Como seu cérebro atua para escolher e decidir?

carla_tieppo_2.jpg*Por Carla Tieppo
05/02/2019 - Neurociência mostra que é possível identificar trilhas e vetores de força do sistema nervoso que influenciam nossas escolhas e decisões no cotidiano, inclusive no trabalho

O mercado de trabalho está aquecido e movimentado, com muitas empresas buscando novos profissionais para preencher cargos de baixa, média e alta complexidade, em diversas áreas. Nesta tarefa, muitos profissionais encontram o desafio de promover a diversas nas empresas, em busca de maior produtividade e inovação.

Com as transformações econômicas e culturais, que incluem desde o surgimento de startups disruptivas e tecnologias de difícil implantação; o Departamento de RH enfrenta hoje um grande desafio para contratar pessoas com perfis adequados às necessidades estratégicas da empresa.

Embora existam muitos recursos, testes e softwares que apoiam este trabalho, há também os vieses inconscientes, as réguas das percepções subjetivas do ser humano que podem influenciar – e muito – no processo de Recrutamento e Seleção.

Os vieses inconscientes são os caminhos que o cérebro percorre em momentos de escolha e tomada de decisão. No ambiente corporativo, eles podem ter impacto na descrição de cargos e na seleção de candidatos. São trilhas que conduzem profissionais a comportamentos e pensamentos esteriotipados e até preconceituosos, que podem afetar a tomada de decisão.

Isto explica o que acontece hoje em um grande número de empresas, em que os perfis selecionados são sempre muito similares, dificultando a diversidade de gênero, raça, sexo e cor no ambiente de trabalho.

Os vieses inconscientes podem levar as pessoas a escolherem um homem em vez de uma mulher para um cargo de liderança simplesmente porque estamos mais acostumados a esse padrão. Tendemos a selecionar pessoas mais parecidas com nossa personalidade ou a rejeitar um candidato porque não gostamos da forma como ele se veste. Se um profissional de RH acredita que mulheres não lideram bem a área financeira, as mulheres nunca chegarão aos cargos desta área.

Para evitar que isto aconteça, é importante conscientizar não apenas os recrutadores, mas também os gestores que desenham os perfis das vagas sobre esta fragilidade do cérebro. É possível ensinar as pessoas a colocarem as emoções corretas quando precisam atuar no recrutamento e seleção, para que sejam mais isentas, assertivas e estratégicas.

Existe uma tendência nas empresas: quando gerentes de RH ou gestores de áreas definem um perfil ou realizam uma entrevista, eles podem se deixar levar por vieses do cérebro que estão baseados nas crenças e nas experiências destes profissionais. Isto está comprovado pela neurociência.

Nestes casos, é importante adotar previamente parâmetros adequados para avaliar o potencial de um indivíduo que vai ocupar uma determinada posição, garantindo que não haja distinção de gênero, raça e condição social.

Há fatores que podem favorecer o surgimento dos vieses e também vetores de força do sistema nervoso que influenciam nesses vieses, o que pode ser explicado pela neurociência. Além disso, existem técnicas que podem corrigir e neutralizar os vieses, abrindo caminhos para a diversidade que tantas empresas buscam atualmente.

Em 2017, uma pesquisa da empresa global de consultoria estratégica McKinsey & Company apontou que empresas com diversidade de gênero em suas equipes executivas eram 21% mais propensas a terem rentabilidade acima da média.

*Carla Tieppo é neurocientista

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