Smart Cities, as GEOCidades 4.0 pedem passagem

emerson_granemann.jpg*Por Emerson Granemann
30/10/2019 - O crescente uso das novas tecnologias e da internet das coisas no desenvolvimento urbano criou um novo conceito de cidade, a chamada smart city. Mas será que entendemos de fato o que é uma cidade inteligente e como construí-la? Afinal, as smart cities já se tornaram um assunto essencial na discussão global sobre o desenvolvimento sustentável. Estudo da consultoria Frost & Sullivan prevê que o mercado global de cidades inteligentes movimentará US$ 2,4 trilhões em 2025.

Os investimentos em smart cities puxarão outros segmentos, como o de internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). Apenas em IoT, o volume será de US$ 330 bilhões em 2025 – mais de quatro vezes os US$ 79,3 bilhões movimentados em 2018, de acordo com a consultoria americana Zion.

Apesar dos enormes desafios urbanos enfrentados pelos municípios brasileiros, podemos ver que já há muitos avanços nessa área no País, como vemos em cidades como Campinas, no interior de São Paulo. O município ficou na primeira colocação no Ranking Connected Smart Cities, divulgado neste mês de setembro pela empresa de consultoria e inteligência de mercado Urban Systems, de atuação nacional, com o objetivo de mapear os municípios com maior potencial de desenvolvimento no País.

Campinas se destacou principalmente nas áreas de economia e inovação. A instituição considera 70 indicadores que são avaliados nos municípios. O total de total de pontos é 69,5 e Campinas recebeu nota 38,77. Foi a primeira vez que uma cidade que não seja capital lidera a lista.

Mas o estudo mostra que ainda há muitos desafios pela frente. "A distância do total de pontos máximos das primeiras colocadas mostra uma situação já compreendida entre os estudiosos de cidades inteligentes, a dificuldade em uma mesma cidade se destacar em mais de um eixo daqueles que compõe o estudo de cidades inteligentes, e neste caso, conectadas", afirma a instituição. Segundo a pesquisa, as cidades internacionais que são exemplos de cidades inteligentes também se destacam, muitas vezes, em eixos específicos, como mobilidade, urbanismo, tecnologia e inovação ou segurança, por exemplo.

"Isso demonstra a necessidade dos gestores públicos, e de todos aqueles envolvidos no planejar as cidades, da importância de avaliar e diagnosticar sua cidade, tendo em mente o conceito de conexão entre os eixos, permitindo pensar uma maior integração nas ações de desenvolvimento da cidade", diz a análise publicada no ranking. São Paulo (38,505 pontos) e Curitiba (38,016 pontos), respectivamente segunda e terceira colocadas no ranking, ficaram bem próximas. Jundiaí, a décima colocada, ficou com 35,417 pontos.

A geógrafa e Master Coach de Cidades Inteligentes, Grazi Carvalho, durante suas assistências aos municípios, costuma estimular os gestores a se perguntarem: Qual a cidade que temos? Qual a cidade que queremos? E qual o caminho mais rápido, eficiente e sustentável para alcançarmos o objetivo definido? A partir dessas respostas é possível projetar as inovações de acordo com as necessidades e as possibilidades de cada região.

A transformação de uma metrópole vai muito além da instalação de Wi-fi 4G ou 5G nos lugares públicos, e tampouco se faz com sensores de iluminação e meteorológicos em todas as ruas. É importante ressaltar que não existe um conceito absoluto de cidades inteligentes, mas um processo de construção de projetos integrados que as tornam mais habitáveis e capazes de incorporar soluções tecnológicas para otimizar as operações municipais.

Para o Coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Secretaria de Governo da Prefeitura de Goiânia, Flávio Yuaca, os modelos digitais das cidades são essenciais para a implantação das Smart Cities e esses modelos dependem de informação e tecnologia geoespacial. Não há Smart City sem modelo da cidade e não há modelo de cidade sem informação georreferenciada. Os drones, por exemplo, com tecnologia embarcada de ponta se tornarão uma ferramenta importante para o levantamento de informações em grandes metrópoles. Dados sobre logística, mobilidade, segurança, meio ambiente e saúde podem ser mais facilmente mapeados, visualizados e analisados por meio da computação em nuvens.

Destaque também para os mapas interativos, utilizados em diferentes dispositivos, e que auxiliam a tomada de decisões de forma prática e rápida. Sem uma visão geográfica tridimensional, essas mesmas informações seriam apenas um emaranhado de dados de difícil compreensão. Com esse tipo de tecnologia é possível identificar e solucionar problemas em grandes centros urbanos como um acidente de carro. Neste tipo de situação uma ambulância pode facilmente ser despachada para o local do acidente com base nas informações e dados levantados pela solução de georreferenciamento e comunicação.

O Brasil ainda caminha a passos lentos nesse processo e mostra como nossas cidades ainda precisam adaptar-se para lidar com dificuldades em áreas como segurança, mobilidade, ocupações irregulares, ilegalidades, desastres naturais, fruto de um processo de urbanização rápido e descontrolado. Por isso, quando falamos no futuro das cidades e na qualidade de vida dos cidadãos, estamos, na verdade, falando das smart cities, que serão amplamente discutidas, em evento na capital paulista no mês de novembro, no que se refere às diversas soluções geoespaciais essenciais para dar suporte às ações de planejamento, arrecadação e monitoramento da infraestrutura municipal.

*Emerson Granemann, é CEO da MundoGEO e idealizador dos eventos DroneShow e MundoGEO Connect Plus

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