Líderes criam grandes empresas: Irwin Jacobs criou a Qualcomm

Por Ethevaldo Siqueira
14/02/2018 - Numa matéria de mais de página inteira, o New York Times deste domingo (11 de fevereiro de 2018) mostrou as preocupações de San Diego diante da eventual compra da Qualcomm pela BroadCom, que fez a oferta de US$ 121 bilhões pela empresa que San Diego chama de "Our Flag". A Qualcomm recusou a oferta.

A empresa é um ícone no mundo da microeletrônica e das telecomunicações móveis. É possível que o leitor use um smartphone que funciona graças a um Snapdragon, ou SOC (System on a Chip) da Qualcomm, maior fabricante dessa família de componentes para celulares no mundo.

Ethevaldo Siqueira e Irwin Jacobs, um dos fundadores da Qualcomm

Neste artigo quero apenas relembrar a evolução extraordinária dessa empresa, que tem sido um orgulho para San Diego e para os Estados Unidos. Dou, também, um pequeno testemunho do que aprendi com Irwin Jacobs e outros líderes dessa empresa – hoje presidida pelo brasileiro Cristiano Amon. Aliás, como ele mesmo diz com orgulho: um campineiro.

Em meu trabalho como jornalista, ao longo de mais de 20 anos, tive a oportunidade de conhecer o grande líder da Qualcomm, Irwin Jacobs, hoje aposentado, com 84 anos, uma figura inesquecível para mim.

Meu primeiro contato com ele foi em San Diego, no início da década de 1990, quando a Qualcomm ainda estava decolando no mundo da microeletrônica e das telecomunicações. Além Jacobs, entrevistei diversas vezes de Andrew Viterbi, um de seus seis companheiros na fundação da Qualcomm, que veio diversas vezes ao Brasil, na década de 1990 para estudar o mercado brasileiro. Nas suas entrevistas, que eram verdadeiras aulas, Viterbi foi para mim um verdadeiro professor de eletrônica e telecomunicações.

O perfil de Jacobs

Nascido em New Bedford, Massachusetts, Irwin Jacobs formou-se em engenharia elétrica na Universidade de Cornell e concluiu o mestrado e o doutorado no MIT, o famoso Massachusetts Institute of Technology, em 1959. Depois de mudar-se para a Califórnia, trabalhou como professor de engenharia elétrica e eletrônica, e como consultor e projetista de placas de circuito integrado e chips mais complexos.

Nessa época, em companhia de outros engenheiros de alto nível, decide fundar a Linkabit, uma empresa de consultoria que contratou pesquisas para clientes como a NASA e outros da área de telecomunicações em espaço profundo (para as naves que visitam outros planetas), além da projetar e construir placas de circuitos, chips e outros componentes.

À medida que o Linkabit crescia, passava a atrair engenheiros de instituições de prestígio como MIT e Stanford para a área de San Diego. E à medida que a Universidade da Califórnia em Los Angeles crescia, a Linkabit passou a contratar mais engenheiros localmente. Os engenheiros da Linkabit foram uma espécie de semeadores de novas empresas na área.

Em 1985, Jacobs partiu para um novo projeto, em companhia de antigos colegas para criar uma empresa centrada em "comunicações de qualidade", ou, resumidamente, Qualcomm.

Ao sair da Linkabit, Irwin Jacobs, Andrew Viterbi e mais cinco engenheiros da empresa decidiram fundar a Qualcomm. Assim nasceu a empresa, em San Diego, na casa do Dr. Irwin Jacobs, ocasião em que os sete engenheiros delinearam o plano que evoluiu para se tornar uma história de sucesso sem paralelo entre as start-ups da indústria de telecomunicações: a Qualcomm Incorporated.

San Diego: "Qualcomm is Our Flag"

Poucas empresas no mundo estão ligadas a uma cidade de forma tão indissolúvel como a Qualcomm e San Diego. A cidade se orgulha do sucesso e da alta tecnologia da Qualcomm. O nome dessa empresa identifica desde a Escola de Engenharia da Universidade da Califórnia em San Diego até o grande estádio – o Qualcomm Stadium  de futebol americano da cidade, além de casas de concerto e escolas música. Em 2010, a empresa inaugurou seu museu em San Diego, para contar a própria evolução da tecnologia.

A filantropia do casal Joan e Irwin Jacobs

Como fundador e personalidade mais famosa da história da Qualcomm, Irwin Jacobs tem dado extraordinária força à população de San Diego. Ele e sua esposa, Joan, aceitaram tranquilamente o desafio bilionário de Warren Buffett, como de Bill Gates, e se comprometeram a doar pelo menos a metade de sua considerável fortuna para causas filantrópicas.

Na cidade, são bem conhecidas as generosas as ofertas do casal para cuidados médicos, pesquisas, educação e artes. Essas doações incluem, por exemplo, US$ 120 milhões para a San Diego Symphony, um montante similar à Escola de Engenharia Jacobs da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), US $ 75 milhões para um hospital especial da mesma universidade e US $ 30 milhões para o Instituto Salk de Estudos Biológicos.

A revista The Chronicle of Philantropy (A Crônica de Filantropia) classificou o casal entre os 22 doadores mais generosos dos EUA em 2011, com doações que totalizaram US $ 64,9 milhões apenas em 2010. De lá para cá, foram feitas diversas outras doações.
Menos divulgadas, mas não menos importantes, são as muitas ações não-financeiras do casal Jacobs, que utiliza a tecnologia das comunicações para beneficiar os cuidados de saúde, a educação e o aprimoramento da qualidade de vida das pessoas, especialmente nos países do Terceiro Mundo.

Para mais informações sobre a Qualcomm e sua importância para San Diego, leia a matéria do New York Times. Clique nesse link:

Matéria atualizada dia 14/02/2018 às 15:37

 

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