União Europeia enfrenta abusos de gigantes digitais

Por Virginie Malingre, Margrethe Vestager e Thierry Breton, de Bruxelas, 25-11-2020, e Stephanie Lecocq, da AFP.

A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira, 15, os dois textos, DSA e DMA, que deverão ajudar a restaurar a ordem na Internet, quer ao nível dos conteúdos online, quer da concorrência. A comissão enfrenta o grupo dominante na Internet, o GAFA (acrônimo para Google, Apple, Facebook e Amazon), empresas dominantes como se fosse uma entidade integrada — que é, efetivamente, um oligopólio que controla grande parte do mercado da indústria tecnológica. GAFAM, seria a sigla, com o “M” de Microsoft adicionado.

"A Internet não pode permanecer um Velho Oeste", insiste Thierry Breton, assim que tem a oportunidade. Na terça-feira, 15 de dezembro, a Comissária Europeia para o Mercado Interno e Margrethe Vestager, Vice-Presidente da Comissão responsável pela concorrência, apresentaram o seu plano para pôr as coisas em ordem. Bruxelas quer, portanto, se dar os meios para combater os abusos dos gigantes digitais. Estes últimos agora estão sujeitos a uma legislação obsoleta, a “diretiva do comércio eletrônico”, que remonta ao ano 2000, quando o Google ainda estava na garagem e o Facebook ainda estava para ser inventado.

Quanto ao arsenal da Comissão no domínio do direito da concorrência, mostrou os seus limites: mesmo que, no final, possam ser aplicadas multas significativas, estas chegam após vários anos de investigação e processos judiciais, e não permitem remediar os desequilíbrios observados.

Ódio online, práticas anticoncorrenciais, lei dos mais fortes, desinformação, venda de contra-facções. As equipes da Comissão elaboraram dois textos que deverão permitir erradicar estas práticas do mundo virtual, que fragilizam a economia e a democracia. Um desafio ainda mais importante porque a pandemia de Covid-19 aumentou o lugar da tecnologia digital em nossas vidas, seja para trabalho, aprendizado ou entretenimento.

Relatório e retirada

O primeiro componente, o Digital Services Act (DSA), trata da regulação de conteúdo, da esfera social, portanto, da digital. O princípio é simples: “O que é proibido no mundo real também é proibido no mundo virtual”, explica Thierry Breton, citando atentados racistas, conteúdo terrorista, pornografia infantil, venda de produtos falsificados ou que não respeitem normas europeias.

Para não ser acusada de censura, nem para impor uma medida demasiado complexa de implementar, a Comissão excluiu qualquer controle a montante das publicações. Tampouco reverterá para o princípio do “host passivo”, que garante às plataformas a não se responsabilizarem pelo conteúdo publicado por seus usuários.

Por outro lado, Bruxelas quer reforçar os procedimentos de denúncia e impor às plataformas, seja qual for a sua dimensão, “obrigações”, para que os conteúdos ilegais sejam eliminados rapidamente. O DSA também exigirá que os vendedores online verifiquem a identidade dos revendedores antes de hospedá-los.

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Aos 25 anos, a Internet se tornou algo essencial para a Humanidade

Por Ethevaldo Siqueira

Quando publiquei no Estadão no começo da década de 1990, os primeiros artigos sobre a Internet, muitos leitores manifestaram incredulidade sobre as transformações que eram, então, previstas pelos especialistas. Hoje, mais de 70% dos adultos do planeta têm acesso a essa rede mundial de computadores.

No Brasil, a expansão da rede ocorreu a partir de 1995, embora cientistas e pesquisadores já a utilizassem mesmo antes de 1990, nas universidades e laboratórios de pesquisa. No começo, só dispúnhamos da Internet discada da Embratel.

Em 2020, a Internet brasileira completa 25 anos. Embora tenha chegado ao país em 1988, foi só em 1995 que a rede mundial de computadores deixou os laboratórios das universidades e se tornou um bem comercial, com o lançamento do serviço de Internet discada da Embratel.

Sugiro aos leitores, a participação em eventos como a festa de aniversário que se realiza no Internet Festival, um evento 100% online e gratuito que será realizado entre os dias 7 e 14 de dezembro. Serão palestras, cursos, oficinas e outras atividades com o objetivo de discutir temas tão relevantes como privacidade de dados, redes sociais, notícias falsas, 5G, o passado e o futuro da web.

Você que navega despreocupadamente na Internet talvez nunca tenha refletido sobre o nascimento da Internet (como World Wide Web ou WWW) em 1990 e, em especial, sobre o criador dessa tecnologia, o físico inglês Tim Berners-Lee, na época pesquisador do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN, sigla em francês do antigo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), em Genebra.

1990, um ano incrível

O ano de 1990 é um dos mais ricos em eventos importantes para a humanidade. Confira alguns dos eventos mais importantes daquele ano.

• Em fevereiro, Nelson Mandela era libertado depois de 27 anos de cárcere.

• Em abril, o ônibus espacial Discovery transportava ao espaço e colocava em órbita o Telescópio Espacial Hubble.

• Em outubro, a Alemanha era reunificada, enquanto o Leste europeu vivia os desdobramentos do desmoronamento do antigo império soviético.

• E last but not the least, em dezembro, nascia a World Wide Web, a Internet de nossos tempos, um marco na história das comunicações e que tem revolucionado sob todos os aspectos a vida humana.


Leia mais em:

https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/12/06/internet-brasileira-completa-25-anos-com-privacidade-e-5g-em-pauta.htm?cmpid=copiaecola

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Transformação digital define o futuro do CREA-SP, diz seu presidente

Segundo o presidente do Conselho do CREA, o Engº de Telecom, Vinicius Marchese Marinelli, está em curso no CREA-SP, um processo de Transformação Digital sustentado por cinco pilares:

• gestão transparente e colaborativa,
• fiscalização digital,
• serviços ágeis e inteligentes,
• capacitação profissional
• e conexão com empresas e governos.

Na avaliação do presidente do Conselho, o Eng. Telecom. Vinicius Marchese Marinelli, com esse olhar de transformação, a entidade poderá ampliar as atividades de fiscalização; implantar um programa de Compliance com técnicas que permitam a integridade da administração pública; capacitar tecnicamente o quadro de funcionários; intensificar a comunicação institucional por meio de canais digitais e a representatividade do conselho. “As novas práticas permitirão ampliar a relação com as entidades de classe e valorizar profissionalmente os registrados.”

Segundo Vinicius Marchese, essas medidas "abrirão espaço para a inovação, para que todos os atores do nosso sistema possam falar a mesma linguagem. A transformação digital garantirá melhores serviços, dentro dos padrões de ética do CREA-SP, instituição fundamental para o dia a dia da sociedade”.

Uma gestão mais ágil

O CREA-SP busca trazer as melhores práticas das empresas inovadoras da iniciativa privada, que utilizam abordagens de gestão ágil e colaborativa. "Estamos focados em atender as novas demandas do mercado, estabelecer a ética profissional e, principalmente, ampliar a nossa presença de fiscalização para manter a sociedade mais segura ", acrescenta o presidente do Conselho.

O CREA-SP já criou recentemente uma Gerência de Projetos e Inovação. ““Isso faz parte da Transformação Digital pela qual nosso Conselho passará e vai ao encontro das solicitações que sempre recebemos em nossas visitas pelo estado de São Paulo. O trabalho da nova área trará mais eficiência no atendimento e proximidade com o registrado”. Faz parte da transformação a criação de um laboratório de inovação para a execução dos novos projetos de mudança.

Mas, o principal é que tudo isso vai resultar num projeto em parceria com os profissionais registrados. “Temos uma página na internet disponível para que aconteça esse diálogo de maneira permanente, que pode ser acessada a partir do site http://transformacao.creasp.org.br/. Entrem e falem conosco. Sugiram, critiquem, comentem. O CREA-SP tem mais novidades para contar, dentro do ‘engenho’ que é usar a tecnologia para melhorar a vida de todos”.

Instalado há 86 anos como autarquia federal, o CREA é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades profissionais nas áreas da Engenharia, Agronomia e Geociências. O CREA-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com mais de 320 mil profissionais registrados e cerca de 75 mil empresas registradas.

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Pure Storage faz previsões sobre tecnologias para 2021

O mercado global sofreu o impacto de um ano sem precedentes, no qual a tecnologia entrou como protagonista para viabilizar a continuidade dos negócios da maioria das empresas. Esse fato impulsionou alguns fornecedores, e este é o caso da Pure Storage, fornecedora de soluções de armazenamento de dados. A empresa cresceu 99,9% no mercado de armazenamento de dados na América Latina só no segundo trimestre de 2020, segundo a IDC.

Muitas incertezas permanecem na reta final de 2020, mas, assim como a certeza de que o trabalho remoto é um modelo que chegou para ficar, alguns recursos tecnológicos acabaram se tornando ferramentas essenciais que devem impulsionar o mercado no ano que está por vir. Em uma análise do mercado global, a Pure Storage listou as previsões tecnológicas para 2021, que deve manter o ritmo acelerado da TI com foco em soluções voltadas para inovação e proteção dos dados.

2021 – O ano da repercussão da transformação digital

As empresas que ainda não estavam na jornada de transformação digital, devido à pandemia se viram forçadas a reformular rapidamente a TI. No processo, muitas optaram por infraestrutura tecnológica acima do orçamento e fora de suas próprias necessidades. No longo prazo, essas escolhas podem se mostrar insustentáveis e, em 2021, as empresas precisarão se reorientar para o médio prazo e buscar soluções ágeis que forneçam um equilíbrio orçamentário e funcional, de acordo com as necessidades dos negócios. O papel do CTO será encontrar os melhores sistemas para organizar melhor os investimentos.

Backup: o aliado contra o ransomware

O Brasil é o país mais atingido por ransomware na América Latina, registrando 46,6% dos ataques na região. Os hackers aproveitaram o aumento do trabalho remoto e em 2021 essa tendência deve permanecer. O tempo de inatividade gerado por esse vetor de ataque às vezes sai mais caro que o próprio resgate – que sequer é recomendado, e o backup em flash entra em cena como peça fundamental de defesa, permitindo que os sistemas sejam restaurados rapidamente e as operações reestabelecidas em minutos ou horas, em vez de dias.

O alívio do modelo de consumo flexível

Em meio a tantas incertezas, dificilmente as empresas sentirão uma folga no orçamento tão cedo. No próximo ano, o foco será a redução geral de gastos, e os modelos de consumo flexíveis se tornaram uma opção fundamental para implementar soluções de infraestrutura de TI. Esse modelo evita investimentos altos e arriscados em CAPEX e permite o gerenciamento de custos sem a necessidade de contratos de longo prazo, aumento as chances de estabilidade financeira das empresas para que possam recuperar o fôlego no mercado.

Falhas de TI e de segurança não serão perdoadas

Na pressa para digitalizar os processos e as operações, muitas empresas acabaram não se atentando à complexidade que estavam criando em seus sistemas, resultando em prejuízos causados por tempo de inatividade. Este problema tem se tornado cada vez mais inaceitável, e períodos prolongados off-line são tão prejudiciais para a reputação quanto para os resultados financeiros. Apesar da complexidade que as empresas podem ter adicionado aos seus próprios sistemas, em 2021 haverá uma tolerância ainda menor em relação a isso e aos problemas de segurança causados aos clientes, parceiros e equipes.

2021 será o ano das aplicações

Ao longo dos últimos anos os contêineres apareceram nas previsões tecnológicas, seja por se tornarem convencionais ou pelo aumento das cargas de trabalho armazenadas dessa forma. Com o amadurecimento dessa tecnologia, as soluções granulares de armazenamento para contêineres se tornarão cada vez mais importantes e o foco na aplicação será essencial. Isso significa investir em soluções consistentes e confiáveis com criptografia de dados e backup de toda a aplicação, não apenas dos dados, para que a aplicação se mova livremente entre os ambientes, seja no data center ou na nuvem.

O papel dos canais será ainda mais importante

Com o trabalho remoto como praticamente a única opção viável neste ano, houve um aumento imediato na demanda dos principais produtos de TI, como VPN e monitores. E, em 2021, as empresas estarão em busca por tecnologias que não apenas ajudem a manter as operações, mas que sejam capazes de ajudá-las a obter vantagens competitivas. Os canais já provaram seu valor no curto prazo, e agora devem desempenhar um papel ainda mais importante, como parceiros consultores estratégicos de longo prazo. Dessa forma, poderão ajudar os clientes com a modernização necessária no ambiente de TI para se adaptarem a nova realidade.

A criatividade irá revelar os verdadeiros líderes

As videoconferências trouxeram à tona as dificuldades dos fornecedores para manter o relacionamento com parceiros em 2020, e isso deixou claro que as chamadas tradicionais seguindo um modelo padronizado de reunião à distância não funciona. A criatividade e a motivação com abordagens personalizadas transformaram esse processo em relacionamentos individuais e, consequentemente, mais sólidos. Os parceiros precisam se sentir cada vez mais valorizados e incentivados, seja por meio de novas metas, treinamentos ou benefícios, para crescer e superar as expectativas de vendas em 2021.

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Por que tanta gente cai nas armadilhas da Internet? Confira aqui:

Por Ethevaldo Siqueira

Relembro hoje as sete principais armadilhas mais comuns na internet, conforme nos explica o LinQ Telecom: (Armadilhas na Internet – LinQ.

1. A primeira delas é das ofertas mirabolantes. Não acredite nelas. Como diz o provérbio, não existe almoço de graça, ou muito barato. Desconfie sempre.

2. Em segundo lugar, não caia na armadilha das cobranças indevidas de multas do Detran, ameaças do Imposto de Renda. Nem o Detran nem o IR não cobram nada pela internet. E se receber um aviso pelo correio verifique se não é falso.

3. Outra armadilha que pega muita gente é o pedido de atualização de dados bancários. Não forneça seus dados pessoais e confidenciais pela internet.

4. Não caia no golpe do boleto na internet, do envio de recibo de uma compra que você não fez. Avisos de encomendas do correio ou de fornecedores.

5. Uma das armadilhas em que as pessoas mais caem são cobranças indevidas, feitas pela internet. Mesmo que lhe pareçam verdadeiras, não abra anexos. Verifique tudo por telefone ou pessoalmente, no caso de lojas ou fornecedores.

6. Nunca abra links para um suposto histório de WhatsApp. É vírus na certa.

7. Mesmo que você seja assinante do Netflix, do Spotfy ou do Google, não atenda a pedidos de atualização de seus dados pessoais pela Internet. As Armadilhas estão espalhadas por todos os cantos, pois a Internet proporciona acesso a uma infinidade de informação, diversão e entretenimento. Os truques são os mais diversos, bem como suas finalidades, que vão de furto de dados bancários para compras, à contaminação do computador para derrubar um site ou serviço.

Fique sempre atento

Portanto, é fundamental ao internauta se manter alerta em relação às eventuais armadilhas para não se tornar mais uma vítima. Principais:


Vírus

Todos os dias, diversos tipos de vírus surgem na rede mundial de computadores. Malwares, trojans, adwares e outras aplicações maliciosas que, juntas, têm o objetivo de prejudicar o internauta. Seja furtando informações, espionando, ou destruindo o equipamento do usuário, os hackers costumam ser ardilosos na hora de espalhar ameaças online. Para se proteger, aposte em um bom antivírus e um firewall, mantendo-os sempre atualizados.

Espionagem

Alguns hackers são capazes de ligar a webcam ou o microfone de notebooks e smartphones de outros usuários com o objetivo de espionar quem está do outro lado da tela. Há também criminosos que invadem redes sociais para identificar informações relacionadas à vida pessoal do usuário, como locais que costuma frequentar e fotos de seus parentes. É muito importante elevar o nível de privacidade de conta para quem pode visualizar as informações do perfil, especialmente para crianças e adolescentes. Também é recomendado cobrir os componentes de áudio e vídeo com uma fita adesiva sempre que não estiverem em uso.

Furto de dados e identidade

Phishing é o nome dado à artimanha dos criminosos para “pescar” os dados pessoais ou bancários do usuário. Com essas informações, ele pode realizar compras ou clonar uma identidade para abrir cadastros, realizar transações bancárias ou criar contas falsas em perfis sociais. Para que isso não aconteça, evite ao máximo compartilhar informações pessoais como senhas, nomes de usuário, informações bancárias ou números de cartão de crédito em links duvidosos de e-mails ou sites que não contam com certificados de segurança – que podem ser conferidos pelo cadeado na barra de endereço. Ao comprar em lojas virtuais, pesquise e opte sempre por e-commerces com boas reputações.

Aplicativos falsos

Alguns criminosos utilizam aplicativos em formas de jogos ou ferramentas para invadir dispositivos móveis, em uma abordagem conhecida como man-in-the-middle. Essa modalidade de ataque intercepta dados enviados digitalmente e também pode ser executada por meio de apps duvidosos disponíveis para download nas lojas dos sistemas operacionais. Com isso, o hacker consegue obter senhas, números de cartões de crédito, informações de login, etc. Portanto, ao baixar um aplicativo, fique atento aos comentários dos usuários e, principalmente, às permissões de acesso que o mesmo solicita.

Ataques DDoS

A ascensão da Internet das Coisas tem conectado cada vez mais dispositivos à rede, criando um cenário propício aos ataques de negação de distribuição de serviço (conhecidos pela sigla DDoS, em inglês). Esse tipo de ameaça infecta smartphones, tablets, roteadores, câmeras IP e qualquer outro aparelho conectado para direcionar acessos simultâneos a determinado site ou serviço, sobrecarregando e indisponibilizando o sistema. Para que seu dispositivo não se torne um “zumbi” em meio a esta legião, o usuário deve trocar as senhas de acesso periodicamente.

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ISPs brasileiros aceleram evolução rumo à rede 5G e ao Edge Computing

Rafael Garrido*

O Brasil conta com 5570 municípios. Em março de 2020, 98,2% dessas localidades já possuíam acesso à Internet fixa via fibra óptica. Desse total, 48,7% da infraestrutura de fibra óptica foi implementada por ISPs (Internet Services Providers), também chamados PPPs (Prestadoras de Telecomunicações de Pequeno Porte) pela Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações.

Pesquisa da Anatel de agosto de 2020 indica que 33% de todo tráfego de Internet fixa no país vem de ISPs, ultrapassando as grandes operadoras de Telecom. Há ISPs de portes variados atuando tanto no interior do país e em áreas rurais como, também, em zonas urbanas com maior densidade populacional. As grandes áreas urbanas do Brasil contam com regiões de sombra, onde falta Internet de qualidade, baseada em fibra ótica e com um atendimento personalizado ao usuário. Isso abre oportunidades para ISPs em bairros de grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e, também, nas cidades ao redor desses grandes centros (caso de Guarulhos, Osasco e Barueri/Alphaville).

Em plena crise, os ISPs brasileiros conquistaram 250 mil novos clientes em junho de 2020. É um segmento da economia que está em expansão de negócios, consolidação em grupos e rápida capitalização. Acima de tudo, os ISPs estão se preparando para fazer da rede 5G um trampolim para conquistarem ainda mais espaço. De acordo com a proposta de edital de 5G que foi submetida à consulta pública – uma concorrência aberta a todo tipo de operadora de comunicações pelo governo federal brasileiro – , os ISPs poderão participar na frequência de 3,5 GHz: 2 blocos de 100 MHz e um de 80 MHz nacionais. Esse segmento tem acesso garantido, também, a 2 blocos de 60 MHz regionalizados, sendo um deles exclusivos para os ISPs.

Enquanto o 5G não vem e a economia digital brasileira segue sendo baseada em redes 4G e 3G, os ISPs saem na frente na corrida pela entrega de redes mais velozes a pessoas físicas e a empresas. Já há, no Brasil, ISPs que oferecem banda larga na faixa do 1 Gb/s. Isso é feito com simetria de banda, ou seja, velocidades idênticas de upload e download. Esses provedores somam, ao uso massivo de fibra ótica espalhada por todo o Brasil, ambientes de Edge Computing baseados em data centers pré-fabricados de portes variados. Para diminuir a latência, o Edge Computing coloca o processamento nos extremos da rede, fora dos grandes data centers hyperscale e nós principais.

Nos data centers pré-fabricados utilizados pelos ISPs, a infraestrutura crítica é desenhada e gerida para suportar os negócios digitais de empresas de todas as verticais e de todos os municípios brasileiros. A soma da rede em fibra ótica com data centers TIER-Ready III (classificação e selo de qualidade do Instituto UpTime) implementados em topologia de Edge Computing cria sólidos diferenciais de negócios para os ISPs. Com o Edge Computing, mais do que vender links, os ISPs passam a vender a continuidade de negócios.

Graças a isso, um novo horizonte está se abrindo para os ISPs. Há, por exemplo, ISPs especializados em suportar demandas de processamento de dados de indústrias específicas. É o caso de software houses regionais que, com o apoio de ISPs locais, passam a vender suas ofertas no formato SaaS (Software as a Service). Educação é outra vertical no radar dos ISPs. O crescimento da experiência educacional digital está levando universidades e colégios a contratar serviços de processamento de dados de ISPs. Há no Brasil, também, ISPs com um modelo de negócios mais focado no segmento consumer. Nesse caso, o ISP vende serviços que aceleram e melhoram a UX oferecida por serviços de streaming como Netflix e Amazon Prime. Em todos os casos, o SLA entregue aos seus clientes pelo player que é simultaneamente ISP e data center é crítico para o sucesso dos negócios do ISP.

Essa revolução está acontecendo aqui e agora. Alvo preferencial de investidores brasileiros, os ISPs ganharam musculatura para se consolidar em grupos – há players com unidades em vários estados – investir em expansões físicas, de pessoal e também na diversificação de seus negócios. Já existem no mercado ISPs que oferecem, em seus data centers, serviços de Colocation. É uma evolução da oferta de links em fibra para a oferta de serviços com mais valor agregado. Muitos desses players atendem o segmento PME, além de outros ISPs.

Seja utilizando seu data center para oferecer serviços de Colocation, seja usando essa infraestrutura como a base de sua oferta de serviços digitais, o gestor do ISP tem buscado a excelência em infraestrutura crítica.

O data center pré-fabricado inclui racks, soluções de distribuição de energia, refrigeração, cabeamento, supressão de fogo, recursos para monitoramento e controles de acesso e segurança. O desenvolvimento no Brasil de módulos pré-fabricados de alta qualidade inclui serviços de gerenciamento de projetos, uma extensa fase de testes e a logística de envio dos módulos até o ambiente do cliente, onde quer que o ISPs esteja localizado. Já há no mercado, também, plataformas de gerenciamento dessa infraestrutura sob medida para o porte e os orçamentos dos ISPs.

Vale destacar, ainda, a existência de linhas de financiamento para facilitar o acesso dos ISPs a essa infraestrutura crítica. Essas ofertas de financiamento para aquisição de data centers são uma iniciativa de distribuidores que atuam no ecossistema de canais brasileiro. São empresas que oferecem a possibilidade de adquirir o novo data center pagando por isso em prestações mensais, o que representa uma forte alavanca de renovação dos ISPs. É comum que, logo após terminar de pagar o data center modular pré-fabricado, o gestor do ISP realize o upgrade dessa infraestrutura crítica e contrate um novo financiamento junto ao distribuidor para suportar esse avanço. O resultado dessa estratégia é a crescente disseminação de ofertas de data centers em modelo IaaS (Infrastructure as a Service) no mercado brasileiro.

Esse contexto acelera a profissionalização dos ISPs brasileiros, que passam a contar com uma infraestrutura crítica classe mundial com todos os benefícios de um data center tradicional.

A chegada do Edge Computing e do 5G ao nosso mercado está levando os ISPs a renovarem seus ambientes digitais sem deixar de lado os valores que explicam seu sucesso. É o caso do contínuo investimento em fibra ótica nas regiões onde atuam. Outro destaque é a flexibilidade da oferta dos ISPs, em que uma generosa banda de rede faz com que, via Internet, usufrua-se de serviços que, em outros segmentos do mercado, exige-se a contratação de combos de TV, Internet e telefonia fixa. Um importante diferencial é a excelência no atendimento ao cliente. Muitos ISPs mantém lojas físicas que, além de vender serviços, recebem usuários com dúvidas ou com problemas técnicos. São pessoas atendendo pessoas e resolvendo desafios de forma instântanea. O profissional do ISP conhece seu cliente pelo nome.

Todo esse quadro explica o sucesso dos ISPs brasileiros, um ecossistema único no mundo e que, com o 5G e o Edge Computing, avança com firmeza em direção ao futuro.

*Rafael Garrido é Vice-presidente da Vertiv LATAM e Country Manager da Vertiv Brasil.

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