Richard Branson, da Virgin Galactic, enfrenta Bezos da Blue Origin no espaço

Richard Branson e Jeff Bezos irão voar para o espaço por sua própria conta e risco. Isso valeria para todos? O voo de Branson pode chegar já em 11 de julho, nove dias antes de Bezos voar para o espaço.

De Christian Davenport do Washington Post

A corrida espacial bilionária está esquentando. Richard Branson deverá fazer sua esperada viagem ao espaço no dia em 11 de julho, em uma missão suborbital, o que lhe permitirá derrotar Jeff Bezos, da Blue Origin, que deve voar na espaçonave de sua empresa nove dias depois.

Branson estava programado para embarcar em um voo posterior, mas agora está definido para ser o primeiro dos bilionários empresários espaciais a sair fora da atmosfera.

Em um comunicado anunciando a missão, a empresa disse que Branson seria acompanhado na cabine por três funcionários da Virgin Galactic que avaliariam o "ambiente da cabine, conforto do assento, a experiência sem gravidade e as vistas da Terra que a nave oferece tudo para garantir cada momento da jornada do astronauta, maximiza a admiração e o espanto criados pelas viagens espaciais.”

Entre esses funcionários está Beth Moses, instrutora-chefe de astronautas da Virgin Galactic, que voou para o espaço na segunda missão espacial da empresa. O espaçonave da Virgin Galactic, conhecida como SpaceShipTwo Unity, chegou ao espaço em três ocasiões, e esta seria a primeira vez que voaria com uma tripulação de quatro pessoas.

Em entrevista, Branson disse que “honestamente, não tem a intenção de derrotar Bezos”, mas que está “incrivelmente animado” em voar ao espaço.

“Eu entendo perfeitamente por que a imprensa escreveria isso”, disse ele. “É uma coincidência incrível e maravilhosa que vamos subir no mesmo mês.”

Bezos, dono de The Washington Post, disse recentemente que voaria em 20 de julho, aniversário do pouso da Apollo 11 na Lua, em 1969. E na quinta-feira, sua empresa espacial, Blue Origin, anunciou que ele se juntaria a Wally Funk, veterana participante da missão "Mercury 13", um grupo de mulheres testadas e treinadas por uma equipe de especialistas médicos em aviação para o programa de astronautas da NASA no auge da corrida espacial.

Branson e Bezos voarão em trajetórias suborbitais que apenas “arranharão a borda do espaço e darão aos passageiros não mais do que alguns minutos de leveza.”

Ao desejar o melhor a Branson, o CEO da Blue Origin, Bob Smith, parecia falar com alguma superioridade em sua reação aos planos de Branson:

“Eles não estão voando acima da linha de Kármán. É uma experiência muito diferente”.

A referência é às diferentes distâncias que as duas espaçonaves foram projetadas para viajar. A cápsula New Shepard da Blue Origin voa a uma altitude de 100 quilômetros ou 62 milhas. Já a chamada linha Kármán, segundo alguns especialistas, é a linha divisória além da qual começa o espaço. O avião espacial da Virgin Galactic voa além de 80 quilômetros, ou 50 milhas, distância acima da qual a FAA (Federal Aviation Administration) define como espaço exterior da Terra.

A Virgin Galactic recebeu recentemente a permissão da agência reguladora de aviação FAA para voar com passageiros comerciais, abrindo caminho para que Branson se junte à tripulação. Em maio, a empresa realizou outro vôo de teste que foi tão bom que a empresa sentiu que era seguro permitir que Branson voasse como parte da tripulação.

“Estou ansioso para ir, e eles disseram que queriam alguém para testar adequadamente a experiência do astronauta”, disse ele na entrevista. "E eu estaria condenado se fosse deixar alguém sentar-se naquele lugar."

A Virgin Galactic, que Branson fundou em 2004, tem cerca de 600 pessoas inscritas para voos — uma delas Funk — e deve reabrir as vendas na época do voo de Branson. A empresa havia cobrado US$ 250.000, mas esse preço aumentará. A empresa não disse quanto cobraria, mas analistas estimam que poderá chegar a US$ 500.000.

A Blue Origin também não anunciou os preços dos ingressos. Mas recentemente ela leiloou um assento por US$ 28 milhões para sua primeira missão de voo espacial. A empresa ainda não identificou quem é o vencedor.


A Virgin Galactic decola para fora do planeta a partir do Spaceport America, no Novo México. Ao contrário de um foguete tradicional, ela é levada até 14 mil metros por um aeronave-mãe, sendo, então, lançada. Os pilotos ligam seus motores e voam com a nave quase em linha reta.

Deverão ainda participar do voo, além de Branson e Moses, Sirisha Bandla, vice-presidente de assuntos governamentais e operações de pesquisa da Virgin Galactic, e Colin Bennett, o engenheiro chefe de operações da empresa.

O CEO da Virgin Galactic, Michael Colglazier, disse em uma entrevista que a equipe "vai abrir a porta para o resto de nós encontrar uma maneira de acessar o espaço no futuro."

Ele disse que a empresa fez uma revisão completa de segurança e determinou que o voo de teste anterior atendia a todos os seus objetivos, o que significa que a empresa poderia levar Branson para seu próximo voo de teste.

“Isso realmente nos deu a escolha de se Richard preferiria voar no primeiro ou no segundo”, disse Colglazier. "E adivinha qual ele escolheu?"

Branson disse que depois de esperar 17 anos para ir ao espaço, ele estava ansioso para ver a Terra à distância e permitir que seus clientes, alguns dos quais já esperavam por anos, também fossem.

“Eu realmente acredito que o espaço pertence a todos nós”, disse Branson em um comunicado. “Após 17 anos de pesquisa, engenharia e inovação, a nova indústria espacial comercial está pronta para abrir o universo para a humanidade e mudar o mundo para sempre. Uma coisa é sonhar em tornar o espaço mais acessível a todos; outra é uma equipe incrível transformar coletivamente esse sonho em realidade.”

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