Educação: padrão da Finlândia

finlandia.jpgTatiana Feitosa de Britto (*)
26/05/2013 - Até recentemente, pouco se ouvia falar da Finlândia nos debates sobre política educacional comparada. O ponto de inflexão, em 2001, foi a divulgação dos primeiros resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA)1, desenvolvido pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de monitorar o desempenho dos sistemas educacionais dos países participantes, de maneira rigorosa, sistemática e internacionalmente comparável.

Entre 2000 e 2009, data dos últimos dados disponíveis do Pisa, a Finlândia esteve sempre entre os primeiros colocados, nas três áreas avaliadas (leitura, matemática e ciências), alcançando resultados significativamente acima das médias da OCDE. E com uma característica distintiva: no caso finlandês, qualidade anda de mãos dadas com equidade – o país registra a menor diferenciação de resultados entre escolas.

As reformas que levaram ao sucesso educacional finlandês recente foram implementadas ao longo de quatro décadas, a partir dos anos 1960. Paralelamente, durante o mesmo período, a Finlândia experimentou mudanças sociais e econômicas de monta, transformando-se em uma das sociedades mais avançadas do mundo em termos de bem-estar social, competitividade econômica e inovação tecnológica.

O marco inicial das reformas foi a introdução da escolarização básica de caráter público, universal e compulsório, dos 7 aos 16 anos de idade, sem barreiras de seleção ou concursos de admissão. Essa etapa foi delegada às escolas municipais, às quais se integrou a maioria das escolas privadas até então existentes. Hoje, apenas 3% dos alunos finlandeses de ensino fundamental frequentam escolas privadas, que também são financiadas por recursos públicos e oferecem ensino gratuito.

Peça-chave nesse processo de reforma foi a construção de um novo currículo básico nacional. Outro fator crucial foi o reconhecimento de que, para lograr um sistema educacional que atendesse bem a todos os alunos – independentemente de aptidões específicas, status socioeconômico ou origem familiar –, seria imprescindível contar com um corpo docente altamente qualificado.

De fato, a qualificação docente é considerada pedra angular do sistema educacional finlandês. A partir dos anos 1970, a formação docente passou a ser feita pelas universidades, em nível de mestrado, com ênfase na prática didática. Os aspirantes aos cursos de formação de professores são submetidos a rigorosos exames de admissão, em que são aprovados os estudantes mais destacados no ensino médio.

O salário docente é importante, mas os professores finlandeses não são a categoria profissional mais bem remunerada naquele país. Mesmo em perspectiva comparada, a média salarial dos docentes na Finlândia situa-se um pouco abaixo da média da OCDE3. Mais do que a remuneração, portanto, as estratégias de recrutamento e formação, bem como o prestígio social do magistério naquele país parecem ser os determinantes da qualidade dos profissionais da educação finlandeses.

Outro aspecto distintivo do sistema finlandês é o alto grau de autonomia e liberdade de atuação dos municípios, diretores de escola e docentes, em termos de currículo, materiais didáticos e organização escolar.

O princípio da equidade também é fundamental e está amparado por uma política abrangente de atenção a alunos com necessidades especiais. Além do atendimento escolar especializado permanente, em classe ou instituição especial, para reduzido número de alunos, um modelo inclusivo de atendimento especializado complementar e temporário, inclusive para dificuldades leves de aprendizagem, é amplamente disseminado. As estimativas são de que cerca de metade dos concluintes do ensino fundamental passa por esse tipo de acompanhamento temporário em algum momento de sua escolarização, o que revela a prevalência de estratégias de prevenção e identificação precoce de necessidades especiais de aprendizagem, voltadas para garantir o sucesso de todos os alunos.

No tocante à avaliação e à padronização do ensino, a Finlândia adota uma perspectiva divergente da agenda hegemônica de reformas educacionais, delineada a partir dos anos 1990. As avaliações padronizadas em larga escala, voltadas para mensurar o rendimento dos alunos finlandeses, são amostrais, espaçadas e destinam-se apenas a fornecer informações sobre o funcionamento do sistema, sem a produção de rankings entre estabelecimentos de ensino ou a introdução de bônus remuneratórios para os profissionais da educação.

Um dos resultados dessa perspectiva é que os gastos com avaliação educacional na Finlândia são significativamente menores do que em sistemas educacionais que privilegiam esse tipo de medida em suas políticas. Ademais, na visão de muitos educadores finlandeses, a pouca ênfase dada a avaliações padronizadas permite fugir do incentivo perverso de reduzir o ensino à preparação para os testes, permitindo uma abordagem mais ampla e aplicada dos conteúdos curriculares e a salvaguarda das prerrogativas de autonomia e independência profissional do docente.

Além dos avanços na educação básica, a Finlândia hoje é reconhecida como um exemplo de sociedade do conhecimento, baseada em uma economia altamente competitiva e inovadora. Parte desses resultados se deve à centralidade dada às políticas de pesquisa, desenvolvimento e inovação no contexto finlandês, desde o final dos anos 1980. Tal prioridade refletiu-se no direcionamento de vultosos recursos humanos e financeiros para o setor e da instituição de mecanismos efetivos de cooperação entre as instituições de ensino superior e a indústria, a partir de um sistema nacional de inovação pioneiro.

De modo geral, a experiência finlandesa no campo da educação tem raízes históricas, políticas, culturais e sociais próprias, que não podem ser transpostas para outros contextos. No entanto, ao entender o que está por trás de exemplos bem-sucedidos, podemos refletir sobre a nossa própria trajetória de políticas educacionais e sobre os caminhos de reforma que se vislumbram no horizonte.

Nesse sentido, dois aspectos se destacam. Em primeiro lugar, os resultados alcançados pela Finlândia na educação – com reflexos na transformação experimentada por aquele país em direção a uma economia intensiva em conhecimento – foram fruto de reformas de longo prazo, sustentadas e aprofundadas ao longo de pelo menos três décadas. Sua materialização dependeu da construção de amplos consensos pluripartidários e sociais, mobilizando atores políticos diversos no debate e na implementação das decisões.

Em segundo lugar, a Finlândia adotou estratégia divergente do pensamento ortodoxo sobre política educacional, que preconiza uma série de medidas inspiradas por modelos ditos "empresariais" da educação e geralmente inclui: a fixação de prescrições curriculares rígidas e padronizadas, enfocando especialmente habilidades básicas em leitura e matemática; a intensificação do uso de testes padronizados externos; o estímulo à competição entre estabelecimentos de ensino; e a responsabilização direta dos profissionais da educação pelos resultados alcançados pelos alunos.

No caso finlandês, os elementos de accountability estão inseridos em uma abordagem que privilegia a autonomia profissional dos docentes e diretores de escola e a responsabilidade compartilhada pelo sucesso escolar dos alunos.

(*) Artigo baseado no Texto para Discussão nº 129 do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado "O que é que a Finlândia tem? Notas sobre um sistema educacional de alto desempenho", disponível no site http://www12.senado.gov.br/publicacoes/estudos-legislativos/homeestudoslegislativos.

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Políticas de inclusão digital

criancas_pc.jpg22/06/2013 - O novo Regulamento do Serviço Privado (SLP), aprovado pela Resolução nº 617, foi publicado hoje, no Diário Oficial da União, e tem como finalidade viabilizar a implementação de políticas públicas de inclusão digital, estimulando, em especial, o programa Cidades Digitais, coordenado pelo Ministério das Comunicações.

O novo regulamento contribuirá para a ampliação da oferta de conexão à internet por parte das redes da administração pública direta ou indireta nas esferas federal, estadual, distrital e municipal, bem como de entidades sem fins lucrativos.

A nova regulamentação unifica sob um mesmo regime 15 serviços e simplifica os procedimentos para a obtenção das autorizações, facilitando a implementação de políticas públicas de inclusão digital pelos órgãos públicos e entidades sem fins lucrativos.

A autorização do SLP custa R$ 400,00 e permite a oferta de aplicações relacionadas a comunicação de dados, sinais de áudio e vídeo, de voz e de texto para uso do próprio autorizado ou para atendimento a determinados grupos de usuários selecionados por ele.

Com a autorização do SLP, os interessados podem implantar infraestrutura de conexão de rede com o objetivo de melhorar a gestão e o acesso da comunidade a diversos serviços de telecomunicações.

Na administração pública, possibilita a implantação de aplicativos de gestão para os setores financeiro, tributário, de saúde e educação; a capacitação de servidores públicos; o acesso da população aos serviços de governo eletrônico e a ampliação de pontos de acesso público à internet em praças, rodoviárias ou outros espaços.

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A educação de alto padrão da Finlândia

finlandia_2.jpgTatiana Feitosa de Britto (*)
27/05/2013 - Até recentemente, pouco se ouvia falar da Finlândia nos debates sobre política educacional comparada. O ponto de inflexão, em 2001, foi a divulgação dos primeiros resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA)1, desenvolvido pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de monitorar o desempenho dos sistemas educacionais dos países participantes, de maneira rigorosa, sistemática e internacionalmente comparável.

A casa digital de Bill Gates: um show

Por Ethevaldo Siqueira

Bill-2008casa.jpgSempre quis conhecer a casa de Bill Gates. É claro que ela nunca esteve aberta ao público.

Muito menos a jornalistas. Mesmo assim, as descobri praticamente tudo que ela tem de high-tech, depois de conhecer uma réplica de seus ambientes futuristas, na Microsoft Home, a casa-laboratório, a poucos quilômetros dali, na sede da empresa.

Foi em 2004, quando pude saber um pouco mais sobre essa casa, ao visitar o showroom da Microsoft, em Redmond, Estado de Washington, onde a casa digital é uma réplica da residência de Bill Gates. Ali, as máquinas entendem e obedecem à voz do dono.

Mesmo longe da casa de Bill Gates, pude avistar a incrível mansão de 6 mil metros quadrados, localizada num imenso bosque, entre Seattle e Redmond, situada às margens do lago Washington. Para muitos, é uma casa futurista. Para outros, ela é, simplesmente, uma casa digital, que antecipa e incorpora as tendências da tecnologia nessa área.
Seja bem-vindo

Logo na entrada, um painel com os meios de identificação biométrica do visitante, que utilizaremos na próxima década: leitor de íris, monitor sensível ao toque dos dedos, decodificador de impressões digitais e o mais sofisticado desses recursos, o sistema de reconhecimento de fisionomia. Um sistema de TV, embutido na parede, quase invisível, com câmera e microfones, possibilita o diálogo e a identificação do visitante.

Nesta casa, você pode falar com as paredes, com as máquinas, com a geladeira, com o fogão, com as portas e janelas. Aqui, tudo se comunica: computador, TV, telões, câmeras digitais ou tablets.

As lâmpadas de LED (diodos emissores de luz ou light emitting diodes) e comandadas por sensores, só permanecem acesas enquanto há pessoas no ambiente.

Esculturas virtuais, holográficas, se unem a projeções de quadros célebres, formando uma espécie de galeria de arte multimídia. Nesta casa, a tecnologia do futuro já assegura comunicação, entretenimento, segurança, racionalização do consumo de energia, controle da temperatura, identificação do visitante e liberação de serviços aos moradores.

Meu anfitrião nessa visita, Jonathan Cluts, diretor da divisão Microsoft Home, mostra a nova porta sem nenhuma fechadura ou trinco metálico aparente, controlada eletronicamente. Tudo na casa se conecta e tem seu comando central numa plataforma Windows, com rede híbrida, isto é, associando uma infra-estrutura de cabo com redes sem fio (Wi-Fi e Bluetooth).

Além da computação embutida que controla as principais funções gerais da casa – tais como comunicação, segurança e monitoramento de energia e temperatura – há computadores espalhados em toda a casa, no quarto dos meninos, no escritório, na cozinha e na sala de lazer.

Em cada cômodo há câmeras e microfones, embora a privacidade possa ser sempre garantida por quem está no aposento. Para acionar ou controlar cada equipamento ou sistema, basta falar, dando-lhe a ordem. Por ser mais fácil de usar, o comando de voz é o sistema de controle mais adotado, embora não seja o único na casa da Microsoft.

No passado, a casa digital tinha o nome mais comum de casa do futuro. Com isso, nunca chegaríamos a essa casa, porque ela sempre estaria por chegar. Para falarmos de uma tendência e de uma realidade mais concreta, preferimos, assim, discutir a evolução da casa digital, nos próximos 10 a 15 anos.

A casa digital em 2025

Como será a casa digital daqui a pouco mais de uma década? O que descrevemos neste artigo talvez possa fazer parte do cotidiano da classe média naquele ano, incorporando todos os recursos e avanços possíveis da eletrônica, da computação, das telecomunicações, da internet, dos sensores e uma rede híbrida, isto é, que associa cabos a comunicação sem fio redes com fio e sem fio, via ondas de rádio.

No conceito moderno de casa digital, todas as tecnologias visam assegurar aos moradores o máximo em comunicação, entretenimento, segurança, racionalização do consumo de energia, controle da temperatura, identificação de visitantes e liberação de serviços aos moradores. Uma das redes sem fio mais avançadas para o futuro será, sem dúvida, a rede UWB, (Ultrawide Band), que assegura comunicação interna acima de 100 ou 200 Megabits por segundo.

Uma das tendências básicas é usar um computador ou servidor central doméstico, para exercer o controle das funções essenciais de comunicação, de segurança, de conforto da residência.

Esse servidor central controla praticamente tudo na casa digital: temperatura, segurança das portas, reconhecimento de visitantes, iluminação, racionalização do consumo de energia, acesso à internet e outras funções.

Nessa casa digital, uma rede híbrida, formada por cabos e sinais de rádio, integra telefone, TV, computadores, telões, câmeras digitais e tablets. E permite a comunicação interativa em qualquer ponto da residência.

Tantas novas tecnologias não irão encarecer ou elevar demais o investimento nessa casa digital?

Não necessariamente. É claro que falamos aqui no padrão de uma casa digital para a classe média e não de mansões ultra sofisticadas.

A simples utilização de lâmpadas de LED, por exemplo. reduzirá o consumo de energia em 90% em comparação com as lâmpadas incandescentes. A energia solar e a iluminação natural serão alternativas avançadas e econômicas. Assim, o uso de painéis de energia solar reduzirá sensivelmente os gastos com eletricidade.

E vale a pena lembrar, também, que a casa digital pode ser montada passo a passo, progressivamente. A rigor, vamos implantando as inovações em função de nossos recursos. Da mesma forma que montamos nossa residência até hoje, passo a passo.

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MIT inspira a USP

fdte_inovapolia.jpg23/04/2013 - A Universidade de São Paulo (USP) anunciou hoje a criação de um Laboratório de Inovação e Empreendedorismo. Trata-se de uma parceria entre a Escola Politécnica da USP e a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

Uma das inspirações do projeto foi o laboratório de inovação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). As obras devem começar ainda este ano.

Com orçamento de R$ 20 milhões, o laboratório terá capacidade para 750 pessoas. Seu projeto arquitetônico foi assinado por Ruy Ohtake.

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