relativamente recente e criptomoedas são uma novidade para todo mundo. Inseridas no mercado no início de 2009, essas moedas virtuais foram criadas com o objetivo de tornar as transações mais seguras e privadas, eliminando a necessidade de um intermediário entre quem envia e quem recebe. Além disso, a emissão de bitcoins é altamente controlada e confiável. Com isso, os brasileiros começaram a considerar a compra desse tipo de criptomoeda como um investimento a longo prazo, preferindo mantê-los em carteiras digitais por conta da expectativa de valorização.

Mesmo com as recentes quedas, acredito que a consolidação dos bitcoins é uma questão de tempo. Para os próximos cinco anos, existem até previsões de que seu crescimento atinja 1.267%, podendo chegar a valer US$ 96.000 por unidade, como aponta um estudo feito pela empresa de consultoria e pesquisa de ICOs, Satis Group.

Uma das grandes possibilidades desse tipo de criptomoeda é sua utilização como nova forma de pagamento, substituindo até mesmo o cartão de crédito no futuro. Entre os benefícios, posso destacar a redução dos processos burocráticos, já que tudo é feito digitalmente. Para o comerciante que aceitar esse pagamento, o risco de "chargebacks" (operações de cartão de crédito canceladas) será eliminado.

Nos pagamentos tradicionais, por exemplo, corremos sempre o risco de termos nossos dados roubados. Com o uso de moedas virtuais, o destinatário recebe apenas o dinheiro, sem necessidade de receber os dados pessoais do pagador. Dessa forma, o risco do roubo de informações pessoais no processo de pagamento diminui consideravelmente.

Outro ponto positivo é que não existem barreiras para a utilização do bitcoin: basta ter um aparelho (computador ou smartphone), acesso à internet e instalar um app ou programa adequado: a utilização de bitcoins é voluntária e aberta, não necessitando de autorização de nenhuma empresa, órgão ou governo.

Em alguns casos, uma transação de bitcoin pode ser muito mais rápida e barata do que uma transação convencional. Por exemplo, um americano que quiser pagar um prestador de serviços em Bangladesh usando bitcoins poderá ter a sua transação confirmada em menos de uma hora a um custo atual de menos de um dólar. Comparado com um envio via bancos, que demora mais de um dia e não sai por menos de 50 dólares, a vantagem é clara. Às vezes, transações de bitcoin são até mais rápidas e baratas que TEDs (mas não sempre). Vale lembrar que o custo da transação e o tempo de confirmação são variáveis e dependem da demanda da rede, e não do valor transacionado.

Por fim, acredito que o uso dos bitcoins ou outros tipos de moedas semelhantes vai trazer mais comodidade e independência para seus usuários nos próximos anos. Ainda estamos todos aprendendo e nos adaptando, mas já estamos no início de uma nova era de transações digitais, talvez até uma nova "internet do dinheiro".

*Por Fernando Bresslau, Country Manager da Ripio, carteira digital mobile para serviços financeiros.


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Movimento Brasil Digital: por um país inovador e inclusivo

web_lei.jpg*Por Adelson de Sousa
10/10/2018 - A dias do segundo turno, candidatos e seus coordenadores de campanha usam cada segundo disponível para apresentar aos eleitores motivos para receberem seus votos. Em busca de confiança, tecem discursos acalorados com suas propostas para resolver questões estruturais em educação, saúde, segurança, desemprego e economia, entre outros. É uma pena que, apesar da energia em busca de eleitorado, muitas dessas sugestões estão presas a raciocínios ultrapassados e distantes das mudanças necessárias para alavancar a economia brasileira e gerar empregos.

Vivemos um momento com grande pulverização política. Entretanto, é imprescindível arregaçarmos as mangas e trabalharmos em conjunto para buscar soluções reais, aplicáveis e com retorno em curto e médio prazos. Atualmente, existem cerca de 250 mil vagas abertas para profissionais de tecnologia que não são preenchidas por falta de mão de obra qualificada. E estimativas do setor apontam que, até 2020, as oportunidades na área de tecnologia devem triplicar. Enquanto isso, 13 milhões de brasileiros encontram-se desempregados.

É para mudar este cenário que lançamos, em agosto, o Movimento Brasil Digital – Por um país inovador e inclusivo. Hoje, somos 27 grandes empresas, dos mais variados setores da economia, com o mesmo propósito: colocar a digitalização no centro da estratégia do país, de maneira inclusiva e humanizada, apoiando a formação da sociedade nas habilidades da Indústria 4.0 e preparando-a para os empregos do futuro, a fim de garantir a sustentação do crescimento econômico do país.

A digitalização está fortemente inserida nas políticas públicas de grandes economias do mundo, garantindo produtividade às empresas, competitividade internacional e serviços de qualidade aos cidadãos. Ao mesmo tempo, impõe desafios em áreas como educação, trabalho, sustentabilidade e políticas sociais. E o Brasil precisa, o quanto antes, vivenciar e se destacar nesse âmbito.

Por isso, buscamos articular o diálogo entre os setores público e privado, de maneira completamente apartidária, para discutir soluções de desenvolvimento digital a partir de propostas mapeadas em cinco dimensões estruturais: educação, empreendedorismo, infraestrutura, governo e inclusão social.

Em educação, é preciso garantir a inclusão e alfabetização digital de toda a população, principalmente entre as pessoas com baixo poder aquisitivo ou com acesso à tecnologia abaixo da média. Também é necessário prepará-las para as ocupações do futuro no mercado de trabalho.

Para fortalecer o empreendedorismo, apoiar o desenvolvimento de startups e incentivar a digitalização de pequenas e médias empresas. Investir em pesquisa e desenvolvimento, em projetos que envolvam governo e iniciativa privada, é essencial para garantir que o país desenvolva o conhecimento necessário para a transformação digital.

Na área de infraestrutura, é preciso solucionar problemas de cobertura e qualidade. Para crescer, o Brasil precisa garantir conectividade inclusive em regiões distantes dos centros empresariais, ampliando redes ópticas e melhorando os serviços de comunicação móvel. Vale ressaltar que também deve garantir a segurança e a privacidade dos dados dos usuários.

E, para que todas as sugestões acima saiam do papel, o governo deve se posicionar como indutor de novas tecnologias, usando-as não apenas como meio de entrega de serviços aos cidadãos, mas também como ferramenta de transformação da própria administração pública. Devem-se criar políticas públicas de apoio à digitalização, além de modernizar o ambiente legal e regulatório em áreas de segurança da informação, dados e mercado de trabalho.

Além disso, é importante desenvolver a digitalização de forma inclusiva, maximizando os benefícios tecnológicos para a sociedade, por meio da formação das pessoas, para que utilizem as novas tecnologias e integrem ocupações de trabalho inéditas. Com isso, é possível criar mais oportunidades e preparar a população para desenvolver as atividades em negócios da nova economia, bem como para ocupar postos de trabalho que surjam a partis das novas tecnologias.

Temos muito trabalho pela frente, mas ainda dá tempo de tornar o Brasil em um país de destaque no novo mundo digital. Do lado de cá, estamos desenvolvendo um plano de ação para a digitalização humanizada e inclusiva até 2025. Esperamos que nossos próximos governantes, de sua parte, façam o mesmo. Assim, poderemos nos transformar, além de beneficiários, em criadores e exportadores de novas tecnologias.

Adelson de Sousa é Presidente do Conselho Estratégico do Movimento Brasil Digital e Presidente Executivo da IT Mídia

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Tecnologia Open Banking: um caminho sem volta

*Por Carlos Augusto Oliveira
09/10/2018 - É inegável a transformação que o uso da tecnologia trouxe - e continua trazendo - à medida que novos avanços são implementados para todos os segmentos. Com o setor financeiro não podia ser diferente, basta pensar em como era um banco há 10 ou 15 anos. Qual era o consumo de cheques? E a oferta de serviços de Mobile Bank? Junto com esse novo consumidor surgiu a necessidade de criar novos serviços e alternativas de uso. Uma pesquisa global recente elaborada pela consultoria EY aponta que a implementação de serviços digitais já é uma prioridade, em 2018, para 85% das 221 instituições financeiras entrevistadas. O estudo mostrou ainda que 70% delas planejam investir em tecnologia para fortalecer seu posicionamento competitivo e ganhar mercado.

E para isso acontecer, é preciso evoluir na forma como os bancos encaram a tecnologia e os dados dos clientes. Um exemplo é a adoção do Open Banking, plataforma que permite a integração de aplicativos com os serviços por meio da abertura de interfaces de programação de aplicativos.

As APIs, como são conhecidas, é um elemento chave da transformação digital dos bancos, uma vez que essa é uma forma de permitir que os desenvolvedores de outras empresas de tecnologia criem diversas aplicações e inovações, focadas nas experiências e na forma como os clientes interagem com banco. Elas permitem, portanto, que empresas e desenvolvedores conectem os seus sistemas aos do banco, compartilhem dados e realizem transações de forma automatizada.

Ao expor dados em uma camada de integração, o Banco também pode se integrar a novas cadeias de serviços, viabilizando o transito de informações através de outras plataformas de serviço. Ou seja, o correntista pode acessar suas informações bancárias por aplicativos de outras empresas e não somente pelo banco. Onde ele estiver e assim preferir acessar.

O Open Banking simplifica as integrações das aplicações na nuvem, no mobile e ainda possibilita a redução dos custos operacionais tanto para o banco quanto para seus parceiros. Ao facilitar a criação de novas aplicações por terceiros, o banco melhora a experiência dos clientes e amplia as possibilidades de receita sem ter que arcar com todos os custos de desenvolver esses novos serviços. É uma situação "ganha, ganha".

As barreiras a serem superadas estão se tornando cada vez menores. Questões como segurança, que sempre foi um dos principais desafios quando o assunto é abrir os dados, é uma delas. Outro ponto importante é a regulamentação. Na Europa, por exemplo, entrou em vigor este ano a PSD2 (ou payment services revised directive). Agora, todas as organizações reguladas pelo Banco Central Europeu terão que disponibilizar APIs abertas, ou seja, adotar a plataforma do Open Banking, viabilizando a interoperabilidade com outras industrias, como comercio eletrônico e diversas Fintechs, ampliando a possibilidade de acesso e oferta de serviços inovadores aos seus clientes. Vários países estão no mesmo caminho, estudando e legislando sobre este assunto. No Brasil, apesar de ainda não termos regulamentação específica e a maioria dos bancos atuar de forma conservadora, algumas instituições estão alinhados com esta tendência, e, já oferecem APIs abertas, possuindo casos concretos de bom uso da ferramenta.

Porém antes de abrir os dados é preciso estruturar a segurança, a governança corporativa, mudar processos e até estruturas organizacionais. Existem riscos novos e desafios neste processo irreversível. Mas talvez o maior entrave ainda esteja na cultura. Trata-se, portanto, como toda inovação de uma real ameaça ou uma grande oportunidade, mas certamente tremenda mudança de como o Mercado Financeiro vinha operando e protegendo os dados dos clientes como ativo exclusivo da instituição.

Uma coisa é fato: o avanço é implacável, independentemente do nível de maturidade digital e do grau de abertura. E quem não aderir, ou demorar muito para entrar nesse barco, poderá perder clientes e espaço para os concorrentes não tradicionais. Talvez muito antes e mais rápido do que hoje podemos imaginar...

*Carlos Augusto Oliveira é CIO Banco Original

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FGV lança estudo sobre benefícios do Blockchain

blockchain.jpg09/10/2018 - A FGV, através do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (FGV NPII) e em parceria com o think tank alemão Konrad Adenauer Stiftung, lança, no próximo dia 11 de outubro, um estudo pioneiro que identifica as contribuições que a tecnologia de Blockchain - a mesma que está por trás do bitcoin - pode oferecer a operações de financiamento do clima e do meio ambiente.

De autoria de Leonardo Paz (FGV NPII) e Gabriel Aleixo Prata (ITS-Rio), o relatório "Blockchain Contributions for the Climate Finance – Introducing a Debate" busca de maneira sistemática e didática apresentar o tema de Blockchain e Financiamento do Clima para não experts, de forma a facilitar o entendimento dos dois assuntos, descomplicando assim a relação entre ambos.

O relatório divide suas recomendações em grupos temáticos, como: Redução do Gap Institucional entre doadores e receptores de financiamento; Necessidade do fortalecimento do debate político; Estímulo do papel da sociedade civil; e Estímulo à busca de soluções inovadoras.

De acordo com o estudo que será divulgado, o blockchain pode contribuir no financiamento ambiental, quanto à questão da transparência e da eficiência, redução de custos, diminuição de intermediários nas operações, confiança no registro dos dados e facilitação de rastreamento.

Para Leonardo Paz, da FGV NPII, o blockchain pode ser essencial no gerenciamento dos recursos voltados para iniciativas sustentáveis.

"Muitas ONGs e pequenas prefeituras não conseguem acessar os fundos com recursos para o meio ambiente, pois não têm capacidade administrativa de operar os processos de compliance exigidos pelos bancos. Por isso, as soluções baseadas em blockchain podem ajudar a limitar a burocracia, pois, com essa tecnologia, todas as transferências de recursos ficam registradas de forma transparente e imutável, virtualmente impossibilitando desvios de dinheiro", explicou Leonardo.

O evento de lançamento do estudo será aberto ao público. Para mais informações e inscrição: http://www.prestodesign.com.br/extranet/fgv/convite600.html

Serviço

Data: 11/10/2018
Local: FGV – Praia de Botafogo, 190 – 12º andar
Horário: 10h às 12h30
Programação
9h30 – Credenciamento
10h – Abertura com Renato Galvão Flôres Jr. (diretor da FGV IIU) e Christian Hübner, head da EKLA-KAS
10h30 – Apresentação dos resultados
11h – Debate

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Contact center inteligente, mas não artificial

chatbot_2.jpg*Por Marcio Rodrigues
08/10/2018 - Quem já precisou entrar em contato com uma empresa para pedir informações, solicitar serviços ou fazer uma reclamação, muito provavelmente foi atendido, num primeiro momento, por um sistema automatizado, também conhecido como bot. Os bots são softwares que conseguem "conversar" com o cliente para determinar qual a sua demanda e o canal mais adequado para resolvê-la. Eles foram criados para facilitar a vida dos dois lados: o cliente fica menos tempo na espera e pode até resolver o problema ali mesmo, naquele primeiro atendimento; e a empresa otimiza o tempo e os recursos investidos no SAC ou contact center.

A mesma solução que veio para descomplicar acabou acumulando uma gigantesca massa de dados, gerados por todos nós quando utilizamos qualquer tipo de tecnologia. Para dar conta desse volume insano de dados e transformá-los em informação útil, insights e conhecimento estratégico, nada mais eficiente do que se valer dos avanços da Inteligência Artificial (IA).

Ao investir no desenvolvimento e na implantação de ferramentas de IA no atendimento ao público, as empresas ganham em agilidade, assertividade e personalização. O SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) vira SIC (Soluções Inteligentes para o Consumidor).

Mas a interação com a pessoa do outro lado da linha (ou da tela, ou do teclado) é apenas uma das funcionalidades da IA. Tão ou mais importante, ela serve para orientar os atendentes e supervisores na hora de lidar com o público. Não é à toa que essas ferramentas são consideradas inteligentes: elas conseguem aprender as diversas maneiras como os humanos se comunicam, interpretá-las e captar as emoções ou o estado de espírito dos participantes da conversa.

Conhecendo a demanda, o contexto e as características do cliente, a equipe de suporte estará preparada para atendê-lo de forma personalizada. A ferramenta pode até fazer o best match entre o atendente e o cliente, escolhendo a pessoa mais adequada para lidar com aquela situação. Ou ainda, monitorar a conversa e identificar se é necessária a orientação ou intervenção de um supervisor.

Só que, para se chegar a esse nível de desempenho, temos que prestar muita atenção na alimentação e no monitoramento do sistema. Afinal, ele se sustenta sobre a tecnologia de machine learning, ou seja, vai aprendendo mais e mais à medida que coleta, processa e compara dados. Não apenas aqueles gerados pela interação do consumidor com a empresa, mas também levando em conta o ramo de atuação, o modelo de negócios e os produtos ou serviços oferecidos. Esses elementos são indispensáveis para se ler corretamente o contexto, avaliar as possibilidades e sugerir soluções para o problema do cliente.

A cada dia surge uma nova aplicação de IA para interação com o público, graças à criatividade dos empreendedores (com suas startups) e às inovações desenvolvidas pelas próprias prestadoras de serviços de atendimento. Não poderia ser de outro modo, pois lidamos com uma nova geração de consumidores, que não tem tempo nem disposição para interagir com sistemas lentos e ineficientes.

É difícil determinar as possibilidades, mas podemos dizer com segurança que "o céu não é mais o limite", em termos técnicos, para a aplicação de IA, seja no trato com o público, seja para a geração de resultados de negócios. A questão principal é estabelecer os limites éticos e comportamentais dessas aplicações. Mas até nisso a inteligência artificial pode colaborar, por exemplo, informando que determinado cliente não gosta de bots e prefere falar diretamente com um colaborador.

A interação entre máquinas e humanos pode ser tão sofisticada que por vezes nos flagramos sem saber se estamos falando com alguém de carne e osso ou com um robô. Alguns deles já passaram no chamado Teste de Turing (quando a máquina consegue se passar por gente, sem que a pessoa que está conversando com ela identifique que se trata de uma IA). No entanto, ainda há muito a ser desenvolvido, aprendido e aplicado. A única certeza que temos é que novos marcos vão surgir nesse campo. A era da inteligência artificial está apenas começando.

*Marcio Rodrigues é Presidente da Avaya Brasil

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Rota 2030: uma oportunidade para desenvolvimento

dassault_alejandro_chocolat.jpg*Por Alejandro Chocolat
04/10/2018 - O Brasil começará a praticar o que os maiores países do mundo já fazem em termos de segurança e eficiência energética do setor automotivo. Com o programa Rota 2030, aprovado como medida provisória pelo Governo Federal, está sendo estabelecida uma série de regras a serem cumpridas pela indústria automobilística nos próximos 15 anos.

O primeiro ciclo, que vai até 2023, estabelece a meta de 11% de melhoria da eficiência energética, enquanto novos índices serão definidos ao final do período. Para isso, as marcas terão que investir em novas tecnologias para reduzir o peso, modernizar os sistemas de propulsão, melhorar a aerodinâmica de seus automóveis e investir em eletrificação, entre outras mudanças. A expectativa é que tenhamos mais veículos elétricos e híbridos, com motor, câmbio e outras peças que priorizem a economia energética. E, sem dúvida, esse cenário só será possível com o uso de sistemas para desenho e teste dos automóveis na tela do computador antes mesmo de sua produção.

No que se refere à segurança, os carros deverão ser repensados e a linha de produção terá que incluir itens como frenagem automática, controle de estabilidade e tração, sistemas eletrônicos de direção autônoma, cinto de segurança de três pontos para passageiros do banco traseiro e a adoção do padrão Isofix para fixação de assentos infantis.

Embora o Congresso Nacional ainda precise aprovar a iniciativa para torná-la lei, o programa pode ser uma oportunidade para montadoras e autopeças desenvolverem produtos mais inteligentes e inovadores, planejando melhor investimentos em tecnologia.

Para aumentar sua competitividade no mercado, as indústrias precisarão acelerar a inovação de produtos, otimizar o desempenho e minimizar falhas, fortalecendo sua capacidade de gerir sistemas complexos, o que é possível com uma plataforma integrada de mecânica, eletrônica, software e simulação.

Precisamos também considerar que para o desenvolvimento desses novos veículos as fábricas deverão estar modernizadas e preparadas, adotando tecnologias estratégicas como IOT e o Digital Twin. O Rota 2030 prevê desconto adicional para abatimento de impostos para os investimentos considerados estratégicos. É uma oportunidade sem precedentes para o desenvolvimento nacional em temas ligados à Quarta Revolução Industrial, como manufatura avançada, sistemas de análises e preditivos, conectividade, nanotecnologia, inteligência artificial e Big Data, entre outros avanços que oferecem às companhias a oportunidade de otimizar e agilizar seus processos internos e aumentar a produtividade e a eficiência.

Nesse contexto, o Digital Twin na manufatura terá um papel fundamental para que essas fábricas inteligentes alcancem todos esses benefícios e estejam alinhadas não apenas à legislação, mas às melhores práticas da indústria automobilística mundial. Essa tecnologia permite, além da virtualização da fábrica, a comunicação entre todos os envolvidos na produção, acelerando o desenvolvido do processo e do produto. Outro benefício é que, por meio da aplicação das ações no ambiente virtual, a execução real é otimizada, já que eventuais falhas podem ser percebidas antes mesmo do início da produção do automóvel.

Vale o alerta que as maiores empresas automobilísticas do mundo já estão utilizando modernas plataformas para o desenho e gerenciamento de qualidade, comprovando que a prática garante o uso inteligente de materiais e melhora a execução da produção, inclusive controlando a qualidade dos processos.

Com essas tecnologias, as montadoras instaladas no Brasil poderão adequar rapidamente seus processos ao patamar de qualidade global, com menos ocorrências de recalls e mais rentabilidade, engajando e aumentando a satisfação de seus consumidores. Ao adotar tais melhorias, as indústrias poderão atender os requisitos do Rota 2030 e, com isso, o Brasil terá uma oportunidade única para se destacar no cenário global.

*Alejandro Chocolat é Diretor Geral da Dassault Systèmes América Latina

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