É possível evitar roubo de dados nos smartphones?

celular_anatel_2.jpg*Por Gina van Dijk
23/08/2019 - É cada vez mais difícil encontrar quem não vive checando o celular em busca de novas mensagens ou notícias. Estamos mais conectados a cada dia e em um número cada vez maior de dispositivos. Hoje, o Brasil é um dos países com maior utilização de smartphones para acesso à Internet, com usuários que navegam cerca de três horas por dia, em média. Nesse cenário e diante dos recentes escândalos de vazamento de mensagens, que atingiram os principais personagens da República brasileira, do presidente Jair Bolsonaro, passando por ministros do STF e os presidentes da Câmera dos Deputados e de Senado, além do ministro da Justiça Sergio Moro, uma questão prática surge: será que nossas informações estão realmente seguras nesse mundo móvel e digital?

A resposta para essa pergunta é bastante complexa e tem diferentes aspectos. Há uma enorme discussão global acerca da privacidade dos usuários e as redes sociais e desenvolvedoras estão sendo bastante cobradas para avançar na área de proteção e uso de informações. Muito tem sido feito para melhorar a segurança no ambiente digital, incluindo a oferta de soluções mais modernas. Por outro lado, é necessário notar que o cibercrime também está em constante evolução e as ameaças não param de aumentar.

Um erro bastante comum é julgar que a segurança dos dados pessoais depende exclusivamente dos fornecedores e desenvolvedores de aplicativos. Os usuários também deveriam estar atentos ao seu papel para evitar o roubo de informações. Por exemplo: estamos acostumados a usar antivírus em nossos desktops e notebooks, mas nos esquecemos de adotar a mesma medida no smartphone. Na verdade, pesquisas recentes indicam que quase dois terços dos donos de smartphones no País ainda não têm um software de proteção instalado em seus aparelhos celulares.

Instalar um software antivírus e contar com uma solução de VPN (de Virtual Private Network, em inglês) são dois passos básicos e essenciais que os usuários devem tomar. Do mesmo modo, as empresas que utilizam dispositivos móveis em suas operações também são aconselhadas a incentivar esse tipo de ação junto a seus colaboradores. Esse pequeno ato pode ser fundamental para impedir que as ameaças se tornem problemas reais e consigam acessar dados sigilosos.

Outra dica importante é ter cautela. Pode parecer básico demais destacar o bom senso como uma dica de segurança, mas é extremamente importante que as pessoas e companhias prestem atenção a isso. Isso porque a maioria dos casos de fraudes e roubos virtuais, hoje, vem dos ataques de phishing, com a invasão feita a partir de links maliciosos enviados com iscas contaminadas. Estamos falando das correntes que se espalham pelos comunicadores, além de fake news, promoções mirabolantes, mensagens falsas etc.

De acordo com relatórios especializados, os usuários brasileiros foram as principais vítimas de golpes de phishing ao redor do mundo durante o primeiro trimestre de 2019, com mais de 20% das fraudes realizadas em todo o globo. Esse cenário reforça a importância de se criar uma cultura mais seletiva e analítica entre as pessoas que utilizam ferramentas de compartilhamento e comunicação de dados.

Além dessas ações, é recomendável que os usuários adotem também outras medidas voltadas à segurança de suas informações no mundo on-line. A primeira delas é evitar ao máximo o uso de redes sem fio abertas. É verdade que temos cada vez mais pressa para acessar as informações e mensagens e que nem sempre o sinal das operadoras permite a conexão rápida, mas utilizar redes Wi-Fi desprotegidas pode representar uma grande ameaça à segurança de seus dados. Por isso, mesmo com uma VPN instalada, a dica é buscar ambientes conhecidos e seguros, de preferência em redes com certificações de segurança instaladas.

Outro passo é avaliar os critérios de segurança dos aplicativos, instalando apenas aplicativos reconhecidos pelos fabricantes e sistemas operacionais. Hoje, não são poucas as soluções que adotaram padrões de privacidade e proteção extremamente modernos, com criptografia nativa, por exemplo, para manter os dados longe de ameaças. Buscar essas ferramentas e acompanhar as opiniões de outros usuários pode render bons resultados nessa jornada.

Além disso, é recomendável adotar a dupla verificação para o acesso às contas. Alguns aplicativos já permitem que o usuário use diferentes combinações de checagem, tornando mais efetivo o controle de identificação. Implementar este tipo de solução não torna impossível o roubo de dados, mas dificulta a invasão de hackers e melhora a segurança em caso de perda ou furto do aparelho.

Vale destacar que outras maneiras de complicar uma invasão são: adotar e-mails diferentes para a criação de contas; gerar senhas diferentes para cada um dos acessos; e manter o mínimo de informação confidencial armazenada no dispositivo. Essas são iniciativas simples e que podem ser adotadas rapidamente pelos usuários.

Do ponto de vista das empresas, a necessidade é investir em conhecimento e na consolidação de novos parâmetros culturais, com medidas que alertem e aprimorem a segurança dentro de suas operações. Para isso, é preciso que os líderes entendam a importância de se modernizar os processos, contar com especialistas capacitados para identificar e mitigar ameaças e, principalmente, adotar modelos de gestão que orientem e habilitem os colaboradores a manterem uma postura segura e consciente dos riscos virtuais.

Não há maneira de se manter 100% seguro, ainda mais porque as ameaças mudam constantemente. Mas usuários e empresas precisam ter consciência desse desafio e caminhar para uma rotina mais protegida. Todos têm seu papel nessa jornada de cibersegurança, que pode começar agora mesmo, em nossos celulares.

*Gina van Dijk é Diretora Regional do (ISC)² América Latina

 

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Transformação digital no mercado de trabalho

ex_tinder2.jpg23/08/2019 - Andrea Iorio, o ex-Head do Tinder na América Latina e atual Chief Digital Officer na L´oreal lança o livro "6 competências para surfar na transformação digital" que trata da importância da dimensão humana em meio à revolução digital

Assim como o Uber e o AirBnB, o Tinder quebrou paradigmas nos negócios e mudou a forma como vivemos. O aplicativo originou até o termo “tinderização”, que indica modelos de negócios digitais baseados na ligação entre pessoas com gostos e interesses em comum. Dessa forma, ninguém melhor do que o italiano Andrea Iorio - que comandou o Tinder no Brasil na época em o país assumiu o posto de segundo maior mercado do mundo do aplicativo e em que virou o app de maior faturamento do App Store brasileiro - para falar sobre revolução digital. Em setembro, chega às livrarias o primeiro livro do especialista, 6 competências para surfar na transformação digital, pelo Planeta Estratégia – selo de negócios da Editora Planeta.

Com experiências de vida e de trabalho em países como Itália, Egito, Estados Unidos, China, Marrocos, El Salvador e Israel, o autor compartilha exemplos de sua trajetória profissional, que inclui a atuação como investidor anjo de apps como Zen, Scorp e Filmr e a fundação do app beneficente Ajuda Já, assim como os aprendizados adquiridos na observação das mudanças sociais e humanas já provocadas pela Revolução 4.0.

A obra trata das competências básicas que todo profissional que deseja se sair bem em meio à transformação digital precisa dominar - seja em start-ups digitais com novos modelos de negócios, ou em empresas tradicionais que buscam se adaptar às mudanças trazidas pela tecnologia. O autor, que assumiu o cargo de Chief Digital Officer da divisão de produtos profissionais da L'Oréal em 2018, desmistifica a crença de que a transformação digital se restringe a debates técnicos ou aos departamentos de inovação das grandes empresas. O foco do autor é na dimensão humana, aquela que não poderá ser substituída pela automação e inteligência artificial.

“Transformação digital não é um termo sobre tecnologia, mas sim sobre pessoas. É um termo humano, sobre comportamento humano. E, no mundo dos negócios, não é diferente: é sobre como escalar um negócio por meio de novas competências dos times, tendo as ferramentas digitais como meio” diz o autor no livro.

Andrea Iorio explora temas como flexibilidade cognitiva, execução inovadora, conhecimento sobre comportamento humano, pensamento crítico, crescimento sustentável e altruísmo digital como garantia de sucesso em tempos disruptivos.

“Este livro é essencial para aqueles que estão envolvidos em qualquer processo de transformação digital, pois ele foca na mola-mestra por trás de qualquer revolução: o ser humano”- Martha Gabriel

Sobre o autor 

Andrea Iorio nasceu em Gênova, na Itália. É formado em Economia pela Universidade Bocconi e possui mestrado em Relações Internacionais pela Universidade John Hopkins. Com mais de dez anos de experiência em empresas multinacionais de tecnologia, é Chief Digital Officer (CDO) e membro do Comitê Executivo da divisão de Produtos Profissionais da L’Oréal Brasil. Também atua como investidor-anjo de startups digitais, como Zen, Filmr e Scorp. É fundador do app beneficente Ajuda Já, voltado à prevenção de suicídio. Ficou conhecido por lançar o Tinder no Brasil, do qual esteve à frente por quase cinco anos. Neste período, o país tornou-se o segundo maior mercado do mundo do aplicativo de relacionamentos e o app de maior faturamento no App Store brasileiro.

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Saiba como evitar golpes com criptomoedas

bitcoin3.jpg*Por Daniel Coquieri
14/08/2019 - Procurar por uma exchange de confiança e ficar atento a esquemas de pirâmide são algumas das dicas

Um grupo especialista na compra e venda de bitcoins, que inadvertidamente se afirmava como o maior do Brasil na área, tem sido alvo de processos judiciais desde junho. Isso porque os clientes não estão conseguindo sacar as quantias investidas e a Justiça, por sua vez, não está encontrando o dinheiro para ressarcir os clientes. O caso levanta uma importante discussão no mercado: como evitar golpes com criptomoedas?

A segurança do usuário e o cuidado para evitar ações maliciosas precisam ser as maiores preocupações das empresas, sobretudo quando elas têm o dinheiro de outras pessoas sob sua responsabilidade. Segue abaixo algumas uma lista das dicas mais importantes para evitar golpes com criptomoedas. Confira:

Procure por uma exchange de confiança

As exchanges são plataformas em que ocorrem a troca de moedas virtuais. Elas funcionam como corretoras no mercado de ações, conectando pessoas que querem comprar com quem quer vender suas criptomoedas.

Dê preferência por uma exchange que tenha certificações reconhecidas de segurança, por empresas que ofereçam instruções básicas e tirem dúvidas de seus investidores, principalmente se você estiver fazendo seus primeiros investimentos em criptoativos.

Atenção ao golpe de pirâmide

Um golpe muito comum com criptomoedas envolve o esquema de pirâmide, que funciona basicamente com um investidor inicial que convida outros para se unir ao grupo e lucrar em cima destes, sem a necessidade de venda de nenhum produto. Nesta lógica, quem está no topo sempre precisa de mais pessoas para alimentar a base e continuar o ciclo.

Geralmente, esquemas de pirâmide prometem retorno consideravelmente maior se o investidor chamar outras pessoas para participar da estrutura, além de garantir retorno certo, o que é um erro, pois o bitcoin é extremamente volátil e não assegura lucro. Cuidado com este tipo de golpe! As taxas de rendimento propostas são normalmente impraticáveis e acabam por deixar o investidor na mão, sobretudo na hora de recuperar o dinheiro investido. Nestes casos, a pergunta que o investidor deve se fazer é a seguinte: se os rendimentos são tão bons assim, por que a empresa precisa de tantos clientes?

Use processos de autenticação

Depois de encontrar a corretora de sua confiança, faça seu cadastro regular e respeite todos os processos de autenticação. Eles permitem validar se o usuário que está tentando entrar na conta é o mesmo cujos dados estão cadastrados no sistema. A medida garante um controle maior no acesso, proporcionando o máximo de segurança. Tenha ainda um e-mail com senha forte e não a compartilhe com terceiros.

Faça backups semanais

A fim de redobrar o cuidado e evitar ataques de hackers, é importante fazer backups frequentes da carteira digital, que devem ocorrer ao menos uma vez na semana. A impressão e o armazenamento de um documento físico também são uma alternativa interessante para garantir a eficácia da cópia de segurança em caso de invasão das suas informações ou perda do HD ou pendrive.

Atenção a tentativas de phishing

Uma prática bastante usada por cibercriminosos é o "phishing", técnica para "pescar" informações e dados pessoais importantes através de mensagens falsas. O usuário é levado a informar, por conta própria e inadvertidamente, alguns dados sigilosos que permitirão o roubo de suas criptomoedas. Preste atenção a e-mails maliciosos, principalmente se vierem acompanhados de links estranhos e forem enviados por remetentes desconhecidos ou não identificados.

Os criminosos podem até oferecer segurança ou suporte técnico mas, na verdade, querem copiar seus dados e podem, inclusive, transferir as criptomoedas. Confie apenas na assistência técnica que você tenha solicitado.

Não compartilhe informações sobre suas transações

É comum que o usuário interessado em investir em bitcoins participe de fóruns especializados para tirar dúvidas e colher opiniões sobre o tema. No entanto, é preciso ter cuidado para não compartilhar informações em excesso sobre seus investimentos, como qual é a sua carteira ou a quantidade de criptomoedas que você tem. Quando o assunto é o seu dinheiro, todo cuidado é pouco.

*Daniel Coquieri é COO da corretora de moedas digitais BitcoinTrade

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Tecnologia faz a diferença no Agronegócio

joao_comercio.jpg*Por João Comério
14/08/2019 - A agricultura vive um momento de grandes transformações, impulsionadas por fenômenos recentes ou pela aceleração de tendências, e acompanhar essa evolução não é tarefa fácil. Mesmo isoladamente, cada um desses fatores poderia vir a ter um impacto significativo sobre o setor do agronegócio. Em conjunto, essas tendências poderão redefinir a estrutura, a conduta e o desempenho dos agentes no segmento, produzindo novos vencedores e perdedores, tanto no nível de empresas como no de países inteiros.

As mudanças tecnológicas, ambientais e de mercado demandam que os players da cadeia do agronegócio, que queriam se manter e crescer, adaptem-se a um ambiente de maior incerteza, novos equilíbrios de força e necessidade crescente por respostas rápidas e decisivas.

Como é sabido, os resultados dos empreendimentos no agronegócio são fortemente impactados por fatores originados "da porteira pra fora", em outros elos da cadeia de valor. E, embora a disponibilidade de dados venha crescendo de maneira exponencial, as lideranças empresariais não têm acesso a informações críticas e essenciais para tomar decisões importantes para os seus negócios. Ou seja, lhes falta o que chamamos de inteligência competitiva.

O objetivo da inteligência competitiva é captar sinais de mudanças no ambiente externo que tenham impacto sobre o desempenho da empresa, tanto ameaças como oportunidades, antes dos seus competidores e a tempo de reagir sobre as informações. A ausência de processos efetivos de inteligência competitiva leva a prejuízos evitáveis ou ao desperdício de oportunidades.

O desafio maior não está na falta de dados, mas na transformação de dados em diretrizes para tomada de decisão, definindo as variáveis de interesse ("o que?") e estabelecendo protocolos para obtenção e curadoria das informações relevantes ("como"). Para isso, se faz necessário mapear quais informações são relevantes para o negócio não é uma tarefa trivial. Muitas vezes as relações entre variáveis importantes não são óbvias e ainda elas mudam ao longo do tempo.

Um exemplo básico dessa necessidade de avaliação e de variáveis nem sempre claras para os empresários do agronegócio pode ser visto na questão dos custos do transporte da produção agrícola. Muitos acreditam que ter as informações sobre os valores do frete e custos de transportadora seria o ideal. Mas se esquecem que esses valores também têm "n" variáveis, como mão-de-obra, custo do combustível, disponibilidade modal, entre outros. Isso fora a avaliação do próprio negócio, como demanda, projeção de safra, sazonalidade etc.

Neste caso, para se compreender uma das grandes preocupações do produtor agrícola, que é o custo do transporte é necessário monitorar, fazer projeções macroeconômicas, como inflação e juros; avaliar a política de preços da Petrobrás; estar atento aos movimentos da categoria (caminhoneiros), entre tantos outros aspectos extremamente variáveis.

Já no caso da pecuária, podemos citar como exemplo as variáveis que contemplam o investimento na ampliação da capacidade de abate de frangos de um frigorífico. É preciso avaliar dentro do planejamento premissas básicas como demanda, preços e custos, mas é necessário também ter em mente os indicadores antecedentes, como as tarifas de importação, mapa de plantio do milho, fenômenos naturais como o El Niño, tendências de consumo, entre outros. Para isso, é preciso saber quais são as fontes de dados confiáveis e pertinentes e quais são os meios de captura relevantes para essas informações. Apenas depois de ter todas essas informações nas mãos é que é possível o empresário definir e aplicar quais serão as medidas a serem tomadas.

Como se pode perceber, se manter, empreender e crescer no agronegócio não é tarefa fácil e exige resposta rápida do empresário e produtor. E neste universo tão dinâmico e variável, a inteligência competitiva é o fator decisivo entre o sucesso e o fracasso.

* João Comério é Presidente do Conselho do Grupo Innovatech, formado pelas empresas Innovatech Consultoria, Innovatech Gestão, Filius Venture e Auctus Inteligência Aumentada; Presidente do Comitê de Inovação da ABAG e conselheiro do fundo da USP.

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Colocation exige serviços para crescer no Brasil

rafael_garrido.jpg*Por Rafael Garrido
08/08/2019 - Colocation no Brasil é uma febre. Contamos com 45 data centers que oferecem serviços de Colocation (dados do Data Center Map); a maior concentração acontece no Estado de São Paulo (14 data centers) e, em segundo lugar, no Estado do Rio de Janeiro (7 unidades). Em termos de América Latina, os próximos países a se diferenciarem em Colocation são a Argentina, com 13 data centers focados neste modelo, seguido pelo México, com 10 unidades. Segundo o MarketWatch, em todo o mundo esse mercado deve chegar à marca de US$ 62 bilhões até 2022. A tendência é confirmada por dados do IDC: até 2023, a oferta de "floor space" de data centers de Colocation chegará a 70 milhões de metros quadrados. Como comparação, em 2023 a oferta de espaço em data centers privados será de 20 milhões de metros quadrados.

O cliente de Colocation é uma empresa usuária que opta por não investir em data centers próprios, preferindo utilizar data centers com perfil de Services Providers, com pagamentos mensalizados. Um data center que oferece serviços de Colocation coloca à disposição do cliente um espaço dedicado que fornece toda a infraestrutura para receber os racks com servidores, roteadores, etc. da empresa usuária. Essa base inclui soluções de energia e sistemas de climatização, tecnologias essenciais para a continuidade da operação do data center.

O mercado se subdivide entre data centers que apostam em Colocation "puro" – o aluguel de um espaço dedicado que não agrega outros serviços aos clientes – e players que partem da entrega do espaço dedicado e, a partir daí, vão acrescentando serviços, como oferta e implementação de servidores, além de gerenciamento da infraestrutura de energia e ar condicionado.

Os data centers de Colocation suportam a transformação digital da nossa economia.

O Brasil já conta com grandes players globais do mercado de Colocation: Equinix, Ascenty (adquirida pela Digital Realty), Odata (que conta como sócio a CyrusOne) e T-System, entre outros. Todos entregam serviços de Colocation e todos seguem investindo na ampliação desta oferta no Brasil. Nesse grupo há empresas que atuam como a base local das grandes nuvens globais (Google, AWS, Microsoft e Facebook). A expansão dessas nuvens no Brasil implica na expansão do data center de Colocation. Há casos em que a velocidade de crescimento é vertiginosa, com novos data centers de Colocation sendo contratados e entregues em tempo recorde. Estamos falando de ambientes com espaços que chegam a 5000 metros quadrados e que, quando lançados, já estão plenamente ocupados. Isso está acontecendo aqui e agora.

Esse perfil de uso caracteriza os data centers Hyperscale. De acordo com a empresa de análise de mercado IDC, um data center é considerado Hyperscale quando possui mais de cinco mil servidores ou conta com mais de mil metros quadrados de área.

Colocation inclui, também, o segmento de Varejo, em que normalmente o cliente é menor e contrata espaços mais reduzidos.

Neste modelo, constrói-se o data center para depois vender o espaço, em unidades que partem do metro quadrado para chegar a milhares de metros quadrados. É uma lógica de negócios bem diferente do modelo Hyperscale. Como o Colocation em formato Varejo acaba sendo uma resposta à otimização dos recursos de TI e Telecom das empresas usuárias, é comum que, além do espaço físico, esse tipo de cliente contrate uma quantidade maior de serviços. Aqui pode acontecer uma transferência real da operação para o data center de Colocation.

Em todos os casos, um único valor norteia as decisões do gestor do data center de Colocation: garantir a continuidade dos serviços e evitar o downtime. Essa falha causa prejuízos financeiros que podem chegar a atingir o valor da marca – especialmente no caso de empresas digitais que dependem da qualidade de serviços do data center para fidelizar o cliente.

Segundo a pesquisa 2016 Cost of Data Center Outages, levantamento realizado em 2016 pelo Instituto Ponemon e pela Vertiv, o impacto do data center outage é alto. Um downtime de 1 minuto provoca perdas que começam na faixa dos 36 mil Reais. O tempo médio de um downtime é de 80 minutos; em 2016, isso significava prejuízos de até 3 milhões de Reais. A extrema criticidade da operação provoca, portanto, uma pergunta que atormenta a todos: "o que eu posso fazer para minimizar o risco de downtime?".

Em 2019 e nos próximos anos, a resposta a esse dilema passa pela maturidade da cultura de serviços dos fornecedores do data center de Colocation.

Essa cultura é fortalecida pela qualidade de tecnologias de energia, resfriamento e gestão térmica do data center, mas vai além dessa base. A oferta de serviços 24x7x365, em todas as regiões do Brasil, para todos os tamanhos de data centers, é essencial para a economia digital. A confiabilidade da infraestrutura de missão crítica do data center aumenta com a constante monitoração do ambiente e um plano regular de serviços de manutenção preventiva.

Dentro deste contexto, irá se diferenciar a empresa que, inteira, tem o DNA da missão crítica em si, em todos os níveis organizacionais. No Dia de Natal, esse fornecedor de infraestrutura para data centers não deve ter somente um time de profissionais de plantão; é essencial contar com vários times de prontidão, do atendimento telefônico ao serviço de campo, da gestão de frota à emissão de notas fiscais, da expedição de peças ao gestor do centro de serviços remotos ao cliente. Ou seja: a organização inteira (pessoas, processos, produtos) está empenhada em garantir a continuidade dos serviços do data center, qualquer que seja o horário do chamado e a localização do data center.

A instalação de cabos submarinos que ligam Boca Raton, nos EUA, à praia do Futuro, em Fortaleza, é uma indicação do aumento da procura por serviços digitais de alto nível nesta região. O desafio da entrega de serviços aumenta, ainda, com a disseminação do Edge Computing e dos mini data centers – algo que já está acontecendo no nosso mercado. O Brasil é muito grande e o provedor de serviços para o data center de Colocation tem de estar – segundo as melhores métricas de SLA (Service Level Agreement) – a 50 km de distância de seu cliente ou a menos de 2 horas de viagem. Não é possível estar no Brooklin, em São Paulo, e em poucos minutos resolver o desafio de um data center na região de Campinas.

Vencerá o gestor de data center que equacionar fatores como a experiência dos profissionais de seu fornecedor, a distância geográfica entre o provedor de serviço e sua própria operação e o alinhamento deste parceiro às boas práticas. O prêmio será o crescimento do data center, das empresas, do Brasil.

*Rafael Garrido é diretor geral da Vertiv Brasil.

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Robôs: mercado de automação tem alta mundial em 2019

marcelo_miranda.jpg*Marcelo Miranda
06/08/2019 - Desde o final da década de 1990, um total de 2,25 milhões de robôs industriais foram implementados em todo o mundo. Até 2030, a previsão é que até 20 milhões de máquinas estejam em uso globalmente.
Em 2019 houve um aumento de mais de 18% no fundo composto por 90 empresas de ponta na indústria de robótica, automação e inteligência artificial – o ROBO Global's Robotics and Automation Index ETF, primeiro índice de benchmark do mundo a rastrear empresas do segmento.

O ganho do fundo no ano – que corresponde a quase 35% do ganho total do ETF acumulado desde o seu lançamento em 2013 – representa uma tendência que mostra estarmos nos aproximando de um momento decisivo para a indústria robótica na economia mundial. O uso de robôs em todo o mundo aumentou três vezes nas últimas duas décadas, para 2,25 milhões, de acordo com relatório da Oxford Economics. A previsão é de que 20 milhões de robôs estejam em uso industrial até 2030 .

O brasileiro especialista em automação industrial, Marcelo Miranda, explica que os próximos anos devem ser de mudanças tecnológicas que mudarão o modo de operar das empresas. "Estamos à beira de uma transformação globalizada que irá mudar a economia como um todo. Por meio da combinação de tecnologias como Automação, Inteligência artificial, Internet das coisas, Manufatura Aditiva e Manufatura Customizada, os fabricantes poderão criar novos modelos de negócios, mais produtivos, seguros e menos onerosos devido à alta capacidade de otimização dos processos", explica o especialista, que atua no mercado há mais de 30 anos e é CEO da Accede Automação Industrial.

Economia mundial

Ainda de acordo com o levantamento da Oxford, até 2030 os robôs serão peça-chave na produção e se tornarão 8,5% da força de manufatura global, 20 milhões de máquinas estarão em uso, somente a China terá cerca de 14 milhões de robôs de fabricação. Atualmente, o país asiático detém grande parte dos robôs em atividade no mundo: quase 20% do total.

"Já estamos vivendo a chegada do futuro e na próxima década isso será ainda mais palpável. No cotidiano industrial, empresas globalizadas terão automação de ponta e inteligência artificial. Diferentes segmentos de produção serão cada vez mais impactados pela robótica e pela inteligência artificial. Automação logística, segurança e vigilância são setores de grande destaque de robotização, além das áreas que envolvem a manufatura e que atualmente já contam com robôs em operação", acrescenta Miranda.

O estudo prevê que, se de fato houver aumento de 30% nas instalações de robôs em todo o mundo, isso adicionaria US $ 5 trilhões ao PIB global. Segundo a Oxford, isso equivale a aumentar a economia global em US $ 4,9 trilhões até 2030 (em preços atuais) - o equivalente a uma economia maior do que a projetada para a Alemanha.

Novos empregos

A chegada do maquinário tecnológico levanta debates comuns em diferentes partes do mundo. Entre os pontos abordados em perspectiva mundial, o futuro dos empregos. De acordo com dados do relatório The Future of Jobs, publicado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial, quase 50% das empresas esperam que a automação leve a alguma redução de sua força de trabalho de tempo integral até 2022.

Entretanto, a expectativa para o futuro dos empregos ainda é positiva. A partir de uma nova divisão do trabalho, poderão ser criados, 133 milhões de novos postos de trabalho que integram máquinas e humanos até 2022. "Devido ao grande número de máquinas sendo implementadas nos processos produtivos, haverá uma mudança estrutural na relação entre empregos e mercado. Podemos esperar uma nova categoria de trabalho, baseada em qualificação e educação. Essa mudança, acredito, também ajudará o homem a ocupar posições mais favoráveis e diminuir o trabalho repetitivo, insalubre, monótono e muitas vezes isolado, sem convívio social durante o expediente. Muito além da força, a inteligência humana será mais valorizada", argumenta Marcelo Miranda.

Nova relação homem x máquina

O especialista comenta que muitos trabalhadores exercem suas atividades isolados do convívio com outros trabalhadores e em muitos casos, repetindo tarefas que demandam baixa ou quase nenhuma necessidade de raciocínio. Isso afeta a motivação do trabalhador diariamente e é um desperdício da capacidade humana. Segundo ele, as novas tecnologias podem substituir esse tipo de função, proporcionando a oportunidade de migração da mão de obra para atividades onde pensar e tomar decisões sejam passos relevantes do processo.

"Um exemplo de atividade que isola o trabalhador é a função de "Picker" ou "Pegador". Essa tarefa, na logística e no comércio, exige que o trabalhador obedeça a uma máquina (computador) e vá aos locais onde estão os produtos, apanhe-os e coloque-os em cestos, devendo fazê-lo num período cronometrado e altamente controlado. Robôs logísticos e manipuladores podem executar tarefas assim e, ao contrário do que parece à primeira vista, esse tipo de mudança não elimina o emprego do trabalhador e sim possibilita uma mudança no uso da força de trabalho, abrindo novas oportunidades e até novas profissões", explica miranda.

O relatório The Future of Jobs comprova que, de fato, alguns postos de trabalho serão extintos com o incremento da automatização: 75 milhões de empregos poderão ser substituídos, mas sem causar estranhamento. Miranda explica que as mudanças são graduais e já podem ser percebidas no cotidiano. "Aos poucos você consegue notar uma nova função surgindo em uma empresa e outras que já não fazem mais sentido. Robôs e máquinas já estão trabalhando ao nosso lado, mudando a maneira como vivemos e trabalhamos. Os robôs colaborativos, nome dado à categoria de robôs que podem trabalhar seguramente ao nosso lado, estão cada vez mais em uso. Essa nova maneira de trabalho colaborativo divide as tarefas aproveitando o que homem e máquina fazem de melhor", finaliza.

*Marcelo Miranda é CEO e cofundador da Accede Automação industrial

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