Conheça ELI, o primeiro robô assistente de advogado brasileiro

08/05/2018 - O robô não advoga: ele somente automatiza tarefas repetitivas para o profissional do Direito

ELI é a sigla em inglês para Enhanced Legal Inteligence ou Inteligência Legal Melhorada, na tradução livre. Um assistente personalizado, dedicado a otimizar processos e garantir ao profissional tempo para atender o cliente e dedicação ao trabalho intelectual, ativos valiosos e que não podem ser automatizados.

Operacionalmente, o ELI pode ajudar com a coleta de dados, geração e organização de documentos, execução de cálculos, formatação de petições, interpretação de decisões judiciais, auxiliando a escolha de modelos aplicáveis aos casos e uma série de outras ações repetitivas. Em outra ponta, a capacidade de análise de uma grande quantidade de dados, de forma precisa e em questão de segundos, permite ao advogado o aumento da escala de atendimento, agilidade na tomada de decisões e preços justos sem sacrificar a qualidade.

“Em processos contra a cobrança de taxas indevidas na conta de luz, por exemplo, que geralmente não têm valores muito expressivos, o tíquete não atrai frente à mecânica processual. Agora com um sistema que torna factível o trabalho e controle de vários processos na mesma linha, com a mesma qualidade de entrega, o cenário passa a fazer mais sentido”, explica Derek Oedenkoven, CEO da Tikal Tech, empresa especializada em soluções jurídicas. “O ELI torna economicamente viável e atrativo para advogados e seus clientes promoverem ações para restituição deste imposto, promovendo assim um acesso ampliado da população a seus direitos. A mesma lógica pode ser aplicada a inúmeras outras situações...” complementa Derek.

Inédito no Brasil

Existem outras plataformas jurídicas no Brasil, mas o ELI é o primeiro robô-assistente. Pensado para ser o alter ego do advogado, programado por ele para ser perfeito para ele ou para seu escritório. Com habilidades específicas de autosserviço jurídico, acompanhamento de carteiras e rotina de processos, assessoria em colaborações (união de advogados com diferentes especialidades), relatórios inteligentes (analíticos e não apenas descritivos), e atendimento automatizado, que possibilita a programação de respostas aos clientes na forma de chatbot.

O ELI segue o exemplo de outros sistemas inteligentes no mundo, como o ROSS, robô da Baker & Hostetler, uma das maiores bancas de advocacia dos EUA. Ele ainda não atua em tribunais, mas opera como fonte inesgotável de informações, com capacidade de processar 500 gigabytes, ou um milhão de livros, em apenas um segundo. E, também, o robô LISA, desenvolvido para a automatização de documentos de confidencialidade na Inglaterra, mas com tecnologia genuinamente brasileira desenvolvida em parceria com a Tikal Tech.

Além do ELI, a empresa opera hoje com três plataformas:

- SeuProcesso (www.seuprocesso.com): sistema em que cidadãos e pequenas empresas podem identificar, acompanhar e esclarecer dúvidas sobre processos;

- LegalNote (www.legalnote.com.br): assistente pessoal digital que permite a concentração mobile de informações e tarefas;

- Diligeiro (www.diligeiro.com.br): plataforma que liga advogados de diferentes regiões do país, facilitando a contratação de correspondentes jurídicos.

Sobre a legislação brasileira

A atuação dos robôs é muito apropriada para o panorama do Brasil, tanto no campo do Judiciário (pelos advogados e pela própria Justiça), quanto na formulação de documentos.

O Brasil é um país de legislação codificada, como os países da Europa continental. Isto significa que a principal referência de direito é sempre a lei, e normalmente é lei federal, o que estabiliza as relações mais simples de forma bastante uniforme.

Aqui, talvez até mais do que em países de tradição do direito inglês (em que o direito surge sempre da conjugação de inúmeras decisões judiciais), é possível estabelecer padrões de aplicação de direito sem a necessidade de buscar informações a cada momento. Isto facilita, por exemplo, a automação de documentos – sejam petições, sejam contratos baseados em legislação específica, como locação, leasing, etc...) e a programação do robô por advogados em seus escritórios para detectar variações já previsíveis nesses documentos ou teses.

Além disso, o Brasil é o país com o maior contencioso do mundo, mas este contencioso, apesar de muito numeroso, concentra-se em um número relativamente pequeno de teses, normalmente tributárias, de consumidor, ou pedidos trabalhistas (estes agora estão em um período de grande revisão. Para esta repetitividade, a utilização do robô é perfeitamente possível, e traz vantagens de confiabilidade, rapidez e escala.

A consequência é um melhor custo operacional pra o advogado que automatiza, beneficiando indiretamente o cliente, que não precisará mais pagar tanto para remunerar o advogado. Também em tarefa repetitiva, organização de fluxos internos, acompanhamento automático de processos, gestão de tarefas e de equipe, o robô poderá trazer vantagem para o escritório, departamento jurídico ou gabinete, com especial ganho de eficiência.

Também há a possibilidade de programar o robô para implementar algoritmos de inteligência artificial, encontrando e criando dados relevantes em textos de decisões judiciais, apontando relações impossíveis de se detectar sem a manipulação automática de grandes massas de dados, como tendências judiciais e curvas de normalidade.

 

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