Em plena pandemia, Instagram desinforma usuários sobre Covid

De The Guardian

Sob a aparência de recomendações, o Instagram também promoveu material antivacinação e anti-semita, diz o órgão fiscalizador e regulador

As recomendações do Instagram levaram desinformação sobre a Covid, em matérias do conteúdo anti-vacinação, com material antissemita durante o pico da pandemia, de acordo com um relatório da CCDH, a agência reguladora e fiscalizadora de mídia social.

O Center for Countering Digital Hate (CCDH) descobriu que as novas contas do Instagram exibiram quantidades substanciais de desinformação por meio de recomendações algorítmicas da plataforma, incluindo a página "explorar" e o recurso de "postagem sugerida", que foi introduzido em agosto de 2020 e ofereceu novas postagens para usuários que percorreram todo o conteúdo de seus amigos.

A desinformação foi mostrada com mais frequência para novos usuários que seguiram uma combinação de contas na plataforma que incluía personalidades contrárias à vacinação ou influenciadores de bem-estar, de acordo com o relatório da CCDH, Malgorithm.

Voluntários que acompanharam 10 contas com links antivacinas, por exemplo, receberam recomendações de postagens que promoviam teorias de conspiração anti-semitas. Numerosos posts afirmavam que “não havia pandemia” e outros pediam às pessoas que “parassem de fazer o teste” e “parassem de usar sua máscara”.

“É inacreditável que, com a pandemia varrendo o mundo, o Instagram tenha lançado um novo recurso encorajando os usuários a ver teorias de conspiração e mentiras sobre Covid e vacinas”, disse o presidente-executivo da CCDH, Imran Ahmed.

“Esse recurso foi criado em nome do lucro, para manter as pessoas interessadas no material, para que mais anúncios pudessem ser veiculados a elas. Algoritmos que recomendam conteúdo são o ato de um editor, fazendo escolhas quanto ao que os leitores veem, não uma plataforma neutra”.

Tal indução tem sérias implicações legais e regulatórias para as empresas de mídia social e mostra sua responsabilidade por danos aos indivíduos e à sociedade.

O Facebook, dono do Instagram, disse em um comunicado que a pesquisa estava desatualizada e, por isso, era enganosa. “Compartilhamos o objetivo de reduzir a disseminação da desinformação, mas essa pesquisa está cinco meses desatualizada. Ela usa também uma amostra de apenas 104 postagens, em comparação com os 12 milhões de informações errôneas prejudiciais sobre vacinas e Covid-19 que removemos do Facebook e Instagram desde o início da pandemia”, disse um porta-voz.

“Estamos focados em levar informações confiáveis às pessoas, e é por isso que direcionamos mais de 10 milhões de pesquisas até agora relacionadas à Covid-19 e vacinas a fontes de saúde confiáveis, como o NHS e sites do governo. Também estamos trabalhando em melhorar a pesquisa do Instagram, para tornar as contas que desencorajam as vacinas mais difíceis de encontrar.”

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