Avião solar vai coletar dados na Amazônia

atlantik_solar2.jpg12/10/2015 - Cientistas do Laboratório de Sistemas Autônomos da universidade ETH, de Zurique, na Suíça, vão coletar dados atmosféricos na floresta amazônica paraense de maneira inédita: usando um avião solar não tripulado. O equipamento –desenvolvido durante o doutorado de um estudante da ETH e batizado de AtlantikSolar– vai sobrevoar um trecho da floresta saindo de Barcarena em direção a Melgaço, onde fica uma parte da Floresta Nacional de Caxiuanã, no dia 22 de outubro.

O avião vai levantar, por meio de sensores, informações atmosféricas sobre ventos, umidade, temperatura e radiação em trechos da floresta antes nunca estudados. O voo do AtlantikSolar foi autorizado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo Cindacta IV de Manaus (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo).

Hoje, o Brasil coleta esse tipo de informação na floresta por meio de redes de estações meteorológicas de superfície e por meio de balões. "A Amazônia tem extensas áreas de floresta densa, fechada, cujo acesso é dificílimo e a logística é muito complicada. Por isso, a instalação de sensores de superfície e, principalmente, a sua manutenção, são um desafio muito grande e dispendioso", diz Carlos Alberto Freitas, Gerente Regional de Belém do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), um dos parceiros locais do projeto.

Informações meteorológicas são importantes para entender a dinâmica da floresta. Muitos estudos já realizados na Amazônia mostram, por exemplo, que grande parte da umidade do Oceano Atlântico é transportada pelos ventos para a floresta amazônica, interage com os ciclos biogeoquímicos da floresta e continua sendo transportada até as regiões Sudeste e Sul do país, levando chuva. "Toda informação adicional passível de ser obtida permite que avancemos no conhecimento e nos possibilita compreender melhor como a natureza e a sociedade podem ser influenciadas pela variabilidade natural do clima", diz Freitas.

Para os suíços, o voo servirá como um teste para averiguar a autonomia e a resistência da aeronave em condições climáticas diferentes das encontradas nas Europa. Todos os dados coletados no voo, no entando, ficarão a cargo do Censipam, que cuidarpa da disponibilização das informações aos parceiros. Os dados podem ajudar na condução de novos estudos sobre a região amazônica.

"Esse tipo de aeronave pode oferecer informações mais precisas e com maior qualidade do que as geradas pelos satélites, de forma mais rápida e mais barata, tornando-se uma boa opção para aprimorar o monitoramento em áreas de médio porte", diz Philipp Oettershagen, doutorando do ETH Zurique e responsável pela aeronave.

Ele é coautor de alguns dos estudos científicos apresentados em conferências internacionais durante o desenvolvimento do equipamento. Só neste ano, a tecnologia foi apresentada na ICRA (International conference on Robotics and Automation), nos EUA, e no Field Service and Robotics Conference, no Canadá.

O equipamento também possui uma câmera de alta resolução capaz de criar imagens em 3D e em infravermelho, o que pode ajudar a encontrar pessoas e animais em situações de desastre ou de difícil acesso –como refugiados no mar.

Em teste recente, os criadores do AtlantikSolar já tinham conseguido uma autonomia de voo de 81 horas seguidas, de 14 a 17 de julho, na Suíça –um recorde mundial para aeronaves não tripuladas com menos de 50 kg. "Agora, a ideia é sobrevoar uma região completamente desconhecida", diz Oettershagen. A longo prazo, os cientistas planejam cruzar o Oceano Atlântico –daí vem o nome do equipamento.

Ficha técnica da AtlantikSolar

Envergadura da asa: 5,65 metros
Peso: 6,9 kg
Velocidade de cruzeiro: 32-60km/hora
Altitude máxima: 1.600 metros
Tempo máximo de voo sem pausa: 10 dias
Assista um voo: (em inglês): www.youtube.com/watch?v=8m4_NpTQn0E

ETH Zurich

O Instituto Federal de Tecnologia de Zurique é uma das dez melhores universidades do mundo, de acordo com o ranking do THE (Times Higher Education) lançado em setembro de 2015.

 

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Atualize seu conhecimento sobre a Lua

moon.jpgEthevaldo Siqueira
30/08/2015 - Numa pesquisa nos excelentes arquivos da Nasa, atualizei meus conhecimentos sobre a Lua. E aprendi que a Lua, por suas variações de temperatura muito grandes e praticamente sem água e sem oxigênio, não tem condições de abrigar a vida, como a conhecemos.

Só o problema da extrema amplitude términa já tornaria muito difícil a existência de seres vivos como os que povoam a Terra. A temperatura mínima é de –173,1 graus C (negativos), enquanto a máxima chega a 116 graus Celsius, ou seja, superior à temperatura da água em ebulição.

A superfície lunar não pode reter água, mesmo congelada, porque, quando exposta à radiação solar, a água se decompõe, num fenômeno que é chamado de fotólise. Entretanto, é provável que, no passado, ainda que por curtos períodos, a Lua tenha retido, em suas crateras, água ou gelo trazidos por cometas que impactaram sua superfície. Em seu subsolo, por outro lado, é possível que a Lua abrigue água, sob a forma de gelo. As numerosas crateras da superfície da Lua são, provavelmente, resultado do impacto de meteoros ou cometas sobre sua superfície.

A existência da Lua, como satélite natural da Terra, traz benefícios significativos à humanidade. Ela torna nosso planeta mais habitável pela moderação da oscilação do eixo terrestre, o que proporciona um clima mais estável e cria um ritmo de marés que tem orientado a humanidade ao longo de milênios.

Rotação e translação

O tempo que a Lua gasta para completar uma volta em torno de seu eixo equivale a 27,32 dias terrestres. É chamado de período ou dia sideral. Já o tempo que a Lua leva para completar uma volta em torno da Terra – que é chamado de período ou ano sinódico – é de 29,53 dias (a rigor, 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,9 segundos). Esse é também o tempo entre duas Luas Novas. Durante todo o curso de sua órbita em torno da Terra, a Lua está sempre voltada para nosso planeta.

A força de gravidade na superfície da Lua equivale a 1/6 da gravidade terrestre. Um homem cujo peso na Terra seja de 90 kg pesará apenas 18 kg na superfície da Lua. Mas como a atmosfera da Lua é tão rarefeita que pode ser considerada praticamente nula, não há resistência à queda de corpos com qualquer massa.

Uma demonstração curiosa sobre a queda dos corpos na superfície desse satélite foi feita pelo comandante da missão Apollo 15, em 1972, que deixou cair, diante das câmeras de TV um martelo de alumínio de 1,2 kg e uma pluma de falcão de apenas 30 gramas, e ambas caíram com a mesma velocidade e tocaram o solo lunar ao mesmo tempo.

A Lua está a uma distância média de 384.399 km da Terra. Isso corresponde a 0,00257 UA (unidades internacionais). Cada UA equivale a 150 milhões de km (que é a distância entre o Sol e a Terra). Já a distância mais próxima da Terra (perigeu) é de 363.104 km. A mais distante (apogeu), 405.696 km.

Quando foi formada a Lua?

A Lua tem uma idade estimada de 4,5 bilhões, sendo um pouco mais nova do que a Terra. A teoria mais aceita sobre a formação da Lua sugere que ela teria resultado de uma possível colisão entre um corpo celeste do tamanho de Marte (Theia) e a Terra. O maior ou um dos maiores pedaços que se desprendeu dessa colisão teria formado a Lua.

Mais de uma centena de espaçonaves já foram lançadas para explorar a Lua. De 1969 a 1972, doze seres humanos pisaram no solo lunar durante o Projeto Apollo. Depois deles, apenas sondas e máquinas robóticas.

Acesse um dos excelentes sites da Nasa e do JPL neste link:

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A beleza ainda misteriosa de uma aurora boreal

boreal2.jpgEthevaldo Siqueira
20/08/2015 - Esta foto de autoria de Mark Vancleave/Star Tribune/via AP, publicada no Washington Post, mostra uma bela aurora boreal, com luzes que parecem dançar no céu, em Kroshel, Minnesota, EUA. Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre as verdadeiras causas do fenômeno, que resulta, provavelmente, do impacto de partículas de alta energia provindas do Sol.

Uma das explicações dizem que a aurora boreal (ou astral), é um efeito dessas partículas energéticas expelidas do Sol, são aceleradas pelo vento solar, como decorrência de gigantescas erupções conhecidas como ejeções de massa da coroa solar (conhecidas pela sigla CMEs).

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Robô Philae pode revelar os "germes da vida"

philae_touchdown1.jpgEthevaldo Siqueira, Direto da Nasa para a CBN
05/08/2015 - O mundo dá os primeiros passos para conhecer em profundidade a natureza e a composição dos cometas, a partir dos dados recebidos após a primeira coleta de dados feita pelo robô Philae, lançado pela sonda Rosetta e que pousou na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em novembro de 2014.

Esta notícia da missão Rosetta tem como fonte principal a ESA (Agência Espacial Europeia) e não a Nasa. Utilizamos aqui as informações complementares do jornal Le Monde, de sua edição desta sexta-feira (31-07-2015), do artigo de Pierre Le Hir, que discute o significado das pesquisas iniciais feitas pela missão Rosetta e seu robô-laboratório Philae. A conclusão mais importante dos cientistas da ESA é, sem dúvida, a de que esses dados podem revelar que o cometa 67P abriga os verdadeiros "germes da vida".

A revista Science de hoje (31 de julho) publica edição especial dedicada aos primeiros dados levantados pela missão Rosetta, por intermédio da sonda Philae. A edição da revista é inteiramente dedicada à análise dos primeiros dados enviados pelo robô-laboratório Philae, que pousou sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko – agora conhecido pelo apelido de Chury em novembro de 2014, antes de entrar em hibernação durante sete meses. Todos os estudos ainda são preliminares, pois se referem apenas aos dados coletados pela sonda-robô Philae nas primeiras 63 horas que ele funcionou (entre os dias 12 e 14 de novembro de 2014), antes de entrar em hibernação.

A revista Science publica hoje sete estudos especializados de cientistas que mostram os primeiros resultados das pesquisas feitas por 10 instrumentos especializados da Philae – entre os quais, câmeras, radar de pesquisa, espectrômetro, magnetômetro e analisador de gases.

Nicolas Altobelli, cientista responsável pela missão Rosetta na ESA (Agência Espacial Europeia), não contém seu entusiasmo pelo que a Philae já revelou: "O que é fantástico é que, pela primeira vez na história do estudo dos cometas, nós tivemos acesso que poderíamos chamar de 'verdade do terreno'. Tudo que sabíamos até aqui vinha de observações distantes ou de sobrevoo de sondas".

Jean-Pierre Bibring, professor na Universidade Paris-Sud e responsável pelas pesquisas científicas da Philae, vai mais longe: "O que nós aprendemos sobre esse cometa está muito distante daquilo que imaginávamos. É nisso que se reconhecem as descobertas realmente importantes."

Uma teoria sobre a origem da vida

Numa palestra de Carl Sagan, a que assisti no final dos anos 1970, no Jet Propulsion Lab, em Pasadena, Califórnia, o grande astrônomo lembrava que, segundo uma das teorias mais fascinantes, a origem da vida na Terra poderia estar ligada aos cometas. Um desses corpos celestes, que são verdadeiros "cavaleiros andantes do Cosmos", teria caído sobre a Terra há cerca de 3 bilhões de anos trazendo as primeiras bactérias que teriam sido o começo de toda a vida no planeta. Assim, a ser verdadeira essa hipótese, a vida como a conhecemos hoje seria o resultado da evolução daquelas bactérias.

Além dessa expectativa, como mensageiros da vida, o conhecimento mais profundo da natureza dos cometas ainda poderia ajudar os astrônomos a compreender melhor a história do Sistema Solar, a origem e a idade dos planetas, dos satélites e dos asteroides.

Crédito: ESA/Nasa

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Água com efervescente dança no ar

agua_efervescente.jpgEthevaldo Siqueira, Direto da Nasa para a CBN
28/07/2015 - Esta foto, feita na Estação Espacial Internacional (ISS), mostra o que não podemos vemos em nosso dia-a-dia: uma porção de água, muito maior do que uma simples gota do líquido, a flutuar no ar, contida pela película invisível da tensão superficial. A vida e os fenômenos que ocorrem na estação foram tema de um pequeno documentário em alta definição com imagens tridimensionais (3-D), que fez sucesso na internet em outubro de 2014, ao mostrar a vida na Estação Espacial Internacional (ISS) e, em especial, o trecho em que os astronautas exploram o comportamento da tensão superficial da água em microgravidade.

A experiência sugeriu novos avanços na fotografia e no vídeo de super alta resolução. Os mesmos engenheiros que forneceram as câmeras de alta definição 3-D para a estação espacial acabam de mandar uma nova câmera capaz de gravar imagens com seis vezes mais detalhes do que as anteriores.
Essa câmera, chamada RED Epic Dragon, é capaz de fazer fotos com resolução de até 6K, ou seja, uma foto formada por 6.144x3.160 pixels. Por comparação, a resolução média de uma imagem de TV de alta definição é de 1.920x1.080 pixels, enquanto a do cinema digital fica em torno de 2.000x4.000 pixels.

Entre as aplicações surpreendentes dessas novas câmeras, os astronautas descobriram o imenso potencial que essas imagens de alta resolução podem representar em fotos e documentários sobre a Terra, seus acidentes geográficos, oceanos, florestas, geleiras e fenômenos meteorológicos.

Acesse o link para assistir a um vídeo especial da Nasa sobre o que acontece com a água que flutua no ar, inclusive com substância efervescente dissolvida no líquido.

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Superfoguete SLS para viagens a Marte

sls_superfoguete.jpgEthevaldo Siqueira, Direto da Nasa para a CBN
28/07/2015 - O projeto está pronto. O motor principal já foi testado. Está nascendo o Sistema de Lançamento Espacial (SLS, sigla de Space Launch System), o maior foguete já projetado pela humanidade. Aliás, as equipes de engenheiros e cientistas que projetaram o estavam orgulhosas na semana passada após a conclusão da chamada 'revisão crítica' em profundidade do projeto.

A revisão crítica do projeto tomou o trabalho de 13 equipes de especialistas durante 11 semanas, para revisar mais de mil arquivos digitais de dados que abrangem todos os processos de funcionamento do SLS.
Depois da conquista da Lua, há mais de 40 anos, este o maior projeto de um veículo de grandes proporções a ser produzido pela Nasa. Na ponta de foguetes SLS como esse serão acopladas as cápsulas Orion, que levarão astronautas a Marte e ao Cinturão de Asteroides, nas décadas de 2030 e 2040.

Daqui para frente, começa o grande desafio de integrar e fabricar o primeiro foguete em tamanho real (full-scale). Sua construção será feita em três configurações. A primeira delas, tem o nome de SLS Block 1, será destinada aos primeiros testes com a cápsula Orion ainda não-tripulada. Sua altura é de 96,6 metros.

A força de decolagem do SLS é impressionante. O empuxo total de seus motores será de 3,8 mil toneladas na decolagem, tirando do solo o peso total do foguete, de 2,5 mil toneladas, capaz de transportar uma carga de até 70 toneladas.

Em sua primeira missão, chamada Exploration Mission-1, ela lançará a cápsula Orion não-tripulada para demonstrar o desempenho do sistema integrado do foguete SLS, antes dos voos tripulados.

A construção do Block 1 exige a associação crítica de muitas partes para que o foguete se descole do solo e ingresse com segurança no espaço, o que inclui poderosos motores, foguetes auxiliares aceleradores, computadores de voo, aviônica (o conjunto de equipamentos eletrônicos embarcados) e o estágio principal do SLS – que terá a altura de 66,7 metros e diâmetro de 9,2 metros. Esse estágio transportará hidrogênio líquido criogênico e oxigênio líquido que alimentarão os quatro motores RS-25 do foguete.

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