Como é possível evitar desastres em pontes e viadutos?

viaduto_max-chen_unsp.jpg*Por Pedro Soethe
04/12/2018 - Em 2018, fomos impactados com dois casos bem peculiares em viadutos no País. O primeiro foi em Brasília, no Eixão Sul, que caiu logo no começo do ano, mais precisamente em fevereiro, causando ainda grande transtorno, já que até o momento continua sendo reconstruído. E o custo? Já ultrapassou 10 milhões de reais.

Agora, mais recentemente, foi a vez do viaduto do Jaguaré na Marginal Pinheiros, em São Paulo, sofrer com a falta de manutenção e transformar a cidade em um verdadeiro caos sem data para terminar.  Até o momento não existe prazo para resolução e muito menos o custo, mas com certeza terá número parecido ou até maior que o primeiro exemplo.

Então como seria possível evitar estes prejuízos milionários? Existem maneiras tradicionais de se fazer a manutenção preventiva para esses tipos de estrutura, entre elas, levantar pessoalmente das condições, executar ensaios de qualidade para tentar identificar possíveis patologias. Todos os dados encontrados e analisados devem então ser confrontados com o projeto original para tentar localizar inconsistências ou alterações.

Mas é aí que começam todos os problemas: primeiro temos a questão do tempo para fazer todos estes levantamentos e ensaios, segundo os projetos originais quase todos já foram perdidos. Mesmo quando ainda são feitos dessa maneira, os dados ainda são analógicos, geralmente em papéis, que muitas vezes não são armazenados ou anexados aos projetos originais, mesmo porque já se perderam.

Imagine, hoje, alguém chegar para o prefeito de uma grande cidade e perguntar quais são os três maiores problemas nas suas pontes/viadutos? Poucos iriam saber exatamente a resposta, aposto que seriam “estão com rachaduras” ou “estão com problemas diversos”.

Aqui começa a entrar a tecnologia. Hoje temos ferramentas tecnológicas que podem fazer boa parte do trabalho e sistematizar o projeto de verificação, análise, simulação de cenários e até predição de problemas - com alguns cliques no mouse é possível ter um relatório completo das principais alterações detectadas no período de um ano, um mês ou uma semana, por exemplo.

Primeiro passo é a criação do gêmeo digital da estrutura, isto é totalmente possível, hoje esse processo pode ser feito por meio de verificações a laser, drones, até levantamentos tradicionais unidos, que podem levar para um computador a exata imagem tridimensional com todas as características geométricas totalmente mesuráveis e verificais.

Além disto, usando um software é possível remodelar a mesma estrutura com todas as suas características, não só geométricas, mas também identificar qual é o tipo de material dos múltiplos componentes, sua resistência, a pressão, a torsão, a abrasão, a lixiviação, etc. Qual a quantidade de ferragem, drenagem, o tipo de pavimento, o passeio, a sinalização, entre milhares de outras possibilidades. Tudo pode ser reescrito com todas suas características dentro do computador, isto é chamado de BIM (Building Information Modeling).

Com o gêmeo digital dentro do computador com todas as suas características reais e suas condições de contorno dentro de um sistema computacional, é possível fazer o que quiser dentro de um ambiente controlado e simular o que bem entender: e se chover demais? E se esta determinada estrutura se romper? E se um caminhão bater neste pilar? E se? Enfim, podemos testar o que quisermos, e assim achar uma alternativa para aquele possível acontecimento.

Se todos os processos forem feitos de maneira digitalizada é possível definir o orçamento preciso e como será necessário atuar de forma mais rápida e eficaz. Cidades como Brasília e São Paulo, possuem milhares de estruturas como pontes/viadutos, é essencial o uso de tecnologias que automatizem e gerem informações confiáveis, testáveis e seguras. Uma coisa é certa, tudo o que escrevi aqui, o investimento é menor tanto no seu custo financeiro direto e indireto, quanto em tempo.

*Pedro Soethe é especialista técnico da área de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) da Autodesk no Brasil

Crédito: Max Chen / Unsplash

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Transformação Digital e as Organizações

abdalla.jpg*Por Ricardo Abdalla
03/12/2018 - A Transformação Digital é um assunto estratégico para as organizações. Elaborar e implementar uma estratégia digital adequada para o negócio não é tarefa fácil, e vai muito além da incorporação de novos recursos tecnológicos aos fluxos de trabalho. Enquanto as organizações bem-sucedidas terão seu caminho pavimentado para o sucesso, aquelas que falharem estarão mais expostas aos riscos da ruptura digital, trazidas por um ambiente com o ritmo das transformações tecnológicas em aceleração contínua.

As organizações se deparam com a ruptura digital

A tecnologia tem sido o principal fator de transformação na maneira como as empresas produzem, interagem com seu ecossistema de parceiros, e comunicam-se com seus clientes. A rapidez com que a tecnologia da informação (PC, Internet, Mobile, Plataformas Digitais) é incorporada ao ambiente de negócios, digitalizando processos e indústrias e desmaterializando produtos e serviços, encanta e assusta. A história da tecnologia nos mostra que as mudanças tecnológicas ocorrem segundo uma curva exponencial, contrária à visão intuitiva linear do senso comum. Para uma parte significativa das organizações estabelecidas, acompanhar o ritmo das mudanças é difícil, custoso e gera enorme sobrecarga. Mas não há outra saída.

Em um mercado aberto e global, a todo momento novos entrantes exploram tecnologias emergentes e criam produtos inovadores. Com custos menores, melhores experiências de usuário e a agilidade de quem ainda não possui processos e sistemas legados, ganham mercado à medida em que as empresas incumbentes recuam para proteger suas margens, caindo na armadilha de oferecer ainda mais território aos seus novos competidores.

Embora varie de acordo com cada indústria, a ruptura digital é um fenômeno que previne as organizações de continuarem atuando da maneira em que estão habituadas, o que acontece, na perspectiva da organização que sofre a ruptura, de modo geralmente inesperado e com viés negativo. Mas há outra perspectiva possível, em que a ruptura pode ser vista como uma reciclagem que aposenta velhas formas de trabalho enquanto abre caminho para o novo.

A organização como uma máquina

Um paradigma é, basicamente, uma visão de mundo. Paradigmas persistem até que não sejam mais capazes de explicar novos fatos e evidências da realidade, quando então, são desafiados por uma nova visão capaz de incluir, em sua explicação do mundo, a nova informação. O século XX viu surgir e prosperar o taylorismo (desenvolvido pelo engenheiro Frederick Taylor, o pai da administração científica), no qual o modelo ideal de organização é análogo ao funcionamento de uma máquina, com departamentos especializados atuando como peças de uma engrenagem mecânica e estrutura hierarquizada, baseada em comando e controle. Por décadas, organizações que adotaram este modelo otimizaram custos, obtiveram aumento de eficiência operacional e dominaram seus mercados. O sucesso do taylorismo foi inquestionável.

Entretanto, as tecnologias emergentes e os consequentes processos de ruptura trouxeram instabilidade e risco para as empresas que enxergam o mundo pela ótica taylorista. Novas tendências desafiam o antigo paradigma, que se altera em face das mudanças trazidas pela era digital. Algumas destas tendências são ambientes de negócio em rápida evolução, com impacto direto nos padrões de demandas dos stakeholders (clientes, parceiros, órgãos reguladores), constante introdução de tecnologias disruptivas (IA, IOT, Blockchain), e o acelerado processo de digitalização e democratização da informação, com grande aumento no volume, distribuição e variedade dos dados.

A organização como um organismo vivo

O paradigma emergente precisa comportar a complexidade do cenário atual e estabelecer um novo balanço entre estabilidade e dinamismo. Os elementos de estabilidade são necessários para fornecer a direção apropriada ao negócio e prover suporte eficiente para a escalabilidade. Já os elementos dinâmicos são capazes de se ajustar continuamente às variações do ambiente em constante transformação. A estrutura estável se desenvolve mais lentamente e suporta as capacidades dinâmicas da organização, que se adaptam rapidamente aos novos desafios e oportunidades.

Quando organizada sobre estas premissas, a organização mantém uma estrutura executiva de alto nível estável, mas substitui grande parte da hierarquia tradicional por uma rede flexível e escalonável de pequenos times orientados por propósito. Redes são uma forma bastante natural e eficiente de organizá-los, pois balanceiam autonomia e liberdade com os esforços de coordenação coletivos. Como células em um organismo, os times precisam assumir de ponta a ponta a responsabilidade pela execução do seu trabalho e, para isso, necessitam ter capacitação e autonomia para a ação local rápida e eficaz. A rede dinâmica então é capaz de aumentar substancialmente a velocidade e a flexibilidade das entregas, além de alimentarem o sentimento de propriedade dos colaboradores. Os elementos estáveis e dinâmicos reforçam uns aos outros, exercend o influência positiva também sobre a resiliência e o engajamento da organização.

A Lei de Conway

Em 1968, uma empresa com 8 colaboradores foi contratada para produzir compiladores para as linguagens COBOL e ALGOL. Após as estimativas iniciais de dificuldade e tempo, 5 deles foram alocados no projeto COBOL, enquanto os outros 3 foram alocados no ALGOL. Quando o projeto foi concluído, verificou-se que o compilador COBOL funcionava em 5 fases, e o ALGOL em 3. Melvin Conway, programador envolvido no projeto, fez a seguinte observação, que ficou conhecida como a Lei de Conway:

"Organizações que desenvolvem sistemas inevitavelmente produzem projetos que são cópias de suas estruturas de comunicação."

Posteriormente, a observação de Conway acabou validada por pesquisadores do MIT, mas, o que ela realmente ensina é que a forma como uma organização é projetada dita como o trabalho é executado, o que influencia significativamente os resultados alcançados. Portanto, ao compreendermos esta ligação entre a estrutura organizacional e o resultado do trabalho produzido, podemos utilizá-la em nosso favor.

Gigantes como a Amazon, Netflix e o Spotify estão organizados em times que funcionam como pequenas startups dentro da companhia: independentes, multidisciplinares e guiados por uma missão de longo prazo. Cada time é responsável por um serviço da plataforma - uma parte da experiência do usuário. Estes serviços são projetados para serem desacoplados uns dos outros, de modo que possam evoluir de maneira independente, e sem excessivo esforço de coordenação. Como não há dependência de outras áreas, o tempo economizado permite aos times focar no que de fato gera valor para o negócio: atender as demandas dos clientes em interações rápidas, guiadas por experimentação e aprendizagem contínua.

Times orientados para o mercado

Vimos que o paradigma de máquinas estabelece a especialização funcional como base do seu modelo organizacional, agrupando profissionais por expertise com o propósito de otimizar custos, mas gerando em contrapartida considerável hierarquia, suportada pelos sistemas e processos que compõem o aparato burocrático. Como as organizações hierárquicas separam planejamento de implantação, a realização efetiva do trabalho tende a depender do consentimento das instâncias superiores da hierarquia, o que eleva o tempo de resposta da organização aos desafios do mercado.

Também vimos que o paradigma do organismo vivo propõe uma rede de times independentes, multidisciplinares e responsáveis pelo ciclo de vida completo de um produto (ou de parte dele). Estas características permitem à organização responder mais rapidamente as necessidades dos clientes e, por isso, os times são otimizados para velocidade e orientados para o mercado.

Quando comparados aos modelos de máquina, os times de mercado possuem maior autonomia, responsabilidade, são mais facilmente criados e dissolvidos, e a avaliação de seus resultados são mais diretas. No entanto, em seu estado "puro", possuem a desvantagem de diluir profissionais com determinada expertise funcional entre os diversos times da rede, causando perdas na economia de escala.

Para mitigar esse efeito, é possível estimular a formação de comunidades de conhecimento e prática que agrupem os profissionais com a mesma função dentro da organização. Estas comunidades têm a responsabilidade de atrair e desenvolver talentos, compartilhar conhecimento e experiência, além de proporcionar um sentimento de continuidade à medida que os profissionais alternem entre os diferentes times. Um exemplo são as guildas no Spotify. Na Europa medieval, as guildas agrupavam indivíduos com interesses comuns e proporcionavam assistência e proteção aos seus membros. No Spotify, há guildas para desenvolvedores, testadores, POs etc. Funcionam, portanto, como uma "cola" que mantém a organização unida e oferece alguma economia de escala, sem muito sacrifício para a autonomia dos times.

Transformação Digital é um esforço de longo prazo

Muito mais do que "transformar a experiência do cliente" ou incorporar as novas tecnologias digitais, transformar digitalmente uma organização envolve um esforço contínuo e de longo prazo para mudar não apenas a forma como a mesma faz negócios e interage com um ambiente complexo de rupturas e inovações, mas também a maneira como a empresa se organiza e opera em torno de valores-chave da cultura digital, como foco no cliente, colaboração e tolerância ao risco.

Em muitas organizações, o processo envolverá mudanças profundas, com impacto na proposta de valor, estrutura, estratégia, processos e modelos de negócio da organização, sem os quais qualquer iniciativa digital executada será provavelmente uma correção de curto prazo. Não importa quão bom seja o planejamento do projeto de transformação, ainda haverá surpresas e imprevistos, e as correções de curso serão inevitáveis. São nestas condições, inclusive, que os sistemas adaptativos sobrevivem e prosperam.

*Ricardo Abdalla é Head de Transformação Digital da Braspag

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Amazon e a política de valorização do cliente

amazon_1.jpg*Por Omarson Costa
03/12/2018 - “Este é o Dia 1 da Internet e, se executarmos bem, será também para Amazon.com. Hoje, o ecommerce economiza dinheiro e um tempo precioso dos clientes. Amanhã, através da personalização, o comércio online irá acelerar o processo de descoberta. A Amazon.com usa a Internet para criar valor real para seus clientes e, fazendo isso, espera criar uma franquia duradoura, inclusive em grandes e estabelecidos mercados”.

A primeira carta de Jeff Bezos aos acionistas no ano em que abriu seu capital, em 1997, é uma prova histórica de quão visionário já se demonstrava o fundador da maior empresa global de comércio eletrônico, batizada com o nome do nosso grandioso rio, uma premonição, talvez uma certeza, de onde sua aventura nos primeiros dias da Web poderia levá-lo.

E levou mesmo.

Em 4 de setembro passado, 23 anos depois de vender seu primeiro livro (Fluide Concepts and Creative Analogies: Computer Models of The Fundamental Mechanisms Of Thought, de Douglas Hofstadter), a Amazon alcançou US$ 1 trilhão de valor de mercado, seguindo o feito da Apple (tema do meu último artigo – a Apple quer sua voz), a primeira empresa no mundo a ter atingido a marca trilionária somente um mês antes, em 2 de agosto.

Primeiro livro vendido pela Amazon – Fonte: The Atlantic

Se você ainda não investiu na Amazon pode se arrepender. Quando abriu seu capital na Nasdaq, apenas 3 anos depois da fundação, sua ação foi precificada em US$ 18. No momento do fechamento deste artigo, estava sendo vendida a US$ 1,642.81. No dia em que atingiu valuation de US$ 1 trilhão, a cotação era de US$ 2,050.50. Se você tivesse investido US$ 100 no IPO da empresa, no último dia de agosto passado teria aproximadamente US$ 120 mil, um lucro de mais de 120.000%!

Minha aposta é de que nos próximos anos a companhia, que foi fundada na garagem de Bezos em Seattle em 1994 com apoio financeiro dos pais, se consolidará como a maior empresa multimercados do planeta. Há muitos motivos para acreditar nisso. De um faturamento anual anunciado na primeira carta, em 1997, na casa dos US$ 148 milhões, a Amazon deve encerrar 2018, 24 anos depois de abrir suas portas, batendo os US$ 200 bilhões – a Apple levou 39 anos para atingir a mesma receita, o Walmart 40 anos, a Toyota 70 anos e a Exxon Mobil 130 anos.

A fórmula de Bezos que trouxe sua criação até aqui é bem conhecida: a cultura “costumer centric”, colocando, desde os primeiros dias, os clientes como seu principal ativo, oferecendo a melhor experiência de compra ao longo de todo ciclo e, mais que isso, produtos e serviços que atendam qualquer, mas qualquer mesmo, necessidade, seja no ambiente virtual ou real.

Precisa comprar um livro? Amazon. Uma garrafa de vinho? Amazon. Esqueceu dos ingredientes para preparar o jantar? Amazon. Um brinquedo, um smartphone, um tênis, ração pro cachorro, uma frigideira, uma música (mais de 45 milhões de canções disponíveis) em formato digital? Amazon, Amazon, Amazon, Amazon, Amazon, Amazon. A loja vende online mais de 600 milhões de itens em mais de 25 categorias para mais de 300 milhões de usuários registrados, abocanhando quase 50% do varejo online nos Estados Unidos. Somente no Cyber Week de 2017, comercializou 140 milhões de produtos.

E é atendendo qualquer necessidade de seus clientes que a Amazon conseguiu reunir o mais valioso banco de dados do planeta. Quanto mais vende, mais conhece seus hábitos de compra e os desejos que ainda nem mesmo despertaram. Como já previa em 97, a personalização será, já está sendo, o pequeno grande detalhe que manterá Bezos no topo da lista dos homens mais ricos do globo.

Antes mesmo de você saber qual será seu próximo sonho de consumo, a Amazon já estará embrulhando e entregando sua encomenda com um drone, através do serviço Prime Air, com preço competitivo, rapidez, eficiência e muitos, muitos mimos. Repare só: quanto mais te conhece, mais ela participa de todo ciclo – da criação do desejo, passando pela oferta, convertendo a venda, oferecendo o meio de pagamento e concluindo o delivery; tudo num piscar de olhos e, cada vez mais, ouvindo e falando com você.

Echo, smart speaker da Amazon, com tela touch screen. Fonte: Fortune

Sim, ouvindo e falando.

É assim que os algoritmos irão interpretar e ofertar seja lá o que você precisar. É na Inteligência Artificial que reside a visão de Bezos da personalização do consumo. É na mineração de dados que está o segredo para revolucionar, como já vem fazendo, a experiência de comprar; não importa se na Amazon.com ou na Whole Foods, rede supermercadista arrematada por US$ 13,7 bilhões, a maior aquisição feita com um claro intuito: conhecer o consumidor também enquanto está no varejo físico e criar uma operação omnichannel para vender seja lá o que for, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Afinal, Bezos sabe que o consumidor é o mesmo, esteja ele no PC, no app ou na Amazon GO, onde é só encher o carrinho e deixar a loja sem nem mesmo precisar passar pelo caixa. User experience, my friend, user experience. E, mais uma vez, personalização.

Além da personalização, a diversificação

Para entender melhor onde estou querendo chegar, vale analisar as vendas da Amazon por área de negócios. Como mostra o gráfico abaixo, além das vendas online, que em 2017 geraram receita de US$ 108 bilhões, a Amazon faturou US$ 32 bilhões com a venda de serviços terceirizados (o marketplace foi lançado em 2000), US$ 10 bilhões com serviços de assinatura (como o Amazon Prime, criado em 2005, e o Kindle e-books, de 2007), US$ 17 bilhões com serviços de Internet na divisão Amazon Web Services (AWS), iniciada em 2006, e US$ 6 bilhões nas lojas físicas.

Agora, um de seus muitos próximos tentáculos será estendido, já está sendo, para publicidade por voz, disputado pela FAAG (Facebook, Amazon, Apple, Google) (tema que também explorei no meu artigo Sua Voz Pode Valer US$ 1 trilhão).

Assim como a Apple transformou a experiência de interface gráfica através de um hardware, o iPhone, que mudou definitivamente a forma como consumimos informações e produtos com um simples toque na tela, a Amazon entrará para história como a empresa darwiniana que deu à luz uma nova geração de consumidores algoritmizados; clientes híbridos homem-máquina influenciados por sistemas inteligentes capazes de dialogar com você.

Esta inteligência artificial de Bezos leva o nome de Alexa, a tecnologia de voz que irá sedimentar a liderança da Amazon no varejo mundial. Por que? Ora, porque o voice marketing será a nova frente que ampliará o leque de ofertas da empresa para garantir sua onipresença na vida dos consumidores, independente de fronteiras, moedas ou línguas. O Echo, seu smart speaker, tem a maior penetração no mercado americano, com uma fatia de 70%, de acordo com estudo da CIRP , contra 24% do Google Home e apenas 6% do Apple HomePod.

Enquanto Apple e Google concentram seus negócios em áreas específicas (hardware e software, basicamente), Bezos apostou em uma visão 360, criando primeiro um e-commerce e um e-marketplace com alcance global para, depois, agregar serviços de Internet (hosting, payment), entrega (drones) até chegar ao varejo físico e, com isso, estruturar um big data que, basicamente, sabe tudo (e cada vez mais) sobre você.

O que está faltando para Amazon reforçar sua atuação em todos os verticais do varejo? Sim, a publicidade.

A empresa entrou nesta seara há 6 anos e mostra fôlego para crescer. Hoje, contabiliza 4% do mercado americano contra 37% do Google e 21% do Facebook. Até o final do ano, deverá ultrapassar a Microsoft e a Verizon em vendas de anúncios digitais, ocupando a terceira posição e gerando uma receita de US$ 4,6 bilhões, segundo a eMarketer. Em 2020, a expectativa é que alcance 7% de market share em digital Ads.

A diferença crucial com seus competidores é que a Amazon, além de anunciar, vende e processa a transação. Bezos sabe o que você quer e está acelerando a criação da nova publicidade por voz. É aí que ela vai virar e ganhar o jogo do marketing digital. O avanço não será apenas na mídia display, em links patrocinados e comerciais em vídeos online. Na medida em que sua assistente de voz Alexa e seu smart speaker Echo, lançado em 2016, incorporarem serviços de publicidade, o domínio de Bezos se estenderá ainda mais também na zona hoje confortável de Zuckerberg e da Alphabet (Google).

A sutileza da estratégia de Bezos é “ouvir” o cliente. Literalmente. Cada Alexa instalada na casa dos consumidores coleta informações 24X7. Para ter uma ideia da dimensão da sua presença nos lares americanos, mais de 60% dos assinantes Amazon Prime possuem um smart speaker, ou seja, mais de 60 milhões de clientes apenas nos Estados Unidos. Alguém irá dizer que pode configurar a Alexa para não registrar nada, certo? Mas ela sempre registra, como no caso em que resolveu um assassinato.

E qual o segredo que tornou o Windows bem sucedido? Desenvolvedores.
E qual o segredo que tornou o iPhone bem sucedido? Desenvolvedores com modelo de receita.
Qual o segredo que pode tornar as interfaces de voz bem sucedidas ? Desenvolvedores com modelo de receita hospedados na nuvem (justamente uma das maiores fontes de faturamento da Amazon, a AWS).

Haverá, sim, o desafio da privacidade de dados, mas não há razões para duvidar que os voicebots se transformarão no principal eletrodoméstico da casa, ouvindo, analisando e sugerindo produtos para toda família. E, de novo, Bezos quer te surpreender. Recentemente, anunciou que irá oferecer “experiências de voz visualmente auxiliadas nos dispositivos Alexa de tela”.

Para avançar sobre o mercado de publicidade, a sempre disruptiva companhia desenvolveu uma nova linguagem batizada de Alexa Presentations Language, permitindo a criação de conteúdos de voz mesclados com GIFs, imagens, vídeos e apresentações de slides. A nova linguagem já está disponível para linha Echo e as TVs Fire e, em breve, para os dispositivos Fire Tablet e para equipamentos de terceiros com Alexa embarcado.

Em resumo, a Inteligência Artificial da Amazon irá sincronizar imagens e vídeos com as respostas da assistente, trazendo mais apelo visual para seduzir e converter vendas. A visão é de que os anúncios gráficos e em vídeo são menos intrusivos dos que veiculados apenas por voz. A publicidade em voz com recursos visuais irá abrir uma nova avenida de receita para Amazon e uma redução da dependência do smartphone. É isso que Bezos espera, já que a Alexa não roda em qualquer telefone e hoje a maior parte dos usuários acessa os assistentes de voz através de seus celulares.

Não tenho dúvidas de que o fundador da Amazon colocou sua equipe para trabalhar e superar esse desafio. E ele vencerá da melhor forma possível. Os consumidores estão se sentindo mais confortáveis ​​usando smart speakers e outros dispositivos ativados por voz para uma variedade de tarefas diárias. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela PwC em fevereiro de 2018 descobriu que pesquisar informações, tocar música, enviar mensagens e fazer compras estão entre as atividades realizadas pelos usuários nos assistentes de voz.

À medida que essa confiança nas primeiras comunicações de voz cresce, também aumenta o interesse por parte das marcas. Por todo mundo, empresas de todos os setores estão começando a experimentar como esses novos canais de comunicação podem ajudá-los a interagir com seus consumidores e construir engajamento de maneira mais personalizada e sem atritos.

“Uma coisa que amo nos clientes é que eles estão divinamente descontentes. Suas expectativas nunca são estáticas”, escreveu Bezos na mesma primeira carta aos acionistas. É esta eterna insatisfação que faz da sua empresa uma das mais inovadoras do mundo. E sua empresa? Está pronta para anunciar na publicidade por voz? Assim como a Amazon, é bom você começar a aprender a ouvir e, sobretudo, falar com seus clientes. E, esqueça, não será pelo call center.

Mas o leitor não deve preocupar-se enquanto as FAAG (Facebook, Amazon, Apple, Google) não resolverem o problema do vídeo abaixo, este futuro estará distante de todos.

*Omarson Costa é formado em Análise de Sistemas e Marketing, tem MBA e especialização em Direito em Telecomunicações. Outros artigos no www.omarson.com.br

 

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Investimento em tecnologia na saúde faz bem

wolters_denise.jpg*Por Denise Basow
28/11/2018 - Por mais que já se tenha muito clara a relação entre a experiência do paciente com a qualidade e a tecnologia usadas nas clínicas e hospitais, ainda se debate muito a respeito da importância de se investir em recursos que apoiem e suportem a decisão clínica e os cuidados como um todo. De um lado, a necessidade e a vontade de agregar valor, do outro, a carência de verbas. Isso é ainda mais delicado em países como o Brasil, onde o problema é um dos principais do sistema de saúde, especialmente na esfera pública.

Em 2018, o governo federal destinou apenas 3,6% do seu orçamento a esta área. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o percentual fica bem abaixo da média mundial que é de 11,7%. Esses números colocam o Brasil em uma posição meio desconfortável, mais especificamente, em 49º no ranking dos países mais ineficientes na área de saúde, segundo uma pesquisa da Bloomberg.

Embora as inovações normalmente estejam atreladas a altos valores, você já parou para pensar que não investir pode sair muito mais caro? É sabido que sistemas de saúde que não investem em tecnologia, normalmente demonstram várias ineficiências como, por exemplo, demoras para agendamento de consultas, filas no atendimento e falta de coordenação do cuidado como um todo. Sem falar de problemas como a grande variabilidade do cuidado com o paciente em diferentes regiões do Brasil. O que acaba levando a decisões erradas, testes desnecessários, diagnósticos incorretos, entre outros erros evitáveis que interferem no cuidado clínico e nas decisões tomadas pelos profissionais e até pelo próprio paciente.

Ou seja, os profissionais não têm acesso à informação necessária e à medicina baseada em evidências e, por isso, não combinam essas inovações disponíveis com a experiência que possuem. O mesmo acontece do ponto de vista do engajamento do paciente, que por falta de informação acaba não cumprindo as orientações médicas.

O diferencial está em investir em tecnologias que realmente impactem na qualidade, melhorem a efetividade clínica e ajudem a reduzir desperdícios e variabilidade no cuidado. E não pense que a tecnologia disponível hoje para a cadeia de saúde restringe-se somente a novos medicamentos ou a equipamentos de ponta. Boa parte da solução dos problemas apontados neste artigo pode ser facilmente encontrada no enorme volume de dados integrados sobre pacientes, tratamentos e doenças, disponíveis em âmbito local e global. Com o apoio da medicina baseada em evidências, é possível uma maior padronização, o que pode acabar ou diminuir o problema da variabilidade.

O Brasil ainda engatinha em alguns tópicos que diz respeito à tecnologia. Mas os hospitais, especialmente os da rede privada, têm buscado participar da elite digital mundial, almejando certificações internacionais. A adoção de algumas tecnologias têm aumentado, como a de prontuários eletrônicos, apesar de ainda ficar para trás do ponto de vista da sua utilização para o suporte à decisão clínica propriamente dita.

Apesar das adversidades e até da crise político-econômica, o país é uma das mais atraentes regiões do mundo para soluções digitais em saúde. Esse grau de demanda assistencial reprimida abre muitas possibilidades para empresas que tenham como missão melhorar a qualidade dos sistemas de saúde. A meu ver, a melhor utilização da tecnologia e da medicina baseada em evidência pode resultar em um melhor cuidado e, consequentemente, melhor experiência para o paciente.

Denise Basow, MD, CEO da Unidade de Negócios de Efetividade Clínica da Wolters Kluwer, líder mundial em fornecimento de informações para profissionais e estudantes da área da saúde. Denise iniciou a carreira como médica e passou pelo cargo de Editora-Chefe do UpToDate, até assumir, em 2015, seu papel atual.

*Por Denise BasowDenise Basow, MD, CEO da Unidade de Negócios de Efetividade Clínica da Wolters Kluwer

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Confira tendências dos meios de pagamento

bitcoin.jpg*Thiago de Azevedo
26/11/2018 - Se você ainda utiliza dinheiro e carteira para realizar os pagamentos de suas contas, saiba que essa prática está com os dias contados. A consolidação das fintechs (empresas que combinam as finanças com recursos tecnológic0s) nos últimos anos fez emergir uma série de soluções que facilitaram e simplificaram os meios de pagamentos. Hoje, os cartões de crédito e pré-pago já são uma realidade para grande parte da população, enquanto que outros recursos, como transações mobile e blockchain, já atraem os profissionais do setor. Essas empresas dependem da inovação para crescerem e competirem com instituições tradicionais. Confira cinco tendências dos meios de pagamentos:

'Fim' do dinheiro em espécie – possivelmente é a próxima forma de pagamento que cairá em desuso nos próximos anos. As facilidades tecnológicas oferecem mais segurança e tranquilidade nas operações financeiras e com um custo mais acessível. Não faz mais sentido levar uma grande quantidade de cédulas em sua carteira se você pode trocá-la por um simples e prático cartão de plástico.

Pagamento P2P – até mesmo os cartões estão se remodelando com o avanço da tecnologia e, nos próximos anos, será comum encontrar os pagamentos instantâneos pessoa a pessoa (P2P) graças aos dispositivos móveis. Os usuários podem utilizar o smartphone para fazer uma transferência instantânea a outro indivíduo em qualquer horário e lugar. O Banco Central, por exemplo, já está fazendo uma consulta pública para discutir o melhor modelo de implementação deste tipo de transação no Brasil.

Blockchain – é a tecnologia-base para as criptomoedas e, basicamente, consiste em 'blocos' de dados criptografados, aumentando a segurança por fazer com que a informação esteja em várias partes ao invés de um único lugar. Esse recurso terá um grande impacto nos meios de pagamentos, principalmente nos cartões pré-pagos, graças à capacidade de garantir a realização de transações e transferências internacionais.

Biometria – de forma resumida, é qualquer característica física dos seres humanos que pode ser digitalizada e usada como forma de identificação em diferentes plataformas tecnológicas. O uso mais comum é a utilização das digitais dos dedos para autenticar transações bancárias e iniciativas do poder público, como o processo eleitoral. Contudo, no futuro será possível realizar transferências apenas pela foto ou leitura facial, dispensando o uso da carteira e até do celular para a realização de pagamentos.

Foco no cliente – não chega a ser uma solução inovadora ou a criação de um produto, mas a atenção ao público-alvo é o que vai diferenciar uma fintech de sucesso no futuro. São as pessoas que detêm o poder de decisão na hora de adquirir um item ou contratar um serviço. Logo, ela vai buscar empresas que apresentam as melhores opções que resolverão seus problemas. Ao colocar o consumidor no centro dos processos, as organizações conseguem identificar o que elas querem e, principalmente, prever tendências para se antecipar à demanda.

*Thiago de Azevedo é CTO da Acesso

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Pesquisa revela comportamento da Geração Z

denis_cardoso_unsplash.jpg22/11/2018 - A Geração Z, formada pelos nascidos entre 1995 e 2010, desperta o interesse das empresas por sua forma de pensar, de agir e, principalmente, de consumir, uma vez que, até 2025, representará 70% da força de trabalho em todo o mundo. Para entender melhor o comportamento deste novo consumidor, o Núcleo de Estudos e Tendências da Atento realizou uma pesquisa com 500 jovens, com idades até 23 anos, moradores de diferentes regiões do País.

O estudo desvenda como esse grupo se relaciona, seus hábitos, comportamentos, bem como interage com as plataformas digitais e com as marcas. Quando o assunto é consumo, os entrevistados demonstram que valorizam muito a experiência que a marca oferece ao longo de todo o atendimento: 46% afirmaram que buscam melhores experiências e serem surpreendidos pelas empresas, enquanto 32% dão prioridade à consciência ambiental, 31% já se consideram menos consumistas e 28% valorizam a transparência das companhias.

O Respeito ao Consumidor também é uma preocupação deste público: 67% dos respondentes Z, contra apenas 47% Y ouvidos em uma pesquisa semelhante, em 2017, estão atentos a este ponto. Recém-chegados ao mercado de consumo, acima de tudo, eles valorizam um bom atendimento. O insucesso dessa jornada, inclusive, é o motivo para que 83% dos respondentes deixem de consumir determinado produto ou se relacionar com uma empresa.

De acordo com a pesquisa, a experiência positiva (73%) é o segundo fator que mais fideliza esse consumidor a uma marca, atrás somente do Custo X Benefício (79%). Esse dado da pesquisa é muito emblemático, uma vez que, para os Millennials, essa questão concentrou a resposta de 54%, uma diferença de 19% entre uma geração e outra.

Inovadores e práticos, os aplicativos móveis foram eleitos por 60% das pessoas como o melhor canal para se relacionar com as empresas. A mesma pergunta apontou o chat (50%), o telefone (48%) e presencial (44%), como boas opções. A surpresa, no entanto, ficou por conta da posição ocupada pelas mídias sociais, mencionada por 39%, em sexto lugar.

Os pontos mais valorizados por essa geração no relacionamento com uma empresa são Agilidade (83%) e Mobilidade (60%). O púbico Z prioriza poder falar com a empresa em qualquer canal e dispositivo, o que reforça ainda mais a sua preferência em um relacionamento via aplicativo - conforme mencionado acima -, ferramenta que permite o contato via dispositivos móveis, independentemente do horário ou localização do usuário.

"Trata-se de um público muito jovem, que vem trazendo ao mercado novas tendências e o amadurecimento de hábitos já adotados por seus antecessores, os Millennials. Esses resultados endossam a mudança de comportamento que vemos atualmente, em que os consumidores buscam cada vez mais as marcas que tenham alguma relação com seus valores. Eles escolhem por propósito e não somente por preço", destaca Regis Noronha, VP de Estratégia e Marketing da Atento.

Marcados pela necessidade de se comunicar com rapidez, os entrevistados afirmaram que o Whatsapp, aplicativo de troca de mensagens, é a plataforma digital mais utilizada por eles, com 94% das respostas. As redes sociais Instagram e Facebook vieram na sequência, ambas com 66%. O Youtube, embora não tenha sido o mais mencionado, já desperta mais interesse nesse público em comparação aos Millenials, tendo sido apontado em 58% das respostas. Na geração anterior, esse valor foi 10% menor.

O Youtube (46%), blogs e sites de influenciadores digitais (33%), por exemplo, são mais utilizados pela geração Z na hora de buscar informação, em comparação com os Millennials, que registraram 39% e 23%, respectivamente. "Os Millenials, por sua vez, preferem se informar por meio das redes sociais (87%), dos sites de notícia (65%) e da televisão (57%). 76% do público Z lançam mão das redes sociais para saber das notícias, enquanto 52% leem sites informativos e 48% assistem TV para saber das novidades", explica o executivo.

O interesse por novas tecnologias também foi destaque nas respostas da Geração Z, alcançando 94% dos entrevistados. Dessa população, 82% são interessados em Realidade Virtual, 55% por Inteligências Artificiais e 5% indicaram em Internet das Coisas, Energias Renováveis e Tecnologias Autossustentáveis.

"Toda essa mudança nos hábitos das gerações consumidoras promove uma transformação também nas empresas. Por isso, estamos sempre empenhados em desenvolver novas soluções, mais aderentes aos desejos dos consumidores, para garantir que a experiência no relacionamento seja sempre a melhor. Até porque as novas gerações cada vez mais conectadas desejam resolver tudo em poucos cliques", finalizada Noronha.

Crédito: Denis Cardoso / Unsplash

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