EUA privatizam as atividades espaciais

Cygnus.jpg23/09/2013 - Pela segunda vez, o reabastecimento da Estação Espacial International (ISS, sigla de International Space Station), está sendo feito por um cargueiro construído e operado por uma empresa privada, a serviço da NASA, a agência espacial norte-americana. A nave transportadora Cygnus, lançada pelo foguete Antares na quarta-feira, 18, da base de lançamento de Wallops, da NASA, no Estado da Virgínia, às 10h58, hora local, e acoplou-se no domingo à ISS. Ela transporta cerca de 600 kg de carga, incluindo roupa e alimentos, destinados à tripulação da Expedição 37

O viagem da Cygnus é feita em caráter de demonstração. Se tudo correr bem, o veículo de carga se qualifica para lançamentos futuros. Desenvolvida pela empresa privada Orbital Sciences Corp. & Thales Alenia Space, a Cygnus faz parte do programa de privatização e terceirização do transporte de suprimentos e materiais para a ISS, de responsabilidade da NASA.

A empresa americana SpaceX tornou-se em abril de 2012 a a primeira companhia privada a levar com sucesso suprimentos para a ISS. Até então, esse serviço era feito apenas por naves das próprias agências estatais. Com a aposentadoria da frota de ônibus espaciais da NASA, em 2011, esse trabalho passou a ser feito tanto pela nave russa Soyuz quanto por empresas privadas norte-americanas.


O Cygnus e outros projetos espaciais indicam claramente a tendência de privatização das atividades espaciais. Diversas empresas privadas já se dedicam ao setor, a começar do chamado turismo espacial, com empresas como a Virgin Galactic e a XCOR Aerospace. Além dessas, há empresas que têm sido tradicionais fornecedoras das NASA, como a Lockheed Martin e a Boeing. Outra empresa privada, a SpaceX desenvolve foguetes reutilizáveis.


O bilionário Richard Branson, dono da Virgin Galactic, constrói no Estado do Novo México, o spaceport, para uso das naves de turismo espacial.

Tudo isso se tornou possível, em grande parte, pela disponibilidade de profissionais liberados pela NASA, após os sucessivos cortes de verbas públicas dos últimos 10 anos. Essas novas empresas já contam com pessoal qualificado. A grande maioria deles são profissionais altamente experientes que deixaram a NASA.

Os cortes orçamentários determinaram a demissão 9.000 empregados da agência, desde 2005 até hoje. Desse modo, ficou ainda mais fácil para as empresas privadas escolher os mais competentes.


A mesma tendência de privatização ocorre na Rússia e no Cazaquistão também, tanto assim que esses dois países planejam converter o Centro Espacial de Baikonur em uma empresa binacional, ou seja, uma joint venture, com maioria de capitais russos. Segundo o diretor da Kazcosmos (agência espacial do Cazaquistão), Talgat Musabyev, seu país se dispõe a trabalhar em conjunto não apenas com a Rússia, mas, também, com outros países.


O Centro Espacial de Baikonur, no Cazaquistão, foi a primeira base espacial e ainda é a maior do mundo nessa área. Utilizado atualmente pela Rússia para muitos lançamentos espaciais, Baikonur está alugado à Rússia até o ano 2050. A Rússia, no entanto, planeja concentrar futuramente a maioria de seus voos nas novas instalações de lançamentos espaciais do Cosmódromo de Vostochny, que deverá entrar em operação em 2015. Apenas 11% dos lançamentos deverão permanecer em Baikonur.


Vostochny, que está situado no extremo leste da Sibéria, será utilizado inicialmente para o lançamento de naves não tripuladas e satélites. Os voos tripulados só serão operados nessa base a partir de 2018. Essa base espacial de Vostochny deverá ser transformada em empresa mista, com 70% de capitais russos, tão logo ela entre em operação.

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