Dispositivos móveis X TV: quem está ganhando?

helio_durigan_furukawa.jpg*Por Hélio Durigan
06/07/2018 - Enquanto todos os olhos do mundo estão voltados para a Rússia, uma transformação digital está acontecendo em nossa maneira de consumir conteúdo. Esta oportunidade talvez possa vir a ser lembrada como o momento em que os dispositivos móveis superaram a TV na transmissão de grandes eventos esportivos.

A Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, teve cerca de 4 bilhões de pessoas conectadas. Desse total, 51% assistiram às partidas de futebol pela TV e 38% por meio de celulares ou outros tipos de mídia on-line. Mas hoje isso tende a mudar...

A estimativa para esta Copa de 2018 é a reversão desse percentual. É provável que mais de 50% das pessoas estejam assistindo aos jogos do Mundial utilizando dispositivos móveis, o que leva a uma demanda de dados muito maior.

As opções também se multiplicaram. Hoje contamos com diferentes tipos de conexões para acompanhar o Mundial: apps oficiais; soluções de streaming para celulares; vários aplicativos para ver resultados, gols e destaques; app de rádios online; acessórios; antenas que se conectam a dispositivos móveis conectados à TV digital, etc. Todas essas opções representam grandes oportunidades tanto para os usuários como para as empresas prestadoras de serviços. Mas... estamos preparados para essas quantidades enormes de informação?

Diferenças nas necessidades de largura de banda

Para entender como isso pode se transformar em um problema para a capacidade de nossa infraestrutura de TI, vejamos qual é a largura de banda necessária para transmitir esses conteúdos:

- Uma transmissão padrão de até 480 pixels demanda cerca de 3Mb por segundo. Portanto, em uma conexão de uma hora, são consumidos aproximadamente 1 Gb.
- Uma transmissão Full HD com resolução de até 1.080 pixels consome uma largura de banda de 5Mb por segundo. Portanto, em uma hora de conexão, o consumo chega a aproximadamente 3Gb.
- Uma transmissão Ultra HD, ou 4K, precisa de uma largura de banda de 25Mb por segundo. Ou seja, 5 vezes mais do que o Full HD. Nesse caso, uma conexão de uma hora consome aproximadamente 7 GB.

Diante disso, como usuários, temos a possibilidade de antecipar eventuais interrupções da transmissão, que podem nos deixar de muito mau-humor. É importante prestar atenção às seguintes considerações:

- HD ou 4K? Como vou assistir aos jogos?
- Tenho um dispositivo apto a receber transmissão 4K?
- Meu provedor é capaz de me fornecer um serviço 4K?
- Meu roteador está apto a reproduzir 4K, já que será necessário um modem capaz de trabalhar com 25Mb? E, além disso, é preciso levar em conta o número de dispositivos que estarão conectados a esse mesmo modem.

Em resumo, de um lado precisamos de um equipamento preparado para o 4K e, de outro, de um roteador/modem adequado para essa rede. E, por último, de uma infraestrutura da empresa de telecomunicações prestadora do serviço que seja capaz de transmitir essa quantidade enorme de informações.

Atentos a isso, estaremos reduzindo ao mínimo as possibilidades de cortes - ou até mesmo a interrupção total - na transmissão dos jogos que nos interessam nesta Copa do Mundo.

* Hélio Durigan é vice-presidente corporativo de Engenharia de Furukawa Electric LatAm.

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