Engenheiro da Apple critica segurança da App Store

Patrick McGee do Financial Times

A revelação parte de documentos legais lançados pela Epic Games antes do julgamento antitruste.

Um engenheiro sênior da Apple comparou as defesas de sua App Store contra atores mal-intencionados a “trazer uma faca de manteiga de plástico para um tiroteio”, segundo documentos legais divulgados na quinta-feira.

A expressão foi feita pelo fabricante da Fortnite, Epic Games, antes de um julgamento antitruste de alto risco na Califórnia no mês que vem, e baseada em documentos internos da Apple, citando Eric Friedman, chefe da unidade de Algoritmos de Engenharia de Fraude e Risco (Fear) da empresa. E acrescentou que a Apple estava mal equipada para “desviar invasores sofisticados”. Fortnite é um jogo eletrônico online para diversos participantes lançado originalmente em 2011.

A revelação pode ser um golpe significativo para a defesa da Apple, que repousa em sua insistência de que o contencioso de 30 por cento que arrecada em compras digitais dentro de aplicativos baixados da App Store é necessário para financiar a curadoria da loja e proteger os consumidores de malware.

As duas empresas travam há meses uma disputa sobre essa cobrança, em que a Epic processa a Apple, desde agosto passado, depois que o Fortnite foi expulso da App Store, por lançar seu próprio mecanismo de pagamento no aplicativo, uma solução que privou a Apple de sua comissão.

A Apple rejeita qualquer ferramenta de pagamento de terceiros para compras no aplicativo, argumentando que isso pode prejudicar a segurança do iPhone.

Em centenas de páginas de argumentos recentes, para os quais cada empresa teve acesso aos documentos internos da outra, a Epic lançou um ataque violento às promessas sobre a segurança na App Store. E argumentou que a gigante do Vale do Silício “não tem evidências” de que seu processo de revisão de aplicativos “analisa os problemas de segurança melhor do que outros métodos de distribuição de aplicativos”.

A fabricante de jogos citou vários exemplos de aplicativos fraudulentos listados anteriormente na App Store, incluindo ferramentas falsas de detecção de pressão arterial, golpes nos quais os usuários foram induzidos a comprar produtos falsos e "roubos óbvios", incluindo uma sequência falsificada do jogo eletrônico Minecraft, que custou US$ 6,99 e se tornou um dos cinco aplicativos pagos mais baixados.

Em seus extensos documentos legais, a Apple defendeu sua App Store, argumentando que a Epic estava pressionando injustamente para evitar taxas, apesar de o Fortnite ter ganhado US$ 700 milhões, com sua plataforma nos dois anos antes de ser expulsa.

A Apple reconheceu várias formas de malware na App Store, mas citou dados de 2018 que mostram que a plataforma do iPhone “foi responsável por apenas 0,85% das infecções por malware”, enquanto o Android foi responsável por 47,2% das infecções e o Windows e PC por 35,8%.

A Apple afirma que seu mercado é "significativamente mais seguro" do que a plataforma Android e também pode ajudar os desenvolvedores a evitar o tipo de fraude que a Epic "experimentou, ao usar processadores de pagamento de terceiros no Fortnite".

A Apple disse que rejeita cerca de 40% de todos os envios de aplicativos. A empresa chamou de “robusto” seu esforço de revisão manual centrado no ser humano, com quase 500 funcionários da empresa dedicados a proteger os usuários.

No entanto, os documentos da Epic detalham vários exemplos de outros desenvolvedores que expressaram insatisfação com o nível de controle de qualidade na App Store.

De acordo com a Epic, o chefe do aplicativo de meditação Headspace referiu-se a “roubo flagrante” na App Store, com aplicativos imitadores, que surgem repetidamente após supostamente roubar sua propriedade intelectual.

“Surpreendentemente, a Apple está aprovando esses aplicativos e, quando os usuários os compram, ficam com nada além de algumas salas de bate-papo fraudulentas em segundo plano” — escreveu ele à Apple, segundo a Epic.

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