Carregamento sem fio, inovação que não veremos em tão cedo

Por Dalvin Brown, do Washington Post
5 de março 2021

Várias empresas demonstraram a cobrança à distância para smartphones, mas nenhuma delas está tentando vendê-la

As empresas de eletrônicos de consumo sonham com um futuro em que cabos de alimentação e superfícies de carregamento sem fio sejam obsoletos. Elas sonham com um momento em que o carregamento funcione assim: você entra em uma sala, e seu smartphone e outros pequenos dispositivos começam a receber energia automaticamente pelo ar de um transmissor próximo, talvez embutido em uma luminária no teto ou conectado sob a mesa como um roteador Wi-Fi.

Continue sonhando. Por pelo menos cinco anos, as empresas prometeram que estamos quase lá. E em demonstrações coreografadas, algumas até mostraram que o carregamento de telefones pelo ar é possível.

Mas ainda não chegamos lá. Não há carregadores no mercado para alimentar smartphones remotamente. E não está claro se algum dia haverá.

“Não há discussão. Para qualquer pessoa normal, cobrar pelo ar ainda é um sonho. Mas seria a experiência mais incrível ”, diz Jake Slatnick, executivo-chefe da Aira, uma empresa de tecnologia de carregamento sem fio. “O problema é que existem muitos obstáculos para torná-lo realmente prático.”

Isso não impediu alguns de tentar. Desde o início do ano, pelo menos quatro empresas lançaram conceitos de carregamento pelo ar. No mês passado, a empresa chinesa de smartphones Oppo exibiu “carregamento aéreo sem cabos ou suportes de carregamento”. Em um vídeo de demonstração, o conceito de smartphone da empresa com uma tela expansível parece continuar a carregar depois de ser levantado de sua almofada.

Em janeiro, a gigante chinesa de eletrônicos de consumo Xiaomi demonstrou a Mi Air Cha — que, em vídeos, se parece com uma grande caixa de energia branca destinada a inaugurar uma "verdadeira era de carregamento sem fio".

Naquele mesmo mês, a Motorola demonstrou sua estação de carregamento remota apelidada de “Motorola One Hyper”. A Aeterlink, sediada em Tóquio, anunciou o “Airplug”, que afirma poder alimentar dispositivos a até 20 metros de distância.

Três dessas empresas chamaram a atenção da mídia, embora cada uma diga que não tem planos de lançar o produto no mercado para smartphones. Outros abandonaram completamente os projetos de cobrança à distância ou pelo ar.

Alguns pesquisadores da área questionam se as pessoas algum dia verão o carregamento remoto se concretizar. As empresas que desejam implantar tais centros de carregamento sem fio (over-the-air) enfrentam vários desafios, o maior deles é de natureza física.

Quanto mais longe um dispositivo estiver de uma fonte de alimentação direta, menor será a eficiência de carregamento. Assim, mesmo que seu telefone receba alguma energia à distância, a quantidade de energia pode ser insignificante ou insuficiente.

Existem também diretrizes da Comissão Federal de Comunicações (Federal Communications Commission, órgão regulador das comunicações nos EUA) que limitam a quantidade de energia de radiofrequência que pode percorrer a atmosfera dentro de sua casa, pois muito dessa frequência poderá interferir em outros dispositivos ou até causar problemas de saúde.

As empresas que desejam introduzir o carregamento sem fio no mundo também enfrentam uma batalha difícil contra o padrão Qi, um dos padrões de carregamento sem fio já adotado globalmente. Esse protocolo permite que os carregadores liberem 15 watts de energia sem fio para que os dispositivos da Apple, Samsung, Huawei e outros possam ser carregados lentamente quando colocados em cima de estações de carregamento.

Ainda assim, os hubs de carregamento sem fio de hoje estão longe de serem perfeitos, deixando espaço para outras inovações superarem essas deficiências. Por exemplo, se seu telefone não estiver perfeitamente alinhado com o carregador, ele não funcionará. A Apple abandonou os planos de uma base AirPower em 2019 exatamente por esse motivo.

As empresas estão procurando maneiras de tornar o processo de carregamento do smartphone mais conveniente ou eficiente, para que seu telefone não precise ficar perto de uma tomada ou estrategicamente colocado em uma base de carregamento.

Uma ideia que pode ser interessante é a de um carregador sem fio de longo alcance que seja conectado a um soquete de lâmpada. É um produto apoiado pela empresa israelense Wi-Charge que planeja usar luz infravermelha para fornecer 2 watts de potência, o suficiente para permanecer dentro dos limites de segurança.

A empresa apresentou a tecnologia no CES em 2020 e ganhou prêmios de inovação por seus recursos de carregamento remoto. Mas trazer essa tecnologia para smartphones ainda deverá “levará alguns anos”, segundo Ori Mor, cofundador da Wi-Charge.

A ideia de Mor é que um transmissor seja conectado a fontes de energia tradicionais em uma casa e converta eletricidade em feixes de laser infravermelho. Receptores embutidos em smartphones converteriam essa luz infravermelha em energia. Mas para funcionar, os fabricantes de smartphones precisariam integrar a tecnologia aos carregadores e aos telefones. As empresas especializadas dizem que isso pode acontecer. Mas os ciclos dos produtos de smartphone normalmente levam dois anos, então a implantação ainda levaria anos.

Não está claro qual será o tamanho da demanda por carregamento pelo ar. A maioria das pessoas parece estar satisfeita com smartphones habilitados para Qi. O padrão está alimentando o crescimento no mercado geral de carregamento sem fio, que está avaliado em US$ 4,5 bilhões por alguns especialistas.

Por enquanto, a Wi-Charge está se concentrando em seus negócios comerciais e usando tecnologia de carregamento remoto para alimentar câmeras de segurança e prateleiras inteligentes em lojas de varejo dos EUA. As primeiras aplicações em casa vão alimentar fechaduras de portas inteligentes em Dallas no final deste ano, disse Mor.

A Wi-Charge está longe de ser a única empresa a trabalhar para liberar um sistema verdadeiramente sem fio.

Carregamento sem fio é o futuro

A Energous Corporation, sediada em San Jose, Califórnia, acredita que o carregamento por radiofrequência é o futuro. Sua plataforma, WattUp, suporta energia no contato, bem como carregamento à distância, afirma a empresa. Ainda assim, pode levar anos até que os smartphones tenham chips que permitiriam que isso aconteça. “Acreditamos que isso vai acontecer em fases. O contato é a fase atual, seguida por uma transmissão aérea mais curta”, diz Steve Rizzone, CEO da Energous. “A terceira fase seria distâncias mais longas — até 10 ou 15 pés” — completa ele.

Se os smartphones algum dia tiverem chips de carregamento over-the-air, as baterias poderiam ficar menores. Quem precisa de uma bateria volumosa se os telefones podem receber energia 24 horas por dia, 7 dias por semana? A mudança permitiria que as empresas de smartphones explorassem novos tamanhos e formas.

O longo caminho para a adoção remota em produtos eletrônicos de consumo levou a WiTricity Corporation a ingressar nessa área. A empresa mostrou que o carregamento remoto é possível no CES em 2016, mas depois passou a alimentar veículos elétricos pelo ar, uma vez que os produtos de eletrônica de consumo não estavam avançando rapidamente, disse o CEO, Alex Gruzen.

Também não está totalmente claro se o mundo precisa de carregamento over-the-air. Como a vida útil das baterias de smartphones continua melhorando, isso pode não ter um impacto significativo, caso essa tendência se continue.

Em função dessa realidade, algumas empresas se posicionaram como um ponto intermediário. A Aira, por exemplo, é um fornecedor de tecnologia que alimenta superfícies de carregamento de contato há algum tempo. O sistema de tecnologia "FreePower" da start-up pode ser incorporado em mesas, escrivaninhas e painéis para transformá-los em almofadas de carregamento capazes de alimentar vários dispositivos ao mesmo tempo.

Os carregadores de contato típicos têm uma área concentrada de bobinas que deve estar alinhada com um smartphone para carregar.
As superfícies movidas a Aira usam várias bobinas na superfície e algoritmos que rastreiam os dispositivos que estão sendo carregados. A plataforma da Aira atualmente alimenta a Base Station Pro de $199 da Nomad, e a empresa está trabalhando com o fornecedor de peças automotivas Motherson para trazer a tecnologia para os carros.

A visão é que o usuário colete porções de energia em diferentes pontos durante o seu dia. Assim, você não terá que pensar em carregar.

“O sonho era sobre liberdade, conveniência e invisibilidade”, disse Simon McElrea, diretor de operações da Aira e ex-CEO da empresa de carregamento sem fio Sonic Energy.“ Isso resolveria o problema de uma maneira diferente.

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Digidog, o cão robótico, desperta preocupações com a privacidade

Ethevaldo Siqueira
Com The New York Times, 27 de fevereiro de 2021

O Departamento de Polícia de Nova York está testando o Digidog, que afirma poder ser implantado em situações perigosas e manter os policiais mais seguros, mas alguns temem que ele possa se tornar uma ferramenta de vigilância agressiva.

Dois homens estavam sendo mantidos como reféns em um apartamento do Bronx. Eles foram ameaçados com uma arma, amarrados e torturados por horas por dois outros homens que se fingiram de encanadores para entrar, disse a polícia.

Uma das vítimas conseguiu escapar e chamou a polícia, que apareceu na manhã de terça-feira no apartamento da East 227th Street, sem saber se os homens armados ainda estavam lá dentro.

A polícia decidiu que era hora de implantar o Digidog, um cão robótico de 70 libras (31,75 kg) com um andar galopante, câmeras e luzes fixadas em sua estrutura e um sistema de comunicação bidirecional que permite ao policial manobrá-lo remotamente para ver e ouvir o que está acontecendo.

A polícia disse que o robô pode ver no escuro e avaliar o quão seguro é para os policiais entrarem em um apartamento ou prédio onde possa haver uma ameaça.
No caso da invasão da casa do Bronx, a polícia disse que a Digidog ajudou os policiais a determinarem que não havia ninguém dentro. A polícia disse que ainda estava procurando pelos dois homens, que roubaram um celular e US$ 2.000 em dinheiro e usaram um ferro quente para queimar uma das vítimas.

“O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) tem usado robôs desde os anos 1970 para salvar vidas em situações de reféns e incidentes com materiais perigosos”, disse no Twitter. “Este modelo de robô está sendo testado para avaliar suas capacidades em comparação com outros modelos em uso por nossa unidade de serviço de emergência e esquadrão antibomba.”

Mas há céticos quanto ao uso de robôs.

A deputada democrata, Alexandria Ocasio-Cortez, descreveu o Digidog no Twitter como um drone de “terreno de vigilância robótica”.

“Pergunte-se: quando foi a última vez que você viu tecnologia de classe mundial de próxima geração para educação, saúde, habitação, etc. priorizada de forma consistente para comunidades carentes como esta?” escreveu ela no Twitter, com um link para uma reportagem do New York Post sobre o Digidog.

O Conselho Municipal aprovou a Lei de Supervisão Pública de Tecnologia de Vigilância em junho passado em meio a esforços para reformar a força policial, muitos deles desencadeados por manifestações Black Lives Matter.

A lei exige que o Departamento de Polícia seja mais transparente sobre suas ferramentas de vigilância e tecnologia, incluindo o Digidog, algo que os libertários civis disseram que faltou.

Jay Stanley, analista de política sênior da American Civil Liberties Union, disse que capacitar um robô para fazer o trabalho policial pode ter implicações para preconceito, vigilância móvel, hackeamento e privacidade. Também existe a preocupação de que o robô possa ser emparelhado com outra tecnologia e ser transformado em arma.

“Vemos muitos departamentos de polícia adotando novas e poderosas tecnologias de vigilância e outras tecnologias sem dizer, muito menos perguntar às comunidades que atendem”, disse ele. “Portanto, abertura e transparência são fundamentais.”

O Departamento de Polícia de Nova York não respondeu aos pedidos de comentários sobre as questões de liberdade civil. Um dispositivo móvel que pode reunir informações sobre uma situação volátil remotamente tem “um potencial tremendo” para limitar ferimentos e mortes, disse Keith Taylor, um ex-sargento da equipe SWAT do Departamento de Polícia que leciona no John Jay College of Criminal Justice.

“É importante questionar a autoridade policial, no entanto, isso parece ser bastante direto”, disse ele. “Ele foi projetado para ajudar a aplicação da lei a obter as informações de que precisam sem ter um tiroteio mortal, por exemplo.”

O Departamento de Polícia de Nova York está entre os três nos EUA que possuem o cão mecânico, construído pela Boston Dynamics, empresa de tecnologia conhecida por vídeos de seus robôs que dançam e pulam com uma fluidez estranha e humana.

A empresa, que chama o cachorro-robô de Spot, começou a vendê-lo em junho passado. A maioria dos compradores são empresas de serviços públicos e de energia, bem como fabricantes e construtoras, que o usam para entrar em espaços muito perigosos para os humanos, disse Michael Perry, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da empresa.

O robô tem sido usado para inspecionar locais com materiais perigosos. No início da pandemia, ele foi usado por profissionais de saúde para se comunicar com pacientes potencialmente doentes em locais de triagem de hospitais, disse Perry.

A maioria das empresas renomeia o robô depois de comprá-lo, dando-lhe nomes como Bolt e Mac e Cheese, disse ele.

A Polícia Estadual de Massachusetts e o Departamento de Polícia de Honolulu também estão usando o cão robótico, que tem bateria de 90 minutos e anda a uma velocidade de cinco quilômetros por hora. Outros departamentos de polícia ligaram para a empresa para saber mais sobre o dispositivo, que tem um preço inicial de cerca de US $ 74 mil e pode custar mais com recursos extras, disse Perry.

O cão robótico, que tem uma semelhança com aqueles apresentados no episódio “Metalhead” de 2017 de “Black Mirror”, não foi projetado para agir como uma ferramenta secreta de vigilância em massa, disse Perry.
“É barulhento e tem luzes piscando”, disse ele. “Não é algo discreto.”

O uso de robôs que podem ser implantados em situações perigosas para manter os policiais fora de perigo pode se tornar uma norma. Em Dallas, em 2016, a polícia pôs fim a um impasse com um atirador procurado pelas mortes de cinco policiais explodindo-o por meio de robô.

Em 2015, um homem com uma faca que ameaçava pular de uma ponte em San Jose, Califórnia, foi levado sob custódia depois que a polícia fez um robô levar para ele um celular e uma pizza.

Um ano antes, a polícia de Albuquerque havia usado um robô para “implantar munições químicas” em um quarto de motel onde um homem havia se refugiado com uma arma, disse um relatório do departamento. Ele se rendeu.

 

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A tecnologia pode nos tirar de nossas bolhas?

De Shira Ovide
Do New York Times

Precisamos de mais maneiras de encontrar novos filmes, livros e atividades — especialmente aquelas que nos desafiam. A Internet criou uma abundância de informações e entretenimento, e isso é ótimo. Mas ainda não temos maneiras perfeitas de encontrar filmes, livros, músicas, informações e atividades de que possamos gostar — e especialmente aquelas que nos tiram de nossa zona de conforto.

Encontrar as melhores maneiras de descobrir coisas novas em nossa abundância online é um desafio tecnológico — mas também humano. Requer que queiramos nos expor a ideias e entretenimento que não necessariamente se encaixam em nosso status quo.
É uma forma de tornar nossa vida mais plena.

Pode me chamar de cafona, mas ainda fico encantado com a maravilha que o mundo online traz à nossa porta. Podemos visitar jogadores de xadrez de classe mundial no Twitter, ouvir as pessoas debaterem sobre a energia nuclear no Clubhouse ou brincar com um aplicativo de fotos parecido com Polaroid .

Só podemos experimentá-lo se soubermos que ele existe e nos sentirmos compelidos a procurá-lo. Entre nos computadores. Serviços online como YouTube, Netflix e TikTok digerem o que você já assistiu ou seus sistemas de computador inferem seus gostos e sugerem mais do mesmo. Sites como o Facebook e o Twitter expõem você ao que seus amigos gostam ou a materiais que muitas outras pessoas já consideram envolventes.

Essas abordagens têm desvantagens. Um grande problema é que eles nos encorajam a ficar dentro de nossas bolhas. Continuamos acompanhando e observando o que já conhecemos e gostamos, seja por vontade própria ou pelo design dos sites da internet. (Contraponto: algumas pesquisas sugeriram que a mídia social expõe as pessoas a pontos de vista mais amplos.)

Mais ideias, mais coisas para nos entreter — e mais maneiras potenciais de confirmar o que já acreditamos ou de sermos guiados por pessoas que manipulam as máquinas de algoritmo. Isso era uma realidade antes da internet, mas agora está ampliada.

Qual é a solução? Não tenho certeza. Meu colega me disse no ano passado que é importante entender como as multidões da Internet ou os sistemas de computador podem influenciar nossas escolhas. Em vez de confiar em sugestões computadorizadas, ele desativa a opção de reprodução automática nas configurações de vídeo do YouTube e cria suas próprias listas de reprodução de música no Spotify.

Também aprecio ideias para combinar a descoberta auxiliada por computador com especialistas que podem empurrá-lo em uma nova direção. O Spotify tem playlists de músicas criadas por especialistas. Os editores da Apple publicam artigos de notícias e sugerem aplicativos para as pessoas experimentarem. Quero muitos mais experimentos como esses.

Organizações de notícias, incluindo BuzzFeed News e The New York Times, tentaram projetos para expor os leitores a pontos de vista opostos. O Facebook lançou uma ideia semelhante ao recomendar fóruns online que as pessoas normalmente não encontram, relatou o The Wall Street Journal no ano passado.

Encontrar coisas diferentes do que costumamos gostar também exige que estejamos abertos a ideias, cultura e diversões que nos desafiam e surpreendem. Eu me pergunto se a maioria das pessoas tem vontade ou tempo para fazer isso.

No mar de abundância online, costumo recorrer ao testado e comprovado: recomendações boca a boca de pessoas que conheço e de especialistas. Quando procuro um novo livro, peço a amigos leitores de livros ou leio revisores profissionais.

Eu não acho que confio nas multidões ou algoritmos online, mas estou perdendo. Parece que a maravilha está na ponta dos meus dedos e não consigo alcançá-la.

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O mundo entra na era do turismo espacial


Ethevaldo Siqueira

O turismo espacial está decolando, como grande negócio. Uma empresa criada exclusivamente para esse propósito — a EOS-X Spaceship Company — planeja enviar turistas ao espaço em cápsula presa a um balão estratosférico gigante, que levará cerca de duas horas para atingir a altitude de cruzeiro de até 40km, muito acima do nível dos voos de aeronaves comerciais, que não passam de 10 km.

Serão 5 horas de emoção, numa viagem em que os passageiros poderão admirar confortavelmente a curvatura da Terra e a escuridão do espaço. E sem sentir os efeitos de nenhuma aceleração gravitacional. E a passagem custará aproximadamente US$ 150 mil dólares.

Toda a experiência foi concebida para ser agradável aos passageiros. Sem fortes acelerações, um ambiente confortável e vistas panorâmicas que permitem aos passageiros desfrutar das paisagens deslumbrantes a cada passo da viagem. Durante as DUAS horas de subida, DUAS horas de cruzeiro e descida e pouso final de aproximadamente 1 hora, os passageiros ficarão maravilhados com a experiência.

Os passageiros serão recebidos no complexo stratoport da EOS-X com seus companheiros de viagem dois a três dias antes do voo, para uma série de sessões de treinamento, preparação e briefing.

Mesmo que não estejam voando, amigos e familiares são muito bem-vindos ao stratoport da EOS-X. Agentes espaciais terão o maior prazer em organizar uma estadia memorável para eles. Além disso, eles poderão também experimentar algumas das sessões de briefing e preparação, bem como acompanhar seu voo espacial nas proximidades do centro de controle via streaming de vídeo HD ao vivo da cápsula EOS-X.

Para os passageiros, tudo começa ao nascer do Sol.
Acorde de madrugada em nosso complexo stratoport, vista a sua roupa EOS-X sob medida e siga para a cápsula EOS-X. Cinco passageiros e um membro da tripulação viajarão em cada voo em nossa cápsula pressurizada. A cápsula está equipada com assentos confortáveis e ergonômicos, iluminação ambiente, lavatório e janelas panorâmicas pessoais junto com um painel de controle para receber informações em tempo real sobre o voo.

Depois de amarrado com segurança em seu assento, a EOS-X começará sua ascensão ao espaço próximo. Impulsionada pelos princípios fundamentais e visão de reconexão com a mãe Terra, a EOS-X só faz sentido se a operação for o mais sustentável e de baixo impacto possível.

Os voos da EOS-X são movidos a hélio ou hidrogênio, ambos gases de emissão zero. Além disso, o envelope do balão será coletado na aterrissagem e reciclado, e a empresa está trabalhando para conseguir a reutilização do balão. Por fim, está empenhada em compensar a pegada de carbono das atividades de suporte da EOS-X;

https://www.eosxspace.com/experience-eos-x

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Os 6 Ds das tecnologias exponenciais

Ethevaldo Siqueira

As novas empresas estão desmaterializando o que já foi físico um dia. Além disso, estão criando novos produtos e fluxos de receitas em meses (às vezes, até mesmo em semanas). Já não é mais necessário ser o dono de uma grande corporação para causar um enorme impacto.

Em resumo, a tecnologia está transformando radicalmente os processos industriais tradicionais. E esta mudança traz consigo oportunidades para os empreendedores no futuro. O potencial para causar disrupção em mercados milenares nunca foi tão grande como hoje.

O ciclo das tecnologias digitais

Uma das maneiras de impactar positivamente a vida de milhões de pessoas é compreender as características das tecnologias exponenciais e seu ciclo de crescimento. Para facilitar a compreensão do referido ciclo, o futurista Peter Diamandis desenvolveu um modelo chamado 6Ds dos exponenciais. Em síntese, ele se desenvolve em seis etapas principais:

1. Digitalização;
2. Declínio ou Decepção;
3. Disrupção;
4. Desmonetização;
5. Desmaterialização; e
6. Democratização.


O erro da Kodak

Em seu livro Bold (2016), Peter Diamandis sustenta que todo empreendedor deveria compreender a estrutura dos 6Ds, para evitar que sua empresa tenha o mesmo destino trágico da Kodak Eastman Company.

Embora tenha inventado a câmera digital em 1975, e iniciado uma nova era para a indústria da fotografia, a Kodak eixou de investir pesadamente na nova tecnologia digital, mantendo o sistema de negócios que sempre funcionou: câmeras e filmes analógicos, tradicionais.

No momento em que decidiu não interromper seus negócios existentes e assumir um risco no que era então território desconhecido, a Kodak abriu portas para que outros o fizessem. E quem se aproveitou da oportunidade? O Instagram. Após anos em queda vertiginosa, a Kodak entrou com seu pedido falência em 2012.

Além disso, a queda de fotos analógicas foi surpreendente, como demonstra o gráfico a seguir, que mostra o número de fotos tiradas por ano (com a linha de fotos analógicas em azul mais claro:

O ciclo de vida da foto analógica


Naquele mesmo ano, o Facebook adquiriu o Instagram — então uma startup com apenas 13 funcionários que tinha apenas 18 meses antes de vida — por nada menos do que US$ 1 bilhão.

O mesmo destino da Kodak pode acontecer com qualquer empresa hoje em dia. Por isso é importante, na visão de Diamandis, compreender e internalizar a estrutura dos 6Ds.

O primeiro “D”: Digitalização

Ao inventar a câmera digital, a Kodak transformou seu negócio de memórias. De imagens captadas em filmes e armazenadas em papel (processo físico), passou a viabilizar imagens captadas e armazenadas digitalmente, com zeros e uns (processo digital).

Embora tenha tomado uma iniciativa ousada, a Kodak não foi capaz de perceber o potencial do novo negócio digital e manteve o mesmo modelo negócios de sempre. Ao tomar essa decisão, a empresa “cavou sua própria sepultura”.

Todo empreendedor deve saber que qualquer coisa passível de ser digitalizada pode se disseminar a uma velocidade impressionante — e se tornar disponível a qualquer pessoa no mundo para ser reproduzida e compartilhada. Mas a Kodak parece que não sabia que poderia acontecer com a fotografia.

Quando um processo ou produto é digitalizado — passando do meio físico para o meio digital — ele passa a adquirir poder exponencial. É por isso que, para obter sucesso no mercado, todo empreendedor deve entender o “D” de digitalização.

O segundo “D”: Decepção ou Declínio

A Kodak não teve paciência para aguardar o crescimento exponencial de sua mais nova tecnologia (a câmera digital), preferindo permanecer no negócio tradicional de câmeras e filmes analógicos, que oferecia retornos financeiros certos, ao longo de sua história,
Em resumo, a empresa não compreendeu que, após a digitalização, vem a decepção ou o declínio — o período no qual o crescimento exponencial está disfarçado e passa quase despercebido. Nessa etapa, a duplicação de números de pequenos concorrentes produz resultados tão minúsculos que, muitas vezes, se confunde com o lento progresso do crescimento linear ou incremental.

“Imagine a primeira câmera digital da Kodak dobrando de 0,01 megapixel para 0,02, de 0,02 para 0,04, de 0,04 para 0,08. Para o observador desatento, todos esses números parecem zero. No entanto, há uma grande mudança no horizonte. Como essas duplicações rompem a barreira dos números inteiros (tornando-se 1, 2, 4, 8 etc.), estão a apenas 20 duplicações de distância de uma melhoria de 1 milhão de vezes e a somente 30 de 1 bilhão”. (Peter Diamandis)

É a partir desse momento que o crescimento exponencial — até então dissimulado e pouco perceptível — passa a se tornar visivelmente disruptivo.
O terceiro “D”: Disrupção

Em resumo, a câmera fotográfica digital criada por iniciativa foi do engenheiro Steven Sasson, ficou guardada na divisão de aparelhos da Kodak. Embora fosse volumosa, do tamanho de uma torradeira, e tivesse uma tinha resolução ainda muito baixa — de 0,01 megapixel e pesasse quase 4 quilos — ainda tirasse apenas 30 imagens digitais em preto e branco.
A invenção foi apresentada aos executivos da Kodak durante uma reunião em 1976. Contudo, a empresa acreditou que a proposta de Sasson não era interessante por duas razões.

Primeiro, porque a câmera levava 23 segundos para disparar e armazenar fotos de 0,01 megapixel. A olhos dos dirigentes da Kodak, a máquina estava mais para um brinquedo do que para uma tecnologia com potencial de gerar lucros no futuro.

Segundo, porque a adoção imediata da câmera digital — e o consequente investimento na tecnologia —prejudicaria os negócios de produtos fotoquímicos e papéis fotográficos. Na visão dos executivos, isso forçaria a Kodak competir contra si mesma.

A Kodak estava mais preocupada com os resultados trimestrais dos negócios. Sendo assim, não percebeu a disrupção que logo seria causada pela nova tecnologia em crescimento exponencial.

“Em termos simples, uma tecnologia disruptiva é qualquer inovação que cria um mercado e abala outro já existente. Infelizmente, como a disrupção sempre sucede a decepção, a ameaça tecnológica original com frequência parece ridiculamente insignificante”. – Peter Diamandis

Quando a Kodak percebeu o erro, era tarde demais. Já não era mais possível acompanhar a digitalização do setor, e os problemas começaram a aparecer. A empresa se tornou mais uma história de alerta sobre a natureza disruptiva das tecnologias exponenciais.

Todo empreendedor que almeja iniciar um negócio ou montar uma startup deve saber que esse tipo de ruptura é constante na era exponencial em que vivemos.

O quarto “D”: Desmonetização

Em 1996, a Kodak dominava completamente o mercado. Com mais 140 mil funcionários, a empresa possuía uma capitalização de mercado de US$ 28 bilhões. Somente nos Estados Unidos, controlava 90% do mercado de filmes e 85% do mercado de câmeras.
No entanto, em 2008 — um ano após o lançamento do iPhone, o primeiro smartphone com câmera digital de alta qualidade — o mercado da Kodak não existia mais. Com a chegada do iPhone ao mercado, os fluxos de receita da Kodak evaporaram. A criação de Steve Jobs retirou o dinheiro da equação.

A tecnologia tem a capacidade de tornar um produto ou serviço em algo substancialmente barato (ou mesmo gratuito). Isso é desmonetizar – é o que Peter Diamandis chama de “desmonetização”.

Com o lançamento do iPhone — e toda a série de smartphones que o sucedeu — qualquer um poderia ter sua própria câmera digital, em forma de aplicativo gratuito, e salvar as fotos no próprio smartphone. A compra de filmes fotográficos não fazia mais sentido.
Todo empreendedor deve compreender que bilhões de produtos e serviços estão mudando de mãos sem custo na medida em que a tecnologia fica mais barata.

Hoje, podemos baixar um sem número de aplicativos em nossos smartphones. Podemos acessar bytes de informação. Podemos explorar a multiplicidade de serviços a custos próximos de zero.

O Napster desmonetizou a indústria de música. O Craiglist, os anúncios classificados. O Skype, a telefonia de longa distância. A Uber está desmonetizando o transporte urbano. A Airbnb está demonetizando o setor de hotelaria.

O iPhone abriu a possibilidade de armazenar imagens digitais em uma câmera digital “de bolso”. O filme fotográfico foi totalmente desmonetizado. Enfim, o dinheiro saiu da equação.

O quinto “D”: Desmaterialização

Em resumo, a Kodak perdeu a liderança no mercado que uma vez dominou. Além disso, em pouco tempo observou o próprio filme fotográfico desaparecer. Como ninguém mais comprava filme em rolo, o produto foi desvanecendo, até sumir completamente.

Mas o mais incrível é que, como consequência do desaparecimento do filme fotográfico e do surgimento dos smartphones, a própria máquina digital se desmaterializou. A câmera passou a vir de forma gratuita com a maioria dos telefones.

O que antes era físico, passou a ser digital. E não apenas a câmera digital se desmaterializou. O mesmo vale para o GPS, o gravador de voz digital e o relógio digital. Isso sem falar na câmera de vídeo, o reprodutor de vídeo, o reprodutor de música, dentre outros.

Infelizmente, ninguém está mais comprando câmeras. Em resumo, hoje todos esses dispositivos estão dentro de nossos smartphones, em forma de aplicativos para download gratuito.

O sexto “D”: Democratização

Embora os clientes da Kodak gostassem muito de tirar fotos, a diversão se dava mesmo no momento de imprimir as cópias e compartilhá-las. Como não era possível ver com exatidão como as fotos “iriam sair” (se boas, fotogênicas, nítidas ou não), os clientes preferiam pagar para imprimir todas elas.

Só que nem todos tinham condições econômicas de imprimir fotos à vontade. Os custos de revelação eram altos. Porém, o surgimento da câmera digital trouxe a possibilidade de saber, de antemão, quais fotos eram boas para imprimir e quais poderiam ser apagadas.

As pessoas começaram a criar o hábito de não mais imprimir todas as fotos. Passou a ser mais conveniente armazenar as imagens na memória dos smartphones e apenas imprimir as fotos marcantes. Enfim, com a popularização de sites como Flickr e Imgur, o compartilhamento de imagens se tornou gratuito, rápido e democratizado.

“A democratização é o fim de nossa reação em cadeia exponencial, o resultado lógico da desmonetização e da desmaterialização. É o que acontece quando objetos físicos são transformados em bits e inseridos em uma plataforma digital em volumes tão altos que seu preço se aproxima de zero”. – Peter Diamandis

Que podemos aprender com os 6 Ds?

Em resumo, o destino trágico da Kodak nos deu uma lição e nos mostra o quanto o pensamento exponencial é poderoso. Além disso, o quanto deve ser internalizado por aqueles que desejam empreender no mundo de hoje.

O modelo dos 6Ds, de Peter Diamandis, nos permite acompanhar o ciclo de vida de uma tecnologia em crescimento exponencial. Ademais, eles são um roteiro para ilustrar o que pode acontecer quando uma tecnologia exponencial nasce.

Nem todas as fases são fáceis, e muitas pessoas desistem no meio do caminho. Porém, os resultados dão até mesmo a pequenas equipes o poder de mudar o mundo. E o principal: de uma forma mais impactante e rápida do que o negócio tradicional jamais permitiria.

Só para ilustrar: existem inúmeras inovações aplicáveis que se encaixam na estrutura dos 6Ds. Em síntese, para atingir o sucesso no mercado do futuro, todo empreendedor deve pensar sobre quais tecnologias estão hoje trilhando seu caminho através do ciclo de vida acima.

Enfim, identificar essas tecnologias é a chave para saltar para o reino do empreendedorismo exponencial. E, para empreendedores exponenciais, o futuro está vibrando com oportunidades disruptivas.

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Apple consulta a Nissan para criar um carro autônomo

Do Financial Times

A Apple consultou a Nissan para seu projeto secreto de carro autônomo, mas as negociações não avançaram para os níveis decisórios superiores, por discordância quanto à marca a ser dada ao produto, pois a fabricante do iPhone, insiste que seja Apple, segundo revelaram fontes especializadas. O contato foi breve e as discussões não avançaram para os níveis de gerenciamento sênior.

A Apple já havia interrompido recentemente as negociações com a Hyundai Motor da Coréia do Sul e sua afiliada Kia, enfatizando os desafios de encontrar um parceiro nessa área de veículos automotivos, conhecido como Projeto Titan. A empresa vem tentando entrar no setor automobilístico há alguns anos, associando-se com fabricantes, como a BMW, anteriormente considerados parceiros em potencial.

Mas o grupo de tecnologia mudou várias vezes a estratégia dentro de seu Projeto Titan, pois considerou a melhor maneira de entrar no mercado ferozmente competitivo e de capital intensivo para automóveis de passageiros.

As negociações da empresa do Vale do Silício com a Hyundai desencadearam um intenso jogo de adivinhação sobre quais outros fabricantes poderiam fazer parceria com a Apple, com o mercado se concentrando nas oito montadoras japonesas.

As ações da Nissan subiram 5,6% na quarta-feira, depois que o presidente-executivo Makoto Uchida sinalizou sua abertura para trabalhar com grupos de tecnologia quando questionado durante uma apresentação de resultados, sobre uma suposta associação de sua empresa com Apple.

Mas uma pessoa com conhecimento das discussões disse que as negociações vacilaram depois que a empresa americana pediu que a Nissan fizesse carros com a marca Apple, uma exigência que efetivamente rebaixaria a montadora “a um fornecedor de hardware”.
Muitas montadoras expressaram medo de se tornarem “a Foxconn da indústria automobilística”, uma referência ao grupo de manufatura taiwanês que monta iPhones. A Apple não quis comentar.

Ashwani Gupta, diretor de operações da Nissan, disse que o grupo japonês "não está" em negociações com a Apple, cujo interesse em entrar na indústria automobilística remonta a 2014.

“Temos a satisfação do cliente, que vem de carro. De jeito nenhum iremos mudar a maneira como fazemos carros”, disse Gupta em uma entrevista ao Financial Times. “A forma como projetamos, desenvolvemos e fabricamos será como um fabricante de automóveis, como a Nissan.”

Para Gupta, a Nissan está aberta a explorar parcerias com grupos de tecnologia para se adaptar à mudança, em especial para veículos conectados e direção autônoma, dando como exemplos o Google e algumas outras start-ups. Mas acrescentou: “Temos que verificar quem tem a melhor competência para captar o que o cliente está pensando. Para isso, podemos fazer a parceria, mas isso é adaptar seus serviços ao nosso produto, não vice-versa.”

Analistas têm dito que a Nissan — que já tem uma aliança com a francesa Renault e a Mitsubishi Motors — pode ser uma boa opção para a Apple. A empresa japonesa foi pioneira em veículos elétricos com o lançamento do Leaf em 2010. A Nissan também tem infraestrutura industrial em suas fábricas nos Estados Unidos. O grupo, que era deficitário, mudou de foco no volume para a lucratividade.

Mas Mio Kato, analista que escreve sobre a plataforma Smartkarma, disse que a Nissan não tinha a escala de rivais, como a Toyota, para fazer o tipo de grandes investimentos necessários para a tecnologia de direção autônoma.

Alguns analistas preveem que a Apple poderá tornar-se um poderoso desafio à indústria automotiva, embora não esteja claro que tipo de tecnologia ela poderia fornecer além do poder de sua marca. A Apple vem testando há anos, na Califórnia, tecnologias de carros sem motorista ou autônomos.

A empresa informou na semana passada que seus “motoristas de reserva tiveram que intervir uma vez a cada 230 km de teste”. Em contraste, o Waymo, o carro autônomo da Alphabet e o Cruise da GM, cada um, conseguiram viajar em média quase 48 mil km antes de um único “desligamento”.

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