Como garantir a segurança em dispositivos IoT?

11/09/2018 - ESET revela que 70% dos usuários consideram que esses tipos de dispositivos não são seguros. Apesar disso, 62% não deixam de comprá-los

A segurança da Internet das Coisas deve ser uma preocupação. Isso porque aumentou a frequência de ataques que afetam dispositivos IoT ou detectam falhas que as empresas de tecnologia tentam corrigir rapidamente com um patch. Concentrando-se na incorporação de novos recursos e tornando os dispositivos mais fáceis de usar e conectáveis, os fabricantes geralmente negligenciam um ponto crucial, a segurança.

Os usuários estão cientes dos problemas de segurança que afetam os dispositivos IoT. A pesquisa realizada pela ESET, indica que 70% dos entrevistados consideram que esse tipo de dispositivo não é seguro, principalmente em termos de privacidade; que é onde está a principal preocupação. No entanto, 62% acredita que não deixariam de comprar esse tipo de tecnologia por esse motivo.

"Como os ataques de IoT começaram a se tornar cada vez mais comuns, questões sobre sua segurança começaram a se concentrar em quando o próximo ataque aconteceria e quantos em quantos dispositivos seriam, ao invésde quais medidas de segurança seriam implementadas para evitá-los", diz Camilo Gutierrez, chefe do Laboratório de Pesquisa da ESET América Latina. As poucas garantias da IoT são apenas notícias sobre um aumento no investimento em soluções de segurança, conforme revelado pela Juniper em um estudo recente, que mostra que os gastos com proteção para a Internet das Coisas crescerão em 300% entre 2018 e 2023.

Dispositivos conectados de maneira insegura representam um problema sério, porque as vulnerabilidades existentes podem ser facilmente exploradas pelos criminosos para criar botnets e usá-las para seu próprio benefício. Desde ataques de negação de serviço, como os realizados com o botnet Mirai, à mineração de criptomoedas, as possibilidades para os invasores são muitas e, atualmente, há cada vez mais dispositivos com falhas que podem ser exploradas como resultado de um ataque. Alguns meses atrás, um caso de roubo de dados em um cassino ficou conhecido. O ataque ocorreu por meio de um termostato inteligente em um aquário, por meio do qual cibercriminosos conseguiram se infiltrar na rede e acessar o banco de dados do cassino, roubando informações como nomes de altos apostadores e, em seguida, extrair os dados da rede para finalmente enviá-los para a nuvem.

Smart TVs, brinquedos conectados, câmeras IP, dispositivos de gravação e vários outros tipos de equipamentos podem ser vítimas de um ataque que se aproveita de vulnerabilidades existentes sem patches ou uma má política de gerenciamento. No início deste ano, Tony Anscombe, especialista em segurança da ESET, conduziu uma investigação (que levou ao desenvolvimento de um whitepaper) no qual 12 produtos de IoT projetados para a criação de uma casa inteligente são analisados em profundidade. Sua análise confirmou que cada um dos dispositivos avaliados apresentava algum problema de privacidade.

Regulamentos podem forçar os fabricantes a alocar mais recursos para tornar seus dispositivos mais seguros, ao invés de concentrar investimentos em lançar revisões de tempos em tempos. "Esse caminho é muito mais longo e mais caro, já que não se trata apenas de determinar quais medidas mínimas devem ser aplicadas em um mundo em constante mudança como é o da segurança da informação, mas também de que ele deve ser adaptado à legislação de cada país. Seja qual for o método selecionado para tentar resolver este problema, a verdade é que todas as partes devem participar de sua solução. Dos fabricantes aos usuários, passando pelos legisladores e pelos pesquisadores que descobrem as vulnerabilidades. Além disso, os processos de revisão devem ser constantes para estarem atualizados em relação às ameaças e ataques existentes", conclui Gutierrez.

 

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Por que objetos “smarts” podem ser perigosos?

vladimir_prestes.jpg*Por Vladimir Prestes
10/09/2018 - Uma vez que o mundo foi convencido sobre as possibilidades da Internet das Coisas (IoT), tudo começou a "ficar inteligente". Ao mesmo tempo, surgiu um problema: o controle dos objetos e dispositivos inteligentes, com os quais eles estão conectados, pode cair em mãos de pessoas mal-intencionadas, e quanto mais essas coisas penetram em nossa vida cotidiana e sabem demasiado sobre nós, mais séria a ameaça se torna. Geralmente, os fabricantes de dispositivos inteligentes lançam seus produtos, e só depois resolvem os problemas relacionados à segurança. Isto por que:

1. O fabricante implementa um sistema de proteção simplificado

A grande quantidade de dispositivos genéricos de origem desconhecida que suportam conexão com a rede tem um procedimento de autorização, mas logins e senhas já vêm pré-definidos de fábrica e, muitas vezes, os usuários não alteram as configurações após a compra do equipamento. Isso faz com que os dispositivos fiquem vulneráveis e é dessa fragilidade que os fraudadores se aproveitam.

2. O fabricante "esqueceu" de remover vulnerabilidades do dispositivo

Temos como exemplo casos quando a versão de lançamento de um produto deixou disponível uma das contas utilizadas no processo de desenvolvimento do programa. Isso aconteceu com o roteador D-Link DWR-932 B LTE, que entrou no mercado com duas contas administrativas disponíveis e algumas dezenas de vulnerabilidades de gravidade variável. E, mesmo assim, a D-Link não demonstrou intenção de repará-las.

3. O fabricante não reconhece as falhas como um problema

"Isso não é uma falha. É uma função adicional!" – assim respondem muitos dos fabricantes de coisas inteligentes às reclamações sobre as vulnerabilidades. E, aqui, podemos nos lembrar do caso com a empresa Xiaomi, em que o desenvolvedor pode instalar remotamente qualquer aplicativo em seus smartphones. Foi o que descobriu um estudante, que notou um estranho aplicativo - AnalyticsCore.apk - pré-instalado no smartphone Xiaomi MI4 e que funciona em modo 24/7. O interessante é que não há como se livrar do aplicativo, já que mesmo depois de totalmente desinstalado, o AnalyticsCore.apk aparece novamente no aparelho depois de um tempo.

4. Os dispositivos possuem funcionalidades das quais não se pode escapar

Alguns "dispositivos inteligentes" são equipados com funções que possuem componentes "spyware". A saída mais simples pode ser desligar a função, caso isso funcione. Foi assim com as TVs LG que enviavam o tráfego de informações independentemente de o usuário permitir sua coleta ou não. Ao ser questionado por um usuário sobre isso a LG simplesmente o aconselhou a conformar-se com a situação.

Em que patamar está atualmente a segurança da IoT?

Cada fabricante tenta fechar seu ecossistema, criando protocolos exclusivos e, portanto, incompatíveis com outros dispositivos. Gradualmente, a maioria deles deixará o mercado, enquanto outros surgirão buscando estabelecer-se como padrão universal – como aconteceram com os cassetes de áudio e vídeo, discos de vinil e sistemas operacionais móveis. Ainda há muitos protocolos (ZigBee, Insteon, Z-Wave, etc.), mas em breve o mercado determinará de dois a três modelos que acabarão sendo usados pelo mundo inteiro.

Hoje, existem muitos dispositivos e não são necessários conhecimentos específicos para que estes sejam hackeados. A partir disso, surgem ataques de softwares maliciosos e uma série de outras ameaças. No entanto, a ameaça não se limita aos botnets. Assim, a partir de pulseiras inteligentes, são "vazados" diferentes dados sobre a vida do usuário ou informações enviadas para redes sociais acabam sendo interceptadas. O caso recente das pulseiras inteligentes da empresa Strava é uma ameaça direta à paz e segurança internacionais - o serviço carregava as rotas do usuário em um mapa interativo e "revelou" a disposição de instalações secretas em todo o mundo.

E quanto aos smartphones?

Desde que o serviço de internet banking se tornou popular, notícias sobre roubos de saldos de contas através do sistema Android em smartphones deixaram de nos surpreender.

Para o que devemos estar preparados?

Embora o problema seja evidente, apenas recentemente foram tomadas medidas concretas para a solução. Os documentos, sob os títulos "Princípios estratégicos para garantir a segurança da Internet das coisas", de novembro de 2016, e "Incentivo ao avanço da Internet das Coisas", de janeiro de 2017, com informações básicas e recomendações para o uso da IoT, foram divulgados pelos Ministérios da Segurança Nacional (Department of Homeland Security, DHS) e do Comércio (Department of Commerce) dos EUA, respectivamente. A aliança para a "segurança em nuvem" (Cloud Security Alliance, CSA) também contribuiu para o desenvolvimento do manual de segurança da IoT.

Contudo, apenas documentos não são o suficiente nestas situações. Paradoxalmente, a maior dificuldade em garantir a segurança da Internet das coisas é ocasionada pelos próprios usuários. Por exemplo, temos dois dispositivos inteligentes com funções semelhantes: o primeiro oferece alto nível de proteção, mas seu preço é muito mais elevado se comparado ao outro dispositivo desprotegido. Na maioria dos casos, o usuário não pode avaliar objetivamente a ameaça, por isso escolhe a opção mais barata. Outro aspecto deste problema é que os consumidores não são especialistas em proteção de dados e, por isso, não estão preparados para compreender os manuais com dezenas ou centenas de páginas. O usuário quer que tudo seja simples e rápido e o fabricante vai de encontro a esta expectativa lhe propondo executar tudo rapidamente.

Podemos avaliar esta questão a partir de diferentes pontos de vista. Por um lado, falando da vida privada, em que cada usuário adquire um dispositivo e é responsável pelo seu uso. Por outro, falando da vida em sociedade, onde o usuário pode levar seu dispositivo inteligente para o trabalho. Para evitar diferentes tipos de problemas com a IoT no local de serviço, é necessário treinar os funcionários implementando políticas e tecnologias de segurança e desenvolvendo habilidades para operar junto com a IoT.

Uma ligação óbvia entre o vazamento de dados e a IoT foi demonstrada por especialistas do centro de segurança da Universidade de Tecnologia e Design de Cingapura: eles conseguiram acessar dados pessoais usando um drone e um smartphone. O smartphone acoplado ao drone voou em torno de um prédio de escritórios, procurando por impressoras com a função Wi-Fi Direct e conectou-se à rede com o nome de uma das impressoras. Como resultado, todos os documentos enviados para impressão foram carregados para o smartphone. Apesar do método de invasão, os cientistas demonstraram que proteger uma impressora sem fio é um problema sério, uma vez que muitas informações confidenciais passam por ela. Para controlar as informações enviadas às impressoras, é melhor usar um sistema DLP, mas proteger o dispositivo contra invasões é tarefa dos fabricantes.

De acordo com a Gartner, o número de objetos conectados à Internet crescerá para 20,4 bilhões até 2020. Essa rede armazenará uma série de dados críticos, cujo vazamento poderá causar danos não apenas indivíduos ou organizações, mas também a economia do país como um todo. E, está claro que a velocidade do desenvolvimento das soluções para proteção de dados da IoT, ainda é significativamente inferior à velocidade da entrada de dispositivos inteligentes em nossas vidas.

*Vladimir Prestes é Diretor Geral da SearchInform no Brasil, empresa russa que atua no setor de sistemas de segurança da informação

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As Cidades e a Transformação Digital

sylvio_mode_autodesk.jpg*Por Sylvio Mode
05/09/2018 - Os últimos eventos esportivos que colocaram o Brasil e, principalmente, o Rio de Janeiro, no radar mundial foram um impulso muito importante para que as capitais do país passassem a investir em recursos que as elevassem (mesmo que em pequenas proporções) a cidades inteligentes (ou Smart Cities). Iniciativas na área de segurança, energia, mobilidade, limpeza foram uma importante vitrine para os turistas que vieram para Copa e Olimpíadas há cerca de dois anos. Independente do legado (ou não legado, no caso), 2016 foi um ano marcante para que as Cidades Inteligentes entrassem definitivamente na agenda do governo e de empresas ligadas à inovação no Brasil.

E de lá para cá, o que temos feito de novo? Algumas cidades estão sim investindo em soluções mais inteligentes. Em recente matéria, o Valor Econômico, apontou iniciativa da Energisa em Cataguazes, cidade do Sul de Minas, com previsão para implementação até setembro. A cidade deverá passar a ter medidores e iluminação inteligentes, micro geração distribuída de energia solar, inovações em mobilidade urbana, entre outras iniciativas. A aplicação da tecnologia para a energia, por exemplo, permitirá soluções cada vez mais sustentáveis.

No mundo, temos resultados concretos do avanço tecnológico e da necessidade de reflexão sobre recursos sustentáveis em espaços urbanos. Até porque, no cenário atual, estima-se que até 2050, cerca de 66% da população mundial viverá nas grandes cidades – o que é quase o dobro do que existe atualmente. No Brasil, com mais de 80% de concentração nos centros urbanos, essa realidade se impõe e reforça a importância de iniciativas voltadas a um crescimento sustentável e inteligente.

Se pensarmos no  desafio de minimizar impactos ambientais e promover um ambiente urbano de qualidade para as gerações futuras, precisamos acelerar o passo e apostar em modelos que reforcem conceitos capazes de tornar o mundo mais igualitário em oportunidades, com a adoção de modelos de negócio que fomentam a economia criativa, compartilhada e que gerem impacto positivo e oportunidades sociais.

Neste contexto, o desenvolvimento das cidades ‘inteligentes e conectadas’ se torna um fato se a tecnologia utilizada nos serviços disponíveis (seja transporte/mobilidade, coleta de resíduos, segurança pública, água, energia) existirem de forma integrada. Cidades conectadas contribuem para o crescimento econômico, pois colaboram com a sociedade e tornam a gestão pública mais eficiente.

A Autodesk é uma empresa com foco em inovação, e sua tecnologia permite o design e a criação de projetos que trazem soluções inteligentes em diversas áreas. Um importante exemplo disso, voltado para o mercado de arquitetura e construção, são as soluções de BIM (Building Information Model). Em poucas palavras, o BIM é um conjunto de ferramentas que aumenta a produtividade, a eficiência e a transparência de projetos de edificação, urbanização e de infraestrutura.  

Qual é o ganho que o BIM leva ao planejamento urbano? A proposta é visualizar uma cidade (ou projeto) virtual, para que seja possível o desenvolvimento de projetos eficientes, ambientalmente corretos e mais econômicos, com dados atualizados diariamente, oferecendo assim confiabilidade e resultados verificáveis, além de conseguir comunicar de forma eficaz as soluções para qualquer público.

Integração, conexão, eficiência – daqui para a frente é assim que temos que enxergar qualquer projeto de impacto urbano. Só assim teremos as nossas cidades mais inteligentes.

*Sylvio Mode é presidente da Autodesk Brasil

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Caminhos e desafios no mundo dos negócios

ednalva_vasconcelos_sas.jpg*Por Ednalva Vasconcelos
O que me move são os desafios. Essa é uma verdade que se aplica não apenas à minha vida profissional, mas também à escolha dos meus hobbies. Um deles, e que me proporciona muita alegria, é o off-road, sonho de menina que coloquei em prática há cerca de quatro anos e me obriga a lidar com obstáculos de todos os tipos, vivenciando muitas aventuras e desbravando o mundo a bordo de um Jipe. Nessa jornada, o maior desafio é, sem dúvida, é chegar ao meu destino.

Na trajetória de qualquer profissional que lide com grandes responsabilidades, sejam elas quais forem, a busca por resultados é uma constante. Mas a vida não é só trabalho. Por isso, praticar uma atividade que mescle prazer pessoal com grandes desafios faz uma enorme diferença, pois nos traz lições que, em alguns casos, podem ser colocadas em prática em no ambiente corporativo.

Não é raro que as atividades esportivas ou o trabalho voluntário, por exemplo, muitas vezes estimulem um espírito de trabalho em equipe e muita criatividade para superar obstáculos, mostrando diversas oportunidades para que possamos aplicar esses elementos em outros aspectos de nossas vidas.

No trabalho, em um só dia podem surgir demandas com diferentes níveis de complexidade, mas as experiências vividas em outro ambiente podem servir para trazer uma luz e ajudar na busca da melhor solução. As lições tiradas do trabalho em equipe desenvolvido fora da empresa, em qualquer atividade, tornam-se fundamentais e podem e devem ser usadas sempre que o momento exigir.

Diante de uma diversidade de situações, a mente precisa se adaptar rapidamente e de uma forma lógica. No meu caso, quando pratico o off-road, ocorrem situações onde nos deparamos com algumas surpresas. Em certa ocasião, fiquei sem gasolina em um lugar remoto do sul da Bahia. Como gosto de perguntar e pedir ajuda a todo mundo, não me fiz de rogada, consegui o combustível, agradeci e fui embora.

O mesmo poderia ter acontecido no ambiente de trabalho. Nessas horas, é importante identificar rapidamente o problema, analisar outros pontos de vista e buscar uma rápida solução, se necessário usando apenas os recursos disponíveis. Em alguns casos, é necessário ter paciência para driblar as adversidades e evitar que elas determinem o grau do desafio a ser enfrentado.

Atividades, digamos, "extra-campo" servem como um laboratório de ensaio e de aprendizado contínuo para diversas situações que você poderá enfrentar em sua vida, seja no âmbito pessoal ou profissional. Às vezes, pode ser necessário um pouco mais de tempo para amadurecer uma ideia ou solução e isso pode nos trazer algo valioso: a paciência. Se em cinco minutos não for possível vencer um desafio, melhor fazê-lo em dez, mas de forma eficiente.

Além de todos estes aprendizados, os desafios nos dão a necessidade de pensarmos fora da caixa e em equipe. Se ficamos isolados e concentrados somente no que é mais fácil de fazer, as soluções criativas custam a aparecer. Se você um dia se deparar com uma estrada muito sinuosa e enlameada - seja na vida ou nos negócios -, meu conselho é: junte-se a pessoas que possam te ajudar, questione, vença o medo e siga em frente.

* Ednalva Vasconcelos é diretora financeira do SAS América Latina

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A realidade mista irá mudar nossa forma de viver?

luis_alexandre.jpg*Por Luiz Alexandre Castanha
29/08/2018 - Ao acordar de manhã, você pega o celular ao lado da cama e começa a ler as mensagens. O tempo em que você esteve dormindo, em uma “realidade paralela”, é retomado ali, e, em um clique, você consegue recuperar tudo aquilo que deixou de ler ou saber enquanto “perdia” algumas horinhas durante o sono.

Você se reconhece nessa situação? É que a tecnologia está conosco todo o tempo. E a verdade é que a comunicação e a conexão promovidas por ela estão definindo os próximos passos da história da humanidade.

Os smartphones, um dos objetos mais emblemáticos dentro da sociedade multitela em que vivemos, são a prova disso. Segundo matéria da revista Superinteressante, há mais chips de celulares no mundo (6 bilhões) do que escovas de dentes (4,3 bilhões). Ou seja, é como se estivéssemos mais preocupados com a tecnologia do que com um hábito de higiene.

É claro que esses números são relativos, mas indicam o fascínio que temos pelas diferentes formas de viver a realidade que só as inovações tecnológicas podem nos trazer, ao personalizar experiências e nos fazer aprender e desenvolver nosso conhecimento.

Já temos um pacote de novidades realmente empolgante: a inteligência artificial é cada dia mais precisa, os objetos com interface de voz se comunicam com o dono, e até grandes corporações, como a Marvel, usam big data para analisar, por exemplo, a resposta do público aos seus heróis. E olhando por um lado otimista, se bem aplicada, a tecnologia pode ter realmente a capacidade de “nos salvar”, ao promover grandes revoluções na forma que vivemos e nos relacionamos.

Mudou muito, por exemplo, desde meus tempos de faculdade. Como sempre adorei tecnologia, à época, tivemos um serviço de videotexto em casa para consultar a programação de cinema, na tradicional tela de fósforo verde. Fiz muitos trabalhos de faculdade, pesquisas com dicas de bares. Tudo isso era o máximo que esses aparelhos podiam nos proporcionar – e já achávamos incrível.

É fato que, de lá para cá, tudo ganhou qualidade e agilidade: muito mais cores, maior definição e maior velocidade nos dispositivos, internet 5G e, claro, celulares (que cabem nos nossos bolsos) muito mais potentes do que os computadores que auxiliaram o homem a chegar pela primeira vez à Lua.

Mas, apesar de toda essa incrível evolução, penso que agora tocamos em uma nova fronteira: a de sairmos da realidade 2D, para avançarmos para o holográfico e às realidades em que ambiente, som e localização também sejam alteráveis.

A realidade mista é um dos caminhos mais promissores e, apesar de os dispositivos ainda não serem tão acessíveis, transformará nosso futuro. Os óculos lançados pela Microsoft, “HoloLens”, são um exemplo incrível: com o gadget, é possível interagir com hologramas no seu mundo real. Eu mesmo experimentei alguns óculos holográficos e posso dizer que viver entre a realidade real e virtual mudará nossa maneira de trabalhar, se divertir e aprender de um jeito que nunca vimos.

Imagine você que depois de alguns cliques e ajustes na configuração, será possível ter um instrutor de musculação dentro de sua sala passando dicas sobre exercícios físicos. Ou então, colocar objetos de arte em uma estante virtual no corredor de sua casa. Nós, que estudávamos com enciclopédias, nos tornamos quase homens das cavernas frente à tecnologia que está sendo testada em vários lugares do mundo.

A gigante Disney, por exemplo, também embarcou nesta nova onda. Há um projeto muito interessante de realidade mista feito pelos pesquisadores da empresa, o “Magic Bench”, ou “Banco mágico”. De forma fácil, as pessoas vivenciam uma experiência combinada de realidade mista e aumentada e interagem com um personagem – um elefantinho holográfico – sem a necessidade de dispositivos como monitores.

Segundo a descrição da empresa, o usuário vê uma imagem espelhada em uma tela grande na frente, como se visse a cena acontecendo pelo olhar de uma terceira pessoa. Tudo, então, é reconstruído usando um sensor de profundidade e o participante ocupa, de fato, o mesmo espaço 3D que o personagem.

Essa é uma realidade particularmente intrigante para nossos tempos; tanto que faz o passado soar um pouco vintage. Estamos prontos para imergir em experiências multisensoriais que a realidade mista pode nos proporcionar – e, junto com as novas gerações, fazer da tecnologia a nossa melhor aliada para ganhar conhecimento.

*Luiz Alexandre Castanha é diretor geral da Telefônica Educação Digital e especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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Open banking e a desconcentração bancária

quanto_taveira.jpg*Por Ricardo Taveira
28/08/2018 - Não dá mais para negar os benefícios da mais nova tendência no setor financeiro, o open banking, modelo que devolve ao cliente final a portabilidade de seus dados bancários e permite que ele acesse e movimente suas contas por meio de diferentes plataformas, sem depender do internet banking e do aplicativo de seu banco. Com o anúncio oficial por parte do Banco Central da regulamentação, ainda em 2018, do open banking, aquilo que era tendência vira uma realidade concreta e imediata.

Um tema relevante que o avanço open banking coloca no centro do debate e que vale analisar é o da desconcentração bancária. O problema da concentração é uma pedra no sapato da economia brasileira. Em junho, o Banco Central (BC) admitiu que o Brasil está entre os países com maior concentração bancária do mundo. De acordo com o seu Relatório de Economia Bancária (REB), que reuniu dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em 2016 os cinco maiores bancos do país - Caixa, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander - controlavam, juntos, 82% dos ativos.

Com uma política regulatória que até agora prezava pela estabilidade acima da competitividade e inovação—algo parcialmente compreensível, dado o nosso histórico macroeconômico—, o resultado prático para o consumidor não poderia ser diferente: pouca oferta, pouca inovação e preços maiores.

O processo de "reação" por parte do próprio BC não se iniciou agora com a objeção da compra feita pelo Itaú da XP ou até mesmo com o anúncio da regulamentação do open banking, mas muito antes, em 2013, com a regulamentação das "Instituições de Pagamento" (IP). Naquela época, o BC inovou ao criar um "banco light", que poderia prover serviços básicos bancários como conta, com serviços de recebimento e pagamento, desde que respeitada a condição de que o dinheiro do cliente não poderia ser colocado em risco ao ser emprestado para terceiros. As instituições de pagamento, com a obrigação do que seria na prática um "compulsório" de 100%, nem teriam a necessidade de se filiar ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma vez que todos seus recursos seriam depositados no Banco Central ao fim de cada dia.

Desde então, vimos uma explosão das "IPs" no mundo de cartão pré-pago, cartão de crédito, entre outros. Até mesmo uma fintech que poderia se tornar banco comercial sem muito esforço, como o Nubank, optou por permanecer como "IP" quando lançou, em 2017, a sua "Nuconta". Se em 2013, a lei da Instuição de Pagamento ajudou a trazer inovação e concorrência pelos novos "bancos", a regulamentação do open banking trará a concorrência para dentro dos bancos existentes.

A regulamentação, que de acordo com o BC deve sair até dezembro, permite expandir a oferta de produtos e serviços financeiros a um menor custo e com melhor experiência para o consumidor, o que deve pressionar os bancos a reverem suas estratégias e reajustarem seus preços de acordo com a concorrência. É a velha lei da oferta e da procura em favor do consumidor e sem alterar a estabilidade do mercado.

Além disso, a melhora na análise de crédito dos clientes, possibilitada pelo acesso aos dados bancários via APIs (Interfaces de Programação de Aplicativos, em inglês), pode contribuir para reduzir os juros e derrubar o elevado índice de inadimplência – segundo o Serviço de Proteção de Crédito (SPC), até julho deste ano, o país somava 63,4 milhões de inadimplentes, quase o equivalente à população da Itália.

Como se vê, a tecnologia aponta para um novo ciclo de estabilidade no mercado financeiro. Dito isso, é bom fazer uma ressalva: os bancos consolidados não devem temer o futuro que se desfralda diante de seus olhos. Isso porque, se por um lado o open banking acirra a concorrência, por outro ele estimula a cooperação.

Afinal, esta será a chance de um setor tradicional se renovar dentro de um ambiente de disputa saudável, redefinindo seu portfólio de produtos que pode, inclusive, ser complementado com a oferta de outras fintechs. Na França, por exemplo, o BPCE, o segundo maior grupo bancário daquele país, oferece dentro de sua plataforma de varejo o serviço de remessa de câmbio da fintech Transferwise, à despeito de naturalmente já possuir uma área de câmbio tradicional. O raciocínio—já consagrado por atores como Amazon, que abraçaram o marketplace em seus mercados—é simples: a única coisa pior que a redução de margem que vem com a distribuição de produtos de terceiros, é a chance de perder o cliente por completo quando se oferece um mix de produtos sem competitividade de preço e péssima experiência de usuário.

Apesar da excelência de fintechs como o Nubank causarem consternação na medida que lançam novos produtos, basta lembrar a evolução do iPhone para concluir que, mesmo com produtos excelentes, um ecossistema fechado não consegue concorrer com a inovação descentralizada das plataformas—algo evidente quando se confronta o marketshare de 85% do Android contra os 14% do iOS, sem desmerecer a excelência reconhecida do iPhone.

Se a inovação e excelência de algumas empresas já trazem pressão competitiva para os atores tradicionais, a regulamentação do open banking tem o duplo papel de catalisar inovações ainda maiores e fornecer a ferramenta para a reação por meio de novas parcerias.

*Ricardo Taveira é CEO da Quanto O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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