Movimento Brasil Digital: por um país inovador e inclusivo

web_lei.jpg*Por Adelson de Sousa
10/10/2018 - A dias do segundo turno, candidatos e seus coordenadores de campanha usam cada segundo disponível para apresentar aos eleitores motivos para receberem seus votos. Em busca de confiança, tecem discursos acalorados com suas propostas para resolver questões estruturais em educação, saúde, segurança, desemprego e economia, entre outros. É uma pena que, apesar da energia em busca de eleitorado, muitas dessas sugestões estão presas a raciocínios ultrapassados e distantes das mudanças necessárias para alavancar a economia brasileira e gerar empregos.

Vivemos um momento com grande pulverização política. Entretanto, é imprescindível arregaçarmos as mangas e trabalharmos em conjunto para buscar soluções reais, aplicáveis e com retorno em curto e médio prazos. Atualmente, existem cerca de 250 mil vagas abertas para profissionais de tecnologia que não são preenchidas por falta de mão de obra qualificada. E estimativas do setor apontam que, até 2020, as oportunidades na área de tecnologia devem triplicar. Enquanto isso, 13 milhões de brasileiros encontram-se desempregados.

É para mudar este cenário que lançamos, em agosto, o Movimento Brasil Digital – Por um país inovador e inclusivo. Hoje, somos 27 grandes empresas, dos mais variados setores da economia, com o mesmo propósito: colocar a digitalização no centro da estratégia do país, de maneira inclusiva e humanizada, apoiando a formação da sociedade nas habilidades da Indústria 4.0 e preparando-a para os empregos do futuro, a fim de garantir a sustentação do crescimento econômico do país.

A digitalização está fortemente inserida nas políticas públicas de grandes economias do mundo, garantindo produtividade às empresas, competitividade internacional e serviços de qualidade aos cidadãos. Ao mesmo tempo, impõe desafios em áreas como educação, trabalho, sustentabilidade e políticas sociais. E o Brasil precisa, o quanto antes, vivenciar e se destacar nesse âmbito.

Por isso, buscamos articular o diálogo entre os setores público e privado, de maneira completamente apartidária, para discutir soluções de desenvolvimento digital a partir de propostas mapeadas em cinco dimensões estruturais: educação, empreendedorismo, infraestrutura, governo e inclusão social.

Em educação, é preciso garantir a inclusão e alfabetização digital de toda a população, principalmente entre as pessoas com baixo poder aquisitivo ou com acesso à tecnologia abaixo da média. Também é necessário prepará-las para as ocupações do futuro no mercado de trabalho.

Para fortalecer o empreendedorismo, apoiar o desenvolvimento de startups e incentivar a digitalização de pequenas e médias empresas. Investir em pesquisa e desenvolvimento, em projetos que envolvam governo e iniciativa privada, é essencial para garantir que o país desenvolva o conhecimento necessário para a transformação digital.

Na área de infraestrutura, é preciso solucionar problemas de cobertura e qualidade. Para crescer, o Brasil precisa garantir conectividade inclusive em regiões distantes dos centros empresariais, ampliando redes ópticas e melhorando os serviços de comunicação móvel. Vale ressaltar que também deve garantir a segurança e a privacidade dos dados dos usuários.

E, para que todas as sugestões acima saiam do papel, o governo deve se posicionar como indutor de novas tecnologias, usando-as não apenas como meio de entrega de serviços aos cidadãos, mas também como ferramenta de transformação da própria administração pública. Devem-se criar políticas públicas de apoio à digitalização, além de modernizar o ambiente legal e regulatório em áreas de segurança da informação, dados e mercado de trabalho.

Além disso, é importante desenvolver a digitalização de forma inclusiva, maximizando os benefícios tecnológicos para a sociedade, por meio da formação das pessoas, para que utilizem as novas tecnologias e integrem ocupações de trabalho inéditas. Com isso, é possível criar mais oportunidades e preparar a população para desenvolver as atividades em negócios da nova economia, bem como para ocupar postos de trabalho que surjam a partis das novas tecnologias.

Temos muito trabalho pela frente, mas ainda dá tempo de tornar o Brasil em um país de destaque no novo mundo digital. Do lado de cá, estamos desenvolvendo um plano de ação para a digitalização humanizada e inclusiva até 2025. Esperamos que nossos próximos governantes, de sua parte, façam o mesmo. Assim, poderemos nos transformar, além de beneficiários, em criadores e exportadores de novas tecnologias.

Adelson de Sousa é Presidente do Conselho Estratégico do Movimento Brasil Digital e Presidente Executivo da IT Mídia

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