Poeira envolve o aglomerado estelar Plêiades M45

pleiades.jpgPor Ethevaldo Siqueira, com APOD da NASA
06/09/2019 - Você, certamente, já contemplou o aglomerado estelar Plêiades. Talvez não o tenha visto envolvido por tanta poeira cósmica como nesta foto. Saiba, no entanto, que ele é o aglomerado estelar mais famoso do céu. As Plêiades, suas estrelas brilhantes podem ser vistas sem binóculos até mesmo numa noite poluída pelas luzes de uma cidade.

Se você gosta de fotografar o céu, faça uma foto com longa exposição em um local escuro, para que a nuvem de poeira se torne visível em torno do aglomerado estelar Plêiades. A foto aqui mostrada foi resultado de 12 horas de exposição e cobriu uma área do céu diversas vezes o tamanho da lua cheia.

Também conhecidas como as Sete Irmãs ou M45, as Plêiades encontram-se a cerca de 400 anos-luz de distância em direção à Constelação do Touro (Taurus). Uma lenda comum com um toque moderno diz que uma das estrelas mais brilhantes desapareceu desde que o cluster foi batizado, deixando apenas seis estrelas visíveis a olho nu. O número real de estrelas Plêiades visíveis, no entanto, pode ser mais ou menos do que sete, dependendo da escuridão do céu circundante e da clareza da visão do observador.

Crédito: Marco Lorenzi (luzes brilhantes)

Comentário (0) Hits: 1351

A revolução da ciência no estudo do autismo

autismo.jpg*Por Dr. Alysson R. Muotri
19/03/2019 - A criação de minicérebros humanos em laboratório a partir de células-tronco é um dos fenômenos mais interessantes da neurociência moderna. Essa nova ferramenta promete uma grande transformação no tratamento de doenças neurológicas e genéticas, gerando uma revolução na medicina.

Formados a partir de células-tronco pluripotentes, reprogramadas de células periféricas (sangue, polpa de dente, pele etc.) do próprio indivíduo, esses minicérebros (ou organoides cerebrais) são criados em biorreatores de laboratórios, seguindo uma complexa receita química. Cada passo é importante e, desta forma, é possível recapitular o desenvolvimento neural embrionário da pessoa, só que in vitro. Muito da técnica ainda é empírico, pois as células-tronco fazem a maior parte do processo sozinhas: se auto-organizam em estruturas cerebrais tridimensionais de forma espontânea, seguindo as instruções genéticas codificadas pelo genoma do indivíduo.

A similaridade anatômica dos organoides com o cérebro humano impressiona, mas ainda é uma versão miniatura, com cerca de meio centímetro. As estruturas são pequenas porque ainda não temos vascularização para manter os minicérebros crescendo por muito tempo. Hoje, conseguimos mantê-los em cultura por 1 a 2 anos. Depois disso, observamos que o centro das esferas se torna escuro, um sinal de que as células estão morrendo devido a falta de nutrientes que só chegam por difusão. No entanto, cientistas já estão criando estruturas de circulação artificiais usando bioimpressoras, semelhantes a veias e artérias, que irão irrigar o interior desses minicérebros e permitir seu crescimento.

Mas a escala menor também tem suas vantagens. Podemos criar, literalmente, milhares de minicérebros de uma única só vez e mantê-los em pequenas placas. Esses organoides podem ser usados para descobertas de novos medicamentos em plataformas miniaturizadas que permitam a comparação paralela simultaneamente. Esse tipo de escala é passível de automação, modelo preferido pelas indústrias farmacêuticas. Além do teste de drogas para eventuais doenças neurológicas, esse modelo também permite uma análise do impacto de drogas ambientais (toxinas, fertilizantes etc.) no desenvolvimento embrionário humano. Nosso laboratório na Universidade da Califórnia, por exemplo, já consegue dizer rapidamente se existem toxinas que afetariam o cérebro embrionário em determinada amostra ambiental, fornecendo um selo de qualidade que deverá ser obrigatório para todos os futuros produtos, artificiais ou não, em alguns anos. É claro que o modelo também tem limitações, afinal os minicérebros não funcionam em um sistema interconectado com outros tecidos (sistema imune, por exemplo), mas acredito que muitas delas serão resolvidas em um futuro próximo.

Apesar das promessas em torno dos minicérebros, tudo isso ainda é muito caro para ser aplicado de uma forma personalizada. Por outro lado, felizmente, a ciência dá saltos. No ano passado conseguimos reduzir o custo dessa tecnologia de forma considerável, possibilitando a criação de minicérebros de até 100 pessoas de uma só vez. O novo método permitirá estudar condições neurológicas geneticamente complexas, como o autismo idiopático.

E foi com esse modelo que também descobrimos que os neurônios de minicérebros derivados de indivíduos autistas estabelecem um número menor de conexões nervosas (contatos sinápticos) comparado ao grupo controle (minicérebros derivados de neurotípicos). Essa alteração sináptica, provavelmente, também está relacionada aos sintomas clínicos dos pacientes. O próximo passo agora é encontrar uma forma de corrigir os defeitos sinápticos nos minicérebros dos autistas, o que será feito em parceria com a TISMOO, que vai iniciar a operação do seu laboratório para modelagem celular funcional na Europa ainda este ano. É um excelente ponto de partida para futuros ensaios clínicos.

autismo2.jpgComo quase sempre, a ciência avança de forma não linear e, muitas vezes, nos pega de surpresa, sem deixar muitas chances para a reflexão sobre aspectos fundamentais dos dados gerados. Então, uma pergunta interessante e provocativa para a área científica no momento atual seria se esses minicérebros teriam a capacidade de pensar ou se teriam consciência da própria existência em uma placa de petri? A resposta é que, apesar de rudimentar, as estruturas cerebrais estão lá, principalmente regiões do córtex frontal, responsáveis por uma série de funções cognitivas altamente sofisticadas. Seriam essas redes nervosas o princípio da consciência humana? Se sim, quais seriam as implicações éticas dessa tecnologia? Deixando de lado as questões filosóficas e éticas, acredito que esse novo modelo, associado a informação genética individual, trará a medicina personalizada para mais perto dos autistas e outros porta dores de transtornos neurológicos.

*Dr. Alysson R. Muotri é Ph.D., professor da Faculdade de Medicina e diretor do Programa de Células-tronco da Universidade da Califórnia, e sócio-fundador da startup de biotecnologia TISMOO, primeiro laboratório do mundo exclusivamente dedicado à medicina personalizada com foco no Transtorno do Espectro do Autismo e outros transtornos neurológicos de origem genética.

Comentário (0) Hits: 3620

Como seu cérebro atua para escolher e decidir?

carla_tieppo_2.jpg*Por Carla Tieppo
05/02/2019 - Neurociência mostra que é possível identificar trilhas e vetores de força do sistema nervoso que influenciam nossas escolhas e decisões no cotidiano, inclusive no trabalho

O mercado de trabalho está aquecido e movimentado, com muitas empresas buscando novos profissionais para preencher cargos de baixa, média e alta complexidade, em diversas áreas. Nesta tarefa, muitos profissionais encontram o desafio de promover a diversas nas empresas, em busca de maior produtividade e inovação.

Com as transformações econômicas e culturais, que incluem desde o surgimento de startups disruptivas e tecnologias de difícil implantação; o Departamento de RH enfrenta hoje um grande desafio para contratar pessoas com perfis adequados às necessidades estratégicas da empresa.

Embora existam muitos recursos, testes e softwares que apoiam este trabalho, há também os vieses inconscientes, as réguas das percepções subjetivas do ser humano que podem influenciar – e muito – no processo de Recrutamento e Seleção.

Os vieses inconscientes são os caminhos que o cérebro percorre em momentos de escolha e tomada de decisão. No ambiente corporativo, eles podem ter impacto na descrição de cargos e na seleção de candidatos. São trilhas que conduzem profissionais a comportamentos e pensamentos esteriotipados e até preconceituosos, que podem afetar a tomada de decisão.

Isto explica o que acontece hoje em um grande número de empresas, em que os perfis selecionados são sempre muito similares, dificultando a diversidade de gênero, raça, sexo e cor no ambiente de trabalho.

Os vieses inconscientes podem levar as pessoas a escolherem um homem em vez de uma mulher para um cargo de liderança simplesmente porque estamos mais acostumados a esse padrão. Tendemos a selecionar pessoas mais parecidas com nossa personalidade ou a rejeitar um candidato porque não gostamos da forma como ele se veste. Se um profissional de RH acredita que mulheres não lideram bem a área financeira, as mulheres nunca chegarão aos cargos desta área.

Para evitar que isto aconteça, é importante conscientizar não apenas os recrutadores, mas também os gestores que desenham os perfis das vagas sobre esta fragilidade do cérebro. É possível ensinar as pessoas a colocarem as emoções corretas quando precisam atuar no recrutamento e seleção, para que sejam mais isentas, assertivas e estratégicas.

Existe uma tendência nas empresas: quando gerentes de RH ou gestores de áreas definem um perfil ou realizam uma entrevista, eles podem se deixar levar por vieses do cérebro que estão baseados nas crenças e nas experiências destes profissionais. Isto está comprovado pela neurociência.

Nestes casos, é importante adotar previamente parâmetros adequados para avaliar o potencial de um indivíduo que vai ocupar uma determinada posição, garantindo que não haja distinção de gênero, raça e condição social.

Há fatores que podem favorecer o surgimento dos vieses e também vetores de força do sistema nervoso que influenciam nesses vieses, o que pode ser explicado pela neurociência. Além disso, existem técnicas que podem corrigir e neutralizar os vieses, abrindo caminhos para a diversidade que tantas empresas buscam atualmente.

Em 2017, uma pesquisa da empresa global de consultoria estratégica McKinsey & Company apontou que empresas com diversidade de gênero em suas equipes executivas eram 21% mais propensas a terem rentabilidade acima da média.

*Carla Tieppo é neurocientista

Comentário (0) Hits: 4161

Veja o eclipse total da Lua em diversos países

eclipse_lua_2019.jpgPor Ethevaldo Siqueira
21/01/2019 - Numa reportagem com magníficas fotos em mais de dez país, o jornal Le Monde de hoje, segunda-feira, 21, mostra o eclipse total da Lua, que ocorreu na noite de domingo para a madrugada de segunda-feira, quando a Terra atravessou a linha visual entre o Sol e o satélite. A matéria mostra o eclipse, da cidade do México para Ouarzazate, no sul do Marrocos.

Saiba mais aqui:

Crédito: Lisi Niesner / Reuters

Comentário (0) Hits: 3365

Arqueologistas furiosos com danos em Stonehenge

stonehenge.jpgPor Ethevaldo Siqueira
10/12/2018 - Escavações nas bases desse monumento destruíram ossadas e restos humanos de milhares de anos que poderiam contar um pouco da história desse incrível monumento com pedras de até 40 toneladas.

Uma empresa construtora de estradas no Reino Unido, a Highways England, causou danos a uma estrutura de mais de 6.000 anos de idade, nas proximidades do monumento de Stonehenge, segundo noticiou no fim de semana o jornal The Guardian.

Comentário (0) Hits: 2858

“Por que investir em projetos espaciais?”

solar_parker_2.jpgPor Ethevaldo Siqueira
06/08/2018 - Essa é uma pergunta frequente, que já ouvi centenas de vezes, agora partida de um amigo, engenheiro culto, como reação a um artigo que escrevi sobre a Sonda Solar Parker. Ele me questionou com as seguintes palavras:

— Qual será o real benefício de tantos gastos para conhecermos o passado do fora Sistema Solar? Com a mesma determinação e dinheiro não teríamos uma Terra melhor? E mais longeva?

Respondi ao meu amigo e agora amplio a resposta a todos os que pensam como ele:

“Seu comentário é um tiro na alma da pesquisa pura. Conheço um pesquisador que estuda há anos os "isópodas" – aqueles tatuzinhos que vivem debaixo de pedras úmidas em nossos jardins. Essa classe de animais surgiu no planeta há mais de 300 milhões de anos, no Período Carbonífero. Esses bichinhos já estavam no planeta muito antes dos dinossauros, há pelo menos 300 milhões de anos. De lá para cá, os isópodas superaram todos os cataclismos e, talvez, tenham algum segredo para nos revelar sobre sua resistência e longevidade na face da Terra. Mais um detalhe curioso é seu comportamento sexual com dezenas de relações (ou cópulas) por dia.”

"Isópodas", aqueles tatuzinhos que vivem debaixo de pedras úmidas em nossos jardins, são objeto de estudo de pesquisas há anos

Mais dois exemplos interessantes que têm sido objetos de pesquisas:

1. O tubarão da Groenlândia, Somniosus microcephalus, vive por muitos séculos, e pode chegar a 500 anos, de acordo com um estudo publicado em agosto de 2016 na revista Science.

2. A sequoia-gigante da Califórnia mais velha conhecida tem 4.650 anos de idade, altura de 115 metros e tronco com diâmetro de 18 metros.
“Para argumentar com mais fatos e provas, em defesa da importância da pesquisa científica pura, eu teria que preencher 100 páginas de livros para relacionar todos os benefícios trazidos à Humanidade por investimentos que, como você classifica, seriam desperdícios. Apenas o trabalho da Sonda Solar Parker poderá trazer descobertas revolucionárias sobre o vento solar (que causa tantos problemas à saúde do ser humano, além de problemas meteorológicos) e ainda nos esclarecer pormenores científicos sobre como funciona uma sonda que cruza um ambiente com temperatura de 1 milhão e 500 mil graus Celsius e não se funde nem se vaporiza.

Os satélites foram xingados com o mesmo argumento seu – desde o primeiro Sputnik até o último importante, o Éolo  satélite meteorológico europeu lançado no dia 21 de agosto, que ajudará os cientistas a elaborar previsões do tempo muito mais precisas e de âmbito mundial. Todos os cidadãos que se utilizam, do GPS, o Waze, o WhatsApp, o Skype e serviços via satélite como as ligações internacionais, deveriam agradecer às pesquisas científicas, que tantos benefícios trouxeram à humanidade.

Matéria atualizada dia 06/09/2018 às 17h28

 

Comentário (0) Hits: 4895

newsletter buton