Tecnologia faz a diferença no Agronegócio

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joao_comercio.jpg*Por João Comério
14/08/2019 - A agricultura vive um momento de grandes transformações, impulsionadas por fenômenos recentes ou pela aceleração de tendências, e acompanhar essa evolução não é tarefa fácil. Mesmo isoladamente, cada um desses fatores poderia vir a ter um impacto significativo sobre o setor do agronegócio. Em conjunto, essas tendências poderão redefinir a estrutura, a conduta e o desempenho dos agentes no segmento, produzindo novos vencedores e perdedores, tanto no nível de empresas como no de países inteiros.

As mudanças tecnológicas, ambientais e de mercado demandam que os players da cadeia do agronegócio, que queriam se manter e crescer, adaptem-se a um ambiente de maior incerteza, novos equilíbrios de força e necessidade crescente por respostas rápidas e decisivas.

Como é sabido, os resultados dos empreendimentos no agronegócio são fortemente impactados por fatores originados "da porteira pra fora", em outros elos da cadeia de valor. E, embora a disponibilidade de dados venha crescendo de maneira exponencial, as lideranças empresariais não têm acesso a informações críticas e essenciais para tomar decisões importantes para os seus negócios. Ou seja, lhes falta o que chamamos de inteligência competitiva.

O objetivo da inteligência competitiva é captar sinais de mudanças no ambiente externo que tenham impacto sobre o desempenho da empresa, tanto ameaças como oportunidades, antes dos seus competidores e a tempo de reagir sobre as informações. A ausência de processos efetivos de inteligência competitiva leva a prejuízos evitáveis ou ao desperdício de oportunidades.

O desafio maior não está na falta de dados, mas na transformação de dados em diretrizes para tomada de decisão, definindo as variáveis de interesse ("o que?") e estabelecendo protocolos para obtenção e curadoria das informações relevantes ("como"). Para isso, se faz necessário mapear quais informações são relevantes para o negócio não é uma tarefa trivial. Muitas vezes as relações entre variáveis importantes não são óbvias e ainda elas mudam ao longo do tempo.

Um exemplo básico dessa necessidade de avaliação e de variáveis nem sempre claras para os empresários do agronegócio pode ser visto na questão dos custos do transporte da produção agrícola. Muitos acreditam que ter as informações sobre os valores do frete e custos de transportadora seria o ideal. Mas se esquecem que esses valores também têm "n" variáveis, como mão-de-obra, custo do combustível, disponibilidade modal, entre outros. Isso fora a avaliação do próprio negócio, como demanda, projeção de safra, sazonalidade etc.

Neste caso, para se compreender uma das grandes preocupações do produtor agrícola, que é o custo do transporte é necessário monitorar, fazer projeções macroeconômicas, como inflação e juros; avaliar a política de preços da Petrobrás; estar atento aos movimentos da categoria (caminhoneiros), entre tantos outros aspectos extremamente variáveis.

Já no caso da pecuária, podemos citar como exemplo as variáveis que contemplam o investimento na ampliação da capacidade de abate de frangos de um frigorífico. É preciso avaliar dentro do planejamento premissas básicas como demanda, preços e custos, mas é necessário também ter em mente os indicadores antecedentes, como as tarifas de importação, mapa de plantio do milho, fenômenos naturais como o El Niño, tendências de consumo, entre outros. Para isso, é preciso saber quais são as fontes de dados confiáveis e pertinentes e quais são os meios de captura relevantes para essas informações. Apenas depois de ter todas essas informações nas mãos é que é possível o empresário definir e aplicar quais serão as medidas a serem tomadas.

Como se pode perceber, se manter, empreender e crescer no agronegócio não é tarefa fácil e exige resposta rápida do empresário e produtor. E neste universo tão dinâmico e variável, a inteligência competitiva é o fator decisivo entre o sucesso e o fracasso.

* João Comério é Presidente do Conselho do Grupo Innovatech, formado pelas empresas Innovatech Consultoria, Innovatech Gestão, Filius Venture e Auctus Inteligência Aumentada; Presidente do Comitê de Inovação da ABAG e conselheiro do fundo da USP.

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