A importância e os desafios do uso da IA na medicina

hackmed_2020.jpgPor Thais Sogayar
05/02/2020 - Especialistas se reuniram no Hackmed Conference em São Paulo para discutir como a inovação pode impactar o setor

A inteligência artificial (AI) tem revolucionado a forma como as organizações se relacionam com as pessoas, otimizam processos e geram resultados. O crescimento dessa tecnologia na área da saúde se deve ao suporte em tempo real e assertivo de tarefas como coleta e análise de dados dos pacientes, prevenção de doenças e diagnósticos precoces e orientação personalizada de tratamentos. Além disso, os benefícios se estendem também à otimização de processos operacionais. Um exemplo é o registro eletrônico de prontuários médicos, que centraliza e analisa as informações do paciente, facilitando a tomada de decisões e diminuindo o tempo na organização desses documentos. Crédito: Ivan Cruz


  Da esquerda para a direita: Jackson Barros; Gisselle Ruiz Lanza; Paulo Hoff; Margareth Amorim; Paulo Chap Chap; Edgar Rizzattii e o moderador Fábio Jatene, Professor Titular da Disciplina de Cirurgia Torácica da FMUSP / Crédito: Ivan Cruz

Segundo Paulo Chap Chap, Diretor Geral do Hospital Sírio-Libanês, o uso da IA deve ser feito com cuidado, pois o algoritimo pode ser "ensinado" a selecionar pessoas com um viés sexista, racista, por exemplo. Ele acredita que “a presença humana na auditoria dos resultados de algoritmos é fundamental”. Ele também lembra a má qualidade dos dados que podem ser gerados, erros não intencionais que podem ser um outro problema a ser enfrentado.

De acordo com Paulo Hoff, Diretor Geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, “o grande problema da utilização do prontuário eletrônico hoje nos EUA é esgotamento dos médicos que têm que atender os pacientes no menor tempo possível, e além disso devem gerar dados nos prontuários que não são amigáveis, causando um grande problema para os profissionais da saúde”.

À esquerda Paulo Chap Chap, Diretor Geral do Hospital Sírio-Libanês e à direita Edgar Rizzattii, Medical and Technical Executive Director do Grupo Fleury durante Hackmed Conference em São Paulo realizado em São Paulo / Crédito: Ivan Cruz

Hoff acredita que existem várias aplicações da IA, que essa tecnologia já está presente, é necessário entender como a ferramenta deve ser usada. “Depende do que foi projetada, e como vai ser utilizada. Cabe a nós médicos, ajudar a implementar como serão utilizados”, finaliza o Hoff.

Do ponto de vista da segurança dos dados, é essencial o cuidado não apenas com a proteção dos dados pessoais dos pacientes, mas também no cuidados com as informações que envolvem o tratamento das terapias que foram utilizadas, e dos resultados obtidos.  

“Os fabricantes precisariam ter um ‘feed back’ da utilização desses dispositivos para aprimorar as ferramentas, assim como o uso dos medicamentos. Ao se extrair esses dados, deve haver uma curadoria dos mesmos, para que sejam revertidos em melhorias no atendimento aos pacientes”, ressalta Margareth Amorim, especialista em Transformação da SAP Brasil.

Aproveitando o gancho, Edgar Rizzattii, Medical and Technical Executive Director do Grupo Fleury destaca a importância de uma participação mais ativa dos médicos em pesquisas e na criação de uma massa crítica dentro das instituições, “para que possamos analisar e limitar o uso dessa tecnologia, quando for necessário”.

À esquerda Jackson Barros, Diretor do Departamento de Informática Médica do SUS; Gisselle Ruiz Lanza, Diretora Geral da Intel; e à direita Paulo Hoff, Diretor Geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo / Crédito: Ivan Cruz

Ao receitar algum medicamento ou procedimento, é essencialorientar os pacientes sobre os efeitos colaterais e limitações. E essa é a mesma situação que envolve o uso da IA, “até porque deverão surgir problemas que ainda não conhecemos”, finaliza Rizzattii.

Já Jackson Barros, Diretor do Departamento de Informática Médica do SUS, defende a integração entre sistemas de prontuários, para que todo o histórico do paciente esteja disponível para o médico, durante uma consulta. Quando foi convidado para o ministério, uns dos desafios a ser enfrentado foi o de montar o Prontuário do Cidadão.

Um projeto de lei em discussão no Congresso pretende ligar todos os estabelecimentos de saúde a uma rede nacional, “sejam eles do SUS, privados ou públicos. O projeto piloto chamado Conecte SUS foi lançado em novembro de 2019 na cidade de Alagoas, e deve ser lançado a partir de maio em todo o Brasil”, explica Barros.

Jackson Barros conta que são gastos aproximadamente R$ 300 milhões por mês com a Farmácia Popular e no momento não existem dados que informem se esse investimento é válido, ou seja se impede que o paciente seja internado. ”Esses dados já estão sendo analisados,” avalia o especialista.

Qual a relevância do investimento IA na área de saúde?

Para Gisselle Ruiz Lanza, Diretora Geral da Intel, o investimento é importante, mas é essencial a colaboração do ecossistema, como profissionais de saúde, instituições saúde, que na maioria das vezes não é percebida pelo setor.

Estima-se que até 2025 o uso dessa tecnologia aplicada no setor de saúde vai movimentar globalmente 34 milhões de dólares. Vai haver um alto investimento e impulsionado com o desejo de automatizar algumas tarefas, principalmente no gerenciamento de dados. De acordo com dados do IDC, empresa global de inteligência de mercado, até 2021 cerca de 20% das organizações de saúde terão alcançado de 15 a 20% de ganhos de produtividade por meio da adoção da tecnologia artificial. Vale ressaltar que esses dados indicam que devemos estar atentos e identificar como utilizar da melhor forma a IA na área de saúde

Lanza lembrou a chegada da tecnologia 5G, tanto no mundo, como no Brasil. "Estamos falando de um acontecimento que em breve estará disponível no país, e os avanços que essa tecnologia trará, passa por elementos como a telemedicina, medicina preventiva usando deep learnig (aprendizado de máquina), levando mais informações para o médico", finaliza a executiva da Intel.

Veja a entrevista de Jorge Paulo Lemann durante o Hackmed Conference & Health Hackathon aqui:

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