O passado é a única realidade que vemos no Universo

hubble_friday3.jpgPor Ethevaldo Siqueira
04/05/2017 - “No Universo, não existe o presente, o agora, o instante atual. Tudo que vemos é passado”. O pensamento filosófico é de Carl Sagan, talvez o maior astrônomo do século 20. Pense neste exemplo corriqueiro: quando você vê o Sol despontar no horizonte, ele “já estava lá” há 8 minutos – pois essa estrela está a 8 minutos-luz de nós, ou o equivalente a 150 milhões de km.

Numa das palestras de Carl Sagan, a que assisti em Pasadena, ouvi dele essa bela descrição do Universo. “Quando contemplamos qualquer ponto do Cosmos tudo que vemos, de fato, algo que já aconteceu, ou passado.”

E o melhor exemplo que Sagan dava ao auditório era da estrela mais próxima da Terra, a Alpha Centauri, também chamada de Próxima do Centauro, que está a “apenas” 4,3 anos-luz de nós, ou 37 bilhões de km. Em outras palavras, a imagem que você veria agora pelo telescópio ou a olho nu, é aquela que a estrela tinha há quase cinco anos (ou seja, em julho de 2012).

Imagine agora a foto que ilustra esta notícia, feita pelo Telescópio Espacial Hubble da Nasa/ESA, há dois anos, que mostra o centro do aglomerado globular Messier 22, também conhecido como M22, que está a 10.000 anos-luz da Terra. O que vemos aí é a a aparência desse aglomerado na época em que as primeiras civilizações começavam a lavrar a terra, a plantar e criar animais, como ocorria na Anatólia (Turquia) e na Mesopotâmia. Ou 4.000 anos antes das primeiras dinastias de faraós do Egito.

Descoberto em 1665 por Abraham Ihle, o Messier 22 é um dos 150 aglomerados conhecidos da Via Láctea. Visível no Hemisfério Norte, ele é, na realidade, um dos mais brilhantes aglomerados globulares. Está localizado na constelação de Sagitário, perto do Centro da Via Láctea (Galactic Bulge) - a massa densa de estrelas que existe no centro da Via Láctea.

Os aglomerados globulares são coleções de milhares ou até de milhões de estrelas densamente reunidas. Considerados relíquias dos primeiros anos do Universo, eles têm idades de típicas de 12 a 13 bilhões de anos – uma idade muito antiga, já que o Universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos.

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