"5G revoluciona experiência dos consumidores"

huawei_sun_baocheng_2.jpgPor Roberta Prescott e Carlos Afonso, Convergência Digital
01/11/2019 - As redes 5G estão vindo mais rapidamente do que a indústria esperava, com aparelhos mais acessíveis, espectro sendo alocado e prestadoras de serviços de telecomunicações lançando serviços baseados na nova geração da telefonia móvel, destacou Sun Baocheng, presidente da área de Telecom na Huawei, durante sua apresentação no Futurecom 2019, realizado de 28 a 31 de outubro, em São Paulo. O executivo apontou que cerca de 70 países vão disponibilizar espectro para 5G até 2021 e que a Coreia do Sul tem sido pioneira na adoção de 5G, enquanto a China está com implantação em larga escala e a Europa está correndo para lançar serviços.

"A Huawei está liderando os lançamentos globais, com 56 operadoras tendo implantado redes 5G", afirmou. Citando fontes diversas, ele apontou que o 5G terá 1,57 bilhão de usuários em 2025, 480 milhões de casas passadas com FWA e colocará US$ 289 bilhões de contribuições líquidas ao Produto Interno Bruto (PIB). "O 5G entrega uma experiência transformadora para os consumidores e, por isto, os clientes estão dispostos a pagar mais às operadoras", afirmou.

De fato, como o executivo sinalizou, as redes 5G vão redefinir modelos de negócios para o consumidor final, sendo capazes de entregar mais métricas de monetização e pacotes mais atraentes de serviços. Para o mercado corporativo (B2B, na sigla em inglês), Sun Baocheng disse que haverá modelos de negócios mais flexíveis, com monetização das conexões e com 5G ativando ganhos de produtividade.

Em entrevista em vídeo à CDTV, Sun Baocheng enfatizou que a chegada de 5G vai prover conexões mais rápidas e com menos latência, proporcionando a criação de modelos de negócio que hoje não são possíveis. Assista à íntegra da entrevista aqui:

 

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ISPs ultrapassam 2 milhões de novos acessos em 2019

banda_larga_fixa.jpgPor Henrique Julião, Teletime
01/11/2019 - Em setembro, o mercado brasileiro de banda larga fixa adicionou 174,8 mil novos contratos, levando a base nacional do serviço para 32,675 milhões de acessos ativos, em alta de 0,54% no mês. Mais uma vez, o grande destaque dos dados divulgados pela Anatel foram os provedores regionais de Internet (ou ISPs): ao todo, o segmento registrou 299,2 mil novos clientes. No acumulado de 2019, as adições geradas pela categoria somam 2,017 milhões, ultrapassando o crescimento líquido de 1,987 milhão do total de 2018.

Ao todo, são 8,450 milhões de acessos detidos pelos players regionais, em alta de 31% ao longo de 2019. No mesmo período, o mercado de banda larga cresceu 4,6%, totalizando 1,442 milhão de clientes adicionados. Líder no market share do segmento com 9,544 milhões de contratos, o grupo Claro Brasil (que engloba Claro, Embratel e Net) registrou 182,7 mil novos acessos no ano, sendo 333 incluídos no mês de setembro.

Por outro lado, Telefônica e Oi contabilizam quedas de base tanto no acumulado do ano quanto no nono mês de 2019. Com 7,238 milhões de acessos ativos, a Telefônica perdeu 58,6 mil em setembro e 342,7 mil desde janeiro. Já a Oi teve 62,1 mil e 399 mil desconexões nos mesmos intervalos – ficando com 5,595 milhões de clientes.

No caso da Algar, as 2,6 mil novas conexões de setembro formam 27,8 mil ao longo do ano, para 605,9 mil contratos ativos. Com base menor (554,4 mil), a TIM, por sua vez, adicionou 7,5 mil clientes no mês passado, totalizando 69,9 mil adições em 2019.

Já a base da Sky retraiu tanto em setembro (menos 7,6 mil) quanto no acumulado (menos 101,6 mil), para 254,3 mil. O mesmo ocorreu com a Copel, que soma 288,7 mil após quedas de 4,3 mil no mês e de 20,5 mil no ano.

Tecnologias

Entre as tecnologias, o acesso via fibra ótica somou 455,7 mil novos clientes apenas em setembro, sendo 3,218 milhões ao longo de 2019. Dessa forma, 27,7% da base brasileira de banda larga fixa já é amparada pela tecnologia, ou 8,899 milhões de contratos.

A julgar pelo ritmo de expansão, a base ótica pode ultrapassar a de cabo coaxial (HFC) já neste mês de outubro, após esta perder 13,8 mil acessos em setembro. Por conta de uma mudança na metodologia da Anatel, os resultados para o ano do HFC não estão disponíveis, mas 9,240 milhões de contratos são habilitados pela tecnologia (ou 28,4%).

No caso dos acessos via cobre (xDSL), a retração em 2019 é de 1,808 milhão, sendo 254 mil desconexões em setembro. Ainda assim, a tecnologia segue como a mais relevante estatisticamente, com 10,424 milhões de contratos, ou 31,9% do total brasileiro.

Acompanhando o crescimento da base em fibra, os contratos com velocidades acima de 32 Mbps também tiveram forte expansão em setembro, com 408,6 mil novos acessos no mês. Ao todo, 11,857 milhões de clientes contam com o nível de serviço (36,2% da base).

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Claro expande rede de IoT para mais de 2.250 cidades

paulo_cesar_teixeira_claro.jpg30/10/2019 - A Claro anuncia a expansão da sua rede de Internet das Coisas (IoT) no Brasil. A operadora já está presente em cerca de 13,5 mil sites e em mais de 2.250 cidades espalhadas pelo país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Distrito Federal e Salvador.

Na Claro, as redes IoT são complementares às tradicionais, como o 4G e 4.5G, e funcionam nas frequências de 700MHz e 1.800 MHz. O crescimento dessa cobertura faz parte da avançada sequência de projetos que deixará a malha da operadora totalmente preparada para a oferta da Internet das Coisas ao longo dos próximos meses. Hoje, 75% da rede já possui as novas funções e o objetivo é cobrir toda área que já conta com o 4G da Claro.

"A Claro passa por um intenso e robusto plano de modernização tecnológica e ampliação de seus sites. Dentro desse programa de ações, as funções do IoT já foram consideradas. Agora, vamos focar na expansão para as demais áreas. Tudo isso, junto com outros movimentos de evolução de rede, como a consolidação de backbone com tecnologia fotônica e a construção de novos datacenters, visando a virtualização de elementos de core de rede para a futura rede 5G", explica Paulo Cesar Teixeira, CEO da Claro (foto).

A tecnologia é padronizada pelo 3GPP – 3rd Generation Partnership Project –, para uso em iniciativas de Internet das Coisas que usam frequência licenciada de 4G. São padrões de conectividade seguras, com baixo consumo de energia e de processamento computacional, e que garantem a transmissão de dados necessária para aplicações de IoT. A tecnologia usa a mesma infraestrutura do 4.5G da Claro, otimiza o investimento, acelera a implantação e aumenta a possibilidade de monetização com novos modelos de negócio.

Com a adição dos novos padrões, a Claro também irá ampliar a sua atuação em verticais como agronegócio, gestão de frotas, saúde e cidades inteligentes. Um bom exemplo é a plataforma Agricultura Digital, que envolve as novas redes CAT-M. Hospedada em Data Center da Embratel, a solução realiza a coleta de dados relevantes como umidade do solo e outras informações meteorológicas, utilizando sensores instalados no campo. As informações são tratadas com Analytics para ajudar no controle das plantações e no diagnóstico de medidas corretas sobre irrigação, por exemplo. Ao utilizar o Machine Learning, a solução sugere de forma automática as correções e melhorias para os cultivos.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, a Claro já é uma das maiores em M2M, o precursor do IoT. São mais de sete milhões de terminais nesse nicho.

Agricultura 4.0 e startups

Na frente de internet das coisas, a Claro apresenta junto com a Ericsson algumas soluções de IoT desenvolvidas pela área de negócios em parceria com o beOn Claro, hub de inovação da operadora. São iniciativas que buscam auxiliar e aprimorar o agronegócio no Brasil. Usando a rede NB-IoT, a solução Claro IoT apresentada foi desenvolvida em conjunto com a startup Agrusdata e traz uma estação meteorológica com objetivo de coletar informações das fazendas, melhorando a precisão da colheita e do plantio. Usando outra rede de IoT, o CAT-M, a Claro traz, em parceria com a startup Agres, um computador de bordo que permite a condução autônoma dos tratores e também auxilia o operador a reduzir falhas durante a condução da máquina agrícola, otimizando, por exemplo, a preparação do solo para as sementes. Para a futura rede 5G, a solução apresentada usa drones para monitoramento de fazendas por meio de aplicação de realidade aumentada.

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NEC mostra aplicações 5G no Futurecom 2019

5g_c.jpg28/10/2019 - Entre as soluções presentes no estande, estão IoT, Video Analytics, reconhecimento facial e computação de borda, todas unidas pela plataforma NEC 5G de negócios verticais

No maior evento de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) do Brasil, que acontece de 29 a 31 de outubro, em São Paulo (SP), a empresa apresentará soluções estrategicamente aplicadas na representação de uma avenida inserida numa cidade do futuro.

O conceito proposto pela companhia reforça sua posição como orquestradora de soluções e tem como base a plataforma NEC 5G de negócios verticais para suportar as operadoras e provedoras de comunicação a abrirem caminho para a integração e fornecimento das tecnologias. "Com a chegada iminente da rede 5G, teremos um mundo novo de oportunidades para inovar e tornar a nossa sociedade muito mais conectada, com benefícios para todos os setores. A NEC, como um dos principais players do universo 5G e com larga experiência no Japão e no mundo, com aplicações voltadas para os segmentos de agricultura, saúde, construção, entre outros, está pronta para os novos desafios e para elevar as operadoras a um patamar de provedoras de serviços de alto valor aos clientes", afirma Angelo Guerra, vice-presidente da NEC no Brasil.

A chegada da rede de quinta geração, muito esperada pelo mercado brasileiro, deve avançar no país a partir de 2020, com o leilão da frequência, e vai alavancar a aplicação de sistemas de ponta nas cidades, como os que a NEC mostrará no Futurecom:

Smart Lighting – A solução é um exemplo nítido de IoT (Internet of Things), que pode ser utilizado nas cidades para melhorar a vida dos cidadãos, uma vez que, ao mesmo tempo que ajuda a adaptar a iluminação nos postes das ruas de acordo com as necessidades de cada região, como aumentar a incidência de luz quando há trânsito de pessoas ou carros, também oferece inteligência ao sistema. Junto com o equipamento responsável pelo controle da luminosidade, a NEC aporta à proposta toda camada de segurança e conectividade, além da expertise em integração.

Reconhecimento Facial  A tecnologia de biometria digital da NEC, o NeoFace Watch, reconhecida pelo NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia) como a mais rápida e precisa do mercado, por cinco anos seguidos, mostrará aplicações de segurança pública em espaços abertos para dar suporte às forças policiais e também, em outro ambiente, dará as boas-vindas aos visitantes do estande que autorizarem a captação da imagem. Por meio destas demonstrações, será possível verificar exemplos de aplicação da plataforma em situações de identificação de pessoas em ambientes externos e também internos. O mesmo sistema permite que, do outro lado do estande, o atendimento humano possa personalizar a experiência de visitação no local.

Video Analytics Dentro da cidade do futuro proposta pela NEC, está presente a solução de Vídeo Analítico, que une Inteligência Artificial e machine learning, permitindo processar e compreender um alto volume de informação e grande quantidade de fluxos de vídeos, em tempo real ou off-line (modo investigativo). De uma forma muito mais moderna, rápida e fácil do que nos tradicionais centros de monitoramento, nos quais se encontra uma infinidade de telas transmitindo imagens captadas pelas câmeras na cidade, a plataforma da NEC fornece informações e alertas para uma variedade de ações, eventos e cenas de interesse. Graças à capacidade de aprendizado da máquina e do entendimento de contexto de vídeo, incluindo o reconhecimento de diversos padrões, a tecnologia consegue, por exemplo, monitorar e fazer gestão de tráfego urbano e rodoviário, detectar atividades suspeitas ou violentas e atos de vandalismo, além de fazer sensoriamento ambiental interno e externo, segurança predial, entre outras análises. O sistema de Video Analytics pode ser empregado em diversas verticais, tais como: Governo; transporte; infraestrutura crítica, a exemplo de mineradoras e arenas de esportes, e logística.

Datacenter in a Box  A solução de Edge Computing (computação de borda) da NEC concentra, de forma simplificada, todos os serviços de rede e, no caso da aplicação durante o Futurecom, dará suporte aos sistemas em ação no estande da empresa. Os destaques do produto são a baixa complexidade, graças ao gerenciamento com interface única, a redundância, o simples dimensionamento e a alta disponibilidade. O Datacenter in a Box pode ser fornecido pela NEC com toda a infraestrutura de energia e refrigeração para que o cliente não precise se preocupar com readequações em sua instalação. A companhia oferece essa solução no mercado com um custo inferior graças aos acordos globais que tem estabelecidos junto a parceiros e que permitem compor um produto à medida das necessidades do cliente.

Smart Health  A tecnologia de IoT é, mais uma vez, o destaque desta solução, desenvolvida em parceria com a empresa brasileira Salvus. Este sistema voltado à área de saúde conta com sensores com a função de se conectar à rede para adquirir e fornecer dados que visam ajudar os profissionais da área a aumentar a qualidade de determinado serviço, a segurança e a produtividade. No Futurecom, os visitantes poderão conhecer a plataforma de gestão de oxigênio medicinal, demonstrada por sensor instalado em cilindro de O² e plataforma web, capaz de administrar, de modo centralizado, o ciclo de consumo, estoque e entrega do produto em ambiente doméstico (home care) ou hospitalar. O sistema IoT, além dessas funções, automatiza as condições de temperatura, permite digitalizar prontuários e gerar relatórios. Um aplicativo conectado à solução interliga os profissionais da empresa e faz a gestão da agenda de atendimentos, avisando no caso de alguma urgência.

Angelo Guerra explica que a participação no Futurecom 2019 destaca, entre outros fatores, a expertise da companhia na integração de sistemas e na oferta de soluções de ponta, seja por meio de tecnologia própria ou fornecida por parceiros. As alianças da empresa também estão em evidência no evento, uma vez que a NEC compartilha o espaço do estande com seus parceiros estratégicos -- Open Labs, DELL, Juniper Netowrks e A10 Networks. "Neste ano, estamos levando ao Futurecom mais do que somente soluções superavançadas, mas, principalmente, um conceito integrado de tecnologia, que faz muito sentido para a realidade tanto no âmbito público quanto do privado", complementa Guerra.

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GSMA: proposta de edital do 5G preocupa Anatel

5G_b.jpgPor Bruno do Amaral, do Teletime
28/12/2019 - A nova proposta de edital para o leilão de 5G recebeu críticas do conselho diretor da Anatel em relação à complexidade, mas a indústria procura achar também um lado positivo. Para Amadeu Castro, senior executive advisor da GSMA Latin America, a questão maior é o timing para adequar à formatação sugerida. A preocupação é justamente com a adequação operacional da agência em relação à nova modelagem, uma vez que isso poderia comprometer o prazo pretendido para a realização do certame. "Pode ser que seja uma ideia nova boa, mas que fica meio espremida entre o tempo do leilão e de ela estar preparada, pois requer um sistema novo, tem de ser automatizado. Como isso ainda é consulta pública, pode ser que isso leve mais tempo", declara Castro.

A questão é que a GSMA tem uma visão de que, quanto mais espectro, melhor. O ideal para a associação é de blocos de 100 MHz por operador, e isso já não estava completamente garantido na minuta anterior do edital. Com a inclusão das prestadoras de pequeno porte (PPPs) e segregação dos blocos, Castro observa que isso poderia gerar a complexidade da proposta. Porém, ele entende que poderia haver lances em conjuntos por vários lotes simultâneos, desde que o sistema da Anatel tenha essa opção.

No entendimento dele, contudo, há aspectos positivos. Castro argumenta que a proposta de Vicente Aquino é a de "tentar construir uma solução balanceada, sem descartar tudo que veio antes e nem a área técnica". O diretor da GSMA se diz "impressionado com a intenção do conselheiro de construir um edital para todos", e avalia que não houve uma predisposição de enfrentamento, mas de trazer "uma ideia boa".

Espectro

Amadeu Castro avalia, contudo, que o novo marco legal de telecomunicações (Lei nº 13.879/2019) pode trazer consequências para futuros leilões, uma vez que não deverá trazer redundâncias de obrigações. "Não atravessa a questão da renovação de espectro, mas pode trazer impacto no edital com relação às obrigações", diz. "Após a lei, se a Anatel decide que alguém que migrar [de concessão para autorização] vai colocar investimento em backbone e backhaul, o edital não vai pedir isso, mas cobertura móvel. Aí sim, sem o backhaul e backbone, não tem 5G. Essa equação tem de ser resolvida."

No frigir dos ovos, para a GSMA, quanto menos amarras regulatórias, melhor. Uma das propostas da entidade para além da discussão do leilão de 5G é a de que se repense o modelo de prestação de serviço de tecnologias legadas como o 2G: a ideia é que uma empresa só tenha a infraestrutura de rede, que seria compartilhada com todas as outras operadoras. "Flexibilidade regulatória é algo que a gente advoga", declara. Vale lembrar que a proposta de acordo de compartilhamento de rede entre TIM e Vivo abrange uma parceria semelhante para a tecnologia GSM.

Neutralidade

A posição do diretor da GSMA é que o conceito de slicing network (fatiamento de rede) para o 5G não vai ferir o conceito de neutralidade de rede previsto no Marco Civil da Internet. "O MCI permite que você diferencie entre camadas, mas não dentro da mesma camada – se for um carro conectado, a Ford não pode ser mais do que a Volkswagen", argumenta. Ele ressalta que o slicing permitirá serviços inovadores, e que uma neutralidade de rede "total absoluta mataria o 5G".

*O jornalista viajou a Los Angeles a convite da GSMA.

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EUA vs. China: uma disputa entre sistemas?

eua_vs_china_2.jpgPor Samuel Possebon, do Teletime
28/12/2019 - O Mobile World Congress que foi realizado semana passada em Los Angeles (MWC19 Los Angeles) mostrou claramente uma diferença na forma como a questão da relação com fornecedores chineses é tratada pelos EUA e pela própria GSMA, organizadora do evento. Trata-se de uma associação global, da qual grandes fornecedoras chineses, como a Huawei, participam. E a mensagem da associação na abertura do evento, ainda que muito preocupada com a questão da confiança e da segurança das redes, foi clara em relação aos riscos de fragmentação do ecossistema caso governos estabeleçam barreiras comerciais, ainda que nenhum episódio ou empresa tenha sido diretamente nominado. A Huawei, contudo, esteve praticamente ausente do evento, com apenas um palestrante em uma sessão secundária. Um funcionário da empresa que circulava nas sessões confidenciou: a empresa tinha mais de 1 mil funcionários nos EUA antes das investidas de Donald Trump, mas depois do início da disputa comercial reduziu seu quadro a 400.

É compreensível a ausência dos chineses no evento: o MWC19 tem forte peso da CTIA na seleção de conteúdos e palestrantes. A CTIA é a associação de operadores móveis dos EUA e, obviamente, é muito mais próxima do governo americano. E autoridades governamentais daquele país estiveram em várias das sessões dando seu recado, também claro, sobre "fornecedores confiáveis" e "redes seguras". A questão geopolítica estava implícita em todo o evento, como já estivera em Barcelona, quando acontece o principal evento do setor, o MWC Barcelona, mas lá sem o "peso governamental" dos EUA.

"Disputa de sistemas"

Algumas falas, contudo, ilustram de maneira transparente o que de fato está em jogo nas ações norte-americanas em relação aos chineses. Uma das mais emblemáticas talvez seja o discurso do comissário da FCC, Brendan Carr (indicado por Trump para a agência reguladora norte-americana), que falou em uma das sessões sobre segurança do evento de Los Angeles.

Ele destacou o papel que o 5G pode ter na economia do futuro e na importância estratégica para os EUA, mas enfatizou: "Outros países também querem os benefícios, as oportunidades econômicas das plataformas de nova geração. Mas a China é um país que quer mais do que isso. Pequim vê a chance de conquistar e ampliar a dominância econômica para a próxima década", ponderou o comissário da agência reguladora norte-americana.

O discurso de Carr, de certa forma, escancara o cenário de disputa em que se colocaram os EUA em relação a quem terá esta dominância tecnológica. "Assim como há alguns pessimistas que duvidam que o 5G trará um avanço significativo em relação ao 4G, há aqueles que duvidam que os EUA possam estender sua liderança global no 4G para o 5G. Eu não sou desses, e aponto alguns fatos", disse o comissário, enumerando alguns aspectos na "disputa" com a China que, em suas palavras, "confirmam que os EUA estão vencendo a corrida para o 5G". Entre eles, o fato de os EUA terem lançado serviços 5G em 14 cidades em 2018 e terem o serviço em 30 cidades hoje (contra zero da China). Citou também a expectativa de ter, em 2022, uma taxa de adoção do 5G duas vezes mais rápida do que a China, e o compromisso das operadoras de atenderem 99% da população dos EUA com 5G ("não ouvi nada da China nesse sentido", disse Carr).

O comissário lembrou que algumas pessoas enxergam vantagens da China no seu modelo centralizado de governo e chegam a propor que os EUA façam o mesmo. "Afinal, é uma competição entre dois sistemas de governo diferentes, duas visões de mundo". Entre as supostas vantagens da China, diz Carr, estariam o fato de o governo, "num estalar de dedos, encomendar milhares de células 5G para serem instaladas do dia para a noite", ou a possibilidade de liberar espectro "sem discutir com quem ocupa a faixa ou com a interferência com os serviços de satélite que ainda nem existem".

Carr diz que enquanto a China tem estas vantagens aparentes, algumas estratégias adotadas pelos EUA seriam mais acertadas. "Na China, 5G significa frequências intermediárias (mid-band, ou 3,5 GHz), e apenas isso, aparentemente. Eles não licenciaram espectro de 5G para banda altas", o que seria, na visão do comissário, um grande problema pela importância das bandas altas para serviços que demandam velocidades mais elevadas. Também apontou a ausência de planos da China para bandas baixas, que reforçariam a cobertura. Esta política dos EUA, diz Carr, é movida por uma demanda real, não pela burocracia.

Subsídio indireto

Ele ainda destacou que o as operadoras chinesas são todas controladas pelo Estado, com estratégias coordenadas, e que compram equipamentos conforme a vontade do governo pagando mais caro por isso e indiretamente subsidiando os preços e margens (ele não diz de qual fornecedor). "Estas estatais não enfrentam questões de zoneamento ou estética urbana, não perdem tempo com questões ambientais e preservação de patrimônio histórico". Ele cita ainda subsídios para a implementação de rede, descontos em energia, liberação rápida de permissões de construção de antenas, concessão de terrenos entre outras supostas vantagens dadas a operadoras estatais pelo governo central chinês como forma de vantagens.

"Mas isso não significa que o modelo chinês é um sucesso", diz Carr. "Não cria valor. Não se mede o sucesso nessa corrida pela quantidade de caixas de metal que você coloca em uma torre", diz o comissário. "Usar dinheiro do povo para uma rede 5G que não será usada, que não está alinhada com uma demanda real, é uma estratégia podre em sua essência", disse o conselheiro. "A China não está construindo a melhor rede, nem a mais rápida, e por isso é apenas uma competição entre sistemas, algo que nos é familiar. E por isso sabemos que a China vai perder a corrida", disse, exaltando que o modelo privado dos EUA é supostamente mais eficiente por estar diretamente vinculado a uma necessidade real do consumidor e como as pessoas efetivamente usam a rede e como as empresas inovam sobre ela. A íntegra do discurso de Carr pode ser lida aqui.

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