Escala Richter, tecnologia para medir terremotos

Por Ethevaldo Siqueira, em 30-10-2020

O terremoto de magnitude 7, na escala Richter, que atingiu o Mar Egeu nesta sexta-feira, 30 de outubro, matou 19 pessoas e feriu mais de 700 na Turquia e na Grécia, segundo as autoridades locais. O terremoto ocorreu às 14h51, horário local (11h51 GMT), e foi um dos mais fortes dos últimos anos no mundo, tendo causado inundações e centenas de desabamentos.

Que significa um terremoto magnitude 7? Para entender essa classificação, é bom lembrar que a escala Richter é um sistema de medição elaborado por Charles Richter e Beno Gutenberg utilizado para quantificar a intensidade dos terremotos conforme a sua manifestação na superfície terrestre. Seu limite, teoricamente, não existe, mas é comum a convenção de que não haja terremotos que ultrapassem o grau 10.

Segundo as agências de notícias, pelo menos 14 pessoas morreram e 419 ficaram feridas depois que um poderoso terremoto no Mar Egeu derrubou prédios na cidade turca de Izmir e criou ondas no mar em pelo menos duas ilhas gregas.

Esse número de mortos deve aumentar, segundo as estimativas do prefeito de Izmir, em declarações à CNN Türk. Ele esclareceu que pelo menos 20 prédios desabaram na cidade. Izmir tem uma população de 4,5 milhões de pessoas e serve como porta de entrada para vários resorts de férias.

Para entender a escala Richter

Um terremoto de 8 graus na escala Richter é 10 vezes mais poderoso (ou destruidor) do que um de 7 graus na mesma escala. O de escala 7, por sua vez, é 10 vezes mais violento do que um de escala 6. A escala Richter classifica os terremotos por intensidade, numa escala logarítmica. Ela se inicia no grau zero e (teoricamente) ela é infinita. O mundo, no entanto, nunca registrou um terremoto igual ou superior a 10 graus na escala Richter.

Os terremotos mais violentos já registrados na história superaram o grau 9 na escala Richter. No Chile atingiu 9,2 graus nessa escala Richter. Em 1964, no Alasca, 9,5 graus. Com essas altíssimas magnitudes, podendo causar destruição total de lugares habitados, porém, no caso do Alasca, o sismo atingiu uma região pouco habitada. Já o terremoto no Chile, em 1960, atingiu uma área muito habitada, causando a morte de, aproximadamente, 5.700 pessoas, além de deixar mais de 2 milhões de feridos.

Risco de terremotos no Brasil

O Brasil não tem sido afetado por terremotos. Por quê? Do ponto de sua geologia, não ocorrem terremotos de grande intensidade, pelo fato de o País estar localizado no centro de uma placa tectônica — a Sul-Americana —, e os maiores abalos ocorrerem nas bordas das placas. Por analogia, as placas tectônicas lembram os desenhos do casco das tartarugas.

Embora possam ocorrer terremotos no Brasil, o país se localiza bem no centro da Placa Sul-Americana (ver gráfico), o que lhe assegura grande estabilidade. Em abril de 2018, um terremoto de magnitude 6,8 na escala Richter atingiu a Bolívia e seus efeitos foram sentidos no Brasil. Vários prédios em São Paulo e Brasília tiveram de ser evacuados, causando preocupação aos brasileiros, já que não estamos acostumados com os tremores.

No Brasil, os terremotos não ocorrem com intensidade, no entanto, ao contrário do que muitos pensam, o país não está totalmente isento desse fenômeno. As principais regiões afetadas por terremotos são aquelas localizadas próximas às bordas das placas tectônicas, onde há zonas de convergência, ou seja, encontro entre duas ou mais placas diferentes.

Apesar de o Brasil estar localizado bem no centro da Placa Sul-Americana, que atinge até 200 quilômetros de espessura, ocorrem eventuais terremotos causados por desgastes na placa tectônica. Estes, por sua vez, causam falhas geológicas. Além disso, é possível sentir as consequências de terremotos com epicentro em países da América Latina, principalmente no Chile.

O maior terremoto da história do Brasil foi registrado no Estado do Mato Grosso, em 1955, com a magnitude 6,6 graus na escala Richter. Em 1955, um terremoto de 6,3 graus atingiu o estado do Espírito Santo. No Ceará, foi registrado um terremoto de 5,2 graus na escala Richter, em 1980. Em 1983, um sismo de 5,5 graus atingiu o estado do Amazonas.

Placas tectônicas e terremotos

Como se sabe, a crosta terrestre é formada por placas tectônicas, que lembram os desenhos da casca de uma tartaruga. São porções da litosfera (a parte sólida do planeta) ou blocos semirrígidos que formam a crosta terrestre. O movimento dessas placas é constante, fazendo com que se afastem ou se aproximem umas das outras. O maior risco de terremotos está nas linhas limítrofes dessas placas.

Segundo a “teoria da tectônica de placas”, os terremotos são causados pelo movimento dessas partes da superfície terrestre. A maior do Brasil está sobre uma grande placa tectônica, o que dá uma estabilidade muito maior do que as partes que separam as placas — como em toda a costa leste das Américas, do Chile ao Alasca.

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