Baikonur, o berço da conquista do Cosmos

baikonur_progress.jpgPor Ethevaldo Siqueira
20/08/2018 - Conheci o Cosmódromo de Baikonur, o complexo russo de lançamento de foguetes, em 1977, quando a União Soviética comemorava os 60 anos da Revolução Russa. Desde então, acompanho o desenvolvimento daquela base espacial, a partir de material que recebo da Roscomos, a agência espacial russa.

Vale a pena fazer uma retrospectiva desse Cosmódromo situado num enclave russo no Cazaquistão, numa estepe ou planície com as condições climáticas mais extremas que conheci, em minha vida. As temperaturas ali variam de um frio congelante de 40 graus C negativos no inverno a um calor escaldante de 45 graus C positivos no pico do verão. E a temperatura média anual é de 13 graus Celsius.

Localizado a 2.100 quilômetros de Moscou, Baikonur é maior base espacial do planeta e resulta de um acordo instável entre os governos do Cazaquistão e da Rússia. Depois de superar controvérsias sobre o Cosmódromo, a Rússia passou a pagar ao governo cazaque no mínimo US $115 milhões – valor que pode ser maior em função do número de lançamentos anuais.

A base de Baikonur está ligada à própria história da conquista do espaço. Dali, foram lançados ao espaço cósmico o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik I, em 1957, e o primeiro ser humano a dar uma volta em torno do planeta, Yuri Gagárin, em 1961.

A localização de Baikonur, em plena guerra fria, era um assunto quase secreto. A construção começou em 1955 em alto sigilo. Por volta de 1957, os Estados Unidos espionavam a área com seus aviões U-2 e supunham que ali seria instalada uma base de lançamentos de foguetes ICBM (sigla em inglês de míssil balístico intercontinental).

Localizado a 2.100 quilômetros de Moscou, Baikonur é maior base espacial do planeta

Acidente mata 150 em 1960

Antes do voo de Gagárin, Baikonur foi palco de uma das piores falhas da história numa rampa de lançamento, e que causou a morte de cerca de 150 pessoas no dia 24 de outubro de 1960. A tragédia não pôde ser mantida em segredo pelo governo da antiga União Soviética. Entre as possíveis causas do acidente, foram detectadas falhas de segurança, bem como pelo cronograma apressado de lançamento.

A Rússia também construiu um novo local de lançamento, Vostochny, que será o novo local dos muitos dos lançamentos.

A fase internacional de Baikonur

Nas últimas décadas, Baikonur se internacionalizou. Após a aposentadoria dos os ônibus espaciais em 2011, a base passou a ser utilizada tanto pela NASA quanto pela ESA (Agência Espacial Europeia), inclusive para as viagens de ida e volta dos astronautas à ISS.

Do lado norte-americano, a NASA disporá de duas novas espaçonaves no final de 2018 de começo de 2019 para substituir os velhos ônibus espaciais. Essas cápsulas de lançadores foram projetadas e construídas por empresas privadas – uma da Boeing (a CST-100 Starliner) e outra da SpaceX (a Crew Dragon).

As temperaturas variam de um frio congelante de 40 graus C negativos no inverno a um calor escaldante de 45 graus C positivos no pico do verão

No final de 2018 e inicio de 2019, a Starliner e a Crew Dragon farão seus primeiros vôos de teste conduzidos pela NASA para comprovar sua confiabilidade como veículos adequados ao transporte de astronautas entre a Terra e Estação Espacial Internacional. Se tudo correr bem, a partir de 2020, os lançamentos norte-americanos serão feitos com essas novas espaçonaves. esperados de Baikonur.

Novo Cosmódromo russo: Vostochny

Em 2010, a Rússia decidiu construir uma nova base especial, que ganhou o nome de Vostochny (que significa "Cosmódromo Oriental") está localizada a 51 graus norte, em Amur Oblast, no Extremo Oriente do país. Sua construção visa a reduzir a dependência de Baikonur. A construção foi iniciada em 1º de junho de 2011 e estava prevista para ser concluída em 2018. Nesse novo local, foi realizada o primeiro lançamento experimental em abril de 2016.

Após a aposentadoria dos os ônibus espaciais em 2011, a base passou a ser utilizada tanto pela NASA quanto pela ESA, inclusive para as viagens de ida e volta dos astronautas à ISS

Vostochny (que significa "Cosmódromo Oriental") está localizado a 51 graus norte, em Amur Oblast, no Extremo Oriente do país, a 7.700 km de Moscou. Sua construção visa reduzir a dependência russa de Baikonur. A construção foi iniciada em 1º de junho de 2011 e está prevista para ser concluída em 2018. Nesse novo local, foi realizado o primeiro lançamento experimental em abril de 2016.

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Você conhece o mar de Chukchi, visto nesta foto?

chukchi_2.jpgPor Ethevaldo Siqueira, com notícia da NASA
26/07/2018 - Não é bonita esta foto do mar de Chukchi? Parece uma pintura abstrata. Eu só conhecia esse mar porque voei sobre ele – numa viagem Moscou-Tóquio via rota polar, pela Aeroflot, em 1980. Também chamado de Tschuktschen, o mar de Chukchi, está situado junto ao Mar Ártico, logo ao norte do Estreito de Béring, que separa a Sibéria do Alasca.

Por meio de sua constelação de satélites de observação da Terra, a NASA recolhe petabytes de dados todos os anos, incluindo esta imagem do mar de Chukchi capturada em 18 de junho de 2018, pela super câmera denominada Gerador de Imagens Terrestres (Oli) no satélite LANDSAT 8.

Graças a uma nova ferramenta de software (toolkit) de sensoriamento remoto, criada pelo programa de transferência de tecnologia da NASA, os usuários agora serão capazes de encontrar, analisar e utilizar os dados de sensoriamento remoto mais relevantes para sua pesquisa, projetos de negócios ou esforços de conservação.

Embora a política da NASA de dados de sensoriamento remoto livre e aberto tenha beneficiado por muito tempo a comunidade científica, outras agências governamentais e organizações sem fins lucrativos, tem potencial inexplorado significativo para a comercialização. O programa de transferência tecnológica da NASA criou um recurso on-line para promover o uso comercial desses dados e as ferramentas de software necessárias para trabalhar com ele.

Créditos: NASA/U. S. pesquisa geological/Norman Kuring/Kathryn Hansen

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A capa de gelo do Ártico se reduz continuamente

capa_gelo.jpgPor Ethevaldo Siqueira – com notícia da NASA
14/05/2018 - A foto acima mostra um grande iceberg que quebrou a camada circundante de gelo marinho consolidado. Blocos de gelo de mar com neve fresca em cima, áreas de água que começam a congelar e pequenos icebergs vizinhos visíveis.

A imagem foi registrada durante um voo de pesquisa da NASA realizado no dia 21 de abril perto da geleira de Vestfjord em Scoresby Sund, ao longo da costa leste da Groenlândia.

"A campanha alcançou a maioria dos objetivos primários no levantamento do estado do gelo ártico", disse o cientista do projeto IceBridge Joe MacGregor: "Nós temos trabalhado nestas missões aéreas por dez anos contínuos, um período que poderia incluir a mudança rápida contínua em geleiras árticas e no gelo do mar."

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Veja isso: O homem emporcalha a terra e os mares

mar_poluido.jpgPor Ethevaldo Siqueira
26/03/2018 - Só no Oceano Pacífico, há um mar de plástico equivalentes a três vezes a área da França, denuncia o jornal francês Le Monde, com base em um estudo que revela que o aterro gigantesco que flutua entre o Havaí e a Califórnia é muito maior do que o previsto anteriormente.

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As formigas são estrategistas formidáveis

formigas.jpgPor Ethevaldo Siqueira
19/03/2018 - Na Costa do Marfim, a observação da luta entre esses insetos e cupins revela ações quase-militares e um serviço de saúde muito eficaz do exército. Saiba mais na edição de ontem (18-003-2018) de Le Monde

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Físico Andre Geim explica tudo sobre o grafeno

andre-geim.jpgPor Ethevaldo Siqueira
16/03/2018 – Não é fácil entrevistar um Prêmio Nobel de Física e ouvir dele as informações mais precisas e confiáveis sobre uma descoberta como a do grafeno. Tive esse privilégio há dois anos, ao conversar com o russo Andre Geim um dos descobridores do grafeno e Prêmio Nobel de Física de 2010, logo após a palestra que proferiu há exatos dois anos na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). O outro descobridor do grafeno foi o russo-britânico Konstantin Novoselov.

À esquerda o físico Andre Geim e à direita, o jornalista Ethevaldo Siqueira na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) em 2016

Geim acabava de receber o título de Professor Emérito Honoris Causa em solenidade que antecedeu à sua palestra na Universidade Mackenzie. Na mesma oportunidade o Mackenzie inaugurava o MackGraphe – Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias, o maior da América Latina, no qual foram investidos R$100 milhões.

Eis a visão de Andre Geim sobre as perspectivas do grafeno: "Estamos ainda nos primeiros passos, diante a menor das pontinhas do iceberg de aplicações do grafeno. Nenhum material já descoberto pela ciência tem características tão revolucionárias: melhor transmissor de eletricidade e de calor, resistência 100 vezes superior à do aço, praticamente transparente, impermeável e flexível. Em cerca de dez anos, milhares de produtos e aplicações serão produzidos com o grafeno, uma forma alotrópica do carbono, como o diamante e o grafite".

Andre Geim diz que o potencial de aplicações grafeno é muito superior ao do silício – que revolucionou a eletrônica – e que, por suas propriedades revolucionárias, deverá proporcionar avanços científicos e tecnológicos sem precedentes.

Mil aplicações

O grafeno é um material incrível por suas qualidades. Ele é formado de carbono puro, como o diamante ou o grafite. Mas suas propriedades são únicas e surpreendentes, como, por exemplo:

• Ele é bidimensional. Uma folha ou lâmina de grafeno tem a espessura de apenas um átomo. Ele é tão fino que se torna quase transparente.
• É o melhor condutor de calor e eletricidade já conhecido.
• É 100 vezes mais resistente do que o aço.
• É absolutamente impermeável.

Entre suas incontáveis aplicações possíveis, os especialistas preveem que teremos circuitos integrados com velocidade centenas de vezes maiores do que as atuais. Ou baterias com capacidade de armazenamento mil vezes superior às baterias convencionais. Aliás, a primeira dessas baterias baseadas em grafeno, criada na Espanha, pode dar uma autonomia de até 1.000 km aos carros elétricos.

 No centro MackGraphe, estavam expostos ontem alguns dos muitos produtos já fabricados com grafeno:

• Raquete de tênis;
• Pneu e capacete de bicicleta;
• Capa para celular iPhone 6, acessório não-inflamável, que resiste ao risco de explosão até a 1.300º C, que dissipa o calor e aumenta a vida útil da bateria;
• Aparelho odontológico chamado fotopolimerizador (usado para fixar a resina no dente).

Tudo aconteceu por acaso

Em sua palestra, Andre Geim teve momentos de bom-humor, ao lembrar que nos anos 1990, fazia pesquisas que eram consideradas "pouco acadêmicas", ao investigar o magnetismo dentro d'água, com uso de lagartixas. Essas experiências lhe renderam no ano 2000 o Prêmio Ig Nobel – criado pela revista de humor Anais da Pesquisa Improvável (Annals of Improbable Research) e entregue na Universidade de Harvard, com o propósito principal de premiar pesquisas raras, honrar a imaginação e atrair o interesse público para a ciência, a medicina e a tecnologia. O único vencedor deste prêmio que também foi vencedor do Prêmio Nobel foi Andre Geim. O cientista ri muito ao lembrar essa circunstância.

Durante décadas, os pesquisadore previam a existência do grafeno e teorizavam sobre o grafeno durante décadas. Provavelmente algum pesquisador tenha produzido esse material em pequeníssimas quantidades, a partir do grafite.

Foi, então, que, em 2004, Andre Geim e Konstantin Novoselov descreveram, também, as propriedades, a composição, a estrutura e as propriedades do grafeno. Na realidade, esse material foi redescoberto e isolado em 2004 por esses dois cientistas na Universidade de Manchester. Por essa descoberta, ambos ganharam o Prêmio Nobel de Física de 2010.

Irmão do diamante e do grafite

O grafeno é na realidade um elemento químico formado pelos mesmos átomos do diamante e do grafite – que também são constituídos de carbono puro.

A diferença é que, em cada um desses materiais, os átomos do carbono se agrupam de maneiras diferentes. Na linguagem dos cientistas, diamante, grafite e grafeno são diferentes formas alotrópicas do carbono.

O professor Eunézio Antônio Thoroh de Souza, coordenador do Centro MackGraphe, afirma que nos próximos 20 anos veremos o grafeno presente em diversas tecnologias em nosso dia a dia e outras que ainda nem imaginamos, pois um novo material permite criar novas tecnologias. "Estamos fazendo o dever de casa: aproveitando oportunidades e nos tornando personagens atuantes no campo da inovação. Vivemos uma nova era; um novo Mackenzie", ressalta.

Diante da popularidade crescente, é fato que há interesse na utilização do material por parte das grandes potências mundiais. A China, por exemplo, já possui cerca de 2.204 patentes registradas em produtos com grafeno, seguida dos Estados Unidos, com 1.754, e a Coréia do Sul, com 1.160. "Existe uma verdadeira corrida por trás de tudo isso. Apenas a Samsung (gigante sul-coreana de tecnologia), tem mais de 500 patentes. Há um potencial gigantesco no material", explica Thoroh.

A produção mundial de grafita natural em 2013 foi de 1,1 milhão de toneladas, enquanto a China foi responsável por 70,4% da produção total, seguida pela Índia, Brasil, Coreia do Norte e Canadá, mantendo os números do ranking produtivo feito em 2012. Em escala menor, esse mineral foi produzido nos seguintes países: Rússia, Turquia, México, Noruega, Romênia, Ucrânia, Madagascar e Sri Lanka.

Nesse cenário, o Brasil manteve o terceiro lugar dentre os principais produtores mundiais de grafite. A América do Sul detém a principal ocorrência do material, com grandes reservas e infraestrutura para permitir o crescimento da produção. As reservas brasileiras estão primariamente nos estados de Minas Gerais, Ceará e Bahia.

Em 2013, a produção brasileira do mineral natural beneficiada foi de 91.908 t de minério (65 mil toneladas de contido), com acréscimo de 4,2% (3.808 t) em relação ao ano de 2012. A maior empresa produtora de grafita natural beneficiada no Brasil é a Nacional de Grafite Ltda., responsável por 96% do total, no ano de 2013, estabelecida no Estado de Minas Gerais, nos municípios de Itapecerica, Pedra Azul e Salto da Divisa, conforme o Informe Mineral 2015 do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral.

Atualmente, 1 kg de grafite custa US$ 1 e dele pode-se extrair 150g de grafeno, avaliado em pelo menos US$ 15 mil, uma fantástica valorização. Prevê-se que o mercado de grafeno terá potencial para atingir até US$ 1 trilhão em 10 anos. E o melhor: estima-se que o Brasil possua a maior reserva mundial, segundo relatório publicado em 2012 pelo DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), do governo federal.

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