Três passos para tornar as cidades inteligentes seguras

eduarro_almeida_unisys.jpg*Por Eduardo Almeida
14/05/2019 - Em março, Austin (Texas) recebe um dos maiores eventos de inovação do mundo, o SXSW, no qual são apresentadas novas tecnologias que irão transformar a sociedade nos próximos anos. Entre os debates deste ano, o que se destaca é o futuro das cidades e da mobilidade urbana, que devem impactar o modo como as pessoas convivem.

Hoje, já vislumbramos táxis voadores, caminhões de lixo inteligentes, trânsito controlado em tempo real por inteligência artificial, além, é claro, dos carros autônomos, que devem deixar o transporte terrestre mais fluido e seguro. Será?

Nas cidades inteligentes, câmeras, microfones e outros sensores estão constantemente coletando dados sobre os estados físicos, fisiológicos, mentais, econômicos, culturais, locacionais, comunicativos e sociais da população. Por isso, existe uma preocupação pública legítima com as implicações de privacidade dos dados coletados e seu uso.

Pesquisa recente da Unisys Corporation mostra que cidadãos ao redor do mundo não apoiam totalmente a ideia de que os órgãos podem usar dispositivos para determinar a localização de uma pessoa a seu critério. Os habitantes querem saber que informações são coletadas de forma ética e transparente, usados para uma finalidade específica e protegidos contra uso não autorizado.

Essa demanda tem gerado um movimento global de conformidade e proteção das informações. Na Europa, a GDPR reforça a proteção de dados dos cidadãos europeus em todo o mundo. Na China, a lei de cibersegurança de 2017 trouxe medidas e aplicou multas por violações de proteção de dados. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte determinou que o direito fundamental à privacidade é garantido pela Constituição. E, no Brasil, a lei geral de proteção de dados (LGPD) já ascendeu a luz amarela para que empresas e governos mantenham os dados dos consumidores em segurança.

Para ajudar a implementar inovações com segurança, recomendamos três ações específicas, citadas no guia de cidades seguras do EastWest Institute:

1 - Defina regulamento de privacidade e proteção de dados: essa abordagem torna a privacidade uma noção proativa e cria confiança entre usuários e governos

2 - Melhore a transparência e nomeie um diretor de privacidade: relatórios públicos regulares sobre o estado de proteção de dados permitem transparência e supervisão pública.

3 - Exija acordos de governança de dados com terceiros: para informações sensíveis que são processadas por terceiros, um acordo de governança de dados deve especificar quais informações são cobertas, quem as possui e em quais condições podem ser utilizadas.

Além desses passos, é importante lembrar que a segurança cibernética não para no limite da cidade, é preciso compartilhar informações sobre ameaças e soluções com outros municípios, entidades regionais e comunidades para aumentar a resiliência e melhorar a capacidade de proteção.

Levando em conta esses passos, as cidades certamente terão os problemas de segurança sob controle antes de experimentarmos a primeira corrida em um carro voador.

*Eduardo Almeida é presidente da Unisys para América Latina

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