Falta legislação para baterias de lítio no Brasil

batery_litio2.jpg03/07/2017 - Mesmo com o grande número de casos de acidentes registrados nos últimos anos, a aplicação de baterias de lítio segue crescendo. De laptops a smartphones, passando por tablets, brinquedos (como o hoverboard), power banks e outros gadgets eletrônicos, este tipo de componente está presente nos mais diversos equipamentos. E, em diversos países, seu uso está sendo ampliado para novos segmentos como a mobilidade (carros elétricos) e residencial (baterias domésticas para energia solar).

“Com a popularização, temos um forte impulso por modelos cada vez menores, mais leves, com maior capacidade de armazenamento de energia e carregamento rápido”, contextualiza Jose Antonio de Souza Junior, gerente de operações da divisão Consumer Technology da UL do Brasil, uma das empresas líderes globais em ciências da segurança. “Se, por um lado, esta tendência estimula o desenvolvimento técnico, por outro gera um desafio para a questão de confiabilidade destes equipamentos”, complementa Junior.

A equipe de técnicos da UL, que há mais de 30 anos atua no segmento de baterias, participou do estudo de casos recentes de acidentes causados por este componente, como dos hoverboards, do Boeing 787 entre outros.

O que gera os acidentes - A bateria é um dispositivo que armazena e gera energia elétrica mediante reações eletroquímicas de oxidação (perda de elétrons) e de redução (ganho de elétrons). Sua unidade básica é a célula, formada por dois eletrodos (placas positiva e negativa) separados fisicamente por material isolante elétrico. A transferência dos elétrons de uma placa para a outra, que ocorre no circuito elétrico externo, gera a corrente elétrica.

A maioria dos acidentes ocorre quando há aquecimento excessivo da bateria ou pressão mecânica sobre sua área externa, levando o isolante térmico que separa os dois eletrodos a se romper e gerar um curto circuito. “O risco é causado não apenas pelo fogo, que se propaga de uma célula para toda a bateria e em alguns casos pode gerar explosões, mas também pela emissão de gases tóxicos”, explica Junior.

Normas no Brasil e no exterior - Para evitar esses problemas, as baterias devem ser projetadas e construídas com materiais que resistam ao calor e à pressão física, além de contarem com circuitos de proteção para evitar a sobrecarga. Normas desenvolvidas com participação da UL nos Estados Unidos definem padrões rígidos incluindo a composição da bateria (avaliação dos materiais), morfologia e propriedades químicas/físicas fundamentais. Para receberem a marca de conformidade norte americana, as baterias passam por diversos ensaios, entre eles de reação a altas temperaturas, reação física a incêndios (se vai ou não explodir) e impacto.

No Brasil, apenas as baterias destinadas a telefones celulares são obrigadas a passar por testes para serem certificadas pela Resolução 481/2007 da Anatel. As demais, instaladas em laptops, tablets, brinquedos e outros equipamentos podem ser produzidas e comercializadas no país sem qualquer restrição. “Este é um cenário que causa preocupação. Com a popularização de produtos como os power banks, por exemplo, que tem um grande potencial de risco, o ideal seria termos uma normatização que garantisse a segurança do consumidor e um padrão para o desenvolvimento da indústria local”, avalia Junior.

Alguns cuidados podem ser tomados pelos consumidores para minimizar o risco de acidentes com equipamentos que possuem baterias de lítio:

- Evitar exposição a altas temperaturas;

- Evitar mantê-las em ambientes úmidos

- Carregar a bateria sempre em local arejado

- Não provocar curto circuito (ligando as duas polaridades com material condutor, como um fio) ou aplicar polaridade reversa

- Não submetê-las a esforços mecânicos (esmagamento, impactos, mutilação, penetração) e não desmontá-las

- Evitar descargas completas

- Utilizar baterias certificadas

 

 

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