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Poder das Baterias de Íons de Lítio em Data Center

bateria_litio.jpg*Por Peter Panfil
24/05/2017 - O impacto das baterias de Íons de lítio (BIL) em nossa vida diária é assombroso. Esse elemento aparentemente onipresente pode ser encontrado no interior de bilhões de dispositivos, desde equipamentos eletrônicos portáteis até automóveis. Há no mercado um forte apetite por dispositivos digitais de menor tamanho e de maior durabilidade.

Porém, seriam esses parâmetros o suficiente para determinar o uso dessa tecnologia no mercado altamente exigente de data centers? As BIL teriam condição de competir efetivamente contra as baterias de chumbo-ácido? Quais serial a real análise custo/benefício? E, finalmente, haveria lgum tipo de risco à segurança dos data centers, semelhantes aos riscos encontrados em alguns dispositivos eletrônicos utilizados por consumidores?

Nossa avaliação começa analisando a velha e boa bateria VRLA (de chumbo-ácido regulada por válvula), a opção que tem sido a principal fonte de energia backup de curta duração para a indústria de data centers. Como muitos de nós sabemos, esses geradores de energia podem ter numerosas desvantagens, como peso, tamanho, vida útil e manutenção. Elas são conhecidas como o elo fraco da cadeia de energia.

As baterias de íons de lítio, por outro lado, oferecem importantes vantagens em relação às VRLA. As BILs podem conter mais energia em um espaço menor, economizando área utilizada. Elas duram significativamente mais e, por isso, não necessitam serem substituídas com tanta frequência. Além disso, a maioria é capaz de tolerar maiores temperaturas de operação e, ao mesmo tempo, exigir menos manutenção.

Ainda assim, quem está cotando uma planta com baterias de íons de lítio sabe que o capital requerido para essa aquisição inicialmente é mais elevado, cerca de 1,5 a 2 vezes maior. Porém, como ocorre em qualquer análise de TCO (Total Cost of Ownership), após mais dados serem incluídos, o quadro pode parecer um pouco mais favorável às BILs. Economias operacionais aparecem devido à menor necessidade de serviço e manutenção. Além disso, a menor necessidade de área de piso e até mesmo a redução dos custos de refrigeração impactam positivamente a análise. O mais importante de tudo é que a maior vida útil das BILs reduz os custos de substituição e implica um provável payback entre 5 e 7 anos. Por isso, o retorno pode ser promissor.

Quanto à segurança, a primeira coisa a perceber é que as baterias de íons de lítio para data centers não são fabricadas da mesma maneira que as destinadas a dispositivos eletrônicos pequenos.

Os fornecedores de BILs para data centers projetam e disponibilizam especificamente baterias para serviço pesado, fortes e encapsuladas, submetidas a muitos testes. As BILs usadas nesse ambiente são derivadas da indústria automotiva, na qual a segurança tem máxima importância.

Isso nos leva a uma pergunta fundamental: Qual é a e experiência prática que existe na integração de BILs a um sistema de no-break para data centers? Você poderá ficar surpreso em saber que existem no mercado empresas que testam, implementam e dão suporte a soluções com baterias de íons de lítio desde 2011. Equipes técnicas de todas as regiões do mundo instalaram sistemas em clientes de "colocation" e corporativos. Todos os profissionais envolvidos nessas iniciativas testemunharam uma quantidade significativa de horas de runtime com sucesso sem problemas.

Tudo indica, portanto, que as BILs receberão cada vez mais atenção nos meses e anos que estão por vir. Veremos cada vez mais provedores de serviços de data center e de telecomunicações pesquisar, avaliar e testar o poder das baterias de íons de lítio em suas instalações.

*Peter Panfil é Vice-Presidente de Energia Global da Vertiv

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Blockchain: os prós e contras dessa tecnologia

blockchain.jpg*Por Vicente Goetten
23/05/2017 - Falar em Blockchain é falar em polêmica. Ainda mais nas últimas semanas - após o grande ciberataque que ocorreu no mundo todo - e destacou um grande ponto contra, o anonimato. Mas não podemos perder de vista que se trata de uma tecnologia reconhecida como a mais influente para o futuro dos negócios. Sua história vem desde 2008, quando o blockchain foi apresentado como uma forma de aumentar a segurança cibernética e transformar a maneira como pessoas e empresas fazem transações eletrônicas.

A segurança na adoção da tecnologia pelas empresas é uma de suas características mais fortes, uma vez que os dados são distribuídos em rede e não centralizados em um só servidor. Na prática, isso minimiza significativamente as ameaças por hackers, que para invadir uma fonte de dados precisariam entrar em todos os computadores que distribuem as informações ao mesmo tempo. Por exemplo: se todas as empresas que sofreram com os ataques do último dia 12 de maio utilizassem Blockchain, a invasão hacker provavelmente não teria acontecido, pois seria necessário um alto poder computacional para ultrapassar os milhares de códigos criptografados em cada um desses pontos distribuídos pela rede. E é por isso que muitos especialistas consideram que o Blockchain não é apenas uma tecnologia disruptiva, mas algo fundamental para todos os negócios por fornecer uma estrutura segura para qualquer transação e de qualquer valor.

É também uma tecnologia que pode ser aplicada em qualquer negócio, mas destaco dois casos em que pode ser bem utilizada e fazer a diferença: nas instituições bancárias e em departamentos governamentais. No primeiro caso, é sabido que os sistemas bancários atuais são vulneráveis ​​à fraude. No final de 2016, um grupo de hackers assumiu o controle de todas as operações online e de autoatendimento de um grande banco no Brasil, por cerca de seis horas. Eles obtiveram senhas, números de cartão de crédito e outras informações privadas. Dessa forma, muitos usuários, sem saber, ao fazer o login no portal do banco foram redirecionados para réplicas falsas do site com suas senhas verdadeiras. Foi como tirar doce da mão de crianças.

Com o Blockchain, não seria necessário haver um banco online, pois as informações de valor não teriam um ponto de acesso centralizado, neste caso o site do banco. Com isso, os hackers não conseguiriam obter tanta informação de tantas pessoas no curto período de horas.

Outro caso real, e que deveria virar um filme, foi o de funcionários do governo americano que estavam investigando os crimes praticados no Silk Road, maior site ilegal de vendas de drogas online da deepweb, quando descobriram que os próprios agentes federais eram os criminosos e estavam tentando encobrir as evidências e provas da fraude, se assegurando do fato de que muitos dados do poder público são descentralizados. Foi a natureza imutável e imprevisível do Blockchain que permitiu que o esquema fosse enfim descoberto.
Mas como nada é perfeito, existem sim algumas maneiras dos hackers invadirem sistemas de Blockchain. Primeiro, há possibilidades de falhas e corrupções humanas e, em segundo, é possível que hajam falhas em algum ponto desabilitado da rede e prejudicar a comunicação entre todos.

Já no que diz respeito a bitcoins, a cibermoeda que pioneiramente inaugurou o uso do blockchain no mundo, embora seja uma moeda segura para usar contra inflação ou desvalorização, a mesma pode ser alvo de golpes. Um exemplo disso são os sabidos sequestros de dados de empresas em mais de 150 países há algumas semanas. É o ponto fraco do anonimato das transações, que pode favorecer os mais maliciosos.

Em suma, a tecnologia Blockchain possui muitos prós e contras que, muitas vezes, se intercalam ou até mudam de lado a depender do ponto de vista de quem analisa. A seu favor, destaco a possibilidade de transferir legalmente qualquer valor de forma segura e confidencial, os dados são conferidos por uma vasta rede, há segurança de não ter valores congelados no caso de uma crise econômica, como pode acontecer com quem aplica dinheiro em instituições financeiras tradicionais, não haveria mais a necessidade de intermediários como bancos, advogados ou governo, as transações são irreversíveis e há a potencial valorização dos bitcoins, ao longo do tempo.

Entre os contras, podemos citar a questão do anonimato que pode ser mal-usado por criminosos digitais, o fato de ainda haver resistência por parte de governos ou empresas que não entendem a tecnologia e não sabem usá-la para transferência de valores, o desemprego de profissionais que trabalham em instituições que servem de intermediários nessas operações tradicionais e o fato das transações serem irreversíveis - que pode ser negativa em determinados casos, em especial nas fraudes.

O Blockchain tem potencial para tornar muitas instituições obsoletas, por isso sua aceitação e aplicação em larga escala pode levar mais tempo que os entusiastas da tecnologia gostariam. Haverá muita resistência ainda, mas, para ser justo, no entanto, as instituições atuais são propensas a erro humano, fraude e corrupção, abrindo porta para novas e mais seguras maneiras de realizar transações.

Do setor bancário ao de seguros, temos a certeza que iremos testemunhar uma drástica mudança à medida que as empresas começam a adotar essa tecnologia. Isso pode levar um tempo ainda, mas é fato que se as empresas desejam permanecer competitivas no mercado em que atuam, precisam começar a se preparar para sua adoção, a fim de permanecer na vanguarda do mundo dos negócios.

*Vicente Goetten é diretor executivo do TOTVS Labs

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Por que o avanço da IoT está muito lento?

iot2.jpg12/05/2017 - As inovações que o avanço da Internet das Coisas já trouxeram ao mercado têm fascinado consumidores: os dispositivos inteligentes geram dados que tornam o mundo mais seguro, produtivo e saudável. Por que, então, a IoT tem se desenvolvido a passos mais lentos que o esperado? Pesquisa realizada por sócios da McKinsey confirma que o impacto dessa tecnologia será revolucionário – mas o tempo necessário para alcançar os benefícios da adoção generalizada de aplicativos IoT deve, de fato, ser mais longo que o previsto.

A aceitação das aplicações de IoT deve ser particularmente lenta no setor industrial, já que as empresas são muitas vezes limitadas por longos ciclos de capital, inércia organizacional e escassez de pessoal talentoso para desenvolver e implantar soluções IoT. Para as empresas de semicondutores, que procuram novas fontes de receita, a taxa de adoção da IoT é uma preocupação importante.

O crescimento recente do IoT chega a dar motivos para o otimismo. Os consumidores estão mais conectados do que nunca – possuem, em média, quatro dispositivos que se comunicam com a nuvem. Globalmente, estima-se que 127 novos dispositivos se conectem à internet a cada segundo. Um relatório do McKinsey Global Institute estima que o IoT pode ter um impacto econômico anual de US$ 11,1 trilhões até 2025 em muitos cenários diferentes, incluindo fábricas, cidades, ambientes de varejo e até o corpo humano.

Muitos especialistas avaliam o crescimento mais lento no setor industrial com particular preocupação. Sócios da McKinsey and Company ouviram mais de 100 líderes de diversas indústrias dos setores público e privado – de farmacêuticas ao setor de petróleo – para entender de que maneira esse quadro poderia acelerar. A pesquisa revelou que a maioria das empresas está adotando IoT de forma limitada. Com exceção de petróleo e mineração, líderes de todas as indústrias relataram que suas empresas muitas vezes receberam dados em tempo real de sensores IoT. A maioria deles, porém, ressaltou que a implantação dessa tecnologia ainda estava em estágio de comprovação de conceito – e nenhuma empresa havia embarcado em programas em larga escala.

Embora os sensores de IoT coletem grandes quantidades de dados, um relatório recente da MGI mostrou que as empresas não analisam a maioria deles. Por exemplo, em uma plataforma de petróleo que tinha 30.000 sensores, os gerentes examinaram apenas 1% dos dados. Além do mais, os líderes empresariais raramente consideram informações dos sensores de IoT quando tomam decisões importantes, incluindo aquelas relacionadas ao planejamento de manutenção ou procedimentos de automação. Sua relutância em analisar os dados de IoT decorre de vários fatores, incluindo a falta de pessoal. Mas a razão mais importante é simples: como seres humanos, preferimos consultar outras pessoas para aconselhamento ou avaliar nossa própria experiência ao tomar decisões.

Antes de os dados de IoT ganharem papel mais proeminente na tomada de decisões corporativas, os líderes empresariais e outros gerentes importantes - supervisores de manutenção, técnicos de serviço de campo e revendedores de varejo, para citar apenas alguns - terão de passar a valorizá-los. O levantamento da McKinsey indica que a maioria dos clientes continuará focada em casos de uso simples, pelo menos no futuro imediato. E isso significa que eles não obterão todo o benefício do uso de IoT.

Outra questão importante é a tecnologia. Dispositivos de IoT são pontos de entrada potenciais para um cyber ataque. As vulnerabilidades de IoT muitas vezes resultam da falta de cuidados básicos no gerenciamento e manutenção desses dispositivos. Essas deficiências não podem ser eliminadas através de criptografia, programas de detecção de ataques, controle de acesso biométrico ou outras tecnologias sofisticadas. Isso significa que as empresas que querem expandir seus esforços em IoT terão de lançar iniciativas de segurança abrangente que abordem as fraquezas resultantes das vulnerabilidades tecnológicas e da falta de cautela entre aqueles que usam os equipamentos.

As tendências atuais para IoT criam um quadro incerto e, às vezes, confuso das perspectivas do setor. Ao analisar o quadro, porém, os sócios da McKinsey Mark Patel, Jason Shangkuan e Christopher Thomas avaliam que a IoT está prestes a servir como motor de crescimento para as empresas de semicondutores. As taxas de adoção aumentaram mais lentamente do que o esperado, mas isso não deve ser motivo de pessimismo, já que muitas tecnologias estão imaturas ou em desenvolvimento.

As empresas de semicondutores e outros players ainda podem empreender novas estratégias para acelerar o crescimento de IoT. Em vez de se concentrarem nas atualizações de tecnologia, podem desenvolver produtos que melhoram os resultados dos clientes em termos de custo, desempenho e outras métricas importantes. Essa nova abordagem será um desafio, mas vai acelerar a adoção de IoT e ajudar mais clientes a obter benefícios desta nova e excitante tecnologia.

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Não caia na tentação de desistir do Digital

it_prediction.jpgA dificuldade começa pela ruptura da cultura dominante nas organizações, que ainda entendem que o conhecimento legado é o mais importante.

Por Flávia Pollo Nassif
08/05/2017 - Há pouco mais de um ano, o CEO da empresa onde eu trabalho me presenteou com uma imersão no universo digital, momento que me deparei com o potencial incrível do IoT, da revolução dos dados e todos estes temas que vocês estão "cansados de ouvir". Nas minhas responsabilidades anteriores, e na minha vida pessoal, já conseguia perceber esta transformação, mas ainda de forma superficial, só a pontinha do iceberg, sem ainda ter a visão do mundo no qual viveremos em 2020. Na operadora de Telecom onde trabalhei, lembro, com orgulho, que já estava convicta que era possível prever o contato dos clientes para os próximos dias, e até quantos seriam, e de quais regiões receberíamos as reclamações em órgãos de defesa do consumidor.

Uma recente pesquisa do Gartner (2017 CEO Survey: Latin America CEOs Chart a Course Away From Digital) com CEOs da América Latina, apontou que, apesar de um forte direcionamento em 2016 na adoção dos Negócios Digitais, em 2017 se observa que estes líderes estão mudando de volta em direção ao business as usual, e no caso do Brasil muito associado ao cenário político-econômico atual instável.

Isto é incrível! E vale a pena refletir sobre isso. Seria como os índios não acreditassem que as caravelas estavam chegando na costa, apesar de estarem vendo, ouvindo e iniciando os primeiros contatos. Ou parecido com resolver voltar para casa em pleno voo. E o cenário político-econômico do Brasil, não seria justamente a motivação para acelerar esta transformação?

Esta reflexão me fez chegar em algumas possíveis causas desta insustentável vontade de desistir do digital:

Esgotamento pelo Fanatismo Digital

Fanatismo (do francês "fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente em paranoides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio. (Wikipédia)

O Digital se tornou quase um talismã de sucesso e independente do estágio de implantação de cada empresa se estabeleceu tacitamente que, ou você associa a sua marca a transformação digital, ou você vai fracassar na próxima semana amargando a debandada de todos os seus clientes. Muitas consultorias criaram as suas unidades digitais e se aproximaram das startups antes mesmo de definir uma estratégia, um diferencial real, uma forma legítima de apoiar seus clientes, um valor agregado para chamar de seu.

E esta overdose de fanatismo sobre o digital começou a cansar os executivos, antes mesmo dos primeiros resultados relevantes começarem a acontecer, antes mesmo de conseguirem se beneficiar das novas tecnologias que, sim, já são realidade, já estão disponíveis e já estão alcançando a viabilidade de custo que será a propulsão para a revolução digital da sociedade de forma exponencial.

Diferentes approaches, qual é a verdade?

O Digital é abordado de diferentes formas e, na minha opinião, todas são verdadeiras e extremamente complementares, mas confundem mesmo.

Por um lado a questão antropológica, a transformação do ser humano e da sociedade em direção a um mundo mais conectado e colaborativo. As pessoas de áreas mais exatas costumam não gostar muito desta abordagem, acham fluffy demais e sem objetividade. Mas este é o início de tudo, é a essência da necessidade dos clientes, é a observação do que está acontecendo com o ser humano, é o tão fundamental e dificílimo olhar de fora para dentro das organizações.

Outra abordagem é a tecnológica, que afirma que o digital é sinônimo de big data, analytcs, location inteligente, IOT, machine learning...; que estas tecnologias precisam ser utilizadas urgentemente e conseguirão transformar suas empresas como um passe de mágica, é só comprar!

Existe também a abordagem da inovação, de um novo método de trabalho, mais inteligente, ágil, com menos burocracia e mais confiança, parceria, informalidade e amizade no ambiente de trabalho. A necessidade em proporcionar o ambiente correto, mais lúdico, para as pessoas criarem, de forma colaborativa, multi skill, multi area, "multitudo".

E em paralelo já se fala na nova transformação digital, robôs, comunicação com as máquinas, extinção de diversas profissões, o início de uma nova era somente para os adaptáveis. Esta realidade gera admiração em alguns e repulsa em outros. Gera ansiedade naqueles que ainda estão tentando surfar a primeira onda.

Diferentes abordagens devem ser utilizadas com diferentes pessoas, em diferentes situações. Todas juntas cansam mesmo e geram a inconsistente dúvida "qual é a verdade?" e a busca pela resposta incorreta, mas confortável, "nenhuma, o digital é um modismo que vai passar". Não vai!

Dificuldade que gera Resistência

A dificuldade começa pela ruptura da cultura dominante nas organizações, que ainda (em diferentes graus) entendem que o conhecimento legado é o mais importante, que compartilhar informações é perder poder, que apesar de todas as lições trazidas pelas crises, ainda focam no emprego e não na empregabilidade. Líderes que não têm tempo para as pessoas, especialistas que atualizam apresentações semanais sistematicamente e analistas que consolidam dados.

OK, mesmo uma apaixonada pelo digital como eu, não conseguiria dizer que a transformação digital é simples de entender e de implementar, mas não é uma opção e você vai fazer parte, a escolha é em que local você estará nesta nova realidade. No campo, no banco de reserva, na arquibancada ou somente vendo pela TV?

A cultura precisa mudar e isso vem de cima, as pessoas precisam de tempo: tempo para estudar como o digital pode transformar seus processos de negócio, tempo para pensar, inovar, errar, tempo que só pode ser viável se a primeira lição de casa pré-digital já foi feita, a automação e otimização de seus processos..... Se a sua área, se a sua empresa precisa dos seus funcionários operando seus processos all the time e no tempo que sobra tentam ter ideias inovadoras, esquece, não vai acontecer. E nem isso seria motivo para retornar ao business as usual.

Quando a pressão do c-level é forte em alguma direção e os líderes não estão conseguindo extrair os resultados esperados em suas estruturas, a grande tentação é negar a novidade e retornar a antiga forma de fazer as coisas, mas essa estratégia retarda a companhia e não encontra soluções frente as dificuldades de uma revolução como o digital, que deixou o mundo ainda mais competitivo.

Firmeza de propósito e extrema resiliência é o que se espera dos executivos, estes responsáveis por conduzir as empresas por caminhos rentáveis e sustentáveis, a curto, médio e longo prazo.

flavia.jpgConclusão?

Não desistir, entender profundamente a revolução dos dados, utilizar o seu conhecimento para governar os dados até a expectativa dos seus clientes, ter a humildade e a coragem para aprender novas formas de analisar seus processos de negócio. Talvez o seu negócio nem seja mais o mesmo e você não pode ser o último a saber disso.

O nosso valor atualmente está na capacidade de observar e de aprender coisas novas, e não no peso da nossa mochila de conhecimento que levamos nas costas. Isto não é tão cruel quanto parece. Todo o conhecimento adquirido não é importante por si, o que importa é o quão flexível e "inteligente" este caminho te deixou.
Seja pelo viés antropológico, tecnológico, de inovação ou por competitividade.....não desista.

Disruption has become a new normal

*Flávia Pollo Nassif é diretora comercial da Triad Systems. Formada em Tecnologia da Informação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Flavia Nassif tem MBA de Gestão Empresarial em Telecomunicações pela Fundação Getúlio Vargas.

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Que esperar da nanotecnologia nas próximas décadas

nanotecnologia.jpgPor Ivandick Cruzelles Rodrigues
03/05/2017 - Antes, vale saber: Qual é o conceito da nanotecnologia? A nanotecnologia pode ser entendida como o estudo, a manipulação, a construção de materiais, substâncias, dispositivos, objetos que estão normalmente na escala nanométrica (1 nanômetro = 10-9 do metro) e que apresentam propriedades fortemente dependentes dessa escala de tamanho 1.

1 - Como as pessoas devem observar a nanotecnologia, nas próximas décadas?

Nanotecnologia é uma ciência recente e que tem capacidade de gerar a próxima revolução tecnológica no mundo. Apesar de ser trabalhada, do ponto de vista teórico, desde a década de 1950, algumas aplicações práticas datam a Idade Média. A maior parte das cores que vemos nos esmaltes e cerâmicas em vitrais em igrejas medievais e vitorianas são resultantes de propriedades de materiais em nanoescala. Na época, nem se imaginava isso.

 De acordo com o mais recente levantamento do programa do governo americano The National Nanotechnology Initiative existem entre 800 e 1200 produtos em desenvolvimentos, até o momento, produzidos à base de nanotecnologia. Mas ainda estamos muito longe do potencial máximo dessa ciência.

2 - Faltam informações e uma maior compreensão sobre a percepção pública da nanotecnologia, e como os diferentes atores, pesquisadores, governo, indústrias e sociedade trabalham a questão dos riscos e benefícios das nanotecnologias. Do ponto de vista do jurídico, quais os focos de discussão e desafios que traz em sua tese?

O principal ponto de contato entre o ambiente legal e a nanotecnologia que desenvolvo em minha tese de doutorado está relacionado à saúde do trabalhador. Os estudos sobre riscos à saúde humana ainda estão muito embrionários. Conforme a nanotecnologia foi se desenvolvendo, o foco sempre esteve no desenvolvimento das técnicas de manipulação, na sua estabilização e na aplicação.

Vamos entender quais são os riscos à vida humana, a fim de equilibrar essas questões. O objetivo de meu estudo é apontar questões jurídicas sobre prevenções, tais como indenizar eventuais riscos que se tornem danos e entender como se opera a contaminação dos trabalhadores. Quais são os possíveis impactos do contato com a nanotecnologia? Quem deve responder juridicamente, em casos de contaminação dos trabalhadores e cidadãos? São questões a serem respondidas no campo do Direito.

3 - Hoje, está claro que as nanotecnologias cruzam as fronteiras da química, física, ciências biológicas, engenharias e tecnologias. Quais são os pontos que tanto a academia quanto a indústria devem ficar atentas?

O principal ponto a ser observado por todos é que a matéria, no nível nano, adquire outras propriedades. No entanto, o comportamento químico é radicalmente diferente. É como se estivéssemos começando a estudar do zero. Claro, temos conhecimentos acumulados que servirá de comparações. No entanto, há riscos que também são diferentes, difíceis de previsão.

Acredito que a missão do Direito seja a de garantir o máximo de prevenção possível, sem que o desenvolvimento tecnológico seja comprometido. Precisamos trabalhar na prevenção e entender quais são os efeitos colaterais na humanidade.

4 - Sobre regulação das nanotecnologias, o senhor comentou que ainda são escassos os estudos sobre nanotoxicologia, ecotoxicologia e genotoxicologia no Brasil. E questões relacionadas ao Direito do Trabalho e Previdenciário, em que passo estão?

Precisamos trabalhar na prevenção como essa legislação tem que tratar a nanotecnologia aplicada e seus efeitos na humanidade. Falo isso porque existem algumas regulações que não são específicas para nanotecnologia, mas que trabalham questões relacionadas ao desenvolvimento tecnológico, consumo e de eventuais indenizações, em casos de riscos produzidos.

De modo aberto, aplicável a qualquer situação de risco, tanto o código civil, quanto a CLT quanto a legislação previdenciária (Lei 82013/91), estabelecem medidas de proteção às pessoas, caso sofram algum tipo de dano decorrentes da aplicação da nanotecnologia. Mas esse tipo de proteção só é aplicável após contaminação. A chamada no Direito proteção,depois que tiver o fato acontecido, apresentando reparação.

A perspectiva que precisamos trabalhar é da prevenção e da precaução. Será que o desenvolvimento de tecnologias nano, sem um controle apriorístico a rigor, levaria a uma maior incidência de riscos? Será que o Direito realmente tem de colocar algum “freio” nesse desenvolvimento tecnológico, até como forma de preservação da espécie, do patrimônio e da liberdade? São perguntas a serem respondidas no futuro.

5 - As indústrias brasileiras estão juridicamente preparadas para lidar com questões, tais como manipulação (produção) e consumo humano?

Aquelas indústrias que lidam com nanotecnologia nos seus processos produtivos já trabalham de forma preventiva. São empresas que tem investimento em pesquisa e desenvolvimento e cuidados que precisam ser tomados para garantir a saúde no ambiente de trabalho e para os consumidores.

O problema pode ocorrer quando a nanotecnologia se popularizar e empresas com menos recursos para investir em pesquisas e investigações passem a aplicar essa tecnologia.

ivandick_cruzelles2.jpg*Entrevista concedida por Ivandick Cruzelles Rodrigues, Consultor Jurídico e Professor Universitário da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Direito Tributário pelo Centro de Extensão Universitária, é Mestre em Direito Previdenciário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorando em Direito do Trabalho e da Seguridade Social pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), com tese sobre Direito e Nanotecnologia aplicada.

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A voz de quem consegue chegar ao ICMC

icmc2.jpg*Por Denise Casatti
03/05/2017 - Eles vêm de todas as partes do Brasil e também do exterior, atraídos pela excelência em ensino, pesquisa e extensão e também pela qualidade de vida de São Carlos

Se Ana Carolina Fainelo, de apenas 17 anos, decidisse sair de São Carlos a pé para visitar os pais, andando a uma velocidade média de 4 quilômetros por hora, ela caminharia durante 29 dias até chegar a Porto Velho, Rondônia. Mas os 2,8 mil quilômetros que separam a estudante de sua família não a impossibilitaram de realizar um sonho: estudar Ciências de Computação na melhor universidade do país, a USP.

Quando decidiu concorrer a uma das 100 vagas do curso disponibilizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, no campus de São Carlos, ela analisou detalhadamente a grade curricular, obteve informações sobre a estrutura do local e também sobre a qualidade de vida na cidade: “Tudo me chamou para cá e espero sair daqui com muito mais conhecimento e experiência. Não falo apenas da experiência em relação ao conteúdo que aprenderei, mas também da experiência de vida que vou ganhar, porque é a primeira vez que estou morando longe dos meus pais”.

Durante a Semana de Recepção aos Calouros do ICMC, que aconteceu de 6 a 10 de março, a estudante se surpreendeu com os grupos de extensão que existem no Instituto. “Achei interessante a integração de diversas áreas nesses grupos, há estudantes de computação e também de engenharia elétrica, mecânica, etc”, destaca Ana Carolina. “Saber que um dos maiores grupo de robótica do Brasil, o Warthog Robotics, está aqui, tão perto da gente e à disposição, é muito bom”, acrescenta.

A escolha por computação não aconteceu por acaso para Ana. O pai da estudante sempre trabalhou com tecnologia da informação, apesar de não ser formado na área. Em 2014, perguntou à filha: “Por que você não começa a aprender um pouco de programação?” A frase despertou a garota para um novo universo, que a encantou. “Não me aprofundei muito, mas o pouco que vi achei muito legal. Ele me orientou, forneceu materiais e tirou minhas dúvidas. Vi que era algo em que valia a pena mergulhar, até porque gosto de matemática e da área de exatas”.

Da engenharia à matemática – No caso de Thales Sarinho, 20 anos, seriam necessários 27 dias de caminhada, andando na mesma velocidade que Ana Carolina, para chegar à sua terra natal, em Recife, Pernambuco, onde seus pais moram. Os 2,7 mil quilômetros que separam o estudante de sua família também não o intimidaram na busca pelo sonho de estudar na melhor universidade brasileira na área de matemática. No entanto, Thales descartou estudar em São Paulo por causa da poluição: “Tenho asma, já fui a São Paulo várias vezes e sempre é um sufoco. Não tenho condições de morar lá.”

Ele sempre teve paixão por ensinar. No ensino médio, pegava o quadro branco que tinha ganhado da mãe e, com o pincel atômico em mãos, explicava conteúdos de química, física e matemática para os colegas. Quando ingressou no curso de Engenharia Mecânica em uma faculdade particular de Recife, há dois anos, não foi diferente. “Tinha gente que não entendia cálculo e geometria e eu estava amando aquelas disciplinas. Então, pegávamos uma sala que não tinha aula à tarde e a galera da minha turma ficava ouvindo as minhas explicações. Sempre havia um grupo de 10 a 15 alunos. Eu adorei essa experiência”, conta Thales.

O cálculo e a geometria também foram responsáveis por fazer Thales enxergar sua paixão pela matemática. “Quando você vai fazer engenharia, não é apresentado a uma matemática rigorosa. Você conhece uma matemática mais superficial, para que aplique na sua área. Nesse caso, basta saber que existe uma fórmula matemática para usar naqueles casos”, diz o estudante. “No entanto, eu queria saber por que aquela fórmula existia, como ela tinha sido construída”, acrescenta. Ele até tentou ler livros de uma matemática mais avançada para ver se isso o satisfazia, mas não adiantou. Depois de um ano e meio de engenharia, Thales decidiu desistir.

“Meus pais ficaram muito preocupados. Eu estava saindo da engenharia, que é um curso muito bem aceito, que tem muitas vagas de emprego, para ser professor de matemática!” Porém, eles não tardaram a compreender a decisão do filho. Afinal de contas, os dois haviam passado por experiências similares. O pai de Thales chegou a cursar física, mas quando notou que não haveria emprego em Recife na área a não ser para dar aulas, transferiu para direito. Já a mãe do garoto cursava letras e também não gostava de dar aulas, por isso, tal como o pai, seguiu o caminho do direito. “Eles disseram que era normal que eu mudasse de ideia. Só imaginaram que eu ia ganhar pouco e não seria valorizado, tal como minha avó materna, que era professora de português”.

O plano de Thales é ser professor universitário e, para alcançar seus objetivos, o estudante já sabe que precisará fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Vi que a professora Maria do Carmo, do ICMC, fez pós-doutorado na Polônia. Seria o máximo fazer algo assim lá na Europa, na Nova Zelândia, no Canadá...”

Mirando novos horizontes – Quem também chegou ao ICMC com o sonho de fazer um pós-doutorado fora do país ou talvez até passar uma temporada do doutorado no exterior, foi o matemático Angelo Guimaraes. Formado pela Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, onde também fez mestrado, Angelo ingressou no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC no início deste ano. Durante a cerimônia de recepção aos ingressantes da pós-graduação, realizada no dia 22 de março, ele revelou que conheceu o Instituto há dois anos, quando participou de um programa de verão em matemática na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar): “Gostei muito da estrutura do ICMC e da cidade também. Além disso, meu orientador no mestrado já tinha uns contatos aqui”.

As primeiras impressões sobre São Carlos também foram positivas para Alejandro Penadillo: “Eu venho de Bogotá e há muitos carros, muito movimento na cidade. Aqui, o clima é diferente, as pessoas são amáveis e é mais tranquilo.” O colombiano concluiu sua graduação em matemática e seu mestrado na Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá. Escolheu o ICMC para fazer o doutorado em Matemática quando descobriu que havia uma linha de pesquisa em Teoria de Singularidades no Instituto.

Já o estudante Conrado Graci, que ingressou em Ciências de Computação, nunca imaginou que, um dia, estudaria na USP. Aos 17 anos, ele só descobriu que isso era possível no momento em que estava escolhendo a universidade via Sistema de Seleção Unificada (SiSU). A irmã, que também é aluna da USP, em São Paulo, pediu para o irmão checar se havia vagas no curso que ele desejava e lá estava a opção pelo ICMC: “Eu tenho paixão por estudar e sempre pensei que, qualquer curso que eu fizesse, eu encararia como um desafio e iria até o fim”. Fascinado por jogos eletrônicos, Conrado quer construir uma forte base em programação durante o curso no ICMC e adquirir conhecimentos extras em design para, no futuro, atuar na área de desenvolvimento de games.

O SiSU também foi a porta de entrada para Gabriel Malta, 19 anos, que optou por cursar Matemática Aplicada e Computação Científica no ICMC. Ele veio de Anápolis, Goiás, depois de desistir do curso de Física na Universidade de Brasília (UNB): “Tenho facilidade para aprender matemática e gosto de resolver problemas usando as ferramentas da matemática.” Quando estava no cursinho, estudando para ingressar no curso de Física Médica, Gabriel descobriu que podia ingressar na USP via SiSU e decidiu tentar. “O SiSU possibilita que estudantes como eu, que não teriam a oportunidade de se deslocar até o Estado de São Paulo para prestar o vestibular, ingressem na USP”.

No momento da matrícula, a mãe de Gabriel, Antonia Telma Silva, estava emocionada: “Ele está aqui realizando um sonho. É tudo com ele agora. A gente vai estar lá em Anápolis torcendo e dando todo o apoio que precisar”. Tal como os pais de todos os ingressantes do ICMC, Antonia Telma sabe que seu filho fez uma boa escolha e que tem tudo para ir ainda mais longe.

*Denise Casatti, Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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