Após 30 anos, a NASA planeja enviar novas sondas a Vênus

Christian Davenport do Washington Post

As missões estudarão a atmosfera e a topografia de Vênus, bem como a evolução da Terra, segundo a NASA.

 

Por anos, Marte foi a moda na NASA. A agência espacial enviou uma série de rôvers para lá, incluindo o Perseverance, um veículo do tamanho de um automóvel que pousou no início deste ano com um pequeno helicóptero acoplado a ele. A agência espacial também está focada na Lua e prometeu devolver astronautas lá nos próximos anos, pela primeira vez desde 1972.

Mas na quarta-feira, o administrador da NASA, Bill Nelson, disse que a agência espacial focalizaria um mundo que não recebe muita atenção há décadas: Vênus, o ardente mistério de um planeta que é o vizinho planetário mais próximo da Terra. Em um discurso na sede da NASA, Nelson disse que a agência enviaria não uma, mas duas missões para lá, em um esforço saudado por cientistas há muito tempo.

O administrador da NASA, Bill Nelson, anuncia novas missões na sede da agência na quarta-feira. (Bill IngallsAP)

A NASA não envia uma sonda a Vênus há mais de 30 anos, apesar de sua relativa proximidade e da crença entre muitos de que estudar o que acontece lá pode ajudar os cientistas a entender melhor a Terra. Embora Vênus seja "quente, infernal e implacável" nas palavras da NASA, tem "muitas características semelhantes às nossas".

Nelson disse que as missões poderão estudar “como Vênus se tornou um mundo infernal, capaz de derreter o chumbo na superfície. ... Esperamos que essas missões aumentem nossa compreensão de como a Terra evoluiu e por que ela é habitável quando outros planetas em nosso Sistema Solar não são.”

Para pesquisar e compreender melhor a evolução de Vênus, a NASA anunciou que está financiando duas missões. Uma, apelidada de DAVINCI Plus, enviaria uma sonda mergulhando na densa atmosfera do planeta para entender por que ela é, como disse a NASA, "uma estufa descontrolada em comparação com a Terra". O nome da missão, DAVINCI, é um acrônimo de Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble Gases, Chemistry and Imaging Plus.

A missão também estudaria se o planeta já teve oceanos e obteria imagens de alta resolução da superfície em um esforço para entender se ela é composta de placas tectônicas que se deslocam ao longo de eras semelhantes à composição da Terra.

A segunda missão é chamada de VERITAS e mapearia a topografia de Vênus com radar para mapear suas elevações e mapear as emissões infravermelhas, com o propósito de estudar os tipos de rocha. O acrônimo VERITAS significa Emissividade de Vênus, Rádio Ciência, InSAR, Topografia e Espectroscopia, com suas iniciais em inglês.

“É impressionante como sabemos tão pouco sobre Vênus. Mas os resultados combinados dessas missões nos dirão sobre o planeta desde as nuvens em seu céu, passando pelos vulcões em sua superfície até o seu próprio núcleo”, disse Tom Wagner, cientista da agência espacial envolvido na escolha das missões. “Será algo como redescobrir o planeta.”

As missões a Vênus foram escolhidas entre um grupo de finalistas que também incluiu uma missão que teria explorado a Lua de Júpiter, Io. Outro teria estudado Tritão, uma lua gelada ativa de Netuno.

Mas Vênus, que Nelson disse ser “uma área emergente de pesquisa para a NASA”, ganhou os recursos de que necessita. A NASA disse que concederá contratos de cerca de US$ 500 milhões para cada uma das missões a Vênus, e que elas serão lançadas no período de 2028-2030. A Lockheed Martin projetaria, construiria e operaria ambas as espaçonaves, disse a empresa.

Entre 1961 e 1985, segundo um levantamento postado pelo site da NASA, a antiga União Soviética estava intensamente interessada em Vênus, tendo enviado mais de 30 espaçonaves para voar ou pousar no planeta.

A NASA, que enviou sondas para a atmosfera venusiana em 1978, enviou também uma espaçonave para Vênus pela última vez em 1989. Essa nave, Magellan (Magalhães), orbitou o planeta por quatro anos, mapeando-o antes de mergulhar em sua atmosfera e queimar-se.

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