Henrique Cecci: Tudo precisa de infraestrutura

henrique_cecci_3.jpgPor Ethevaldo Siqueira
12/03/2020 - Henrique Cecci, diretor de pesquisas do Gartner concede entrevista exclusiva ao portal Mundo Digital. A seguir, um resumo dos principais temas tratados.

“Tudo precisa de infraestrutura” — afirma Cecci. “É uma das áreas mais importantes para as empresas, para operar, e que está se transformando muito rapidamente, por conta de cloud computing, de inteligência artificial ou de edge computing, seja por conta de outras tendências, como quase tudo em Tecnologia da Informação. Mas essa área corresponde ao alicerce ou às fundações sobre a qual colocamos nossas aplicações e da parte operacional das empresas.”

Henrique Cecci lembra que “antigamente a parte de Infraestrutura era mais centralizada. Hoje é mais distribuída, mais conectada, com tecnologias, novas formas de se fazer as coisas de antigamente e muita automatização — o que vai transformando aquilo que era uma infraestrutura isolada e mais dedicada apenas à empresa.”

Há, portanto, uma grande transformação dessa área. “No passado, as pessoas responsáveis por essa área eram muitas vezes consideradas como profissionais de suporte – ou seja – pessoas que cuidavam da infraestrutura, como uma área auxiliar. Hoje, essa é considerada, na expressão em inglês, “infrastructure-led disruption” – ou seja, disrupção conduzida ou alavancada pela infraestrutura.”

Mas essa é uma disrupção positiva porque a área de infraestrutura consegue trazer para as organizações. “O líder dessa área não é mais uma pessoa que se comporta como suporte para a operação de negócios, como era visto no passado. Hoje, não, pois essas pessoas lideram muitas vezes essa disruptura nas empresas, porque elas possibilitam coisas que, no começo não podiam ser realizadas ou alcançadas. Seja nas plataformas digitais, seja ao capacitar a empresa a operar em modelos operacionais que não existiam.”

Vejamos a questão da mobilidade, que chamamos de “mobile”. Podemos ter plataformas móveis, usar essas aplicações e distribuir em outras plataformas. Não só em aplicações de mobile, mas de edge computing e de internet das coisas. O profissional dessa área que antes era visto como uma pessoa que apenas auxiliava as demais áreas de aplicação e de negócios, hoje tem outro papel. Antes ele era liderado. Agora ele lidera. Como o lema da Cidade de São Paulo, Non ducor, duco. Não sou conduzido, conduzo.

As empresas perceberam que a área de infraestrutura é muito importante porque está em permanente transformação. E não dá para o responsável por ela permanecer passivo diante das mudanças. Ele precisa ter a capacidade de influenciar as decisões, de alterar procedimentos ou o modo operacional da empresa, que depende da infraestrutura computacional que ela tem.

No passado não se pensava muito em externalizar o conteúdo de informações de uma empresa, o que só veio a acontecer em grande escala com a chegada da Cloud Computing, que se tornou, na realidade, um outro fator de mudança nessa área. Vale lembrar que Cloud tem pouco mais de 13 anos de existência desde os seus primeiros serviços.

Hoje ela é um instrumento de inovação e não apenas uma opção de computação externa. Hoje em dia, os fornecedores de Cloud oferecem uma grande quantidade de serviços. A questão ou desafio hoje é, primeiro, adequar o que deve ser o primeiro modelo para o seu caso, o da sua organização. Cloud é algo fantástico para muita coisa, mas não para tudo. O importante é saber o que faz sentido e o que não faz.

Cloud poderia significar sempre uma forma de redução de investimentos em infraestrutura?

Henrique Cecci: Sim e não. Infelizmente não existe uma resposta única para tudo. Há situações que sim, em que se consegue reduzir o custo. Primeiro, temos que considerar se se trata de custo total. É preciso saber bem que tipo de custo estamos comparando. Cloud pode ser uma solução bastante cara.

É verdade que Existem provedores de serviços dos quais se podem comprar os serviços sem necessidade de se fazer o investimento?

Henrique Cecci: Sim. Cada vez mais se fala de infraestrutura flexível. Assim, há modelos que nos permitem usar serviços e infraestrutura de dentro de casa ou de fora de casa. Mas não podemos generalizar quanto às soluções externas. Há casos em que as soluções são muito boas para certas situações, dependendo do tipo de aplicação. Outros tipos de aplicações, que são únicas, mais exclusivas.

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