Qualcomm e USI deverão produzir chips no Brasil

1_assinatura.jpgPor Ethevaldo Siqueira
08/02/2018 - Em solenidade realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, foi assinado na segunda-feira, (05) o acordo de formação de joint-venture entre a norte-americana Qualcomm Technologies Inc., uma subsidiária da Qualcomm Incorporated, de um lado, e a chinesa USI (Universal Scientific Industrial Co., Ltd.), de Shangai, de outro. A assinatura oficializa a primeira etapa do projeto que deverá ter um investimento de R$ 600 milhões e que poderá gerar cerca de 800 empregos. Além disso, tem o apoio da Investe SP – empresa do governo paulista.

A assinatura (foto) contou com a participação da Qualcomm Inc., representada por seu presidente global, o brasileiro Cristiano Amon e o presidente a Qualcomm na América Latina, Rafael Steinhauser, enquanto, do lado chinês, por C.Y. Wei, presidente da USI. A cerimônia contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, do ministro Gilberto Kassab, da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, de outras autoridades setorias e prefeitos municipais de cidades do Interior.

Embora o acordo ainda esteja sujeito a diversas condições para fechamento, ele prevê a instalação de uma fábrica de módulos semicondutores em São Paulo. O projeto será dedicado à concepção, desenvolvimento e fabricação de módulos de componentes para smartphones e dispositivos de Internet das Coisas (IoT) no Brasil.

O acordo formaliza o memorando de entendimento não vinculativo assinado pelas duas companhias em março de 2017 com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e a Investe São Paulo, que representa o governo do Estado de São Paulo.

O acordo para a formação da joint-venture é resultado direto da continua colaboração entre a Qualcomm Technologies, Inc., a USI e entidades do governo brasileiro, que têm trabalhado em conjunto para consolidar a base e fomentar o crescimento da indústria de semicondutores no Brasil, além de estabelecer as condições para a possível criação desta joint venture.

Com apoio no legado e na liderança industrial e tecnológica da Qualcomm, o produto principal da joint-venture será uma linha de módulos “system in package” com chipsets Qualcomm, que integrará em um único componente de frequências de rádio e de componentes digitais destinados a smartphones e dispositivos de IoT.

Esses produtos são desenvolvidos com o objetivo de simplificar ao extremo os processos de engenharia e de fabricação, além de reduzir custos e tempo de OEMs (Original Equipments Manufacturers) e fabricantes de dispositivos de IoT. Desenvolver os componentes no Brasil poderá também permitir a redução do déficit de importação de circuitos integrados ao expandir e diversificar a produção brasileira de semicondutores. Vale lembrar que o Brasil gasta atualmente cerca de US$ 20 bilhões com a importação de componentes microeletrônicos.

“As plataformas e soluções da Qualcomm continuam apoiando e acelerando a indústria móvel”, explica Cristiano Amon (foto), presidente da Qualcomm Incorporated. “A colaboração entre a Qualcomm e a USI tem como objetivo desenvolver as melhores soluções para smartphones e plataformas para sistemas de IoT, oferecendo a conectividade, segurança e acessibilidade que seus clientes precisam para criarem produtos inovadores e melhorarem a experiência do usuário”.

Na avaliação de Rafael Steinhauser (foto), vice-presidente sênior e presidente para a Qualcomm da América Latina, “o projeto deve ajudar a fomentar a adoção de IoT no Brasil, já que algumas das plataformas de tecnologia suportadas por essa joint venture serão desenvolvidas para ajudar a facilitar o desenvolvimento e fabricação de dispositivos conectados além de smartphones no país".

A USI, segundo seu presidente C. Y. Wei (foto), tem estado à frente em tecnologias de miniaturização há mais de 15 anos. E explica: “Nossas conquistas e experiência nos tornam o colaborador ideal para produzir módulos multicomponentes altamente integrados para smartphones e dispositivos IoT. A economia brasileira é a maior da América Latina e representa um grande potencial de crescimento para módulos integrados. A USI utilizará a competência tecnológica de nossa companhia, ASE, para ajudar a construir um setor de semicondutores no Brasil e na América Latina. Estamos otimistas com esta joint-venture que poderá aumentar o número de empregos locais nos próximos cinco anos”.

Gilberto Kassab, titular do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), disse que a formação da joint-venture por empresas de relevância mundial representa um passo importante para a inserção do Brasil na cadeia global de semicondutores, acelerando o desenvolvimento de produtos de alta tecnologia e criando competências importantes em nosso país”.

A nova empresa resultante da joint-vente deverá ser instalada no Estado de São Paulo, na região de Campinas,  como resultado da colaboração entre o Estado, a USI e a Qualcomm. O início da produção industrial é previsto para  2020.

A cerimônia contou com a presença do governador Geraldo Alckmin

A liderança da Qualcomm

As tecnologias da Qualcomm deram força a revolução dos smartphones e conectaram bilhões de pessoas. A empresa foi uma das pioneiras em 3G e 4G – e agora está voltada para o 5G, uma nova era de dispositivos inteligentes e conectados. Seus produtos estão revolucionando indústrias como a automotiva, de computação, de IoT, de saúde e de data center, e estão permitindo que milhões de dispositivos se conectem entre si de formas nunca antes imaginadas. Qualcomm Incorporated inclui negócios de licenciamento, QTL, e a grande maioria de nosso portfólio de patentes. Qualcomm Technologies, Inc., uma subsidiária da Qualcomm Incorporated, opera com suas subsidiárias todas as funções de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, além de todos os negócios de produtos e serviços, que incluem nosso negócio de semicondutores QCT. Para mais informações, visite nosso website, OnQ blog e nossas páginas no Twitter e Facebook.

O grupo chinês ASE

O ASE Group está entre os principais fornecedores de serviços de manufatura de semicondutores, incluindo testes, montagem e concepções de materiais e fabricação de concepção. Como um líder global, o grupo atende as crescentes demandas e necessidades da indústria para maior performance em chipsets menores e mais rápidos, desenvolvendo e oferecendo um amplo portfólio de soluções e tecnologias que incluem o design de programação teste de circuitos integrados, testes de engenharia front-end, sondas wafer, flip chips, systems in package, serviços de testes finais e fabricação de eletrônicos por meio da Universal Scientific Industrial Co., Ltd e suas subsidiárias, membras do ASE Group. Para mais informações, visite a página MailScanner detectou uma possível tentativa de fraude de "urldefense.proofpoint.com" www.aseglobal.com.

O braço industrial: USI

USI é uma companhia líder global, em ODM/SEM (ODM é a sigla para Original Design Manufacturing e SEM designa Semiconductor Equipment Manufacturing). A empresa provê design, miniaturização, materiais, manufatura, logísticas e serviços posteriores de dispositivos eletrônicos/módulos para marcas. USI é parte da ASE Group e foi listada no Shanghai Stock Exchange em 2012. A companhia tem anos de experiência na indústria de serviços em manufatura de eletrônicos e impulsiona a tecnologia líder da ASE Group, torando possível que a USI ofereça aos seu clientes uma diversidade de produtos no setor de comunicação wireless, computadores e armazenamento e eletrônicos industriais, automotivos e para o usuário final no mundo todo. Com uma rede de serviços de vendas na América do Norte, Europa, Japão, China, Taiwan e locais de fabricação na China, Taiwan e México, a USI emprega cerca de 15.000 pessoas mundialmente. Para mais informações, visite o site www.usish.com

 Matéria atualizada dia 08/02/2018 às 19:16hs

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Irwin Jacobs criou a Qualcomm, ícone da microeletrônica

jacobs_etc-.jpgPor Ethevaldo Siqueira
14/02/2018 - Numa matéria de mais de página inteira, o New York Times deste domingo (11 de fevereiro de 2018) mostrou as preocupações de San Diego diante da eventual compra da Qualcomm pela BroadCom, que fez a oferta de US$ 121 bilhões pela empresa que San Diego chama de "Our Flag". A Qualcomm recusou a oferta.

Na foto à esquerda, o jornalista Ethevaldo Siqueira e Irwin Jacobs, um dos fundadores da Qualcomm

A empresa é um ícone no mundo da microeletrônica e das telecomunicações móveis. É possível que o leitor use um smartphone que funciona graças a um Snapdragon, ou SOC (System on a Chip) da Qualcomm, maior fabricante dessa família de componentes para celulares no mundo.

Neste artigo quero apenas relembrar a evolução extraordinária dessa empresa, que tem sido um orgulho para San Diego e para os Estados Unidos. Dou, também, um pequeno testemunho do que aprendi com Irwin Jacobs e outros líderes dessa empresa – hoje presidida pelo brasileiro Cristiano Amon. Aliás, como ele mesmo diz com orgulho: um campineiro.

Em meu trabalho como jornalista, ao longo de mais de 20 anos, tive a oportunidade de conhecer o grande líder da Qualcomm, Irwin Jacobs, hoje aposentado, com 84 anos, uma figura inesquecível para mim.

Meu primeiro contato com ele foi em San Diego, no início da década de 1990, quando a Qualcomm ainda estava decolando no mundo da microeletrônica e das telecomunicações. Além Jacobs, entrevistei diversas vezes de Andrew Viterbi, um de seus seis companheiros na fundação da Qualcomm, que veio diversas vezes ao Brasil, na década de 1990 para estudar o mercado brasileiro. Nas suas entrevistas, que eram verdadeiras aulas, Viterbi foi para mim um verdadeiro professor de eletrônica e telecomunicações.

O perfil de Jacobs

Nascido em New Bedford, Massachusetts, Irwin Jacobs formou-se em engenharia elétrica na Universidade de Cornell e concluiu o mestrado e o doutorado no MIT, o famoso Massachusetts Institute of Technology, em 1959. Depois de mudar-se para a Califórnia, trabalhou como professor de engenharia elétrica e eletrônica, e como consultor e projetista de placas de circuito integrado e chips mais complexos.

Nessa época, em companhia de outros engenheiros de alto nível, decide fundar a Linkabit, uma empresa de consultoria que contratou pesquisas para clientes como a NASA e outros da área de telecomunicações em espaço profundo (para as naves que visitam outros planetas), além da projetar e construir placas de circuitos, chips e outros componentes.

À medida que o Linkabit crescia, passava a atrair engenheiros de instituições de prestígio como MIT e Stanford para a área de San Diego. E à medida que a Universidade da Califórnia em Los Angeles crescia, a Linkabit passou a contratar mais engenheiros localmente. Os engenheiros da Linkabit foram uma espécie de semeadores de novas empresas na área.

Em 1985, Jacobs partiu para um novo projeto, em companhia de antigos colegas para criar uma empresa centrada em "comunicações de qualidade", ou, resumidamente, Qualcomm.

Ao sair da Linkabit, Irwin Jacobs, Andrew Viterbi e mais cinco engenheiros da empresa decidiram fundar a Qualcomm. Assim nasceu a empresa, em San Diego, na casa do Dr. Irwin Jacobs, ocasião em que os sete engenheiros delinearam o plano que evoluiu para se tornar uma história de sucesso sem paralelo entre as start-ups da indústria de telecomunicações: a Qualcomm Incorporated.

San Diego: "Qualcomm is Our Flag"

Poucas empresas no mundo estão ligadas a uma cidade de forma tão indissolúvel como a Qualcomm e San Diego. A cidade se orgulha do sucesso e da alta tecnologia da Qualcomm. O nome dessa empresa identifica desde a Escola de Engenharia da Universidade da Califórnia em San Diego até o grande estádio – o Qualcomm Stadium  de futebol americano da cidade, além de casas de concerto e escolas música. Em 2010, a empresa inaugurou seu museu em San Diego, para contar a própria evolução da tecnologia.

A filantropia do casal Joan e Irwin Jacobs

Como fundador e personalidade mais famosa da história da Qualcomm, Irwin Jacobs tem dado extraordinária força à população de San Diego. Ele e sua esposa, Joan, aceitaram tranquilamente o desafio bilionário de Warren Buffett, como de Bill Gates, e se comprometeram a doar pelo menos a metade de sua considerável fortuna para causas filantrópicas.

Na cidade, são bem conhecidas as generosas as ofertas do casal para cuidados médicos, pesquisas, educação e artes. Essas doações incluem, por exemplo, US$ 120 milhões para a San Diego Symphony, um montante similar à Escola de Engenharia Jacobs da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), US $ 75 milhões para um hospital especial da mesma universidade e US $ 30 milhões para o Instituto Salk de Estudos Biológicos.

A revista The Chronicle of Philantropy (A Crônica de Filantropia) classificou o casal entre os 22 doadores mais generosos dos EUA em 2011, com doações que totalizaram US $ 64,9 milhões apenas em 2010. De lá para cá, foram feitas diversas outras doações.
Menos divulgadas, mas não menos importantes, são as muitas ações não-financeiras do casal Jacobs, que utiliza a tecnologia das comunicações para beneficiar os cuidados de saúde, a educação e o aprimoramento da qualidade de vida das pessoas, especialmente nos países do Terceiro Mundo.

Para mais informações sobre a Qualcomm e sua importância para San Diego, leia a matéria do New York Times. Clique nesse link:

Matéria atualizada dia 14/02/2018 às 15:37

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Um grande papo com Arthur Clarke há 39 anos

arthur_clarke_intelsat.jpgPor Ethevaldo Siqueira
19/02/2018 - Em homenagem a Arthur Clarke decidi publicar novamente neste portal (www.mundodigital.net.br) a primeira entrevista que esse grande futurólogo do século 20 me concedeu há quase 40 anos, em setembro de 1979, em Genebra, por ocasião da Telecom 79, evento mundial promovido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Foi naquele encontro quase casual na gigantesca exposição que pude conversar tranquilamente com Arthur Clarke e desenvolver uma amizade, à distância, que me rendeu mais duas entrevistas nos anos 1980.

O primeiro tema de nossa conversa foram os satélites. Clarke me disse, com toda a sua convicção, que a informação e o entretenimento começavam a ser levados a qualquer ponto da Terra pela TV via satélite. Mais do que isso: os satélites poderão reverter na próxima década esse processo explosivo de urbanização, esse superpovoamento das cidades do Terceiro Mundo. Suponho que sua previsão ainda está longe de acontecer.

Para ele, a nova geração de satélites de comunicação e de pesquisa permitirá também vigilância constante sobre os recursos naturais e as fontes de poluição – o que é absolutamente verdadeiro.

As antenas receptoras se tornarão minúsculas. E o mostrador de um relógio poderá ser o display para a comunicação instantânea. Mas nem por isso o homem será mais feliz. Há riscos políticos na TV mundial de transmissão direta. Arthur C. Clarke revê aqui suas principais previsões no campo das comunicações.

Leia, a seguir, o ambiente em que ocorreu nosso diálogo e os pontos principais daquela entrevista com o grande escritor.

Um passeio pela exposição, com Clarke

arthur_clarke_3.jpg"Em Genebra, Arthur Clarke (foto à esquerda) está em seu mundo. Passeia por entre os estandes de indústrias e instituições que exibem o que há de mais avançado e moderno em matéria de eletrônica, comunicações e informática. Aqui é uma demonstração de transmissão de TV por filamentos de fibra óptica da espessura de fio de cabelo. Ali é um computador que lê, com voz sintética, qualquer texto em qualquer língua, a partir de solicitações introduzidas num material com teclado. Computadores falantes já não atraem o cientista e escritor. Ele para diante do pavilhão da França e fica encantado com os terminais de vídeo, aplicados ao sistema telefônico – como os vídeofones previstos em sua histórias de science-fiction. Eles perderam a magia. A telemática apresentada pelos franceses é apenas uma antevisão da sociedade que ele imaginou para 1990.

Em 1979, Arthur Charles Clarke está com 62 anos. Inglês de Minehead, Somerset, Reino Unido, ele foi presidente da Sociedade Interplanetária Britânica por duas vezes.

Em Genebra, nos últimos dias de setembro, ele procura com algum nervosismo encontrar o caminho do vasto pavilhão britânico. "Andei de um lado para o outro e não encontrei o caminho. Talvez precise de um radar. Eu tenho que tomar um drink com eles".

É fácil entender por que Arthur Clarke procurava o estande britânico. É que lá ele poderá rever alguns amigos que deixou no British Post Office, quando durante muitos anos trabalhou na organização de telecomunicações, ainda como engenheiro desconhecido.

Arthur Clarke foi a Genebra (a convite do consórcio Intelsat, de telecomunicações via satélite) visitar a Telecom 79, a exposição mundial de telecomunicações patrocinada pela UIT – União Internacional de Telecomunicações, de 20 a 26 de setembro. Ele mora em Colombo, capital do Sri Lanka (antigo Ceilão). Nos últimos 10 anos, ele dá aulas numa universidade de lá uma vez por semana.

Está alegre, brincalhão, entre as pessoas que não o conheciam no estande do Intelsat – entidade que foi buscá-lo em Colombo apenas para que ele autografasse 200 posters que reproduziam seu primeiro artigo sobre a comunicação via satélite, escrito em 1945, na revista Wireless World.

"Os originais desse artigo me foram desapropriados, eu diria praticamente furtados, por amigos que doaram à Instituição Smithsoniana, de Washington. Aliás não tenho mais nenhum original de meus primeiros escritos sobre satélites".

Arthur Clarke se tornou popular no mundo a partir de seu trabalho como roteirista do filme "2001 Odisséia no Espaço" – embora nessa época, 1968, já tivesse publicado uma dúzia de livros de sucesso.

É um entusiasta dos satélites geoestacionários de telecomunicações. Ele para durante alguns minutos diante de uma maquete que traz uma réplica do Intelsat V (satélite da quinta geração, que iria ao espaço um mês depois, lançado do Cabo Canaveral)".

Veja o que ele pensava em 1979

Como vê o futuro da comunicação via satélite?

Arthur Clarke - Eu já escrevi um livro inteiro a respeito do assunto. É um assunto muito vasto.

Mas, digamos, apenas quanto às características das próximas gerações de satélites.

Bem, as estações repetidoras tendem a reduzir seu tamanho, tornando-se cada vez menores. Chegaremos às estações portáteis, e mais ainda: atingiremos fatalmente o ponto em que será possível a obtenção de quaisquer tipos de serviços de comunicações que possamos imaginar ou desejar, onde quer que estejamos. E, obviamente, proporcionando redução extrema dos nossos deslocamentos diários, das viagens para negócios e novas formas de combate à poluição ou de solução dos nossos problemas de energia.

Por que o senhor aponta o seu relógio de pulso, ao falar em redução progressiva do tamanho das estações receptadoras?

Arthur Clarke - É porque até o fim do século, teremos receptores do tamanho deste relógio de pulso. No mostrador, teremos algo parecido com uma tela de televisão minúscula e alguns alto-falantes em miniatura.

Mas acho que uma das coisas mais importantes que os satélites nos proporcionaram foi a possibilidade de reverter o contínuo e tradicional fluxo migratório do campo para as cidades, nas quais tudo acontece e onde se decidem os interesses imediatos do homem. Mas esse fluxo intenso tem causado sérios problemas aos países em desenvolvimento, como o Brasil ou a Índia, com suas cidades superlotadas.
Veja que se esses países começam a obter informação e entretenimento para todos – ou parcialmente todos – os seus habitantes, onde quer que eles vivam, talvez seja possível reduzir o êxodo do campo. Tenho muita esperança que essa redução prossiga.

Além do artigo quase profético "estações repetidoras extra-terrestres" (Extra-terrestrial relays), publicado na revista inglesa "Wireless World" em outubro de 1945, que antecipações mais o senhor teria feito com relação à comunicação via satélite?

Arthur Clarke - Todos os meus pontos de vista sobre o assunto podem ser encontrados num livro que eu publiquei, entre tantos, especialmente um: Voices From the Sky. Há outro ainda mais recente, The View From the Display que contém o discurso que eu fiz na solenidade do Centenário do Telefone, no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), em 1976, entre outras coisas nessa linha de idéias.

Uma das coisas que eu ressaltava em 1962, quando publiquei Voices From the Sky era que as técnicas de telecomunicações tem-se desenvolvido de forma tão fantástica que passam a fazer parte do cotidiano. As pessoas consideram coisas normais e corriqueiras o telefone, o rádio, a televisão em cores, o cinema, a reprodução sonora de alta fidelidade transmitida em FM estéreo ou a comunicação via satélite diariamente em seu jornal da TV. Pouca gente, contudo, sabe avaliar o futuro e as possibilidades de tais meios de comunicação quando eles surgem. A percepção do futuro próximo, mesmo em termos muito práticos e simples, não é comum entre a maioria das pessoas. As massas não tem imaginação criadora. (Os governantes raras vezes a têm).

Eu dizia que os ingleses da era vitoriana não podiam atribuir qualquer seriedade ao telégrafo elétrico de Morse, em 1844. As coisas não mudaram muito em termos de atitude.

Eu previ, antes do Telstar ou do Early Brid que os satélites de comunicação transformariam os meios de transmissão convencionais dos anos 40 em algo tão obsoleto como os sinais de fumaça dos índios americanos. E recordo que nossos avós reagiram com a mesma frieza diante da invenção da válvula a vácuo de três pólos por Lee de Forest, no começo do século. Essa válvula, simplesmente, marcou o nascimento da eletrônica, da telefonia sem fio, do rádio, das ondas curtas.

Seu artigo "Estações extra-terrenas", do "Wireless World", calculava com bastante rigor a posição dos três satélites geoestacionários, a 35.800 quilômetros sobre o equador terrestre, entre outros pontos curiosos. Em que aspectos, contudo, suas previsões não se realizaram?

Arthur Clarke - É um tema realmente interessante. Eu escrevi o artigo em 1945. Isso quer dizer quase que dez anos antes do transístor, não? Assim, eu teria que imaginar imensas estações espaciais tripuladas. Veja só. Eu trabalhava com microondas e radar naquela época e era obrigado a trocar pelo menos uma ou duas válvulas por dia em cada equipamento. Mais jamais poderia supor ou sequer sonhar com essas caixas pretas eletrônicas naquela época. Esse foi o ponto principal que não poderia prever. Mais ainda: não poderia pensar que tudo isso poderia ocorrer em tão pouco tempo: foguetes, satélites, eletrônica e computadores.

Tudo que o artigo de 1945 especulava estava bastante preciso para o conhecimento daquele momento. Veja o artigo. (Arthur Clarke pede ao repórter que leia o último parágrafo). Veja esse trecho:

"Considerando todos esses pontos, quase não vale a pena gastar tanto esforço na construção de sistemas de transmissão de longa distância. Mesmo as redes locais que serão construídas a curto prazo poderão ter uma vida útil de apenas 20 ou 30 anos".

Isso nos leva a 1975. Logo eu poderia estar um pouco adiantado ou aproximado em relação a essas datas. Mas, inegavelmente, estava percebendo bem a tendência.

No final de seu artigo de 1945, defendendo os satélites geoestacionários, havia quatro conclusões resumidas que mereceriam ser reanalisadas. Pode fazê-lo?

Arthur Clarke -  A primeira delas dizia que só há um meio de alcançar a cobertura mundial efetiva para todos os tipos de serviços de telecomunicações (TV, telefone, rádio, transmissão de dados, etc.). Plenamente confirmada e verdadeira in totum. A segunda dizia que os satélites síncronos permitiriam o uso irrestrito de, pelo menos, uma banda de freqüência de 100 mil Megahertz (ou 100 Gigahertz), e algo quase limitado em número de canais que, dessa forma, poderiam ser utilizados. Em terceiro lugar, eu afirmava que a tendência de transmissão exigida seria muito pequena já que a eficácia da "iluminação" direta estaria próxima dos 100%. Mais do que isso: os custos de transmissão seriam extremamente baixo.

E, por último, eu concluía que, embora o sistema de três satélites exigisse grandes gastos iniciais, isso representaria apenas uma fração da substituição de toda a rede mundial de comunicações além dos custos de operação serem incomparavelmente mais baixos.

É bom lembrarmos que a comunicação de satélite representa hoje mais de 70% de todo tráfego internacional.

Mas o senhor fazia previsões políticas em artigos posteriores quanto às consequências da comunicação internacional via satélite?

Arthur Clarke -  Fazia, sim. Uma delas – discutível – foi a de que, no futuro, o mundo iria falar apenas russo e inglês. Ou melhor: uma dessas línguas seria a principal.

E isso não aconteceu com o inglês?

Arthur Clarke - Sim, mas entraram aí outros fatores, entre os quais a própria comunicação de massa não transmitida via satélite. Eu dizia, para enfatizar, que o satélite de recepção direta de TV será mais poderoso do que o míssil balístico intercontinental. E afirmei que essa TV mundial pode ser uma espécie de arma decisiva ou total.

E ainda continua pensando assim?

Arthur Clarke - Acho que as superpotências já entenderam qual é a força e quais são os riscos dessa TV que pode ser captada (no futuro) em qualquer ponto do Planeta, por qualquer pessoa, com o uso de aparelhos portáteis de reduzido custo e tamanho.

Uma de suas previsões dizia que assistiremos ao desaparecimento dessa floresta de antenas, como espetos, sobre as casas nas grandes cidades. A floresta parece aumentar.

Arthur Clarke -  É questão de mais alguns anos apenas. Vamos chegar às pequenas parábolas, como já acontece com as antenas de satélite que estão ali fora, expostas ao ar livre.Lembra-se das primeiras antenas para comunicação com o Intelsat II, por exemplo? Tinham mais de 30 metros de diâmetro. Hoje, as que se instalam para a comunicação na Amazônia, para dar o exemplo do seu país, já tem menos de cinco metros, creio. E já se desenvolveram antenas de apenas um metro de diâmetro.

No futuro, serão mesmo pequenos pratos ou pires de 10 ou 15 centímetros. Essas antenas pontuadas que vemos sobre as casas vão desaparecer em menos de dez anos, nos países mais desenvolvidos.

E poderíamos pensar num correio eletrônico via satélite, de escala mundial?

Arthur Clarke -  Evidentemente. Eu já sugeri, há quase 20 anos, o "correio em órbita", substituindo toda correspondência via aérea, sistemas modernos de facsímile, capazes de transmitir mais texto do que todo o seu jornal dominical ou a edição do New York Times em apenas um minuto. Cada leitor acionará, de tempo em tempo, um botão em seu terminal de vídeo e aparecerá a página mais recente do "diário do espaço", edição mundial. Acredito firmemente que editores de livros de bolso e jornais deveriam pensar seriamente no quanto serão afetados por essas transformações. Já quem publica livros de arte ou revistas de alta qualidade será menos afetado pelo "correio orbital".

E sua visão é ainda pessimista diante da evolução dessa tecnologia fantástica? Aqui, em Genebra, nesta feira de novidades eletrônicas, de telecomunicações, não há uma espécie de deslumbramento diante dessas maravilhas da indústria e da ciência?

Arthur Clarke -  O risco é muito grande. De um lado, pode-se prever que haverá muito tempo livre para o lazer, para a música, para o esporte, para a cultura. Mas veja que nossas crianças já passam 30 horas por semana diante do vídeo – em geral para assistir a coisa de baixo valor cultural ou estético. Essas mesmas crianças não gastam o mesmo tempo com a soma de estudos, esportes, música ou passeios em contato com a natureza.

Acho, hoje mais do que nunca, que o homem está-se tornando um espectador, passivo, mero observador sem senso crítico diante de um tubo de raios catódicos (vídeo). Isso não quer dizer que a TV não possa ainda melhorar sua qualidade ou sua função. Mas relembro o final de meu artigo em Voices From the Sky: "Quando os deuses querem destruir alguém, dão-lhe primeiro um televisor. De preferência em cores".

(Entrevista publicada originalmente na Revista Nacional de Telecomunicações, de outubro de 1979)

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Há 10 anos, o mundo perdia Arthur Clarke

clarke_1.jpgPor Ethevaldo Siqueira
19/02/2018 - Há 10 anos, no dia 19 de fevereiro de 2008, o mundo perdia Arthur Clarke (1917-2008), um dos maiores escritores de ficção científica, astrônomo, pesquisador da vida submarina, astrônomo e engenheiro de telecomunicações. Com o filme 2001-Odisseia no Espaço, o cinema popularizou uma de suas obras de ficção mais famosas. Li uma dúzia de seus livros – tanto os de ficção como os científicos. Os que mais me agradaram foram: “Odisseia no Espaço”, “O fim da Infância” e “Terra Imperial”.

Vou destacar inicialmente dois aspectos de sua vida. Primeiro, como engenheiro de telecomunicações. Num artigo profético, em 1945, foi esse escritor que previu o futuro dos satélites geoestacionários de telecomunicações, e calculando até a sua localização a 36.000 km de altitude no plano do equador terrestre. Sua previsão se transformou no primeiro sistema global de telecomunicações via satélite, com o consórcio Intelsat.

Em segundo lugar, Clarke era apaixonado por recifes de coral, a ponto de trocar sua vida em Londres para viver no Sri Lanka, e poder mergulhar e explorar os corais dos mares da região. Conheci e entrevistei Clarke em 1979, na maior feira de telecomunicações promovida pela União Internacional de Telecomunicações (foto), que tinha o nome de Telecom 79, realizada em Genebra. Nos anos 1980, tive oportunidade de entrevistá-lo mais duas vezes.

clarke_recifes_1-1.jpgA paixão por recifes de coral

Arthur Clarke, que morou durante décadas em Sri Lanka, foi a pessoa mais apaixonada por essa formação única da natureza que conheci. Ainda com mais de 70 anos ele viajava anualmente à Austrália para mergulhar e fotografar a Grande Barreira de Corais. Seus olhos brilhavam quando ele falava sobre a beleza dos cenários submarinos que fotografava naquela região.

Vista de um satélite, a Grande Barreira de Corais da Austrália tem esse aspecto, mostrada na foto da Wikipédia em português, que utilizo aqui. Aliás, se você não conhece a Grande Barreira de Coral da Austrália, coloque-a em sua lista dos mil lugares que terá de visitar antes de morrer. Eu posso morrer feliz – pelo menos neste ponto.

Considerada um “Tesouro da Austrália”, a Grande Barreira de Corais localiza-se no Mar de Coral, no litoral de Queensland, entre as praias do nordeste da Austrália e de Papua-Nova Guiné. Maior estrutura única feita por organismos vivos na face da Terra, com mais de 2.900 recifes individuais e 900 ilhas e 2.300 km de comprimento, ela cobre uma área de cerca de 344.400 km². Sua maior importância é abrigar uma extraordinária biodiversidade, que inclui cerca de 400 espécies de corais.

Do ponto de vista puramente econômico, pode gerar bilhões de receita com o turismo e a pesca, além de empregar dezenas de milhares de pessoas. Essa Great Barrier Reef, como a chamam os cientistas, atrai cerca de 2 milhões de visitantes por ano. Daí se pode concluir que o grande problema e o maior risco para a Grande Barreira de Corais são as pressões ambientais que ela pode sofrer e os consequentes impactos causados pelo ser humano sobre o clima.

“Como tesouro nacional da Austrália, essa formação única de corais exige uma compreensão muito mais ampla da sua condição e do que a está ameaçando” – afirma Tim Malthus, líder do monitoramento costeiro do instituto de pesquisa científica CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), em Canberra, Austrália. O cientista afirma com convicção: “Quanto mais a compreendermos, melhor poderemos protegê-la”.

A foto acima, publicada no artigo da Wikipédia em português sobre a Grande Barreira de Corais, mostra essa estrutura vista de um satélite. Para os especialistas, ela é a maior estrutura do planeta feita unicamente por organismos vivos.

Patrimônio mundial da humanidade, por decisão da ONU, e considerada uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo pela CNN, essas estruturas de recifes são compostas por bilhões de minúsculos organismos, conhecidos como pólipos de coral, que asseguram e viabilizam a sobrevivência de uma grande biodiversidade.

Se você gosta do tema e quer conhecer mais sobre a Grande Barreira de Corais, e gostaria de ler um artigo especial do CSIRO, que essa instituição considera “uma longa história de trabalho com parceiros na área do património da Grande Barreira de Coral Mundial e suas bacias adjacentes, abrangendo toda a sequência contínua a partir do interior para os recifes exteriores, acesse os links abaixo:
 http://www.csiro.au/en/Great-Barrier-Reefhttp://www.csiro.au/en/Great-Barrier-Reef

As três entrevistas com Clarke

Tive o privilégio de entrevistar esse homem fascinante três vezes de 1979 a 2001. Além do primeiro encontro em Genebra (cuja entrevista transcrevo na matéria seguinte), tive uma segunda oportunidade de estar com Clarke três anos depois, em Paris, numa feira de eletrônica, o que me rendeu outra longa entrevista. Nunca desmenti sua impressão de que fosse engenheiro de telecomunicações. Aliás, ele tinha grande interesse pelo Brasil. Sempre me pedia informações sobre projetos brasileiros, como o dos satélites de telecomunicações Brasilsat, da Embratel.

Nosso terceiro encontro, no entanto, só ocorreu em 2001. Com mais de 80 anos, Clarke já mostrava problemas de saúde. Diversos jornalistas o procuravam naquele ano para conferir as previsões mostradas no filme 2001, Uma Odisséia no Espaço. A todos ele dizia: “Eu não queria que o filme fosse datado. Mas o Stanley Kubrick (diretor do filme), com sua teimosia, insistiu em manter o ano 2001 no título. Agora me cabe justificar porque o computador ainda não pensa”.

Mais do que satélites e computadores, sua grande paixão era o telefone. “Em minha opinião, a invenção do telefone foi a que mais revolucionou a economia e a comunicação no mundo. Agora, se quer saber o que eu lamento nunca ter previsto em meus escrito, foram as duas maiores invenções do século 20: o transistor e a internet.”

Nunca me considerei amigo próximo de Clarke, até porque sempre vivemos como antípodas, embora em nossas mensagens por e-mail ele me chamasse, por amabilidade, de My Brazilian friend. Colaborativo e solícito, me sugeriu dezenas de fontes de informação e abriu portas para que eu entrevistasse grandes cientistas e acadêmicos, nos Estados Unidos e na Europa. Seu apoio me foi muito valioso para escrever, há 10 anos, o livro “2015-Como Viveremos” (foto).

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Sinal analógico de TV será desligado em São Luís (MA)

tv_analogica2.jpg23/02/2018 - Anatel divulga desligamento em São Luís (MA) e em dois municípios paulistas

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, visita na próxima segunda-feira (26/02) a capital São Luís (MA), no dia 28 o município de São José do Rio Preto (SP), e no dia 01/03 Bauru (SP) para divulgar o desligamento do sinal analógico de TV aberta. O desligamento nessas localidades está marcado para o dia 28/03.

Em São Luís, o presidente fará a entrega gratuita do kit, composto por conversor, controle remoto e antena, de número 184 mil. Famílias cadastradas nos programas sociais do Governo Federal, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Tarifa Social de Energia Elétrica têm direito a receber o kit. Eles serão entregues às 11h45 no Ponto de Distribuição Cohama, que fica na Avenida Daniel de La Touche, 10 B. Serão entregues na capital maranhense um total de 290 mil kits.

Juarez Quadros fará a entrega do kit de número 37 mil em São José do Rio Preto às 11h. No total, serão doados 53 mil kits. Os beneficiários dos programas sociais podem buscar seu kit no Ponto de Distribuição Central, localizado na Rua Prudente de Moraes, 3057. E em Bauru, será entregue o kit nº 40 mil, de um total de 57 mil.

A digitalização da TV aberta permitirá que os telespectadores assistam aos seus programas com maior qualidade de som e imagem. Com o desligamento do sinal analógico, haverá também a liberação da faixa de 700 MHz, atualmente ocupada por canais de TV aberta em tecnologia analógica. Essa radiofrequência será utilizada para ampliar a oferta do serviço de telefonia e internet de quarta geração (4G LTE) no Brasil.

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Conheça as dez prioridades da Anatel em 2018

anatel-fistel2.jpgPor André Silveira
, Telaviva
21/02/2018 - O presidente da Anatel, Juarez Quadros, divulgou nesta terça, 20, durante o Seminário Políticas de (Tele)Comunicações, os 10 pontos da agenda que considera prioritários para o ano de 2018. Um dos itens é o regulamento de gestão de qualidade de serviços de telecomunicações. A tendência, neste caso, é concentrar esforços em um número reduzido de indicadores que melhor atenda aos anseios dos usuários e minimize os custos administrativos e operacionais das prestadoras.

Segundo Quadros, a Anatel também trabalha na reavaliação do modelo de gestão do espectro, considerando as melhores práticas internacionais, quanto ao planejamento, monitoramento, limites, formas de autorização, custos e compartilhamento de frequências.

A reavaliação sobre controle dos bens reversíveis também está na pauta da agência. O foco é aprimorar procedimentos, anuências, alienações, oneração e desvinculação dos bens reversíveis.

Quadros também destacou a revogação de 150 atos normativos da agência que já estão sem vigência. "Essa medida vai nos dar mais qualidade e consistência regulatória", argumenta.

O modelo de tratamento das prestadoras de pequeno porte é outro item da pauta prioritária para o ano, segundo o presidente da Anatel.

A reavaliação da regulamentação sobre preço púbico pelo direito de exploração de satélite também.
Quadros diz que a Anatel dará início ao processo de regulamentação da Internet das Coisas (IoT), mas apenas após a aprovação das diretrizes da Política Pública pela Presidência da República e Ministério da Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC)

Outro item prioritário, diz ele, será a a revisão da resolução 537/2010, que trata da faixa 3,5 GHz. Neste caso, segundo apurou este noticiário, existe a possibilidade de que a Anatel adote um modelo de venda combinado, com uma parte da faixa de 3,5 GHz e outra na faixa de 2,4 GHz, para que se consigam viabilizar blocos de 80 MHz a 100 MHz, mínimo necessário para aplicações de 5G. Mesmo assim, ainda existem dúvidas sobre a possibilidade de se conseguir mais do que 300 MHz de espectro ao todo para um processo de venda, considerando que existe um trabalho de limpeza da faixa de 3,5 GHz a ser feito e também,

"Há muito para ser feito em 2018. Estes são apenas dez dos 61 itens da agenda regulatória para 2018. As demandas se sucedem e exigem nossa atenção e esforço. Nesse contexto, enviei aos presidentes das operadoras, no começo deste ano, expediente para que continuem a corrida encontrando atender à demanda de ampliação de cobertura e da qualidade dos serviços de telecomunicações, com objetivo de auxiliar nas transformações necessárias para o desenvolvimento do país", destacou o presidente.

Quadros reiterou ainda que em 2018 a agência estará mais atenta ao tema atendimento. Na prática, isso significa que haverá intensificação nos processos de fiscalização relacionados às falhas de informação na oferta e contratação de serviços de telecomunicações e nas alterações dos planos, à indisponibilidade das informações obrigatórias no espaço reservado ao consumidor e às dificuldades em cancelamento.

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