Imaginem: a Livraria Barnes & Noble fechou suas portas. Para sempre

Ethevaldo Siqueira, com Arnaud Leparmentier, correspondente de Le Monde em Nova York

Em Nova York, eu passava horas revirando os livros da Livraria Barnes & Noble, uma das mais famosas dos Estados Unidos. Fico triste em comprovar o que era apenas um temor: o e-commerce está matando o comércio tradicional. O mundo que vive nas ruas da metrópole americana reflete a mudança digital que as redes de lojas tiveram de enfrentar com a pandemia do Covid-19.

Depois de navegar na Amazon, encontramos um CD player para comprar, mas o prazo de entrega era de quatro dias. Muito tempo, no mundo conectado. Então, recorri ao Best Buy Directorate na 86th Street no Upper East Side de Manhattan, para fazer algumas compras. A loja da cadeia de distribuição barata parece um armazém mal abastecido, muitos comerciantes estão lá para vender quase nada. Um infeliz toca-discos leitor de CD está nas prateleiras, o que não corresponde aos nossos desejos. De volta à Amazon.

Após um ano da pandemia Covid-19, Nova York está voltando à vida, mas de uma maneira diferente. Confusos, todos percebem que as coisas mudaram. A vida nesta zona residencial é mais acolhedora, com os terraços cobertos conquistados nas enormes avenidas, o que confere a Manhattan um ar europeu. A qualidade dos menus está melhorando.

Os moradores se acostumaram a sair pelo bairro a pé em vez de descer para a cidade, para além dos bairros comerciais ainda vazios. Mas, por trás dessa vida gastronômica renovada, assoma o deserto comercial, em particular ao redor das estações de metrô, privado de viajantes por mais de um ano.

A livraria Barnes & Noble fechou definitivamente suas portas. “Livraria é um negócio muito grande e muito cara”, disse o proprietário. Mal arrumada, acima de tudo, esta livraria onde o cliente vagava sem encontrar nada que despertasse sua curiosidade. Mais uma vez, de volta à Amazon, que entrega no dia seguinte.

A lista de empresas fechadas é interminável

Poderíamos acrescentar o cinema, que fechou as portas antes da pandemia e também não vai reabrir: as instalações estão em construção. Mas também lojas de roupas, cada vez menos numerosas. A rede H&M adaptou seus horários para a pandemia, mas tranquiliza os transeuntes com um lindo cartaz na porta: “Não se esqueça: H&M.com está aberta vinte e quatro horas."

O passeio ao redor na 86th Street é apenas uma sucessão de decepções: tentando fechar uma linha de telefone da T-Mobile, no caminho para a loja onde tinha tirado a assinatura. A loja mudou para um local mais espaçoso. Estamos muito satisfeitos pelo atendimento personalizado que promete ser, quando o vendedor muito gentilmente explica que o serviço solicitado é efetuado ... apenas por telefone.

Durante a pandemia, a gangorra digital de Nova York acelerou, inclusive nas lojas sobreviventes. No supermercado Fairway, os clientes são convidados a escanear seus produtos enquanto compram com um aplicativo de smartphone e a finalizar a compra.Caso contrário, é uma espera interminável na fila dos antigos caixas tradicionais. O mesmo vale para as lojas farmacêuticas CVS.

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