Especialistas apostam nos carros e ônibus elétricos

Por Ethevaldo Siqueira

O futuro do transporte urbano está nos carros e ônibus elétricos. Embora essa previsão já tenha sido feita há algumas décadas, parece que o Brasil está hoje muito mais próximo dessa solução.

Conforme diz Roberto Schaeffer, professor titular de Economia da Energia do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ — que coordena programas de pós-graduação nessa área na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Brasil e o mundo precisam de veículos elétricos.

Motores a combustão têm uma eficiência abaixo de 30%, enquanto os motores elétricos estão acima dos 90%. Veículos elétricos têm a grande vantagem de evitar a poluição do ar nas cidades. Essa solução se torna particularmente positiva e estratégica para um país como o Brasil, em que mais de 80% da energia elétrica provém de fontes renováveis.

Mesmo que parte da energia elétrica ainda seja produzida com base em combustíveis fósseis, como carvão e óleo, os poluentes não alcançam as cidades, o que resulta em um impacto positivo para as pessoas e grande economia de recursos no sistema de saúde pública.

No transporte pessoal

O carro elétrico pode ser a próxima revolução na área do transporte pessoal. A empresa Lucid, que não lançou seu primeiro veículo, prevê que sua receita anual poderá ultrapassar os US$ 20 bilhões em cinco anos. A arrecadação de fundos pela montadora de carros elétricos mostra como o capital é abundante para novas empresas nessa área.

Esta semana, por um breve momento, as ações de empresas de tecnologia despencaram e uma geração de empreendedores teve um vislumbre de sua própria mortalidade. A breve queda acompanhou uma oscilação mais ampla do mercado. Foi um lembrete de que, no mínimo, uma retomada ou reinicialização está muito atrasada, após um ano de valorização nas ações de empresas de tecnologia.

Um clássico do gênero é a eletrificação do transporte pessoal. Os acréscimos ao sonho de um mundo além dos motores de combustão incluem US$ 4,6 bilhões indo para a fabricante de carros elétricos de luxo, a Lucid Motors, e US$ 1,6 bilhão levantados pelo suposto serviço de táxi aéreo Joby Aviation.

Apesar dos riscos óbvios, quando uma onda de capital flui para start-ups de tecnologia, existem alguns benefícios. Pode, por exemplo, ajudar a arrastar novas tecnologias para o mainstream: a bolha de tecnologia e telecomunicações na virada do século pode ter levado a um enorme desperdício financeiro, mas financiou as redes de comunicação e de infraestrutura digital para apoiar a próxima geração de internet nas empresas.

Isso também significa que tecnologias promissoras não correm mais o risco de serem subfinanciadas — embora simplesmente despejar dinheiro não lhes traga viabilidade comercial mais rapidamente. Levou muitos anos para que a tecnologia das baterias acompanhasse a curva de custos.

O fato de bilhões de dólares repentinamente estarem disponíveis não pode acelerar esse processo. Ainda assim, o potencial financeiro atual de Wall Street para canalizar dinheiro para start-ups de tecnologia — as chamadas Spacs (Special Purpose Acquisition Companies), ou seja, empresas de aquisição de propósito especial, que levantam caixa e procuram uma corporação promissora para se fundir — vêm com dois grandes sinais de alerta.

O primeiro deles, nessa nova forma de capital de risco financiado pelo mercado de ações, é que os lucros inesperados podem fluir para promotores e especuladores muito antes que os novos negócios provem sua viabilidade comercial.

O segundo, é que capitalistas de risco tradicionais geralmente não veem lucros ou não têm a chance de vender durante anos. Os diferentes incentivos embutidos na versão do “venture capital” de Wall Street são exemplificados pelo negócio da Lucid.

 

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